Os Grandes Princípios da Verdade Ensinados por Revelação aos Antigos, e Também aos Santos em Nossos Dias
John Taylor
É-me agradável ter a oportunidade de estar com os Santos deste lugar hoje. Vim aqui para assistir a vossa reunião Primária dos jovens; e, já que aqui estava, pensei em ficar até domingo e falar um pouco aos pais e mães. E diria, como geralmente é sabido por todos vós, que não temos nossos discursos arranjados para nós, ou particularmente traçados. Nossa ideia é apresentar-nos diante do povo, e buscar a influência do Espírito do Senhor, para que se possam comunicar as coisas que sejam vantajosas e interessantes para os que ouvem. E, portanto, quando nos reunimos numa assembleia como esta, todos nós, tanto orador quanto ouvinte, deveríamos sentir que estamos nas mãos de nosso Pai Celestial, e buscar o auxílio de seu Santo Espírito, para que o orador fale correta e compreensivelmente, e de modo calculado para promover o bem-estar do povo, e para que o próprio povo esteja também preparado para receber aquilo que se comunicar. ¶
Ocupamos uma posição peculiar sobre a terra no tempo presente, talvez um pouco diferente da de qualquer outro povo que já tenha existido sobre a terra — nossos pensamentos, nossas ideias, nossos princípios, nossa organização, nossas doutrinas, nossas ordenanças, e tudo o que se relaciona a nossos assuntos religiosos, são diferentes dos de outros povos; e é nossa opinião, e não apenas nossa opinião, mas uma certeza — de fato, chega a ser conhecimento, entre grande número dos Santos dos Últimos Dias, de que as influências e princípios que recebemos nos foram comunicados pelo Todo-Poderoso. Não fomos nós os originadores dos princípios em que cremos; nem o foi Joseph nem Hyrum Smith, nem o Presidente Brigham Young, nem os Doze; nem o foi indivíduo algum, nem povo algum associado ao sacerdócio ou à organização da Igreja no tempo presente. Cremos que estas coisas nos foram comunicadas pelo Senhor; que estão em estrita harmonia com princípios que já existiram, até certo ponto, anteriormente, com esta diferença, contudo, de que, nas várias dispensações que existiram sobre a terra desde sua formação, cada uma teve seu papel peculiar a cumprir, com certos deveres recaindo sobre os que nela operavam. Vivemos na dispensação que é enfaticamente chamada a dispensação da plenitude dos tempos, a qual, somos informados pelas escrituras, tem sido "falada pela boca de todos os santos profetas desde que o mundo começou"; e, sendo este o caso, a dispensação em que vivemos abrange necessariamente tudo o que estava contido em qualquer e em todas as outras dispensações que existiram em todas as eras que precederam a nossa; e que, consequentemente, quaisquer organizações, manifestações, revelações ou comunicações que já tenham vindo de Deus à família humana em seus tempos e dispensações, podemos consistentemente esperar que estejam incorporadas nesta. E, portanto, em alguns aspectos, como disse antes, a dispensação ou tempo em que vivemos difere, em muitos particulares, daquelas em que Deus se comunicou com o homem. ¶
Temos, por exemplo, o que se chama a dispensação patriarcal, que existiu antes e depois do dilúvio. E aqueles patriarcas e homens de Deus que viveram naquelas eras remotas tiveram comunicações com o Todo-Poderoso, e também tiveram o Evangelho. E não apenas receberam revelações pertencentes a seu próprio dia e época, mas também a respeito do futuro. E, por isso, somos informados de que Adão, três anos antes de sua morte, reuniu grande número de seu povo e as proeminentes autoridades do santo sacerdócio, e os abençoou, e, estando cheio do Espírito Santo, predisse tudo o que haveria de acontecer a sua posteridade até a última dispensação, incluindo todos os principais acontecimentos que haveriam de transcorrer nas diferentes eras do tempo, mesmo até a cena final, associada a esta nossa terra; abrangendo aquelas coisas que têm sido e hão de ser trazidas nesta a presente dispensação. E, de fato, esta dispensação, somos informados, tem sido "falada pela boca de todos os santos profetas desde que o mundo começou". E, portanto, deve necessariamente ter estado associada aos ensinamentos de Adão, de Sete, de Enoque, de Matusalém, e de Noé, Abraão, Moisés e muitas outras personagens proeminentes que tiveram comunhão com o Senhor, e a quem foram revelados seus propósitos e desígnios nos dias em que viveram. Muitas pessoas escutaram os princípios da verdade em seu dia. Enoque era homem notável e tinha uma missão especial ao povo em seu dia, e estava cheio do espírito de profecia e revelação; tinha também uma organização eclesiástica, como a temos até certo ponto, e pregava ao povo e o advertia de certos acontecimentos que haveriam de transcorrer sobre a terra. E os ímpios se enfureceram contra eles, como às vezes se enfurecem contra nós; não gostavam de seus ensinamentos e operações, e conspiraram contra eles, e grande número de seus inimigos se reuniu com o propósito de destruí-los. E Enoque foi revestido pelo poder, pelo espírito e pela revelação de Deus. E, enquanto sob a inspiração do Todo-Poderoso, proferiu suas profecias, e seus inimigos, e o povo em geral, tremeram diante do poder de suas palavras; e a terra tremeu, e o povo fugiu de sua presença para longe, e não puderam feri-lo, pois Deus estava com ele. E Enoque, com os trabalhos unidos dos élderes de seu dia, reuniu o povo que deu ouvidos a suas palavras e creu na mensagem que lhes fora enviada, do mesmo modo que vós fostes reunidos. Edificaram uma cidade que se chamou Sião; e o povo que a habitava esteve sob a inspiração do Senhor por grande número de anos, recebendo instrução, orientação e direção dele. E, finalmente, à medida que a maldade crescia e aumentava, e à medida que o testemunho ia adiante entre eles, os bons, os virtuosos, os honrados, os puros e aqueles que desejavam temer a Deus e praticar a retidão se reuniram, constituindo a cidade de Sião; e os outros se tornaram mais corruptos. E Enoque e seus irmãos profetizaram ao povo a respeito das calamidades que haveriam de sobrevir-lhes, de que o mundo seria destruído por um dilúvio; e foram feitas provisões para a continuação da família humana, e foi dado a conhecer a Matusalém que sua semente seria o meio pelo qual se perpetuaria a família humana sobre a terra. E Matusalém estava tão desejoso de que isto se cumprisse, que Noé, seu neto, que era filho de Lameque, foi ordenado por Matusalém quando tinha dez anos de idade. ¶
