Progresso da Obra de Deus—Introdução de Males pelo Mundo—Medidas Inimigas Inconstitucionais—O Casamento Plural Não É Crime—Intolerância Denunciada
Orson Pratt
Pela bênção de nosso Pai Celestial, temo-nos permitido, uma vez mais, sob circunstâncias de paz, reunir-nos aqui neste grande tabernáculo, na condição de uma Conferência semestral, no 50º ano da história desta Igreja. Mais alguns meses, e esta Igreja terá visto a história de cinquenta anos. Grande e maravilhoso tem sido o progresso da Igreja durante este período de tempo; muito além de tudo o que poderíamos ter calculado, olhando para o assunto naturalmente, como homens naturais. Mas, contemplando o assunto espiritualmente, poderíamos ter esperado ver o que agora contemplamos--um grande povo reunido de muitas nações, ocupando a porção central desta grande ala norte do hemisfério ocidental. Nós, como povo, fizemos, durante o primeiro meio século, ou quase, de nossa existência, um progresso grande e rápido, muito além do de algumas das dispensações anteriores que foram introduzidas em nosso mundo. É motivo de espanto para mim que tantas pessoas tenham recebido a mensagem divina que Deus comunicou à família humana em nossos dias, quando consideramos que a geração, ou o povo, que deveria viver pouco antes da vinda do Filho do Homem em sua glória, foi descrita como um povo tal como existiu nos dias de Noé. Recordar-se-á que a mensagem daquele bom homem não recebeu muita atenção em seus dias; mas muito poucos, de fato, creram em sua mensagem. Tenho pensado muitas vezes como deve ter sido desanimador para aquele bom e velho profeta profetizar a essa geração--predizer o grande julgamento que lhes haveria de acontecer, apontar o único meio de segurança para os que desejassem escapar, laborando diligentemente por tantos anos, e então achar apenas sete indivíduos, além de si mesmo, justos o bastante para receber a mensagem. Quão desanimador! Se esta mensagem tivesse sido tratada com a mesma indiferença, podemos facilmente imaginar quão desanimador teria sido para Joseph Smith, como profeta e revelador, laborar por talvez cem anos e conseguir apenas sete conversos. Quanto ao número, então, os que obedeceram à mensagem do evangelho em nossos dias tornaram-se muito numerosos, comparados com os que receberam a mensagem nos dias do dilúvio. Não apenas uma família de pessoas, mas centenas de milhares foram reunidos nesta Igreja dos últimos dias. A divindade de uma mensagem não depende, contudo, do número dos que a recebem. O número nada tem a ver com o assunto. O Senhor nosso Deus enviou seus servos nesta grande dispensação; enviou-os primeiro diretamente à nossa própria nação; eles, como povo, a rejeitaram. Indivíduos, contudo, em todos os Estados, viram por bem receber a advertência divina, e em sua maioria se reuniram a estas montanhas, e estão localizados entre estas colinas eternas. Quem foram os que primeiro redimiram este deserto? Eram um povo misto, os que pertenciam aos Santos dos Últimos Dias e os que a eles não estavam ligados? Não; foi o esforço unido de um povo pobre e aflito, que já havia sido expulso de suas casas cinco vezes enquanto habitava nos Estados. Vieram para cá quase de mãos vazias, no que dizia respeito a bens. Vieram para um país indesejável; vieram para um lugar marcado em nossos mapas como "o Grande Deserto Americano"; um país que mal havia sido penetrado por homens brancos. Começamos de novo neste país, e foi pelo labor de nossas mãos, sendo fortalecidos pelo Todo-Poderoso, que abrimos estes cânions escarpados, e penetramos nestas montanhas, e obtivemos madeira para construir nossas casas e cercar nossos campos; foi pelos labores unidos dos Santos dos Últimos Dias que construímos valas e canais de água para o fim de irrigar a terra, em vez de depender das chuvas do céu, e assim começamos um novo sistema de agricultura, ao menos no que dizia respeito à nossa experiência. Foi pelo labor dos Santos dos Últimos Dias apenas, e não pelo labor e capital de gentios. Estas belas árvores de sombra ornamentais foram plantadas em frente às nossas casas, para embelezar e adornar as ruas, pelo labor das mãos dos Santos dos Últimos Dias, e