Pulpit

Natureza Eterna do Evangelho—O Princípio da Vida e do Aumento—A Fonte de Toda Inteligência—Direito do Criador de Governar a Criatura—Deveres dos Santos

John Taylor

1879-11-28

Fiquei muito interessado nas observações feitas pelo Irmão Joseph F. Smith esta manhã. Elas são verdadeiras e são parte do Evangelho de vida e salvação que abrange toda a verdade. Enquanto ele falava, esta passagem das Escrituras me veio à mente. Disse Jesus: "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram os rios, e sopraram os ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as pratica, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram os rios, e sopraram os ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda."

Não há princípio associado ao Evangelho do Filho de Deus que não seja eterno em sua natureza e consequências, e não podemos, impunemente, pisotear nenhum princípio correto sem sofrer a penalidade disso diante de Deus e dos santos anjos, e, em muitos casos, diante dos homens. Sendo eternos os princípios do Evangelho, foram formados e originados com o Todo-Poderoso na eternidade, antes de o mundo existir, segundo certas leis eternas, e por isso o Evangelho é chamado o Evangelho eterno. É como Deus, sem princípio de dias nem fim de anos, e, como diz o Senhor: "eu, o Senhor, não mudo." O Evangelho é eterno e não muda; é eterno em seus princípios e consequências.

E o anjo que haveria de vir nos últimos dias, voando pelo meio do céu, deveria proclamar o Evangelho eterno — o mesmo Evangelho que Adão teve, o mesmo Evangelho que Noé teve, o mesmo Evangelho que Abraão teve, o mesmo Evangelho que os profetas tiveram, o mesmo Evangelho que Jesus teve, também o mesmo Evangelho que os nefitas tiveram aqui neste continente, e que Jesus lhes revelou, e que, de fato, já tinham antes de ele estar na carne. É o Evangelho eterno que traz a vida e a imortalidade à luz, e que penetra em todas as ramificações da existência humana, e na existência dos Deuses, e na existência deste mundo e de todos os outros mundos.

Como bem disse o Irmão Joseph F. Smith, o primeiro mandamento dado foi: "Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que se move sobre a terra."

Há um princípio de vida associado ao Evangelho — vida temporal, vida espiritual e vida eterna. Por isso, os homens são chamados a ser pais de vidas, e as mulheres são chamadas a ser mães de vidas. Somos pais e mães de vidas. E há algo diferente associado à ordem de Deus, distinto de qualquer ordem dos homens que exista sobre a terra.

