Pulpit

Os Templos em Curso de Erguimento—Posição Política dos Santos—Nossa Posição Quanto ao Casamento Patriarcal—As Corrupções da Assim Chamada Cristandade—Como os Santos Devem Viver—Escolas Dominicais, Sociedades de Socorro e de Melhoramento Mútuo

John Taylor

1879-11-30

Temos ouvido muitas verdades grandiosas e importantes, proferidas por aqueles que nos têm dirigido a palavra desde o início desta conferência. Estas conferências são estabelecidas com o propósito de ajustar e regular quaisquer assuntos que possam surgir nas várias Estacas, e para ensinar e instruir o povo em tudo o que diz respeito ao seu bem-estar, tanto neste mundo quanto no mundo vindouro.

Meus irmãos dos Doze e eu temos viajado consideravelmente, ultimamente, entre o povo. Visitamos algumas das Estacas mais destacadas e comparecemos às suas conferências; entre elas as Estacas de Sanpete e de Cache Valley — duas das mais destacadas do Território — nas quais templos estão sendo construídos. Pensamos em visitá-las e ver a condição dos assuntos; como estavam progredindo, que avanço estavam fazendo nesses importantes trabalhos, e, então, se precisassem de algum tipo de assistência, poderíamos prestá-la com inteligência, depois de nos informarmos de sua situação. Descobrimos, em ambos os lugares, que o povo tinha sido muito fiel, diligente e generoso na execução desta obra, isto é, na construção de templos ao nome do Senhor, para que possam ir e ministrar neles, e cuidar das ordenanças da casa de Deus por si mesmos, e receber aquelas bênçãos que Deus tem a conceder ao seu povo, e ministrar não apenas por si mesmos, os vivos, mas também pelos mortos. Descobrimos que uma quantidade muito grande de meios havia sido usada em ambos os vales, incluindo os distritos ao redor, designados para auxiliá-los na construção desses templos, e estão erguendo edifícios esplêndidos em ambos os lugares. O de Cache Valley é construído de rocha dura, uma espécie de mármore, que fará uma parede muito forte. Há, porém, misturada com ela em diferentes lugares, uma arenito muito fina, que têm de trazer de bastante distância. Já ergueram as paredes daquele Templo a cerca de cinquenta e cinco pés, e continuam perseverando. Descobrimos também que estavam executando sua obra com muito afinco em Sanpete. Ali têm um belo arenito de cor clara, fácil de lavrar, que fará uma bela estrutura, quando concluída, quase igual à nossa em Salt Lake City, com esta diferença: é apenas trabalhada por fora. Assim, as coisas estão progredindo rapidamente, o que demonstra um bom desejo entre os Santos de cumprir os propósitos que Deus designou, e que se comprometeram, juntamente conosco, a realizar.

Ao visitar esses lugares, sentimos o desejo de ver o povo que vivia nos povoados ao redor. Fizemos uma tentativa nesse sentido antes, mas não pudemos concretizá-la por causa da pressão das circunstâncias que exigiam nossa atenção na cidade; mas, desta vez, estando livres, visitamos todos os principais povoados de Sanpete e Cache Valley, que são bastante numerosos. Pensamos que era apropriado, visto que têm capelas tão boas quanto as que vocês têm aqui. Têm uma capela muito maior em Cache Valley do que a que vocês têm aqui, e creio que a de Ephraim, em Sanpete, é maior do que esta — ainda assim não conseguiam acomodar todo o povo, nem reuni-lo todo, e vocês também não conseguiriam aqui. Poderíamos pegar algumas das casas em que temos comparecido a reuniões e colocar nelas a maior parte do povo que está sentado no corpo deste tabernáculo. Se os Santos quisessem comparecer à conferência, não encontrariam espaço, e, consequentemente, pensamos que seria melhor visitá-los em suas casas, ver como estavam situados, sentir seus espíritos e deixá-los sentir os nossos; conversar com eles, pregar-lhes e ver o que estavam fazendo.

Descobrimos que, nesses distritos de templo, embora tivessem sido muito enérgicos e muito generosos em seus sentimentos ao contribuir para a obra, precisavam de uma assistência considerável, e sentimos ser nosso dever auxiliá-los com o fundo geral da Igreja, do mesmo modo que fazemos em Salt Lake City; mas, é claro, não na mesma proporção.

Estavam trabalhando em união, numa espécie de ordem unida; mas, é claro, não estruturados formalmente naquela ordem. Mas, como estamos operando juntos nos interesses da Igreja e Reino de Deus, julgamos bastante apropriado que aqueles lugares recebessem a assistência necessária; e pensamos também que esse tipo de sentimento e espírito seria igualmente satisfatório para nossos irmãos do sacerdócio e para os Santos em geral, por todo o Território, pois somos um, ou deveríamos ser um, em nossos esforços para edificar a Igreja e Reino de Deus. Tendo desfrutado muito de pregar e de conviver com os Santos nos lugares que visitamos, pensamos em vir até vocês e fazer o mesmo — não particularmente para falar-lhes, pois sem dúvida já têm pregação suficiente, e talvez até mais do que possam atender; mas, em alguns lugares, o povo não tem a mesma oportunidade que vocês têm aqui em Provo, pois às vezes passamos por muitos povoados no caminho, e parece, em alguns casos, que ficam negligenciados. Pensamos que, ao vir entre vocês, traríamos nossas próprias carruagens, como costumávamos fazer em anos anteriores, e iríamos pela estrada visitar as pessoas em suas próprias casas, entrando pelos caminhos e atalhos, e procurando nos encontrar com todos os Santos, pois somos todos um, tendo todos sido batizados em um só batismo, e devemos participar do mesmo espírito e sermos governados por aqueles gloriosos princípios que Deus revelou para o ensino e a exaltação da família humana. Além disso, há muitas circunstâncias que ocorrem de tempos em tempos, que tornam necessário que estejamos familiarizados com os sentimentos uns dos outros; que compreendamos a mente e a vontade do Senhor, e que estejamos preparados para operar com ele nos interesses da família humana, no estabelecimento de Sião e na edificação do Reino de Deus sobre a terra. Sempre tenho prazer em pregar o Evangelho — já o fiz muito — e meus irmãos dos Doze sentem o mesmo. Não há nada em que eu sinta maior prazer do que em proclamar o Evangelho às nações da terra, e em conviver com os Santos de Deus e pregar-lhes. Embora não possa agora viajar ao estrangeiro, ainda assim posso, e também podem meus irmãos dos Doze, conviver com vocês — pois eles sentem o mesmo que eu com relação a este assunto; podemos visitar os Santos em casa e falar-lhes das coisas pertencentes ao reino de Deus.

