O Espírito e os Princípios da Ordem Unida
Lorenzo Snow
Como fundamento para algumas observações nesta manhã, lerei o versículo 18 da revelação que começa na página 337 do Livro de Doutrina e Convênios: ¶
"Portanto, se algum homem tomar da abundância que fiz e não repartir sua porção com os pobres e os necessitados, de acordo com a lei de meu evangelho, ele, com os iníquos, erguerá seus olhos no inferno, estando em tormento." ¶
Também alguns versículos, contidos no mesmo livro, na página 234, começando no versículo 3, que mostram o que se exige de todo homem em sua mordomia. ¶
"3. Eu, o Senhor, indiquei-os e ordenei-os para serem os mordomos responsáveis pelas revelações e mandamentos que lhes dei e que lhes darei mais adiante; ¶
"4. E um relatório dessa mordomia deles exigirei no dia do juízo. ¶
"5. Portanto, designei-os, e este é o seu ofício na igreja de Deus, para administrar essas coisas e o que a elas se refere, sim, os seus ganhos. ¶
"6. Portanto, dou-lhes o mandamento de não transmitirem estas coisas à igreja nem ao mundo; ¶
"7. Contudo, se receberem mais que o necessário para suas necessidades e carências, entregarão ao meu armazém; ¶
"8. E os ganhos serão consagrados aos habitantes de Sião e às suas gerações, caso se tornem herdeiros de acordo com as leis do reino. ¶
"9. Eis que isto é o que o Senhor requer de todo homem em sua mordomia, segundo o que eu, o Senhor, designei ou designarei no futuro a qualquer homem. ¶
"10. E eis que ninguém que pertence à igreja do Deus vivo está isento desta lei; ¶
"11. Sim, nem o bispo nem o agente que guarda o armazém do Senhor nem aquele a quem for designada uma mordomia de coisas materiais." ¶
No breve tempo que ocupo nesta manhã, desejo falar de modo que seja para nossa edificação e melhoramento mútuo naquelas coisas que dizem respeito à nossa salvação. Para este fim, desejo a fé e as orações de todos aqueles que creem em recorrer ao Senhor por instrução e inteligência. ¶
Deveríamos compreender a relação que mantemos com o Senhor nosso Deus, e a peculiar posição que ocupamos. Para desempenhar apropriadamente as obrigações que nos competem, precisamos de ajuda sobrenatural. O caráter da religião que abraçamos exige uma certa conduta que nenhuma outra religião que conhecemos exige de seus adeptos; e a natureza destas exigências sobre nós é tal que ninguém pode cumpri-las, senão com a assistência do Todo-Poderoso. É necessário que compreendamos, ao menos em parte, as grandes e importantes bênçãos que havemos de derivar, eventualmente, por cumprirmos as exigências da religião ou evangelho que recebemos. Os sacrifícios exigidos de nós são de tal natureza que nenhum homem nem mulher poderia fazê-los, a menos que auxiliado por um poder sobrenatural; e o Senhor, ao propor estas condições, jamais pretendeu que seu povo fosse exigido a cumpri-las senão com ajuda sobrenatural, e daquele tipo não professado por nenhuma outra classe de povo religioso. Ele prometeu esta ajuda. As exigências sobre nós são de natureza peculiar, e, como já disse, nenhum homem nem mulher poderia cumpri-las, a menos que esclarecido e sustentado pelo poder do Todo-Poderoso. ¶
A religião que recebemos não é uma quimera. Não é algo idealizado pela astúcia do homem, mas é algo que foi revelado pelo Todo-Poderoso. É um fato. É algo que verdadeiramente existe. É algo tangível. É algo que pode ser apreendido pelas mentes dos Santos dos Últimos Dias. É algo que pode ser diretamente entendido, e plenamente compreendido, de modo que não possa haver dúvida na mente de nenhum Santo dos Últimos Dias a respeito da natureza e caráter do resultado final do curso que se propõe seguir ao cumprir as exigências do evangelho que recebeu. Mas estas exigências são de natureza tal que talvez seriam quase assustadoras para as mentes de indivíduos que estivessem obscurecidos, que não tivessem luz nem entendimento a respeito do resultado que se espera que os Santos dos Últimos Dias experimentem, na medida em que permaneçam fiéis, aderindo aos princípios que abraçaram. ¶
