O Livro de Mórmon, Um Registro Autêntico
Orson Pratt
Se a congregação me der sua atenção, lerei uma parte da palavra de Deus, dada nestes últimos dias, datada de março de 1829—uma parte de revelação—por meio do Profeta, Vidente e Revelador Joseph Smith, em Harmony, Condado de Susquehanna, Pensilvânia, pouco mais de um ano antes do surgimento desta Igreja, começando com o versículo 10: ¶
"Esta geração, porém, receberá minha palavra por teu intermédio; E ao teu testemunho serão acrescentados os testemunhos de três de meus servos, que chamarei e ordenarei, a quem mostrarei essas coisas; e serão enviados com minhas palavras, dadas por teu intermédio. Sim, saberão com certeza que essas coisas são verdadeiras, porque dos céus lhas declararei. Dar-lhes-ei poder para verem e considerarem essas coisas como são; E a ninguém mais desta geração concederei este poder para receber esse mesmo testemunho neste momento em que minha igreja começa a surgir e a sair do deserto — brilhante como a lua e formosa como o sol e terrível como um exército com estandartes. E enviarei o depoimento de três testemunhas de minha palavra. E eis que visitarei com a manifestação de meu Espírito aqueles que crerem em minhas palavras e eles de mim nascerão, sim, da água e do Espírito — E tu deves esperar ainda um pouco mais, porque ainda não foste ordenado — E o testemunho delas também irá condenar esta geração, se contra elas endurecer o coração; Porque haverá um flagelo assolador entre os habitantes da Terra e continuará a derramar-se de tempos em tempos, se eles não se arrependerem, até que a Terra fique vazia e seus habitantes sejam consumidos e totalmente destruídos pelo resplendor da minha vinda. Eis que te digo estas coisas, assim como também falei ao povo acerca da destruição de Jerusalém; e minha palavra será confirmada agora, como tem sido confirmada até aqui." ¶
Amanhã se completarão cinquenta e dois anos desde que o Senhor permitiu que seu santo anjo descesse do céu e confiasse aos cuidados e à guarda de Joseph Smith, um rapaz, placas que tinham a aparência de ouro, cheias de gravações. Ele obteve estas placas no dia 22 de setembro do ano de 1827, tendo então pouco menos de vinte e dois anos de idade. Este rapaz não era instruído, como os que se educam em faculdades e instituições teológicas; de fato, era um rapaz de fazenda, desconhecedor dos argumentos, das doutrinas, dos credos e das instituições religiosas que existiam ao seu redor, exceto o que ouvira de tempos em tempos, na vizinhança onde seu pai residia; um rapaz não versado nas Escrituras mais do que a maioria dos jovens comuns daquela idade. E todos sabemos que há muito poucos, entre os agricultores, que têm a oportunidade de instruir suas mentes tão cedo—aos vinte e um anos de idade—a respeito das doutrinas e profecias contidas na Escritura. ¶
Alguns de vós talvez vos pergunteis por que o Senhor haveria de escolher um instrumento deste tipo; por que não escolheu uma pessoa mais qualificada pela educação, mais experiente nas doutrinas ensinadas entre a família humana, mais versada na Bíblia. Talvez penseis convosco mesmos que, se vos coubesse escolher o indivíduo para começar a obra de estabelecimento do reino de Deus sobre a terra nos últimos dias, e seguísseis a melhor sabedoria que tivésseis sobre o assunto, certamente escolheríeis uma pessoa bem treinada e versada nas diferentes doutrinas da época. Mas o Senhor não vê como o homem vê; seus pensamentos não são como nossos pensamentos, nem seus caminhos são como nossos caminhos. Por isso, escolheu um homem sem vínculo com nenhuma das sociedades religiosas da época—não instruído nas Escrituras e doutrinas das diferentes denominações religiosas—escolheu um homem de sua própria escolha, como frequentemente fez em eras passadas do mundo. ¶