O povo, sabemos, tornou-se tão corrupto que "toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má, e isso continuamente"; e somos informados de que até mesmo pesou ao Senhor haver feito o homem. Mas os servos de Deus foram adiante, pregando o Evangelho de vida e salvação a este povo iníquo, e advertindo-o da destruição que vinha sobre a terra. Antes que esta grande calamidade ocorresse, Enoque e sua cidade foram trasladados. ¶
O poder de translação era um princípio que existia na Igreja naquela dispensação. Há algo muito peculiar nestas coisas. Algumas pessoas, que não estão na Igreja, poderiam perguntar-me de onde tirei minha evidência. Aos Santos dos Últimos Dias diria: recebemo-la por revelação. Não cremos nisso, dizem alguns. Não podemos evitá-lo. Estou falando agora aos que assim creem, aos que são crentes em Deus, e que são crentes na Bíblia, no Livro de Mórmon, na Doutrina e Convênios, e que creem nas revelações que o Senhor tem dado e naquelas que continua a comunicar. É a essas pessoas que hoje me dirijo nestes pontos. ¶
A Bíblia não nos dá uma história muito extensa destes assuntos; de fato, é muito, muito breve. Referindo-se àquele grande homem, Enoque, diz-nos que ele não era, porque Deus o tomou; e isso é tudo. É uma história muito curta para assunto tão importante. ¶
Depois disso veio o dilúvio, que foi uma terrível calamidade a sobrevir aos habitantes da terra; e foram varridos segundo a profecia — cortados da terra, privados de vida e existência, e encerrados em prisão. ¶
Passados alguns milhares de anos, veio Jesus, associado a outra dispensação. E, quando apareceu sobre a terra e havia concluído seu ministério, e havia sofrido na carne e fora vivificado pelo espírito, "foi e pregou aos espíritos em prisão", que estavam, como se diz, "antigamente desobedientes nos dias de Noé". E, por isso, milhares de pessoas que haviam sofrido a ira de Deus por tanto tempo tiveram a oportunidade de escutar os princípios do Evangelho, em outra dispensação que Jesus veio proclamar. E, quando concluiu sua missão sobre a terra para com aqueles que viviam, foi então pregar àqueles que haviam morrido, e eu poderia propriamente dizer que estavam condenados havia tantos anos. E qual foi a missão especial que teve de proclamar? Veio "pregar o evangelho aos pobres, para curar os quebrantados de coração, apregoar liberdade aos cativos e dar vista aos cegos, e para pregar o ano aceitável do Senhor, e o dia da vingança de nosso Deus". Essa foi parte de sua missão; a totalidade de sua missão, contudo, ainda não se cumpriu. Mas ele veio libertar os prisioneiros, o que fez em espírito, quando concluiu sua missão sobre a terra. ¶
Depois disso, Noé se adianta numa posição proeminente, e teve sua obra a realizar, o que fez, e começou a levantar outra semente; e eles viveram também no que se pode chamar uma dispensação patriarcal. E entre eles estava grande parte de sua posteridade principal. Havia Melquisedeque, por exemplo, que foi chamado o Rei de Salém e Príncipe da Paz, a respeito de quem Paulo faz algumas observações curiosas, entre as quais estava que Cristo era sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Se era, então, é claro, Melquisedeque era sacerdote segundo a ordem de Cristo. E, assim como Cristo introduziu o Evangelho, também Melquisedeque tinha o Evangelho, e teve e administrou no mesmo sacerdócio que Jesus. E lemos também, segundo as ideias de alguns homens, uma coisa muito singular a seu respeito: que "era sem pai e sem mãe, e sem princípio de dias nem fim de anos, e permanece sacerdote continuamente". Deve ser, de fato, um homem muito singular, ser sem pai e sem mãe e sem descendência, e, contudo, ser sacerdote para sempre. Bem, como é isso? Geralmente compreendeis; mas informarei aos que não compreendem que o Apóstolo Paulo se referia ao sacerdócio que Melquisedeque detinha, e que tinham, naquele tempo, o que se chamava o sacerdócio aarônico ou levítico, isto é, no dia em que viveu Saul; e que um homem, para ser sacerdote, tinha de ser descendente literal de Arão e da tribo de Levi; e tinha de poder provar sua linhagem, traçando sua descendência até o tempo em que este sacerdócio foi dado por Moisés no deserto. Mas o sacerdócio de Melquisedeque era diferente daquele, nada tinha particularmente a ver com pai ou mãe, sendo sem descendência, e, portanto, os que o detinham não dependiam inteiramente de seu pai ou de sua mãe ou de sua descendência para essa autoridade; mas esse sacerdócio é um sacerdócio eterno, administrando no tempo e na eternidade. E é a isto que Paulo se referia, por contraste com o sacerdócio aarônico que então existia. ¶