Quando Deus criou a terra e nela colocou o homem, e os peixes do mar, e as aves dos céus, e as ervas, plantas e árvores, etc., colocou neles o princípio da vida, ou, em outras palavras, o poder de propagar sua própria espécie. E, se não fosse por isso, o que fariam vocês, lavradores? Os homens podem realizar muitas coisas. Podem construir casas, ferrovias e barcos a vapor, e podem fazer muitas coisas engenhosas pelas quais dominam, até certo ponto, as forças da natureza; mas não podem dar vitalidade a nenhuma delas. Não podem sequer fornecer material para fazer um grão de areia, os mais sábios deles. Mas Deus ordenou que este princípio de vitalidade existisse dentro deles mesmos. Tomem um único grão de trigo, por exemplo, e coloquem-no na terra, e verão o princípio da vida começar a se manifestar; parece muito pequeno, mas contém em si o poder do aumento. O mesmo se aplica também às ervas, arbustos, plantas e flores, e às várias coisas que existem na criação. Elas se espalham, se estendem, e têm se espalhado pela face da terra assim como o homem se espalhou, e a chuva desce, e o sol brilha, e a natureza, como a chamamos, opera; mas eu a chamaria o poder de Deus, que opera segundo leis e princípios eternos que ele ordenou. Ele dá vitalidade a toda a criação, e põe a vida em movimento e a controla, nos céus como na terra; não apenas entre os homens, mas entre os animais do campo, as aves dos céus, os peixes do mar, e todas as ervas, plantas, flores e hortaliças, etc., tudo possuindo em si o princípio da vida. Vocês, lavradores, sabem disso, e por isso guardam suas várias sementes e, na estação apropriada, as tomam e as plantam, e elas crescem, se multiplicam e se espalham; essas coisas parecem muito pequenas. É muito pouco olhar para um grão de trigo, mas, se não o tivessem, nunca poderiam cultivar trigo. Podem vocês, lavradores, fazer um único grão de trigo sem a semente? É aparentemente uma coisa pequena, mas vocês não podem fazê-lo. Podem tentar, se quiserem, mas não conseguirão. Vocês não conseguem fazer uma semente de mastruço; mas, se tomarem uma dessas sementes, ou um grão de trigo, e o semearem e regarem, poderão, por meio de seu aumento, espalhá-lo por toda a face da terra; mas, se não tivessem a semente, não poderiam realizar nada. Não me importa quão inteligentes vocês sejam, ou que regras de filosofia ou ciência tenham encontrado; tudo o que peço a vocês é que façam um grão de aveia ou de trigo. Mas, então, ficaremos no trigo. Se não podemos fazer isso, não somos tão importantes assim, não é mesmo? É preciso um poder superior para dar essa vitalidade. Olhem para isso. Veem hoje as árvores sem folhas, não há flores em botão, tudo está ressecado e murcho, e aparentemente decaído. Com o tempo, segundo os princípios da natureza, ou as leis de Deus, chega a primavera, e os pássaros começam a cantar e a se sentir felizes, a erva começa a brotar, as flores começam a desabrochar, as árvores começam a florescer. E quem dá essa vitalidade e a mantém? Deus. Poderiam vocês fazer muito sem ele? Não. Ora, vocês nem conseguem fazer seu grão crescer, depois de provido para vocês, sem água. Tentam às vezes, mas fazem um trabalho pobre, e, além disso, precisamos do calor revigorante do sol. A erva começa a brotar, e, com o tempo, temos o trigo e o milho, primeiro a folha e a espiga, e depois o grão cheio na espiga. Temos macieiras, ameixeiras, e as várias árvores frutíferas brotando, florescendo e dando fruto; todas essas coisas são providas por quem? Pela mão onipotente e onisciente do Todo-Poderoso, segundo certas leis eternas que ele proveu para o homem e para toda criatura que existe sobre a face da terra.

Mas voltemos às coisas de que falou Joseph F. Smith. Este princípio de vida é a origem de nosso mundo, não apenas deste mundo, mas de outros; e essa propagação e multiplicação é ordenada pelo Todo-Poderoso para o povoamento desses mundos. E essa produção de vida a que aludi brevemente é outro princípio que existe para suprir a necessidade de outro tipo de vida que existe aqui sobre a terra. E, sem isso, não poderia haver mundo algum; tudo seria caos, tudo seria trevas, tudo seria morte, e as obras de Deus não valeriam nada, se não fosse por esta vida e vitalidade.

Ora, quero falar mais sobre um princípio associado a este assunto, isto é, que, na providência de Deus, ou segundo as leis eternas de Deus e a adequação eterna das coisas, tal como existem com ele nos mundos eternos e tal como existem aqui sobre a terra, todos nós estamos, ou deveríamos estar, tanto sob a orientação e direção de Deus, e somos tão obrigados a escutar sua lei e a sermos governados por seus conselhos e advertências — e diria que um pouco mais — do que estaríamos ao fazer aquele grão de trigo crescer, ou dez mil milhões deles crescerem, pois não poderíamos fazê-lo sem sermos governados por aquelas leis necessárias para produzir o aumento. Além disso, somos todos filhos de Deus, não é verdade? Creio que as Escrituras dizem que "somos também sua geração"; que ele é o "Pai dos espíritos" de toda carne; e, sendo o Deus e Pai dos espíritos de toda carne, e tendo feito um mundo para toda carne habitar, e tendo provido o sustento dessa carne, seu alimento, vestimenta, conforto, conveniência e felicidade, e lhes tendo dado inteligência e dito que fossem e dispusessem da abundância da natureza para seu uso, não tem ele o direito de nos guiar e dirigir, de exigir obediência à sua lei? Não seria esse um direito legítimo, ao refletirmos sobre isso? O mundo diz: Não, ele não tem esse direito; sou meu próprio senhor, etc. Alguns dos Santos dos Últimos Dias quase dizem a mesma coisa; não bem assim, mas gostariam de chegar perto disso. "Sou um homem livre; serei condenado se não fizer o que bem entender," etc. Bem, vou lhes contar outra parte dessa história. Vocês serão condenados se agirem como bem entenderem, a menos que bem entendam fazer e guardar as leis de Deus. Não podemos violar impunemente suas leis, nem pisotear esses princípios eternos que existem em toda a natureza. Se toda a natureza é obrigada a ser governada por lei, ou a sofrer perda, por que não o homem?