Todos nos lembramos da escolha que o Senhor fez em relação a Davi, quando foi chamado para ser rei da Casa de Israel, e ungido para esse fim. Havia, penso, sete irmãos mais velhos que Davi—homens de boa aparência, homens de experiência—homens que provavelmente seus vizinhos, seus conhecidos, teriam escolhido, qualquer um deles, de preferência ao jovem que cuidava das ovelhas. Mas Samuel, sendo profeta do Senhor, quando esses certos irmãos vieram diante dele, disse: "O Senhor não o escolheu," e continuou a dizê-lo até que todos os sete tivessem passado, e então se perguntou: "Não há mais nenhum?" "Ora, sim, há um rapaz; mas ele está cuidando das ovelhas de seu pai." "Manda trazê-lo," disse o profeta Samuel. Ele foi trazido—era de boa aparência, mas era simplesmente um jovem, não emaranhado pelas tradições ao seu redor, mas ainda assim um rapaz de coração honesto. O Senhor o escolheu, o óleo da unção foi derramado sobre sua cabeça, e ele foi designado para ser o futuro rei de Israel. ¶
Ora, o Senhor não tinha nenhum profeta no ano de 1827, sobre toda a face da terra. Não existia nenhum Samuel, nenhuma pessoa que tivesse o espírito de profecia; consequentemente, o Senhor, em vez de enviar um Samuel, enviou um anjo para fazer a escolha. Este anjo confiou, como sempre disse, as placas do Livro de Mórmon, juntamente com o Urim e Tumim, às mãos deste jovem, e também lhe deu muitas instruções, informando-lhe que deveria ser muito rigoroso em guardar os mandamentos de Deus, e que deveria fazer com estas placas conforme fosse aconselhado de tempos em tempos, não as mostrando a todos os que porventura desejassem vê-las, mas lhe foi estritamente proibido, pelo anjo, mostrá-las a qualquer pessoa até que o Senhor lhe desse o mandamento de fazê-lo. Ele traduziu estas placas, sendo iletrado como era. E agora deixai-me perguntar: esperaríeis naturalmente que, se ele—este jovem iletrado—fizesse isso por sua própria sabedoria, concordaria com o registro judaico em todas as doutrinas ensinadas, ou ditas ensinadas, na tradução deste registro? Seria razoável esperar que este jovem iletrado e inexperiente pudesse sentar-se e, em um período muito curto de tempo, traduzir um livro dois terços tão longo quanto o Antigo Testamento, sem contradizer-se de algum modo? Seria razoável supor ou concluir que ele conseguisse fazer com que todas as doutrinas contidas naquele livro de quase 600 páginas concordassem, em todos os aspectos, com o antigo evangelho tal como foi ensinado no Novo Testamento, especialmente quando havia vários milhares de noções diferentes a respeito dessa doutrina? Não poderíamos esperar tal coisa. Quanto mais inexperiente é um homem, menos qualificado está para escrever, por sua própria sabedoria humana, e organizar corretamente uma história que se diz estender-se por mil anos ou pouco mais—uma história que começa com a colônia que veio de Jerusalém para este continente, até que os registros foram selados e escondidos na terra—uma história de mil anos de uma nação, de duas nações que se opunham entre si, de suas guerras e de suas viagens de um lado a outro sobre um grande continente como o nosso—naturalmente esperaríamos que um rapaz tão inexperiente, por sua própria sabedoria humana, deixasse aquele país terrivelmente confuso quanto a lugares, quanto à localização de cidades e à localização de países. Naturalmente esperaríamos, digo eu, que tal contradição ocorresse nos escritos de um jovem iletrado. ¶
Mas o que é ainda mais maravilhoso é a parte profética deste registro, chamado o Livro de Mórmon. Está repleto de profecias desde a abertura do registro até seu encerramento. Predições, não apenas a respeito de acontecimentos que se deram depois que esta colônia deixou Jerusalém, durante 600 anos antes de Cristo, predições que haveriam de cumprir-se até a vinda de Cristo em carne, mas predições que haveriam de cumprir-se depois da primeira vinda de Cristo até o fim dos tempos. O livro está repleto destas predições. Não esperaríeis naturalmente, portanto, pudésseis esperar outra coisa senão que um jovem inexperiente, sem instrução, não versado na história profética, se contradissesse em diferentes partes do registro; falasse de um acontecimento numa ocasião e, esquecendo-se, falasse de algo bem diferente noutra? Então, novamente, onde encontraríeis um jovem, desconhecedor do registro judaico, que pudesse fazer com que todas estas predições e profecias coincidissem com as antigas profecias dos judeus? Seria provável que ele pudesse fazê-lo por sua própria sabedoria? Penso que não. Todas estas coisas, portanto, no que diz respeito à história contida no Livro de Mórmon, no que diz respeito aos escritos proféticos contidos neste registro recente, no que diz respeito