Como Se Obtém o Conhecimento de Deus—O Evangelho aos Mortos—Várias Dispensações do Altíssimo à Humanidade—Poder do Sacerdócio—Restauração do Evangelho por Meio de Joseph Smith—Falhas dos Santos—Corrupções dos Ímpios
John Taylor
Reunimo-nos de tempos em tempos para falar, ouvir, refletir, conversar e trocar opiniões a respeito da adoração ao Deus Todo-Poderoso. Há algo associado a esses assuntos que geralmente tem atraído a atenção da família humana em todas as épocas, entre todos os povos, e sob quase todas as circunstâncias. Existe, e sempre existiu, um sentimento de reverência entre a família humana por algum tipo e forma de Ser Divino, mesmo entre os povos mais baixos e degradados da terra. A posição que ocupamos no mundo, nossas ideias sobre a mutabilidade dos assuntos do tempo e dos sentidos, a partida contínua de um após outro deste estágio de existência para outro, nos leva, assim como a outras porções da família humana em geral, a refletir, mais ou menos, sobre as coisas pertencentes ao futuro. Várias ideias e teorias têm existido entre os diferentes povos. Alguns adoraram uma grande variedade de Deuses de sua própria fabricação, enquanto outros seguiram as noções e teorias dos homens a respeito de certas doutrinas, fórmulas, teorias e ideias que foram promulgadas entre os que seriam chamados de sábios, prudentes e inteligentes da terra. Mas, com relação a assuntos religiosos, ninguém pode ter concepção verdadeira ou correta de um mais-além, a menos que tenha sido revelado pelo Todo-Poderoso, o único capaz de compreender o fim desde o princípio, e que conhece a posição e os destinos dos homens e do mundo. ¶
Nos foi revelado, de tempos em tempos, como se manifesta nas Escrituras, e ali se desenvolve, muitas ideias a respeito de Deus e do futuro; mas toda inteligência a respeito desses assuntos foi geralmente obtida diretamente do Senhor, ou por meio do ministério de anjos, ou pelo Espírito de profecia e revelação a eles dado pelo Todo-Poderoso. E está enfaticamente declarado nas Escrituras que "as coisas de Deus ninguém sabe, senão o Espírito de Deus," e, portanto, quando os homens presumem compreender princípios pertencentes ao futuro, baseados no saber, na sabedoria, na inteligência ou na ciência do mundo, sempre erram muito. Quem pode compreender o Todo-Poderoso, ou entender seus desígnios? Como disse um antigo: "É tão alto como o céu." Que podes tu saber? "Mais profundo do que o inferno." Quem pode penetrar seus mistérios? O que realmente sabemos? Para começar, quem pode entender os desígnios de Deus com relação à organização deste mundo, ou com relação à posição do homem e seu destino? Suas operações passadas, seu trato presente com as nações, e seus desígnios futuros são, para o não inspirado, todos um enigma profundo. Quem sabe algo a respeito disso? Encontramos hoje toda espécie de teorias, noções e opiniões em existência, mas o que valem elas? Que valeria minha opinião sem embasamento, ou a opinião de qualquer pessoa, com relação a esses assuntos? Não valeria nada. Com relação a outros princípios, de natureza mais material, com os quais estamos intimamente associados, há certos fatos que os cientistas e os homens de inteligência sempre desejam ver demonstrados, e, a menos que o sejam, dão muito pouca atenção a qualquer hipótese sem embasamento. Se isso é verdade quanto às ciências conhecidas, quanto mais criteriosos devemos ser com relação a assuntos mais importantes. Teorias, hipóteses, noções, dogmas e opiniões valem muito pouco quando associados aos grandes e eternos princípios ligados ao bem-estar da humanidade, e à salvação de um mundo. E, portanto, precisamos de algo superior, algo de mais inteligência do que qualquer coisa que o homem possua, para nos dar informação a respeito desses assuntos. ¶
Quando Deus criou o mundo e nele colocou o homem, tinha certas ideias e desígnios fixos, imutáveis e eternos; eram baseados, ou fundamentados, na mais consumada sabedoria; a mais profunda inteligência; a sabedoria e inteligência, se preferirem, que habitam com os Deuses. A organização dos céus e da terra, a criação do mundo tal como o entendemos, e também a criação do homem e dos animais, aves, peixes e insetos, e tudo o que existe sobre a face desta terra. Havia um objeto e um desígnio com relação a todos esses assuntos. Nada poderíamos saber a respeito disso, contudo, a menos que nos tivesse sido revelado, a menos que tivesse sido comunicado pelo ser que conhece o fim desde o princípio, e que compreende todas as coisas pertencentes à condição presente, bem como ao destino passado e futuro da família humana e do mundo. ¶
