Progresso dos Santos Rumo à União na Fé e na Prática—A Ordem Unida
Orson Pratt
Vou ler algumas passagens do Livro de Jacó, uma das compilações sagradas do Livro de Mórmon. ¶
"E aconteceu que os servos foram e trabalharam com todo o afinco; e o Senhor da vinha também trabalhou com eles; e obedeceram aos mandamentos do Senhor da vinha em todas as coisas. E a vinha voltou a produzir o fruto natural; e os ramos naturais começaram a crescer e a desenvolver-se muito; e os ramos bravos começaram a ser arrancados e lançados fora; e conservaram igualdade de força entre a raiz e a copa das árvores. E assim trabalharam com toda a diligência, segundo os mandamentos do Senhor da vinha, até os maus serem lançados para fora da vinha e o Senhor ter preservado para si as árvores que se haviam tornado novamente fruto natural; e tornaram-se como um corpo e os frutos eram iguais; e o Senhor da vinha conservara para si o fruto natural, que lhe fora muito precioso desde o começo." ¶
Estas palavras me ocorreram esta manhã, enquanto o Irmão Snow falava sobre o assunto da Ordem estabelecida em Doutrina e Convênios. Temos aqui uma predição clara e evidente, na forma de uma parábola, registrada em placas de ouro quase 600 anos antes de Cristo, a respeito da grande obra em que nós, como servos do Senhor e Santos dos Últimos Dias, estamos empenhados. Talvez haja algumas pessoas, dentre esta comunidade, que tenham um sentimento algo assim: "que não estamos vivendo, em todos os aspectos, segundo a lei dada em Doutrina e Convênios." E chegaram à conclusão de que talvez o Senhor nos abandonasse em consequência de não cumprirmos as leis tão claramente definidas e explicadas naquele registro. Essas coisas foram claramente apresentadas ao povo, esta manhã, com relação àquilo em que não entramos em toda a plenitude e perfeição daquela ordem de coisas. Mas a questão é: podemos fazer muito melhor, nas presentes circunstâncias? Esta é uma grande questão a considerar. E, ao considerá-la, temos de indagar sobre várias outras coisas, tais como: podemos deixar de lado a presente ordem de coisas, que não é consistente com Doutrina e Convênios; e podemos começar de novo aqui nestes vales, e cumprir a lei do Senhor em toda a sua perfeição? Não sei se não haveria uma mera possibilidade de fazermos isso; mas se o Senhor exige isso de nós, nas presentes circunstâncias, é outra questão. Somos muito imperfeitos, e, ainda assim, procuramos fazer o certo. Queremos guardar os mandamentos do Senhor; desejamos ser membros de sua Igreja; desejamos ter seu Espírito Santo repousando sobre nós, e desejamos ser guiados por ele. Desejamos saber qual é o conselho dos servos de Deus a nosso respeito; e, no entanto, mal sabemos para que lado nos voltar. Vemos uma ordem unida estabelecida em um lugar, segundo um princípio; vamos a outra parte da terra, e encontramos uma ordem estabelecida sobre um princípio um pouco diferente; e ouvimos falar de outra, todas diferindo um pouco. E assim por diante, até visitarmos quase todos os povoados destas montanhas. E, como foi dito esta manhã, elas diferem tanto quanto diferem os próprios élderes em suas opiniões. ¶
Ora, o que disse o Senhor nesta parábola da vinha? "E conservaram igualdade de força entre a raiz e a copa das árvores." Em que sentido foram feitas iguais? A parte seguinte da mesma frase declara que foram feitas iguais "segundo a força respectiva." Ora, há muito expresso nessas poucas palavras. Não foram feitas iguais todas de uma vez, como são os habitantes de um mundo celestial, sem que nenhum progresso fosse introduzido; mas deviam conservar a raiz e a copa da grande árvore em igualdade, segundo a força de cada uma; isto é, segundo a condição e as circunstâncias em que o povo se encontra. Ora, considero que, apesar de todos os nossos desvios da lei perfeita que Deus deu, apesar