às partes doutrinárias daquele livro, é uma maravilha na era em que vivemos; é uma maravilha aos meus olhos; mas talvez meus olhos não sejam constituídos como os olhos de outros. Para mim, contudo, é uma das maiores maravilhas da era. Estou familiarizado com isto; e o li, talvez, mais cuidadosamente do que qualquer outro homem que já viveu nesta geração, e provavelmente dez ou quinze vezes mais do que qualquer outro homem o fez. Ora, quando eu era rapaz, com 21 anos de idade, tive, durante os dois anos de meu primeiro conhecimento do livro, lido-o tanto que podia repetir capítulo após capítulo, página após página, de muitas partes do Livro de Mórmon, e podia fazê-lo tão bem, com o livro fechado ou posto de lado, quanto com o livro aberto; e continuei a lê-lo desde aquele dia até o presente, sem encontrar uma única contradição no livro. Li os comentários, li os escritos de nossos maiores opositores que se propuseram a examinar o livro do princípio ao fim. Tentei seguir seus argumentos, em relação ao conteúdo deste livro, mas nunca até o dia de hoje—e já se passaram quarenta e nove anos desde que o conheci—consegui encontrar uma única contradição em toda a obra. ¶
Podemos dizer o mesmo a respeito da Bíblia judaica no estado presente de sua existência? Qual é a grande falha encontrada pelos opositores da Bíblia judaica? O incrédulo diz: "Não cremos nela, porque aparentemente contradiz a si mesma em doutrina, em história, e em muitas outras partes." E o cristão se propõe a lê-la, propõe-se a mostrar que estas não são contradições; mas com os argumentos do cristão de um lado, e dos incrédulos do outro, em relação à Bíblia, é confessado pela generalidade da humanidade que há muitas contradições, não contradições originais, mas contradições que foram introduzidas no registro desde que ele foi originalmente dado—introduzidas pela sabedoria do homem, ou antes, pela maldade do homem. Mas contradiz o Livro de Mórmon os ensinamentos do dia presente? Sim. Há uma grande diferença entre o Livro de Mórmon e a religião cristã moderna; mas não há diferença alguma entre aquele livro e o cristianismo antigo. Podemos percorrer o mundo inteiro, entre uns 400 milhões de cristãos, assim chamados, e buscar profundamente um entendimento completo, bom e minucioso de suas doutrinas, e quando nos familiarizarmos plenamente com elas, tomar o Livro de Mórmon, comparar suas doutrinas com esta Bíblia da antiga América, e há uma grande diferença, uma diferença fundamental, não uma diferença trivial, mas uma diferença que está no alicerce. É o mesmo quando passamos a comparar estas doutrinas modernas da cristandade com a doutrina ensinada no Novo Testamento. Onde podemos encontrar um homem que possa reconciliar as duas? Ou os mil, se quiserdes? Quem é capaz de mostrar que o Novo Testamento comprova e expõe claramente a antiga doutrina do evangelho? Pode haver, de vez em quando, algum item que cada denominação tenha de acordo com o Novo Testamento; mas onde está a autoridade que está no alicerce do cristianismo? Onde está o homem, entre todos estes 400 milhões de cristãos, que é revelador, que é profeta, ou é inspirado por Deus? Não pode ser encontrado, e ainda assim o cristianismo antigo, registrado na Bíblia, defende aquele grande dom como um que está no alicerce do cristianismo. O cristianismo é edificado sobre ele, edificado sobre Jesus, que foi o grande revelador da Igreja, e edificado sobre apóstolos que também eram reveladores, assim como Jesus, e que recebiam suas revelações pelo dom e poder do Espírito Santo, por inspiração como homens de Deus. Podeis encontrar tal ordem de coisas na cristandade? Professam alguns ter estes dons? Dizem que são desnecessários; dizem que estes dons se destinavam à primeira era do cristianismo, mas que, uma vez estabelecido o cristianismo, estes elevados dons já não eram necessários. Este é o argumento deles, quase unanimemente. Parecem estar de acordo, contudo, por mais que possam divergir em outros pontos de doutrina—quase sem exceção, parecem concordar que não há necessidade destes elevados dons de inspiração, e profecia, e nova revelação que acompanharam a pregação do evangelho em tempos antigos. "O evangelho está estabelecido," dizem eles; "não temos necessidade disso." Como