Certos homens, em diferentes épocas, nos falaram, e assim está registrado aqui na Bíblia, a respeito de certas comunicações que tiveram com o Todo-Poderoso. Pareciam ter um modo e maneira de se aproximar dele, e ele, nas várias dispensações, escolheu e selecionou indivíduos por meio de quem e a quem comunicou sua vontade à família humana. Há algo muito notável a respeito dessas coisas. Há muitas coisas notáveis na antiga história antediluviana do mundo, que nos são relatadas apenas de modo muito imperfeito na Bíblia. Lemos, por exemplo, de um homem chamado Enoque — a Bíblia nos diz: "E Enoque andou com Deus; e não estava mais, porquanto Deus para si o tomou." É praticamente tudo o que se diz a respeito dele, exceto que era um homem que temia a Deus. Mas Enoque, quando chegamos a conhecer mais de sua história, pelas revelações que foram dadas, descobrimos que era um homem que se comunicava com Deus de tempos em tempos. A Bíblia diz que ele andou com Deus, e não estava mais, porque Deus o tomou; mas, em outras revelações que recebemos, temos um relato do tipo de ministério que exerceu, dos trabalhos que realizou, da pregação que fez, da manifestação do poder de Deus em seu favor, e, por fim, de como reuniu um grande número de pessoas. Que construiu uma cidade; que naquela cidade estavam sob a orientação, direção e controle do Todo-Poderoso; e que ele, e sua cidade e povo, ou muitos deles, foram trasladados, e, portanto, como diz a Bíblia, "não estava mais, porquanto Deus para si o tomou," e também tomou o povo que estava com ele, os que o temiam e praticavam a retidão. ¶
Há outros acontecimentos associados a esses assuntos, muito interessantes quando os examinamos. O povo se havia corrompido muito, desviado da lei de Deus, violado suas ordenanças, e cometido toda espécie de iniquidade, de tal modo que, como a Bíblia nos diz, todos os pensamentos de seus corações eram somente maus, e continuamente, e o Senhor se arrependeu de ter feito o homem, por causa da maldade e corrupção que então existiam. Temos um relato muito breve disso nas Escrituras, mas, por outros meios que nos foram comunicados, recebemos um conhecimento mais amplo desses assuntos; pois outros homens que abraçaram o Evangelho em eras anteriores se tornaram pregadores de retidão, assim como Enoque. Tinham o Espírito do Evangelho, como Moisés o teve, como Jesus o teve, e como nós o temos. Mantinham comunhão com Deus e estavam sob a inspiração do Todo-Poderoso, em seu ministério, e, quando se reuniam — aqueles que temiam a Deus e praticavam a retidão — tinham visões e revelações, e profetizavam acontecimentos que se cumpririam. Havia muitos profetas naqueles dias, e profetizaram a respeito de uma casa de prisão que Deus havia preparado, disseram ao povo da destruição que viria sobre a terra: que seriam varridos da face da terra pelas águas do dilúvio, e que nenhum seria poupado, exceto uns poucos, para perpetuar o nome e a fama do Todo-Poderoso, e novamente propagar sua espécie. Isso é algo que tem parecido muito singular a alguns homens que não compreendem os desígnios de Deus, e supõem que houvesse certo grau de crueldade da parte do Todo-Poderoso ao varrer todo o povo da terra, com exceção de bem poucos. Presumem dizer que havia certo grau de injustiça, crueldade e tirania associado a isso. Contudo, isso se dá por falta de compreensão do princípio correto, e dos desígnios do Todo-Poderoso, e muitas conclusões a que as pessoas chegam, baseadas no mesmo fundamento, surgem da falta de compreensão do princípio de que falam. ¶
Há alguns princípios ligados a essas coisas que colocam os assuntos numa luz muito diferente. Quando entendemos a natureza do homem, quando consideramos que ele é um ser duplo, que possui corpo e espírito, que está associado ao tempo e à eternidade, que, segundo as Escrituras, os espíritos de todos os homens foram criados antes de este mundo ser feito, e que Deus é o Deus e Pai dos espíritos de toda carne; e, sendo Deus e Pai dos espíritos de toda carne, era seu direito e prerrogativa ditar o que deveria ser feito em benefício daqueles espíritos e de seus filhos que ele havia criado aqui na terra. Não era uma questão de teoria, segundo as opiniões dos homens, mas um plano imutável, segundo a sabedoria eterna de Deus, tal como existia em seu seio antes de o mundo ser, ou "antes de as estrelas da alva juntas alegremente cantarem, e todos os filhos de Deus jubilarem." Esses espíritos, de quem ele era o pai, tinham seus direitos, privilégios e imunidades; e, como ele havia criado o homem sobre a terra, ou preparado um tabernáculo, ou um corpo, se preferirem, para esses espíritos habitarem, tornou-se de seu interesse, como Pai da família humana, cuidar de seu bem-estar. Tinham sido desviados pela influência de Satanás, e haviam se corrompido, e se desviado dos princípios corretos, e violado a lei de Deus, e se tornado degradados e submersos na iniquidade e na infâmia. Ora, suponhamos que nos coloquemos de volta na presença de nosso Pai, e, olhando para baixo, para esses miseráveis degradados que habitavam a terra naquela época, não nos voltaríamos para nosso Pai, como um Deus justo, e diríamos: "Pai, vês a corrupção, a degradação, a infâmia e o mal que existem e permeiam o mundo da humanidade?" "Sim, sim, claro que vejo." "É justo que nossos espíritos sejam condenados a ir habitar os corpos desses homens, ou de sua semente, tão caídos, tão degradados e tão corruptos, e cujas ações e operações estão tão em desacordo contigo e com tuas leis? É justo e equitativo que devamos ir e nos misturarmos a essas infâmias, e sermos desviados como eles pelos caminhos do vício, e sofrer por coisas que não fizemos e que não pudemos evitar? É justo?" "Ora, não, não é, e eu os cortarei fora; e, como possuem o poder de propagar sua espécie sobre a terra, farei cessar esse poder por um dilúvio, e levantarei outro povo, para que se faça justiça a vós, meus filhos e filhas, e para que o juiz de toda a terra faça o que é correto." Quando olhamos as coisas por esse ponto de vista, elas se colocam em posição bem diferente da que teriam de outro modo, e justificam os caminhos de Deus para com o homem. ¶