Ora, então, ele nos revelou o Evangelho. Ele nos reuniu dentre as nações da terra para a realização de seus propósitos. Para isso, ele empregou medidas mais elevadas e princípios mais exaltados do que os associados a algumas das ordens inferiores da natureza, algumas dessas coisas que existem na natureza. Mas quem pode compreendê-los? O mundo, com toda a sua sabedoria, pouco sabe a respeito deles. O mundo, com toda a sua sabedoria, nada sabe a respeito de Deus. Qual é o ápice da perfeição do conhecimento que existe hoje em qualquer lugar? Qual é o degrau mais alto da escada que conseguem alcançar? Descobrir alguns princípios ou leis da natureza e se familiarizar com eles, e, mesmo assim, cometem terríveis equívocos nisso. Mas este é o ápice da perfeição a que qualquer filósofo, cientista ou homem inteligente pretende chegar — compreender algumas das leis da natureza. Mas quanto disso sabem eles? Ora, no meu tempo, para mostrar quanto sabem e quão pouco, mencionarei algumas coisas que não existiam em meus dias. Não sabiam a respeito do óleo que queimamos neste recinto. Lembro-me de que, em algumas das grandes cidades da terra, tudo o que tinham para iluminar então era o sebo, ou velas de cera, ou óleo de baleia, que era o suficiente apenas para tornar a escuridão visível. E, depois de todos os milhares de anos em que os homens existiram sobre a terra, não conseguem sequer fazer o óleo que vocês queimam hoje, e não o tinham quando eu era jovem. Mas será que aquele princípio que existe no óleo sempre existiu? Sim. Por que não o descobriram? Porque compreendiam apenas alguns poucos princípios da natureza, apesar de toda a sua filosofia e inteligência. De novo, quem sabia algo sobre o gás naqueles dias? Lembro-me do tempo em que as ruas e as lojas foram iluminadas pela primeira vez a gás. O que tinham antes? Velas de sebo; aquelas de uso comum costumávamos chamar de "mergulhadas". Vocês, idosos, sabem disso, e do óleo de baleia, mas não sabiam nada sobre o gás; mas será que o gás sempre existiu? Sim. Por que não o sabiam? Porque eram como nós, não sabiam muito. De novo, o que sabiam eles sobre o poder do vapor? Lembro-me do tempo em que não havia tal coisa como barcos a vapor, quando nós, que vivíamos na Inglaterra, tínhamos que vir à América em veleiros. Tinham, é verdade, alguns pequenos barcos usados nos rios, movidos a vapor, que não confiavam no oceano, e, um pouco antes disso, não tinham navios a vapor de espécie alguma. E que dizer de nossas ferrovias? Sabiam eles como aplicar o vapor às locomotivas? Não. Lembro-me de viajar na primeira ferrovia que foi construída, e aqui está o Irmão Robinson, que foi um dos condutores daquela mesma ferrovia que ligava Liverpool a Manchester. Creio que ele é hoje quase o primeiro condutor de ferrovia, e o mais idoso ainda vivo. Por que os homens não descobriram essas coisas? Tivemos homens inteligentes e filósofos em todas as épocas até o presente, mas nenhum pôde compreender essas coisas. No entanto, os princípios são eternos em sua natureza e sempre existiram, e tudo o que era necessário era trazê-los à tona. E, quando os homens os descobriram, pensaram que eram seres importantes. E o que descobriram? Simplesmente algo que Deus já havia feito há muito tempo; só que eles não o sabiam. Falando sobre essas coisas, sou lembrado de um bebezinho. Vocês, irmãs, têm seus bebês, e sabem quão pouco eles sabem no princípio, e nós mesmos não sabemos muito; somos apenas bebês de maior tamanho. Uma das primeiras coisas que descobrem é que têm um pé, e tentam colocá-lo na boca. Olham para ele com espanto. Ora, sempre tiveram aquele pé desde o nascimento. Por que não o sabiam antes? Outra coisa que descobrem é que têm uma mão, e acham que coisa curiosa é essa, e olham para ela e para o movimento de seus dedos com espanto, e acham que fizeram uma grande descoberta. Mas não há muita diferença entre o mundo da humanidade e os bebês, quando se olha bem para isso. A criança nada teve a ver com a feitura de suas mãos, nem nós tivemos algo a ver com a origem de nenhum desses princípios. Deus os fez, e nós simplesmente descobrimos alguns dos poderes do que se chama natureza, e, quando descobrimos um pouco dessas coisas, tomamos a glória para nós mesmos; sentimo-nos muito como o rei da Babilônia quando disse: "Porventura não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?" O Senhor, porém, o mandou comer erva como um boi. Teve de viver assim até que sete anos se passassem sobre ele, quando o Senhor o restaurou ao seu estado natural, e ele então soube que havia um Deus que vivia e reinava nos céus e na terra. Cabe a nós aprender esta lição e descobrir que há um Deus que reina no céu, e que ele administra, dirige e controla os assuntos da família humana. Não somos nossos próprios governantes; somos todos filhos de Deus; ele é nosso Pai, e tem o direito de nos dirigir, não apenas a nós, mas tem o perfeito direito de dirigir e controlar os assuntos de toda a família humana que existe sobre a face da terra, pois todos são sua geração. Ora, ele nutre bondade para com eles, e sabe que tipo de povo são, e também o que somos nós, e faria tudo o que pudesse por eles, mesmo que, em sua sabedoria onipotente, tenha de matá-los para salvá-los. Ele destruiu o mundo antediluviano por essa razão, porque não estavam preenchendo a medida de sua criação. Tinham se corrompido a tal ponto que teria sido uma injustiça para com os espíritos nos mundos eternos, se tivessem de vir por meio de uma linhagem tão corrupta, para ficarem sujeitos a todos os problemas decorrentes disso, e por isso Deus os destruiu. Ele cortou fora as cidades de Sodoma e Gomorra em consequência de suas corrupções, e, com o tempo, ele sacudirá todos os habitantes da terra, sacudirá tronos e derrubará impérios, e assolará a terra, e lançará milhões da família humana no pó. Pragas e pestilências percorrerão a terra por causa das iniquidades dos homens, por causa de algumas dessas corrupções às quais o Irmão Joseph F. Smith brevemente aludiu, a saber, a perversão das leis da natureza entre os sexos, e os assassinatos condenáveis que existem entre os homens.