quem diz que estes dons não fazem parte do evangelho; que o evangelho é uma coisa e os dons são outra; que o evangelho foi estabelecido pela evidência dos dons, mas os dons não fazem parte do evangelho. Eles fazem parte dele tanto quanto a fé; tanto parte do evangelho quanto o arrependimento, quanto o batismo para a remissão dos pecados, ou quanto a imposição das mãos para o dom do Espírito Santo; e tentar separar as bênçãos do evangelho, e depois chamar outra coisa de o evangelho, parece muito absurdo, muito inconsistente, e é algo que não pode ser provado pelo registro divino. Ora, aqui está algo de importância menor, algo que não é particularmente necessário, que poderia ser chamado não essencial, mas algo que está no próprio alicerce do cristianismo. Estes dons são uma parte do cristianismo. Revelação, inspiração e o dom de profecia são parte e porção do evangelho tal como ensinado pelos antigos apóstolos e homens de Deus, e por nosso Salvador; e eliminar estes dons destrói os princípios fundamentais do cristianismo. ¶
Que defende o Livro de Mórmon? Ele entra em contato direto com toda a cristandade moderna, e retorna ao antigo evangelho tal como foi ensinado há quase 1.800 anos, e sustenta que deve haver, no reino e na Igreja de Deus, em toda era do mundo, estes dons, bem como formas e cerimônias exteriores—sustenta que estes dons são uma parte do antigo evangelho e devem existir onde quer que o evangelho exista—e quando cessam, o evangelho cessa de ser pregado, e os verdadeiros crentes, em sentido bíblico, deixam de existir com eles. ¶
Ora, não me parece provável que um jovem cuja barba mal havia crescido—um jovem sem instrução, não ensinado nas noções sectárias da época, criado para trabalhar arduamente na fazenda de seu pai—pudesse fazer estas grandes distinções, opor-se a todos os sistemas religiosos modernos, e estabelecer os próprios princípios fundamentais necessários à própria existência do cristianismo nos últimos dias. Mas Deus estava com aquele jovem. Ele não era seu próprio mestre, não foi deixado ao seu próprio juízo quanto ao que o cristianismo deveria ser e ao que não deveria ser. O anjo que veio do céu e se revelou ao jovem compreendia sua missão. Compreendia o que o evangelho era e deveria ser; compreendia as revelações de São João; compreendia que estas revelações jamais poderiam cumprir-se a menos que um anjo fosse enviado do céu nos últimos dias, com a mensagem do evangelho a ser proclamada aos habitantes da terra, não a uma parte seccional dela, não a algum canto dela, ou a algum povo obscuro, mas para confiar o evangelho eterno aos habitantes da terra, a ser proclamado a toda nação, parentela, língua e povo. Compreendia a diferença entre o cristianismo moderno e o cristianismo antigo. E quando o Urim e Tumim foi iluminado pelo poder de Deus, e ampliado diante dos olhos deste jovem, aqueles antigos caracteres nas placas do Livro de Mórmon, a distinção ficou claramente estabelecida entre a pureza do evangelho tal como foi ensinado em dias antigos, e as doutrinas e inovações do homem, tal como foram ensinadas durante longos séculos de apostasia. ¶
Como me alegrei, desde que era um jovem de dezenove anos, neste registro! Ora, tanto o estimo—eu ia trazer alguma comparação terrena, mas não compararei coisas grandiosas, gloriosas e celestiais—tão grandes, tão puras e tão importantes, como o plano de salvação, com qualquer coisa de natureza terrena, pois não pode realmente haver comparação. Quando olho para todas as riquezas e grandezas terrenas deste mundo, e depois olho para o Livro de Mórmon e a Bíblia, com poder de escolher, o que escolheria? Ora, a grandeza deste mundo, as riquezas deste mundo, as glórias deste mundo, não seriam nada; seriam como o sonho de uma visão noturna quando uma pessoa é perturbada, não pelo Espírito de Deus, mas por suas próprias cogitações na noite. Eu as consideraria como nada, como vaidade e loucura, como indignas do amor ou da aprovação de qualquer homem de Deus, se fossem postas diante de mim e contrastadas com a glória deste livro. É um registro dado a esta geração como um dos mais escolhidos dons do céu! Nenhum outro livro existe sobre a face de nosso globo tão escolhido quanto os livros que Deus deu em diferentes eras do mundo: a Bíblia, um deles; o Livro de Mórmon, outro; e o livro chamado o Livro de Doutrina e Convênios, contendo as revelações que Deus deu por meio de seu servo, o profeta, durante uns dezessete dos últimos anos de sua existência aqui na terra. Estas revelações, estes livros, são mais preciosos do que as riquezas, os reinos, as glórias e as honras desta vida presente, no que me diz respeito. Estimo-os mais do que estimo minha própria vida? Eu seria indigno de meu Pai e meu Deus nos mundos eternos se recusasse entregar minha vida, se isso me fosse exigido pelo Senhor. Se eu a salvasse por um momento, e negasse o Livro de Mórmon; se eu negasse os dons do evangelho, ou qualquer uma das revelações que Deus deu—que estão publicadas no Livro de Doutrina e Convênios—se eu fizesse tal coisa, poderia eu olhar para o rosto de meu Pai sem corar? poderia eu pensar em Deus sem corar? poderia eu pensar em algo puro e santo sem estar, em minha própria mente, em perfeito tormento? Se eu fosse tão ingrato a ponto de negar algo que Deus me deu, eu seria indigno do reino de Deus. Espero e confio, muito sincera e humildemente, que o Senhor não me chame nem me prove a este respeito, pois conheço a fraqueza do homem; sei que o homem tem sido fraco em todas as eras, e não desejo ser assim provado, não cobiço esta provação, não oro por ela; mas se algum dia eu for levado a esta condição, com meus sentimentos presentes, com os sentimentos que tenho há muitos anos, eu diria: "Venha o martírio, venham as fogueiras, venha qualquer calamidade e aflição do corpo que possa ser inventada por homens ímpios e iníquos—deixai-me escolher isso, e ter vida eterna além da sepultura; mas não me deixeis negar a obra de Deus." Por que sinto assim? Se eu não tivesse conhecimento de que o Livro de Mórmon é verdadeiro, não teria estes sentimentos. Então provavelmente diria, se apenas tivesse fé de que o Livro de Mórmon é verdadeiro: "Minha vida é preciosa, deixai-me salvar minha vida, deixai-me negar algo que não sei ser verdadeiro." Mas quando uma pessoa tem conhecimento, como eu tenho, da divindade desta obra—tendo isto me sido revelado quando eu era apenas um rapaz imberbe—espero nunca ser levado a essa condição, em que a provação recaia sobre mim, mas caso venha, espero poder erguer minhas mãos ao alto céu, e dizer: "Ó Senhor, habilita-me a suportar as provações e aflições que possam vir, para que eu seja fiel até a morte." ¶
Sou eu o único que sente assim, entre os Santos dos Últimos Dias? Não há outras pessoas que tenham este conhecimento, exceto vosso humilde servo? Sim, há dezenas de milhares, se testificam a verdade, e não tenho razão para pensar que falsificariam sua palavra; dezenas de milhares que sabem tão bem quanto sabem que existem, que o Livro de Mórmon é um registro divino; que a Bíblia é um registro divino; que as revelações dadas por meio do profeta Joseph Smith, publicadas no Livro de Doutrina e Convênios, são divinas; eles o sabem. Estariam dispostos a sofrer o martírio? Penso que sim. Poderia haver casos individuais, como em tempos antigos, em que rejeitassem a verdade, perdessem suas esperanças de salvação, para salvar suas vidas temporais; mas tomai a grande massa deste povo, estariam dispostos a entregar suas vidas, ou a serem queimados na fogueira, antes de rejeitarem sua religião. ¶
Quão bondoso, quão bom foi nosso Pai Celestial, antes do surgimento desta Igreja, depois de ter inspirado este rapaz a traduzir estes registros; quão bom foi enviar um anjo do céu a três outras pessoas, a saber: David Whitmer, Martin Harris e Oliver Cowdery, estando Joseph Smith com eles nessa ocasião. O anjo desceu do céu, vestido de luz e glória, e, tomando estes registros em suas mãos, virou-os folha por folha, mostrando a estes três outros homens, além do tradutor, as gravações sobre as placas. Quão bondoso foi isso. Uma Igreja haveria de ser levantada. O Senhor estava disposto a que tivessem toda a evidência que razoavelmente pudessem pedir, antes mesmo de o primeiro ramo da Igreja ser organizado. Condescendeu ele, em muitas das eras passadas do mundo, a fazer tanto pelas diferentes gerações que viveram, quanto fez pela geração presente? Olhai para os dias de Noé. Ele tinha uma mensagem a entregar—uma mensagem que afetava a