Ora, quando esse acontecimento se deu, as pessoas foram lançadas na cova, nas prisões, como antes se havia dito que seriam. Bem, e então? Sigamos adiante até o tempo em que Jesus aparece sobre a terra, e vemos algo, então, pertencente a esses mesmos indivíduos, nos atos do Todo-Poderoso, tal como ocorreram naquela época. Quando Jesus concluiu sua obra, quando cumpriu a missão que tinha a realizar aqui na terra, e quando foi morto na carne, mas vivificado pelo Espírito, ele foi e pregou aos espíritos em prisão, "os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé"; e, embora tivessem sofrido a ira do Deus Todo-Poderoso, ele, que havia vindo proclamar libertação ao cativo, abrir as portas da prisão aos presos, libertá-los e proclamar o ano aceitável do Senhor, foi até eles como seu Salvador, em comum com os demais, e lhes pregou o Evangelho. Assim, encontramos os atos de Deus justificados com relação a esses assuntos, e, embora tivesse poder para destruir, embora tivesse poder para enviá-los à prisão, também tinha poder para conceber um plano para sua libertação, quando chegasse o tempo de serem libertados, depois de terem sofrido suficientemente pelos crimes, males e iniquidades que haviam cometido sobre a terra. Há muitas coisas singulares associadas a esses assuntos que os homens realmente não compreendem. ¶
Chegamos, novamente, a outra personagem proeminente, que é Abraão, um homem muito notável em seus dias e época; embora hoje os homens o considerem uma espécie de velho pastor, um homem que cuidava de rebanhos, gados e ovelhas, uma espécie de pastor e vaqueiro; e pouco se sabia dele, exceto que viveu em sua época quase como um bárbaro. Essa é a opinião que muitos homens formaram a respeito dele — que era algo como nossos sertanejos, alguns de nossos fazendeiros que não se misturaram com a elite da sociedade, nem se familiarizaram com a inteligência que permeia o mundo. Eu o considero uma personagem inteiramente diferente, e, pelas informações que podemos reunir das revelações a que já nos referimos, encontramos que havia algo muito peculiar a respeito dele. Lemos sua história, e descobrimos que era um homem que buscava a retidão, que desejava obter mais retidão, que examinou os registros de seus pais, e encontrou, ao examinar os registros, remontando através do dilúvio, até bem atrás nos dias de Adão, muitas circunstâncias ligadas à humanidade, não apenas até os dias de Adão, mas antes do mundo existir. Ao fazer isso, entre outras coisas, descobriu que tinha direito ao sacerdócio. Não preciso me deter a lhes dizer o que é isso, vocês, Santos dos Últimos Dias. Entendem que é a regra e o governo de Deus, seja nos céus, seja na terra, e, quando falamos do reino de Deus, falamos de algo que pertence à regra, ao governo, à autoridade e ao domínio; e aquele sacerdócio é o princípio governante que existe nos céus ou na terra, associado aos assuntos de Deus. Portanto, nos é dito nas Escrituras que Cristo foi sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Então, de que ordem era Melquisedeque? Sacerdote para sempre segundo a ordem do Filho de Deus, pois, se Cristo era segundo a ordem de Melquisedeque, Melquisedeque deve ter sido segundo a ordem de Cristo, como consequência necessária. Muito bem. Ora, então, com relação àquele sacerdócio, era algo que ministrava no tempo e através da eternidade; era um princípio que detinha as chaves dos mistérios das revelações de Deus, e estava intimamente associado ao Evangelho, e o Evangelho, onde quer que existisse, estava de posse desse sacerdócio; e não poderia existir sem ele. Sempre "trouxe a vida e a imortalidade à luz." As noções, opiniões e religiões do homem, em geral, estão inteiramente destituídas de um princípio desse tipo; nada sabem a respeito dele. Sempre que os homens são colocados em comunicação com Deus, e estão de posse do Evangelho do Filho de Deus, isso traz a vida e a imortalidade à luz, e os coloca em relacionamento com Deus, do qual outros homens nada sabem. ¶
