Pulpit

Um Sermão Fúnebre, Proferido Sobre os Restos Mortais de Joseph M. Cain, Filho de Joseph e Elizabeth Cain

John Taylor

1880-02-08

Estamos aqui reunidos hoje, como frequentemente nos acontece, para prestar a última homenagem de respeito aos que partiram. O tempo, com todas as suas mudanças e mutações, com frequência nos põe face a face com o tipo de coisa que agora se nos apresenta. Viemos ao mundo, lutamos por algum tempo com os assuntos próprios da natureza humana, e por fim as lutas do presente terminam. As rodas cansadas da vida param, e passamos a outro estado de existência. Como homens sábios, prudentes e inteligentes, cabe-nos realmente compreender a verdadeira posição que ocupamos em relação ao passado, em relação ao presente, bem como ao futuro.

Falando do passado, todos nós já tivemos as nossas ideias a respeito de uma pré-existência. Consideramos que Deus é o Pai dos espíritos de toda a carne, não apenas dos que o temem, mas também dos que não o temem e que desobedecem às suas leis. Ele é o pai dos espíritos de todos, e, como se diz nas Escrituras, "somos também sua geração" e dele emanamos. Viemos a este mundo para cuidar de certas coisas planejadas pelo Todo-Poderoso, e nas quais, no programa do Senhor, era necessário que tomássemos parte. Tivemos muito pouco a ver com a nossa vinda para cá; todas as coisas se desenrolam naturalmente. Mas temos, sim, algo a ver com os nossos assuntos enquanto aqui estamos, em estado de provação. Mas quanto à nossa partida, em noventa e nove casos entre cem, ou até mais que isso, temos pouco a ver com ela.

Há certos propósitos insondáveis associados ao programa divino que os homens, em geral, não compreendem. Conhecemos muito pouco do mundo em que vivemos e de seus habitantes. Mas o que, e quão pouco, sabemos a respeito do passado, ou a respeito de qualquer coisa pertinente ao futuro? Quem pode compreender os propósitos de Deus quanto à organização da terra, digamos, para começar, e ao seu povoamento, e à sua manutenção, ou quanto à posição das nações e ao seu destino; ou quanto ao próprio mundo e às várias mudanças que ainda hão de nele ocorrer? E então, quem de nós sabe algo definido a respeito de si mesmo, ou dos impulsos pelos quais somos governados e movidos, ou dos poderes das trevas, ou dos poderes da luz, conforme o caso, que nos cercam? Quantos de nós compreendem estas coisas? Bem poucos, de fato. É o desígnio de Deus, tal como o compreendo, ao nos trazer para cá, dar-nos corpos, para que os espíritos que foram criados anteriormente pudessem ter tabernáculos em que vivessem e existissem, e se movessem e agissem, como substâncias corpóreas, por assim dizer; e que, segundo certas leis insondáveis de Deus referentes à família humana e ao destino futuro do homem, e ao mundo em que vivemos, por meio da união do corpo e do espírito, e de sua obediência a certas leis que o grande Eloim deu para a orientação de seu povo, pudessem ser mais exaltados, mais dignificados, mais gloriosos do que lhes seria possível ser, não tivessem eles vindo aqui peregrinar nestes tabernáculos, e combater os vários males dos quais a carne é herdeira.

