Restituição de Todas as Coisas — Pré-Existência do Homem — Primeiros Princípios do Evangelho
John Morgan
Lerei, para que ouçais, esta tarde, os versículos 19, 20 e 21 do capítulo 3 dos Atos dos Apóstolos — ¶
"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, quando vierem os tempos de refrigério pela presença do Senhor; ¶
"E ele enviar Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado; ¶
"O qual convém que o céu contenha até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio do mundo." ¶
Ao procurar dirigir-me aos que estão presentes esta tarde, desejo ter parte na fé e nas orações de meus ouvintes, para que sejam ditas as coisas, apresentados os princípios, que sejam para nosso mútuo bem e benefício, e aceitáveis a nosso Pai e Deus. Tenho frequentemente pensado, em relação a nossos cultos aqui no Tabernáculo, que deveriam ser um testemunho, não somente para os Santos dos Últimos Dias, mas para os estranhos que possam nos visitar, a respeito da obra em que estamos empenhados, do modo como se realiza nossa pregação. Os élderes vêm à congregação sem antecipação alguma de serem chamados a dirigir-se ao povo. Durante a semana, é possível que estejam ocupados em suas diversas ocupações, como agricultores, artesãos, mecânicos de vários tipos, comerciantes, e nas diferentes esferas da vida, e, possivelmente, vêm à reunião e à congregação com a mente cheia dos negócios da semana anterior, quando são chamados a levantar-se diante de uma congregação de mil, dois mil, três mil, cinco mil ou dez mil pessoas, e a pregar-lhes as palavras da vida eterna. Uma congregação desse tamanho, em qualquer outro lugar do mundo cristão, para ser edificada, para ser instruída, exigiria do ministro considerável preparação. Mas não é assim entre nós, como povo. Os élderes são chamados à tribuna sem um momento sequer de aviso, ou tempo para preparar o que talvez tenham de dizer, ou o que se espera que digam; e pareceu-me estranho, quando entrei pela primeira vez numa congregação dos santos, e vi este modo de proceder. Sem dúvida, parece estranho hoje a muitos que nos visitam. Mas confiamos nas promessas de nosso Salvador, embora feitas há muitas centenas de anos. Consideramos essas promessas ainda válidas e em vigor, e que, na hora em que formos chamados a proclamar as palavras da vida eterna, ele nos dará as palavras a dizer; falaremos pela inspiração daquele espírito que nos conduz, guia e dirige a toda verdade. ¶
Nas passagens que acabo de ler, especialmente no versículo 21, faz-se referência a Jesus Cristo de Nazaré, que viera, naquele dia e época em que essas palavras foram proferidas, de modo humilde, da cidade de Nazaré, proclamando certos princípios, certas ideias e certas doutrinas. Aconteceu que esses princípios, ideias e doutrinas não eram populares na região onde ele pregava, naquele momento específico. Ensinou certas doutrinas ao povo, que a massa da humanidade que o cercava não recebeu, não aceitou e não creu. Pelo contrário, usaram todos os meios ao seu alcance para frustrar a realização dos desígnios do Salvador, a exposição dos princípios e a promulgação das ideias e doutrinas que Jesus e aqueles que o rodeavam imediatamente proclamavam. Como resultado dessa oposição, que durou considerável tempo, esse homem, Jesus de Nazaré, foi tomado pelo povo, e pelos escribas, fariseus, ministros e sumos sacerdotes daquele dia, e crucificado; e disseram eles: "Caia o seu sangue sobre nossas cabeças e as cabeças de nossos filhos"; considerando melhor que um homem perecesse do que toda a nação fosse desencaminhada. Julgavam que, se permitissem que este homem prosseguisse, o mundo inteiro o seguiria; portanto, essa heresia, essa ilusão, esse erro gigantesco, que havia surgido, precisava ser eliminado, e o único modo de fazê-lo era matar Jesus, a quem consideravam um impostor. Como resultado, crucificaram-no, sem dúvida antecipando que esse ato deteria a obra que ele iniciara; que, a partir do dia de sua crucificação, seus