Eram chamados, em tempos antigos, "filhos de Deus." "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Porém sabemos que, quando se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos." Foi esse sacerdócio, que seria o meio de introduzi-lo à presença de Deus, que Abraão descobriu ser seu legítimo herdeiro, segundo sua linhagem e descendência, e ele solicitou uma ordenação, que recebeu, segundo a revelação que nos foi dada, e, com aquela ordenação, os poderes, as bênçãos, a luz, a inteligência e a revelação associados ao Evangelho do Filho de Deus. E então? A coisa seguinte que lemos é que ele tinha o Urim e Tumim, e assim buscava a Deus por si mesmo, e, enquanto o buscava, Deus se revelou a Abraão e disse: "Abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra." Há algo muito notável nisso, quando refletimos sobre isso, e, quando examinamos a posição que ele ocupou, e que sua semente ocupou, podemos ver o cumprimento dessas coisas. Depois disso, o Senhor se revelou a ele de tempos em tempos, comunicou-lhe sua vontade, e ele foi feito ciente dos desígnios do Todo-Poderoso. O Senhor lhe mostrou a ordem da criação desta terra sobre a qual estamos, e lhe revelou algumas das mais grandiosas e sublimes verdades já dadas a conhecer ao homem. Ele as obteve por revelação de Deus, e por meio do Evangelho do Filho de Deus. ¶
Bem, vejamos um pouco o cumprimento de algumas dessas coisas. "Abençoarei os que te abençoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra." Lemos, algum tempo depois, de Isaque e Jacó. Jacó teve comunicação com Deus. O Senhor apareceu-lhe de tempos em tempos, e lhe revelou seus propósitos e desígnios. Abraão profetizou que os filhos de Israel estariam em cativeiro no Egito por 400 anos, e que, depois desse tempo, seriam libertados; e Moisés foi levantado como libertador, e conversou com Deus. Ele viu uma sarça que ardia em fogo, e a sarça não se consumia. Depois, conversou com o Senhor no monte Sinai, e recebeu tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus, que eram os mandamentos do Senhor aos filhos de Israel. E quem era Moisés? Um descendente de Abraão. ¶
Lemos também a respeito de profetas que, pelo espírito de inspiração, podiam afastar o véu escuro do futuro e penetrar no mundo invisível, e contemplar os propósitos de Deus, tal como se desenrolariam em eras posteriores, em toda a sua majestade, poder e glória. E quem eram eles? Eram a semente de Abraão. Lemos que Jesus, também, que era o Filho de Deus, nasceu da semente de Abraão segundo a carne. Quem eram seus apóstolos? A semente de Abraão. Depois houve Néfi, Leí, Ismael e outros que vieram da terra de Jerusalém para este continente, segundo o Livro de Mórmon. Quem eram eles? A semente de Abraão. Houve também os Doze Apóstolos chamados e separados neste continente, que saíram pelo poder e Espírito de Deus, auxiliados por inteligência e revelação como nunca tiveram no outro continente. Quem eram eles? A semente de Abraão. "Em ti serão benditas todas as famílias da terra" — não amaldiçoadas; não foi para isso que o sacerdócio de Deus foi introduzido, mas para espalhar luz, verdade e inteligência, para desdobrar à humanidade os caminhos, propósitos e desígnios de Deus, para dar ao homem conhecimento de sua origem, de sua posição na vida e de seu destino futuro; e dar-lhe conhecimento, como ser eterno e inteligente, das coisas passadas, das coisas presentes e das coisas futuras. Isto é o que Jesus lhes ensinou no continente da América. "Convém-vos que eu vá, pois, se eu não for, o Consolador não virá para vós" — que é o Espírito de Deus. E o que ele fará? Trará à sua memória as coisas passadas. Vocês serão dados a conhecer as ações dos antigos princípios e de Deus, nas eras que os precederam. Guiará a toda a verdade. Vocês compreenderão todos os assuntos que lhes forem necessários saber, pela luz, inteligência e revelação que flui de Deus. E o que mais fará? Mostrar-lhes-á das coisas que hão de vir. Afastará o véu do mundo invisível. Dará a vocês conhecimento das coisas pertencentes à eternidade, e vocês poderão ajustar suas vidas segundo os princípios eternos de inteligência, tal como habitam no seio de Deus, e tal como o Espírito Santo lhes fará conhecer e revelar. É este o tesouro inestimável de que se fala, que possuímos em vasos de barro. "Chegastes," diz Paulo, em sua epístola aos Hebreus, "ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos; à assembleia geral e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; e a Jesus, o Mediador do novo testamento, e ao sangue da aspersão, que fala melhores coisas do que o de Abel." É isto que o Evangelho faz por vocês: traz a vida e a imortalidade à luz. ¶
Estes são alguns dos principais e mais proeminentes princípios, tal como existiram até aqui, juntamente com milhares de outros que não temos tempo de mencionar ou abordar esta noite. ¶