Nestas circunstâncias, de tempos em tempos, ele tem dado a conhecer aos homens a sua vontade. Ele, em diferentes épocas, levantou homens com quem se comunicou, e a quem revelou a sua vontade, e, sob certas circunstâncias, a quem confiou a sua lei, e os fez seu porta-voz para a família humana, e por meio deles revelou a vida e os seus princípios, e desvendou os céus e deu ao homem conhecimento do futuro, e manifestou a sua condenação, ou demonstrou seu ódio ao mal e à iniquidade de toda espécie, e mostrou por meio deles os efeitos nocivos de seguir esse caminho. Estes homens, nas diferentes épocas em que viveram, advertiram o povo e as nações a respeito do mal, e procuraram incitá-los ao bem, e lhes apresentaram o princípio das vidas, das vidas eternas a serem obtidas, no futuro, nos reinos celestial, terrestrial ou telestial. Estes homens e estes princípios, introduzidos pelo Todo-Poderoso, tiveram seu efeito, em maior ou menor grau, entre a família humana. Mas a isso esteve associado um espírito de antagonismo contra Deus, contra a virtude, contra a verdade, contra a pureza, contra a santidade, e contra aqueles princípios destinados a elevar e exaltar a humanidade através do tempo e através das eternidades vindouras. Assim, duas influências têm atuado entre as nações e entre os vários povos da terra, nas diferentes épocas. Às vezes parece misterioso, para a família humana, que as coisas tenham sido como foram. Eles não compreendem o significado, nem os propósitos, nem os desígnios, nem sequer a lei de Deus. De fato, algumas destas leis não foram dadas a conhecer geralmente à humanidade. Permiti-me dizer que há leis eternas que existem com os Deuses nos mundos eternos, das quais eles não podem se desviar, e às quais estão sujeitos em todos os seus atos — eu ia dizer, como nós; mas direi, não como nós, mas como deveríamos ser, sujeitos à lei de Deus em todos os nossos atos —, e que é absolutamente necessário que os homens sejam colocados em um estado de provação. Era tão necessário que Satanás, por assim dizer, exercesse o seu poder quanto que Deus exercesse o seu. Isto é algo que nem sempre é compreendido pelos homens, e, de fato, pouco compreendem a seu respeito. Diz-se-nos, porém, que "é necessário que haja uma oposição em todas as coisas": o bem e o mal, a luz e as trevas, a felicidade e a miséria, a corrupção e a incorrupção, a vida e a morte, o céu e o inferno.

Falamos de um futuro e do céu, a respeito dos quais os homens têm certas ideias vagas. Alguns pensam que o céu está além dos limites do tempo e do espaço. É uma espécie de pensamento poético, que soa muito bem; mas onde fica tal lugar? Quando refletimos a respeito, em nossos momentos de sobriedade, concluímos naturalmente que não fica em lugar nenhum. Mas os homens têm nutrido noções e ideias singulares a respeito do futuro, muitas das quais têm sido erráticas, tolas e ignorantes; e o fato é que é impossível para o homem, sem o auxílio das revelações de Deus, compreender coisa alguma a seu respeito. Diz Jó: "Porventura alcançarás os caminhos de Deus? Ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso? Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda do que o inferno; que poderás tu saber?"

Diz-se-nos enfaticamente que ninguém conhece as coisas de Deus senão pelo Espírito de Deus. E como poderão vir a conhecer estas coisas, a menos que possuam aquela luz e aquele espírito capazes de lhes transmitir tal inteligência? Um conhecimento de Deus está fora do alcance da humanidade não inspirada. Quem pode afastar o véu do mundo invisível? Quem pode penetrar no futuro e ver, como alguns homens já o fizeram, através da escura perspectiva das eras futuras, e contemplar os propósitos de Deus avançando com toda a sua majestade e glória até a consumação; a respeito dos quais, nem eles, nem nós, nem ninguém pode saber coisa alguma, exceto por meio e sob a influência daquele espírito? Não podem sabê-lo; está fora do seu alcance.

Bem, e quanto às coisas dos homens? Vemos homens discutindo e brigando sobre assuntos religiosos, sobre coisas a respeito das quais são tão ignorantes quanto crianças de colo. Contendem sobre certos princípios, dogmas e teorias, e promovem debates a respeito, muitas vezes causando problemas nas famílias e nas vizinhanças; frequentemente perseguindo uns aos outros e até se matando mutuamente por coisas a respeito das quais eles mesmos nada sabiam. Tudo isto é muito tolo.

