Abrangência da Oração do Senhor — O Governo e a Regência de Deus — A Revelação do Pai e do Filho a Joseph Smith, e a Concessão a Ele do Sacerdócio — O Desenvolvimento de Leis e Princípios Teocráticos — O Objetivo do Recolhimento — Liberdade Religiosa — Nossas Relações com o Governo Geral
John Taylor
Tenho ficado muito satisfeito e interessado com os procedimentos desta conferência e com os ensinamentos que recebemos daqueles que nos têm dirigido a palavra, e sinto grande prazer em desempenhar minha parte nestes exercícios em que agora estamos empenhados. Parece que este edifício está um tanto pequeno demais para nós no momento; não sei se poderíamos alargá-lo de alguma forma; portanto, nos contentaremos com as coisas como estão. Contudo, será apenas em ocasiões extraordinárias que teremos a quantidade de pessoas que há hoje. Com o tempo as tempestades passarão e o inverno terá ficado para trás, e temos um edifício maior perto daqui, para onde poderemos ir. Estou, porém, muito satisfeito com os esforços que têm sido feitos na preparação deste edifício até agora; é verdade que ele se encontra em condição inacabada para a reunião dos Santos nesta conferência; mas suponho que será bastante gratificante para o sacerdócio e para todos os que se reuniram nesta ocasião, possuir o privilégio que agora desfrutamos. ¶
Há alguns pensamentos que passaram por minha mente ao ouvir as observações de alguns de meus irmãos. Fiquei muito satisfeito esta manhã ao ouvir as observações feitas pelo Irmão Pratt e pelos irmãos que o sucederam, particularmente a respeito do assunto que pareciam ter em mente, isto é, a observância da palavra de sabedoria; e embora, como o Irmão Pratt, eu tivesse de reconhecer que nem sempre a cumpri, ainda assim, sustento de todo o coração e concordo com todo princípio que Deus revelou para a salvação temporal ou espiritual de seu povo. Houve algumas observações associadas às feitas por alguns dos irmãos que também pesaram um pouco em minha mente, a saber, que nossa religião não consiste simplesmente em um princípio, mas em muitos, de acordo com o que foi dito em tempos antigos, que "nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus." Mas nenhum de nós está justificado em repudiar ou ignorar qualquer um daqueles princípios que Deus nos deu, e se temos sido negligentes nestes ou em outros assuntos, o caminho apropriado para nós é reformar-nos, recomeçar, ou, pelo menos, se deixamos cair alguns pontos, como as irmãs às vezes dizem quando estão tricotando, recolhê-los novamente e colocar as coisas em sua devida posição, para que sejamos capazes, não apenas nisso, mas em tudo o mais, de honrar a nosso Deus com toda sinceridade, fidelidade e integridade; para que sejamos capazes de nos apresentar diante do Senhor de uma maneira que sempre tenha sua aceitação. ¶
Precisamos de ensino contínuo, linha sobre linha, preceito sobre preceito, aqui um pouco e ali um pouco. Por isso temos nossas várias organizações do sacerdócio, destinadas a supervisionar, a coordenar, a regular, a ensinar, a instruir, e a penetrar em todas as ramificações da vida, sejam elas pertencentes a este mundo ou ao mundo vindouro. Precisamos continuamente não apenas da orientação e dos ensinamentos dos apóstolos, dos presidentes, dos bispos, sacerdotes, mestres, diáconos e das várias organizações do sacerdócio; mas precisamos, individualmente, buscar no Senhor sabedoria para nos dirigir em todos os assuntos da vida, para que possamos falar corretamente, pensar corretamente, agir corretamente, e desempenhar os vários deveres que nos cabem em todas as ocupações da vida; e em nossas orações, em nossas várias devoções em âmbito familiar, em âmbito eclesiástico e em toda posição que ocupamos, precisamos da orientação e direção do Todo-Poderoso. E é com os indivíduos assim como é com as famílias, os ramos e as partes das famílias: precisamos buscar no Senhor e obter dele sabedoria. Há um fato, e é que muitíssimas pessoas — quase nenhum de nós — sabem o que é bom para si. Podemos ter nossas próprias ideias sobre isso; mas