Ora, chegaremos a outros acontecimentos, de data mais recente; acontecimentos com os quais estamos associados — refiro-me agora ao tempo em que Joseph Smith surgiu entre os homens. Qual era sua posição? E como estava situado? Posso lhes contar o que ele me disse a respeito disso. Disse que era muito ignorante quanto aos caminhos, desígnios e propósitos de Deus, e nada sabia a respeito deles; era um jovem não familiarizado com assuntos religiosos ou os sistemas e teorias da época. Foi ao Senhor, tendo lido a declaração de Tiago, de que "se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada." Ele acreditou nessa declaração, e foi ao Senhor e lhe pediu, e o Senhor se revelou a ele, juntamente com seu Filho Jesus, e, apontando para este último, disse: "Este é o Meu Filho Amado, Ouvi-o!" Ele então perguntou a respeito das várias religiões que o cercavam. Indagou qual delas era a verdadeira, pois desejava conhecer o caminho certo e nele andar. Foi-lhe dito que nenhuma delas era verdadeira, que todas se haviam desviado do caminho certo, que haviam abandonado a Deus, a fonte de águas vivas, e cavado para si cisternas, cisternas rotas, que não podiam reter água. Depois, o Anjo Morôni veio a ele e lhe revelou o Livro de Mórmon, cuja história vocês, em geral, conhecem, assim como as declarações que estou agora fazendo, pertencentes a essas coisas. E então veio Néfi, um dos antigos profetas que havia vivido neste continente, que tinha interesse no bem-estar do povo entre o qual vivera naqueles dias. ¶
Mas como é isso com relação a essas pessoas, e com relação a alguns desses assuntos? Por que e como poderiam esses homens que viveram aqui sobre a terra ter algo a ver com o povo que agora vive sobre ela? Vocês, Santos dos Últimos Dias, deveriam estar familiarizados com esses assuntos, e presumo que estejam; mas mostrarei um ou dois princípios aqui, caso, porventura, haja alguns presentes que não tenham pensado ou refletido devidamente sobre o assunto. O Sacerdócio de Melquisedeque, diz-nos Paulo, é sem princípio de dias nem fim de vida. Fala de Melquisedeque como um homem "sem pai, sem mãe, sem genealogia." Ora, ele seria um homem muito singular, segundo nossa maneira de ver as coisas, sem pai nem mãe, sem princípio de dias nem fim de anos, mas era do sacerdócio que ele falava, em contraste com o sacerdócio de Arão. Estava então entre os judeus. Os judeus criam no sacerdócio aarônico; mas sabiam muito pouco, ou nada, a respeito do sacerdócio de Melquisedeque, e um homem, para ser sacerdote de Arão, tinha de ser descendente literal de Arão, e da tribo de Levi, e devia ser capaz de provar sua linhagem pelos registros. Mas, em contraste com esse sacerdócio, havia o sacerdócio de Melquisedeque; portanto, chegamos a explicar algumas dessas coisas de que tenho falado. E agora irei um pouco mais adiante com relação a este assunto. Encontro, por exemplo, um homem chamado Moisés, que viveu em certa época a que já me referi. Encontro outro homem chamado Elias, que foi um grande profeta e que teve grande poder com Deus, entre outras coisas para controlar os elementos, para fechar os céus e reabri-los por sua oração de fé, sob certas circunstâncias, sobre as quais não precisamos agora entrar em detalhes. Descobrimos que, quando Jesus estava aqui sobre a terra, subiu a um monte com seus discípulos, Pedro, Tiago e João, e apareceram-lhes Moisés e Elias, em grande glória. Pedro, voltando-se para Jesus, disse: "Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés, e uma para Elias." Ora, então, surge a questão: o que estava Moisés fazendo ali? O que estava Elias fazendo ali? De onde vinham? Ora, tinham o Evangelho. O Evangelho é um Evangelho eterno, como se fala nas Escrituras, e associado com aquele Evangelho está o sacerdócio que ministra no tempo e na eternidade. E Moisés, que havia conduzido os filhos de Israel para fora da terra do Egito, e havia conversado com Deus, e dado a lei do Senhor ao povo, junto com Elias, o profeta, que também era um homem de Deus — o sacerdócio de Melquisedeque, que detinha as chaves dos mistérios de Deus, e ministra no tempo e na eternidade. Ambos esses homens haviam ministrado sobre a terra, e, detendo aquele sacerdócio nos céus, vieram ministrar a Jesus, e a Pedro, Tiago e João, sobre a terra. Não há nada de muito notável nisso. ¶
Chegamos novamente a João, na Ilha de Patmos, onde havia sido banido por causa de sua religião. Não sei se ele era um polígamo praticante ou não; mas sua religião se opunha muito às ideias e teorias do povo naquela época. Era cristão, e ousou temer a Deus e guardar seus mandamentos, e o baniram para a Ilha de Patmos, para trabalhar entre os escravos ali, nas minas de chumbo. Mas, estando ali, de posse da luz, da verdade, da inteligência e da revelação que procediam de Deus, contemplou os propósitos de Deus, tal como se desenrolariam num período posterior, e contemplou a posição do homem nas várias eras do mundo, até o tempo em que os céus e a terra passariam; quando haveria "novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça." Contemplou todas essas coisas e caiu aos pés do anjo para adorá-lo, ao que o anjo disse: "Olha, não faças tal, porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus." Em outras palavras: "Eu era como você, outrora, na terra, perseguido, expulso, condenado, desprezado, tendo sofrido todo tipo de opróbrio e ataque; andei vagando em peles de ovelha e de cabra, destituído, aflito, atormentado; vagando por desertos e montanhas, e habitando em covas e cavernas da terra. Sou um de seus conservos, os profetas; combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé, fui fiel aos meus convênios, ao meu Deus e ao meu sacerdócio, e venho agora ministrar a você." De novo, quem mais provável do que Mórmon e Néfi, e alguns daqueles profetas que haviam ministrado ao povo neste continente, sob a influência do mesmo Evangelho, para operar novamente como seus representantes? Quem mais provável do que aqueles que haviam oficiado no santo sacerdócio de Melquisedeque, para ministrar a Joseph Smith e lhe revelar os grandes princípios que se desenvolveram? ¶