Há também muitas coisas associadas a este Reino que é apropriado nos sejam apresentadas de tempos em tempos, para que possamos agir e operar juntos, e sermos um em nossos sentimentos religiosos, um em nossos sentimentos sociais, e um em nossos sentimentos políticos; pois todas essas coisas estão misturadas e intimamente ligadas à posição que ocupamos como Santos do Deus Altíssimo, na edificação de sua Sião aqui sobre a terra. Há coisas espirituais, há coisas chamadas temporais, há também coisas ditas eternas em sua natureza, e todos esses assuntos, em todas as suas várias ramificações, exigem, mais ou menos, nossa atenção. Por exemplo, estamos reunidos aqui como um povo adquirido nestes vales das montanhas. Estamos reunidos aqui porque abraçamos o Evangelho de Jesus Cristo, e por causa da revelação daquele Evangelho a Joseph Smith, e porque, depois de o termos abraçado, participamos de seu espírito, e porque a ele estava associado o princípio da coligação. Estamos reunidos aqui sob circunstâncias peculiares. Mas nosso primeiro objetivo foi a simples obediência ao Evangelho. Há circunstâncias que decorrem disso, sobre as quais parece que temos muito pouco controle; ao estarmos reunidos na posição que agora ocupamos, e compondo parte desta nação, certos deveres políticos parecem se impor sobre nós. Viemos aqui, no início, simplesmente por princípios religiosos, porque tínhamos fé em Deus, porque tínhamos fé na restauração do Evangelho eterno; porque tínhamos fé na coligação do povo; porque tínhamos fé nas ordenanças do Evangelho do Filho de Deus; porque tínhamos fé na organização da Igreja e Reino de Deus, e nos vários ofícios a ela pertencentes, por todas as ramificações da Igreja. Viemos, portanto, juntos em capacidade eclesiástica: mas, estando reunidos como povo, trouxemos nossos corpos conosco, isto é, trouxemos nossas almas, se preferirem, pois o espírito e o corpo, nos é dito, são a alma do homem. Trouxemo-nos até aqui, e, estando aqui, formamos naturalmente parte integrante dos Estados Unidos, e nos tornamos parte do que se chama o corpo político do governo. Mas não pudemos evitar isso, e não sei se queremos evitá-lo.

Fomos, então, organizados em capacidade territorial, e parte integrante do governo dos Estados Unidos; isso decorre como consequência natural.

Há muitos Santos aqui reunidos. Não sei o número; alguns o estimam entre 150.000 e 200.000. Quantos sejam, não estou preparado para dizer. Não importa, porém, isso: mas nós nos reunimos aqui. Ora, então, é necessário que estejamos sob algum governo. Estando aqui nos Estados Unidos, tornamo-nos, é claro, parte daquele governo, e, como consequência necessária, segundo os costumes e usos deste governo, fomos admitidos como Território. Sob essas circunstâncias, o governo envia certos funcionários; por exemplo, um governador é indicado e selecionado pelo Presidente dos Estados Unidos, e depois sancionado pelo Senado, e recebe sua nomeação da administração do governo dos Estados Unidos, e vem aqui como seu representante. Então temos juízes federais, um secretário, um marechal e funcionários civis, segundo os usos que existem entre povos situados como nós, nos Territórios dos Estados Unidos. Há tantos representantes do governo, devidamente nomeados e autorizados, segundo a forma e o uso geralmente observados no país e na administração dos assuntos desta nação. Portanto, ficamos sob este governo, e estamos sujeitos às suas leis, e recebemos seus funcionários. Eles vêm até nós, o que é muito correto que façam, segundo as formas e usos que existem nos Estados Unidos; e é nosso dever tratá-los apropriadamente, assim como é dever deles nos tratar apropriadamente; o dever, neste sentido, é recíproco. Precisamos da proteção da lei onde quer que estejamos, ou sob quaisquer circunstâncias em que possamos estar colocados; e, ao nos colocarmos nesta posição, estamos apenas fazendo o mesmo que outros de nossos concidadãos, em situação semelhante, também fazem. Este é um assunto que decorre de nossas ideias religiosas. Nossa religião nos impeliu a nos reunirmos; e, estando reunidos, nos tornamos um corpo de homens, e, estando em território pertencente aos Estados Unidos, torna-se necessário que fiquemos sujeitos às suas leis e usos, segundo as disposições feitas e as estipulações firmadas sob sua jurisdição e governo. Todas essas coisas são simples fatos evidentes, não há nada de estranho ou incomum nelas. Além disso, como cidadãos americanos, temos certos direitos, e outros têm certos direitos. Todos os homens, nos Estados Unidos, possuem certos direitos que lhes são garantidos por sua Constituição. Além disso, temos nossos funcionários legislativos, providos por ato do Congresso, aprovado pelo governo geral dos Estados Unidos. Temos nossos tribunais de sucessões, também nossos juízes de paz, nossos conselheiros municipais, e as várias organizações e leis pertencentes à educação, às escolas públicas, e tudo o mais, tal como existe em outros Territórios. Mas, apesar de tudo isso, há uma coisa em que estamos muito desagradavelmente situados, cuja dificuldade surge da posição peculiar que ocupamos com relação à nossa religião. Não há mais nada que eu saiba. Estou nesta Igreja há muitos anos, e vivi nesta nação por muitos anos, e sou cidadão há muitos anos; mas não há nada que eu saiba, exceto essa única coisa, que possa, de algum modo, ser considerada censurável, e é com relação às nossas opiniões pertencentes ao casamento plural; não há mais nada, em todos os nossos atos, que qualquer homem, em qualquer parte do mundo, possa ou queira tentar censurar. Nenhum homem pode dizer, com justiça, que este povo tem sido desleal ao Governo dos Estados Unidos; se o dizem, dizem algo que não é verdade, e muitos deles, ao dizê-lo, sabem que estão mentindo. Não somos turbulentos, não criamos nenhuma dificuldade, não formamos multidões, não interferimos com os direitos de ninguém, socialmente, religiosamente, politicamente, ou de qualquer outra forma. Não interferimos com um homem porque suas opiniões religiosas não são como as nossas; mas, por outro lado, na medida em que temos a autoridade, protegemos todos os homens. Mas há algumas coisas em que temos ocasião de reclamar, por causa de homens que desejam infringir nossos direitos. Consideramos isso errado, contrário à cortesia, à boa-fé e aos princípios corretos, e, consequentemente, falamos a esse respeito, e isso é correto, temos o direito de fazê-lo. Se qualquer homem, seja em capacidade religiosa, política ou social, infringir os direitos da humanidade comum, temos tanto direito de expressar nossos sentimentos e de defender nossos direitos quanto qualquer outro grupo de homens tem sob as mesmas circunstâncias, e nenhum homem justo procuraria nos privar desta liberdade.