seguidores diminuiriam e cairiam, e que a ilusão que ele pregara não seria mais ouvida na face da terra. Bem, até certo ponto, estavam certos nisto. Pedro, sem dúvida, como profeta, vidente e revelador, viu esta característica no futuro. Ao dizer-lhes que haviam crucificado o Cristo, o Salvador do mundo, lembrou-lhes que era necessário que os céus recebessem este homem. Ele não poderia mais habitar com eles na carne. Ele viera, e nascera na terra; fora batizado; o Espírito Santo descera sobre ele em forma corpórea de pomba; fora crucificado, sepultado e ressuscitado, e ascendera ao céu. Naturalmente, seus amigos e seguidores perguntariam: por quanto tempo há de permanecer ali, por todas as eras da eternidade? Ó, não, pois, no momento de sua ascensão, quando seus discípulos permaneciam olhando para ele, subindo ao alto, dois anjos se puseram ao seu lado, e disseram: "Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir." Tinham a promessa dada dos lábios de santos anjos de que, do mesmo modo que ele ascendera num corpo de carne e osso, do mesmo modo haveria de voltar à terra. Pedro, então, nos informa por quanto tempo ele há de permanecer ausente da terra, nos informa quanto tempo há de morar nos céus: "a quem convém que o céu contenha até os tempos da restauração de todas as coisas." ¶
Deve ser, então, que algo teria de ter sido tirado da terra, para se poder efetuar uma restituição. Assim, por exemplo, seria impossível que um homem me restituísse algo que eu jamais possuíra. Seria impossível restituir à terra algo que a terra jamais possuíra. Seria impossível restituir à família humana algo que ela jamais possuíra. Então, para que houvesse uma restituição, seria preciso que se restituíssem à terra certas coisas, certos princípios, certas doutrinas, certas ideias, que outrora existiram na face da terra. Outros dos apóstolos e profetas, videntes e reveladores do Senhor Jesus Cristo, em seu dia e época, aguardavam este tempo. Isaías nos diz que viria o tempo em que a terra lamentaria, se desfaria e definharia. Por quê? "Porque trespassam as leis, mudam os estatutos, e quebram o convênio eterno." ¶
Certos princípios foram apresentados quando Jesus estava na terra. Foram apresentados por ele e por seus seguidores, os discípulos, e aqueles que criam em sua missão. Proeminente entre esses princípios estava aquele que ele apresentou a respeito de si mesmo. Falou de haver vindo do Pai; e Pedro, ao falar deste assunto numa de suas epístolas, diz: "O qual, na verdade, já dantes foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, porém manifestado nestes últimos tempos por causa de vós." Voltando ainda mais atrás na história, tal como a temos aqui nas sagradas escrituras, achamos que Deus falou a alguns dos profetas, em tempos antigos, a respeito deste mesmo princípio. Disse ele a Jeremias: "Antes que te formasse no ventre, te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei, e às nações te dei por profeta." Novamente, achamos, nos escritos de Jó, falando da organização do mundo, que "as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam". Novamente, um dos escritores das sagradas escrituras, ao falar sobre este assunto, disse: "E o pó voltar à terra, como o era, e o espírito voltar a Deus, que o deu." Tomo isto como consequência lógica de que seria impossível voltar a um lugar onde jamais estivéssemos; que seria impossível voltar a Deus, se não estivéssemos jamais estado em sua presença. ¶