família humana. Tinha de dizer ao povo que vivia ao seu redor que Deus havia falado. "E que disse Deus?" Ele me disse que, por causa de vossa maldade, enviará os dilúvios sobre vós. Ele romperá os fundamentos do grande abismo, abrirá as janelas do alto e derramará os dilúvios sobre estas nações, e serão varridas raiz e ramo, exceto uns poucos que crerão em minha mensagem, e entrarem na arca que estou construindo. Quantas testemunhas Deus levantou então? Suponho que ele deve ter se revelado aos filhos de Noé, assim como a Noé. Isso seriam apenas quatro testemunhas; mas não temos relato de que o Senhor se revelou a estes três filhos. Eles, contudo, creram no testemunho de seu pai; se o sabiam ou não, não sabemos. De qualquer modo, sua fé era suficientemente forte para levá-los a trabalhar com o ancião, e trabalharam ano após ano, sem dúvida fatigados, formando as madeiras desta enorme arca ou embarcação. Finalmente a montaram, e os animais do campo—que pareciam ter mais inspiração do que os homens e mulheres daquela época—começaram a vir das florestas em direção à arca, e finalmente a porta se fechou. Deviam ser animais proféticos, animais que tinham revelações, animais capazes de julgar muito melhor do que o mundo da humanidade naquela época. As chuvas desceram, e a terra foi coberta pelo dilúvio, e lemos que Noé, por seu testemunho, condenou o mundo inteiro. Quê! Uma testemunha? Uma única testemunha condenou o mundo inteiro, e pereceram da face da terra, porque uma testemunha lhes foi enviada! O Senhor tem feito um pouco melhor com esta geração. Enviou quatro testemunhas antes de organizar a Igreja, e isso não foi tudo. Houve outros homens que receberam grande testemunho e evidência; mas não viram o anjo; não viram as placas nas mãos do anjo; mas que viram? Viram este rapaz ter estas placas. Tomaram as placas e as manusearam eles mesmos. Viram as gravações sobre estas placas—oito outros homens, além dos quatro que mencionei—e testificam sobre o que viram. Testemunham, em palavras de sobriedade, que de fato manusearam as placas com suas próprias mãos, que de fato sentiram o peso das placas, que de fato observaram as gravações nelas contidas, que tinham a aparência de obra antiga e de manufatura curiosa, e testemunham sobre o que seus olhos viram e o que suas mãos manusearam. Seus nomes, assim como os nomes dos quatro que viram o anjo, foram anexados a este registro, quando a primeira edição daquele livro saiu da imprensa. Doze testemunhas, então, Deus condescendeu em levantar imediatamente antes de organizar esta Igreja. Não são doze testemunhas suficientes para condenar o mundo nesta era, se uma testemunha condenou o mundo nos dias de Noé? Penso que Deus tem sido muito indulgente, muito bondoso e muito misericordioso ao começar a obra com tantas testemunhas. ¶
Mas parece haver outras testemunhas e evidências a respeito da correção e divindade deste livro que são muito maiores do que as que mencionei. Há uma promessa a toda a família humana, muito melhor do que o ministério de anjos a outros. Que conhecimento me dá isso, a vós, a qualquer outra pessoa, entre todas as nações e parentelas da terra, a respeito da divindade do Livro de Mórmon, pelo fato de quatro testemunhas, que viviam em alguma parte de nosso globo, afirmarem que um anjo tinha vindo do céu? Isso me dá conhecimento? Não. Isso deu conhecimento a alguma outra criatura sobre a face do globo? Não. Não precisávamos nós de um conhecimento tanto quanto eles? Sim. Tenho uma alma, tanto quanto estes quatro homens, que deve ser salva ou deve perder-se. Se é esse o caso, não deveria eu também ter conhecimento a respeito de minha própria salvação, tanto quanto eles? Penso que sim. Tornou o Senhor impossível para mim obter este conhecimento? Não. A própria mensagem contida no livro, e no Novo Testamento, e nas revelações modernas dadas por meio do profeta, disse-me, disse-vos, disse a todo o povo sobre a face desta terra, como também eles poderiam obter conhecimento da verdade do Livro de Mórmon e desta obra. Como? Recebendo uma visão ou manifestação daquele mesmo Deus? Não. Que todos deveríamos ter o ministério de anjos? Não. A um é dado um dom, e a outro são dados outros dons. A um é dado saber de um modo, e a outro é dado saber de outro modo. O Senhor prometeu que, se eu me arrepender, se vós vos arrependerdes, se o povo dos Estados Unidos se arrepender, se o povo de todas as nações da terra se arrepender, se voltar a ele e obedecer a seus mandamentos, receberá o Espírito Santo. Dar-nos-á isso um conhecimento tão claro, tão definido, tão preciso quanto poderia ser revelado pelo ministério de anjos? Sim. ¶