Associados a este sacerdócio, havia certos poderes e privilégios. Estes Abraão os possuiu e desfrutou. Algumas pessoas pensam que ele era uma espécie de pastor, com pouquíssimas ideias mais que um cogumelo; que vivia nas eras obscuras e não compreendia muito; que não era inteligente e tinha uma espécie do que hoje chamamos "mentalidade retrógrada". Mas, se examinarmos seu caráter e a posição que ocupava, e se compreendermos algo dos princípios que promulgou, achamos que era personagem inteiramente diferente. Ao dar sua história, diz-nos que "buscou as bênçãos do Pai e o direito ao qual deveria ser ordenado para as administrar". Diz ainda — "Tendo eu mesmo sido seguidor da retidão, desejando também ser possuidor de grande conhecimento, e ser maior seguidor da retidão, e possuir maior conhecimento, e ser pai de muitas nações, um príncipe da paz; e desejando receber instruções, e guardar os mandamentos de Deus, tornei-me um herdeiro legítimo; um sumo sacerdote, detendo o direito que pertence aos pais; foi-me conferido pelos pais; veio dos pais desde o princípio do tempo. Sim, mesmo desde o princípio, ou antes das fundações da terra, até o presente tempo, mesmo o direito do primogênito, ou do primeiro homem, que foi Adão, ou primeiro pai, por meio dos pais até mim." Times and Seasons, vol. iii, p. 704. Seu pai, contudo, era idólatra; mas provavelmente possuía um registro de sua genealogia, pois Abraão, em seu registro, prossegue — "procurarei, doravante, delinear a cronologia, remontando de mim mesmo ao princípio da criação, pois os registros vieram a minhas mãos, os quais guardo até o presente." E, tendo descoberto que tinha direito ao sacerdócio, procurou, portanto, uma ordenação, e foi ordenado por Melquisedeque ao sacerdócio de Melquisedeque. E o Senhor lhe deu certos privilégios e poderes que eram muito grandes; não apenas teve uma ordenação do modo a que me refiro, mas buscou mais informação do Senhor. E o Senhor se comunicou com ele e lhe deu um Urim e Tumim, pelo qual foi capacitado a interpretar, a ler e a compreender a mente e a vontade e as leis e os propósitos de Deus. E, além disso, diria que foi ainda mais longe. Pediu a Deus certas bênçãos e privilégios e poderes que lhe pertenciam e que considerava estarem a seu alcance, e que eram seu privilégio obter. E o Senhor se revelou a ele e lhe comunicou certos princípios eternos — que nenhum homem pode compreender a menos que Deus os revele — e muitas outras coisas — o movimento dos planetas, e o sistema planetário da terra em que vivemos, e o sol e a lua e as estrelas e os vários corpos que compõem nosso sistema solar; e depois de outros sóis, e outros corpos celestes e as leis que os governam. Abraão escreveu estas coisas, e era bem versado nestes grandes princípios; e alguns homens afirmam hoje que foi o fundador de certos princípios abstrusos que alegam descobertos no que se chama a Grande Pirâmide do Egito — princípios que não apenas pertencem aos sistemas planetários, mas a acontecimentos ainda por transcorrer sobre a terra. Não vou dizer nada a respeito da veracidade ou não veracidade destas últimas afirmações, pois não as investiguei o bastante para compreendê-las; mas apenas dou a opinião de grande número de homens a respeito dele e da inteligência que possuía. Mas basta dizer que o próprio Senhor instruiu Abraão em coisas pertencentes a este e a outros mundos, e que ele, em seu dia, possuía mais luz e inteligência sobre os princípios aludidos do que toda a sabedoria combinada do mundo de hoje. ¶
Ora, este era o tipo de homem que Abraão era. E seu coração, seus sentimentos e suas afeições eram voltados para Deus. E Deus o abençoou e lhe disse: "Que deveras te abençoarei, e grandemente multiplicarei tua semente, e será como as estrelas do céu", etc. E ainda o Senhor lhe disse: "E em tua semente serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz." E, por isso, ocupou posição muito importante. E, como disse antes, sendo patriarca, tinha o evangelho e o sacerdócio a ele pertencente, a saber, o sacerdócio de Melquisedeque. ¶
Não me proponho hoje a mostrar como todas estas coisas se cumpriram literalmente, das quais aqui se fala; isso deixarei para que vós mesmos investigueis. Mas as promessas feitas àquele homem de Deus têm sido literalmente cumpridas, mesmo até o presente dia, até o surgimento desta obra com que estamos associados. ¶
Ora, aquela era uma dispensação peculiar; foi sob a dispensação que foi introduzida, digamos, por Noé, ou aquela de que ele foi, ia dizer, o fundador; não foi o fundador dela, mas foi aquele preservado pelo Todo-Poderoso do naufrágio do mundo, no qual vivera por mais de 600 anos, para introduzi-la. E Abraão foi um dos protagonistas proeminentes na operação e execução dos propósitos de Deus naquela dispensação, e havia muitos outros também que possuíam o mesmo tipo de inteligência; mas ele foi um dos mais proeminentes, por isso me referi mais particularmente a ele. ¶
Depois, seguiu-se outra dispensação, chamada a dispensação mosaica. Moisés foi usado como instrumento para libertar os filhos de Israel da escravidão egípcia. Fora predito que os descendentes de Israel entrariam em escravidão e ficariam confinados ali por 400 anos, e que seriam libertados pelo poder de Deus. E Moisés foi o homem escolhido do Senhor para realizar essa obra; e devia ao Senhor a instrução e a inteligência que recebera. Lemos na Bíblia que, em certa ocasião, ele viu uma sarça ardente, e a sarça, sabemos, não se consumia; e, ao aproximar-se dela, ouviu a voz do Senhor a falar-lhe, dizendo-lhe que tirasse as sandálias dos pés, pois o lugar em que estava era terra santa. Fez como lhe foi ordenado. O Senhor então lhe disse que tinha uma obra para ele realizar, a qual era que descesse ao Egito, onde fora criado desde sua juventude, e onde fora ensinado segundo o saber dos egípcios, para libertar este povo, Israel, de sua escravidão. Vós que conheceis vossa Bíblia sabeis a história disso. O relato é extenso, e não tentarei entrar nele. Basta dizer que ele conseguiu libertar os filhos de Israel da escravidão egípcia. Teve o poder, quando seu povo chegou ao Mar Vermelho, de ferir o mar e fazer com que as águas se dividissem, abrindo assim um caminho de fuga de seus perseguidores, os egípcios. Conduziu-os ao deserto, onde tiveram de depender inteiramente da misericórdia de Deus para seu sustento. Mas, tendo estado em escravidão por tanto tempo, era-lhes difícil compreender muitas coisas que lhes eram comunicadas; e, somos informados, começaram a ansiar pelos alhos-porros e cebolas. Nós, em nosso dia, pensaríamos que seu gosto não era muito delicado; mas esse era seu desejo, muitos deles sentindo que prefeririam voltar ao Egito a sofrer as provações que pareciam aguardá-los. E o Senhor se manifestou a eles de