Encontro, nas passagens que citei, uma alusão à pré-existência que tivemos, semelhante àquela que Jesus ensinou de si mesmo quando estava na terra. Quando ele e seus discípulos iam pelo caminho, encontraram um homem que fora cego desde o nascimento. Os discípulos referiram-se a Jesus e perguntaram: "Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?" Se o resultado da cegueira era o pecado do homem, certamente esse pecado deve ter sido cometido antes de seu nascimento na carne. É pouco provável que um homem tivesse de ser punido deste modo em expectativa de que cometesse um pecado. Essa ideia é reservada aos homens do século dezenove. Sabemos, como povo, que homens, em centenas e milhares de casos, são julgados e condenados antes de provada sua culpa. Essa ideia, porém, não é promulgada por autoridade divina. Acho, então, nestas passagens, prova da pré-existência destes espíritos nossos, que habitam nossos tabernáculos, aqueles que vejo diante de mim esta tarde, assim como o meu próprio. Acho, em todas as partes do mundo de que temos algum conhecimento, ou onde quer que eu tenha tido o privilégio de entrar em contato com os filhos dos homens, que aquilo a que chamamos morte lhes chega; e acho que quase universalmente concordam — embora o saduceísmo ainda exista, até certo ponto, no mundo cristão de hoje — que, quando trazemos este corpo de carne e osso, este invólucro exterior do espírito, há um espírito que habitou aquele corpo, e que vai para algum lugar, se assim quiserdes; que, ao deixar esta terra, existe como espírito, ou tem existência fora deste corpo de carne e osso. E acho também, de modo geral, que a família humana reconhece que esse espírito tem inteligência, e acho, ademais, que a grande maioria do mundo cristão crê que esse espírito não só tem inteligência, como também pode sofrer dor e desfrutar prazer. Como, por exemplo, ouvimos as pessoas falarem a respeito daqueles de sua casa que partiram de seu meio. Sepultaram o corpo de carne e osso, e ele pode desfazer-se na sepultura, e, contudo, sentem-se levadas a dizer: "O espírito foi para trás do véu, e, quando lá formos, esperamos encontrá-lo." Achamos também que os assim chamados seguidores do Senhor Jesus Cristo, hoje, ao falarem deste assunto, afirmam que o espírito foi para um lugar de punição, onde é punido, ou que foi para um lugar de gozo, onde pode desfrutar. Em outras palavras, que este espírito dentro de nós é algo tangível, algo que pode raciocinar, algo que pode sentir e experimentar dor ou desfrutar prazer. Em outras palavras, quando chegamos a examinar este assunto, quando chegamos a averiguar a verdade a respeito dele, achamos que o espírito que habita este corpo, os espíritos que habitam os corpos da família humana, são a parte inteligente deles — é a parte que recebe luz e conhecimento; é a parte que foi criada antes de lançados os fundamentos da terra, e que veio à terra para tabernacular na carne, e, quando terminarmos com este corpo de carne e osso, o espírito, no que diz respeito à luz e ao conhecimento, retém sua identidade e seu conhecimento. ¶
Uma ideia muito errônea que se infiltrou na mente da família humana, e que achamos tradicionada na mente de nossos filhos, é esta: uma espécie de impressão vaga, indistinta, de que, ao depormos este corpo de carne e osso, depomos também as fraquezas e imperfeições desta vida. Não, se as palavras deste livro (a Bíblia) são verdadeiras, pois achamos que aqueles espíritos, depois de terem ido para trás do véu, segundo o apóstolo Pedro, tiveram de ser pregados: "Porque para isso", diz ele, "foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito." Precisavam ser pregados, para que pudessem viver segundo o Espírito de Deus, e, como achamos no capítulo precedente, diz Pedro: "No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé." E penso, muitas vezes, que, em relação a este assunto, se muitos de nossos homens em Israel parassem e refletissem por alguns momentos a respeito deste ponto, seria de benefício para eles; que, se compreendessem que os hábitos e as fraquezas em que se entregam, as fraquezas a que se acostumam, e que não são corretas, hão de acompanhá-los ao mundo espiritual, para ali serem arrependidas ou abandonadas, hesitariam antes de se viciarem em muitas das coisas que fazem, vendo que os hábitos que contraíram permanecerão eternamente com eles, a menos que se arrependam deles. Mas o arrependimento, aqui ou lá, tem de vir, antes que o progresso ou a