não pela ajuda de gentios. Foram os Santos que estabeleceram estes belos pomares que se veem, não apenas nesta grande cidade, que bem poderia ser chamada uma cidade de pomares, mas em quase todas as outras grandes vilas e cidades por todo este grande deserto. Foi pelo labor de nossas próprias mãos que escolas foram erguidas em todos os países e povoados de nosso Território; tudo isso também, num estágio inicial de nossos povoamentos aqui, sendo a educação de nossa juventude um dos passos mais proeminentes e importantes calculados para beneficiar o povo. Foi pelo labor de nossas próprias mãos que academias e prédios para escolas superiores foram estabelecidos em várias partes do Território, assim como nossas escolas comuns. Foi pelo labor de nossas próprias mãos que capelas e casas de reunião foram localizadas em todos os nossos povoados por toda esta região montanhosa. Foi pelo labor de nossas próprias mãos que o deserto foi feito florescer como a rosa. ¶
Pouco a pouco, depois de termos cumprido e quase realizado esta obra, tendo formado numerosos povoamentos e construído numerosas moradias, e plantado numerosas árvores ornamentais e estabelecido extensas hortas, e começado a produzir grãos, frutas e legumes em grande abundância; depois de termos feito todas estas coisas, abrindo bem o Território, aquela população de fora começou a chegar em massa. Quem foi, então, que abriu o país para que nossos amigos gentios pudessem entrar nele, e que fez a prosperidade prevalecer em nosso meio? Foram os Santos dos Últimos Dias. Quem foi que tornou viável o nivelamento da Estrada de Ferro Union Pacific por estas montanhas escarpadas--a obra mais difícil de toda a sua construção? Foram os braços fortes dos Santos dos Últimos Dias, nossos rapazes das montanhas; continuaram a estrada por algumas centenas de milhas; túneis tiveram de ser escavados através de enormes montanhas, e lugares ásperos e íngremes foram aplainados, e o caminho preparado para que nossos vizinhos gentios pudessem vir entre nós, e tudo isso para que tivessem o privilégio de registrar que foram eles os grandes responsáveis por estabelecer estas facilidades, e que fizeram o deserto florescer como a rosa. ¶
Que, pergunto eu, fizeram nossos vizinhos gentios que vieram entre nós? Fizeram algumas coisas boas; introduziram algumas coisas muito más. Falo agora segundo meus próprios sentimentos individuais sobre este assunto. Antes de virem, não tínhamos tabernas nas várias vilas, povoados e cidades de nosso Território, para converter um povo sóbrio em bêbados inveterados. Não tínhamos tais instituições; mas assim que chegaram, este produto do que chamam civilização foi introduzido em nosso meio, onde quer que pudessem obter apoio. Isso é o que se pode dizer deste tipo de civilização que foi introduzido no meio deste povo. Que mais? Anos e anos se passaram antes que a população gentia começasse, em algum grau, a entrar em nosso Território, durante os quais a segurança acompanhava nossas habitações. Podíamos deixar nossas portas abertas à noite, no verão, para nos beneficiarmos das brisas da montanha; agora temos de trancar nossas portas, e aferrolhar as janelas. Por quê? Porque aquela coisa chamada civilização entrou em nosso meio, o que torna inseguro deixar nossas habitações assim abertas. Que mais? Antigamente podíamos lavar nossas roupas, como fazemos semanalmente, e pendurá-las nas cordas, deixando-as ali, se necessário, por um ou dois dias e noites, sem o menor perigo de serem levadas. Ousaríamos fazer isso agora? Poderíamos esperar segurança agora? Não. Por quê? Porque a civilização gentia entrou em nosso meio, aquilo mesmo que abandonamos quando deixamos as terras de onde emigramos. Ela nos alcançou; e estas são as coisas desagradáveis que os Santos dos Últimos Dias têm de enfrentar. ¶
Mas se tem dito, e até publicado, que não foram os Santos dos Últimos Dias que introduziram as bênçãos hoje desfrutadas pelos habitantes deste Território; que foi algum outro povo. Estou tentando retratar estas coisas exatamente como são. ¶