muitas maneiras maravilhosas, e Moisés, que era seu líder e que fora especialmente designado pelo Senhor, subiu ao monte, e o Senhor lhe deu certos mandamentos, que escreveu com seu próprio dedo, sobre tábuas de pedra preparadas para esse propósito. Moisés esteve longe do povo por algum tempo, conversando e recebendo comunicações do Todo-Poderoso, e, quando desceu, encontrou que o povo que havia tirado do Egito, e a quem as manifestações do Senhor haviam sido mostradas, havia feito um bezerro de ouro e o estava adorando — quase o mesmo que fazemos às vezes, e nos consideramos povo muito mais esclarecido que eles — e disseram: "Estes são teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito." Ao ver esta maldade da parte de seu povo, ele se irou, e lançou as tábuas de pedra ao chão e as quebrou. Depois, foram preparadas outras pedras, e nelas escritas as mesmas leis. E o Senhor desejava que eles, como povo, fossem fiéis na observância de suas leis, que fossem governados pelos princípios do Evangelho que Moisés lhes ensinou. Esta é uma ideia singular para algumas pessoas; pensam que não havia Evangelho até que Jesus viesse. Bem, não podemos evitá-lo, mas Paulo o compreendeu melhor. Diz-nos que Moisés lhes pregou o Evangelho no deserto, mas a palavra pregada não lhes aproveitou, etc., pelo que a lei foi acrescentada por causa da transgressão. Acrescentada a quê? Ao Evangelho. Paulo compreendeu isto, ainda que os homens desta época não o compreendam. E o próprio Moisés chegou à presença de Deus, e também conduziu setenta élderes que foram tão instruídos e preparados que puderam entrar na presença de Deus para comunicar-se com ele; mas o povo temia a Deus, e, quando o Senhor lhes apareceu no Monte Sinai, quando ouviram os trovões e viram os relâmpagos e sentiram o monte tremer, disseram a Moisés: não deixes que o Senhor nos fale mais, para que não morramos nós, seu povo; mas fala tu conosco, e sê o porta-voz. Não estavam preparados para vir à presença do Senhor; não eram suficientemente puros, nem compreendiam as leis e princípios que Deus havia comunicado. Mas murmuravam e murmuravam continuamente — o mesmo que fazemos nós, vemos algo do mesmo espírito, às vezes nos encontramos murmurando contra Deus, ou pelo menos contra algumas das revelações que ele nos deu, ou contra o sacerdócio, e em muitos casos sem causa alguma. E que fizera Deus por eles? Tirou-os do meio do Egito, de um estado de servidão e vassalagem, e os livrou das mãos de seus opressores, e, quando os egípcios os perseguiam, abriu as águas do Mar Vermelho e os deixou passar em segurança; mas afogou seus inimigos que os perseguiam. Depois, quando lhes faltou alimento, supriu-os com pão de anjos, o maná. Isso foi todo o mal que lhes fez — quase tanto quanto muitos outros que murmuram. Murmuraram contra Deus por tê-los tirado dali, e contra Moisés por ser o instrumento nisso. Ao passo que Deus procurava cumprir as promessas que fizera com Abraão, o pai deles; e usava Moisés como seu instrumento para libertar o povo daquela escravidão sob a qual haviam sido oprimidos por tanto tempo; mas, por causa de suas transgressões, sua maldade e sua rebeldia, a lei lhes foi acrescentada ou dada, que era uma lei de mandamentos e ordenanças carnais, da qual um escritor posterior, ao falar dela, diz: "nem nós, nem nossos pais, pudemos suportar." ¶
Bem, ele os colocou em outra posição, e lhes deu o Evangelho, mas, como não podiam suportar a luz maior, deu-lhes uma luz menor, na forma de uma lei de mandamentos e ordenanças carnais. Por isso, aquela dispensação é chamada a dispensação mosaica; e Moisés foi o instrumento usado pelo Todo-Poderoso para introduzi-la, e foi-lhe revelada sobre o monte. E aquela lei de mandamentos e ordenanças carnais parecia agradar-lhes um pouco mais que o Evangelho; amavam mais esses mandamentos carnais do que a luz, a verdade, a revelação e o espírito associados ao Evangelho. E não podiam vir à presença de Deus. Se vos lembrais, certos homens em determinada ocasião correram a Moisés para se queixar de certos outros homens que, diziam eles, estavam profetizando; e Moisés lhes disse: "Quisera Deus que todo o povo do Senhor fosse profeta; quisera Deus que todos pudessem ser inspirados por aquele espírito de revelação que dele flui." Diz o Profeta Joel, falando da glória dos últimos dias: "E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos sonharão sonhos, os vossos jovens verão visões: e também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito", etc. Ora, tinham então uma dispensação chamada a dispensação mosaica; e associada a ela havia um salpicar do Evangelho. De vez em quando, a luz da estrela-d'alva despontaria sobre o povo, predizendo algumas coisas em que eles e seus filhos se interessavam; e isto se manifestava por meio de certos homens entre eles que eram peculiarmente inspirados por Deus. Mas não tinham então uma organização regularmente ordenada do Sacerdócio de Melquisedeque, como a temos. Se um homem recebia estas coisas naqueles dias, recebia-as de Deus. Um jovem veio a mim para fazer-me algumas perguntas sobre este assunto, e mencionarei aqui uma coisa que lhe disse. Estes profetas detinham o Sacerdócio de Melquisedeque, mas não o detinham na forma regularmente organizada como o temos nós. Por isso, quando Elias estava prestes a ser trasladado — pois aquele espírito e poder ainda estava com ele; não deixara a terra após o dia de Enoque, pois muitos foram trasladados além dele e sua cidade — havia certos profetas espalhados por Israel, e, ao viajarem juntos Elias e Eliseu, disse Elias a Eliseu: "Fica aqui, peço-te, pois o Senhor me enviou a Betel." Mas Eliseu disse: "Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei." E foram juntos. E, em Betel, os filhos dos profetas daquele lugar vieram a Eliseu, e lhe disseram: "Sabes que o Senhor tomará hoje teu mestre de sobre tua cabeça?" E ele respondeu: "Sim, eu o sei; calai-vos." Neste lugar, Elias quis que Eliseu