Estas exigências não são de natureza que não tenha paralelo na história do povo de Deus. Foram exigidas em toda era e período em que Deus chamou um povo para servi-lo, e para receber suas leis. Foram exigidas nos dias de Israel, no princípio daquele povo. Foram exigidas de Abraão, Isaque e Jacó. Foram exigidas de Moisés, e do povo que ele conduziu para fora da escravidão egípcia. Foram exigidas por todos os profetas que existiram desde os dias de Adão até o período presente do tempo. Foram exigidas pelos apóstolos que receberam sua comissão pela imposição das mãos de Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, e pelos adeptos da religião que os apóstolos proclamaram e ensinaram ao povo, em seus dias, e nenhum homem, ou grupo de homens, ou classe de povo, desde os dias de Adão até o presente, poderia cumprir estas exigências, exceto o povo de Deus, dotado de poder do alto, o qual só poderia proceder do Senhor nosso Deus. E seria simplesmente tolice esperar que os Santos dos Últimos Dias, nestes dias, cumprissem a lei celestial, a lei que procede de Deus, e seus desígnios de elevar o povo à sua presença, a menos que fossem sustentados por um poder sobrenatural. O evangelho promete isto. Promete o dom do Espírito Santo, que é divino em seu caráter, e que não é desfrutado por nenhum outro povo, e que, como nos disse o Salvador, deveria conduzir a toda a verdade, e inspirar aqueles que o possuíssem, e dar-lhes conhecimento de Jesus, conhecimento do Pai, e das coisas pertencentes ao mundo celestial; que deveria inspirar aqueles que o possuíssem com conhecimento das coisas por vir, e das coisas passadas; e inspirá-los a tal ponto que desfrutassem de dons sobrenaturais--o dom de línguas e profecia, de impor as mãos sobre os enfermos, pelo qual seriam curados. Aos que recebiam este evangelho, foram prometidos estes poderes e dons sobrenaturais, e um conhecimento por si mesmos, para que não dependessem de nenhum homem, ou grupo de homens, a respeito da verdade da religião que haviam recebido; mas que recebessem do Pai o conhecimento de que a religião vinha dele, de que o evangelho vinha dele, e de que seus servos tinham o direito e a autoridade de administrar aquelas ordenanças, de modo que nenhum vento de doutrina os abalasse ou os removesse do caminho em que andavam; de modo que estivessem preparados para a glória que haveria de ser revelada, e se tornassem participantes dela, de modo que pudessem suportar qualquer provação ou aflição que fosse vontade de Deus trazer sobre eles, para prepará-los mais plenamente para a glória celestial; de modo que não caminhassem em trevas, mas na luz e no poder de Deus, e se elevassem acima das coisas do mundo, e se tornassem superiores às coisas ao seu redor; de modo que pudessem caminhar independentemente abaixo do mundo celestial, e à vista de Deus e do céu, como homens livres, seguindo o curso que lhes fosse traçado pelo Espírito Santo; aquele curso pelo qual pudessem elevar-se a conhecimento e poder, e assim preparar-se para receber a glória que Deus se propunha a conferir-lhes, e ocupar a posição exaltada a que Deus tencionava elevá-los. ¶
Em vista disto, Jesus disse ao jovem que veio a ele e desejava saber o que deveria fazer para herdar a vida eterna, para "guardar os mandamentos." O jovem respondeu que guardara estes mandamentos referidos desde sua juventude. O Salvador, olhando para ele, viu que ainda faltava algo. O jovem guardara a lei moral, a lei dada a Moisés, e por isso Jesus o amou, mas viu que faltava uma coisa. Era um homem rico, e detinha influência no mundo em consequência de sua riqueza superior. Jesus sabia que, antes de poder elevá-lo, ou a qualquer outro homem, ao mundo celestial, era necessário que fosse submisso em todas as coisas, e considerasse a obediência à lei celestial da máxima importância. Jesus sabia o que se exigia de todo homem para obter uma coroa celestial--que nada devesse ser tido em maior estima do que a obediência às exigências do céu. O Salvador viu neste jovem um apego a algo que não estava de acordo com a lei do reino celestial. Viu, porventura, nele uma disposição a aderir em seus sentimentos àquilo que lhe era prejudicial, e que tornaria o cumprimento de todas as exigências do evangelho desagradável ou impossível, por isso lhe disse que fosse e vendesse tudo o que tinha, "e desse aos pobres, e o seguisse." Este mandamento fez o jovem sentir-se triste e pesaroso. Ele via as riquezas como o grande objetivo da vida, como algo que lhe trazia a influência do mundo, e todas as coisas desejáveis; como algo que lhe procurava as bênçãos e prazeres