exaltação jamais os alcance, pelos séculos dos séculos. Todos os pensamentos e atos em que nos entregamos aqui, as ideias que obtemos, os princípios de que nos tornamos participantes, são eternos por natureza, e hão de permanecer e ficar conosco, por toda a eternidade que há de vir, para o bem ou para o mal. Há certas leis, certas regras, certo sistema de ordem, que controla, dirige e guia todo este grande plano. Esses princípios foram ensinados pelo Salvador quando estava na terra. Não eram populares, porém, porque não se harmonizavam com as ideias daquele dia e época do mundo. Diziam esses sábios dos fariseus e saduceus: "Ora, essas doutrinas colidem com nossas ideias particulares, ou peculiares, e, se as admitirmos por um só momento, a estrutura que aqui edificamos há de desmoronar; não podemos suportar isso." É verdade que não podiam contender com Jesus e seus apóstolos em argumento; e sempre disse que todo homem, todo grupo de homens, todo governo, não importa quem sejam, ou o que sejam, que recorra à força bruta para convencer seus opositores de que estão errados — digo que aqueles que assim procedem quase certamente estão em erro. Esgotaram os argumentos, e todo governo que force os homens em relação a crenças, políticas ou religiosas, considero que esse governo, ou o povo que se envolve em tal coisa, está sem argumentos de seu lado; já não tem mais argumento algum para sustentar-se, e recorre à força para vencer seu ponto de vista. Naquele dia e naquela época do mundo, os homens que se opunham a Jesus e a seus apóstolos esgotaram seus argumentos, e, como resultado, disseram: "Tiraremos a vida deste homem." ¶
Achamos outros princípios ensinados por nosso Salvador quando estava na terra. Um deles era a fé, princípio muito importante no plano de salvação. Outro era o princípio do arrependimento, e penso muitas vezes, ao entrar em contato com a família humana, que uma das razões, hoje, para a discórdia e a confusão que reinam entre os filhos dos homens, é que não se arrependeram verdadeiramente. É verdade que há uma forma de arrependimento em que se entregam muitos milhões da família humana — uma espécie de arrependimento que geme, e chora, e lamenta os pecados que cometeram, mas que voltam a fazer o mesmo no dia seguinte. Este é o tipo de arrependimento a que Paulo se referia quando disse: "Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte." Há uma espécie de tristeza que não precisa ser arrependida, e que consiste em afastar-se de tudo o que é mau, de tudo o que é errado ou incorreto aos olhos de Deus, dos santos anjos e de todos os homens bons. ¶
Jesus ensinou também o princípio do batismo, e não tenho dúvida alguma, em minha própria mente, de que ele previu o fato de que chegaria o tempo em que o princípio do batismo, tal como ele o ensinara, seria pervertido e mudado. Paulo sem dúvida previu esse tempo, pois disse: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, conforme as suas próprias concupiscências amontoarão para si mestres; e desviarão os ouvidos da verdade, e se tornarão às fábulas." Achamos muitas fábulas no mundo, hoje, a respeito do princípio do batismo. O batismo que Pedro ensinou era bem diferente do batismo ensinado pelo mundo cristão hoje. Disse ele: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado." Para quê? "Para perdão dos pecados." Hoje, o batismo não é praticado com esse objetivo em vista, de modo algum, por aqueles que professam ter o Evangelho de Cristo. Batizam por formalidade, para responder a uma boa consciência. Acho que o batismo que Pedro ensinou, que João ensinou, tinha por objeto a remissão do pecado, e outro princípio muito importante devia seguir-se a esse batismo, pois disse Pedro, enfaticamente: "e recebereis o dom do Espírito Santo." E, com medo de que houvesse os que pervertessem, mudassem e se desviassem deste princípio, disse ele aos milhares da Judeia que o ouviam: "a promessa vos pertence, a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar." A