da condição das coisas apontada tão claramente em Doutrina e Convênios com relação a manter mordomias e heranças, e a prestar contas dessas mordomias e heranças, segundo a ordem perfeita — considero que estamos indo muito bem, em muitos aspectos. Progredimos; fizemos melhorias; estamos em uma condição mais unida do que estávamos há 45 anos. Portanto, tem havido um progresso entre os Santos dos Últimos Dias; e esse progresso tem sido para melhor; tem apontado o tempo todo para a igualdade, embora não tenhamos alcançado a lei perfeita. Mas temos alcançado, segundo a força do povo — segundo as circunstâncias que o cercam. Temos conseguido, em grande medida, incutir em suas mentes o grande princípio da unidade, não apenas nas coisas espirituais, mas também nas coisas temporais. Virá o dia em que isso se cumprirá à risca, de acordo com as palavras que dizem: "tornaram-se como um corpo e os frutos eram iguais." Esse é o destino dos Santos dos Últimos Dias no futuro. O fruto há de ser igual; as raízes e os ramos hão de ser todos mantidos em sua ordem perfeita, e toda a árvore mantida em condição próspera. Então teremos aprendido o grande princípio da ordem celestial, que deve ser cumprido entre os filhos dos homens. Durante aquele longo período chamado o Milênio, este povo verá a importância de atender àquela ordem perfeita quando nossa força o permitir. No presente, não temos diante de nós nenhum exemplo perfeito. Onde houve, seja neste Território, seja no Arizona, um caso em que a lei perfeita de Deus tenha sido cumprida, tal como estabelecida em Doutrina e Convênios? Não conheço tal caso. Conheço muitos progressos sobre a antiga condição de coisas que existia entre nossos pais — a noção e ideia gentia de cada um deter interesses separados e individuais, sem prestar contas a ninguém. Esse é o sistema antigo. Fizemos muitos progressos, mas não cumprimos, em nenhum caso isolado, em nenhum povoado que eu conheça, a ordem de coisas estabelecida nas revelações contidas no Livro de Convênios. ¶
Tem-se dito muito, em diferentes ocasiões, sobre o assunto de famílias unidas como uma só — comendo à mesma mesa, por exemplo, e tendo um único grande campo, onde suas operações agrícolas possam ser realizadas, todos os que são lavradores saindo para o mesmo campo a trabalhar; e o mesmo princípio aplicado a outros ramos, todos se unindo, tendo o interesse comum no coração. Há algo, nas revelações dadas nestes últimos dias, que exija essa ordem de coisas, ou é algo que nós mesmos consideramos estar um pouco à frente do que nossos pais têm praticado? Não conheço nada estabelecido nas revelações que nos exija adotar esse método específico. Ainda assim, é correto? Sim. É correto segundo as circunstâncias que os cercam; aponta adiante para a unidade e tende a nos instruir nas ideias preliminares de estarmos unidos. E, portanto, aqueles que podem entrar nessa ordem, que estão dispostos a se unir dessa maneira, estão fazendo bem e serão abençoados por isso. Mas que ninguém estabeleça, a esse respeito, que, por ter entrado em uma ordem especial, introduzida em um povoado, todos os outros estejam errados por não fazerem o mesmo; não devem encontrar falhas em seus irmãos, nem se desanimar em fazer o bem. ¶
Há muitas ideias diferentes entre os Santos dos Últimos Dias, com relação a esses assuntos. Mas, ainda assim, temos um padrão dado no Livro de Convênios, pelo qual devemos ser governados. Com o tempo, espero que estejamos em circunstâncias diferentes, nas quais mordomias ou heranças possam ser concedidas a todas as famílias dos Santos, algumas em um tipo ou ramo de negócio, outras em outro; e a plena lei da consagração se cumprirá. ¶