Como Deus sente para com a família humana? Ele sente que são seus filhos. O quê, todos? Sim; o branco, o negro, o vermelho, o judeu, o gentio, o pagão, o cristão, e todas as classes e categorias de homens; ele se interessa por todos, tem feito isso desde o princípio, e continuará a fazê-lo até o fim. Fará tudo o que estiver ao seu alcance pelo benefício, pela bênção e pela exaltação da família humana, tanto no tempo quanto na eternidade, em consonância com aquelas leis e aqueles princípios eternos a que me referi, dos quais ele mesmo não pode se desviar. Às vezes nutrimos sentimentos contra grupos que não pensam como nós, e não creem como nós, e estamos propensos a lançar difamações sobre eles. Ora, isso é assunto deles. O quê! Permitiríeis que todos adorassem como bem entendessem? Certamente. O quê? Ainda que soubésseis que estavam em erro? Certamente. Eu não desejaria controlar a mente humana; não controlaria as ações dos homens. Deus não o faz; ele os deixa a seu próprio arbítrio para combater as provações, tentações, adversidades e males de toda espécie que existem no mundo, aos quais a humanidade está, ou pode estar, sujeita. Ele colocou ao alcance deles, porém, certos princípios, e gostaria de conduzi-los a si mesmo, se eles se deixassem conduzir. Se não, ele então faz o melhor que pode por eles. Em algumas ocasiões ele teve de sair, como se diz, "em sua ira ardente," contra os povos e as nações da terra; e muitas outras coisas fizeram parte do seu programa; porque esta vida, com seus poucos anos, é apenas comparativamente, por assim dizer, alguns momentos, na estimativa de Jeová. Não passa de um lapso, um sonho, ou uma história que se conta e passa. Mas quanto às eternidades vindouras, e às realidades com que teremos de lidar depois, isso é outro assunto. Já ouvi homens falar sobre a crueldade de Deus, assim como algumas pessoas tolas falam de seus pais. Quem sabe algo a respeito de Deus? Já o vistes alguma vez? Alguns pensam que foi muito cruel de sua parte destruir o mundo no dilúvio. Como sabem eles que não foi essa a maior dádiva que ele poderia conferir àquele povo perverso? Como sabem eles que não foi essa uma das mais ricas bênçãos que ele poderia derramar sobre suas cabeças, ao varrê-los da terra e enviá-los a outra existência, e depois encerrá-los em prisão? Como o sabeis? Certamente não sabeis que não é esse o caso.

