O Descanso Significa Mudança—O Tempo em Relação à Eternidade—O Maravilhoso Mecanismo do Corpo Humano—Integridade Diante da Oposição
Erastus Snow
Sinto-me algo fatigado de corpo pelos efeitos do labor e das enfermidades; e se eu fosse consultar meus próprios sentimentos, eu me inclinaria a dispensar este privilégio, e sentar-me a ouvir meus irmãos. De fato, posso dizer que até contava com algum descanso ao vir a Brigham City; contudo, jamais me permito eximir-me daquela parte que me cabe, na vida, quanto ao chamado e aos deveres que me competem. Sinto que todos estamos aqui numa escola, que temos uma obra a realizar; e se, quando tivermos realizado esta obra, estivermos satisfeitos com ela, não nos arrependeremos de termos nos desgastado para realizá-la. Mas, ao contrário, regozijar-nos-emos por nosso êxito em termos atravessado em segurança e entrado no "descanso" que está preparado para o povo de Deus no estado futuro. Esta é uma expressão bíblica, implicando que há um descanso além para o povo de Deus. Mas tenho pensado, às vezes, que, estritamente falando, o descanso é apenas uma mudança, e que uma mudança é descanso; porque estar absolutamente em descanso, estar inteiramente livre de labor e cuidado, seria inconsistente com nossa existência; em tal condição, nosso ser seria um vazio, uma inexistência. O curso de Deus, disse-nos o profeta Néfi, é um círculo eterno; que, como a eternidade, não tem princípio nem fim, e é ilustrado no Livro de Abraão pelo hieróglifo do círculo. Podeis partir deste anel em qualquer ponto dado, e, ao percorrê-lo, chegareis ao mesmo ponto--ele é sem princípio, sem fim. ¶
Às vezes falamos da eternidade em contraste com o tempo; e frequentemente dizemos, "através do tempo e adentrando a eternidade;" e novamente, "de eternidade em eternidade," o que é simplesmente outra forma de expressar a mesma ideia, e "passar através do tempo para a eternidade." Em outras palavras, o tempo é um curto período designado ao homem em seu estado de provação--e usamos a palavra tempo em contraste com a palavra eternidade, meramente para a conveniência do homem em sua esfera finita, para que possamos compreender e aprender a medir períodos. E, para este fim, o Senhor deu a Adão sua contagem segundo os movimentos dos planetas, que lhe pareceriam estacionários, ou ao menos comparativamente assim, formando um padrão adequado pelo qual o homem, em seu estado mortal, possa medir períodos e contar os dias, os meses, os anos e os ciclos. ¶
As Escrituras falam de um tempo "em que o tempo não será mais." E o apóstolo João, em suas visões, enquanto banido para a Ilha de Patmos, ouviu o anjo dizer: "o tempo não será mais." Podemos não compreender plenamente o significado e o propósito desta expressão. Todas as frases ou expressões, sejam usadas por homens, anjos ou Deus, têm um sentido relativo, à medida que uma coisa é comparada com outra; e, para entender toda a força delas, devemos entender aquilo a que se referem por comparação. Simplesmente entendo por isto que, no que nos diz respeito, o tempo não será mais quando formos absorvidos na eternidade, e deixarmos de contar nossos períodos pelas revoluções diurnas da terra, e pelas mudanças da lua, etc.; quando entrarmos numa esfera onde poderemos misturar-nos com os deuses e familiarizar-nos com sua contagem, e os eternos períodos ou ciclos de revoluções de inúmeras criações no espaço, os quais, hoje, os mais profundos astrônomos da terra são incapazes de sondar ou marcar seu ponto de início. E isto é chamado eternidade pelo homem, e, no que diz respeito ao homem, está em contraste com outros períodos e modos de contagem conhecidos e em uso entre os Deuses. Pois eles têm seus períodos e sua contagem, assim como nós, apenas numa escala vasta e, para nós, incompreensível. Estamos num estado de progressão, começos muito pequenos, mas avançando e ascendendo para uma esfera mais exaltada, na qual eles se movem. Mas não concebo lugar algum de parada; não concebo lugar algum de descanso absoluto, mas apenas, como observei anteriormente, uma mudança, uma mudança em nossas circunstâncias e condições, e, consequentemente, uma mudança em nossos labores. ¶