Que mais? Nossas ruas se enchem, não apenas de bêbados, pela introdução destes salões de bebida em quase todas as partes de nosso Território, mas vemos brigas, blasfêmia, ameaças à vida, etc., em todos os lugares do Território, onde quer que esta "civilização" externa tenha aparecido. Pode haver algumas poucas exceções entre os elementos gentios. Não desejamos pronunciar que todos os de fora que se estabeleceram entre nós sejam deste caráter, mas falamos destas coisas em termos gerais. Há homens e mulheres bons que não estavam entre os primeiros povoadores deste país, que vieram para cá depois que o caminho foi aberto, e depois que a prosperidade prevaleceu sobre este deserto; não falamos contra eles, mas contra aquela classe que introduziu estes males em nosso meio. Poderíamos falar de outras coisas, tais como casas de má fama--algo que não se conhecia em nosso país e algo que a juventude e a geração crescente cresceram até a idade adulta sem saber nada a respeito, senão quando porventura liam sobre isso ocasionalmente em algum dos jornais do Leste. Existem elas agora? Sim. Quem as trouxe aqui, e quem as sustenta depois de terem chegado? Tentai suprimir estas coisas pela lei, e todo esforço é feito para manter estes covis de corrupção na terra. Mandados de habeas corpus são emitidos para libertar estes maus personagens, e soltá-los sobre a comunidade. Esta é outra característica do que chamam "civilização." Poderíamos continuar e nomear a profanação do sábado, a mentira, a deturpação, a contenda, o roubo, e assim por diante, mas não temos tempo para deter-nos em todos estes assuntos. ¶
Viemos para cá como um povo religioso. Tínhamos um governo civil, e um governo religioso; tínhamos autoridade civil e autoridade eclesiástica, antes de os gentios chegarem aqui em grande número. Ambos estes princípios de governo existiam neste Território desde seu início. Os religiosos, neste Território, pareciam estar muito unidos, com pouquíssimas exceções. Todos cremos nas mesmas doutrinas. Mas, diz um, "não é isto uma oposição aos princípios de nosso governo, que todo o povo esteja unido?" Não conheço nada em nenhum dos princípios ordenados pelos pais revolucionários que exija divisão numa forma representativa de governo. Fizeram provisões, para o caso de haver divisão; mas jamais fundaram o governo com a determinação expressa de que deveria haver divisão, seja em sua religião, seja em sua política; não é um concomitante necessário à forma de nosso governo. Nosso governo e seus princípios poderiam ser sustentados sem violação alguma, se os quarenta milhões de pessoas fossem todos de uma só fé. Se todos fossem democratas, ou de qualquer outra fé política, ainda assim o governo não seria violado. Mas fizeram provisões, para o caso de haver divisões. Graças a Deus, que neste Território temos sustentado uma forma republicana de governo, sem estar sob a necessidade de impressionar no povo que deveria estar dividido. Não impressionamos coisa alguma dessas em suas mentes. Não faz parte do governo republicano ser dividido. Todos podeis votar do mesmo modo nas urnas; todos podeis crer na mesma religião, e ainda assim ser bons cidadãos dos Estados Unidos. Quê? Podem todos ser presbiterianos e ao mesmo tempo bons cidadãos americanos? Sim. Podem todos ser metodistas, e ainda assim ser bons cidadãos americanos? Sim. Podem todos pertencer a um único partido político, sem quem os oponha, e ainda assim ser bons cidadãos americanos? Sim. Por quê? Porque não há nada na Constituição de nosso governo que exija que a população creia em doutrinas diferentes, segundo suas noções e ideias religiosas--nada que exija que estejam politicamente divididos, em seus sentimentos. Mas eles estão divididos. O povo de todas as nações está dividido; e boas leis sadias, em sua maioria, foram estabelecidas pelo Congresso, e pelos vários Estados de nossa União, fazendo provisões para este estado dividido da sociedade, dando a toda pessoa o privilégio de crer como bem lhe pareça a respeito de suas ideias religiosas, e de pôr em prática seus sentimentos, praticando também sua religião, tanto quanto crendo; e que a maioria não deveria, por acaso ser a maioria, oprimir a minoria. Argumentos têm sido feitos por estadistas, juízes, e outros que professam grande