precisamos continuamente da orientação e direção do Todo-Poderoso. Os discípulos, isto é, os apóstolos de outrora, compreenderam este princípio e pediram ao Senhor que lhes ensinasse a orar, e em bem poucas palavras ele proferiu uma das formas mais abrangentes já escritas ou proferidas. Ele disse: quando orardes, dizei: "Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém." Esta é uma oração das mais abrangentes. Em primeiro lugar, reconhece-se o Deus do universo, nosso Pai que está nos céus, o Deus e Pai de Jesus Cristo. E que mais? O Deus e Pai dos espíritos de toda a carne. Nós o reconhecemos e reverenciamos como "Pai nosso, que estás nos céus"; curvamo-nos diante dele e buscamos nele sua orientação e direção. Santificamos e reverenciamos o seu nome. E depois, o que vem em seguida? "Venha o teu reino." Que reino? Todas essas coisas se ramificam em princípios grandiosos e importantes, que só podem ser compreendidos por meio de revelações do Altíssimo. "Venha o teu reino." Por quê? Para que "seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu." ¶
Desejo referir-me um pouco a algumas dessas coisas, essas ideias e princípios que se desenvolvem nessas palavras, em parte, porque essas coisas só podem ser feitas em parte. Falamos bastante sobre a igreja e o reino de Deus. Às vezes penso que entendemos muito pouco sobre ambos. O reino de Deus significa o governo de Deus. Isso significa poder, autoridade, domínio, soberania, e um povo sobre o qual governar; mas esse princípio não se cumprirá, não pode se cumprir inteiramente, até que, como nos dizem as Escrituras, os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reine sobre eles. E quando diante dele todo joelho se dobrar e toda língua confessar que ele é o Cristo, para a glória de Deus, o Pai. Esse tempo ainda não chegou, mas há certos princípios a ele associados que já vieram, a saber, a introdução desse reino; e a introdução desse reino só poderia ser feita por aquele que é o rei e governante, o cabeça desse governo, comunicando primeiro suas ideias, seus princípios, suas leis, seu governo ao povo; do contrário, não saberíamos quais eram as suas leis. O mundo tem sido governado sob toda espécie de forma; tivemos toda sorte de governo. Às vezes tivemos governo patriarcal, outras vezes tivemos monarquias absolutas, ou o que se pode chamar de governos despóticos, em que o poder de governar está nas mãos de um único indivíduo. Em outras ocasiões tivemos monarquias limitadas, como as que hoje existem em muitos lugares sobre a face da terra. Em outros lugares e em diferentes épocas tivemos o que se denomina governos republicanos, em que a voz do povo governou, dirigiu e administrou os assuntos do povo. Houve várias outras formas, independentes destas, nas quais não desejo entrar no momento; mas em lugar algum tivemos o governo de Deus. É verdade que, por um período limitado, entre um povo muito pequeno nos tempos antigos, entre os judeus, professaram estar sob a orientação de Deus por certo espaço de tempo. Mas eles continuamente se desviavam disso. Tinham o seu sacerdócio, tinham os seus profetas, tinham o seu Urim e Tumim, e por meio desses instrumentos buscavam a sabedoria e a orientação de Deus a respeito de muitos dos empreendimentos importantes em que se envolviam. A lei dada por Moisés foi uma dessas coisas que emanaram de Deus. Moisés recebeu do Senhor os dez mandamentos escritos em tábuas de pedra — escritos pelo dedo de Deus — e esse povo, que então era bastante pequeno comparativamente, recebeu os mandamentos de Deus e professou, pelo menos, ser governado por eles. O Senhor lhes deu mandamentos, e estes foram proclamados ao povo, e quando proclamados, era costume que todo o povo dissesse: "Amém. Estas leis observaremos e cumpriremos." Mas isso ocorria entre um povo muito limitado. Bem depressa desejaram ter um rei para governá-los, mas a ideia então considerada apropriada entre eles era: "O Senhor é nosso rei, o Senhor é nosso juiz, o Senhor é nosso legislador, e ele reinará sobre nós." Vemos o sentimento que tinham e nutriam como povo, mas desviaram-se dele e buscaram um rei, e foram desencaminhados dos princípios corretos — levados à loucura, às trevas, à ignorância — até que foram espalhados aos quatro ventos do céu. ¶