Raciocinemos por alguns momentos, e observemos as coisas mais ou menos como são; eu as direi como são e como foram. Satanás, antes dos dias do dilúvio, obteve ascendência sobre muitos homens e os trouxe sob seu domínio e governo. Começou com Caim, e fez dele um assassino logo de início, e lhe ensinou muitos princípios de maldade, e ele foi chamado o grande Mestre Maã. Sob a influência e o poder de Satanás, ele operou para frustrar os desígnios de Deus e deter os propósitos de Jeová. Satanás começou primeiro nos céus, mas foi expulso, e conseguiu obter grande ascendência sobre a mente do povo; a quem levou a se corromper, conduzindo-os ao mal, à loucura, à vaidade, e a corrupções de toda espécie, a tal ponto que se nos diz que "as imaginações e os pensamentos de seu coração eram só maus continuamente." O que era preciso fazer então? Havia outras partes interessadas, além daquelas sobre a terra. Havia inumeráveis hostes de espíritos nos céus que precisavam vir e tomar tabernáculos. Seria apropriado e justo, seria equitativo, seria de acordo com os princípios da justiça, que aqueles que eram puros junto ao seu Pai nos céus viessem e tomassem corpos, e fossem forçados a entrar em tabernáculos que eram a descendência daqueles seres corruptos que então povoavam a terra? Se eu ou vós estivéssemos lá, não teríamos falado a nosso Pai e dito: "Pai, vês tu as corrupções que existem sobre a face da terra?" "Sim, eu o sei." "É justo que tenhamos de entrar nestes corpos corruptos, contaminados, maus e perversos, para receber deles a nossa descendência terrena, e ficar sujeitos a esse poder e a essa iniquidade em todas as suas fases, por milhares ou milhões de anos por vir?" "Não," diz ele, "não é justo, e eu os varrerei, eu os destruirei; eles possuem, enquanto vivos, o poder de propagar a sua espécie, mas eu os privarei desse poder. Enviarei sobre eles o dilúvio, e então os encerrarei em prisão." Fez ele isso? Sim, fez. Mas, antes de o fazer, mandou pregar-lhes o evangelho, tal como agora se prega, e homens revestidos do sacerdócio foram enviados entre os povos para lhes proclamar os grandes princípios da vida, e eles tiveram o evangelho e as revelações de Deus e comunhão com o seu Pai celestial. Enoque foi um pregador de retidão, e numerosos élderes, naquela época, foram enviados entre o povo, e proclamaram os princípios da verdade eterna, e reuniram o povo, para que todo homem que temesse a Deus, obedecesse à sua lei e se governasse pelos princípios da retidão, pudesse ter as plenas bênçãos do evangelho eterno; e ele os reuniu antes que viesse a destruição. Foram reunidos a Sião, e essa Sião foi arrebatada, pelo poder de Deus, para longe da terra, e então a mão vingadora de Deus caiu sobre os habitantes corruptos que ficaram por causa de suas iniquidades. Seria apropriado permitir que as corrupções e a maldade predominassem, e que os poderes de Satanás tivessem a influência dominante, e que Deus ficasse fora da questão? Não. Portanto, ele realizou o que fez. Ele lhes causou dano? Não; de qualquer forma, eles só viveriam mais alguns poucos anos; mas ele não quis que perpetuassem aquele tipo de loucura, maldade e corrupção então prevalecente, e disse: "Eu a deterei," e a deteve. Ora, e quanto ao futuro dessas pessoas? Podemos ter ideias curiosas a respeito delas. Alguns pensam que permanecerão no inferno para sempre. Mas estavam nas mãos de Deus, e ele agiu corretamente com elas. Com o tempo, quando Jesus veio, o que ele fez? Assim que concluiu a sua breve missão sobre a terra, "foi morto na carne, mas vivificado pelo Espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão, os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé;" para que pudessem ser colocados no mesmo plano e na mesma posição que os demais; para que pudessem obter o seu devido lugar nos mundos eternos, e ser recompensados com tudo o que lhes fosse possível desfrutar, segundo as leis eternas e a insondável justiça de Jeová. Assim, a justiça foi satisfeita, a lei foi confirmada, os ímpios foram punidos, os que ainda não haviam nascido e os puros foram protegidos e providos, e, finalmente, os presos foram libertados de seu cativeiro, e a salvação foi estendida aos prisioneiros. Havia algo de errado nisso? "Sim," diz o ignorante que nada sabe a respeito, "foi muito cruel." Bem, a maior crueldade a respeito de tais homens é que são cruelmente ignorantes, e não sabem do que estão falando.

Ora, quanto a outras coisas. O evangelho tem sido enviado, de tempos em tempos, ao povo. E o que ele faz? Traz a vida e a imortalidade à luz. Alguma vez Deus desistiu de sua ideia em relação aos habitantes da terra? Não; mas, nas diferentes eras, tem dado certas leis e princípios a certas classes de indivíduos. Diz-se que Deus fez de um só sangue todas as nações da terra; contudo, há certas classes de homens entre as nações, assim como há certas classes de metais. Nem tudo é ouro, nem tudo é prata, nem tudo é bronze; nem tudo é ferro; cada um ocupa a sua devida posição e tem o seu valor relativo. Assim também quanto aos céus. Há corpos celestiais, há corpos terrestriais, há corpos telestiais. Diz-se-nos que há uma glória do sol, outra glória da lua, outra glória das estrelas, e que, assim como uma estrela difere de outra estrela em glória, assim também será na ressurreição. Esta distinção surge dos atos dos homens, como se diz: "Sois servos daquele a quem vos apresentais como servos para obedecer."