Ora, então, o que ele revelou? Algo novo? Ora, sim; um novo Evangelho; mas um Evangelho eterno. O que foi que João disse ter visto? "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo." Viu João isso, entre outras coisas? Cumpriu-se? Sim, cumpriu-se: "E em ti serão benditas todas as famílias da terra." Quem era Joseph Smith? O Livro de Mórmon nos diz que era da semente de José, que foi vendido para o Egito, e, por isso, foi escolhido, como Abraão, para cumprir uma obra sobre a terra. Deus escolheu esse jovem. Era iletrado, segundo os padrões do mundo, mas o homem mais profundamente instruído e inteligente que já conheci em toda a minha vida, e já viajei centenas de milhares de milhas, estive em diferentes continentes, e convivi entre pessoas de todas as classes e credos, e, no entanto, jamais conheci um homem tão inteligente quanto ele. E de onde obteve sua inteligência? Não de livros; não da lógica, ciência ou filosofia da época, mas a obteve por meio da revelação de Deus, dada a conhecer a ele por meio do Evangelho eterno. Ora, as pessoas que ignoram essas coisas estão prontas a apontar o dedo com escárnio, e a acumular ultraje e censura sobre ele e sobre outros que ousam ter a coragem, como dizem, de expressar o mesmo tipo de sentimentos que ele expressou. Eu ouso fazê-lo! Já o fiz entre as nações da terra, e ouso fazê-lo hoje diante de qualquer homem ou grupo de homens que o mundo possa produzir, e os desafio a refutar ou derrubar com sucesso qualquer princípio que Deus tenha revelado por meio do Evangelho do Filho de Deus nestes últimos dias! ¶
Mas poderia Joseph Smith evitar ser escolhido por Deus? Há, para dizer o mínimo, uma inteligência exibida que o mundo desconhece. Deve isso ser desprezado? Deve isso ser lamentado? Foi ele inimigo do homem? Não; não mais do que Abraão foi; não mais do que os profetas foram; não mais do que Jesus foi; mas podiam Abraão, ou os profetas, saber o que Deus iria exigir deles? Não, não podiam. E, se não podiam, se tivessem de dizer uma verdade que Deus lhes revelou, tornaria isso a dizer uma mentira? Creio que não. Era coisa desagradável para um homem se levantar e dizer ao povo que estava errado. Ir até nossos religiosos — nossos reverendíssimos religiosos — e seus seguidores, e dizer-lhes que estavam todos fora do caminho! Suponho que eles não ficariam mais satisfeitos com tal mensagem do que a mesma classe ficou com os ensinamentos de Jesus, quando falou dos Escribas e Fariseus, e os chamou de hipócritas, semelhantes a sepulcros caiados, que pareciam formosos por fora aos homens, mas por dentro nada mais eram do que podridão e ossos de mortos. Isso não foi muito palatável para alguns dos sábios dos judeus, e alguns dos homens de destaque daquela época, que professavam tão grande quantidade de piedade. Mas ele veio dizer-lhes a verdade, não falar suas próprias palavras, mas as palavras de seu Pai, que o enviou, e comunicar aqueles grandes princípios que Deus lhe havia revelado. ¶
Bem, ora, creio eu que Joseph Smith viu os vários anjos que se alega terem-lhe aparecido, tal como descrito, um após outro? Sim, creio. Por que creio? Porque obedeci a este Evangelho. E o que havia associado à obediência a ele? Qual era o Evangelho que ele ensinou? Precisamente o mesmo que Jesus e seus discípulos ensinaram, tanto no continente da Ásia quanto neste continente. O que ele fez? Ora, ele diz a seus discípulos: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." Foi ele inimigo da humanidade? Creio que não. Ide a todo o mundo e falai-lhes do amor de Deus pelo homem, pregai o Evangelho a toda criatura, e "quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." O que mais? "E estes sinais seguirão os que crerem: Em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os sararão." Eis aqui algo praticável, algo real, algo inteligente, algo digno de um Deus, comunicado pelo Filho de Deus para o bem-estar da família humana. ¶
O que temos agora? Ideias, noções, teorias, opiniões, hipóteses, e toda a diversa confusão de ideias e noções, mas nenhum homem para dizer: "assim diz o Senhor." Costumavam dizer: "assim diz o Senhor"; tinham a palavra de Deus para o povo, e não as opiniões, credos, noções e fantasias dos homens. ¶