promessa era para os que estavam longe. Não faz diferença quanto à nacionalidade, parentesco ou raça, e, hoje, se Deus chama qualquer homem para obedecer-lhe e guardar seus mandamentos, indo às águas do batismo, essa promessa é tão válida quanto o foi no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi tão poderosamente derramado sobre os apóstolos. Achamos um exemplo relacionado a esta ordenança nos Atos dos Apóstolos. Os apóstolos, estando em Jerusalém, ouviram que Samaria recebera a palavra de Deus, e que Filipe estava administrando a ordenança do batismo, depois que o povo se arrependera — mas, pelo arrependimento, não receberam o Espírito Santo. Sabeis que o arrependimento, no mundo cristão de hoje, traz o dom do Espírito Santo. Pedro e João desceram a Samaria e oraram para que recebessem o Espírito Santo. Mas trouxe-o a oração? Não. "Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo." Esta era uma ordenança instituída por nosso Senhor e Mestre, ensinada e pregada por ele e por seus apóstolos, para a recepção do Espírito Santo. Mas essa ordenança, hoje, no meio do mundo cristão, é obsoleta; já não é mais considerada necessária. Suponho que, neste dia de esclarecimento do século dezenove, com sua sabedoria em relação à mecânica, à descoberta, à invenção, tenham descoberto algum atalho pelo qual possam realizar sua salvação sem a ajuda do Senhor, e, consequentemente, tomaram a si mesmos a tarefa de eliminar este princípio do Evangelho. ¶
Achamos que uma das bênçãos que deveria ser dada aos que recebem este grande e glorioso dom deveria ser o dom da sabedoria. Se, contudo, formos julgar os assim chamados sábios de hoje, só podemos concluir que certamente não o possuem; certamente não podem possuí-lo, ou não tomariam o rumo que muitos deles tomam. Deveria dar-lhes sabedoria, mas não a encontrais em seu meio, nem fé alguma nesta ordenança do Evangelho. Qual é a razão, hoje, de esta nação, por exemplo, não entrar nas águas do batismo? Porque não têm fé de que Deus cumprirá sua promessa e remitirá seus pecados por essa ordenança. Qual é a razão de as seitas de hoje omitirem a ordenança da imposição de mãos para a recepção do Espírito Santo? Porque não creem que o Deus de Israel cumprirá sua promessa; não têm fé nele. Qual é a razão de, em meio à necessidade e à miséria causadas pela doença, não administrarem aos doentes pela imposição de mãos, como ordenado? Porque não têm fé para crer que Deus cumprirá sua promessa. Consequentemente, sou levado a crer que, em tudo isso, há falta de sabedoria da parte do povo; não receberam o dom do Espírito Santo, que leva, guia e dirige a toda verdade. Que ele não o faça aos sábios desta nação, e a todas as nações da terra, é fato evidente pelos muitos erros que cometem em seu trabalho político, em seus esquemas financeiros, pois hoje um esquema é levantado, pelo qual a dívida nacional há de ser paga; amanhã, outro homem surge com suas ideias; no dia seguinte, algo mais aparece, e assim são jogados de um lado para outro por todo vento de doutrina financeira; consequentemente, sou levado a crer que não receberam este dom. ¶
Acho também que este dom nos mostrará as coisas que hão de vir. Bem, é verdade que achamos pessoas falando das coisas que hão de vir. Tivemos um homem, recentemente, que publicou um pequeno livro a respeito de grandes calamidades que estão por vir. Com que autoridade falou ele? Com que privilégio enunciou essas ideias, e de onde as obteve? Recebeu crédito por elas? Sim; o mundo lhe dá crédito. Mas falou Deus por meio desse homem? Julgo que não, se tomarmos como evidência toda a crença e as doutrinas do homem. Novamente, quando saímos pelo meio desta nação e das nações da terra, perguntamos: "Tendes, em vosso meio, sábios que possam prever e predizer os acontecimentos que hão de vir?" "Não", dizem eles, "não temos nada disso; não cremos hoje que homem algum tenha esse dom", e lembro-me bem do olhar assustado que um cavalheiro