Eu estou, e presumo que muitos outros que conhecem as revelações de Deus contidas em Doutrina e Convênios estejam, aguardando o período que há de vir, na história dos Santos dos Últimos Dias, quando nós, como povo, possuiremos um país muito diferente daquele que agora habitamos. Não esperamos ir às Ilhas Sandwich, nem às Ilhas da Sociedade, nem a nenhuma das ilhas dos oceanos, nem à América do Sul, nem à América Central, para cumprir a ordem de coisas em que esperamos entrar em toda a sua plenitude. Mas esperamos, tanto quanto esperamos que o sol brilhe, ao nascer numa manhã clara, que o Senhor, com o tempo, nos levará de volta à terra a que o Irmão Snow se referiu esta manhã. Não esperamos que, quando chegar aquele tempo, todos os Santos dos Últimos Dias que agora ocupam os Vales das montanhas partam em um único corpo consolidado, deixando esta terra totalmente sem habitantes. Não esperamos nada disso. Mas esperamos que haja um período, na história futura da Igreja, em que muitas centenas deste povo — nossa juventude, por exemplo, que crescerá naqueles dias — se consolidem como um corpo, e irão se estabelecer nas porções orientais do estado do Kansas, e também nas porções ocidentais do estado do Missouri. E, quando chegar aquele tempo, se for necessário cumprir os mandamentos que o Irmão Snow leu esta manhã, referentes à compra de terras, teremos propriedade e meios suficientes para realizar essa obra. Foi necessário, há cerca de 47 anos, comprar terras, e também por vários anos depois. Mas não o fizemos então. Pode ser necessário para nós, em tempos vindouros, e provavelmente será necessário, comprar toda aquela região do país. Por quê? Porque, se houver ocupantes anteriores, não deveríamos estar dispostos a lhes dar um equivalente, tal que os satisfaça, pela posse dela, incluindo as benfeitorias a ela associadas? Certamente. Consequentemente, pode ser necessário para nós cumprir a plenitude de todas essas revelações, apesar de todos os abusos e perseguições que têm sido lançados sobre os Santos dos Últimos Dias. Mas, seja isso o caso ou não, há uma coisa certa — algo com que você e eu podemos contar, com tanta certeza quanto esperamos obter nosso alimento diário — e é que o Senhor nosso Deus levará este povo de volta, e selecionará, dentre este povo, um número suficiente, para tornar muito grande o exército de Israel. E, quando chegar aquele dia, ele guiará as forças daqueles que emigrarem para suas posses naqueles dois estados que mencionei. E a terra assim comprada estará, sem dúvida, tanto quanto possível, localizada em um único distrito do país, que será povoado de maneira muito diferente da forma como agora povoamos estas regiões montanhosas. Vocês podem perguntar: em que sentido diferiremos ao povoar aquelas terras, quando ali formos cumprir os mandamentos do Senhor? Eu lhes direi. A nenhum homem, naquelas localidades, será permitido receber uma mordomia sobre aquelas terras, a menos que esteja disposto a consagrar todas as suas propriedades ao Senhor. Esse será um dos primeiros ensinamentos dados. Quando isso for feito, o povo será, como diz a parábola, como um só corpo — todos igualmente pobres, ou todos igualmente ricos; em outras palavras, serão pessoas que não poderão reivindicar propriedade alguma como sua, estando tudo consagrado. E a terra, sendo comprada, será mantida segundo um princípio diferente do atual. Hoje, cinquenta mil dólares em bens imóveis é o máximo que pode ser detido por uma organização religiosa; mas naquele dia, a totalidade de nossas propriedades, somando uma quantia muito maior, será mantida em fideicomisso. Para quem? Para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e para toda essa grande companhia que será reunida. E haverá tal mudança nos assuntos de governo que o fiduciário, seja quem for, só atuará como tal enquanto for fiel; e, se se tornar infiel, será transferido a outro. Nem mesmo em caso de morte terão os herdeiros de tal fiduciário qualquer reivindicação sobre a propriedade; o poder de regular tais assuntos estará então investido na autoridade apropriada, que fará justiça igual a todas as partes. ¶