Não faz muito tempo, fui procurado por alguns homens inteligentes, ou que se dizem inteligentes, que me perguntaram algo sobre a poligamia. "Como é com vocês?", eu disse; "sabem que, nesta sua terra, vocês estão assassinando centenas de milhares de crianças a cada ano? Sabem que têm entre vocês pessoas consideradas as mais elegantes e honradas, que são assassinas, que destroem a vida que Deus deu, antes e depois do nascimento, e interferem nas leis do Todo-Poderoso? Sabem que estão fazendo isso?" "Sim, cremos que estão fazendo isso." "Sabem que vocês estão mergulhados na corrupção e na degradação, e que seus males sociais e outras corrupções condenáveis que existem estão se espalhando e permeando toda a sua sociedade?" "Sim." "Pois bem, façam o favor de ir cuidar de seus próprios assuntos. Certamente não fica bem para vocês, que vêm desses sumidouros de infâmia e degradação, pregar moralidade para nós. Cuidem primeiro de seus próprios assuntos e coloquem-nos em ordem, antes de vir nos corrigir." Contudo, essas mesmíssimas pessoas, esses homens lascivos, sentados no banco e argumentando nos tribunais, hão de processar homens honrados por obedecerem a uma lei de Deus. Vamos obedecê-la? Em nome do Deus de Israel, sim. (A congregação disse "Amém.") Cumpriremos seus propósitos, obedeceremos aos seus mandatos, guardaremos, com sua ajuda, sua lei, e nossos perseguidores nada poderão fazer, pois Deus porá um anzol em suas queixadas e os conduzirá para onde quiser, e porá fim, com o tempo, à sua carreira. Mas olhará com bondade para Sião, e honrará aqueles que honram e obedecem sua lei.