inteligência, algo como isto: que os Santos dos Últimos Dias são um povo de apenas uns 150.000; enquanto os Estados Unidos são um povo que conta quarenta ou quarenta e cinco milhões. Portanto, dizem eles, a grande maioria--os quarenta ou quarenta e cinco milhões de pessoas--deveriam, ou têm perfeito direito de oprimir-vos, Santos dos Últimos Dias, porque sois a minoria em vossas visões religiosas. Ora, não creio nesta ideia antirrepublicana, embora tenha sido publicada nesta cidade na semana passada, por uma pessoa de alta autoridade--um oficial federal de nosso Território. Suponde, por exemplo, que houvesse apenas dez homens religiosos, vivendo nos Estados Unidos, que cressem em certa doutrina, segundo os preceitos bíblicos, e todos os demais cressem em outra coisa, diferente daquela; teria esta grande maioria o direito de oprimir estes dez homens? Não têm tal direito. A Constituição de nosso país provisionou para que aquela minoria crê-se como escolhesse, contanto que não prejudicasse ninguém por sua crença, e contanto que não prejudicasse pessoa alguma ao praticar essa crença. Suponde que os presbiterianos insistissem, em sua capacidade eclesiástica, que a aspersão com água fosse o único modo de batismo a ser observado pelos membros de sua denominação; teriam eles o direito de fazer isto? Sim. Mas suponde que quarenta milhões de pessoas, que não fossem presbiterianas, denunciassem aquele sistema como criminoso, sob o fundamento de que não estava de acordo com as doutrinas da Bíblia, e que, consequentemente, seria uma prática criminosa blasfemar o nome da Trindade aspergindo algumas gotas de água e chamando aquilo de batismo; e suponde que conseguissem que o Congresso aprovasse uma lei contra a aspersão, por ser criminosa segundo suas ideias; e suponde que as pessoas que introduziram aquele modo de batismo fossem levadas por aquela lei a serem julgadas por ela, e fossem consideradas criminosas, segundo aquela lei do Congresso; e suponde que a Suprema Corte dos Estados Unidos confirmasse a decisão do tribunal inferior, neste assunto; deveriam tais pessoas ser condenadas como criminosas? Não. Diríeis que têm o direito de aspergir; eu diria o mesmo, por mais que eu discordasse, em minha própria mente, da prática presbiteriana; por mais que eu considerasse aquele ato abominável aos olhos do céu; por mais que eu o considerasse criminoso diante de Deus, ainda assim diria que tinham o direito constitucional de aspergir; assim é quanto a todas as outras divisões, no que diz respeito aos sentimentos religiosos. Onde quer que estas divisões de sentimentos políticos ou religiosos não prejudiquem o vizinho, não prejudiquem a sociedade, não prejudiquem as famílias, ou a nação em geral; uma lei aprovada por homens nada tem a ver com isso, por mais que os tribunais decidam o contrário. ¶
Estas são minhas opiniões, como indivíduo. Não pretendo apresentar estas coisas como vossas opiniões ou as opiniões do povo em geral, mas minhas próprias opiniões individuais sobre este assunto. ¶
Ora, quanto à pluralidade de esposas, por que é isso um crime? Apenas porque o Congresso aprovou uma lei tornando-o criminoso. Torna a Bíblia isso criminoso? Não. Torna o Livro de Mórmon isso criminoso? Não. Torna a Doutrina e Convênios isso criminoso? Não. Por que é criminoso? Há alguma lei de nossa natureza que o torna criminoso? Não. Há algumas coisas que são criminosas em si mesmas, e não podemos pensar nelas senão como tais, e como, por nossa própria consciência, sabemos que são criminosas. Por exemplo, roubar propriedade que pertence a nossos vizinhos. Isso consideramos criminoso. Não desejaríamos que nosso vizinho roubasse nossa propriedade. Da mesma forma, a violência feita a outra pessoa para roubar-lhe sua propriedade é algo criminoso em si mesmo. Tirar a vida, como os gentios que oferecem seus sacrifícios humanos, a viúva gentia queimada na pira, é criminoso. Por quê? Porque é algo que nossa natureza de imediato denuncia como criminoso, e é também denunciado como tal pelas leis do céu, pelas leis de Deus; mas não é assim quanto a muitas outras coisas. Por exemplo, um dia entre sete é separado como dia de descanso; e, sob a lei de