Houve um tempo predito por todos os santos profetas desde que o mundo existe, em que Deus haveria de governar o seu povo; e os judeus, quando o Messias veio, esperavam que ele viesse para reinar sobre Israel como rei temporal, que ele tomaria posse do seu reino para derrubar todos os outros reinos, impérios, dinastias e poderes, e se declarasse rei de Israel e do mundo. Mas não compreenderam muitas coisas a isso associadas, e ainda hoje não as compreendem; nem o mundo as compreende, e nós mesmos entendemos muito pouco a respeito delas. Mas as Escrituras dizem que "até que o céu e a terra passem, nem um jota nem um só til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido." Ora, se os reinos deste mundo ainda não se tornaram os reinos de nosso Deus e do seu Cristo, hão de se tornar, e é necessário que haja um começo para isto, assim como para toda outra coisa. Este é um assunto que tem sido aguardado por profetas e apóstolos, patriarcas e homens de Deus nas várias dispensações do tempo. É chamado "a dispensação da plenitude dos tempos", quando Deus reunirá todas as coisas em uma, sejam elas coisas na terra ou coisas nos céus. Ora, é necessário que haja um ponto de partida para isso, e a questão é: como haveria de se originar? Quem, entre as nações da terra, conhecia ou compreendia algo a respeito do governo de Deus? Ninguém; em lugar algum; nenhum rei, nenhum imperador, nenhum potentado, nenhum presidente, nenhum poder sobre a face da terra; nenhum teólogo, nenhum cientista, nenhum filósofo entendia coisa alguma a respeito deste assunto. É, de fato, o reino de Deus, e, sendo o seu reino, deve originar-se nele; deve receber dele os seus ensinamentos, as suas formas, os seus princípios, as suas leis, as suas ordenanças, as suas instituições, e tudo o que a isso se relaciona deve emanar de Deus; e, assim como era necessário que se originasse nele, também era necessário que fosse sustentado e mantido por ele, e que aqueles que atuassem neste reino fossem governados pelo mesmo espírito de que ouvistes o Irmão Pratt falar esta manhã. Tornou-se também necessário que se introduzisse um meio pelo qual o homem pudesse ser colocado em comunhão com Deus, para que pudesse compreendê-lo, para que pudesse entender as suas leis quando as desse, para que pudesse conhecer os princípios que ele tinha a desenvolver; pois há um grande princípio que os homens pouco compreendem, a saber: "ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus"; e, se não as conhecem senão por meio de sua sabedoria, seria em vão que Deus se comunicasse com um povo que não pudesse compreendê-lo, que não tivesse capacidade para receber os princípios que ele tinha a comunicar. O mesmo princípio vale em toda parte, entre todos os princípios com que estamos familiarizados ou de que temos algum conhecimento. Não se pode ensinar álgebra a uma criança, nem aritmética, antes que ela tenha passado por certo sistema de treinamento. Não se pode ensinar as artes e as ciências sem a preparação necessária para sua introdução, nem se pode ensinar ao povo o governo de Deus sem que sejam colocados em comunicação com ele; e daí vem a Igreja de Deus. E o que se entende por isso? Uma escola, se assim se pode dizer, em que os homens são ensinados certos princípios, em que podemos receber certo espírito por meio da obediência a certas ordenanças. E nós, tendo recebido esse espírito por meio dessas ordenanças, estávamos então preparados para dar os primeiros passos em relação a outros assuntos; e assim, como início, o Senhor apareceu a Joseph Smith, tanto o Pai quanto o Filho, e o Pai, apontando para o Filho, disse: "Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o!" Eis, então, uma comunicação dos céus dada a conhecer ao homem na terra; e ele, naquele momento, entrou na posse de um fato que nenhum homem no mundo conhecia senão ele, a saber, que Deus vivia, pois