Pulpit

O Objetivo da Reunião dos Santos — Conflito entre os Poderes de Deus e do Mal — O Mundo Piorando Cada Vez Mais — A Obra de Deus Progredindo — Exortação à Retidão e ao Espírito de União

John Taylor

1879-08-31

Se a congregação procurar ficar em silêncio, procurarei falar-lhe um pouco, a meu modo.

Faz algum tempo que não me reúno com os santos neste lugar, não porque não desejasse vir, mas porque as circunstâncias me controlaram e impediram. Viemos aqui agora, mais particularmente, para tratar de um pequeno assunto relacionado a vosso Templo. Parece ter havido um pequeno mal-entendido a respeito de sua construção, e, como temos um Comitê do Templo e arquitetos para a Igreja, pensamos ser melhor ter presentes os irmãos que compõem esse comitê, e os arquitetos, para que pudéssemos conferenciar com eles, a fim de que tudo o que se relacione a este edifício seja feito devidamente, segundo a ordem e os princípios corretos.

O Élder Truman O. Angell foi sustentado, na Conferência Geral, como Arquiteto da Igreja, e William H. Folsom e Truman O. Angell Filho, como seus assistentes, sendo, portanto, as pessoas próprias a serem consultadas no ajuste de quaisquer questões que possam surgir.

Falo disto como uma daquelas coisas relacionadas ao santo sacerdócio, e à edificação deste sagrado edifício que estamos erguendo ao nome do Senhor. Descobrimos que houve uma pequena alteração em relação ao plano original, o que, contudo, não é de importância, e disso não há de surgir dificuldade alguma. Pensei em mencionar isto porque, em geral, as pessoas gostam de entender as coisas tal como são. É muito melhor dizer as coisas claramente, como elas são, do que ouvir sussurros a respeito disto e daquilo, o que, em muitos casos, é incorreto.

Alegra-nos ver o progresso que estais fazendo na edificação deste templo, a energia e o zelo que estão sendo demonstrados, e a liberalidade manifestada pelo povo deste distrito do templo.

