Poder e Efeitos do Evangelho — Antagonismo entre a Luz e as Trevas — Necessidade dos Juízos de Deus sobre os Ímpios
John Taylor
Tenho me interessado muitíssimo ao ouvir as observações feitas por meus irmãos, tanto esta manhã quanto esta tarde. E sinto, com a ajuda do Todo-Poderoso, vontade de fazer também algumas observações. ¶
Vivemos num dia e numa época peculiar do mundo, num tempo de que falaram profetas, videntes, reveladores e apóstolos, homens inspirados pelo Espírito do Deus vivo, que compreenderam os propósitos e desígnios de Deus em relação ao mundo em que vivemos; em relação ao povo que agora nele vive, aos que nele viveram nas várias eras do tempo, e aos que nele hão de viver, e que tiveram uma concepção geral e uma manifestação dos diversos acontecimentos que deveriam ocorrer, associados ao que se denomina, nas escrituras, "a dispensação da plenitude dos tempos", na qual Deus reuniria todas as coisas em um, sejam coisas nos céus, sejam coisas na terra. Como início desta operação, ele comunicou novamente sua vontade ao homem, e, pela revelação dessa vontade, pela abertura dos céus, pelo ministério de santos anjos e pela voz de Deus, nos foram revelados aqueles grandes e eternos princípios em que estão envolvidos os interesses de um mundo, passado, presente e futuro. ¶
Muito nos foi dito a respeito do Evangelho do Filho de Deus, e do poder e da bênção a ele associados, bem como argumentos apresentados e escrituras citadas para mostrar as diversas manifestações do Espírito de Deus em outras eras. Mas o próprio Evangelho é um princípio de revelação, e, sem revelação, não podemos ter Evangelho; pois nos é dito enfaticamente que a vida e a imortalidade são trazidas à luz pelo Evangelho; que, por sua influência, os homens são capazes de compreender a posição e o relacionamento que mantêm uns com os outros, e com Deus, com o passado, com o presente e com o futuro, e só assim podem compreender os destinos finais do homem. O Evangelho é um princípio vivo, permanente, eterno. E, por isso, quando João, na Ilha de Patmos, envolto em visão profética, contemplando os acontecimentos que deveriam ocorrer nos últimos dias, viu, entre outras coisas, "outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra" — não um novo Evangelho, não alguma nova teoria, princípios ou dogma; mas o Evangelho eterno, tal como existira com os Deuses na eternidade — o meio pelo qual Deus transmite inteligência à mente humana; o princípio pelo qual os Deuses são governados e todas as nações controladas, o Evangelho eterno. ¶
Este princípio tem sido referido como algo pessoal, no qual toda pessoa que entra em contato com ele e obedece a suas exigências se torna participante, e passa a fazer parte da vasta multidão que existiu, existe e existirá, buscando realizar os propósitos e desígnios de Deus em relação ao bem-estar, à felicidade e à exaltação da família humana. Daí a pertinência das observações que lemos, tais como as que ouvimos hoje, chamando o povo ao arrependimento e ao batismo em nome de Jesus Cristo para a remissão dos pecados, e que deveriam receber o Espírito Santo. Quem? Os que se arrependem, os que creem, os que obedecem, os que são governados pelos princípios contidos no Evangelho do Filho de Deus. E o que isso faria por eles? Tomar as coisas de Deus e mostrar-lhas, e trazê-los à comunhão com o Senhor Jesus Cristo e com o Pai, e à comunhão com os santos anjos e profetas que viveram antes, desfrutando do mesmo Evangelho, da mesma luz, da mesma inteligência, do mesmo espírito e do mesmo poder; para que fossem um uns com os outros, um com os antigos apóstolos, profetas, patriarcas e homens de Deus que viveram nas diferentes eras; um com o Senhor Jesus Cristo, operando juntos para o único grande propósito de Jeová, relativo ao bem-estar, à felicidade e à exaltação do mundo e de seu povo. E, por isso, dizem as escrituras, todos fostes batizados em um só batismo. E que mais? Todos participastes do mesmo espírito, como diz Jesus: "para que sejam um, como nós somos um; eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitos em unidade." E, por isso, os que obedeceram ao Evangelho — embora, em muitos casos, não o compreendam em todo o seu alcance, e muito poucos o compreendam; de fato, vemos apenas como por um espelho, em enigma, conhecemos em parte, profetizamos em parte, e compreendemos em parte, até que venha o que é perfeito, e o que é em parte se acabe, para que então todos vejamos como somos vistos, e conheçamos como somos conhecidos. Mas, embora ainda não tenhamos chegado a essa condição, todos