ficasse, dizendo que o Senhor o enviara a um lugar chamado Jericó; mas Eliseu deu a mesma resposta. Elias, neste lugar, fez o mesmo pedido a seu companheiro, dizendo que o Senhor o enviara ao Jordão; mas Eliseu não se separaria de seu mestre. E foram juntos ao Jordão; e, ao chegarem àquele rio, Elias tirou seu manto, dobrou-o e feriu as águas, que se dividiram, de modo que passaram em terra seca. E, ao terem passado, Elias perguntou a Eliseu o que poderia fazer por ele antes de ser tomado. Eliseu, sabendo que tinha algo a fazer, e que estava prestes a ficar sozinho, e que talvez estivesse melhor preparado para realizar a obra diante dele, pediu a Elias que uma porção dobrada de seu espírito repousasse sobre ele. Mas poderia Elias conceder-lhe o pedido? Não, não podia. Que resposta lhe deu Elias? Disse: "pediste coisa difícil; contudo, se me vires quando for tomado de ti, assim te será; mas, se não, não será assim." Como sabia Elias disso? Porque sabia que o Sacerdócio de Melquisedeque detém as chaves dos mistérios e das revelações de Deus; e que, se pudesse vê-lo ao subir, seria para ele evidência de que o Senhor concedera seu pedido, embora ele mesmo não tivesse poder de concedê-lo; Eliseu saberia então que sua oração fora ouvida. Os outros profetas, sabendo que Elias seria trasladado, foram e ficaram a observar o acontecimento de longe; não suponho que tenham visto nada de Elias enquanto era levado ao céu. Mas ele foi levado, e Eliseu viu a maneira como ele foi, e clamou: "Meu pai, meu pai, carro de Israel e seus cavaleiros!" E como os viu? Deus lhe conferira aquele sacerdócio pelo qual foi capacitado a vê-los. Elias lançou seu manto ao subir, o qual Eliseu recolheu e partiu sozinho, tendo seu "chefe" sido trasladado. Mas recebera a resposta a sua oração; e, aproximando-se das margens do Jordão, com o manto que lhe fora deixado, feriu as águas, dizendo: "Onde está o Senhor Deus de Elias?" E, ao fazê-lo, elas se dividiram como haviam feito à ordem de Elias, e Eliseu passou. E Deus estava com ele, manifestando seu poder por meio dele, como o fizera por meio de seu predecessor. Falo disto como certo princípio, e falo agora para informação de vós, élderes, de que não tinham então um Sacerdócio de Melquisedeque organizado, mas que, se era conferido a indivíduos, estes não tinham poder de conferi-lo a outros, a menos que por mandamento especial do Senhor. E Elias sabia que, se Eliseu pudesse vê-lo ao ascender, sua oração seria respondida. Por quê? Porque o Sacerdócio de Melquisedeque detém as chaves dos mistérios e das revelações de Deus. ¶
Este é um princípio quanto a esse ponto; e pode ser de utilidade para vós, élderes, para que compreendais a posição que ocupavam. Isto estava associado, em parte, à dispensação mosaica, mas apenas em parte. Mas, quando Jesus veio, introduziu o sacerdócio de Melquisedeque de forma organizada, e restaurou o Evangelho. Mas aqueles homens não restauraram o Evangelho. Mas deixai-me mostrar-vos, a vós que conheceis a história do Livro de Mórmon, que tiveram muito mais revelações a respeito destas coisas neste continente do que tiveram no continente da Ásia. E tinham o Evangelho, e administravam nas ordenanças, e falavam da vinda de Cristo, embora administrassem ainda nas leis de Moisés até a vinda de Cristo; e, contudo, ao mesmo tempo, tinham o Evangelho e uma organização desse Evangelho, em parte, e ordenanças entre eles diferentes do que tinham no outro continente antes de Cristo vir. Vós que conheceis o Livro de Mórmon achareis estas coisas nele; e, se não as encontrastes, procurai-as, e achareis que o que digo a respeito deste assunto é verdadeiro. ¶
Muito bem. Quando Jesus veio, havia sido esperado por todos os profetas desde que o mundo começou, e fora profetizado a seu respeito que viria redimir o mundo e oferecer-se como sacrifício, como expiação pelos pecados do mundo, dos quais havia muitas sombras e tipos. Voltarei a referir-me a Moisés, e depois me referirei ao sacramento. Moisés, como disse, tinha o Evangelho quando foi entre os filhos de Israel. Houve muitos sinais e maravilhas derramados entre eles, e muitas calamidades sobrevieram aos egípcios. E Moisés ia, de tempos em tempos, à presença de Faraó, dizendo-lhe o que haveria de acontecer, e, entre outras coisas, disse que, se não deixassem ir Israel, o primogênito dos egípcios seria morto. E disse ao povo que habitava na terra de Gósen — os filhos de Israel — que matassem um cordeiro e aspergissem o sangue do cordeiro sobre os umbrais de suas portas, e que, quando os anjos destruidores passassem, seus filhos escapariam da morte. E aconteceu precisamente como lhes fora dito — enquanto o primogênito dos egípcios foi destruído, os filhos dos hebreus foram preservados. Ora, isso se chamou a Páscoa entre os filhos de Israel, e continuou entre eles ano após ano, e o dia em que era guardada se chamava o dia da Páscoa. ¶
Quando Jesus estava sobre a terra, enviou seus discípulos para irem preparar um lugar onde pudessem celebrar juntos a páscoa. "E, comendo eles, tomou Jesus o pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E tomou o cálice, e dando graças, deu-o a eles, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para a remissão dos pecados." Que faziam eles? Estavam participando da páscoa, da aspersão daquele sangue que era típico do derramamento do sangue do Cordeiro de Deus no Calvário. E o partir daquele pão era típico de seu corpo partido. E ofereceram, em tempos antigos, o sangue de novilhos e de carneiros, bodes, etc., como sacrifícios. E tudo isto, como diz Paulo, tinha referência ao derramamento do sangue de Cristo; e era típico daquilo de que ele foi o grande antítipo, quando veio cumprir todas essas coisas. Muito bem, o que era isso? Tinham eles então a páscoa? Sim. Olhavam adiante, desde aquela páscoa, para o tempo em que Cristo viria e derramaria seu sangue para expiar os pecados do mundo. E nós olhamos para trás, para o tempo em que ele o fez, e participamos