me lançou, quando, em conversa sobre este princípio, disse-lhe eu que o dom do Espírito Santo revela ao homem as coisas que hão de vir. A princípio, pareceu bastante agradado com a ideia. Era membro de uma igreja, e vivia numa comunidade cristã, na qual havia milhares de bons cristãos. Enquanto conversávamos, perguntei-lhe o que aconteceria se ele professasse tal coisa. "Ora," disse ele, "creio realmente que me matariam. Não me deixariam viver aqui uma semana, se eu professasse algo desse tipo." "O quê?" disse eu, "em meio a esta comunidade cristã, cercada de Bíblias, com associações bíblicas, com ministros do Evangelho chamando o povo para ser salvo, e com o fato de que o Salvador pregou esta doutrina, e, contudo, quando se seguem suas instruções, tirar-vos-iam a vida?" "Sim," disse ele, "creio verdadeiramente que o fariam." Bem, também eu posso crer nisso, pelo pouco que já experimentei do mundo cristão; consequentemente, sou levado a crer que lhes falta a posse deste princípio, que não receberam este dom. E, às vezes, comparo isto, em minhas meditações, deste modo: disse João: "Que era a luz verdadeira, que alumia todo homem que vem ao mundo." Entendo que toda pessoa, na face da terra, possui esta lâmpada, mas pergunto-vos, como seres racionais que sois: de que benefício é esta lâmpada, a menos que seja acesa? Seria uma lâmpada, num quarto escuro, de algum benefício para um homem, se ele não tivesse meio algum de acendê-la, ou algum meio pelo qual pudesse tocar a luz e fazê-la brilhar? Nenhum, absolutamente; ele estaria tão bem sem a lâmpada. Ela precisa ser acesa, e a dificuldade do mundo, hoje, é que talvez possuam essa lâmpada, mas ela não foi acesa, ao passo que foi acesa nos profetas do Deus vivo, em dias passados, e, como Pedro pôde dizer a essas pessoas, consolando-as a este respeito: "a quem convém que o céu contenha até o tempo da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio do mundo." Foi pelo acender dessa lâmpada, dentro de Pedro, que ele foi ensinado a respeito deste grande acontecimento, que haveria de vir, na restituição de todas as coisas. ¶
Pois bem, quando chegou o dia da restituição, qual foi o resultado? Quando o sol da manhã do dia da restituição se levantou, e começou a fazer sentir sua influência sobre a terra, qual foi o resultado? A história apenas se repete. Como foi nos dias de Noé, assim há de ser na vinda do Filho do Homem, nos dias da restituição de todas as coisas. E, quando aconteceu que Deus levantou seu profeta na face da terra, e enviou seu anjo das cortes do céu, para restituir estas coisas aos filhos dos homens, estes grandes e gloriosos princípios que haviam sido perdidos, a mesma oposição, o mesmo caráter de oposição surgiu. O princípio da fé, em grande medida, fora perdido da face da terra, e, ao ser restaurado, teve de ser uma restauração exatamente da mesma fé que se tinha em tempos antigos, a fé que faria com que os homens obedecessem aos princípios do Evangelho eterno, apesar de toda a oposição dos poderes das trevas, da terra e do inferno combinados, que pudessem se levantar contra eles. Foi restituído à terra o princípio correto do arrependimento, de afastar-se do erro. Foi restituído à terra o princípio correto do batismo para a remissão dos pecados. Foi restituída à terra a ordenança da imposição de mãos para a recepção do Espírito Santo. Foi restituída à terra a autoridade para agir nestes diferentes ofícios, e, como João Batista detinha as chaves do ofício do batismo para a remissão dos pecados, foi enviado de volta à terra, neste dia e época do mundo, como mensageiro de Deus, para restituir este princípio à terra. "Mas," diz o mundo cristão, "não cremos nisso." Pergunto-me que diferença faz isso? Pergunto-me se faz alguma diferença? Pergunto-me se isso terá alguma influência sobre o fato? Se João realmente veio, ainda que todo homem e toda mulher, toda alma que existe na face de toda a terra, se recusasse a crer, salvo aquele a quem foi