os que receberam o Espírito Santo, por obediência às leis de Deus e às ordenanças destas, administradas por homens que detêm autoridade, sabem por si mesmos, não somente que esta é a obra de Deus, que esta é a igreja e o reino de Deus, e que estamos empenhados em estabelecer e realizar as coisas de que falaram os santos profetas desde que o mundo existe. Sabem, ao menos, que passaram da morte para a vida, testificando disso o Espírito Santo. Este é o caso de todo indivíduo que viveu sua religião, guardando os mandamentos de Deus. Percebem isto e o sabem por si mesmos, e, consequentemente, é, como já se referiu, algo pessoal para cada um. Esse princípio não é para outra pessoa; é para nós mesmos, e, se seguirmos a direção desse espírito e não entristecermos o Espírito de Deus, pelo qual estamos selados até o dia da redenção, esse espírito crescerá e aumentará em nós, e acrescentaremos à nossa fé a virtude, e à virtude o conhecimento, e ao conhecimento a fraternidade, e à fraternidade a caridade, e assim por diante; crescendo em toda boa palavra e obra, até que vejamos como somos vistos e conheçamos como somos conhecidos. É isto o que há de ser trazido pelo Evangelho de Jesus Cristo — o Evangelho eterno. ¶
Ora, isto é algo pessoal; pertence individualmente a cada um, a todo homem, a toda mulher, a todo menino, a toda menina que tenha chegado à idade da responsabilidade. Se estiverem vivendo sua religião e guardando os mandamentos de Deus, terão dentro de si o Espírito de Deus, que lhes testifica que são filhos de Deus, sim, herdeiros de Deus e coerdeiros com Jesus Cristo, nosso Senhor. ¶
Ora, então, passemos a outras coisas. Este princípio eterno de que falamos não deve ficar restrito a nós mesmos. Ele se estende e busca abençoar, e, ao ser abençoado, busca comunicar o mesmo a outros; busca promover e fazer avançar o bem-estar da humanidade em todas as condições, em toda esfera e entre todos os povos, assim como faz Deus, pois dele emana, e ele é o Deus e Pai de todos nós, não somente dos Santos dos Últimos Dias, mas de todos os outros povos; mas, tendo-nos confiado as verdadeiras riquezas da vida eterna, ele espera que as comuniquemos a outros. E, por isso, em tempos antigos, disse ele a seus discípulos: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." Também: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." Mas ele preparou homens para a realização desta obra. Em tempos antigos, tanto neste continente quanto no continente da Ásia e em outros lugares, ele mesmo se comunicava com os homens, organizava sua igreja, estabelecia seu sacerdócio, dotava os homens de autoridade, colocava-os em posições e dava-lhes poder para agir; e tornavam-se sacerdotes do Deus Altíssimo, dispensadores da salvação a um mundo decaído, e o meio pelo qual comunicava inteligência e conhecimento de si mesmo, de suas leis, e de seus propósitos eternos relativos à família humana. E, por isso, em tempos antigos, disse a seus discípulos: "Não me escolhestes vós a mim, porém eu vos escolhi a vós"; ide, pois, e proclamai estas novas a todos os povos. E que mais? Cuidai também do rebanho de Cristo, apascentai minhas ovelhas. E, por isso, quando disse a Pedro, numa certa ocasião, depois que este manifestara sua fraqueza e enfermidade, "Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?" — Ele lhe respondeu: "Sim, Senhor; tu sabes que te amo." Ele lhe disse: "Apascenta os meus cordeiros." Uma segunda e uma terceira vez fez a mesma pergunta. Uma segunda e uma terceira vez foi respondido do mesmo modo. Uma coisa era espalhar a luz da verdade, pregar o Evangelho, desdobrar os princípios da verdade eterna; e depois, quando o povo recebesse os primeiros princípios do Evangelho, ensinar-lhes e instruí-los mais plenamente nos princípios da vida eterna. E, daí, a necessidade do sacerdócio. E o que é isso? O governo e a regra de Deus, por meio dos quais os homens que ele seleciona e escolhe, o que ele tem feito nas diferentes eras do tempo, são devidamente autorizados e habilitados a proclamar sua vontade e a administrar suas ordenanças. Há mais de um sacerdócio mencionado nas escrituras. Há um especialmente associado ao Evangelho, do qual fala Paulo como sendo sem princípio de dias nem fim de anos; ou, antes, ele fala de um homem, de nome Melquisedeque, que era sem princípio de dias nem fim de anos, e permanece sacerdote para sempre. Algumas pessoas têm pensado que ele era uma espécie de personagem muito singular, sem pai e sem mãe. Isto, porém, se compreende facilmente quando se conhece o princípio. No sacerdócio levítico, tinham de provar, pelos registros, que eram descendentes literais de Arão e da tribo de Levi, antes de serem admitidos ao sacerdócio. Mas, falando deste, o sacerdócio de Melquisedeque, disse ele que era sem pai e sem mãe. É uma organização independente dessas considerações, e os que o possuem permanecem sacerdotes continuamente, e administram tanto no tempo quanto na eternidade. O quê? Continua por tanto tempo? Sim. Como sabeis? Pelas revelações de Jesus Cristo. Para vossa informação, recorrerei às escrituras a esse respeito, e examinarei por um momento alguns princípios ali desenvolvidos. ¶