Ora, até aqui, tudo bem. Embora respeitemos todos os homens honrados, e os tratemos com justiça e equidade, não respeitamos, não podemos respeitar esses homens miseráveis que não respeitam os direitos de ninguém, que se voltam e retribuem o bem com o mal, difamam seu caráter, espalham falsidades a seu respeito e procuram prejudicá-lo — não podemos considerá-los homens honrados. Não são tratados assim entre nenhum povo; especialmente aqueles miseráveis bisbilhoteiros que rondam nossas casas, tiram proveito de certas circunstâncias e se tornam delatores, implicando-o em crime sob o disfarce de amizade. Todos esses homens, em qualquer país, são desprezados, e seriam considerados patifes indignos de conviver com pessoas honradas. Não há ninguém mais desprezível do que um espião. É considerado a escória da sociedade e os detritos mais imundos de uma comunidade, onde quer que seja. Não queremos conviver com tais pessoas, não podemos, nossos sentimentos naturais se revoltam contra isso, e, embora respeitemos homens honrados em toda parte, dizemos a tais indivíduos: "No seu secreto conselho não entre minha alma, com a sua congregação minha glória não se ajunte!" Estes são os nossos sentimentos a respeito de tais indivíduos.

Com relação aos nossos assuntos religiosos, no que dizem respeito às nossas relações sociais — pois estas são, para nós, tanto assuntos religiosos quanto qualquer coisa instituída entre os homens. Nosso sistema matrimonial é um dos maiores princípios que Deus já desenvolveu para a família humana, quer os homens creiam nisso, quer não. Mas há muitos que não conhecem essas coisas como nós; não compreendem a Deus nem suas revelações; e, na verdade, se chegasse a esse ponto, não deveriam ter nada a dizer contra nós com relação a esses assuntos. Mas não os compreendem, nem desejam compreendê-los; porque há muitos homens muito corruptos, destituídos de princípios, e não se importam com o que será de seu futuro, contanto que possam realizar seus objetivos presentes.