enviado, ainda assim isso é obrigatório para eles, na medida em que a proclamação os alcança. Creiam nisso ou não, continua sendo um fato, um princípio de verdade; e, quando o homem, o homem vão, se levanta e diz o que crê, que diferença faz isso? Nenhuma, absolutamente, com todo o respeito à sua crença, qualquer que seja; nós, como povo, hoje, sabemos por nós mesmos que a autoridade para batizar para a remissão dos pecados foi restituída à terra, pelo retorno da pessoa própria, e os Santos dos Últimos Dias estão bem versados a respeito destes assuntos. "Como sabeis destas coisas; como obtendes este conhecimento?" Alguns homens já me perguntaram isso, ao entrar em contato com estranhos à nossa crença. Ao responder a essa pergunta, voltemo-nos aos ditos do Salvador. Disse ele: "Se algum homem" (ele não o restringiu a uma dúzia, a uma centena, a mil, ou a dez milhões) "quiser fazer a vontade dele (do Pai), conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." Os Santos dos Últimos Dias entraram nas águas do batismo, receberam a imposição de mãos, e sabem, por si mesmos, que estes princípios de que vos tenho falado esta tarde são verdadeiros, e tenho considerado o assunto deste modo: não seria procedimento bastante inusitado e peculiar que, digamos, cinquenta, ou cem, ou quinhentos sábios do oriente viessem até aqui e tentassem convencer-nos de que não há Lago ali, que jamais houve, que tudo é um engano e um mito, que estamos enganados a respeito disso, e, quando tivessem levado seu argumento a tal ponto, quase ofensivo, desagradável e incômodo, sem nos convencer, seria procedimento inusitado se dissessem: "Bem, vamos vos pôr na prisão e multar-vos, se não reconhecerdes que não há tal lago." Mas tão inusitado quanto isso é o procedimento movido contra nós hoje, e por anos passados, em relação a estes princípios que defendemos; sabemos, como povo, tão bem quanto sabemos que o Lago Salgado existe, que Deus falou dos céus, nestes últimos dias. Falar em convencer os homens do contrário, a respeito destes assuntos! Às vezes sou levado a maravilhar-me com a loucura dos homens, a respeito destas coisas, e parece presunção de sua parte falar e agir como fazem. Estou disposto a falar amável, cortês e agradavelmente com qualquer homem, a respeito destes princípios, e, quando ele me diz que existe tal lugar como Omaha, e diz: "Já passei por lá, sei que existe tal lugar, ou que há certas estações na ferrovia ali," estou disposto a acreditar nele; não o contradigo, e, quando lhe digo que sei, por mim mesmo, a verdade de minha religião, espero que me trate cortesmente a esse respeito. Mas nossas expectativas, nesse sentido, nem sempre se realizam. Somos frequentemente respondidos de modo bem peculiar; somos frequentemente confrontados com argumentos bem peculiares. Considero, porém, que não é argumento algum, para refutar um princípio, difamar o caráter dos que nele creem. O caráter posterior de Judas não provou que seu testemunho de Cristo fosse incorreto. A negação de Pedro não provou que Jesus não era o Cristo. O caráter de um homem nada tem a ver com o princípio que se possa apresentar. Não me importa de onde venha a verdade; não me importa quem a pregue; não me importa se o próprio diabo enunciasse um princípio de verdade, é verdade do mesmo modo, e não podeis mudá-la nem alterá-la. Não me importa quão sábio seja o homem, quão longa seja a oração que faça, ou quão reverendo pareça, se ele conta uma mentira, é mentira, e não podeis mudá-la nem alterá-la. Assim é como nós, como povo, olhamos os princípios da verdade, os princípios que conduzem à luz e ao conhecimento, e é tempo de o povo deixar de lado a ideia tola de lutar contra tais coisas. Sentemo-nos por um momento, e examinemos, em detalhe, princípio após princípio, e vos direi que, se algum homem, na face da terra, me mostrar que estou em erro, em algum princípio, deixá-lo-ei nessa mesma hora, e não mais o reclamarei como princípio. Fará todo homem o