Os Justos Sofrem Perseguição—Falsos Mestres São Populares—Os Santos Não Devem Retaliar Contra Seus Inimigos—Os Santos Terão Poder para Erradicar o Mal—Revolução Iminente na Terra
George Q. Cannon
Fui lembrado, ao ouvir as observações do Irmão Rudger Clawson, das palavras do Salvador, registradas no capítulo 6 do Evangelho segundo São Lucas, versículos 22 e 23— ¶
"Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, e quando vos excluírem, e injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do Homem. ¶
"Regozijai-vos naquele dia, exultai; porque, eis que é grande o vosso galardão no céu, porque assim faziam os seus pais aos profetas." ¶
É frequentemente observado a respeito dos Santos dos Últimos Dias que, havendo tantas histórias contadas a seu respeito, deve haver alguma verdade em algumas delas; em outras palavras, para usar o dito familiar, "Onde há tanta fumaça, deve haver algum fogo." Mas é digno de nota que, desde o princípio, segundo a história que nos chegou do trato de Deus com os filhos dos homens, todo homem e todo povo que professou ter conhecimento de Deus, e que realmente tinha esse conhecimento, ou parte dele, e que foi levantado por ele, ou chamado por ele, teve de sofrer perseguição. Estêvão, o mártir, ao ser apedrejado em Jerusalém, disse aos judeus: "A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo"—quase não houve profeta que já tenha vivido entre eles que não tenha sofrido perseguição. Até o próprio Moisés, o grande legislador, o grande libertador da nação hebraica, que os havia conduzido pela manifestação de um grande poder, chegou várias vezes durante sua carreira muito perto de ser apedrejado até a morte, ou morto pelo povo. É uma evidência, uma evidência infalível, de verdade, ter a perseguição a acompanhá-la. Não é que todo aquele que é injuriado e perseguido possua a verdade. Isto nem sempre se segue. Mas jamais houve profeta de quem tenhamos algum relato, levantado no meio dos filhos dos homens para lhes proclamar verdades divinas, que não tenha recebido, em sua vida e experiência, estas mesmas coisas de que falou Jesus. Foram odiados, foram separados da companhia de seus semelhantes, foram injuriados, seus nomes foram rejeitados como maus, foram vilipendiados, suas vidas foram procuradas; e isto foi especialmente o caso com o próprio Filho de Deus—um ser que falou como nunca homem algum falou, cuja vida foi exemplo de pureza, que era sem pecado, cujas doutrinas eram santas e puras, que realizou grandiosos milagres entre os filhos dos homens, cuja obra e labores foram acompanhados de grande poder; e, não obstante estas evidências de divindade que o acompanhavam, a geração em que viveu, e por quem foi cercado, não se satisfez até tê-lo morto. Também está registrado que cada um dos Doze Apóstolos, exceto João, morreu de morte violenta. Há razões para isto, que são tornadas claras nas Escrituras. Há dois poderes; há Deus e há Belial; ou, em outras palavras, há o Espírito de Deus e há o espírito de Satanás. Estes dois poderes, ou forças, existem desde que o homem foi expulso do jardim do Éden. Satanás se opôs a Deus. Ele contendeu contra a bondade e a pureza. Cada uma destas influências tem operado sobre os corações dos filhos dos homens. Quando o adversário conseguiu subjugar a verdade, matar os servos de Deus, derramar o sangue da inocência, e realizar a extirpação do poder e da autoridade que Deus havia conferido ao homem, então tem havido uma trégua, tem havido uma cessação daquela violência que acompanhou a proclamação da verdade. A extirpação daqueles que tinham autoridade para proclamá-la deixou o campo livre ao adversário. Então ele agiu a seu próprio modo. Uma das maiores evidências da má condição de coisas hoje existente na cristandade é a popularidade que acompanha o que se chama a pregação do evangelho do Senhor Jesus Cristo. Sempre que