Essas pessoas, portanto, estarão na mesma condição em que se encontra todo o restante do povo. As propriedades que possuem não serão suas, embora, no que diz respeito a isso, possam ser assim chamadas. E, quando se constatar que um indivíduo consagrou tudo o que tem, serão feitas indagações quanto ao tamanho de sua família, e a terra lhe será distribuída de acordo — não para lhe conceder o título da propriedade, segundo a prática gentia, mas antes para que a extensão de sua mordomia possa ser determinada. Feito isso, ele recebe sua mordomia, cada homem tendo sua própria mesa, sem necessidade alguma de comer na do vizinho. As pessoas construirão suas próprias casas, etc., quando necessário, desde que sejam capazes de fazê-lo; se não, ser-lhes-á prestada a assistência de que precisarem. E, então, eles e todos os demais serão obrigados a manter registro de suas atividades e apresentá-lo aos bispos ao final do ano, ou tantas vezes quantas forem exigidas. Esses bispos, se cumprirem seu dever, dirão estas coisas: "Irmão, você foi imprudente em tais e tais coisas, mas em outros aspectos você agiu bem." Deste modo, cada homem prestará contas de sua mordomia, como diz a revelação, tanto no tempo quanto na eternidade. E aquele que se mostrar um mordomo fiel e sábio no tempo será considerado digno de receber não apenas uma mordomia, mas uma herança na eternidade. Qual é o objetivo da mordomia? Não é preparar-nos para aquela ordem de coisas ainda mais elevada, que existirá quando recebermos uma herança? E, quando chegar aquele tempo, e ainda formos considerados fiéis à nossa confiança, o Senhor se agradará de dizer: "Posso confiar naquele homem, ele se mostrou fiel nos dias de sua provação: é um homem sábio; agiu corretamente em tudo o que lhe foi confiado. Agora, que não tenha apenas uma mordomia, mas que lhe seja dada como possessão eterna, para ele e sua posteridade depois dele, para todo o sempre, tanto no tempo quanto na eternidade." ¶
Talvez perguntem: quando chegará este tempo para os Santos receberem heranças de fato? Chegará o tempo para os Santos receberem suas mordomias, quando retornarem às terras de onde foram expulsos; mas as heranças não serão dadas até que o Senhor primeiro designe aos justos mortos as suas heranças, e depois os justos vivos recebam as suas. Isso vocês encontrarão registrado em Doutrina e Convênios; e no mesmo Livro se prediz que há de haver um "poderoso e forte," bem como um personagem imortal — um que se veste de luz como de uma veste — um cujas entranhas são uma fonte de verdade. Sua missão será distribuir, por sorteio, aos Santos, suas heranças, segundo sua fidelidade em suas mordomias. Isso também concorda com outra revelação, dada em 27 de dezembro de 1832, que diz, com grande clareza, que, quando os Santos forem ressuscitados e arrebatados ao céu, e os Santos vivos também forem arrebatados, e quando o sétimo anjo tiver tocado sua trombeta, então os Santos receberão suas heranças. O tempo, então, ali é especificado, quanto ao período que o Senhor tem em sua própria mente, para quando as heranças serão dadas. Finalmente, depois que os Santos tiverem sido ressuscitados e arrebatados, juntamente com todos os Santos então vivos, ao céu; e depois que o sétimo anjo tocar sua trombeta, a terra será dada aos Santos do Altíssimo, como herança, a ser dividida entre eles. Esta terra, de que tenho falado, é chamada, em alguns lugares nas revelações de Deus ao Profeta Joseph, a terra de nossa herança; e em outros lugares é mencionada sob a forma de mordomias. Em certo sentido, pode ser considerada nossa herança, porque o Senhor designa, em sua própria sabedoria, que os Santos dos Últimos Dias possuam aquela terra como