deste sacramento — este pão e esta água, que usamos em lugar do vinho — em comemoração, em sinal do que ele fez por nós. E somos informados pelos apóstolos de que, tantas vezes quantas comermos e bebermos disto, anunciamos a morte do Senhor até que ele venha. E deixai-me dizer-vos, Santos dos Últimos Dias, que, enquanto fazemos isto, há algo muito importante ligado a isso, e devemos ter cuidado de não participar destes emblemas para nossa condenação. Alguma vez brigais com vossos irmãos, ou agis de modo a suscitar sentimentos, e talvez proferir palavras ásperas uns dos outros, e de outros modos fazer o que é errado, e depois vos reunirdes em solene zombaria diante de Deus, e comerdes e beberdes condenação a vossas almas? Queremos ter cuidado com estas coisas; e, por isso, deveríamos compreender que, quando trazemos nossa oferta ao altar, e ali nos lembramos de que temos algo contra nosso irmão, deveríamos primeiro ir e reconciliar-nos com ele, e depois vir e oferecer nossa oferta. Não vir com nenhum tipo de hipocrisia, mas vir com mãos limpas e coração puro, e sentir-nos levados a dizer: "Ó Deus, sonda-me e prova-me, e vê se há em mim algum caminho de maldade, e que ele se afaste, e que eu seja teu verdadeiro representante sobre a terra, e que eu participe do espírito que habita em Cristo, e viva no gozo disso sobre a terra; para que, quando ele vier novamente, eu, com meus irmãos, possa encontrá-lo com mãos limpas e coração puro." E diria aos mestres que vão visitar seus irmãos: quando encontrardes qualquer tipo de má vontade, é vosso dever extirpá-la, e ver que não haja dureza, nem contenda, nem rixa, entre o povo que vem participar desta sagrada ordenança. ¶
Bem, no que diz respeito ao evangelho, aquela dispensação foi introduzida ao mundo primeiro por João Batista, que foi o precursor de Jesus. E, quando o Salvador veio, João o soube, e, ao vê-lo, exclamou: "Eis aqui o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." E, quando o povo acorria a João para ser batizado por ele, Jesus veio também como candidato ao batismo. Mas João lhe disse que ele (João) precisava ser batizado por ele. Mas o Salvador lhe disse que deixasse por ora, para "cumprir toda a justiça". E foi batizado por ele. Bem, aquela dispensação continuou por muito tempo depois, e começou a declinar e a desaparecer; mas houve grande número de homens, em diferentes lugares, que escutaram os princípios do Evangelho do Filho de Deus. Mas, aos poucos, começou a esvanecer-se, tanto no continente asiático quanto neste continente. Fora profetizado que assim seria, e que certo poder haveria de levantar-se, que procuraria fazer guerra aos Santos de Deus, e que os venceria; e este poder procuraria mudar tempos e estações e coisas, e eles seriam entregues em suas mãos por um tempo, tempos e a metade de um tempo. Estas coisas se cumpriram — a Igreja de Deus caiu nas trevas, e o sacerdócio lhes foi tirado, e tiveram, em vez disso, algo na forma de um sacerdócio falso e um credo falso, em lugar dos verdadeiros princípios que Jesus introduziu entre os homens. Isso foi no continente da Ásia. Neste continente pareceram quase o mesmo; mas tiveram uma cena sem paralelo de prosperidade e alegria no Evangelho do Filho de Deus, depois que ele veio; e cresceu e se espalhou e prevaleceu por toda a terra. E, como foi em seu amor uns pelos outros, ninguém dizia que algo que possuísse era seu próprio; mas tinham todas as coisas em comum entre si. Somos informados destas coisas mais elaboradamente em outros lugares, que poderiam ser citados, mas nos quais não desejo entrar agora. Neste continente, permaneceram nesta condição por duzentos anos; e trataram-se com justiça uns aos outros, e habitaram juntos em paz. Quisera que pudéssemos sempre fazer isso. Aos poucos, caíram nas trevas, e o resultado foi, como registrado no Livro de Mórmon, ao qual novamente vos remeto, para que o leiais e investigueis. ¶
Então, o que se seguiu? Iriam as coisas continuar assim para sempre? Não; a dispensação da plenitude dos tempos tinha de ser restaurada, para introduzir tudo o que foi falado por todos os santos profetas desde que o mundo começou. O Apóstolo João, banido para a ilha de Patmos, diz que viu outro anjo voando pelo meio do céu, tendo o evangelho eterno para pregar aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo. Que quereis dizer? O mesmo Evangelho que Adão teve, o mesmo Evangelho que Sete teve, o mesmo Evangelho que Enoque teve, o mesmo Evangelho que Noé teve, o mesmo Evangelho que Abraão teve, o mesmo Evangelho que Jesus teve; o Evangelho que traz à luz a vida e a imortalidade, e que coloca os homens em comunhão com seu Pai Celestial — o evangelho eterno. E quem o introduziu? O próprio Deus veio à terra com seu filho Jesus, e se manifestou ao profeta Joseph, e, apontando para seu Filho, disse: "Este é Meu Filho Amado, em quem me comprazo, Ouve-O!" Jesus, daquela hora em diante, seria seu instrutor. Que se seguiu, então? Depois veio Morôni, que tinha a seu cargo os registros do povo neste continente, e que veio e os entregou a Joseph Smith. Que se seguiu? Depois veio João Batista, e impôs as mãos sobre sua cabeça e sobre a cabeça de Oliver Cowdery, e disse: "A vós, meus conservos, em nome do Messias, eu confiro o Sacerdócio de Aarão, que nunca mais será tirado da terra, até que os filhos de Levi tornem a fazer, em retidão, uma oferta ao Senhor." Por que veio João? Porque detinha as chaves daquele sacerdócio, e foi o último que as deteve naquela dispensação. E depois vieram Pedro, Tiago e João, e impuseram as mãos sobre sua cabeça, e o ordenaram ao ofício do sacerdócio de Melquisedeque. Por quê? Porque eles mesmos haviam detido aquele sacerdócio, e eram os que detinham as chaves daquele sacerdócio; e, quando partiram, as chaves daquele sacerdócio foram com eles, e voltaram tendo-o a seu cargo, para conferi-lo a Joseph Smith. Que mais? Depois Elias apareceu no Templo em Kirtland, e conferiu sobre eles as bênçãos