Ora, então, buscamos nós este princípio? Não, não buscamos. Pedimos nós a Deus que pudéssemos ter uma pluralidade de esposas? Não, não pedimos. Foi isso uma questão de nossa escolha? Não. O mesmo Deus que revelou a Joseph Smith os primeiros princípios do Evangelho também lhe revelou a doutrina do casamento plural; foi-nos apresentada como uma doutrina a ser crida e a nos governar. Poderíamos evitá-lo? Que tínhamos nós a ver com isso? É um mandamento de Deus; e a questão é: devo eu, depois de ter abraçado o Evangelho do Filho de Deus, e feito convênio com ele de observar suas leis e ser governado pelas revelações de sua vontade — devo eu, por causa de algo que me desagrada, colocar minha vontade e meu juízo contra o dele, e dizer: "Ora, serei desprezado, serei odiado"; devo eu, por causa de um sentimento desse tipo, violar as leis de Deus? Não, não posso fazê-lo; nem podem vocês, que creem na revelação. Deus a deu a seu servo Joseph Smith, e ele no-la declarou. Ora, como foi? A primeira coisa que se fez, quando a palavra de Deus nos chegou para fazê-lo — pois houve um tempo, depois de dada esta revelação, em que não nos foi permitido ensinar publicamente esta doutrina; mas, assim que fomos instruídos a fazê-lo, o Professor Orson Pratt foi enviado a Washington para publicar um jornal, na sede do governo, e ali proclamar nossos sentimentos sobre o casamento plural a esta nação e ao mundo. Cumpriu essa missão — publicando um jornal chamado The Seer, e proferindo palestras num salão alugado para esse fim, várias vezes por semana. Havia nisso algo dissimulado, ou baixo, ou antagônico aos interesses desta nação ou de qualquer outra nação? Era apenas proclamar certos princípios pertencentes a vidas eternas e convênios que deveriam existir por toda a eternidade, em nossas relações conjugais pertencentes à nossa associação neste mundo e no mundo vindouro. Interferimos nós com os direitos de outros? Não; e, se tínhamos alguma revelação, não cabia a nós nos opor a ela. Mas outros nada sabem a respeito dessas coisas; consequentemente, não podem compreender nossa posição. Fizemos algo secretamente? Não, até que fomos forçados a isso. Há alguns anos, lembro-me de ter sido levado perante um tribunal para prestar depoimento num caso. Perguntaram-me se eu acreditava em guardar as leis dos Estados Unidos. Respondi: "Sim, acredito em guardá-las todas, exceto uma." "Qual é ela?" "É a relativa à pluralidade de esposas." "Por que você não acredita em guardá-la?" "Porque acredito que ela está em desacordo com o gênio e o espírito de nossas instituições — é uma violação da Constituição dos Estados Unidos, e é contrária à lei de Deus." Ora, isto é claro. Vocês não poderiam expressar seus sentimentos com mais clareza. Isso foi antes de a Suprema Corte afirmar a constitucionalidade daquela lei. "Bem", disse-me um homem, "você está preparado para arcar com as consequências?" "Sempre", eu disse, "em toda parte." Isso é direto, e, ao dizer isso, eu apenas expressei os sentimentos de milhares de meus irmãos e irmãs. Bem, então, de quem é o negócio? Se faço algo e estou preparado para arcar com a penalidade, de quem é o negócio? Interfiro eu com os amigos ou o governo dos Estados Unidos? Não. Aprovaram uma lei para efeito político, que é realmente destinada a ser uma armadilha para nós. Poder-se-ia pensar que uma nação grande e magnânima, de cinquenta milhões, poderia se dar ao luxo de permitir que algumas poucas milhares de pessoas resolvessem um problema social, sem medo de contaminação. Não nos compreendem; não lhes desejamos nenhum mal. Muitos deles sabem disso; mas nem sempre podem controlar as circunstâncias, e muitos dos membros do Congresso, que não estavam dispostos a fazer nada desse tipo, foram pressionados pelo fanatismo religioso que prevalecia entre seu povo, exatamente como outros foram nos dias de Jesus. Em seus dias, ele e seus seguidores foram caluniados, como nós somos. Se ele algum dia fez algum bem, como foi isso representado? "Dá glória a Deus: nós sabemos que esse homem é pecador." E, se fazemos algum bem, alguém mais deve receber o crédito, em vez de nós; mas, se algum mal é feito, como, por exemplo, os problemas entre os índios, "foram os mórmons que o fizeram!" Suponho que, se houver tempestades, naufrágios, guerras ou derramamento de sangue em Tombuctu, entre os zulus, chineses, japoneses ou europeus, os mórmons serão apresentados como tendo tido parte neles. Em que posição isso nos coloca? Desejamos ser governados pelas leis dos Estados Unidos e sustentar suas instituições? Sim, desejamos. Mas, enquanto o fazemos, muitos homens infames nos deturpam. Mas há muitos homens honrados que têm outros sentimentos. Vi muitos deles, não apenas nesta nação, mas em outras nações, que possuem sentimentos mais liberais e generosos, homens de posição e de todas as condições de vida. E, entre os homens honrados da terra, encontro muitos que consideram que temos sido cruelmente tratados por aqueles que deveriam ser nossos amigos. Bem, agora, o que faremos sob essas circunstâncias? Tendo aprovado uma lei de propósito para nos armadilhar, agora reclamariam por não corrermos direto para a armadilha e dizermos: "levem-nos e ponham-nos na prisão." Ainda não somos tão tolos assim; temos ideias bem diferentes dessas. Se estão ignorando princípios que Deus nos revelou, não podemos evitá-lo. Se não acreditam em nossas declarações, não podemos ter confiança nas deles; mas uma coisa sabemos: somos mil vezes mais virtuosos, mil vezes mais puros em nossas ações do que eles nas deles. Não há hoje, no mundo, um país onde a virtude e os direitos, privilégios, honra e castidade da porção feminina da comunidade sejam mais fortemente protegidos do que neste Território. Ora, isso é um fato.

Surge, então, a questão: o que faremos? Estamos sob a dolorosa necessidade de nos proteger da melhor forma possível. Como fizeram em outros tempos — como fizeram em Roma? Não estamos tão mal quanto algumas pessoas estiveram em eras passadas. Diz-se que os cristãos tinham de habitar em cavernas, e que eram caçados e arrastados desses esconderijos por espiões do governo, e postos na arena, onde milhares e dezenas de milhares de pessoas iam vê-los devorados por feras selvagens, e não tenho dúvida de que muitos de nossos piedosos cristãos gostariam de ver uma cena desse tipo. O que faremos? Deus nos deu uma lei. Havemos de obedecê-la? Somos colocados — não por atos nossos — numa posição em que nada podemos fazer para nos livrar dela. Estamos entre as mãos de Deus e as mãos do Governo dos Estados Unidos. Deus nos impôs um mandamento a guardar; ordenou-nos que entrássemos nesses convênios uns com os outros, pertencentes ao tempo e à eternidade, e revelou esta lei por meio do santo sacerdócio e dos canais regularmente constituídos que ele designou para transmitir esta informação, e nós, tendo sido batizados em um só batismo e participado do mesmo espírito, sabemos, por nós mesmos, que essas coisas são verdadeiras. Sei que são verdadeiras, se mais ninguém sabe. Eu mesmo o sei. Não posso deixar de sabê-lo, e todos os editos e leis do Congresso, e legisladores, e decisões dos tribunais, não poderiam mudar minha opinião. Sei que é de Deus, e, portanto, dou testemunho disso. Ora, posso evitá-lo? Não. A questão se resolve nisto: tendo recebido um mandamento de Deus para fazer certa coisa, e um mandamento do Estado para não a fazer, a questão é: o que faremos? Foi armada a Daniel uma cilada política, como foi armada a nós. Foi aprovado um edito que o proibia de orar a seu Deus, sob pena de morte; ele foi e abriu sua janela, e orou à vista da comunidade, violando, assim, aquele decreto, com a morte diante dele. Sabia que aquela lei era irrevogável, mas estava decidido a obedecer ao mandamento de Deus, e o fez. Lançaram-no numa cova de leões, e ele brincou com eles como uma criança brincaria com gatinhos. Havia nisso algo para testar a fé de Daniel, mas Deus cuidou dele.