Deus, em tempos antigos, era considerado criminoso recolher um feixe de gravetos naquele dia, com o fim de fazer fogo; e a pessoa que fosse encontrada fazendo isso era condenada à morte. Ora, se não houvesse lei alguma a respeito deste assunto, todo Israel não faria distinção alguma entre a santidade dos dias. Todos seriam iguais para eles. Por quê? Porque não havia nada em suas próprias mentes ou consciências que percebesse tal ato como criminoso. Mas quando veio a lei revelada de Deus, tornando-o criminoso, então o tornou-se. Assim é quanto a muitos destes princípios religiosos observados entre os gentios. São criminosos, e qualquer pessoa familiarizada com a lei de Deus é obrigada a pronunciá-los como tais. Mas então, condenaremos algo que a consciência não denuncia como criminoso, que a lei de Deus não denuncia como criminoso; faremos com que nosso Congresso aprove uma lei declarando-o criminoso, de modo que aqueles que quebrem essa lei se tornem criminosos? Não consigo ver isso. Sou tão obtuso em meu entendimento, e minha mente é tão embotada, que realmente não consigo ver sentido algum numa lei desse tipo, seja aprovada pelo Congresso, seja por um poder congressional de todas as nações combinadas; não faz diferença, no que diz respeito à minha mente. ¶
Li os discursos de membros do Congresso, nos quais fizeram o contraste da poligamia bíblica com alguma adoração gentia denunciada pela Bíblia. Por que não contrastar tudo o mais pertencente à religião do mesmo modo? Por que não aprovar uma lei proibindo aquele povo religioso chamado judeus de praticar a lei mosaica da circuncisão, infligindo multa e prisão se persistirem em seguir o costume bíblico? Simplesmente, porque não são odiados como o são os "mórmons." "Precisamos ter uma lei expressamente formulada para estes mórmons; precisamos aprovar uma lei que os pegue. Mas, para fazer o povo pensar que não somos injustos, tornaremos a lei geral por todos os Territórios." ¶
Creio nos grandes princípios estabelecidos na Constituição Americana; creio na liberdade religiosa, na crença religiosa, na prática religiosa. Creio em todo princípio garantido naquele documento. Pois bem, suponde então que me enviassem, como indivíduo, à prisão por causa de minha crença ou prática religiosa; isso alteraria minha crença? Não. Mudariam, digamos, cinco anos na penitenciária minha crença? Não. Se me infligissem toda a pena da lei em todos os aspectos, o quanto conseguiriam converter-me a crer que minha crença e prática eram um crime aos olhos de Deus? Nem um pouco, quarenta e cinco milhões de pessoas ao contrário não obstante. Por quê? Porque, embora eu esteja na minoria, sou protegido pela Constituição tanto quanto se estivesse na maioria; sou cidadão americano, e tenho os direitos de um americano tanto quanto se pertencesse à maioria. Pois bem, então, que dizeis, renunciarei eu a minha religião, por causa desta lei? Não. Aconselharei eu os Santos dos Últimos Dias (um povo independente, para fazer como lhes aprouver no que diz respeito às suas visões religiosas) a renunciar a qualquer parte de suas doutrinas porque o Congresso a denunciou? Não. Não posso fazer tal coisa. Se desejarem renunciá-las ou abandoná-las, estão livres para fazê-lo, e serão responsáveis perante Deus, e serão desassociados da Igreja, por causa de sua incredulidade. "Ó," diz um, "desassociaríeis vossos membros e assim pesaríeis sobre eles?" Certamente que sim. Não temos nós o direito de fazê-lo? Que denominação há, nestes Estados Unidos, que não tenha o direito de desassociar seus membros por qualquer coisa que lhe aprouver, se procederem segundo seu próprio credo e documentos? Não conheço denominação alguma que não goze deste direito. Não reclamo mais para mim mesmo, nem para meus irmãos, a respeito destes assuntos, do que eles reclamam para si mesmos, nem mais do que a Constituição garante a todos. ¶
Temos, portanto, o direito de dizer que, se um homem denunciar qualquer parte ou porção de sua religião, o desassociaremos; ou que, se uma mulher fizer o mesmo, trataremos com ela do mesmo modo. E temos o direito de desassociar membros de nossa Igreja, por qualquer transgressão das leis de Deus. E isto nada tem a ver com os grandes princípios de certo e errado estabelecidos por nosso governo americano. Mas deixarei este assunto. ¶