da vida, e como o meio de elevá-lo a altas posições na sociedade. Não conseguia conceber a ideia de que uma pessoa pudesse assegurar as bênçãos, os prazeres e os privilégios da vida, e as coisas que sua natureza ansiava, independentemente de sua riqueza. Mas o evangelho era de natureza tal que provia tudo o que era necessário para satisfazer as necessidades e exigências do homem, e para fazê-lo feliz. As riquezas não eram assim calculadas; e o Senhor desejava que ele abandonasse estas ideias, e as expulsasse de sua mente e de seus sentimentos, para que pudesse tê-lo como seu servo em todas as coisas. Desejava que este homem fosse inteiramente devotado a seu serviço, e entrasse em sua obra com pleno propósito de coração, e seguisse os ditames do Espírito Santo, e se preparasse para a glória celestial. Mas este jovem não estava disposto; era sacrifício demasiado grande. E o Salvador disse, nesta ocasião: "Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus." Os discípulos "se admiravam ainda mais" com isto, "dizendo entre si: Quem poderá, pois, salvar-se?" Pensavam que nenhum homem poderia possuir riquezas e ser salvo no reino de Deus. Esta era a ideia que receberam das observações do Salvador. Mas Jesus respondeu: "Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis." ¶
Ora, queremos observar e ver como isto é possível. Li, no Livro de Doutrina e Convênios, as revelações que foram dadas nestes dias aos Santos dos Últimos Dias, expondo as exigências de Deus em relação aos assuntos temporais. Aqui estão observações bastante diretas, que li, na página 337--"Se algum homem tomar da abundância que fiz e não repartir sua porção, de acordo com a lei de meu evangelho, ele erguerá seus olhos no inferno, estando em tormento." Ora, esta é linguagem direta, e parece, talvez, um tanto severa. Quando o Senhor revelou seu evangelho, nestes últimos tempos, ao mundo, começou a ensinar ao povo o que se exigia dele em seus assuntos temporais, como ensinou ao jovem, e como ensinou a muitos outros, e como foram ensinados os apóstolos e outros que receberam o evangelho sob sua administração. O maior problema que o Senhor provavelmente já teve, em qualquer era, com o povo, tem sido a respeito de seus assuntos temporais, seus assuntos financeiros. Os Santos dos Últimos Dias, no dia presente, estão muito unidos a respeito de seus princípios e doutrinas espirituais. Vemos olho no olho a respeito dos princípios que pertencem à parte doutrinária da religião que abraçamos; mas quando se trata de nossas posses temporais, terrenas, e de nossa conduta em relação a elas, parecemos ficar um pouco confusos a respeito do que é certo e errado, e, mais ou menos, sentimo-nos inclinados a seguir nosso próprio curso a respeito destes assuntos, e, como nos dias dos juízes, "cada homem faz o que lhe parece certo a seus próprios olhos." Parecemos esquecer que o Senhor apontou distintamente nossos deveres, e que há um pequeno livro, Doutrina e Convênios, que Deus deu por revelação direta a respeito destes assuntos, pelo qual deveríamos ser governados; esquecemos estas coisas, como é natural que esqueçamos as coisas de Deus. Às vezes pensamos nas muitas coisas boas que fazemos, e imaginamos, talvez, que, por causa destes bons atos, somos desculpáveis por não nos preocuparmos a respeito de algumas outras coisas que não realizamos. Ao dar-nos suas revelações a respeito destes assuntos, o Senhor tomou certos indivíduos e os fez exemplos para os Santos, e desejava que os Santos olhassem para estes indivíduos e seguissem seus exemplos. O Senhor não se propôs, a princípio, a convocar todo o povo de uma vez e dizer-lhe o que fazer em relação a estes assuntos temporais, porque eram muito ignorantes e mais ou menos cobiçosos. Em março de 1830, um mês antes da organização desta Igreja, o Senhor começou a instruir, ou a estabelecer os princípios que deveriam governar o povo de Deus em todos os seus assuntos temporais. O alicerce foi erguido como padrão, ou farol brilhando num lugar escuro, para que todo Santo dos Últimos Dias pudesse olhar e julgar por si mesmo o que seria exigido. A primeira revelação de que me recordo, dada a respeito das obrigações temporais dos Santos, ou do que se exigiria deles, foi dada a Martin Harris. Achá-la-eis na página 111 do Livro de Doutrina e Convênios. Martin