de que se falara a respeito dele. "Eis que é chegado plenamente o tempo proferido pela boca de Malaquias — testificando que ele [Elias, o profeta] seria enviado antes que viesse o grande e terrível dia do Senhor — para voltar o coração dos pais para os filhos e os filhos para os pais, a fim de que a terra toda não seja ferida com uma maldição." O profeta lhe conferiu aquelas chaves; e, por isso, procuramos fazer estas coisas. E as pessoas se perguntam por que estamos edificando nossos templos. É para que o coração dos pais se volte para os filhos, e o coração dos filhos para os pais. E, se Jesus viu necessário, depois de ser morto na carne, ir pregar aos espíritos em prisão, para que fossem julgados segundo os homens na carne, também era necessário que se fizessem provisões para os homens que morreram sem o Evangelho, sem conhecimento dos princípios da verdade eterna, para que pudéssemos ser batizados por eles, como dizem as Escrituras, segundo a carne, para que vivam segundo Deus em espírito. Por que estais tão dispostos a edificar templos? Poderíeis apertar vosso dólar em muitas outras coisas, mas, quando se trata disso, dizeis: "Quero fazê-lo." E é assim por todo Israel. Suponho que temos até quinhentos homens ocupados nesta obra. E os irmãos se sentem dispostos a fazê-lo. Por quê? Porque quereis assegurar certas bênçãos para vós mesmos; e, então, quereis cuidar de vossos amigos, para que o coração dos pais se volte para os filhos, etc. Operamos sobre a terra porque temos o poder; e eles operam nos céus porque têm o poder; e, como diz a Escritura, eles sem nós não podem ser aperfeiçoados, nem nós sem eles. E nem eles nem nós poderíamos operar nestas coisas, a menos que aquelas chaves tivessem sido restauradas, e as coisas colocadas na posição em que estão hoje. Então edificaremos nossos templos, não é assim? Penso que sim, e então administraremos neles. Se falássemos ao mundo a respeito de grande número das coisas a que me referi hoje, teríamos de trazer evidências para provar sua verdade. Falo a Santos dos Últimos Dias, contudo, hoje; e deveríeis conhecê-las, se não as conheceis; e, se não estais familiarizados com elas, "examinai as escrituras, pois nelas pensais ter a vida eterna," e achareis todas estas coisas que mencionei. ¶
Ora, então, todas estas dispensações tiveram de ser restauradas. Depois vem Moisés. Por quê? Porque detinha as chaves da dispensação do ajuntamento; e conferiu a Joseph Smith o poder de reunir Israel dos quatro cantos da terra, e também as dez tribos. Mas estas últimas ainda não vieram; mas o povo está à sua procura, e serão encontradas com o tempo; quando chegar a hora, e os montes hão de escorrer diante delas, e uma estrada há de ser levantada, e elas hão de vir ao conhecimento do povo. Mas não poderiam vir sem a restauração das chaves a que me referi. ¶
Ora, eis aqui todas estas diferentes dispensações, e há uma que não mencionei. Foi-nos dito que edifiquemos Sião, havemos de fazê-lo? Digo-vos, em nome do Deus de Israel, que o faremos com a ajuda do Todo-Poderoso; não podemos fazê-lo sem ela, mas, com sua ajuda, o faremos. Edificaremos a Sião de nosso Deus, e ajudaremos a fazer avançar a obra que Deus começou. E aquelas crianças que vistes aqui outro dia [referindo-se a uma reunião da conferência geral das crianças da Estaca Weber], muitas delas hão de viver para participar destas coisas. E procuraremos treiná-las no temor de Deus, para que seu terno coração se enraíze nos princípios da verdade, e sejam levadas a reconhecer o Deus de seus pais. Tendo dito tanto, passarei a outra coisa. ¶
Aqui estamos. Estamos organizados sob a direção do Todo-Poderoso; e, como disse antes, não segundo nossas ideias e noções, mas segundo a palavra e a vontade e as revelações e a lei de Deus. E nenhum de nós pode fazer coisa alguma, senão como Deus nos permite. Que vamos fazer? Vamos edificar Sião. Que mais? Quando Sião estiver edificada — e ainda não está edificada; mas há de ser edificada; e, quando isso se fizer, a Jerusalém de que se fala há de ser edificada — e estamos longe disso — mas, quando isso se edificar, e a glória de Deus repousar sobre ela, sobre toda morada do Monte Sião, como fez em tempos antigos — então edificaremos nossa Sião segundo o padrão que Deus nos mostrar, e seremos governados por sua lei, e nos submeteremos a sua autoridade, e seremos governados pelo santo sacerdócio e pela palavra e vontade de Deus. E então, quando chegar o tempo em que estas calamidades de que lemos hão de sobrevir à terra, aqueles que estiverem preparados terão o poder de translação, como tiveram em tempos antigos, e a cidade será trasladada. E Sião, que está na terra, se levantará, e a Sião de cima descerá, como nos é dito, e nos encontraremos e cairemos no pescoço uns dos outros, e nos abraçaremos e beijaremos. E assim os propósitos de Deus, até certo ponto, então se cumprirão. Mas há muitas coisas a acontecer antes desse tempo. E estamos aqui numa capacidade organizada, procurando preparar-nos para todas as providências do Todo-Poderoso. Estamos procurando incutir no coração do povo os princípios da honestidade, da verdade e da integridade, e remover a cobiça e a iniquidade de toda espécie. Não vos importeis com o mundo, nem com o que possa dizer ou fazer, pois só pode fazer o que o Senhor lhe permite. Continuaremos, então, a fazer como temos feito, apenas muito mais abundantemente. Enviaremos o Evangelho a eles, e continuaremos a advogar os princípios da verdade, e a organizar-nos segundo a ordem de Deus, e buscar ser um — pois, se não somos um, não somos do Senhor, e jamais o seremos, pelos séculos dos séculos. Ouvi isto, Santos dos Últimos Dias! E não estejais pensando em vós mesmos e em vosso próprio engrandecimento; mas sentí-vos levados a dizer em vosso coração: "Que posso fazer para ajudar a edificar Sião? Estou aqui, e tudo o que tenho está sobre o altar, e estou preparado para fazer a vontade de Deus, não importa qual seja, ou para onde