Estamos empenhados, como mencionou o Irmão Snow, numa grande obra; na obra que profetas e videntes contemplaram e profetizaram, a saber, a reunião dos eleitos do Senhor, a edificação de templos para a redenção dos vivos e dos mortos; no estabelecimento do reino de nosso Deus. Estas coisas têm sido mais ou menos compreendidas, segundo o poder do espírito e a luz da revelação que repousou sobre seus profetas desde que o mundo começou. É difícil, como já se observou, compreendermos, às vezes, a posição que ocupamos — o relacionamento que mantemos com nosso Pai celestial — a responsabilidade que sobre nós recai, e os diversos deveres que temos de cumprir, no cumprimento dos propósitos de Deus; no interesse de um mundo mergulhado na maldade; na edificação da Sião de nosso Deus, no estabelecimento da justiça, e em fazer transpirar aqueles grandes e gloriosos princípios contemplados pelo Todo-Poderoso "antes que o mundo entrasse em existência, ou as estrelas da alva juntas alegremente cantassem". É nossa sorte estar postos na terra neste tempo. É nossa sorte ter a mente iluminada pelo Espírito, pela inteligência e pela revelação que fluem de Deus. É nossa sorte operar e cooperar com Deus, nosso Pai celestial — e com seu Filho Jesus Cristo — e com os antigos patriarcas, apóstolos e homens de Deus que viveram antes; e, enquanto eles operam por trás do véu, nos interesses da humanidade, no cumprimento dos propósitos de Deus e no estabelecimento da justiça sobre a terra, estamos aqui para operar com eles, para que eles e nós ajamos conjuntamente, sob a influência e a direção do Todo-Poderoso, e o poder e o Espírito do Deus vivo, na realização dos desígnios do grande Jeová. É para isto que aqui estamos. E é necessário que compreendamos nossa posição; pois, no cumprimento de nossos deveres relacionados a esta obra, não é como algumas pessoas parecem supor. Temos algo mais a fazer além de cruzar os braços e cantar "Ninar, bebê, no alto da árvore, quando o vento soprar, o berço há de balançar". Temos algo mais a fazer além de "sentar e cantar rumo à bem-aventurança eterna". É nosso dever — e Deus o espera de nós — que busquemos nele sabedoria, orientação, revelação e conhecimento de sua lei, para que sejamos cheios do Espírito Santo e do poder de Deus, e para que possamos magnificar nosso chamado e sacerdócio, e realizar a obra que Deus planejou desde antes da fundação do mundo. É, em realidade, um trabalho. Saímos, como muitos saíram, a pregar o Evangelho de vida e salvação a um mundo decaído. Reunimo-nos, "um de uma cidade e dois de uma família"; combatemos os erros das eras, e clamamos contra a maldade, as corrupções e as estratagemas de homens ímpios e iníquos, que se nos opuseram por todos os lados; e conseguimos, com a ajuda do Senhor, reunir muitos dos íntegros de coração dentre as diferentes nações da terra. E viemos para cá cumprir a vontade, os propósitos e os desígnios de Deus. Nunca supus que viéssemos para cá para nos enriquecer, para aumentar nossas posses terrenas; mas viemos, como entendo, de acordo com um mandamento expresso do Altíssimo, para sermos ensinados no conhecimento de Deus, para que pudéssemos chegar a um entendimento de suas leis. Não estamos aqui para seguir os desejos e as inclinações de nosso próprio coração; não estamos aqui para levar adiante nenhuma teoria particular nossa; não estamos aqui para edificar sistema algum de criação humana; mas estamos aqui, simplesmente, para fazer a vontade de Deus, no estabelecimento de seu reino na terra. Em muitas coisas, porém, não temos vivido à altura desse elevado e glorioso privilégio que nos foi apresentado; temos sido descuidados e indiferentes, e parece que a Satanás tem sido permitido experimentar-nos e tentar-nos de todo modo possível. Nos últimos anos, um espírito de cobiça e avareza tem percorrido a terra, amaldiçoando, como uma praga devastadora, tudo o que toca. É tão mau em seus efeitos sobre a mente do homem quanto qualquer pestilência ou peste sobre o corpo humano. Começamos a correr atrás das coisas do mundo; nosso coração, nossos sentimentos e nossas afeições, em muitos casos, se afastaram de Deus. É tempo de que algo aconteça para nos despertar para o sentido da posição que ocupamos; é tempo de percebermos como Deus e os anjos veem os homens que se absorvem nas coisas deste mundo, em vez de viver à altura de suas professões de fé e dos convênios que fizeram com ele.

Muitos de nós, porém, temos realizado uma boa obra, apesar destes males graves. É verdade que nem sempre é fácil navegar. Às vezes, quando surge uma pequena dificuldade, parecemos ficar tomados de espanto, como se algo muito extraordinário tivesse acontecido. Não há nada de muito estranho nessas coisas. "Que estais fazendo? Qual é a situação dos negócios? Que ides fazer? etc." Essas palavras expressam o tipo de sentimento que move a mente dos Santos dos Últimos Dias. Tem havido uma guerra desde o início do mundo até o presente, entre os poderes da luz e os poderes das trevas. Adão, dizem-nos, teve dois filhos. Um era homem cobiçoso, ímpio, que não temia a Deus; o outro era homem justo, que temia a Deus. O filho ímpio, instigado pelo diabo, disse: matarei meu irmão, e então terei suas posses. Assim o fez, e parece que esse tipo de sentimento persistiu, até que, em pouco tempo, essa influência prevaleceu de tal modo que a maldade e a corrupção avançaram tão rapidamente que o mundo teve de ser varrido com uma vassoura de destruição, e apenas pouquíssimos homens restaram. E então pareceu necessário que o mesmo espírito e o mesmo poder continuassem; e, por isso, parte desta semente canaanita atravessou o dilúvio. Por quê? Para que ainda houvesse os dois poderes — o poder da luz e o poder das trevas; o poder de Deus e o poder do diabo — para que a luta e a guerra entre os homens pudessem continuar, a fim de que o homem pudesse ser aperfeiçoado por meio do sofrimento. Por isso, os servos de Deus, nas diferentes eras do mundo, tiveram de combater os poderes das trevas. João, o Revelador, fala de uma grande companhia de pessoas que viu, vestidas de branco, cantando um cântico novo. E, ao indagar quem eram, foi-lhe dito que eram aqueles que haviam lavado suas vestes e as haviam branqueado no sangue do Cordeiro. Eram os que haviam passado por muita tribulação, e, por isso, estavam junto ao trono. É condizente com o plano predeterminado do Todo-Poderoso que o homem passe por certas provações e dificuldades, e seja provado de toda maneira possível, a fim de estar preparado para uma exaltação no reino de Deus. Assim foi com Jó. Ele se achava em situação peculiar. Parece que o diabo apareceu entre os filhos de Deus no céu, como frequentemente faz na terra. Quando os filhos de Deus se reuniram, o diabo estava entre eles, e foi, ao que parece, instigar um sentimento contra Jó. Disse-lhe o Senhor: "Consideraste tu o meu servo Jó?" "Sim", disse ele, "já o considerei." O Senhor disse que Jó era homem perfeito e reto, etc. "Ó sim", disse ele, "sei tudo a respeito dele. Pensas que Jó é homem muito bom; mas deixa-me experimentá-lo, e mostrarei o que Jó fará." "Pois bem", diz o Senhor, "podes experimentá-lo." Foi ele então trabalhar, concentrou o relâmpago num só foco, e arremessou um raio contra a casa de seu filho mais velho, onde todos os seus filhos festejavam, e os destruiu. Mal o mensageiro relatara a Jó o resultado dessa catástrofe, chegou a notícia de que certo povo — ia dizer "cristãos" — havia caído sobre seus bois e jumentos, e matado seus servos. Chamavam-nos, naqueles dias, sabeus, caldeus e heteus, creio; nós os chamamos hoje batistas, presbiterianos, metodistas, etc. Chamavam as coisas por nomes diferentes, em eras diferentes, mas são a mesma classe de gente. Foram atrás de seus camelos, jumentos, cabras e de toda a propriedade em que puderam pôr as mãos, deixando-o desamparado e destituído — e ele era, dizem, o homem mais rico do Oriente. Jó, ao contemplar sua situação mudada, resumiu tudo nestas poucas palavras: "Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei para lá; o Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor."