um pregador é popular no meio de uma geração iníqua, ou um homem é popular ao professar ser ministro da verdade, podeis dar como certo que esse homem não prega a verdade tal como existe em Cristo. Não há disputar isto, se este livro (a Bíblia) for verdadeiro; se há confiança alguma a depositar na palavra de Deus. Tão certo quanto há um Deus, e tão certo quanto há um diabo, o homem que prega a verdade a uma geração iníqua provocará o ódio de que li em vossa presença. Isto é tão verdadeiro quanto Deus vive e há mal a combater, ou quanto Satanás tem poder sobre os corações dos filhos dos homens. Satanás sabe muito bem que seu tempo é curto. Sabe muito bem que, se a verdade for proclamada, crida e praticada pela humanidade, seu reino será derrubado, que seu poder logo cessará. Por isso é que, em toda era e a todo tempo, ele tem incitado os filhos dos homens a se enfurecerem contra a verdade. ¶
Se os Santos dos Últimos Dias pregam a verdade ou não, cabe àqueles que os ouvem e examinam suas doutrinas decidir; mas há este fato notável ligado à pregação desta verdade, tal como transmitida neste sistema que chamamos o evangelho do Senhor Jesus Cristo, que onde quer que tenha sido pregado, provocou ódio, despertou animosidade, acendeu os fogos da perseguição, fez o sangue correr, motins foram provocados, casas foram queimadas, campos foram destruídos, grãos foram queimados, gado foi abatido a tiros, homens e mulheres foram expulsos de seus lares nas profundezas do inverno, o sangue da inocência correu, e tudo porque homens e mulheres escolheram crer num sistema de religião diferente daquele popularmente aceito. E há este fato notável ligado à perseguição do povo chamado Santos dos Últimos Dias—e é a mesma característica que acompanhou a pregação do evangelho do Filho de Deus por ele mesmo e por seus apóstolos—os principais perseguidores, e aqueles que provocaram discórdia nos corações do povo, têm sido pregadores populares—têm sido, eles mesmos, em muitos casos, os professos ministros de Jesus Cristo. Foram os sumos sacerdotes, foram os fariseus, foi o povo religioso, nos dias do Salvador, que foram seus principais perseguidores, e sinto dizer que as principais perseguições que, como povo, temos tido de suportar, tiveram sua origem na mesma classe. Ora, sou informado de que um ou dois, senão mais, daqueles homens que formaram o bando que atirou no Élder Joseph Standing, eram pregadores itinerantes; pregadores que professavam grande zelo pela santa religião e pela pura moralidade. Estavam tão cheios de zelo que não puderam permitir que dois jovens viajassem por sua região e pregassem a partir da Bíblia, sem os atacar em bando! ¶
Como Santos dos Últimos Dias, isso deveria fazer-nos regozijar. Não deveríamos ficar irados, não deveríamos entregar-nos ao espírito de vingança. Tal espírito é estranho ao evangelho. É nosso dever suportar todas as coisas com paciência, sem queixas, e com longanimidade, depositando nossa confiança em Deus, apoiando-nos em seu braço, aguardando a libertação que ele haverá de trazer em seu próprio tempo e estação. Se sou perseguido e me volto contra meus perseguidores no espírito que eles manifestam, exibo eu um espírito que trará sobre mim a bênção de Deus? Certamente não; eu não seria melhor do que meus perseguidores. Se um homem me golpear numa face e eu me voltar e o golpear novamente, retaliar, dar-lhe golpe por golpe, manifesto eu, ao fazê-lo, ter recebido algum espírito melhor do que o do homem que me golpeou? Penso que não. É muito natural, eu sei, quando somos injuriados, voltar-nos e injuriar novamente; quando somos golpeados, voltar-nos e golpear novamente; quando somos maltratados, voltar-nos e maltratar novamente. Este é o impulso natural do coração humano; este é o sentimento natural de todo homem de espírito—não se submeter à indignidade, mas ressenti-la