Acho que, quando Jesus estava na terra, ele, numa certa ocasião, levou consigo Pedro, Tiago e João ao alto de um monte; e foi transfigurado diante deles, e Moisés e Elias lhes apareceram. E Pedro disse: "Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias." Para quem? "Um para ti." Quem mais? "Um para Moisés." O que Moisés fazia ali? "E um para Elias." O que Elias fazia ali? De onde vieram esses estranhos, tendo ambos existido gerações antes? Eles detinham o sacerdócio no tempo. Moisés pregou o Evangelho no tempo, e Elias fez o mesmo; ambos detinham o sacerdócio, e agora vêm administrar a Jesus; tendo existido no mundo eterno, voltam agora à terra e administram a ele, e a Pedro, Tiago e João, no monte. Por quê? Porque detinham o sacerdócio eterno, que administra no tempo e na eternidade. ¶
Volto novamente à Bíblia, e encontro, no Apocalipse de São João, que um grande e poderoso personagem se apresentou a ele, revestido de glória, magnificência e poder. E João prostrou-se para adorá-lo. Disse ele: "Olha, não faças tal." Por quê? Quem és tu? "Sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus." Sou um de teus conservos, dos profetas que viveram na terra, que ministraram no tempo e operaram como agora fazes, buscando realizar a vontade de meu Pai; tendo detido o sacerdócio e ministrado nele, no tempo, continuo agora a administrar este sacerdócio eterno, associado ao Evangelho eterno. Bem, quanto a isto, deixemos passar. ¶
Ora, então, qual é a posição que ocupamos? As mesmas coisas nos foram restauradas por meio de Joseph Smith, pelas revelações de Deus, o Pai, e de seu Filho Jesus Cristo, e de Morôni e Mórmon, e de Pedro, Tiago e João, e de João Batista, e de outros, que comunicaram o mesmo e revelaram coisas relativas ao sacerdócio que detinham, e conferiram autoridade a ele, e ele a outros, para administrar em relação a esses grandes e eternos princípios. E, por isso, temos nossa igreja organizada sobre esta base, nossa presidência, nossos apóstolos, nossos setentas, nossos sumos sacerdotes, nossos élderes, nossos sumos conselhos, nossos bispos e seus conselheiros, nossos sacerdotes, mestres e diáconos, e todas as várias organizações da igreja e do reino de Deus. Que mais? A edificação do corpo de Cristo. Edificar o corpo de Cristo? Sim. Ide e pregai o Evangelho a todas as nações. E então? Reuni-os. E então? Diz o profeta Jeremias: "Convertei-vos... pois eu vos desposei comigo; e vos tomarei, um de uma cidade, e dois de uma família; e vos levarei a Sião. E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência," e para "a edificação do corpo de Cristo", para que estejam preparados para cumprir seu destino e magnificar seu chamado na terra. Mas, e depois? Vamos trabalhar para edificar templos. Para quê? Para que possamos administrar neles. Por quem? Pelos vivos e pelos mortos, para que, como dizem as escrituras, "levantar-se-ão salvadores no monte Sião... e o reino será do Senhor." E, ao reunirmos um núcleo de pessoas dentre as várias nações da terra, possamos estar sob a influência do Espírito do Senhor, unidos em um só, e, por meio do sagrado sacerdócio e de nossa união e comunhão com Deus, possamos trabalhar e operar com os apóstolos, profetas, patriarcas e homens de Deus que viveram nas diferentes eras do mundo, e com Deus, e com Jesus, o Mediador do Novo Convênio, para que possamos operar com eles na realização dos propósitos de Deus, relativos à salvação dos vivos e à redenção dos mortos. ¶
Estas são algumas das obras em que estamos empenhados, e esperamos estar empenhados, e esperamos realizar, e fazer as coisas que Deus exige de nossas mãos, e esperamos que Deus, e os santos anjos, e o sacerdócio por trás do véu, e todo o céu, estejam do lado de Israel, e que todo o inferno se oponha a nós; e arriscaremos as consequências, sob quaisquer circunstâncias. ¶