Mas há outra característica manifestada nisso. Notamos que o Rei Dario, vítima de uma trama política, ficou muito solícito pelo bem-estar de Daniel, pois, de manhã cedo, foi até a cova dos leões e clamou: "Daniel, servo do Deus vivo, poderia o teu Deus, a quem tu continuamente serves, livrar-te dos leões?" Ao que Daniel respondeu: "Ó rei, vive para sempre; o meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano," etc. Não creio, pela leitura da mensagem do Presidente, que, se algum de nós fosse lançado na cova dos leões ou na prisão, o Sr. Hayes manifestasse o interesse por nós que Dario manifestou por Daniel; mas devemos lembrar esta diferença: que o primeiro é cristão; o segundo era um pagão. Mas, à parte dessas coisas, sinto-me impelido a proclamar contra os vícios da época, seja nesta nação, seja em outras; pois nós, como nação, estamos descendo rapidamente tão baixo quanto as nações mais degeneradas e corruptas da Europa, e estamos praticando infâmias que foram a ruína e o colapso de muitas cidades, nações e impérios poderosos, e que hoje são os pecados repugnantes, antinaturais, nojentos e condenáveis da cristandade. A lei permanente de Deus é: sede fecundos e multiplicai-vos; mas esses reformadores são "ligeiros para derramar sangue", até mesmo o sangue de inocentes; e, com seus assassinatos pré-natais e outros crimes, matam seus milhares e dezenas de milhares impunemente, sem falar naquela outra instituição repugnante, nojenta e imunda da cristandade moderna, o "mal social", bem como outras práticas infames. Devemos protestar contra o feticídio, o infanticídio, e outras práticas abomináveis da cristandade que nos são impostas, seja sob a forma de legislação, decisão judicial, ou qualquer outro apêndice da chamada civilização. Somos cidadãos americanos, e ainda não fomos privados dos direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Os homens às vezes expressam surpresa com a ação do grande júri que examinou, segundo fui informado, cerca de 200 casos de poligamia, e só encontrou fundamento para acusar três. Ora, a natureza humana, com todas as suas fraquezas, não está tão decaída a ponto de, sob ordem de um sátrapa oficial, formular acusações por encomenda, sem provas nem testemunho, e há muito poucos que, à vista dos fatos acima, estejam tão decaídos a ponto de condenar homens por se casarem com esposas e sustentarem seus filhos, ao mesmo tempo em que sabem que seus acusadores e perseguidores violam todo princípio de castidade, e assassinam sua própria prole. Muitos homens podem ser muito corruptos, e se entregar aos vícios e crimes da época; mas nem todos são hipócritas. Leis despóticas exigem um déspota, e nem mesmo júris manipulados as executarão sempre. Ora, torna-se para nós uma questão a decidir se observaremos as leis de Deus, ou os mandamentos dos homens. Se eu tivesse de responder, responderia como respondi perante o tribunal. Quando dei aquela resposta, esta questão ainda não havia sido decidida pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Desde então, sancionaram aquela lei; portanto, estamos colocados numa posição bastante semelhante à dos cristãos nos dias de Roma, e os cristãos de hoje assumem a posição dos pagãos de então.

O que faremos? Confiaremos em Deus, ou no braço da carne? Abandonaremos nossa religião e nosso Deus, e nos deixaremos governar pelas práticas que existem na nação, contrárias às leis de Deus? Todos os que são a favor de observar as leis de Deus levantem a mão direita. (A congregação votou unanimemente.) Encontramos o mesmo sentimento por todo o Território.

Não desejamos desrespeitar o governo, pois, afinal, não suponho que poderíamos obter um tratamento melhor de nenhuma outra nação cristã do que o que recebemos da nossa própria, mas isso não diz muito a favor delas. É uma coisa lastimável quando uma nação tão grande e magnânima não pode se permitir deixar que 200.000 pessoas adorem a Deus segundo os ditames de sua própria consciência.

Mas resistimos a mais alguma coisa? Não. Resisti eu? Não. Resistiram vocês? Presumo que não. Espero esse tipo de coisas — a oposição e a corrupção dos homens e do mundo, sob a instigação do diabo, que é o inimigo dos Santos. E então? Espero eu entregar minha religião ao diabo? Creio que não. O que faremos, então? Havemos de insultar o povo dos Estados Unidos? Não. Havemos de insultar o Presidente dos Estados Unidos? Não. No entanto, lamento que ele não seja um pouco mais magnânimo; lamento que não possua um pouco mais daqueles sentimentos que moveram os fundadores deste governo; não lamento pelos Santos, pois é bastante necessário que tenhamos de passar por uma variedade de coisas, para que, como os Santos antigos, possamos ser aperfeiçoados pelo sofrimento. "Porque convinha que aquele, por cuja causa são todas as coisas, e mediante o qual todas as coisas existem, trazendo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pelas aflições o autor da salvação deles." "Foi tentado em tudo, à nossa semelhança, mas sem pecado." Abandonaremos as instituições deste país por causa dos atos desses homens? Não, apegar-nos-emos a elas e as sustentaremos. Havemos de privar outros homens de seus direitos políticos? Não, não o faremos. Havemos de privar algum homem de seus direitos sociais? Não, não o faremos. Havemos de privar algum homem de seus direitos religiosos? Não, não o faremos. Podem fazer o que quiserem em Washington e em outros lugares; mas nós faremos o que é certo para com todos os homens. Nosso lema é: Liberdade e Direito de Consciência para todos os povos; como diz o Irmão Parley P. Pratt em um de seus poemas:

"Índio, muçulmano, grego ou judeu, o estandarte da liberdade se agita por vocês."