Ora, estes são os meus sentimentos com relação a essas coisas. Devemos observar as leis de Deus. O Senhor tomou muito cuidado para nos trazer até onde estamos e para nos dar a informação que temos. Ele mesmo veio, acompanhado de seu Filho Jesus, ao Profeta Joseph Smith. Não enviou ninguém, mas veio ele mesmo, e, apresentando seu Filho, disse: "Este é o Meu Filho Amado, Ouvi-o!" E permitiu que os antigos profetas, apóstolos e homens de Deus que existiram em diferentes épocas viessem e conferissem as chaves de suas várias dispensações ao profeta do Senhor, a fim de que fosse dotado e imbuído do poder e do Espírito de Deus, com a luz da revelação e os princípios eternos do Evangelho eterno, e para que as chaves a ele confiadas pudessem, por meio dele, ser conferidas a outros, e para que os princípios da verdade eterna, tal como existem nos céus, se estendessem às nações da terra, para que esses princípios degradantes, repugnantes e condenáveis cessassem, para que seu povo pudesse ser coligado a Sião, dos quatro cantos da terra, e aprender suas leis. Diz Jesus, em sua parábola do bom pastor: "e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome as suas ovelhas, e as traz para fora. E quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz." Ora, ele nos reuniu aqui. De quem somos ovelhas? Diz Jesus: "Eu rogo por eles: não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. [...] E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um como tu, ó Pai, és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste." Ele nos reuniu aqui para quê? Para nos ensinar sua lei por meio do santo sacerdócio. Jesus, ao enviar seus discípulos, antigamente, disse-lhes: "Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou."

Ora, Deus ordenou seu santo sacerdócio sobre a terra, com presidentes, apóstolos, bispos, sumos conselhos, setentas, sumos sacerdotes, e a ordem e organização da Igreja e reino de Deus em sua plenitude e integralidade, talvez mais completa do que jamais foi desde que o mundo foi formado. Por quê? Porque é a dispensação da plenitude dos tempos, abrangendo todos os outros tempos que já existiram desde que o mundo existe, e ele nos reuniu para esse propósito. É para semear e plantar e procurar nos tornar confortáveis, e seguir os costumes do mundo em suas corrupções, e mergulhar na infâmia, e roubar e saquear uns aos outros, agindo com engano e impureza, sem nenhuma consideração pela virtude ou por qualquer das leis que governam a Igreja e reino de Deus? Não. Mas para que sejamos um povo adquirido, cheio da luz da verdade, da inteligência e das revelações de Deus; para que sejamos um povo que já não tenha necessidade da lei oral nem da lei escrita, mas um povo em cujos corações a lei de Deus seja escrita e gravada como em caracteres de fogo vivo, estando sob a inspiração e orientação do Todo-Poderoso, andando segundo os princípios da verdade eterna, e sendo conduzidos nos caminhos da vida; estando unidos a Deus e a seu Filho Jesus Cristo, e aos antigos patriarcas e apóstolos e homens de Deus, operando com eles na edificação de Sião, no estabelecimento do reino de Deus sobre a terra, e na disseminação da salvação até os confins da terra. É para isso que ele nos trouxe aqui. E também para que edifiquemos templos, para oficiarmos neles pelos vivos e pelos mortos, e para que saiamos às nações da terra, levando as boas novas de paz; e para que sejamos como uma cidade posta sobre um monte, que não se pode esconder; e para que, estando em uníssono com Deus e os patriarcas e apóstolos, possamos atrair a luz e a inteligência do céu sobre a terra, para nos capacitar a operar com eles segundo os princípios da justiça e da equidade, e as leis da vida, e todo princípio ligado à salvação da família humana, e para que avancemos de força em força, de inteligência em inteligência, até sermos capazes de desfrutar de uma glória celestial e estarmos preparados para nela entrar; e até que todos os que estiverem preparados para ter uma glória celestial a desfrutem, e os que estiverem preparados para a glória terrestre a tenham, e também a telestial, para desfrutarem do que lhes pertence; e para que possamos cooperar com Deus, nos mundos eternos, e com as inteligências do céu, para a realização deste objetivo. E, enquanto eles operam nos céus, nós possamos operar por eles sobre a terra. É para isso que estamos aqui, segundo entendo.