mesmo por mim? Muitos o farão, e muitos não o farão. Lembro-me do caso de um ministro que veio visitar-me. Desejava ser justo com ele, e desejava que ele o fosse igualmente comigo. Eu disse: "Ora, estamos sozinhos na sala, não há testemunhas aqui; mas farei um pacto convosco. Aqui está a Bíblia; buscaremos a verdade, e, onde eu encontrar a verdade, tereis de reconhecê-la, e, onde vós a encontrardes, farei o mesmo." "Não," disse ele, "não o farei." "Por que não?" disse eu. "Ah," disse ele, "poderíeis armar alguma cilada. Temos certa disciplina a seguir; temos um credo de fé, e poderíeis tentar apanhar-me nalguma armadilha." "Mas," disse eu, "se estais errado em vosso credo ou fé, não quereis ser corrigido?" "Ah," disse ele, "é a fé de meus pais, é a fé pela qual morreram, é a fé de meu avô, de meu bisavô; por gerações eles viveram e morreram por ela, e não posso permitir-me fazer uma mudança." "Bem," disse eu, "não há proveito algum em conversarmos, vós e eu, se é esse o caso; aqui termina a conversa." Ora, considero tal raciocínio o cúmulo da tolice. Deixemos, como homens e mulheres honestos, todo o preconceito e toda a malícia, e examinemos os princípios da verdade e da retidão, tal como se nos apresentam, e tal como a luz e a inteligência do Espírito Santo no-los hão de mostrar, pois hão de nos conduzir e guiar de volta à presença de nosso Pai e Deus. A verdade não prejudicará homem algum. Os princípios de verdade que os Santos dos Últimos Dias pregam às nações da terra, os princípios que os élderes têm levado às nações, são os princípios pelos quais a família humana pode ser salva, se lhes derem ouvidos. Estes princípios não são para poucos; o plano que Deus revelou é para todos. Estes princípios são revelados para que o reino de Deus se estabeleça na terra em retidão, e hão de conduzir, guiar e controlar incontáveis milhões da família humana que já habitaram e ainda hão de habitar a terra. Nós, como Santos dos Últimos Dias, deveríamos ter visões amplas e filantrópicas a respeito destas coisas. Que importa se nossos nomes são lançados fora como maus? Que importa se nos atacam, ou contendem a respeito destes assuntos? Lede a história do passado, e qual tem sido o resultado? Tomai os indivíduos, tomai os homens que contenderam contra o reino de Deus no último meio século, e qual tem sido o resultado? Tomai os planos, e os incontáveis milhares de tramas e projetos apresentados para a derrubada da Igreja de Cristo, e onde estão eles hoje? "Desvanecido entre as coisas que foram, / Um conto escolar de dias idos, / A maravilha de apenas uma hora." Foram-se, sem que ninguém mais se lembre; esquecidos da face da terra, e seus autores com eles. Por quanto tempo os homens hão de continuar em sua loucura, lutando contra os escudos de Jeová? Ora, só enquanto o Senhor os permitir, nem um instante mais. Nós, como povo de Deus, reconhecemos a mão de Deus em relação a estas coisas, e queremos preparar e ajustar nossa mente para uma visão exaltada a respeito da operação do reino de Deus. Queremos deixar de lado a ideia de "poupar no pequeno e desperdiçar no grande", que muitos de nós temos a respeito destas coisas, como algo que não nos convém, como Santos dos Últimos Dias. Não estou apontando falhas; mas queremos olhar para estes princípios com mente grande e nobre; "queremos moldar nossa vida em conexão com estas coisas," e, como já se disse em tempos antigos, "busquemos primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas nos serão acrescentadas." Queremos voltar nosso rosto para a edificação do reino de Deus. Para a difusão e a promulgação de seus princípios, não somente por estes vales das montanhas, mas por todas as nações da terra. E há de deter isso a oposição que temos de enfrentar? De modo algum. Ela apenas há de acrescentar combustível ao fogo, até que a chama cresça cada vez mais, até que todas as nações da terra a vejam, e Sião se assente sobre um monte, o que Deus conceda, em nome de Jesus. Amém. ¶