o tinha visto, e que o seu Filho Jesus Cristo vivia, pois também o tinha visto. O que se seguiu? Disse então o Pai: "Este é o meu amado Filho, escutai-o." A maneira, o modo, o porquê e o para quê ele se propunha a introduzir por meio dele não foram explicados; mas ele, o Filho de Deus, o Salvador do mundo, o Redentor do homem, foi quem se apontou como o guia, o dirigente, o instrutor e o líder no desenvolvimento dos grandes princípios daquele reino e daquele governo que então começou a instituir. O que veio a seguir? O passo seguinte foi que homens que haviam possuído o sacerdócio, que haviam ministrado no tempo e na eternidade, e que detinham as chaves do sacerdócio, vieram e o conferiram a Joseph Smith. João Batista conferiu-lhe o sacerdócio aarônico, e Pedro, Tiago e João, o sacerdócio de Melquisedeque; e depois outros que haviam atuado nas várias eras do mundo, como Moisés e Enoque, apareceram e lhe conferiram a autoridade que possuíam relativa a esses assuntos. Por quê? Porque era "a dispensação da plenitude dos tempos", não de um só tempo, mas de todos os tempos; era o passo inicial para o desenvolvimento de todos os princípios que jamais existiram, ou que viessem a existir, pertinentes a este mundo ou ao mundo vindouro. O que veio a seguir? Foi-lhe ordenado que separasse outros homens para batizar os que cressem, os que tivessem fé em Deus e em seu reino, e em suas revelações e em seu governo. Depois de posse desses princípios, foi-lhes ordenado batizar aqueles que cressem no Senhor Jesus Cristo, que se arrependessem de seus pecados, para que fossem batizados para remissão de seus pecados e tivessem mãos impostas sobre eles para o recebimento do Espírito Santo. E então? Organizou-se um sacerdócio, uma Primeira Presidência, os Doze, um Sumo Conselho, Patriarcas, quóruns de Sumos Sacerdotes, Setentas, Élderes, Bispos, Sacerdotes, Mestres e Diáconos, para levar adiante os propósitos de Deus e instruir os homens nas leis referentes a seu reino, sim, nas leis da vida. Homens foram enviados em nome de Deus para pregar os princípios de verdade que haviam sido revelados, e muitos creram, foram batizados e iniciados na Igreja de Deus, e podemos dizer que nos passos iniciais ou preparatórios necessários para o estabelecimento do reino de Deus. Receberam então o Espírito de Deus, que não é "fábula artificialmente composta"; não se originou no homem, foi o dom de Deus ao homem. Aos élderes, por exemplo, foi dito que saíssem e chamassem os homens ao arrependimento, ao batismo, e que impusessem as mãos sobre eles para que recebessem o Espírito Santo. E o que faria isso? Tomar das coisas de Deus e mostrá-las ao povo. Este é um dos maiores desenvolvimentos de poder que já existiram entre os homens. Vós, élderes, centenas de vós que agora me ouvis, saístes para pregar este evangelho. Chamastes os homens a crer no Senhor Jesus Cristo, e eles o fizeram. Chamastes os homens ao arrependimento, e eles o fizeram. Dissestes-lhes que fossem batizados, e vós os batizastes. Depois impusestes as mãos sobre suas cabeças e dissestes "recebei o Espírito Santo", e eles o receberam. E vós sabeis, e esta congregação sabe, que o que digo é verdade, e isso por aquele princípio, mediante a obediência à lei de Deus que ele introduziu em seu evangelho. Para quê? Para preparar os homens a serem colocados em comunhão com Deus. Para prepará-los a serem membros não apenas de sua Igreja, mas de seu Reino, e para prepará-los a participar deste grande acontecimento que havia de se dar nos últimos dias. Ora, estes são fatos que vós não podeis contestar, nem ninguém mais pode. Sabeis que estas coisas são verdadeiras. O que isso prova? Que é o reino de Deus, que ele o introduziu, e, como se disse em tempos passados, "vós sois as minhas testemunhas", assim como o Espírito Santo que testifica de nós. Ora, então, poderíeis ter recebido isto sem a intervenção do Todo-Poderoso e de seu Filho Jesus Cristo? Não, não poderíeis. Poderíeis tê-lo recebido sem que as chaves do sacerdócio fossem restauradas, e que alguns homens fingem desprezar