Este é o tipo de sentimento que nutrimos com relação a este assunto. Todos temos falhas, e talvez este governo seja um dos melhores governos que poderíamos ter no mundo; e o sustentaremos. E, então, lutaremos por nossos direitos de modo legal, apropriado, ordenado e constitucional. E, então, ficaremos de olho naqueles miseráveis cães que se infiltram em nosso meio, sorrateiramente, e diremos que se retirem; não queremos uma matilha de cães entre nós. Homens honrados e decentes, homens que farão o certo, nós manteremos sempre. Mas esta nação está lançando o machado à raiz da árvore, e ela então se desfará em pedaços, com o tempo. Se puderem suportar, também podemos nós. Se puderem se dar ao luxo de nos tratar assim, logo tratarão os outros da mesma maneira. E arrancarão uma tábua da liberdade após outra, até que toda a estrutura vacile e caia; e muitas outras nações serão derrubadas, e impérios destruídos; e esta nação terá de sofrer, como sofrerão os outros. E será como disse certa vez Joseph Smith: "Quando todos os demais abandonarem a Constituição, os Élderes desta Igreja se reunirão em torno do estandarte e salvarão seus farrapos." Viremos em seu socorro, e proclamaremos liberdade a todos os homens.

O que faremos quanto a muitas outras coisas? Deixemo-las estar; "que os cacos de barro contendam com os cacos de barro." O Deus que reina nos céus está observando os movimentos deles, tanto quanto os nossos; estão em suas mãos, como nós estamos — ele porá um anzol em suas queixadas, e os conduzirá pelo caminho que nem sonharam. Dir-lhes-á, como disse às ondas orgulhosas do oceano encapelado: "até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas." Mas a nós cabe apegar-nos a Deus, observar suas leis e guardar seus mandamentos; e então não precisaremos temer mal algum que possa vir sobre nós, "porque a cólera do homem redundará em teu louvor; o restante da cólera tu o restringirás." E Deus abençoará e protegerá Israel; ele nos conduzirá nos caminhos da vida — não a todos nós, pois, como já ouvimos, nem todos nós estamos agindo corretamente. Mas ele realizará seus propósitos, fará avançar sua obra, edificará seu reino, estabelecerá Sião, e cumprirá todas as coisas faladas pelos santos profetas desde o princípio do mundo.

Ora, tendo falado um pouco sobre este princípio, falarei agora de algumas outras coisas relacionadas com nossos assuntos aqui, em capacidade de Estaca, ou como Santos, digamos, pois geralmente falo mais a todo o povo do que ao povo de uma Estaca. Há algumas coisas para as quais desejo chamar sua atenção. Vocês têm uma organização de Estaca, têm um presidente e seus conselheiros, que ocupam, para vocês, a mesma posição que a Primeira Presidência ocupa para a Igreja. Creio que ouviram algo sobre isso esta manhã. Orem por eles. Têm eles fraquezas? Sim. Têm vocês? Sim. Tenho eu? Sim. Estamos de posse de um tesouro rico e glorioso, mas ele está contido em vasos de barro. Todos temos nossas fraquezas e enfermidades; mas oraremos por aqueles designados a presidir sobre nós, para que Deus os abençoe. E, quando nos curvarmos com nossa família, com nossas esposas e filhos ao nosso redor, pediremos a Deus que os abençoe e os inspire com sabedoria, para que administrem bem tudo o que lhes for confiado. Não encontraremos falhas neles, mas pediremos a Deus, se pensarmos que um passo errado foi dado, que os conduza no caminho correto. E, se fizermos isso, as coisas se ajeitarão, quer eles queiram, quer não, pois Deus os controlará por seu Espírito, para nosso bem.

E, então, temos bispos entre nós. Vamos tratá-los com cortesia. Têm eles fraquezas? Sim, são homens exatamente como nós. "O quê?", dizem vocês, "você tem fraquezas?" Sim, muitas. Às vezes gostaria de não tê-las, e outras vezes não desejo tanto assim. "Você pede ao povo que ore por você?" Sim, e ore também por meus irmãos dos Doze, para que sejam guiados pelas inspirações do Altíssimo, e sejam conduzidos, e possam conduzir outros nos caminhos da vida; para que possamos magnificar o chamado que Deus nos deu, e honrá-lo, e fazer o bem entre os homens, e ajudar a edificar sua Sião. Esta obra recai sobre vocês, em sua esfera, tanto quanto sobre o Presidente Smoot e seus conselheiros e os vários bispos. Cada um tem seus deveres a cumprir; e, se todos os cumprirmos, iremos muito bem. Escutem, então, seus conselhos. Vocês têm um Sumo Conselho; sustentem-nos da mesma maneira, para que, em todos os seus juízos e conselhos, façam o correto. E eu diria tanto aos Bispos, em sua capacidade de juízes comuns em Israel, quanto ao Sumo Conselho, como Sumo Conselho: procedam com justiça à vista de Deus; não tragam para as deliberações nenhuma de suas noções ou sentimentos particulares. Não procurem, em nome de Deus, perverter o juízo ou a justiça. Eu não daria cinco palhas por um homem — ele não é apto para ser conselheiro do sumo conselho — se ele não aplicasse o mesmo juízo a seu próprio irmão ou filho que aplicaria a qualquer outra pessoa. Precisamos pedir a Deus que nos dê sabedoria na administração e direção desses assuntos, e, então, deveríamos ter outro princípio mais rigorosamente aplicado entre nós do que é hoje. Às vezes temos pessoas que recorrem à justiça umas contra as outras, e isso diante dos ímpios, e os Élderes de Israel sancionam isso. Deus os responsabilizará, eu lhes digo, e os fará prestar contas quando menos esperarem, e todos os que gostam de recorrer à justiça, em nome de Deus, terão disso o bastante, até ficarem doentes e cansados — pois isso os levará à pobreza, à ruína, à miséria e à morte, a menos que se voltem prontamente e se arrependam. Honremos as instituições que Deus nos deu, honremos o Sacerdócio, honremos nossos próprios tribunais de justiça, e tratemos todos os homens, em toda parte, com o devido respeito, mas não queremos recorrer à justiça contra os ímpios.