Harris era um homem que possuía riqueza considerável, ou ao menos estava razoavelmente bem de vida. O Senhor lhe deu uma revelação tocante aos assuntos temporais, do mesmo modo que Jesus deu ao jovem rico. O Senhor disse a Martin Harris: "Dá uma porção de teus bens, sim, parte de tuas terras e de tudo, exceto o sustento de tua família." Esta revelação se aplicava simplesmente a Martin Harris, e não a todos, senão na medida em que a considerardes um exemplo para os Santos dos Últimos Dias. Mas, na página 161 do Livro de Doutrina e Convênios, há um mandamento geral, em conexão com a lei divina, dado nesta revelação. Aplica-se a todos, como, por exemplo, "Não mentirás," é um mandamento geral, aplicável a todo Santo dos Últimos Dias. Aqui está o mandamento, versículo 55--"E se receberes mais do que o necessário para teu sustento, entregá-lo-ás a meu armazém, para que todas as coisas sejam feitas de acordo com o que eu disse." Em conexão com este assunto, achamos, na página 233, que o Senhor reuniu seis de seus élderes, e lhes deu mandamentos e revelação, e lhes designou uma mordomia: "Vede e escutai, ó habitantes de Sião, e todos vós, povo de minha igreja." Ora, isto era bastante extenso. "Todos vós, povo de minha igreja." O Senhor ia falar, aqui, algo que dizia respeito a todos os Santos, onde quer que estivessem, quer em Nova York, Ohio, Missouri, Indiana, ou qualquer outra parte do mundo. "Escutai, ó habitantes de Sião, e TODOS vós, povo de minha igreja, que estais longe." Ora, aqui está algo que dizia respeito a todos os Santos dos Últimos Dias, e que o Senhor considerava de vasta importância para todos os que fossem dignos de serem chamados por aquele nome. Ele desejava que todos os habitantes de Sião prestassem atenção particular ao que ia dizer a estes seis de seus élderes. Dizia respeito a todos. O fato do caso é que ele tomou estes seis élderes e os fez exemplo para todos os Santos. A revelação continua: ¶
"Ouvi a palavra do Senhor, que dou a meu servo Joseph Smith Júnior, e também a meu servo Martin Harris, e também a meu servo Oliver Cowdery, e também a meu servo John Whitmer, e também a meu servo Sidney Rigdon, e também a meu servo William W. Phelps, como mandamento. ¶
"Eu, o Senhor, indiquei-os e ordenei-os para serem os mordomos responsáveis pelas revelações e mandamentos que lhes dei e que lhes darei mais adiante;" ¶
Ora, isto era assunto de alguma importância, especialmente para estes seis élderes, o serem designados mordomos sobre aquelas coisas das quais haveriam de resultar grandes vantagens temporais. Talvez algumas pessoas fossem ciumentas, ou estivessem ciumentas naquela época, e supusessem que tinham motivo razoável para tal, de que o Senhor concedesse tão grandes vantagens a estes élderes, que poderiam usar em grande desvantagem do povo de Deus. Mas descobriremos que estes assuntos foram estritamente vigiados pelo Senhor, assim como o seria todo homem que fosse designado mordomo no reino de Deus, mantido sob controle. ¶
"E um relatório dessa mordomia deles exigirei no dia do juízo." ¶
Ora, talvez eu não creia como alguns creem a respeito da Ordem Unida--que todos devam reunir-se e lançar todos os seus bens num monte, e depois vir tomar deles como lhes aprouver, ou que um homem que não entenda absolutamente nada de assuntos temporais deva ser colocado como mordomo sobre negócios extensos. Creio que há uma ordem nestas coisas--uma ordem agradável e aprazível--e que estas coisas são organizadas pelo Senhor de tal modo que, quando o povo as entender apropriadamente, ficará satisfeito e as admirará. É porque não chegamos a entender as exigências de Deus que ficamos insatisfeitos. Deus organiza estes assuntos e os dispõe de tal modo que tenderá à exaltação de todo Santo dos Últimos Dias que estiver disposto a honrá-los. É por causa de nossa ignorância que ficamos descontentes com as exigências do Senhor. ¶