Reunimo-nos aqui em nossa conferência semestral, para quê? Para tomar em consideração qualquer assunto que possa ser para o proveito e bem-estar de todos. Este é um objetivo. Dar conselho e orientação ao povo de Deus, que possa estar ao alcance de nossas vozes. Obter a sanção e voz unidas, com as mãos erguidas ao Deus Altíssimo, no envio de missionários às várias nações da terra. Para quê? Para convertê-las ao evangelho eterno. ¶
Fomos informados, por uma carta circular, publicada oficialmente e enviada a várias nações, que, porque o povo crê nas doutrinas dos Santos dos Últimos Dias na Alemanha, na Escandinávia, na Grã-Bretanha, etc., os Estados Unidos estão muito ansiosos por conseguir que todos estes governos se unam contra quê? Para impedir que o povo religioso que crê nestas doutrinas emigre de suas próprias terras para a terra da América. Responderão estes governos? Ajudarão eles o grande governo dos Estados Unidos a perseguir um povo religioso, tentando impedi-lo de emigrar de um país a outro? Não sei se o farão; é muito duvidoso, em minha mente, que voltem às antigas eras escuras da perseguição, e se unam como Herodes e Pilatos se uniram, para impedir que um povo religioso emigre para outras nações. Seria difícil, sob a aparência de coerência, impedi-lo. Como saberão se os emigrantes são presbiterianos, batistas, metodistas ou Santos dos Últimos Dias, quando embarcam nos portos europeus para vir a este grande continente da América? Ou como saberão a que religião pertencem? Terão eles seus embaixadores, seus cônsules, e grandes homens, nomeados de propósito, pagando-lhes grandes salários, e instruindo-os a estarem em cada porto, e também a fazer todo homem jurar, ao embarcar num navio, que não é um Santo dos Últimos Dias? ¶
Ora, não creio que cheguem tão longe; e se não o fizerem, quão fácil seria para os emigrantes nada dizerem sobre seus sentimentos religiosos, enquanto navegam pelo grande oceano. Ou não poderíamos guardar nossa paz por tanto tempo? Seria difícil para os Santos dos Últimos Dias encerrar o fogo da verdade em seus corações, de modo que ninguém soubesse que são Santos dos Últimos Dias por dez longos dias? Suponho que essa seria a parte difícil do empreendimento. Sentimo-nos tão a regozijar no evangelho, no grande plano de salvação, que dificilmente podemos guardar nossa paz por dez dias; embora, se fosse realmente necessário, penso que alguns de nós conseguiríamos fazê-lo. ¶
Pois bem, suponde que desembarcássemos em segurança, e guardássemos nossa paz, e tomássemos os vagões do trem para Chicago, digamos, de quem é o assunto? E suponde que então decidíssemos tomar os vagões para Omaha, de quem é o assunto? E em Omaha, suponde que nos viesse à mente ir mais para o Oeste, e então comprássemos uma passagem para Ogden, não temos nós o direito de fazê-lo? Empregará nosso governo batedores e espiões para descobrir as opiniões religiosas de cada homem que passa pelas várias ferrovias? Inclino-me a pensar que não; não creio que tenham chegado a esse ponto ainda. ¶
Mas agora, quanto à justiça destes assuntos. Suponde que preguemos o que o mundo chama de "mormonismo," desde o momento em que embarcamos até o momento de nosso desembarque, porque cremos no Senhor Jesus Cristo, porque cremos em arrepender-nos de nossos pecados, e porque cremos no batismo por imersão para a remissão dos pecados, e porque cremos na ordem plural de casamento, tal como ensinada na Bíblia, têm eles o direito de fechar o portão contra nós? Quando digo direito, refiro-me a um direito constitucional. Não está este país aberto a todas as nações? Não é chamado, por todo povo, "o asilo dos oprimidos de todas as nações"? Ainda não aprovaram uma lei proibindo o chinês de emigrar para este país. Terão os Santos dos Últimos Dias descido tão abaixo do paganismo, que precisemos ter o portão fechado sobre nós, enquanto pagãos, às dezenas de milhares, chegam em enxame à nossa terra? Não creio, não posso crer que o bom senso do povo americano possa tolerar tal perseguição. Amém. ¶