tal, e seus mortos com eles. E, tendo decretado isso, mesmo antes de a termos visto, ele o cumprirá. Vou remetê-los a uma parte da revelação dada em 2 de janeiro de 1831, na casa do Pai Whitmer: "E ofereço e me digno dar-vos maiores riquezas, sim, uma terra de promissão, uma terra que mana leite e mel, sobre a qual não haverá maldição quando o Senhor vier; e dá-la-ei a vós, como terra de vossa herança" — não apenas mordomia, mas herança; "e este será meu convênio convosco," diz o Senhor ainda, "vós a recebereis como terra de vossa herança, e como herança de vossos filhos para sempre, enquanto a Terra durar; e tornareis a possuí-la na eternidade, para não mais passar." Neste sentido, é chamada a terra de nossa herança. Mas, quando chegarmos a falar em termos definitivos, teremos primeiro de ser provados como mordomos. Se formos imprudentes na administração desta confiança, então será muito duvidoso se obteremos uma herança neste mundo ou no mundo vindouro. ¶
O que é, então, que esperamos? Esperamos — eu ia citar a predição de Isaías, independente das consequências; confio, porém, que não haja ninguém presente que considere aquele grande e bom homem de Deus como um traidor contra o governo dos Estados Unidos — que "o menor virá a ser mil, e o mínimo um povo grandíssimo." Espero que este povo, se não se tornar uma "nação forte" em certo sentido da palavra, será um povo grande, forte e poderoso sobre a face desta terra. Isto é uma das coisas que seu humilde servo espera. E espero que, quando formos destas montanhas, às centenas de milhares, até aquela terra, para comprá-la e ocupá-la, levaremos conosco grande quantidade de ouro e prata — pois o Senhor, naqueles dias, tornará seu povo muito rico, em cumprimento de outra promessa feita na mesma revelação, na qual ele diz que nos tornaremos o mais rico de todos os povos. Se assim há de ser, o Senhor provavelmente cumprirá aquela predição de Isaías, contida no capítulo 60 de seu livro — "por cobre trarei ouro, e por ferro trarei prata, e por madeira, bronze, e por pedras, ferro" — e concederá ao seu povo riquezas que não saberão o que fazer com elas, a menos que sejam dirigidos pelos conselhos dos servos do Deus vivo. Com isso compraremos a terra, e desceremos e a herdaremos, como um povo forte e poderoso, recebendo nossas mordomias. E não nos espalharemos naquela terra a três ou quatro milhas de distância uns dos outros, pensando estar apinhados quando as pessoas vierem e se estabelecerem a uma milha de nós; mas nos estabeleceremos de tal maneira que faremos uma população muito densa. É um país que é adequado, quase palmo a palmo, para fins agrícolas; e podemos nos estabelecer com uma população muito grande em cada milha quadrada de território. E estenderemos nossas fronteiras ao redor da grande cidade central, não estaca, de Sião. Vocês já ouviram falar da Estaca Central de Sião, mas já leram, nas revelações de Deus, que o lugar onde a Nova Jerusalém há de ser edificada é chamado de estaca? Há outros lugares chamados Estacas de Sião, mas estarão ao redor da cidade. E seremos multiplicados às centenas e aos milhares; e edificaremos, por toda a região do país, nossas casas de reuniões, nossas escolas, nossas academias e universidades; e cuidaremos para que todos os nossos filhos tenham vantagens iguais, tanto quanto possível, de se familiarizarem com todo o conhecimento necessário e útil. Não como agora: alguns obtêm grande instrução, enquanto outros são obrigados, desde a infância, desde os seis ou oito anos de idade, a trabalhar a tal ponto que não podem dedicar tempo algum a adquirir educação. Essa ordem de coisas será remediada; e a juventude do povo de Deus terá oportunidades iguais de se desenvolver; não que todos ganharão exatamente as mesmas ideias; não que todos progredirão na mesma direção na educação, e na mesma extensão. Um talvez siga um certo ramo, destinado a prepará-lo para atuar em certa posição em sua vida futura; enquanto outro pode adotar um curso de estudo inteiramente diferente, pelo qual poderá ser de benefício para Sião. Mas haverá privilégios e bênçãos iguais concedidos aos Santos dos Últimos Dias. ¶