tanto? Não, não poderíeis. Assim, traçamos a ordem destas instituições tal como habitavam na mente de Deus, e tal como foram manifestadas entre os homens. Têm essas fraquezas os élderes que realizam essas cerimônias? Sim, tanto quanto o Élder Pratt e eu temos as nossas. Têm eles suas enfermidades? Sim. Foi um rico tesouro o que nos foi conferido? Sim, mas o recebemos em vasos de barro, cercados pelas enfermidades do homem. Mas Deus conhecia essas enfermidades; ele estava familiarizado com todas as nossas fraquezas. Não obstante, ele nos conferiu este sacerdócio, este poder e esta autoridade, e quando saímos em seu nome e por sua autoridade, Deus sancionou nossos atos. Está Deus conosco enquanto estas coisas se realizam? Creio que sim. O que pensais a respeito? É um princípio claro, evidente e demonstrável. Bem, e o que veio a seguir? Então começamos a nos reunir. E por que nos reunimos? Alguns de nós mal sabem dizer o porquê, e frequentemente me surpreendo ao ler cartas que nos suplicam a respeito deste assunto. Recebo cartas repetidas vezes, rogando que se busque algum meio pelo qual os Santos possam ser libertados e reunidos em Sião, e capacitados a viver com os Santos de Deus. Qual é a razão disso? Por que desejam se reunir? Porque há um espírito e uma influência associados a esta Igreja e a este reino que os conduzem e os impelem a esta ação; e vós que me ouvis sentistes esta influência; sentistes o desejo de vos reunirdes, e viestes; e os que não estão aqui agora sentem tão forte desejo de se reunir quanto vós sentistes. E, uma vez reunidos, muitos de vós pensam que é um tipo curioso de Sião, não é mesmo? De fato o é; pois, embora a rede recolha os bons, também traz de toda espécie, bons e maus. Temos alguns peixes muito bons, e alguns muito maus, e alguns meio a meio, e alguns sentem vontade de dizer "bom Senhor e bom diabo", já que não sabem em que mãos poderão cair. Não obstante, esta é a ordem, e o trigo e o joio, suponho, hão de crescer juntos até que venha a ceifa, e esta ainda não chegou de todo; e por isso vamos nos esbarrando uns nos outros, e alguns de nós mal sabem se são eles mesmos ou outra pessoa. Dificuldades e provações nos cercam, e ficamos surpresos. Mas estamos aqui, e estamos aqui de acordo com o mandamento de Deus e de acordo com a operação do Espírito de Deus que repousa sobre nós, que repousou sobre nós e nos conduziu até aqui; e eu ia dizer que estamos aqui porque não pudemos evitá-lo. ¶
Bem, e o que veio a seguir? Quem somos nós, e o que somos, estando aqui? Alguns bons Santos dos Últimos Dias, e alguns, como já disse, meio a meio, alguns de uma forma e outros de outra. Mas como nos posicionamos, na condição que ocupamos como Igreja, em relação a como se posicionam os demais povos? Cremos em Deus. Cremos no Senhor Jesus Cristo. Cremos na virtude, na pureza, na santidade, na integridade, na honestidade. Cremos em bons cidadãos e bons Santos. Cremos em guardar os mandamentos de Deus e realizar os seus propósitos. Cremos em espalhar o evangelho até os confins da terra. Cremos em reunir os de coração honesto. Cremos em edificar templos e neles administrar em favor dos vivos e dos mortos, e cremos em agir como salvadores no Monte Sião, segundo a palavra do Senhor. Todas estas coisas, e muitas outras, são princípios fundamentais que nós, como Santos, professamos crer. Bem, temos o direito de fazer isso, embora haja outros que não creem nessas coisas. Eles têm tanto direito de não crer em nossos princípios quanto nós de crer neles. E às vezes ficamos zangados e descontentes com outros porque não creem como nós. Bem, nós não cremos como eles. Alguns deles pensam que somos muito tolos, muito exaltados, muito supersticiosos e muito perversos. Aqueles que nos conhecem não pensam que somos tão maus assim, afinal. Temos nossas fraquezas e imperfeições, mas ainda assim somos tão bons quanto o restante deles, e um pouco melhores, e deveríamos ser, pois fazemos grandes pretensões. Mas é isso que eles pensam a nosso respeito. Pensam que estamos iludidos. Ora, a única diferença entre nós e