Falo agora do homem como um ser imortal, sem referência a esta casa terrena de nossos tabernáculos; pois esta casa mortal, que ocupamos pelo período de poucos e curtos anos sobre a terra, não estará associada ao homem imortal--o deus em embrião. As vestes que usamos cobrem a nudez do corpo; servem a um bom propósito por uma breve estação--até que se desgastem, quando são postas de lado, sem mais utilidade para aquele fim. Assim é com a casa exterior de nossos tabernáculos. Esta mortalidade serve aos propósitos pretendidos por poucos e curtos anos, até que se desgaste pelo uso, como as ferramentas agrícolas do fazendeiro, como as ferramentas do maquinista ou do mecânico, ou qualquer outra peça de maquinário--pois o corpo humano é uma das peças de maquinário mais finas e mais perfeitas conhecidas na terra; não há nenhuma superior. De fato, a maior parte do mecanismo empregado pelos homens em vários ramos da indústria funda-se na estrutura anatômica do corpo humano; os ângulos, as articulações, os tendões, as cordas pelas quais são unidos; a maravilhosa construção não apenas das partes exteriores do corpo, mas o finíssimo mecanismo do sistema nervoso, e também o do olho, o do ouvido, e os meios de sensação, e aquele pelo qual o conhecimento é comunicado de uma parte do corpo a outra. Se o dedo for maltratado ou ferido, uma comunicação telegráfica é feita à sede do conhecimento--o governo do corpo; transmitindo a informação de que um dedo está em perigo; e onde quer que se sinta dor, em qualquer parte do corpo, é apenas o toque do sino de alarme, aviso vivo de um ataque hostil, para que se façam preparativos de defesa, para que o inimigo, ao fazer o assalto, não tome posse da cidadela e a destrua. O maravilhoso mecanismo do sistema nervoso, por meio do qual o espírito faz suas impressões sobre o corpo, é, por assim dizer, um organismo intermediário entre o fino corpo espiritual e os elementos mais grosseiros de nossos tabernáculos. E aqueles que dedicaram mais tempo e estudo a esta maravilhosa máquina são levados a apreciar e confirmar plenamente o dito do salmista: "de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito." Sua adequação aos usos e propósitos pretendidos, com sua notável resistência quando devidamente guardada e protegida contra a doença e o que chamamos de acidente, é em si suficiente para suscitar a admiração de todos os seres inteligentes. Olhamos para uma pessoa idosa, digamos, de 70, 80, 90 ou 100 anos, e percebemos que há ali uma máquina, uma estrutura mecânica--chamá-la-emos de modelo representando o movimento perpétuo? Não exatamente, mas uma máquina que está em movimento há, digamos, 100 anos; uma bomba de ação dupla que tem funcionado constantemente, distribuindo os fluidos do sistema, mantendo uma constante circulação do sangue; às vezes trabalhando muito arduamente para remover obstruções surgidas de resfriados e outras causas, para manter os canais desobstruídos, e em outras vezes trabalhando lentamente. E as funções do corpo são muitas vezes mantidas em tal uso constante, por tal período de tempo, sem o toque do mecânico para reparar uma quebra, a menos que seja, porventura, a serra do cirurgião para remover um membro incapacitado que ameaça sobrecarregar todo o corpo, ou a ligadura de uma artéria rompida para impedir o escape do fluido vital. Mas, de outro modo, o mais habilidoso médico é incapaz de fazer um único reparo, ou melhorar qualquer parte ou porção dela; e o máximo que pode fazer é dar algo a ser tomado no estômago para efetuar uma mudança química nos fluidos do sistema, para neutralizar talvez um excesso dos ácidos, operando assim uma mudança na qualidade do sangue, e, consequentemente, uma mudança nos depósitos que se fazem em todas as partes do sistema pela circulação deste fluido. Mas esta maravilhosa máquina é mantida em movimento por qual poder? Dizemos que é o poder de Deus; dizemos que é nele que vivemos, e nos movemos, e temos o nosso ser. E, contudo, ele sempre opera por meios, sendo todas as suas maravilhosas obras realizadas por agentes; mas ele não está confinado a um único agente, nem a nenhum método especial na realização de suas obras. Mas há um espírito neste tabernáculo terreno nosso que é aparentado com nosso Pai e Deus, e que é o dono deste tabernáculo, e para quem o tabernáculo é organizado como sua casa de