instantaneamente. Nossos códigos são todos formados sobre isto. O treinamento que tivemos desde a infância, na sociedade do mundo, tem sido de que o homem que se submete quieta e tranquilamente a um ultraje é indigno do nome de homem; que o homem que se submete a ser chamado de mentiroso, ou a repreensões, ou a maus-tratos tranquilamente, é indigno do nome de homem. Ora, isto certamente não é o ensinamento do Salvador; todos os seus ensinamentos são o contrário disto. Seu povo há de ser um povo manso. Seu povo há de ser pacificador. Seu povo há de deixar os resultados a seu cargo; submeter-se a estas coisas tranquilamente, sem queixas, isto é, no que diz respeito às manifestações exteriores; orar a ele, deixar isso a seu cargo. Ele deu a seu povo uma lei a este respeito. Se nossos inimigos nos atacarem, a nós ou a nossas famílias, uma vez, devemos suportá-lo com paciência e não injuriar, nem buscar vingança, e seremos recompensados. Se nossos inimigos nos atacarem pela segunda e terceira vez, devemos suportá-lo com paciência, como na ocasião anterior, e grandes recompensas são prometidas. Se vierem pela quarta vez, então a lei, em dias antigos, e como o Senhor no-la revelou, é que estarão em nossas mãos para fazermos deles o que nos aprouver; mas se então os pouparmos, seremos recompensados por nossa retidão. Falo destas coisas porque sei quão doloroso é submeter-se a ultrajes como os que têm sido lançados sobre nós. Há muitos deles cometidos que são quase insuportáveis, os homens sentem que não conseguem submeter-se a eles; mas, tal como o entendo, é muito melhor para nós submetermo-nos a estas coisas com paciência, e sem retaliar, e deixar que o Senhor trate com elas, do que entregarmo-nos ao outro espírito e ao outro sentimento. ¶
Há uma grande ansiedade na mente de muitos dos Santos dos Últimos Dias a respeito do futuro. "Por quanto tempo devemos submeter-nos a tais males, como muitas vezes temos de suportar?" é uma pergunta que surge muito frequentemente na mente do povo. Estamos nestas montanhas há quase trinta e três anos—trinta e dois anos no último julho. Tínhamos, em certos aspectos, mais liberdade nos primeiros anos aqui do que temos hoje, não obstante nosso crescimento, não obstante o número do povo ter aumentado tão grandemente, não obstante os labores que têm sido realizados; e há uma ansiedade natural na mente de muitas pessoas quanto a por quanto tempo estas coisas continuarão como estão, e alguns quase se desanimam. Houve um tempo em que, por todos estes vales, de uma extremidade a outra, a embriaguez era comparativamente desconhecida. Salões de bebida não eram permitidos, salões de jogo não eram licenciados, nem existiam; outros lugares que não preciso nomear não tinham lugar, nem existência, em nosso meio, e de uma extremidade do Território à outra havia uma condição de coisas que todos os que amavam a boa ordem e a paz admiravam. Frequentemente encontro cavalheiros que nos conheceram há poucos anos, que falam da mudança desfavorável que ocorreu em nossos assuntos. Os Santos dos Últimos Dias percebem muito bem quão grande tem sido esta mudança. Nossos filhos e filhas estão agora expostos a tentações das quais nada sabiam em anos anteriores. Tínhamos o poder, que exercíamos, de controlar estes assuntos, mas como expliquei aqui não há muito tempo, descobrimos agora que a carta desta cidade, que supúnhamos conceder às autoridades municipais todo o poder necessário para controlar, regular, e, se necessário, proibir as instituições e práticas às quais aludi, é limitada em seu poder para deter a venda de bebidas alcoólicas. Assim decidiu o judiciário. Petições monstruosas foram organizadas pelas mulheres desta cidade e apresentadas ao Conselho Municipal, pedindo a proibição dos salões de bebida; mas em vão. O Conselho Municipal é impotente na questão, por causa da decisão