Pois bem, o diabo não teve êxito naquela vez; mas, como os advogados que perseguem os executores testamenteiros, suponho que pensou em tentar outra vez — serve novos papéis. Apresentou-se diante do Senhor pela segunda vez. E, dirigindo-se a ele, disse o Senhor: "Bem, o que pensas de Jó agora?" Ele disse que seus esforços não haviam tido muito êxito até então; mas: "pele por pele, tudo quanto o homem tem dará pela sua vida; estende agora a mão, toca-lhe o corpo, e ele te amaldiçoará na tua face." "Bem, ponho-o em tuas mãos, mas não interferas com sua vida." O diabo então soltou sobre ele algo semelhante à varíola — só que era chamada por outro nome naqueles dias —, cobrindo-o de tumores, desde a coroa da cabeça até a sola dos pés, e ele se raspava com um caco de barro, revolvendo-se nas cinzas. E, enquanto estava nesse estado, alguns de seus amigos vieram para consolá-lo; e, depois de lhe darem muitos conselhos, chegaram à conclusão de que Jó devia ter sido homem muito ímpio, ou tal calamidade jamais poderia ter caído sobre ele. E, então, para completar o quadro, sua esposa veio, e, a seu modo, disse: Jó, és um tolo por suportar tudo isso; já sofreste o bastante, e, se eu fosse tu, não suportaria mais. Amaldiçoaria a Deus e morreria como homem. Respondeu Jó: "Falas como fala uma das mulheres loucas de outrora. Não receberemos nós o bem da mão do Senhor, e não receberemos também o mal? O Senhor deu, e o Senhor tira; bendito seja o nome do Senhor." E então olhou ao redor, e viu sua desolação, despojado de seus filhos e posses, doente e cansado, abandonado pelos amigos, escarnecido pelos inimigos, e censurado por sua esposa, aflito com repugnante doença, solitário, abandonado e desolado, e clamou: "Ainda que ele me matasse, nele esperaria eu. O relâmpago pode destruir minha descendência, os sabeus e os caldeus podem roubar-me as posses, e a Satanás pode ser permitido pôr sobre mim a mão e ferir-me com esta repugnante doença, e, ainda que eu tenha de vestir-me de saco e revolver-me nas cinzas, e descer à sepultura, e vermes devorem este corpo e se arrastem e se revolvam em meu cérebro, contudo em minha carne verei a Deus; verei a ele por mim mesmo, e não por outro." Inspirado pelo espírito de revelação, e pelo poder e pela luz do Espírito Santo, pôde dizer: Sei em quem tenho crido; e, embora não saiba — e pouco importa — para onde hei de ir, ou onde há de ser meu repouso, contudo hei de estar de pé, no último dia, sobre a terra, e hei de contemplar meu Redentor, a quem verei por mim mesmo, e não por outro. Esta era a espécie de religião que ele tinha. Mas achamos muito estranho, às vezes, ter um pequeno incômodo; pensamos que devíamos seguir pacificamente, sem nada que perturbasse nossa serenidade, que tudo devesse fluir suave e agradavelmente até chegarmos à morada celestial do Pai, para associar-nos com os deuses. Alguns de nós faríamos deuses curiosos, se essa fosse nossa sorte; mas podemos ficar satisfeitos de que essa não será nossa sorte. O Senhor não faz as coisas dessa maneira.