habitação. É este espírito que mantém em movimento as funções deste tabernáculo; quando este espírito deixa o corpo, é ou porque o Pai o chama, desejando usá-lo em outra esfera, considerando suficiente para os fins requeridos o tempo que passou neste tabernáculo, e, portanto, o leva a uma escola superior, com desígnio especial de realizar uma obra especial; ou pode ser que tenha usado seu tabernáculo até que este esteja tão desgastado que se tornou como um arco que há muito e constantemente esteve dobrado--perdeu sua elasticidade; seus ossos enfraquecidos em resistência, seus músculos enrijecidos, e toda a estrutura pronta, como nossas roupas velhas, para ser posta de lado; e o espírito chega à conclusão de que já cumpriu sua jornada com este velho tabernáculo, e que é tempo de esta velha veste ser posta de lado por uma nova. Nosso Pai chega a esta conclusão, e dá ao espírito um bilhete de licença, e o remove para outra esfera. Mas tudo isso é necessário como escola para nós. As várias dores e tristezas a serem suportadas na vida são todas necessárias, em seu tempo e lugar; as provações, como as chamamos, são todas necessárias em seu lugar, são todas parte do plano de educação ou treinamento para nos preparar para o futuro. Um dos escritores sagrados, ao falar de Jesus, disse: "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; mas um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado." E novamente: "porque não lhe dá Deus o Espírito por medida." É medido a mim e a vós na providência do Senhor; mas para ele havia, por assim dizer, um armazém do qual retirar, sem medida. Ele podia continuar a curar os enfermos, e ressuscitar os mortos, e realizar grandes e maravilhosas coisas, e, ainda assim, o suprimento de vitalidade não diminuía em nada. Mortais menos dotados e menos favorecidos, que fossem instrumentos de curar muitos enfermos pelo poder de Deus, sentiriam que, ao tomarem sobre si suas enfermidades, estavam afundando sob o peso, e desejariam retirar-se para descansar e recuperar seus corpos exaustos. Jesus foi uma exceção a este respeito; tomou sobre si nossas enfermidades e levou nossas doenças, como havia sido predito pelo profeta Isaías. Ele realmente curou os enfermos onde quer que fosse; e alguns descobriram que, se apenas pudessem tocar a orla de sua veste, a doença de que sofriam podia ser repreendida; e um caso é dado em que isto ocorreu, no qual nos é dito que dele saiu virtude. Mas, não obstante o grande fardo que carregou, juntamente com a vasta quantidade de vitalidade que, em várias ocasiões, foi comunicada dele a outros, ele não desfaleceu sob o peso; sua mortalidade não cedeu. Mas nenhum homem, sem o apoio que ele tinha, poderia tê-lo feito sem desmoronar sob este peso; nenhum outro poderia ter lutado com os demônios, e expulsá-los dos indivíduos, e mantê-los à distância, como ele fez, sem sofrer de exaustão corporal, e, por isso, teve de buscar retiro e descanso. Ele, contudo, travou guerra constantemente, e estava bem preparado para esta obra, tendo uma fonte inesgotável de força de que retirar, tendo-lhe sido dado o Espírito sem medida. Mas, por fim, chegou o tempo em que o Pai disse: Deves sucumbir, deves ser feito a oferta. E, nesta hora sombria, o poder do Pai se retirou dele em certa medida, e ele foi deixado para ser tomado por seus inimigos, e, como um cordeiro, foi conduzido ao matadouro, mas não abriu a boca, porque sua hora havia chegado. E quando foi levado a exclamar, em sua última agonia sobre a cruz, "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" o Pai não se dignou a responder; ainda não havia chegado o tempo de explicá-lo e de dizer-lhe. Mas, pouco depois, quando passou pela provação, fez o sacrifício, e, pelo poder de Deus, foi ressuscitado dos mortos, então tudo ficou claro, tudo foi explicado e plenamente compreendido. Era necessário que o Pai assim, em certa medida, abandonasse seu Filho, deixando-o a seus inimigos, do contrário jamais teriam podido cumprir-se as coisas que a seu respeito foram profetizadas. Assim, podemos dizer, com outros, que é apenas um exemplo para refletirmos, que pode ser igualmente aplicável a todos nós, em nossos tempos e estações. ¶