me envie, até os confins da terra ou não." Mas ainda não estamos fazendo isso; estamos demasiado ocupados com nossos próprios assuntos e bebendo do espírito do mundo, e cedendo e concedendo a esse sentimento e influência. Ora, embora desejemos bem ao mundo e desejássemos promover sua felicidade, não podemos ser governados por suas práticas nem estar sob suas influências. Deus é o Senhor nosso Deus; ele há de ser nosso rei e legislador, e há de reinar sobre nós. Não devemos permitir-nos conformar-nos às ideias, noções, dogmas, teorias, nem à maldade que existe no mundo, e da qual já há demais entre nós. Mas, ao contrário, batalhar contra estes males, continuando a guerra até purgá-los de nós, e invocar o Senhor para que nos ajude, e nos guie pelas sendas da vida, e nos capacite a compreender, em algum grau, a posição que ocupamos perante ele, e a grandeza daquele sacerdócio que nos foi conferido. ¶
Que fareis com o mundo? Estive conversando recentemente com um cavalheiro que pensava que, por causa de certa legislação inimiga que se manifestara contra nós, deveríamos sentir-nos hostis a nosso governo. Disse-lhe que estava incorrendo em grande engano; que não havia povo mais leal e patriótico nos Estados Unidos do que os Santos dos Últimos Dias. Mas não vos fizeram assim e assado? Sim, mas o Senhor nos tem guiado, e podemos confiar nele, e esperar seu tempo. Não estamos com pressa; ele há de fazer as coisas a seu modo, e há de cumprir abundantemente as palavras do Salmista — "porque a cólera do homem redundará em teu louvor; o restante da cólera tu o restringirás." Alguns homens parecem pensar que seremos engolidos; mas não estamos muito alarmados quanto a isso. Já fomos "engolidos" muitas vezes, mas geralmente conseguem vomitar-nos de volta. [Risos.] Entre os legisladores de nossa nação e por toda a terra há muitos homens de elevados sentimentos e honrados, que desejam ver todos os homens protegidos em seus direitos, mas, porque há muitos que não o são e que sentem de outro modo, e que não nos compreendem, deveríamos nutrir sentimentos de inimizade? Qual foi a mensagem que Jesus veio realizar? "Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo," etc. Que nos foi dito fazer? Ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado. Vamos e oferecemos a mensagem de vida e salvação. Quantos destes homens de cabelos grisalhos que vejo à minha volta hoje viajaram milhares de milhas para promover o bem-estar da família humana. Eu mesmo viajei centenas de milhares de milhas. E alguma vez ele me abandonou? Nunca; foi sempre fiel à sua palavra. E, quando vós, élderes, saístes, ele foi fiel a vós. E, quando o povo creu, se arrependeu e obedeceu à mensagem que lhe levastes, e impusestes as mãos sobre eles para confirmá-los membros nesta Igreja, e disseste: "Recebei o Espírito Santo," eles o receberam. Não é isso prova de que Deus tem estado convosco? Sim, é. Não estará ele conosco até o fim? Sim. Qual é nossa mensagem ao povo? Paz na terra e boa vontade para com os homens, e procurar promover o bem-estar e a felicidade da família humana, de todo modo possível que pudermos. E deveríamos sentir-nos levados a suportar, como fez Jesus, a afronta dos pecadores, até que o Senhor diga: "Basta, é suficiente." Terão dificuldades bastante severas. Precisamos buscar prejudicar alguém? Não. É essa nossa missão? Não; mas procurar promover o bem-estar de todos os homens. ¶
Bem, estamos aqui também numa capacidade política. Somos parte integrante dos Estados Unidos — uma parte muito pequena. Que faremos? Ora, vivamos de tal modo que nenhum homem possa lançar-nos qualquer reprovação; tratemos bem a todos os homens, negociemos honestamente uns com os outros, e com todos os homens, e sejamos fiéis a Deus e a vossa religião. Se assim fizermos, teremos uma reivindicação diante de Deus; então seremos abençoados do Senhor, e nossa prole conosco; então o Todo-Poderoso há de sorrir-nos, e então avançaremos de sabedoria em sabedoria, de inteligência em inteligência e de conhecimento em conhecimento, até vermos como somos vistos, e conhecermos como somos conhecidos. E continuaremos a realizar a obra que Deus colocou sobre nós; e continuaremos a ensinar e instruir e educar e elevar nossos filhos; e também ensinar a todos os homens que se deixarem ensinar por nós, os princípios da vida; e, aos poucos, Deus operará conosco de maneira mais poderosa do que o fez até agora; e milhares sobre milhares acorrerão ao estandarte de Sião, e muitos virão e dirão: "não sabemos muito a respeito de vossa religião, mas sois povo honrado e executais justiça, e queremos ser governados por esses princípios, e estar sob sua influência; e, se não podemos aprovar vossas opiniões religiosas, buscamos vossa proteção, e queremos ser um convosco." Achareis que centenas e milhares de pessoas ainda hão de vir deste modo, e muitos já estão bem próximos disso agora. Mas não estamos preparados; às vezes puxamos e empurramos, e discutimos e nos aborrecemos, e procuramos despedaçar e destruir, e levar avante nossas próprias ideias e vontade. Não tenho vontade própria; não quero ter vontade própria; quero conhecer a vontade de Deus, e então fazê-la. Não a quereis vós? Deveríamos querê-la; e deixar que nossos próprios sentimentos e juízo se submerjam na vontade de Deus, e procurar realizar seus propósitos. Como setentas, saí e estai prontos a ir aos confins da terra à queda do chapéu, quando chamados a cumprir qualquer missão que vos incumba, ou para a qual sejais chamados, e considerai isto vossa missão de vida, vós, setentas, ouvis isto? Digo-vos que esta é a vontade de Deus a vosso respeito, e não considerar como podeis arranjar-vos e tornar-vos confortáveis; mas atendei primeiro a isto, e estai prontos para fazê-lo, e então tudo estará bem. ¶
Que Deus nos ajude a fazer o correto e a guardar seus mandamentos, para que possamos ter seu espírito conosco e viver em seu gozo, e sermos salvos em seu reino, em nome de Jesus. Amém. ¶