Quando viajávamos pelo estrangeiro, pregando ao mundo, entre outras coisas, predizíamos que o mundo se tornaria cada vez pior, enganando e sendo enganado. Milhares de nossos élderes têm pregado entre as nações que Deus estava em contenda com elas; que ele havia de levantar-se e sacudir terrivelmente a terra, e afligir grandemente as nações. Muitos de vós, élderes aqui presentes hoje, já proclamastes essas coisas; e dissestes ao povo que impérios seriam derrubados, e reinos subvertidos, e nações desbaratadas, mas que a obra e os propósitos de Deus haveriam de crescer e aumentar, até que os reinos deste mundo se tornassem os reinos de nosso Deus e de seu Cristo. Espantais-vos, então, de que essas coisas comecem a se cumprir? Tema bem favorito de muitos de nossos élderes tem sido que a "pequena pedra" de que falam as Escrituras foi cortada do monte sem auxílio de mãos, e está destinada a ferir a imagem, cuja cabeça era de ouro, o peito e os braços de prata, o ventre e as coxas de bronze, as pernas de ferro, e os pés em parte de ferro e em parte de barro, ferindo-a nos pés, e despedaçando-a; e que os materiais, que representam as diversas nações da terra que compõem a imagem, se tornariam como a pragana da eira do verão, levada pelo vento, até que não se achasse lugar algum para eles. Isto é exatamente como foi predito, muitos milhares de anos atrás, e vós, irmãos, estais perfeitamente familiarizados com isso, por o terdes pregado tanto ao mundo quanto aos Santos dos Últimos Dias. Quando, então, essa pequena pedra, ao rolar, fere os dedos dos pés da grande imagem, admirai-vos de que haja um pequeno coice? Não vos agrada mais do que a qualquer outro que vos pisem os dedos dos pés. O fato é que se trava o mesmo grande conflito entre os dois grandes poderes; a única diferença é que estamos em circunstâncias bem melhores do que muitos que viveram em dias anteriores, e que tiveram de andar errantes em peles de ovelha e de cabra, buscando covas e cavernas de rochas como lugares de refúgio e segurança. Vós, meus irmãos e irmãs, não pareceis hoje estar reduzidos a tais extremos, não é assim? Considero isto outra espécie de espetáculo. Somos parte integrante deste grande governo dos Estados Unidos, não uma parte muito grande, mas uma parte muito pequena; e assumimos uma espécie de importância política; e, de vez em quando, vêm atrás de nós, quase sem saber por quê, nem para quê. Falam, às vezes, bem alto, de nossas corrupções. Ora, como já lhes disse, há algum tempo, em Salt Lake City, ao tratar deste assunto, há mais maldade em curso em Washington, onde tanto se fala de pureza, num só dia, do que nestes vales das montanhas em seis meses, contando os gentios inclusive. E, ainda assim, acham muito importante convocar diversas nações da Europa para ajudá-los a corrigir a moral de duzentas mil pessoas, nestas remotas montanhas. Que magnanimidade! Pois bem, e o que há nisso? Não muito. Mas há isto: que nem esta nação, nem os poderes da Europa, nem poder algum, poderão derrubar a Igreja e o Reino de Deus que ele estabeleceu na terra. Ela há de avançar, apesar de todos os poderes da terra e do inferno. Já ouvistes isto profetizado, vezes sem conta, e o profetizarei novamente hoje. E todo poder que levantar a mão contra o reino de Deus será desbaratado; pois Deus há de ter contenda com as nações que se opõem a sua obra, e as há de conduzir a seu próprio modo; porá um gancho em suas mandíbulas, e as guiará para onde quiser. A ira do homem o há de louvar, e o restante da ira ele restringirá, como disse. Por isso, sinto-me bastante inclinado a seguir o conselho de Jesus: "Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer a alma e o corpo no inferno."