eles é que nós sabemos que eles são supersticiosos e corruptos, e que violam as leis que professam crer e os princípios pelos quais professam ser governados e guiados. Mas não temos o direito de esperar que todos se submetam às nossas doutrinas, às nossas opiniões, aos nossos princípios; isso é questão de livre-arbítrio para eles, e, como disse, eles têm tanto direito de crer como acharem apropriado e de adorar como escolherem quanto nós temos. Estes são alguns princípios verdadeiramente corretos. Bem, eles tentam nos impedir de adorar como cremos? Ora, isso é — como hei de chamá-lo? Uma doutrina de demônios; não provém de Deus, que é mais livre e generoso em seus sentimentos do que isso. Ele não controla a consciência dos homens, nem os força a obedecer aos seus mandamentos; é questão de graça livre, é questão de livre-arbítrio. Bem, ainda que eles pensem ter o direito de interferir conosco, nós não pensamos ter o direito de interferir com eles. E não creio que o façamos. Há aqui nesta cidade diversas instituições — católicos, episcopais, presbiterianos, metodistas, batistas, etc. — e não sei quantas mais, uma boa quantidade delas. Se pensam que estão certos, estou bem disposto a que assim pensem. Não desejo interferir com eles. Quem interfere com a construção de seus templos de reunião? Quem interfere com o seu culto? Se há algo desse tipo, não tenho conhecimento; espero não vir a ter; espero nunca ouvir falar de tais coisas. Creio que todos os homens têm o privilégio de adorar a Deus segundo os ditames de sua própria consciência, e penso, então, que possuímos exatamente o mesmo direito; e quando eles se desviam deste princípio e desejam cercear os nossos direitos, estão violando o espírito e o gênio das instituições de nosso país comum, e também os do reino dos céus ao qual estamos associados. Estão também violando aqueles bons sentimentos que deveriam existir entre homem e homem, entre irmão e irmão, e estão interferindo com coisas que de modo algum lhes pertencem. ¶
Ora, pois, este é o terreno em que nos apoiamos em nossa condição religiosa. Se eu posso encontrar um caminho, e vós podeis encontrar um caminho, pelo qual possamos nos aproximar de nosso Deus e tê-lo por nosso guia, nosso mestre e instrutor, se eles não podem fazê-lo, não é da conta deles o que fazemos. Eles nada têm a ver com isso; não é da conta deles, de forma alguma; e qualquer interferência é uma interferência com os direitos legítimos e os princípios inerentes que pertencem à humanidade. ¶
Bem, enquanto eles permanecerem em sua plataforma e nós na nossa, sejam eles metodistas, sejam presbiterianos, tudo bem. Podem realizar suas reuniões de avivamento e pensar que estão fazendo muito bem; tudo bem; e, na medida em que ensinam bons princípios morais e não se desviam da verdade, tudo bem. Na medida em que obedecem às leis da terra, tudo bem; nada temos a ver com eles? Tendes vós? Tem a cidade? Tem o Território? Não. ¶
Bem, pois vamos um pouco mais adiante. Por estarmos aqui, tornamo-nos parte integrante do governo dos Estados Unidos, como Território. Muito bem. Eis outra coisa de que estamos falando. Será isso o governo de Deus? Não exatamente, mas é o governo sob o qual vivemos; e, se nos tratam bem e nos dispensam alguma bondade, agradecemos por isso. Se nos tratam mal, pensamos que isso não está de acordo com os princípios corretos. Pensamos que, como cidadãos americanos, devemos receber todos os privilégios igualmente com as demais pessoas; pensamos que devemos ter permissão para adorar a Deus segundo os ditames de nossa consciência e ser protegidos em nosso culto. Até aqui, pois, como já disse, estamos em pé de igualdade. Ora, estamos no mesmo terreno em relação às circunstâncias políticas. Estamos sob os Estados Unidos, mas os Estados Unidos não são o reino de Deus. Não professam estar sob o seu governo, nem sua autoridade. Contudo, espera-se de nós, como cidadãos dos Estados Unidos, que guardemos as leis dos Estados Unidos, e por isso somos, como já disse, parte integrante do governo. Muito bem, o que se espera de