Suponde agora que eu fosse um homem natural, que nunca tivesse recebido o Espírito Santo. Suponde que alguém viesse testificar-me que recebera o Espírito Santo, que recebera visões celestiais, que o Senhor lhe enviara anjos, que saberia eu a respeito disso? Que saberia eu a respeito do Espírito Santo, se nunca o tivesse recebido? Nenhum homem pode discernir as coisas de Deus senão pelo Espírito de Deus; assim diz o apóstolo Paulo aos coríntios. É impossível para o homem natural conhecer as coisas de Deus, e se eu fosse um homem natural, e nunca tivesse participado do Espírito Santo, poderia ouvir uma nuvem de testemunhas testificando o que tinham recebido. Poderia dizer: "Bem, pareceis um povo sincero, pareceis honestos em vossas declarações, dizeis que tivestes a visitação de anjos, dizeis que tivestes visões celestiais, dizeis que o Espírito Santo foi derramado sobre vós, mas eu nunca recebi estas coisas como homem natural." Ora, que razão haveria para me condenar no grande dia do juízo, se eu rejeitasse o testemunho deles? Dir-me-iam que eu poderia entrar em comunicação com os céus, tal como eles. Poderiam dizer-me que, sob certas condições, eu poderia obter o Espírito Santo, tanto quanto eles, se apenas exercesse fé suficiente, para me arrepender de meus pecados e ser batizado para a remissão deles, e ter os servos de Deus imporem as mãos sobre minha cabeça para o recebimento do Espírito Santo; que se eu entrasse em convênio com o Deus Altíssimo, para obedecer a seus mandamentos e invocar seu nome em fé, e exercer fé diante dele—suponho que, se eu não fizesse todas estas coisas, toda esta nuvem de testemunhas que mencionei se levantaria no dia do juízo e me condenaria. Mas se eu exercesse fé, ainda que não tivesse conhecimento, e obedecesse aos mandamentos, fosse obediente aos princípios, e então recebesse por mim mesmo o testemunho, eu então não dependeria nem de David Whitmer, nem de Martin Harris, nem de Oliver Cowdery, Joseph Smith, nem de qualquer uma das doze testemunhas que viram as placas, nem de qualquer outro homem vivo em toda a terra. Poderia então dizer: "Ó Senhor, meu Deus, cumpriste tua promessa que fizeste. Disseste que, se eu me arrependesse e fosse batizado, receberia tais e tais bênçãos. Elas me foram dadas, e agora sei que tua palavra é verdadeira." E, a partir de então, eu mesmo poderia ser uma testemunha, mas antes disso não poderia sê-lo. ¶
São os ministros das diferentes denominações desta época, que nunca tiveram sobre si o espírito de revelação—são eles testemunhas competentes de Deus para se apresentarem diante desta geração e declararem as coisas de Deus? Não. Podem eles apresentar-se no grande dia do juízo e condenar algum desta geração a quem tenham pregado? Não. Por que não? Pelo simples fato de que não são testemunhas. Podem dizer o que os antigos disseram, como os antigos se tornaram testemunhas, mas eles mesmos não têm experiência nestas coisas, e, portanto, Deus não os fez testemunhas. Não podem condenar nenhum homem vivo sobre a face da terra, por sua pregação e seu testemunho. ¶
Vivemos, então, na grande e última dispensação, na qual Deus proveu um modo de levantar dezenas de milhares de testemunhas, um modo de todos poderem saber como Pedro soube. Pedro não obteve seu conhecimento vendo milagres realizados. Não obteve seu conhecimento porque outro homem recebera um conhecimento. O Salvador o abençoou e disse: "Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus." O Senhor havia revelado este conhecimento a Pedro; consequentemente, Pedro foi constituído testemunha. E assim, o Senhor, tendo dado revelação dos céus a dezenas de milhares dos Santos dos Últimos Dias, os fez testemunhas da divindade desta obra. ¶