Ora, creio na independência de homens e mulheres. Creio que homens e mulheres receberam a imagem de Deus--foram formados à imagem de Deus, e possuem Divindade em sua natureza e caráter, e que sua organização espiritual possui as qualidades e propriedades de Deus, e que há o princípio de Deus em todo indivíduo. Pretende-se que o homem aja como Deus, e não seja constrangido e controlado em tudo, mas tenha independência, livre-arbítrio, e o poder de espalhar-se e agir de acordo com o princípio de divindade que há nele, agir de acordo com o poder e a inteligência e o esclarecimento de Deus que possui, e não que seja constantemente vigiado, e controlado, e aja como escravo nestes assuntos. Mas que a lei de Deus proceda dele, e a constituição do Deus Altíssimo esteja nele, e ele aja de acordo com ela. E, como o Senhor disse--"escreverei meu nome nos corações do povo"--a lei deveria proceder de seus corações. ¶
E, no que diz respeito à lei do dízimo, há nela algo que não é da mesma natureza e caráter da lei da Ordem Unida. Foi acrescentada porque o povo não estava disposto a cumprir esta nobre e elevada lei celestial, pela qual poderiam agir de acordo com a luz que neles há, e o poder do Todo-Poderoso, pelo qual seriam inspirados. Continuo a ler: ¶
"Portanto, designei-os, e este é o seu ofício na igreja de Deus, para administrar essas coisas e o que a elas se refere. ¶
"Portanto, dou-lhes o mandamento de não transmitirem estas coisas à igreja nem ao mundo." ¶
Ora, seria intenção que estes seis homens fossem construir belas casas, e se espalhassem e obtivessem imensos tesouros da terra, independentemente das obrigações que lhes competiam para com outras pessoas? Foi-lhes dada grande latitude, mas foram responsabilizados perante o Senhor. "Dou-vos esta latitude para exercer, mas, lembrai-vos, sois responsáveis; e um relatório de vossa mordomia exigirei de vós no dia do juízo." Alguns destes élderes tinham visto Deus, e falado com ele face a face, e anjos haviam imposto as mãos sobre suas cabeças. Sabiam que havia um Deus nos céus. Isto lhes foi tornado claro pelo poder do Todo-Poderoso, e por anjos que lhes apareceram, e falaram com eles como um homem fala com outro. Ora, quando consideramos o que o Senhor disse a estes homens, assim esclarecidos, e que tiveram esta maravilhosa experiência, vemos que exigia que um homem fosse um pouco cuidadoso quanto a como agia a respeito destes assuntos temporais que lhe foram confiados. ¶
"Contudo, se receberem mais que o necessário para suas necessidades e carências, entregarão ao meu armazém;" Ora, aqui é onde eram limitados. Mas, ainda assim, neste assunto, foram deixados a seu próprio juízo e filantropia, que deveria ser esclarecida. Mas sua filantropia seria a filantropia de Deus, e sua inteligência, a inteligência do céu. ¶
"E os ganhos serão consagrados aos habitantes de Sião e às suas gerações, caso se tornem herdeiros de acordo com as leis do reino. ¶
"Eis que isto é o que o Senhor requer de todo homem em sua mordomia, segundo o que eu, o Senhor, designei ou designarei no futuro a qualquer homem. ¶
"E eis que ninguém que pertence à igreja do Deus vivo está isento desta lei;" ¶
Ora, esta lei deveria continuar enquanto a salvação continuasse. (Vede a página 337, versículo 1º.) Jamais foi revogada. A lei do dízimo não poderia revogar esta lei. A lei do dízimo é uma lei menor, e foi dada por Deus. Mas a lei do dízimo não nos proíbe de obedecer a uma lei superior, a lei da união celestial nas coisas terrenas. E o fato de que não nos sentimos satisfeitos em simplesmente obedecer à lei do dízimo mostra que é uma lei menor. Sentis-vos justificados apenas em obedecer à lei do dízimo? Por que, então, contribuís para nossos templos, e para trazer o povo dos países antigos, e para este propósito, e aquele, de milhares de modos, depois de terdes apropriada e justamente cumprido a lei do dízimo? O fato de que fazeis estas coisas mostra que não estais satisfeitos em meramente obedecer à lei do dízimo. Nestas contribuições, agis exatamente como Deus pretendeu que agísseis--pela luz do Espírito Santo que há em vós. Ora, esta lei está muito distintamente retratada, e o Senhor a tornou tão clara que está determinado a que ninguém o compreenda mal. Quando fala, fala de tal maneira que não pode haver disputa. Não se contenta em dizê-lo uma vez, diz-o pela segunda e pela terceira vez, para que se entenda; de modo que não possa haver mal-entendido a respeito da mente do Senhor com referência a esta lei de um homem dar tudo, exceto o necessário para seu sustento, ao armazém do Senhor. Uma observância desta lei é o que ele diz ser exigido de todo homem em sua mordomia. De modo que, se os Santos dos Últimos Dias forem designados a mordomias, ou