nós? Que observemos as suas leis, que nos conformemos aos seus usos, que sejamos governados por bons e sãos princípios, que mantenhamos as leis em sua integridade e que sustentemos o governo, e devemos fazê-lo. Mas há aqui um princípio de que desejo falar. Deus dita, em grande medida, os assuntos das nações da terra, os seus reinos e governos e governantes e os que detêm o domínio. Ele estabelece um e derruba outro, segundo a sua vontade. Esta é uma doutrina antiga, mas verdadeira ainda hoje. Temos governadores? Temos um presidente dos Estados Unidos? Temos homens em autoridade? Sim. É correto difamar seu caráter? Não, não é. É correto nos opormos a eles? Não, não é. É correto que eles nos difamem? Não, não é. É correto que nos oprimam de alguma forma? Não, não é. Devemos orar por essas pessoas, por aqueles que estão em autoridade, para que sejam conduzidos pelo caminho correto, para que sejam preservados do mal, para que administrem o governo com retidão, e para que sigam um curso que receba a aprovação do céu. Bem, e mais? Devemos também orar por nós mesmos para que, quando quaisquer planos ou artifícios ou oposição à lei de Deus, à Igreja e reino de Deus, ou ao seu povo, forem introduzidos, e sempre que procurarem fazer de nós vítimas da tirania e da opressão, a mão de Deus esteja sobre nós e sobre eles para paralisar os seus atos e nos proteger; pois, como está escrito, "a cólera do homem redundará em teu louvor; o restante da cólera tu o restringirás." ¶
Ora, nós, aqui em Utah, estamos sob o governo dos Estados Unidos; somos uma porção muito pequena dele. É verdade que temos nossos legisladores, temos nossos juízes de sucessões, temos nossos marechais, condestáveis, etc., temos nossos alvarás municipais, etc., etc., e certas imunidades e privilégios deste tipo. Bem, seremos governados por eles? Sim. Obedeceremos à lei? Sim. Devo eu, como cidadão desta cidade, obedecer às leis desta cidade? Sim. Devo causar problemas ou falar mal do prefeito ou do conselho municipal ou de quaisquer administradores da lei? Não; devo antes orar por eles, para que conduzam corretamente e administrem a justiça com equidade, e ajam pelo bem-estar e interesse da comunidade em que vivem e para a qual servem. Sou eu cidadão dos Estados Unidos? Sim, e devo sentir o mesmo para com eles. ¶
Bem, agora, há alguns pontos importantes que entram aqui. Como já disse, somos uma porção muito pequena deste governo. Ora, desejamos derrubar o governo? Penso que não. Penso que não desejamos. Desejamos lhes causar problemas? Não que eu saiba. Sei que somos acusados disso; mas não é verdade. Estas declarações não são corretas. Nossa religião, contudo, difere da religião de muitos outros, e, como já disse, embora eles busquem a liberdade de adorar a Deus como bem entendem, não querem que possuamos os mesmos privilégios. Não há nada de novo nisso; mas, por causa disso, têm eles o direito de interferir com as instituições das quais nos tornamos parte? Não juram nossos legisladores, nossos governadores, e todos os homens aqui, fidelidade não apenas ao Território, mas aos Estados Unidos, e dizem que sustentarão a Constituição, as leis e as instituições deles? De fato o fazem. Esta é a posição que ocupamos. Mas somos colocados em uma posição peculiar em algumas coisas. Eles — eu ia dizer em sua sabedoria, mas direi em sua loucura, e espero que me desculpem, pois assim o vejo — aprovaram certas leis tentando interferir conosco em nossas atividades em assuntos religiosos. Bem, não podemos evitar isso. Já vos disse há pouco — vós me credes, esta congregação me crê, com pouquíssimas exceções — que Deus introduziu e instituiu esta Igreja, que ele foi o seu fundador, que dele emanou; as doutrinas, ordenanças, princípios, governo, sacerdócio, autoridade, e tudo o que a ela pertence, emanaram dele; nós nada tivemos a ver com isso. Joseph Smith nada teve a ver com isso, exceto como um instrumento passivo nas mãos do Senhor. Brigham Young nada teve a ver com isso, senão atuando nessa capacidade. Eu nada tenho a ver com isso, nem meus irmãos dos Doze. Deus