Ora, para que estamos aqui? Quais são as coisas que professamos fazer? Perguntarei: o que Jesus procurou fazer quando esteve aqui? Veio ele para amaldiçoar a humanidade? Não, mas para abençoá-la; veio buscar e salvar os que estavam perdidos; veio desvendar os princípios da verdade eterna, trazer a vida e a imortalidade à luz por meio do evangelho. Veio, segundo o decreto eterno do Todo-Poderoso, oferecer sua vida em sacrifício, como expiação pelos pecados da família humana. Veio introduzir princípios que emanavam de Deus, para organizar a sua igreja sobre a terra, e para revestir seus discípulos de autoridade, para que saíssem como seus mensageiros a proclamar os princípios da verdade eterna à família humana. Por isso ele diz: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." Este é um daqueles decretos eternos dos quais não se pode escapar. E então falamos da condenação do inferno; e as pessoas têm noções tão estranhas a esse respeito quanto têm sobre outras coisas. Já li declarações de homens que eram verdadeiramente terríveis ao retratar o estado dos condenados. É ruim o bastante, mas não é o tipo de coisa que representam. Lembro-me também de ter lido uma peça de poesia, que dizia mais ou menos assim:

"Anos infinitos em tormento hei de passar, E nunca, nunca, nunca hei de terminar. Ah! Terei de jazer, em ruinoso desespero, Tantos anos quantos átomos há no ar; Quando estes passarem, mais milhares ainda, Como grãos de areia na praia do oceano. Quando todos estes anos dolorosos se passarem em dor, E multiplicados por milhões outra vez, Até que os números afoguem o pensamento — pudesse eu supor Que então meus anos sombrios teriam um fim, Isso me daria esperança; mas ah! Estremeço Ao meditar nesta palavra terrível: para sempre; Jazo, blasfemando, neste abismo ardente, O tempo já não é, mas a vasta eternidade." Isto pode ser poético. É certamente sombrio e terrível; mas não é verdade. Há justiça? Sim. Justiça eterna? Sim. Estes homens a quem me referi sofreram a justiça eterna; foram destruídos pelo Todo-Poderoso, e por fim foram novamente salvos pelo Todo-Poderoso. Temos punição eterna? Sim. O que é ela? É a punição de Deus. Há prisões eternas? Sim. O que são elas? As prisões de Deus. Ficam as pessoas nelas para sempre? Não. Não em todas elas. Temos prisões sobre a terra, penitenciárias, nas quais confinamos pessoas por um, cinco, dez ou vinte anos, conforme o caso; e, quando o seu tempo expira, elas saem; mas a prisão continua ali. É uma prisão eterna? Podeis chamá-la assim, se quiserdes; mas as pessoas não permanecem nela para sempre. Tem Deus um modo de administrar os seus assuntos? Certamente; o Juiz de toda a terra deveria ser, pelo menos, tão capaz na administração dos seus assuntos quanto os homens mortais o são nos seus.

Chegamos a este palco de ação, e somos chamados a pregar. E Deus revelou a sua vontade, e algumas pessoas parecem ficar muito zangadas com isso. Joseph Smith teve revelações de Deus. Sei eu disso? Sim, sei. Poderia ele evitá-lo? Suponde que o Senhor falasse a qualquer de vós; poderíeis evitá-lo? Ou, se um anjo viesse a vós, poderíeis evitá-lo? Não, não poderíeis. Ora, poderíeis fazer o que vos dissessem, ou não; isso é opcional. Se, porém, fizésseis o que vos dissessem, o mundo e o diabo diriam que sois tolos; e sempre disseram isso em toda época do mundo; e o diabo e o mundo sempre se opuseram a Deus e à sua lei, e vos perseguiriam como o perseguiram a ele. Muito bem, temos necessidade de lutar? Eu não. Agradeço a Deus pela luz e inteligência que ele nos revelou, por meio do evangelho eterno. Poderíamos tê-la, se Deus não a tivesse revelado? Não. Quem sabia que Deus vivia? Ninguém, até que Joseph Smith veio, e o Senhor lhe falou, apontando-lhe o seu Filho, e dizendo: "Este é o meu amado Filho, escutai-o." Quem sabia algo a respeito disso? Ninguém em toda a face da terra. Poderia ele tê-lo evitado, se quisesse? Não creio que quisesse muito; não creio que ninguém precise querer muito, se Deus se dignasse a revelar a sua vontade; não creio que estivessem muito desejosos de que ele se calasse. É verdade que vários dos filhos de Israel o desejaram, quando ouviram os trovões no Monte Sinai. Disseram a Moisés: fala tu conosco; mas não fale o Senhor conosco, para que não morramos. O fato é que não estavam preparados para isso.