Ó, quanto deveriam os Santos dos Últimos Dias regozijar-se! Quão fiéis todos deveríamos ser! Quão frívolas são as coisas desta vida presente, em comparação com o conhecimento de Deus que recebestes! Apreciais isto, Santos dos Últimos Dias? Percebeis isto como deveríeis, ou são vossas mentes levadas de um lado para outro pelas frivolidades e vaidades desta vida presente? Absorvem elas a maior parte de vossa atenção? Esqueceis vosso Deus, a grandeza de vosso chamado, e o conhecimento que recebestes? Eu não. ¶
Creio que os Santos dos Últimos Dias são o melhor povo sobre a face de nosso globo. Por quê? Porque estiveram dispostos a suportar dificuldades, perseguições o dia todo. Estiveram dispostos a deixar suas casas, suas terras, seus bens, estiveram dispostos a ver tudo cair nas mãos de seus inimigos e fugir para um país deserto por causa de sua religião. Esqueceu-se Deus de todas estas coisas? Ó, filhos de Sião! supondes que o Senhor se esqueceu, porque muitos anos se passaram, de vossa tribulação, de vossos sacrifícios—se assim podem ser chamados—de vossos ataques e perseguições em tempos passados? Não. Estão escritos, por assim dizer, nas palmas de suas mãos, estão impressos indelevelmente nos pensamentos de seu coração. Ele tem todas estas coisas em memória, e vem um dia de controvérsia, e não está distante no futuro—uma controvérsia por Sião; uma controvérsia com todas as nações da terra que lutam contra o Monte Sião—o Senhor tem todas estas coisas em sua mente, e as cumprirá em seu próprio tempo e estação devidos. Mas agora é o dia de nossa tribulação, e tem sido por uns quarenta anos e mais que já passaram. Há dias melhores por vir? Sim. Quão distante no futuro, não sou profeta o bastante para saber. Tudo o que sei é que estão próximos, bem perto da porta, quando o Senhor se levantará e sairá de seu esconderijo e cumprirá o que falou a respeito de Sião e dos habitantes desta terra. Sião não está destinada a ser esmagada para sempre no pó. Sião não está destinada a ser vencida pelos reinos deste mundo para sempre. O ponto de virada virá, e está próximo. Os dias estão vindo—sei que estão próximos—quando a geração jovem e crescente que agora está sentada nesta congregação, e que está espalhada pela face da terra, por estas montanhas e vales, verá o ponto de virada para Sião. Que verão eles? Verão um homem levantado como Moisés nos dias antigos—um homem a quem o Senhor se revelará, como fez a seu servo Moisés, por anjos, por visões, por revelação dos céus, e lhe dará mandamentos, e o fará um instrumento em suas mãos, para redimir o povo e estabelecê-lo em sua herança eterna sobre a face deste continente americano. Manifestará ele seu poder naquele dia, como fez a seu servo Moisés e a Israel? Sim, apenas mais abundantemente, mais extensamente do que nos dias de Moisés, pois há um continente maior do que a terra do Egito, no qual o Senhor manifestará seu poder—um povo maior do que os egípcios, entre os quais ele trabalhará. Consequentemente, manifestará seu poder a todos os habitantes desta terra. Cumprirá as claras predições do profeta Isaías, de que o Senhor descobrirá seu braço aos olhos de todas as nações, até que todos os confins da terra vejam a salvação de Deus. Que se dirá então a respeito deste povo e de Sião? Dir-se-á então, por aqueles que forem poupados em meio aos terríveis julgamentos que cairão sobre estas nações: "Certamente o povo chamado Santos dos Últimos Dias, o povo de Sião, é o povo de nosso Deus. Deus está ali, seu poder está ali, é seu poder que livra aquele povo; é seu poder que está sobre eles como uma nuvem de dia e o brilho de um fogo flamejante de noite. É seu poder que protege suas congregações, protege seus povoados, protege seu santo templo. Não lutemos mais contra Sião ou o povo de Deus, entremos no convênio eterno que foi revelado de novo. Nós nos uniremos ao povo de Deus." Naquele dia se cumprirá o que foi dito por Isaías no capítulo segundo, pelo profeta Miqueias, no capítulo quarto, que nos últimos dias muitas nações dirão: "Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e nós andemos pelas suas veredas; porque a lei sairá de Sião, e a palavra do Senhor, de Jerusalém." ¶
Que Deus abençoe—não os ímpios, não os iníquos, não os que blasfemam o nome do Senhor, não os que lutam contra Sião—mas todos os verdadeiros e puros de coração Santos dos Últimos Dias, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