judicial. Naturalmente surge a pergunta: por quanto tempo continuarão estas coisas? Serão apagadas todas as esperanças a respeito do futuro deste país, a respeito do futuro de Israel? Seremos decepcionados, e se estabelecerá aqui uma condição de coisas que perpetuará todos os males existentes em outros lugares, dos quais fugimos? Se eu pensasse que seria este o caso, ficaria desanimado. Se eu pensasse, por um momento sequer, que não teríamos, no futuro, o poder que tivemos no passado para manter a retidão e um governo justo e boa ordem neste país, sentir-me-ia extremamente desanimado. Mas não espero uma perpetuação destes males. Espero que venha o dia em que este povo, se for fiel a si mesmo e aos princípios que abraçamos, terá poder para controlar os assuntos por todas estas montanhas. Faremos isso pela violência? De modo algum. Ultrapassando os limites da Constituição, ou dos direitos legais dos indivíduos? De modo algum. Não espero coisa alguma deste tipo; mas espero que venha o tempo em que este povo, por todas estas montanhas, terá o poder que deveria ter—o poder de eleger seus próprios oficiais, promulgar suas próprias leis e fazê-las cumprir; quando a maioria do povo terá o direito de dizer qual será a regra nesta terra, direito que nos tem sido negado até o presente. Por que nos é negado este direito? Em parte, por causa dos medos das pessoas que vivem em nosso meio—seus temores imaginários, ou seus temores fingidos. Há uma classe de pessoas nestes vales, particularmente nesta cidade e no campo ao redor, que estão usando toda influência em seu poder para impedir que os Santos dos Últimos Dias tenham o poder que os cidadãos dos Estados Unidos têm em outros lugares. Dizem que, se obtivermos este poder e esta autoridade, será impossível para eles viver aqui, que terão de deixar a terra; que haverá tal reinado de terror, ou tal condição de coisas, que ninguém poderá suportá-lo, exceto os mórmons, ou Santos dos Últimos Dias, eles mesmos; e, pela publicação de tais histórias, exagerando todas as coisas triviais que veem feitas, chamando atenção para o casamento plural, e dando uma falsa representação do poder exercido pelos líderes do povo, e pela circulação das mais infames falsidades, criam uma impressão no exterior desfavorável a nós e a nossos direitos. ¶
Na providência de Deus, reconheço todas estas coisas como propensas a realizar grande bem para nós. Eu mesmo sinto que é importante que, como povo, sejamos treinados; que aprendamos aquelas lições necessárias para nos capacitar a exercer o poder de modo moderado e correto quando o obtivermos; e tenho esperado que, submetendo-nos a estas coisas, suportando-as—como temos tido de fazer por muitos anos—se nos ensine uma lição que nem nós nem nossa posteridade jamais devamos esquecer; e que, quando chegar o tempo de exercermos nossos plenos direitos como cidadãos americanos, possamos ser capazes de administrar as leis e governar de tal modo que todos sejam protegidos, que todo homem de todo credo, de toda nação, e de todo povo, desfrute de seus direitos em nosso meio tão plenamente como se estivesse em plena fé com a maioria do povo. Não o direito de fazer o mal, não o direito de praticar a iniquidade, não o direito de pisotear seu vizinho, de invadir seus direitos, mas o direito de fazer o que lhe pareça bom a seus próprios olhos, desde que com isso não interfira nos direitos de outros; o direito de adorar a Deus como lhe aprouver, de invocá-lo em qualquer forma que lhe seja aceitável, ou aceitável à sua consciência, de crer em Deus, ou não crer nele se assim o escolher, desde que a crença, a prática e os direitos de seu vizinho não sejam interrompidos. Até que possamos alcançar esta condição, sustentar estas opiniões e pô-las em prática, não me surpreenderia se fôssemos mantidos em sujeição. ¶