Que mais? Façam povoados; espalhem-se. Alguns de vocês clamam: "deem-nos espaço." Há espaço de sobra, e, ao fazermos esses povoados, queremos levar conosco os princípios do Evangelho e plantá-los em lugares diferentes. Estamos enviando pessoas para o nordeste deste Território, e queremos que vão cheias do Espírito Santo e do espírito do Deus vivo. E estamos enviando alguns para o Arizona, o Colorado, Idaho e outros lugares, e nos estenderemos cada vez mais. As cordas de Sião se alongarão e suas estacas se fortalecerão, até que seus exércitos se tornem poderosos e numerosos, e até que Deus diga aos Gentios: basta; e então Deus entregará o governo em nossas mãos.

Viemos vê-los e conversar com vocês. Queremos vê-los em suas próprias casas. Essas ferrovias nos levam a uma velocidade tão rápida que muitas vezes não temos tempo de parar e visitá-los. Mas pensamos que, desta vez, viríamos com nossas próprias carruagens e visitaríamos o povo em suas próprias casas, e conversaríamos com eles, e veríamos como se sentem, e para que possam julgar nossos sentimentos com relação à edificação do reino de Deus sobre a terra. Vocês, élderes de Israel — e há muitos nesta congregação —, deixem-me perguntar-lhes: têm orações em família? (Voltando-se e dirigindo-se ao Bispo Harrington, o orador disse): Posso atuar como mestre por um instante?

O Bispo — Sim, teremos prazer em tê-lo.

O orador — Pois bem, então repetirei a pergunta — Têm orações em família? (Uma voz na congregação: Sim.) E, quando as têm, procedem como quem guia uma peça de maquinaria, ou se curvam com mansidão e sincero desejo de buscar a bênção de Deus sobre vocês e sua casa? É assim que devemos proceder, e cultivar um espírito de devoção e confiança em Deus, dedicando-nos a ele e buscando suas bênçãos.

Eis aqui um irmão que diz que as tem. Mas como está o restante de nós? Estou falando a todos vocês. Maridos, vocês amam suas esposas e as tratam bem, ou pensam que são grandes mogóis que têm o direito de as oprimir? Elas lhes são dadas como parte de vocês mesmos, e devem tratá-las com toda a bondade, com misericórdia e longanimidade, e não serem ásperos e amargos, nem de modo algum desejosos de exibir sua autoridade. Vocês, esposas, tratem bem seus maridos, e procurem fazê-los felizes e confortáveis. Procurem fazer de seus lares um pequeno céu, e procurem cultivar o bom Espírito de Deus. Então, nós, como pais, formemos nossos filhos no temor de Deus, e ensinemos-lhes as leis da vida. Se assim fizerem, teremos paz em nosso peito, paz em nossas famílias e paz ao nosso redor. Temos alguma dificuldade com nossos vizinhos? Ora, os Gentios se esforçam para evitar isso. Não podemos passar por cima de algumas dessas palavras ásperas, como costumava dizer o velho, quando uma criança chegava a uma palavra difícil: "Passe por ela, meu querido, e chame-a de palavra difícil." Quando encontrarem uma palavra difícil, passem por ela; não a pronunciem.

Não, não falem mal; uma palavra bondosa nunca deixa ferrão para trás. Tratemos uns aos outros com bondade, e a reputação uns dos outros com respeito, e busquemos o bem-estar uns dos outros, tratando a todos como gostaríamos que Deus nos tratasse. E então, quando viermos ao Senhor, poderemos dizer: "Pai, perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores"; pois, se não perdoarmos a nosso irmão, como podemos esperar que nosso Pai Celestial nos perdoe? Se tivemos alguma desavença com nosso vizinho, procuremos corrigi-la. Digam: "Irmão, ou irmã, fulano, minha consciência me incomoda um pouco por algo que eu disse a seu respeito, ou fiz a você, ou algum negócio em que levei vantagem sobre você, e vim corrigir isso, pois estou decidido a fazer o certo, não importa o que façam os outros." E busquemos todos o bem-estar uns dos outros. Se pudermos ajudar uns aos outros, façamo-lo — financeira ou socialmente — e não nos traiamos uns aos outros. Algumas pessoas, alguns pobres, miseráveis — não me importo em dizer uma palavra dura — eu os chamarei de bisbilhoteiros, que tentarão, porque um homem casou-se com uma esposa segundo as leis de Deus, levantar uma acusação contra ele. Tais homens serão condenados, e tais mulheres serão condenadas. Sabem que, quando esses miseráveis bisbilhoteiros entram em sua casa sob todo tipo de pretexto, talvez para vender carroças ou algum tipo de maquinário, no meio da conversa costumam perguntar coisas como: "quantas esposas tem seu marido?" Pobres, baixos, miseráveis bisbilhoteiros. Expulsem-nos de sua casa, não tenham nada a ver com tal lixo baixo e infernal. Ao passo que tratamos bem os homens bons, expulsem tais patifes de sua casa; eles não têm nada que fazer entre pessoas decentes. Não os queremos. Digam-lhes que cuidem de seus próprios assuntos e deixem os nossos em paz. Digam-lhes que voltem para onde vieram; não os queremos entre pessoas decentes. Estes são os meus sentimentos. Isso é dizer uma palavra bem dura. É, porém, uma palavra que convém a tal gente, pois não há palavra decente apropriada para seres tão desprezíveis.