Não é necessário, na providência de Deus, que todos sejamos mártires; não é necessário que todos sofram a morte na cruz, porque foi vontade do Pai que Jesus assim sofresse, nem é necessário que todos os Santos desta última dispensação pereçam porque nosso profeta pereceu, mas ainda pode ser necessário que alguns o façam, que um número suficiente de fiéis testemunhas de Deus e de seu Cristo sofram, e até pereçam pelas mãos de seus inimigos, para provar e mostrar ao mundo--aos incrédulos e irrefletidos--que seu testemunho é verdadeiro, e que estão prontos não apenas a testificar em palavra, mas em ação, a sustentar e honrar seu testemunho por meio de suas vidas; e também em sua morte; e maior amor do que este ninguém pode ter por seu amigo ou por seu companheiro íntimo, nem mesmo Davi e Jônatas, cujo amor um pelo outro se diz ter superado o amor de mulher. Ninguém pode dar garantia mais forte de sua devoção aos princípios que recebeu e que ensina a seus semelhantes, do que suportar pacientemente o sofrimento, por causa deles, e, se necessário, continuar aquele sofrimento e aquela resistência até a morte. ¶
Na economia do céu, tem-se considerado necessário, em vários períodos da história do mundo, que tais testemunhas de Cristo sofram a morte por causa de seu testemunho, e é provável que outros ainda tenham de sofrer em nosso próprio tempo. Não, as Escrituras nos dão claramente a entender que assim será, que mais ou menos sofrerão, mas até que ponto os servos do Senhor possam ser chamados a assim sofrer não nos é dado saber, nem é necessário que o saibamos. Pois que diferença faz quando tivermos realizado uma boa obra, ou a tivermos completado a tal ponto que o Senhor a aceite, e esteja disposto a que passemos além do véu, e talvez dê seu consentimento, quer partamos por uma bala, quer por violência às mãos de nossos inimigos, quer seja por uma doença prolongada? Na maioria dos casos, a primeira seria preferível, no que diz respeito a nós pessoalmente, pois nela a dor e o sofrimento seriam leves, embora fosse calculada a chocar as sensibilidades dos amigos vivos, que se enlutariam por nós. ¶
Ao filosofar sobre estas coisas, dificilmente tenho um tremor, pensamento ou cuidado em relação à morte que possa sofrer, ou quando ela virá, ou como virá. Não importa quando, ou onde, ou sob que circunstâncias possa ser, meu sentimento é como sempre foi--tudo ficará bem. Não penso ou me preocupo mais com este assunto do que a criança de colo se preocupa com a preparação de seu alimento. O Senhor cuida de nós e de tais assuntos, e os ordenará em seu tempo e estação. ¶
Mas há um princípio envolvido. Quando um homem enfrenta seus inimigos, quando os ímpios conspiram contra os justos, ameaçando morte e destruição se ele não se tornar desertor e negar nosso Deus e obedecer às ordens deles; tudo isto se destina a testar a fé do povo, e pô-lo à prova, quanto a se tem mais confiança em Deus e em suas promessas do que em sua majestade satânica e na hoste de seus servos sobre a terra, que, em muitos casos, oferecem o que não têm poder de dar. Fazem-me lembrar o diabo quando levou o Salvador a um alto monte e lhe mostrou todas as riquezas da terra, prometendo dar-lhe tudo o que pudesse ver, se apenas se prostrasse e o adorasse. O Salvador respondeu: "Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás." Não o vilipendiou, dizendo ao pobre diabo que nada possuía, que não tinha o poder de dar o que se propunha a dar; mas apenas citou a Escritura referida, que era aplicável e adequada à ocasião. E eu, por mim, proponho-me a obedecer ao mandamento; e isto é tudo o que precisamos dizer a nossos inimigos, quando nos colocam em circunstâncias semelhantes. Podem dizer: "sois um povo muito grande à vossa maneira; sois um povo muito econômico e frugal à vossa maneira, e sois predispostos a ser pacíficos. Redimistes o deserto da esterilidade, e construístes belos lares, e fizestes estradas, ferrovias e linhas telegráficas, e possuís todos os elementos e vantagens naturais calculados para fazer de um povo próspero e feliz, e de uma nação grande; e há muitas coisas boas a elogiar em vós. Mas, então, tendes um mal existente e encorajado entre vós, que deploramos, e que desejamos e estamos determinados a erradicar. Ora, se renunciardes a isso e o lançardes fora de vós, dar-vos-emos a