Desejo dizer, para o encorajamento dos Santos dos Últimos Dias, porque às vezes pensei que havia um sentimento de desânimo se insinuando sobre algumas pessoas, que algumas estavam baixando as barreiras e cedendo às influências ao seu redor, e quase se rendendo em desespero, sentindo que tudo o que foi dito a respeito de nosso futuro é muito duvidoso ou improvável de se cumprir—desejo, pois, dizer, para o encorajamento do povo hoje, que virá o tempo, tão certo quanto Deus vive, em que tudo o que foi dito a nosso respeito se cumprirá. Há um grande destino reservado para este povo chamado Santos dos Últimos Dias. Não podem ser reprimidos. O Sr. Evarts pode emitir sua circular, pode enviar às nações da terra, e os portos dos Estados Unidos podem ser fechados à nossa imigração. A lei de 1862, contra o casamento plural, pode ser aplicada com rigor, e tudo pode ser feito pelos que estão determinados a deter o crescimento e desenvolvimento deste povo, e ainda assim há um poder ligado a eles que não pode ser detido, a menos que o próprio povo seja extirpado. Qualquer coisa menos que isso falhará, falhará totalmente, em conseguir deter esta obra. Um povo como este, com todas as suas falhas—e nossas falhas são numerosas—mas possuindo tais qualidades como as que se desenvolvem entre nós, deve subir à superfície e tornar-se um povo governante. Onde, na corrida da vida, tal como a vedes entre indivíduos particulares, falham as qualidades que caracterizam os Santos dos Últimos Dias em conquistar o sucesso? Temos temperança, frugalidade, união, verdadeiro amor, honestidade, laboriosidade e castidade. "Não," diz um, "castidade não." Sim, castidade! Pois entre nenhum outro povo neste continente a castidade é respeitada como entre os Santos dos Últimos Dias. Onde encontrareis estas qualidades falharem em ser bem-sucedidas? Elas são sempre bem-sucedidas na vida privada. Se quiserdes que um homem seja bem-sucedido, se quiserdes que vosso filho seja bem-sucedido, dizei-lhe: "meu filho, sê verdadeiro, sê honesto, sê diligente, sê frugal, sê casto, evita a embriaguez, evita a sociedade iníqua, evita tomar o nome de Deus em vão, governa tua fala, sê temperante em todas as coisas, e serás bem-sucedido." Que pai que ama seus filhos não lhes grava a importância destas qualidades? E estas são as qualidades que dominam entre os Santos dos Últimos Dias. ¶
Tive ocasião de ir a um cavalheiro aqui, dentro de uma semana, para tratar de alguns negócios. Ele tem feito negócios aqui há alguns anos. Sem que eu o levasse a isso, ele me disse: "Nunca lidei com um povo tão honesto quanto os mórmons. Pagam suas contas, cumprem seus compromissos; podeis confiar neles. Qualquer dinheiro que já perdi, não o perdi por causa dos mórmons." Senti-me grato por este homem poder dizer isto a nosso respeito, e, contudo, não somos nem de perto tão honestos quanto deveríamos ser, mas há isto a dizer em nosso favor: estamos nos esforçando nesta direção, esforçando-nos por ser honestos, esforçando-nos por ser verdadeiros. Erguemos um padrão muito mais elevado do que aquele que atingimos. É um padrão elevado, mas há isto a dizer em favor do povo: se seu padrão é elevado, estão se esforçando para alcançá-lo. Se não o fazemos em tão grande medida quanto deveríamos, ainda assim pode-se dizer que nos esforçamos para ser verdadeiros, honestos e temperantes, e deploramos a intemperança, a profanidade, o litígio e a discórdia, a inimizade e os sentimentos ásperos. Digo que há esperança para um povo que tem um padrão deste tipo, especialmente quando têm em seu meio homens—como agradeço a Deus por termos—que não têm medo de dizer ao povo quando erra, de lhes dizer suas falhas na cara e dizer-lhes coisas desagradáveis. Há uma coisa a respeito dos homens dirigentes desta Igreja; eles não dependem do povo para seu sustento. Não lhes é necessário lisonjear os ouvidos com belos discursos e coisas