Sejam leais uns aos outros, respeitem a reputação uns dos outros. E vocês, élderes, tratem-se uns aos outros como cavalheiros, com cortesia e bondade. E vocês, senhoras, tratem-se umas às outras como damas, e, senhores idosos, tratem as senhoras como damas, e vocês, senhoras idosas, tratem os cavalheiros como cavalheiros.

Sinto vontade de contar uma pequena história sobre o Bispo Hunter. A maioria de vocês conhece o Doutor Sprague. Ele foi enviado pelo Presidente Young para ver o irmão Hunter, na fronteira, há muitos anos. O doutor tinha uma voz meio estridente. Ele diz (imitando o doutor): "O Irmão Hunter mora aqui?" O Bispo Hunter respondeu (o orador imitando a voz do Bispo): "Meu nome é Hunter." Doutor Sprague: "O Presidente Young me enviou para ver se o senhor estava doente, e, se estivesse, queria que eu o abençoasse." Bispo Hunter: "Médico, cura-te a ti mesmo." Doutor Sprague: "Bem, senhor, sinto-me exatamente como duas tábuas coladas." Então ele diz: "Esta é a sua velha, Irmão Hunter?" Bispo Hunter: "Esta é a Senhora Hunter. A Senhora Hunter é uma dama, não é uma velha, senhor." Quando encontrarem mulheres, tratem-nas como damas, e façam com que todos os demais façam o mesmo. Podemos nos dar ao luxo de tratar todos bem, isto é, toda pessoa decente, mas com esses bisbilhoteiros não queremos ter nada a ver — pobres seres miseráveis que andam por aí fingindo fazer negócios, mas cujo verdadeiro propósito é obter informações para delatá-los, a quem? A homens tão perversos, traiçoeiros, lascivos e degradados quanto o diabo no inferno. Para quê? Para destruí-los. Receberão vocês tais miseráveis bisbilhoteiros em seu meio? Digam-lhes que cuidem de seus próprios assuntos.

Vivamos nossa religião, guardemos os mandamentos de Deus, sigamos um caminho correto, e Deus nos abençoará. Peço a Deus, o Pai eterno, que os abençoe e os conduza nos caminhos da vida. Digo-lhes: respeitem os conselhos daqueles que estão sobre vocês; o Irmão Smoot, como seu presidente; escutem-no, escutem os conselhos do bispo e orem por ele. E que seu presidente e bispos orem pelo povo. Tratem-se uns aos outros com bondade e cortesia, e sintamo-nos todos filhos e filhas de Deus, vivendo nossa religião e obedecendo a seus mandamentos, seguindo os conselhos do santo sacerdócio, e busquemos as bênçãos de Deus sobre nós e sobre nossa posteridade. Não importa o que façam os outros. Continuaremos e seguiremos um rumo em tudo o que for calculado para promover a felicidade da família humana, e Sião crescerá e se espalhará até que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Senhor e de seu Cristo, e as leis que Deus introduziu prevalecerão, e a sua vontade será feita na terra assim como é feita no céu, e toda criatura será ouvida dizer: "Bendição, e honra, e glória, e poder sejam ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, para todo o sempre," e nós nos uniremos ao coro universal. Que Deus nos ajude a ser fiéis, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Natureza Eterna do Evangelho—O Princípio da Vida e do Aumento—A Fonte de Toda Inteligência—Direito do Criador de Governar a Criatura—Deveres dos Santos”, (1879-11-28). Pulpit Vault, 1879-11-taylor-eternal-nature-of-the-gospel. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).