estiverem satisfeitos em agir como mordomos diante do Senhor, esta lei está em vigor, e esta lei deveriam observar. Creio que muitos de fato andam no espírito desta lei, até certo ponto; e a cumpriram, sem dúvida, de modo pelo qual são justificados diante de Deus, enquanto alguns, talvez, não lhe deram atenção alguma. Alguns ignoram estes princípios a tal ponto que se tornam muito mesquinhos e cobiçosos, e reúnem ao seu redor e de suas famílias o que consideram necessitar agora, e então guardam para gerações futuras, quando há aflição ao redor deles, e milhares de Santos na Europa e em outras partes que gemem na pobreza, sob a mão de ferro da tirania, sem saber, de um dia para outro, onde obterão uma refeição. Contudo, há aqui homens entre nós que se chamam Santos dos Últimos Dias, que não repartem de seus bens de acordo com a lei do evangelho. Digo que Deus se desagrada de tal cobiça, e jamais prosperará os Santos dos Últimos Dias que forem culpados de tal conduta mesquinha. ¶
Mas, quanto à lei do dízimo, ela vigora tanto sobre os pobres quanto sobre os ricos, e parece agir quase desigualmente em alguns aspectos. Há uma viúva cuja renda é de dez dólares; ela paga um de dízimo, e então tem de apelar ao bispo por sustento. Aqui está um homem rico que tem uma renda de cem mil dólares, e paga dez mil de seu dízimo. Restam noventa mil, e ele não precisa disso, mas a pobre viúva precisa de muito mais do que tinha antes de cumprir a lei do dízimo. ¶
Ora, qual seria a operação da lei celestial? A viúva não tem o suficiente para seu sustento, portanto nada lhe é exigido pela lei celestial, ou a lei da Ordem Unida. Este homem rico, com seus noventa mil dólares, continua a aumentar suas riquezas, paga seu dízimo integralmente, e ainda assim ignora inteiramente a lei da mordomia, ou a lei da união temporal. Não posso crer que um Santo dos Últimos Dias seja justificado em ignorar a lei superior. Pois, como lemos, "eis que ninguém que pertence à Igreja do Deus vivo está isento desta lei." Não há homem ao alcance de minha voz que esteja isento desta lei, nem jamais estará, até que Jesus, o Filho de Deus, venha nas nuvens do céu para pôr todas as coisas em ordem: "sim, nem o bispo nem o agente que guarda o armazém do Senhor nem aquele a quem for designada uma mordomia de coisas materiais." Isto se aplicará aos bispos que ali relataram ontem, e a todo Santo dos Últimos Dias. Estamos sob esta lei. Deveríamos agir no espírito desta lei, de acordo com a luz de Deus que há em nós. ¶
Além disso, na página 275, lemos: ¶
"É dever do secretário do Senhor, a quem ele designou, conservar uma história e um registro geral da igreja de todas as coisas que ocorrem em Sião; e de todos os que consagram propriedades e legalmente recebem heranças do bispo; e também seu modo de vida, sua fé e obras; assim como dos apóstatas que apostatarem depois de haver recebido suas heranças. ¶
"É contrário à vontade e ao mandamento de Deus que os que não recebem sua herança por consagração, de acordo com sua lei, dada por ele para cobrar os dízimos de seu povo a fim de prepará-los para o dia da vingança e queima, tenham seus nomes registrados com o povo de Deus." ¶
Ora, isto poderia ser considerado linguagem um tanto forte, mas esta é uma revelação de Deus que professamos crer. ¶
"Não se conservará sua genealogia nem se encontrará nos registros ou na história da igreja. ¶
"Seus nomes não serão encontrados, nem os nomes dos pais nem os nomes dos filhos escritos no livro da lei de Deus, diz o Senhor dos Exércitos." ¶
Isto é, aqueles que não estivessem dispostos a observar a lei da mordomia e da consagração deveriam ser privados destas bênçãos. É o mesmo hoje, e tem sido assim desde os dias de Adão em relação a estes assuntos. ¶
Ora, quando o Senhor estabeleceu esta Igreja, estava muito ansioso por trazer o povo a esta ordem de coisas; e encontramos umas treze revelações no Livro de Doutrina e Convênios, dadas para explicar estes princípios da Ordem Unida--a lei da consagração e da mordomia. Os homens deveriam ter sua mordomia--ter a posse da propriedade--mas deveriam mantê-la como servos de Deus, não particularmente como propriedade individual própria, mas deveriam ser feitos mordomos sobre aquela propriedade, depois de a terem consagrado ao Senhor, e receber de acordo com suas capacidades, e administrar de acordo com os dons de Deus que houvesse neles a respeito dos assuntos temporais. Se um homem fosse capaz de administrar mercadorias no valor de cem mil dólares, seria apropriado que fosse feito mordomo sobre aquela quantia. Se um homem não fosse capaz de administrar negócios extensos, seria impróprio fazê-lo mordomo sobre um grande negócio. Mas todo homem receberia uma mordomia proporcional à sua capacidade de supervisioná-la para o bem geral. ¶