agradáveis. Podem dizer coisas ásperas, verdades desagradáveis, porque são independentes; podem viver sem a ajuda do povo, pelo trabalho de suas próprias mãos, e não temem que algum de seus diáconos ou alguém da congregação faça objeção a seu modo de falar e lhes corte o salário. Ora, se tais verdades desagradáveis fossem ditas, como têm sido ditas aos Santos dos Últimos Dias, por ministros de diferentes denominações, quem pensais que os chamaria? Receberiam eles um chamado para algum outro lugar e seriam pagos com salário mais alto? Não, seu estilo seria demasiado desagradável para ser popular. Bem, tenho esperança para este povo enquanto isto for assim, e oro para que sempre tenhamos aqui homens que não temam dizer-vos e dizer-me nossas falhas, e nos advertir delas, e nos repreender, pois "melhor é a repreensão de um amigo do que o beijo de um inimigo." ¶
Não faltará muito tempo—e muitos de vós também o vereis—até que haja uma grande revolução na terra. Tão certo como o Senhor vive, virá o dia em que haverá consternação, não apenas em nações estrangeiras, mas em nossa própria nação. O povo desta República está de fato pisando sobre um vulcão, e não sabem quão logo os fogos poderão irromper, quão logo a estrutura governamental desta nação, a mais gloriosa sobre a qual o sol já brilhou, a melhor que o homem sem o sacerdócio já teve sobre a terra, haverá de desmoronar. E por quê? Pela corrupção do povo. O melhor governo se torna o pior governo quando o povo se torna corrupto, quando o suborno em altos cargos governa, quando os partidos políticos se rebaixam a comprar votos. O poder de um governo se enfraquece quando senadores, representantes e presidentes conseguem seus cargos pelo uso do dinheiro. Ai da nação em que isto acontece! Está condenada, e mais cedo ou mais tarde há de cair. Qual é a observação a respeito da eleição dos senadores dos Estados Unidos em muitos dos estados? É que um homem não pode obter aquele cargo a menos que seja rico. Que significa isso? Cada um pode tirar sua própria conclusão. Mas nem essa é a pior característica. Há desunião e animosidade, e os fogos do ódio seccional ardem ferozmente. Podem estar em brasa por vezes. Podem nem sempre aparecer à superfície. Mas deixai que a brisa sopre e os avive, e quão ferozmente arde a chama. ¶
Poder-se-ia perguntar que tem tudo isso a ver com o evangelho. O Senhor restaurou o evangelho eterno com o propósito expresso de levantar um povo puro nesta terra. Este continente americano é a mais escolhida terra sobre a face de toda a terra. Deus a manteve escondida até o século quinze, para que não fosse invadida pelo povo da Europa ou do resto do mundo. Ele a manteve escondida na escuridão e coberta de nuvens até que chegasse o tempo determinado em que pudesse realizar seu propósito e preparar o caminho para a República Americana, sob a qual seu reino pudesse ser estabelecido. Poderia ter sido estabelecido na Ásia, na Europa, ou na África? Não, era necessária a Declaração de Independência, redigida por homens inspirados por Deus; a Constituição dos Estados Unidos, redigida e adotada por homens que ele havia levantado; era necessário um povo que tivesse lutado por sua liberdade, religiosa e civil, e que, por sua bênção divina, tivesse conseguido obtê-la e estabelecer uma forma livre de governo. Era necessário um governo republicano como o que temos, para permitir que este povo chamado Santos dos Últimos Dias fosse organizado, crescesse, se multiplicasse e se tornasse um poder poderoso. Há algo incompatível com o verdadeiro republicanismo no crescimento de um povo assim organizado como são os Santos dos Últimos Dias? Deixai-me dizer que os homens e mulheres que vivem de acordo com o evangelho são o melhor povo do mundo. São os melhores membros da sociedade e vivem acima de toda lei terrena, isto é, da lei constitucional. Ora, discordo, sabeis, de algumas leis. Algumas leis são constitucionais, e algumas leis são inconstitucionais, mas um homem que crê no evangelho de Jesus Cristo e o pratica viverá tão acima de toda lei constitucional que jamais a violará. Pode ser culpado de erros, pode cair em equívoco, mas não haverá nada de culpável em sua conduta. ¶