a revelou. Não posso evitá-lo. Podeis vós? Pode alguém? Ora, então, este povo tem sido recebido nesta Igreja da maneira que já mencionei, e tem de fato recebido comunicação de Deus pela imposição das mãos, recebido o Espírito Santo, e possui dentro de si uma esperança que floresce com a imortalidade e a vida eterna, e está de posse de uma esperança que penetra além do véu, para onde Cristo foi. Podeis desarraigar isto da mente deste povo? Não; nenhum poder na terra, nenhum poder no céu, nem todas as nações da terra combinadas podem fazê-lo; Deus o plantou ali, o homem não pode tirá-lo, e os homens são tolos em tentar fazê-lo. Muito bem. Mas eles tentam interferir conosco sob o pretexto de que somos muito perversos aqui. Bem, é o bastante para fazer alguém rir, às vezes, quando pensamos nestas coisas, e o bastante para nos entristecer quando sabemos da hipocrisia, lascívia, crime, assassinato, derramamento de sangue que predominam nesta nação e em outras nações, ao ouvi-los falar conosco sobre nossa moralidade. Sabemos que, quando falam assim, são hipócritas. Sabemos que eles sabem melhor, quando contam essas coisas ao mundo. ¶
Ora, então, os Estados Unidos aprovam uma lei segundo a qual um homem não pode casar-se com várias esposas conforme a ordem que Deus revelou. Ora, é fato que gostaríamos de obedecer às leis dos Estados Unidos, se pudéssemos fazê-lo. Se eles pudessem apenas nos dizer como sair do dilema em que nos colocaram, ficaríamos muito gratos a eles; de fato gostaríamos de sair dele. Mas não tivemos participação em nenhuma dessas coisas. Não tivemos participação em fazer o mandamento que Deus deu a seu povo, e não tivemos participação em fazer a lei dos Estados Unidos referente a esses assuntos. Sentimos grande desejo de guardar as leis da terra, se ao menos nos permitissem; mas devemos orar a nosso Pai que está nos céus para que os preserve de fazer leis que não possamos guardar conscienciosamente sem violar nossa consciência e transgredir a lei de Deus. E, se o fizerem, estaremos sob a necessidade de deixá-los nas mãos de Deus, para que ele lide com eles como julgar apropriado, e confiaremos no Deus vivo e arriscaremos as consequências, sejam quais forem. ¶
Ora, estes são os nossos sentimentos quanto a este ponto. É bom manifestar estes sentimentos? Sim. Queremos ser francos, abertos e sinceros, e livres de toda espécie de hipocrisia, e sentir-nos como filhos de nosso Pai que está nos céus, sem culpa, sem traição, sem fraude de qualquer tipo. Sejamos adoradores sinceros de Deus e crentes nele e em sua lei. Mas propomo-nos a governar, interferir ou rebelar-nos contra o Governo dos Estados Unidos? Não, não propomos. Isso não está em nosso programa. Deu-nos Deus uma lei? Sim. Muito bem, viveremos e faremos o melhor que pudermos, mas não abandonaremos o nosso Deus. Todos os que estão dispostos a guardar as leis de Deus, manifestem-no levantando a mão direita (voto unânime). Agora procurai guardá-las. Mas lutaremos contra os Estados Unidos? Não, não lutaremos. Bem, como se hão de realizar estas coisas? Não esperais que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e do seu Cristo? Sim, eu o espero, tanto quanto creio que estou falando convosco e vós me ouvis, e não apenas o creio, mas o sei. Bem, agora, como se há de realizar isso, se não entrardes na luta? Não precisamos fazer isso. Há bastante gente que entrará na luta; haverá muitos problemas, com o tempo, sem a nossa interferência, quando os homens começarem a arrancar uma prancha após outra da plataforma da liberdade constitucional; não sobrará muito a que se apegar. E como vos entendereis com eles? Deixaremos que se entendam entre si. E como será isso? Diz-se que os ímpios matarão os ímpios, mas o Senhor diz: "É da minha conta cuidar dos Santos." Deus permanecerá ao lado de Israel, e Sião triunfará, e esta obra prosseguirá até que o reino seja estabelecido e todas as nações se curvem diante do seu padrão. ¶
Que Deus vos abençoe, que ele vos conduza na senda da luz, é a minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