Para que não houvesse mal-entendido, o Senhor nos informa mais a respeito destes assuntos, na página 237 do Livro de Doutrina e Convênios. O Senhor tomou grande cuidado em manifestar seu agrado a respeito destes princípios. Chamou uns sete, oito ou nove élderes, e os fez mordomos sobre propriedade e vários departamentos de negócios, e então lhes disse como agir. Deveriam trabalhar de acordo com esta lei, que se encontrará na página 343 do Livro de Doutrina e Convênios: ¶
"68. E todos os dinheiros que receberdes em vossa mordomia, provenientes dos melhoramentos que fizerdes nas propriedades que vos designei, sejam casas, terras, animais, ou qualquer outra coisa, com exceção dos escritos santos e sagrados que para mim reservei com propósitos sacrossantos, serão depositados na tesouraria logo que os receberdes, sejam cem ou cinquenta ou vinte ou dez ou cinco. ¶
"69. Ou, em outras palavras, se qualquer homem dentre vós obtiver cinco dólares, que os deposite na tesouraria; ou, se obtiver dez ou vinte ou cinquenta ou cem, que faça o mesmo; ¶
"70. E que ninguém dentre vós diga que lhe pertencem, porque não serão considerados seus, nem mesmo em parte. ¶
"71. E parte alguma deles será usada nem retirada da tesouraria, a não ser pelo voto e comum acordo da ordem." ¶
Ora, isto tornava as coisas seguras--bastante seguras. Talvez não fosse, porventura, tão agradável, a menos que as pessoas pudessem conceber todo o plano deste esquema, ou desta Ordem, nos assuntos temporais, para que os homens dedicassem seu excedente deste modo, mas, com a outra parte, que lemos mais adiante, ficariam perfeitamente satisfeitas. ¶
Ora, podemos facilmente conceber que, com uma vasta população de Santos agindo sob esta lei celestial, haveria, depois de algum tempo, uma imensa tesouraria repleta; e, para que não houvesse mal-entendido a respeito desta propriedade e de seu uso, entre aqueles que assim haviam subscrito ou contribuído com seus meios, o Senhor esclareceu o assunto, dando as seguintes instruções: ¶
"71. E parte alguma deles será usada nem retirada da tesouraria, a não ser pelo voto e comum acordo da ordem. ¶
"72. E este será o voto e o comum acordo da ordem: Quando qualquer homem dentre vós disser ao tesoureiro: Preciso disto para ajudar-me em minha mordomia-- ¶
"73. Se forem cinco dólares ou dez dólares ou vinte ou cinquenta ou cem, o tesoureiro lhe dará a soma requerida para ajudá-lo em sua mordomia--" ¶
Ora, todo um povo, esclarecido pelos princípios do Alto Céu a respeito destes assuntos--cheio do Espírito de Deus, com o espírito de entendimento, o espírito de filantropia, cada homem buscando o interesse de seu vizinho, com o olhar fixo unicamente na glória de Deus, colocando seus meios na tesouraria do Senhor, e nenhum homem dizendo que algo lhe pertence, exceto como mordomo diante de Deus--seria uma coluna de força financeira, um sublime quadro de sagrada união e fraternidade, e à altura das mais extremas emergências. Então, quando alguma desgraça acometesse um homem, tal como o incêndio de sua propriedade, ou fracasso ou dificuldade em seu ramo de negócios, ele poderia ir ao tesoureiro e dizer: "Preciso de certa quantia para ajudar-me em minha mordomia. Não administrei os assuntos de minha mordomia de modo sábio? Não podeis ter confiança em mim? Já usei mal os meios postos em minhas mãos? Não foram sabiamente controlados? Se assim é, dai-me meios para me ajudar em minha mordomia, ou para edificar esta indústria necessária aos interesses gerais de todos." Pois bem, dá-se-lhe. Há confiança depositada nele por causa de sua conduta passada, e do curso que seguiu. Ele tem o devido direito de exercer seus talentos de acordo com a luz do espírito que há nele. Compreende plenamente as circunstâncias em que se encontra, e governa-se de acordo com as obrigações que sobre ele recaem. Verifica-se ser um administrador sábio e econômico; e é assistido em sua mordomia na medida dos meios que deveria ter. ¶