O Senhor restaurou o mesmo Espírito pelo qual conhecemos a verdade dos princípios declarados por Joseph Smith e por outros. Eu o sei, e assim o sabem vocês, muitos dos que me ouvem. Foi prejudicial ao mundo, nos dias de Jesus, que seus discípulos saíssem a proclamar a salvação? Creio que não. É prejudicial ao povo, hoje, que proclamemos o mesmo Evangelho ao mundo? Creio que não. Vocês encontrarão muito poucas pessoas que fariam o que milhares de nossos élderes fizeram — sair sem bolsa nem alforje para proclamar as boas novas de salvação, coisas em que não apenas creem, mas que sabem, por si mesmos, diante de Deus, que são verdadeiras — sair como amigos da humanidade, para publicar o mesmo Evangelho, sob a mesma autoridade que outros tiveram em eras anteriores. Processaram e perseguiram homens em eras anteriores? Sim, processaram. Por quê? Foi porque eram ímpios e corruptos? Não; foi porque ousaram dizer a um mundo corrupto que Deus havia falado, que a luz e a verdade haviam sido reveladas do céu, que o Filho de Deus havia aparecido, e que, se se arrependessem de seus pecados e fossem batizados para a remissão deles, receberiam o Espírito Santo, que tomaria as coisas de Deus e lhas mostraria. Essa era a doutrina que ensinavam; essa é a doutrina que ensinamos. Há algo muito notável nisso? Sim, muito notável. Há algum povo que ouse dizer ao mundo o que os Élderes dos Santos dos Últimos Dias ousam dizer? Creio que não. O que fizeram esses élderes, muitos dos quais estão aqui? Foram aos confins da terra, sem bolsa nem alforje, proclamando o Evangelho do Filho de Deus. E o que disseram eles ao povo para fazer? Arrepender-se e ser batizado para a remissão de seus pecados, e ter as mãos impostas sobre si para o recebimento do Espírito Santo; e vocês fazem o mesmo; vocês os batizam quando creem em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. E o que significa um nome? Poder e autoridade. Suponhamos que um homem viesse aqui como Governador, ou Secretário, ou ocupando qualquer outro cargo sob o governo dos Estados Unidos; ele vem em nome dos Estados Unidos, ou pelo poder ou autoridade dos Estados Unidos, não é assim? Sim. Mas suponhamos que algum de vocês se estabelecesse aqui como Governador; quereriam ver suas credenciais, e saber por que autoridade veio aqui, e se foi nomeado pelas autoridades legítimas dos Estados Unidos ou não. Se não, não lhe dariam atenção alguma; considerá-lo-iam um indivíduo bastante comum e tolo, e, além disso, também o considerariam uma fraude. Bem, então, se Deus não envia homens, é claro que eles não podem agir sob a autoridade de Deus; se o fazem, agem fraudulentamente. Ora, como podem homens ir em nome de Deus, quando dizem que Deus nunca falou nos últimos mil e oitocentos anos, e que ele não se revela agora? Sendo esse o caso, como podem, então, sair em nome de Deus? Não sei; é um mistério para mim; essas pessoas possuem alguns mistérios que não consigo sondar, e esse é um deles. Conheço apenas três modos de se obter autoridade desse tipo — um é por descendência linear, outro é por escrito, e um terceiro é falado. Ora, então, se não encontramos nenhum registro entre o povo que professa ensinar em nome de Deus, e não professam ter descendência linear, e ainda sustentam que Deus não fala há mil e oitocentos anos — colocam-se numa posição muito desajeitada. Mas, quando vocês vierem a entender, a compreender plenamente o sacerdócio detido por nossos antepassados, poderão ver por que autoridade o santo sacerdócio é conferido a vocês. Bem, então, de onde vocês obtiveram essa autoridade — do mundo? Não, o mundo não a tinha para dar, e, consequentemente, vocês não poderiam obtê-la dele; e, se Deus não falou, se o anjo de Deus não apareceu a Joseph Smith, e se essas coisas de que falamos não são verdadeiras, então tudo isso é uma impostura, do princípio ao fim. Não há meio-termo, não há caminho intermediário nesse assunto; é uma coisa ou outra. Ora, vocês saem às nações da terra em nome do Senhor — apelo a vocês, élderes, contradigam-me se puderem — e, quando o povo crê e é batizado, vocês impõem suas mãos sobre eles, em nome do Senhor, e lhes dizem: "Recebei o Espírito Santo," e eles o recebem, não é assim? Sim, recebem, e vocês são minhas testemunhas disso. E o que faz o Espírito Santo? Toma as coisas de Deus e no-las mostra. Podemos conceber um princípio maior, mais majestoso, grandioso, nobre e exaltado? O que é o homem? Um pobre e frágil verme da terra, saindo em nome de Deus para chamar a família humana ao arrependimento e ao batismo para a remissão de seus pecados, e, em nome de Deus, impõe as mãos sobre suas cabeças, para o recebimento do Espírito Santo. Quem o dá? Deus, e essa é a maior evidência que existe sobre a face de toda a terra; nenhum homem, em lugar algum, tem uma evidência como aquela que é dada pelo Todo-Poderoso. Não veio de nós, não veio de Joseph Smith, embora ele fosse o meio pelo qual essas coisas foram comunicadas; não veio de Brigham Young, não veio de mim nem de nenhum outro indivíduo; vem como dádiva gratuita de Deus, segundo as leis eternas do Evangelho eterno. ¶
Ora, então, aqui estamos. Encontramo-nos nesta posição; tendo entrado nesses princípios, cremos neles e estamos dispostos a sermos governados por eles. ¶