O único temor que tenho pelos Santos dos Últimos Dias é que não vivam sua religião. E convoco-vos aqui hoje a deixardes de lado vossa cobiça, vossa avareza, e vossa ganância, e a agirdes honrosa e justamente uns com os outros, como irmãos, a humilhardes-vos diante de Deus, e a buscardes nele sua orientação, e ele vos ajudará, vos abençoará, vos sustentará e vos livrará. E digo ao sacerdócio: sede um; pois, se não sois um, não sois de Deus. Nada de contenda, nada de rixa, nada de maledicência, nada de palavras duras; mas que tenhamos o amor de Deus habitando e transbordando em nosso coração, e estendendo-se a todos os homens. Mas guerreai contra o mal, a corrupção e a iniquidade de toda espécie, onde quer que se encontrem; permanecei firmes em sustentar e manter os princípios da verdade, tal como nos foram revelados, diante do alto céu, diante de todos os homens. Queremos estar unidos, e, como diz Paulo, "revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste mundo, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais." Paulo teve de manter a verdade, tal como a havia recebido, no meio de uma geração perversa e corrompida; e nós temos de fazer o mesmo, e Deus há de nos sustentar em nossos esforços. Mas, se estivermos trêmulos e vacilantes, nossa religião pouco valerá para nós. Temos entre nós alguns que dizem: "Ah, não! É melhor não te apressares! Fica quieto! Podes ofender o diabo, pelo que sei. Temos uns poucos dólares em algum lugar, e temos medo de que algo os perturbe, e a propriedade que amealhamos se vá!" Pois bem, que se vá; quem se importa com isso? "Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele." Devemos ser governados por princípios corretos, agir com sabedoria e coerência, e tratar todos os homens de igual modo. Há muitos que têm a ideia de que certas classes têm direitos que não pertencem a outras. Não conheço povo algum assim. Somos todos filhos livres de Sião; todos participamos do santo sacerdócio, e todos temos nossos direitos e privilégios diante de Deus. Queremos agir segundo o princípio correto, e sermos governados pela lei de Deus, não uma lei para um homem e outra para outro homem. Mas operando juntos, e sustentando os direitos uns dos outros, sobre os puros princípios da verdade e da equidade, tal como existem no seio de Deus. Quando as coisas de que se falou, referentes aos últimos dias, se cumprirem, a justiça será o cinto de seus lombos, e a fidelidade o cinto de seus rins, e será como disse o Irmão Richards, e como predisse o Profeta Jeremias: "Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e lhes serei por Deus, e eles me serão por povo." Enquanto aderirmos aos princípios da lei, da igualdade, da justiça e do direito, e por eles formos governados. O homem que é governado pelo Espírito de Deus, e vive na luz da revelação, tem a lei de Deus escrita em seu coração, gravada em seu íntimo. Ele sente como sentia Jesus a respeito destas coisas. Disse-se-lhe, numa certa ocasião: "Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te." Ao que ele disse, referindo-se a seus discípulos: "Eis aqui minha mãe e meus irmãos! Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe." É este o tipo de sentimento. Queremos estar unidos em nosso coração e sentimentos: unidos uns aos outros; unidos ao santo sacerdócio, ligados por aqueles laços indissolúveis que nos hão de unir no tempo e por toda a eternidade, segundo os princípios do convênio eterno em que entramos, e que se estende para além do véu.