Ora, quanto a esses mordomos. Eles têm de prestar contas; e, se ganharem algo em suas mordomias além do que for necessário para conduzir os negócios das mordomias, e também para se sustentarem, se houver um excedente de meios, o que se dirá? Dirão os bispos: "Aqui, irmão, você deve entregar todo este excedente ao armazém do Senhor"? Poderia ser dito a um, para uni-lo à mordomia, sem que tivesse meios maiores para estender suas operações, por ora; e, de novo, poderia ser julgado sábio auxiliar outro na quantia de cinco, dez, vinte mil dólares, mais ou menos, a fim de estender seu ramo de negócio, porque, ao fazê-lo, seria o meio não apenas de beneficiar a si mesmo e a sua família, mas ao povo de Sião em geral. ¶
A revelação diz: "Darão ao armazém tudo o que não for necessário para o sustento das famílias necessitadas." Deste modo, o armazém do Senhor estará cheio e em grande abundância; e esses meios serão usados para fins públicos, e também para prover instrumentos agrícolas, livros, etc., para os remanescentes de José, que entrarão no convênio naqueles dias, para que também tenham suas mordomias no meio do povo de Deus. Haverá uma porção dos rendimentos dessas mordomias que será consagrada ao armazém do Senhor, e que será usada para a construção de Templos, e para embelezar lugares públicos na cidade da Nova Jerusalém, tornando-a uma cidade de perfeição, tão próxima quanto possamos alcançar. ¶
Ora, haverá esta diferença entre aquela cidade e as cidades e Templos que estão sendo edificados. As cidades e templos que agora estamos empenhados em construir, esperamos que se deteriorem; esperamos que a rocha e os vários materiais de construção, com o tempo, se desgastem, segundo as leis naturais. Mas, quando construirmos aquela grande cidade central, a Nova Jerusalém, não haverá tal coisa como a palavra deterioração associada a ela; não se deteriorará mais do que o pote de maná que foi recolhido pelos filhos de Israel e colocado em lugar sagrado na arca do convênio. Foi preservado de ano em ano pelo poder de Deus; assim ele preservará a cidade da Nova Jerusalém, as casas de moradia, os tabernáculos, os Templos, etc., dos efeitos das tempestades e do tempo. Pretende-se que seja levada para o céu, quando a terra passar. Pretende-se que seja um daqueles lugares escolhidos e santos, onde o Senhor habitará, quando visitar de tempos em tempos, no meio da grande Sião dos últimos dias, depois que ela estiver ligada à cidade de Enoque. Essa, então, é a diferença. ¶
O Senhor nosso Deus ordenará a seus servos que edifiquem aquele Templo, na ordem mais perfeita, diferindo muito dos Templos que agora estão sendo edificados. Vocês estão empenhados em edificar Templos segundo uma certa ordem, que apenas se aproxima de uma ordem celestial; fazem isso em Salt Lake City. Um já foi erguido em St. George, segundo um padrão, em parte, de ordem celestial. Mas, com o tempo, quando construirmos um Templo que nunca há de ser destruído, ele será construído segundo a ordem mais perfeita dos mundos celestiais. E, quando Deus o levar para o céu, será encontrado tão perfeito quanto as cidades de mundos celestiais mais antigos, que foram feitas puras, santas e imortais. Assim será com outros Templos. E nós, a fim de edificar um Templo segundo uma ordem celestial, na plenitude da perfeição, precisaremos de reveladores e profetas em nosso meio, que receberão a palavra do Senhor; que terão todo o modelo dele dado por revelação, tanto quanto tudo foi dado por revelação a respeito do tabernáculo erguido no