O Senhor, contudo, revelou-nos muitos outros grandes e importantes princípios, e entre eles o convênio eterno entre o homem e a mulher. Revelou Joseph esse princípio? Sim, revelou. Vocês o conhecem? Sim, eu o conheço; se mais ninguém o sabe, eu sei. Ele lhes disse isso? Sim, disse; mas eu tive outras manifestações além dessa, e, portanto, sei do que falo, e sei que o princípio é de Deus. Ora, há algumas pessoas que nos dizem que somos muito ímpios. Somos? Ora, sim, em muitos aspectos somos. Mas não nisso! Não nisso! Não nisso! Somos descuidados? Somos indiferentes? Somos cobiçosos? Amamos o mundo mais do que deveríamos, e permitimos que nossas mentes, sentimentos e afetos sejam levados pelas coisas transitórias do tempo e dos sentidos? Sim, sim, para nossa vergonha, em muitos casos, seja dito; isso é verdade. Violamos, em muitos casos, os grandes princípios que Deus revelou? Violamos, para nossa vergonha seja dito, muitos de nós; mas não violamos a lei de Deus nem as leis da castidade nesse assunto. Bem, o que devemos fazer? Deus nos revelou um princípio; nós o conhecemos? Sim. Eu o conheço? Sim. Vocês o conhecem? Sim, sim, muitos dos que aqui estão e me ouvem falar o conhecem. Mas o conhece o Congresso dos Estados Unidos? Não. Conhece-o a Suprema Corte? Não; não podem conhecer as coisas de Deus, senão pelo Espírito de Deus. Sabem eles algo a respeito do relacionamento eterno e da perpetuidade no mundo eterno? Não, não sabem; ignoram o princípio, nada sabem a respeito dele, e nós também não sabíamos, até que nos foi revelado. Ora, então, o que se há de fazer? Colocam-nos numa posição como esta: Deus diz que esta é uma lei eterna, associada à perpetuidade eterna das vidas no tempo e por toda a eternidade que há de vir; que um homem que tem esposa deve tê-la selada a ele por tempo e por toda a eternidade. Ora, há muito tempo ouvimos falar de uma religião para se viver, mas nenhuma para se morrer; nenhuma que pudesse alcançar o outro lado do véu, e nos preparar para associações eternas e vidas eternas no mundo eterno, ou eternidades que hão de vir. Mas este princípio envolve isso, e nos coloca nesta posição: Deus diz: "Vai e obedece à minha lei." O Congresso diz: "Não, você não fará isso." Ora, a questão é: a quem obedeceremos? Gostaríamos de estar de acordo com o Congresso. Gostaríamos de nos submeter a toda ordenança dos homens. Gostaríamos de ser bons e pacíficos cidadãos, o que somos. Não desejamos, porém, seguir suas corrupções — não sabemos o suficiente a respeito delas? Sim, sabemos. Sabemos muito mais a respeito delas do que eles sabem a respeito de nós. Conhecemos seus crimes, conhecemos sua licenciosidade, conhecemos os milhões de assassinatos perpetrados por mães e pais de crianças, e eles o sabem. Muitos desses assassinatos são cometidos enquanto as crianças ainda são pré-natais; matam-nas antes ou depois de nascerem, conforme o caso. Também conhecemos esse horrível mal social que existe entre eles, e a corrupção, degradação e podridão que existem em seu meio. E, como disse a alguns deles algumas vezes: "Vocês vêm desses covis de infâmia, fedendo a corrupção e podridão, mergulhados em crime e derramamento de sangue, e vêm aqui, vão vocês, ensinar-nos moralidade? Vão para casa, cuidem de seus próprios assuntos, purifiquem-se de suas corrupções, pois são um fedor nas narinas de Jeová, e de todos os homens honestos, e não venham nos corrigir com relação a coisas que Deus nos deu para fazer, e que, com a ajuda do Senhor, cumpriremos." ¶
Ora, estes são os nossos sentimentos com relação a esses assuntos. Este Evangelho nos revela, como o fez em dias antigos, a luz e a inteligência de Deus. Abre as visões da eternidade; coloca-nos em comunicação com o Senhor. Prepara-nos para a vida, para a morte e para a exaltação, e prosseguiremos com nossos templos, e ministraremos neles em nome do Senhor. Entraremos neles, e seremos batizados pelos vivos e pelos mortos, e permaneceremos como salvadores sobre o Monte Sião, e deixemos que o mundo se revolva na corrupção, e siga os maus desejos de seu coração, deixemos que sigam seu próprio rumo, lutando, se assim o quiserem, contra a Sião de nosso Deus, mas o Senhor os perseguirá, e eles saberão, antes de terminarem, que há um Deus que reina nos céus, e ele lhes dirá, como disse às ondas do poderoso abismo: "Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas." ¶
O que, então, faremos? Temer a Deus, ser fiéis, ser honestos, retos e cheios de integridade e veracidade; evitar o mal de toda espécie, preservar puros nossos corpos e espíritos, manter nossos convênios diante de Deus, e ele sorrirá para nós, estará do lado do que é certo, e seu reino crescerá, aumentará e se espalhará, até que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e de seu Cristo, a quem pertence o direito de reinar para todo o sempre. ¶
Que Deus nos ajude a ser fiéis em guardar seus mandamentos, para que sejamos salvos em seu reino, é a minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