Temos uma luta. Alguns dos "amalequitas" e heteus andam por aí. Mas quem se importa? Satanás trabalha por um pouco de tempo, e há de trabalhar, e sem dúvida fará o máximo que puder, enquanto lhe for permitido; e, quando chegar a hora de ser removido, Deus o removerá. Podemos lutar quanto quisermos, e fazer o que nos aprouver, a respeito destas coisas, mas estamos todos nas mãos de Deus. Como já se observou, é bastante fácil para o Senhor lidar conosco, nestas montanhas. Ele pode enviar gafanhotos, se quiser; pode reter as neves de virem sobre nossas montanhas, se quiser, causando assim seca no verão, e pode enviar as traças para destruir nossos frutos; tudo isso já experimentamos, mais ou menos. De fato, ele pode fazer conosco exatamente o que lhe aprouver, e nada podemos fazer a respeito. Nosso único recurso está nele. Queremos estar certos em nossas famílias, cada homem consigo mesmo. Abandonai vossos pecados, e apegai-vos a Deus. Pagai vossos dízimos e ofertas, e cumpri as leis de Deus em cada particularidade, para que possais sentir-vos aceitáveis diante do Todo-Poderoso, e então ensinai o mesmo a vossas famílias. Humilhai-vos como famílias diante de Deus. Vós, setentas, sumos sacerdotes e élderes, fazei o mesmo, como quóruns, e buscai a orientação e a bênção do Senhor. Enganastes ou defraudastes a alguém? Se o fizestes, consertai as coisas, e procurai, para sempre daqui em diante, ser governados por princípios corretos. E então haja perfeita união em todos os diversos quóruns, e entre todo o povo; e digamos todos, em nosso coração e em nossa vida, que faremos e observaremos tudo o que o Senhor nos mandar; e que todo o Israel faça o mesmo, e então os demônios podem uivar, e todo o inferno pode ferver, mas Deus há de preservar seu povo; ele há de ser nosso escudo e nossa forte defesa.

Temos este reino a edificar; e não é um fantasma, mas uma realidade. Temos de fazê-lo, Deus o exige de nossas mãos. Temos de ter — ora, não conteis a ninguém, pois é um grande segredo — temos de ter poder político. O quê, não será isso traição? Talvez seja, mas não importa; temos de continuar e progredir nessas coisas. Temos de estabelecer um governo sobre o princípio da justiça, da retidão, da verdade e da igualdade, e não segundo as muitas noções falsas que existem entre os homens. E então não está distante o dia em que esta nação será sacudida do centro à circunferência. E agora, podeis escrevê-lo, qualquer um de vós, e eu o profetizarei em nome de Deus. E então se cumprirá aquela predição encontrada numa das revelações dadas por meio do Profeta Joseph Smith. Aqueles que não quiserem tomar a espada contra o próximo terão de fugir para Sião, em busca de segurança. E virão, dizendo: não sabemos nada dos princípios de vossa religião, mas percebemos que sois uma comunidade honesta; administrais a justiça e a retidão, e queremos viver convosco e receber a proteção de vossas leis, mas, quanto a vossa religião, disso falaremos noutra ocasião. Havemos de proteger tal povo? Sim, todos os homens honrados. Quando o povo tiver rasgado em pedaços a Constituição dos Estados Unidos, os élderes de Israel serão encontrados sustentando-a diante das nações da terra, e proclamando liberdade e igualdade de direitos a todos os homens, e estendendo a mão da fraternidade aos oprimidos de todas as nações. Isto faz parte do programa, e, enquanto fizermos o que é certo e tememos a Deus, ele nos ajudará e permanecerá conosco, em todas as circunstâncias.

Portanto, Santos dos Últimos Dias, temei a Deus; realizai as obras da justiça; vivei vossa religião; guardai os mandamentos, e humilhai-vos diante dele; sede um, e sede unidos ao santo sacerdócio e uns aos outros, e vos direi, em nome de Deus, que Sião se levantará e resplandecerá, e o poder de Deus repousará sobre ela; e sua glória se manifestará, e nos regozijaremos na plenitude das bênçãos do Evangelho de paz; e a obra de Deus há de avançar e crescer, até que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e de seu Cristo, e toda criatura no céu, na terra e debaixo da terra será ouvida a dizer: Bênção, e glória, e honra, e louvor, e poder, força, e majestade e domínio sejam atribuídos àquele que está assentado no trono, e ao Cordeiro, para todo o sempre. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “O Objetivo da Reunião dos Santos — Conflito entre os Poderes de Deus e do Mal — O Mundo Piorando Cada Vez Mais — A Obra de Deus Progredindo — Exortação à Retidão e ao Espírito de União”, (1879-08-31). Pulpit Vault, 1879-08-taylor-the-object-of-the-gathering-of-the-saints. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).