Há outras coisas de que desejo falar, pertencentes aos interesses desta comunidade. Devemos educar bem nossos filhos. Estou muito contente em constatar que vocês têm aqui uma instituição muito boa. Têm à sua frente pessoas que conhecem a Deus, e que incutem na mente de seus alunos princípios corretos e o temor do Senhor, e lhes ensinam os princípios da vida; para que, quando saírem a ensinar outros, ensinem os mesmos princípios que esses nossos irmãos lhes ensinam — para que os princípios corretos se espalhem, cresçam e se multipliquem, e para que, enquanto obtêm educação a respeito da ciência e dos vários ramos da instrução secular, tenham sempre diante da mente o temor de Deus. Ora, buscariam vocês o conhecimento? Sim, como buscaria eu um tesouro escondido. Gostariam de que o povo se familiarizasse com as artes e ciências, etc.? Sim. Queremos educar assim nossos filhos, e, se necessário, fazer nós mesmos sacrifícios para esse fim, a fim de que sejam homens e mulheres capazes de competir intelectualmente com quaisquer pessoas que vivam sobre a terra. Buscamos essas coisas, estamos ansiosos por promover o bem-estar de todo o povo a esse respeito, especialmente daqueles associados a nós, para que nossos filhos cresçam não apenas no temor de Deus, mas possuam inteligência de todo tipo. Ora, estes são os nossos sentimentos com relação a esses assuntos, e, com o tempo, se fizermos isso e continuarmos a fazê-lo, como será? Não demorará muito para estarmos tão à frente do mundo em relação às artes, ciências, mecânica e todo princípio de inteligência que existe sobre a face da terra, quanto estamos hoje em assuntos religiosos. Alguns de nossos meninos pequenos, de cinco e seis, sete e oito anos, sabem muito bem como competir com homens que geralmente se dizem sábios em assuntos religiosos. Há poucos dias, compareci a uma apresentação de Escola Dominical na 17ª Ala de Salt Lake City, e testemunhei ali mais inteligência exibida pelas crianças, meninos e meninas, a respeito de assuntos religiosos, do que jamais vi exibida em qualquer lugar de todo o mundo gentio por onde já viajei. Fui lembrado de um dito do Salvador, que "pela boca dos pequeninos e das criancinhas de peito aperfeiçoaste o louvor." Formemos nossos filhos no caminho certo.

Isso me lembra de outra coisa, que são nossas Escolas Dominicais. Vocês as têm aqui; até que ponto se dedicam a elas não estou preparado para dizer, mas é uma boa instituição, digna de nossos melhores esforços, e diria: incentivemo-las; que nossos jovens e homens de meia-idade talentosos se dediquem a elas, para que nossos filhos sejam criados no temor de Deus. A escola em que os Irmãos Maeser e Hardy estão empenhados, neste lugar, considero uma instituição modelo, e digo: Deus os abençoe, e que a bênção e o Espírito de Deus estejam com eles. Continuem em seus trabalhos, como estão fazendo, e seus nomes serão conhecidos em Israel, e transmitidos à posteridade como alguns dos grandes homens de Sião. Que nossos irmãos também se interessem por essas Escolas Dominicais, e que consigamos homens que temam a Deus — vocês, jovens e Élderes de Israel que têm o Espírito do Senhor — ensinem as crianças, e incutam em suas mentes os princípios de vida e salvação. E, então, há outras instituições muito louváveis, uma das quais são as Sociedades de Socorro Feminino. Nossas Irmãs estão empenhadas conosco, tentando fazer uma boa obra. Havemos de desprezá-las em seus trabalhos? Não. Quem são elas? Parte de nós mesmos. Detêm elas o sacerdócio? Sim, em conexão com seus maridos, e são um com seus maridos, mas o marido é a cabeça. E as mulheres são de tal modo constituídas que estão muito mais preparadas para sentir o bem-estar das famílias do que os homens. Podem ter compaixão pelas irmãs, pois são um com elas. Lembro-me de que certa senhora me disse, ao conversarmos sobre algumas coisas: "Você nunca foi avó." "Não", eu disse, "nunca fui. Nunca tive essa experiência." "Bem, então, você não pode entrar nos sentimentos de uma avó." Não, e também nunca fui esposa; portanto, não poderia entrar nos sentimentos de uma esposa. Mas uma esposa pode entrar nos sentimentos de uma esposa e nos sentimentos de uma mãe, e podem ter compaixão pelas irmãs, e derramar o óleo e o vinho, e podem ensinar às irmãs princípios corretos, ensinar-lhes limpeza, bondade e sentimentos de compaixão fraternal. Estão fazendo isso em grande medida, portanto digo: Deus abençoe as irmãs. Elas são um conosco na busca de promover o bem-estar de Israel. Dizem-me que eu era o presidente quando a primeira Sociedade de Socorro das Senhoras foi organizada em Nauvoo; talvez tenha sido, não me lembro, contudo, mas tenho prazer em cooperar com as irmãs. Desejo vê-las prosseguir em seus trabalhos, e procurar formar as jovens para serem boas mães, boas donas de casa, boas esposas, e cultivar o temor de Deus, e ensinar seus próprios filhos a andar nos caminhos da vida.