Ora, então, para que se introduz este evangelho? Para espalhar vida e salvação ao mundo. Deus abençoou Abraão da mesma maneira. Para quê? "Em ti e em tua semente serão benditas todas as famílias da terra." Dar-te-ei minha lei, revelar-te-ei os princípios da verdade eterna; abrirei à tua vista os mistérios do céu, e contemplarás a mim e aos meus propósitos. Instruir-te-ei nos princípios da vida e da salvação, e te direi o que fazer com esses princípios, quando os tiver confiado a ti. Assim como falou a Moisés, disse-lhe que escolhesse um homem para ser seu porta-voz; e disse: Moisés será como um deus para vós, e falarei por meio dele. É isso mesmo. Ora, ele fez o mesmo nesta época, e restaurou os mesmos princípios, e enviou uma mensagem às nações da terra, e reuniu homens que tinham a hombridade, a integridade e o desejo de realizar os propósitos de Deus, e que seriam valorosos por aqueles princípios que ele havia revelado; e os preparou para o seu propósito; e, se não os tivesse sustentado, eles não estariam aqui hoje. São estes homens inimigos do mundo? Se ensinar aos homens a verdade é inimizade, eles a praticaram; se viajar sem bolsa nem alforje entre as nações, para lhes proclamar as boas novas da salvação, é inimizade, podem tê-la. Mas, impelidos pelo espírito da verdade eterna, e iluminados pelo espírito do Todo-Poderoso, e compreendendo a posição que ocupavam, saíram entre os povos da terra e lhes proclamaram as boas novas da salvação, e Deus cuidou deles. Muito bem. Há algo de grandioso nisso? Não; é simplesmente o cumprimento de um dever. Eu mesmo já viajei centenas e milhares de milhas dessa maneira, confiando em Deus. Fui jamais abandonado? Não. Necessitei jamais de algo? Não, a não ser aquilo que não recebi. Tive jamais de passar fome, ficar desnudo ou destituído? Não; o Senhor sempre proveu e levantou meios de toda espécie, e tampouco mendiguei. Gostaria que alguém me dissesse quando alguma vez mendiguei algo de outrem, aqui ou em qualquer outro lugar. Mas tenho mendigado ao Senhor, pois a minha religião me ensina a recorrer a ele.

Ora, então, temos uma obra a fazer. Desejamos difamar alguém em nosso meio? Não. Vemos homens perversos, corruptos e abomináveis entre nós? Sim. O que faremos com eles? Deixá-los nas mãos de Deus; ele cuidará deles; cabe a nós fazer o que é certo, praticar a retidão e seguir um curso reto diante do Senhor.

Vejo que o tempo passa. Minha mente tem-se dirigido de forma um tanto dispersa sobre alguns destes assuntos, decorrente, em parte, das circunstâncias que nos cercam. Como está a situação com este jovem aqui? Bem, gostaria que fosse diferente; gostaria que ele tivesse vivido como um bom Santo, o que, porém, não fez. Não viemos aqui para nos entregarmos a qualquer tipo de falso sentimentalismo. Ele era um beberrão; isso é verdade, e muitos de vós o sabeis. Depois de dizer isso, podeis dizer algo pior? Já é ruim o bastante, mas não sei de nada mais de mal a respeito do jovem, além disso. Conheci o seu pai. Batizei-o a milhares de milhas daqui, há cerca de 40 anos, quando ele era um homem muito mais jovem do que este (seu filho) é agora. Seu pai viveu de acordo com o evangelho, e morreu firme na fé; e sua mãe tem sido uma mulher muito boa, até onde sei; nunca soube de nada contra ela. Este rapaz lhe causou muitos problemas; e tenho tido pena dele. Bem, devemos dizer as coisas como são? Sim, sempre; aquele dia não está longe, em que os véus serão retirados do rosto de todo o povo, e todos ficaremos nus, por assim dizer, diante de Deus — tanto vós quanto eu, quanto este jovem. Bem, este rapaz — chamo-o de rapaz, é um jovem, e é meu sobrinho por casamento; e não desejaria dizer nada a respeito dele por essa razão, nem tampouco falsificaria a verdade a respeito do jovem por essa razão; mas digamos as coisas e as compreendamos como são. Permiti-me chamar a atenção da juventude presente. Gostaríeis de estar deitados nesta posição, nestas circunstâncias? Não gostaríeis? Então, olhemos as coisas como são. O que vem a seguir? Faremos o melhor que pudermos; e o que é isso? Há um dito curioso que Paulo fez em certa ocasião, ao falar dos judeus e dos gentios:

"Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?

"Muita, em todos os aspectos, porque, quanto ao primeiro, as palavras de Deus lhe foram confiadas.

"Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é Deus sobre todos, bendito eternamente," etc.

É coisa triste ver a nossa juventude partir como este partiu? Sim. Morreu ele bêbado? Não, mas essa foi a causa disso. Bem podemos falar honestamente a seu respeito. O que vem a seguir? Ele se foi. Prejudicou ele a alguém? Não, senão por seu exemplo. Prejudicou ele a sua mãe? Sim. Não creio que ele tenha pecado enquanto seu pai vivia; mas, desde então, tem causado à sua mãe muitas horas de tristeza. Senti pesar quando ele morreu? Não. Por quê? Porque sabia que era muito melhor para ele deixar a terra do que permanecer na posição em que estava.

Ora, e quanto ao futuro em relação a estas coisas? Que vantagem tem o judeu sobre o gentio? Muita, em todos os aspectos. Deles eram os pais; e a esse povo foram confiadas as palavras de Deus. Deles eram os pais — nós temos pais que vivem nos mundos eternos; pais que se interessam pelo nosso bem-estar; pais que estão associados aos seres que existem além do véu; pais que atuam conosco, procurando realizar os grandes propósitos de Deus e a salvação da família humana. Pode-se fazer algo? Sim, e tudo o que puder ser feito será feito; mas o futuro há de ser deixado ao Todo-Poderoso, no que se refere a estes assuntos. Mas podemos fazer muito, segundo os princípios que Deus nos revelou, e estas coisas serão feitas, na medida do possível.

Diria eu que não profiro estas coisas para causar qualquer sentimento desagradável no seio da família; eles não podiam evitá-lo. Se eu pudesse tê-lo evitado, eu o teria feito; se a mãe pudesse tê-lo evitado, ela o teria feito; se a irmã pudesse tê-lo evitado, ela o teria feito; se os amigos pudessem tê-lo evitado, eles o teriam feito. Mas não podemos controlar as circunstâncias.

Estamos agora falando não aos mortos, mas aos vivos. Eu diria: evitemos estes males, pois conduzem à morte; procuremos viver a nossa religião, obedecer às leis de Deus e guardar os seus mandamentos. E, quanto ao futuro, deixemo-lo nas mãos do Todo-Poderoso, que faz todas as coisas bem; e faremos tudo o que pudermos para promover o conforto dos vivos e dos mortos. Estamos fazendo muito para a realização deste objetivo; estamos construindo templos e neles administrando, e o fazemos em obediência à lei de Deus, e em consonância com o sentimento dos patriarcas, apóstolos e homens de Deus que viveram antes de nós. E procuraremos continuar a viver a nossa religião e a guardar os mandamentos de Deus, para que possamos, no futuro, regozijar-nos juntos. E diria eu à mãe: consola-se o teu coração, pois serás abençoada tanto no tempo quanto na eternidade. E digo a todos vós: vivei a vossa religião, guardai os mandamentos de Deus, pois somente nisso há segurança. Deus vos abençoe no tempo e na eternidade. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Um Sermão Fúnebre, Proferido Sobre os Restos Mortais de Joseph M. Cain, Filho de Joseph e Elizabeth Cain”, (1880-02-08). Pulpit Vault, 1880-02-taylor-a-funeral-sermon-preached-over-the-remains-of-joseph-m-cain. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).