Como povo de Deus, devemos ser mansos e humildes de coração. Devemos confessar nossos pecados uns aos outros, ajudar os pobres, vestir os nus e ministrar sustento aos que dele necessitam. Devemos cessar nossas maledicências, nossas contendas, nossas críticas, nossas más falas, o falso testemunho, e todas as outras práticas deste tipo, e viver como Santos dos Últimos Dias que são dignos do nome; então seremos os melhores cidadãos do país, os melhores cidadãos que se podem encontrar, cidadãos de quem o povo se orgulhará—isto é, todo bom e honesto povo—e a quem Deus abençoará. Estes são deveres que recaem sobre cada um de nós. Não deveríamos ser Santos apenas de nome, mas em ação e em verdade, esforçando-nos por fazer de nossas vidas um exemplo dos princípios que professamos, e então, se os homens nos vilipendiarem e rejeitarem nossos nomes como maus, podemos deixar nossa causa nas mãos de Deus. Podemos invocá-lo e pedir sua bênção, e então que diferença faz o que os iníquos pensem ou digam de nós? Nenhuma, absolutamente nenhuma. Não vivemos para a opinião dos iníquos; mas se vivermos como deveríamos, se vivermos para Deus e seguirmos um caminho reto, e então, se nossos inimigos nos difamarem, Deus será nosso amigo; ele nos livrará, e no fim tudo estará bem conosco. "Mas," diz um, "como sabeis que Deus é vosso amigo?" Orai a ele com fé e o descobrireis. O homem pode zombar e dizer que não há Deus, e dizer que tudo é embuste. Mas eu sei, por mim mesmo, que Deus vive. Sei que, quando oro a ele, ele ouve e responde minhas orações. Se oro a ele em segredo, e ele me recompensa e me dá os desejos de meu coração, supondo que todo o resto do mundo dissesse que Deus não vive, isso alteraria minha posição, ou diminuiria alguma das bênçãos de que desfruto? De modo algum. Isso não interfere nelas. É meu direito crer que há um Deus, e se outro homem escolhe crer que não há, então isso é assunto dele. Devo brigar com um homem porque penso que minha religião é melhor que a dele? De modo algum. Se minha religião é melhor que a dele, então eu o mostrarei em minha vida, e não descerei ao ridículo e à violência. Quando as pessoas pegam pistolas e usam violência, dão ao mundo a melhor prova de que sua religião não é de Deus. Mas é assim que temos sido tratados. Por crer no verdadeiro evangelho, temos de ser atacados em bando, temos de ter nossas casas queimadas, temos de ser expulsos de nossos lares, nossos filhos e nossos idosos têm de morrer à beira do caminho, nosso trajeto sendo marcado pelas sepulturas dos que caem, tudo porque temos uma religião que por acaso difere da religião de outros. É curioso que homens façam tais coisas em nome da religião! Ora, se tendes a verdadeira religião—como sei que deveríamos ter—mostrai ao mundo que vossa religião é o que se proclama ser—o evangelho de Jesus Cristo; mostrai ao mundo que é uma religião pura, melhor e mais elevada do que qualquer outra, e não apenas com nossos lábios, mas proclamai-a a todos, por nossas palavras e por nossos atos, e então virá o tempo em que receberá seu devido reconhecimento. Belial, ou Satanás, não há de reinar para sempre. Seu fim se aproxima, e está próximo o tempo em que a desordem e a iniquidade serão banidas da face da terra. ¶
Oro para que a bênção de Deus repouse sobre nós. Oro a Deus para que nos encha do Espírito Santo, para que inspire nossos corações com puros desejos, para que possamos servi-lo o melhor que pudermos, com nossa capacidade e conhecimento, o que Deus conceda em nome de Jesus. Amém. ¶