Ora, se todos os Santos estivessem agindo no espírito destas revelações, que comunidade feliz seríamos! Todos estaríamos seguros, e nenhum homem precisaria permanecer acordado à noite, pensando no que fazer por sua família para impedi-la de mendigar seu pão, ou de recorrer ao bispo, o que talvez seja apenas um grau melhor. E haveria uma união que estaria de acordo com a união de Enoque e seu povo, quando foram levados ao mundo acima--uma união agradável ao Todo-Poderoso, e de acordo com os princípios do mundo celestial. ¶
Mas, ora, como é conosco, com o povo de Ogden e de outros lugares? Desconfiamos uns dos outros. Todo homem sente que não tem segurança alguma em seu vizinho em tempo de desgraça. Desconfiamos de nossos vizinhos, porque os vizinhos não buscam o interesse uns dos outros. Todo homem busca a melhor forma de ajudar a si mesmo. Isto é excessivo entre os Santos dos Últimos Dias. ¶
Ora, esta lei, a Ordem Unida, foi dada em 1831-2. Os homens receberam o mandamento da consagração de propriedade. O bispo Partridge, vendo que havia algum mal-entendido, escreveu a Joseph pedindo uma explicação a respeito do assunto. Joseph, em resposta, diz que, em assuntos de consagração, deveria ser deixado ao juízo do consagrante quanto devia dar e quanto reter para o sustento de sua família, e não exclusivamente ao bispo, pois, se assim fosse, daria ao bispo mais poder do que possui um rei. Deveria haver um entendimento mútuo entre eles, do contrário deveria ser deixado a um conselho de doze sumos sacerdotes. Ora, onde está o Santo dos Últimos Dias que não possa ver liberalidade, generosidade, neste assunto, e esteja disposto a submeter-se a este tribunal? Eu estaria disposto a submeter-me ao sumo conselho desta Estaca de Sião, ou ao sumo conselho de qualquer outra Estaca de Sião, e dizer: "Aqui está minha propriedade, dizei quanto devo reter para minhas esposas e filhos, e quanto deve ir para a propriedade comum da Igreja." Mas penso que meu bispo e eu poderíamos resolver o assunto de imediato. Diz Joseph, naquela explicação: "não é necessário que desçais a particularidades a respeito destes assuntos." ¶
Vejo que estou ocupando mais tempo do que pretendia. Há muitas coisas que deveriam ser ditas em relação a estes assuntos. Chegou a hora de os Santos dos Últimos Dias despertarem. Estas leis foram dadas para governar os Santos. Os Santos, em desgraça, não as obedeceram, e foram expulsos. ¶
Temos sido assediados desde o princípio até este dia, e temo que assim seja, até que nos conformemos a esta lei, e estejamos dispostos a que Deus governe a respeito destes assuntos temporais. ¶
Direi agora: que todo homem que ocupa uma posição oficial, sobre quem Deus conferiu seu santo e divino sacerdócio, pense no que o Salvador disse aos Doze Apóstolos, pouco antes de ir à presença de seu Pai--"Apascenta as minhas ovelhas." E continuou a dizer isto até que seus apóstolos se sentiram entristecidos por ele continuar a chamá-los deste modo. Mas, disse ele--"Apascenta as minhas ovelhas." Isto é, "Ide com todo o vosso coração, sede inteiramente devotados a minha causa. Este povo, no mundo, são meus irmãos e irmãs. Meus sentimentos se exercem para com eles. Cuidai de meu povo. Apascentai meu rebanho. Ide e pregai o evangelho. Eu vos recompensarei por todos os vossos sacrifícios. Não penseis que podeis fazer sacrifício demasiado grande em realizar esta obra." Ele os chamou, no fervor de seu coração, a fazer esta obra. E agora chamo todos os que possuem este sacerdócio, os oficiais dirigentes desta estaca, e os bispos, e o sumo conselho, a irem e apascentarem o rebanho. Interessai-vos por eles. Já perdestes alguma vez um filho, e a separação vos feriu profundamente as almas? Transferi um pouco deste sentimento profundo aos interesses dos Santos sobre os quais fostes chamados a presidir, e em cujos interesses recebestes o santo sacerdócio. Trabalhai por eles, e não limiteis vossos pensamentos e sentimentos a vosso engrandecimento pessoal. Então Deus vos dará revelação, inspiração sobre inspiração, e vos ensinará como assegurar os interesses dos Santos em assuntos pertencentes a seu bem-estar temporal e espiritual. ¶
Que Deus vos abençoe, em nome de Jesus. Amém. ¶