deserto por Moisés. Com efeito, antes que possamos voltar para herdar esta terra em toda a sua plenitude de perfeição, Deus prometeu que levantaria um homem semelhante a Moisés. Quem será esse homem, não sei; pode ser alguém com quem estamos inteiramente desconhecidos; pode ser um de nossos filhos pequenos; pode ser alguém ainda não nascido; pode ser alguém de meia-idade. Mas basta dizer que Deus levantará tal homem, e mostrará seu poder por meio dele, e por meio do povo que ele conduzirá para herdar aquele país, como fez por meio de nossos pais no deserto. Manifestou ele então seu poder dividindo as águas? Sim. Tremeram os montes e a terra sob seu poder? Sim. Falou ele ao povo com sua própria voz? Sim. Conversou ele com Moisés face a face? Sim. Mostrou-lhe ele sua glória? Sim. Revelou-lhe, em um momento, mais do que todas as nossas escolas, academias e universidades poderiam nos dar em dez mil anos? Sim. Deus certamente levantará um homem semelhante a Moisés, e redimirá seu povo com braço estendido, como seus pais foram redimidos, a princípio, indo adiante deles com sua própria presença, e também os cercará com seus anjos. Espero que, quando chegar aquele tempo, aquele homem compreenda todos os pormenores a respeito do Templo a ser construído no Condado de Jackson. Com efeito, já temos revelada parte do plano, e também a planta que explica como a cidade de Sião há de ser demarcada, o que pode ser encontrado a partir da página 438 do Volume 14 do MILLENNIAL STAR. Pelo que foi revelado a respeito deste Templo a ser erguido, podemos facilmente perceber que diferirá de tudo o que já tivemos. Diferirá quanto ao número de salas; diferirá muito em sua forma externa, bem como interna; e diferirá quanto aos deveres a serem realizados em cada uma de suas salas, a serem ocupadas pelos respectivos departamentos do sacerdócio. Esta casa será, então, erguida segundo um certo plano, que Deus dará a conhecer a seu servo que ele, em seu próprio e devido tempo, levantará. E ele terá de dar mais revelação sobre outras coisas igualmente importantes, pois precisaremos de instruções sobre como edificar Sião; como estabelecer a cidade central; como demarcar as ruas; o tipo de árvores ornamentais para adornar as calçadas, bem como tudo o mais, a fim de embelezá-la, e torná-la uma cidade de perfeição, como profeticamente a chama Davi. ¶
E então Deus virá e a visitará; será um lugar onde ele terá seu trono, onde se assentará ocasionalmente como Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, e reinará sobre seu povo, que ocupará este grande continente ocidental; do mesmo modo que terá seu trono em Jerusalém. "Formosa elevação, e alegria de toda a terra é o monte Sião sobre os lados do norte, a cidade do grande Rei." ¶
E, novamente, ele diz: ¶
"Desde Sião, a perfeição da formosura, resplandeceu Deus." ¶
Quer o Salmista dizer que Deus resplandecerá literalmente desde Sião? Sim, resplandecerá com luz que será vista tanto pelos justos quanto pelos ímpios. ¶
Por temer tomar tempo demais, vou encerrar minhas observações. Direi, porém, que desejo grandemente que o Senhor abençoe os Santos dos Últimos Dias, e abençoe seus servos, para que alguns, ao menos, tenham o prazer de entrar em toda a perfeição desta glória, ainda nesta vida temporal; enquanto os mais idosos, de cabelos e barbas grisalhos como eu, talvez passem, se o Senhor assim o exigir. E que nossos filhos se levantem depois de nós, cheios do poder e do Espírito de Deus, para cumprir seus grandes e justos propósitos, até a conclusão. ¶
Rogo a Deus que abençoe os habitantes de Logan e os das cidades ao redor deste vale, e por toda a nossa região montanhosa; e que suas bênçãos e favor peculiares continuem a nos acompanhar enquanto peregrinamos nestas montanhas, e nos acompanhem quando Sião for redimida em toda a sua plenitude. Amém. ¶