destra da comunhão, e seremos amigos, e toda a plenitude da terra é vossa; e receberemos vosso delegado, vossos representantes e vossos senadores no Congresso, e lhes daremos um assento ao nosso lado, e até chamaremos de volta nossos cães de guerra, e retiraremos nosso governador, e juízes e marechais e advogados que enviamos para vos assediar, e também os cãezinhos vira-latas que os seguem, latindo em vossos calcanhares; nós os chamaremos de volta, e vos deixaremos possuir a terra em paz, se apenas negardes vossos princípios e deixardes de lado aqueles que declaramos maus, e vos prostrardes e adorardes a Deus como nós o fazemos." Se seremos fiéis em todas estas coisas; se temos a mesma confiança em Deus, o Deus a quem servimos, que nos conduziu por toda a nossa vida e nos foi fiel em todas as condições e circunstâncias, e nas promessas feitas a nós até o presente; se ainda confiaremos nele, e enfrentaremos a boca do canhão, se necessário, ou enfrentaremos a morte em qualquer forma que possa vir, ou a prisão, se essa forma de tratamento for preferida, ou qualquer coisa que tenham poder de nos infligir, antes de negar nosso Deus. "Até onde irão eles?" pergunta um. Respondo: exatamente até onde nosso Pai lhes permitir, e não mais. Ele estabeleceu limites às ondas do oceano, e também estabeleceu limites à ira dos ímpios. Ele controla os elementos que guerreiam nos céus--a temível tempestade de trovões--que escurece o firmamento e que sacode a terra com seu rugido, os vívidos relâmpagos que acrescentam terror à cena, as ondas tumultuosas que saltam e se lançam na fúria do vendaval, e o terremoto que arrota suas chamas lívidas, que fazem os homens tremer ao olhar. Mas ele fala, e tudo se aquieta; os trovões silenciam, as nuvens se dispersam, os relâmpagos cessam, e o rugido do terremoto não mais se ouve; tudo é paz e quietude. Assim é com a ira do homem e das nações, que se pode ouvir rugindo no meio dos ímpios, sob o controle do príncipe e potestade do ar, que opera e controla no meio de reis e governantes discordantes, que se alinham uns contra os outros. As nações se atracam, e a guerra é proclamada; as energias da guerra se dispõem em fileira, e a miséria e a morte caminham em seu rastro. E, novamente, por algum meio ligeiro, o Senhor muda o destino das nações, e vira a sorte da guerra, e muda a maré dos acontecimentos, e todos os cálculos humanos falham. Ele faz com que algum anjo seu ponha algum obstáculo no caminho da marcha de algum general e de seu exército, de modo que ele chega, talvez, ao campo de batalha cinco minutos tarde demais; ele faz com que a roda de uma carruagem se solte, ou que algum pequeno acidente aconteça a uma máquina de destruição, e os melhores cálculos do oficial mais astuto e do rei mais orgulhoso falham, e suas obras se tornam nulas. Ele levanta e derruba homens e nações a seu bel-prazer. Ele fez isto no caso do primeiro grande e orgulhoso monarca do mundo--o Rei da Babilônia, que exerceu cetro universal sobre a terra. Era um monarca de mente forte, e vontade forte, e altivo; mas Deus lhe ensinou, por uma experiência extraordinária e humilhante, a saber que o Senhor, o Deus Altíssimo, reina nos céus e também controla os assuntos dos homens como lhe apraz. E fez Deus com que sua amarga experiência fosse escrita como advertência para reis e governantes e os grandes da terra; e são lições de advertência igualmente apropriadas para toda alma humana. ¶
Ocupei mais tempo do que pretendia ou pensei que poderia. Oro a Deus para que nos abençoe em todos os nossos labores, para que a união, a paz e o amor permaneçam em vosso meio e em vossas habitações, e que a prosperidade vos acompanhe em vossos negócios, que as dificuldades que vos afligem e impedem vosso progresso sejam removidas, e as nuvens escuras que hoje parecem pairar sobre vossas cabeças sejam dispersas, e o calor ameno dos raios do sol seja novamente sentido entre vós, para que os corações dos Santos se animem, e aqueles que sentem o peso e a responsabilidade de levar adiante a obra que tão nobremente empreendestes sejam encorajados e aliviados de quaisquer apreensões que possam ter sentido em consequência dos infortúnios e perdas que recentemente sofrestes, o que Deus conceda, em nome de Jesus. Amém. ¶