Depois, temos nossas Associações de Melhoramento Mútuo dos Rapazes e das Moças. São instituições muito boas. Quão melhor é ver nossa juventude empenhada no temor de Deus, reunindo-se e conversando sobre as coisas de Deus, meditando sobre elas, ensinando uns aos outros princípios bons, virtuosos e santos, do que vê-los associados a corrupções e trilhando os caminhos que levam à morte. Quão melhor ensinar pureza, santidade, virtude e inteligência, fazendo deles homens e mulheres honrados, do que vê-los tomar um rumo diferente. Já me perguntaram, algumas vezes, se havia o sacerdócio associado a isso. Não; não particularmente; mas é uma daquelas ajudas de que falam as Escrituras. Um bispo não se oporá a ser ajudado pelas Sociedades de Socorro. Vai ele se opor a que visitem os pobres? Vai ele se opor a que qualquer homem ou qualquer mulher busque promover a paz, a ordem, a virtude e a retidão? Não. Quem são elas? Algumas são Élderes, algumas são Setentas, algumas Sumos Sacerdotes, e todas pertencem aos vários quóruns do sacerdócio. Essas associações são coisa muito louvável, avançando, digamos, além das operações de nossa escola dominical. Elas conduzem ao conhecimento, ou ao que chamamos de teologia e ciência, e a todo princípio de inteligência. Temos muitos jovens bons, de mente elevada e honrados, homens e mulheres, e digo: Deus os abençoe em seus trabalhos.

Vocês, bispos, digo-lhes: incentivem todas essas coisas entre vocês, sancionem-nas e protejam-nas, e façam tudo o que puderem para fomentá-las.

Com relação à nossa organização política, eu diria que devemos estar unidos. Quem, pergunto, deveria nos ditar? Se eu estivesse aqui em Provo, e tivesse de tratar desses assuntos, a primeira coisa que faria seria consultar o Presidente Smoot, para saber quem ele recomendaria para tais e tais cargos.

"Mas", dizem alguns, isso interferiria com minha liberdade. Creio que Watts diz:

"Eu andaria com os sábios, para que mais sábio me tornasse."

Bem, então,

Eu não andaria com os tolos, para não me tornar um tolo.

Mas eu buscaria, de homens de experiência e discernimento, conselho quanto ao melhor caminho a seguir. E, quanto à sua liberdade, tenham tanto quanto quiserem, isto é, liberdade para fazer o certo, não o errado. É muito necessário que estejamos unidos; e quem quer que procure dividir o povo não é amigo de Deus nem do homem, nem Deus é seu amigo; e, se continuar a interferir com a felicidade e a união do povo de Deus, ele não o terá por inocente, mas o removerá de seu lugar. Há uma providência em muitas dessas coisas. As pessoas às vezes se perguntam por que temos doença entre nós. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, referindo-se às divisões que existiam entre eles, juntamente com sua indignidade ao participarem da ceia do Senhor, diz: "Por causa disso há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem." Vocês creem num princípio desse tipo? Eu creio. Temamos, então, a Deus, honremo-lo, e guardemos os seus mandamentos.

Outra coisa que queremos que os irmãos façam é cultivar um sentimento correto para com as irmãs, e para com suas esposas em especial. Deus as deu a nós; tratem-nas bem e com bondade. Se têm fraquezas — o que sem dúvida têm — devemos suportá-las; são o vaso mais frágil, e nós devemos ser fortes, e um homem forte não deveria temer muito uma mulher fraca. Devemos tê-las em nosso afeto, e, em vez de retribuir o mal com o mal, sejam bondosos para com elas; e, se suas esposas os repreenderem, retribuam-lhes com bondade e amem-nas, e digam: isto não está exatamente certo; sejamos amigos. E elas se voltarão e retribuirão esse tipo de sentimento. E então tornem seus lares tão confortáveis quanto puderem, e aliviem seus deveres domésticos, tanto quanto estiver ao seu alcance fazê-lo; e façam tudo o que puderem para unir seus esforços em família. E, esposas, confortem seus maridos; falem palavras bondosas, e façam de seus lares um céu. E vizinhos, não se mordam e devorem uns aos outros, não despedacem a reputação uns dos outros, mas sejam unidos em todas as coisas.

"Não, não fale mal; uma palavra bondosa jamais deixa ferrão para trás."

Aprendamos a falar bem uns dos outros, e, se não pudermos dizer algo bom de nosso irmão ou de nossa irmã, guardemos a língua. E, se nosso irmão pecar contra nós, digamos-lhe sua falha quando estivermos a sós com ele; e então, quando formos informados de nosso erro, confessemo-lo e arrependamo-nos, e procuremos fazer melhor. E vivamos juntos como irmãos e irmãs, e como Santos de Deus. E não nos esqueçamos de invocar o Senhor em nossos círculos familiares, dedicando-nos a nós mesmos e tudo o que temos a Deus, todos os dias de nossa vida; e busquemos fazer o certo, e cultivemos o espírito de união e amor, e a paz e a bênção do Deus Vivo estarão conosco, e ele nos conduzirá nos caminhos da vida; e seremos sustentados e amparados por todos os santos anjos e os antigos patriarcas e homens de Deus, e o véu se tornará mais fino entre nós e nosso Deus, e nos aproximaremos mais dele, e nossas almas engrandecerão o Senhor dos Exércitos.

Irmãos e irmãs, que Deus os abençoe, e os conduza nos caminhos da vida, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Os Templos em Curso de Erguimento—Posição Política dos Santos—Nossa Posição Quanto ao Casamento Patriarcal—As Corrupções da Assim Chamada Cristandade—Como os Santos Devem Viver—Escolas Dominicais, Sociedades de Socorro e de Melhoramento Mútuo”, (1879-11-30). Pulpit Vault, 1879-11-taylor-the-temples-in-course-of-erection. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).