Falamos dos santos; são boas pessoas? Sim, muitos deles são pessoas muito boas. E o restante deles? Bem, alguns são pecadores; alguns, dos mais vis que se podem encontrar em qualquer lugar. Como se explica isto? É exatamente como diz a Escritura. Creio que diz: "Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda qualidade de peixes." E assim é entre nós, e assim tem sido, e assim há de ser. Se tomarmos a história das eras passadas, tem sido precisamente assim. Já no primeiro início, lemos que Adão teve dois filhos, um Caim, e outro Abel. Abel era homem que temia a Deus, mas Caim não. Isto é como alguns de nós aqui. Alguns de nós temem a Deus, e alguns não; e os que não temem sempre acham que são prejudicados ou oprimidos, ou que há sempre algo errado; labutam sob imensa dificuldade; mas as boas pessoas cantam: Aleluia, aleluia, o Senhor Deus Onipotente reina, e há de reinar até pôr todos os inimigos debaixo de seus pés; e sentem-se em paz, e se alegram no Senhor dos Exércitos. Caim julgou-se prejudicado porque o Senhor não aceitara seu sacrifício, e pensou que seu irmão tinha algo a ver com isso, e seu ciúme o levou a matá-lo, e o fez. Foi um começo bastante mau, quando se olha para isso. Segundo a Bíblia, eram apenas os dois; e o homem ímpio ficou para representar o quê? Fora Adão, a criação de Deus na terra, por pelo menos cento e trinta anos, exceto que Adão teve outros filhos. Disto, porém, não falaremos hoje. Bem, o Senhor veio depois de algum tempo e disse: "Que fizeste? Onde está teu irmão Abel?" Ele respondeu: "Não sei; sou eu guardador do meu irmão?" Diz o Senhor: "A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra; e, porque fizeste isto, porei sobre ti um sinal, e serás fugitivo e errante na terra"; e assim será todo homem que combater contra Sião; e, se alguém não crê nisto, que o experimente, e há de descobrir, antes de terminar, que há um Deus que reina nos céus, e que ele clama o dia todo: "Não toqueis os meus ungidos, e não maltrateis os meus profetas." E disse ele, em outra ocasião: "Mas qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na profundeza do mar." Assim é como leio a Bíblia. ¶
Acho, ao rastrear as escrituras, que, desde o princípio, existiram dois poderes — os poderes da luz e os poderes das trevas; que ambas essas coisas existiram nos céus antes de virem para cá, que os poderes das trevas foram expulsos, e assim se tornaram o diabo e seus anjos. Este antagonismo, então, já existia antes, e é necessário que exista. É necessário que os homens sejam provados, purgados, purificados e aperfeiçoados por meio do sofrimento. E, por isso, achamos homens, nas diferentes eras, que passaram por provações e aflições de toda sorte, e tiveram de aprender a depositar sua fé em Deus, e somente em Deus. Tal foi a maldade e a corrupção dos homens nas primeiras eras, que foi necessário que Deus varresse a face da terra com um dilúvio, para que os homens fossem privados de seu poder de fazer o mal. ¶
Ouvi algumas pessoas dizerem que pensavam ser muito difícil, da parte de Deus, fazer tal coisa. Penso que teria sido muito cruel de sua parte não a ter feito. Por quê? Porque o homem é um ser dual, associado ao tempo e à eternidade, possuindo um espírito, assim como um corpo; e, como Deus é o Deus e Pai dos espíritos de toda carne que jamais existiu ou há de existir na terra, foi necessário, em certas circunstâncias, que ele exercesse seu juízo sobre os ímpios, sempre que se tornassem tão corruptos quanto se tornaram naquele tempo. Por que assim? Porque Deus é o Deus e Pai dos espíritos de toda carne, e toda carne, naquele tempo, havia se corrompido. E seria justo que aqueles espíritos ainda não nascidos tivessem de vir habitar corpos daquele povo imundo e corrupto, e sofrer os juízos de Deus? Não, não seria justo; e seria bem razoável que dissessem: "Pai, olha para aquele mundo de pessoas; vê seus crimes, sua degradação, sua iniquidade, seus roubos e assaltos, seus assassinatos e prostituições, e toda espécie de mal; deixaram o bem e se voltaram para o mal, e as imaginações e pensamentos de seu coração são maus; Pai, é justo que tenhamos de ir para lá e habitar corpos tão baixos, decaídos e degradados quanto os que possuem, e assim não ter uma oportunidade justa na terra?" "Não", diz ele, "não é; e eu os destruirei, e levantarei outro povo." E, por isso, os destruiu. Mas foi extinto, por este ato, o espírito de antagonismo a Deus? Não; continuou a operar. Achamos, por exemplo, que, nos dias de Jó, os filhos de Deus se reuniram diante do Senhor, e que Satanás estava entre eles. Isto pode parecer estranho, que ao diabo fosse permitido movimentar-se entre os filhos de Deus, mas, ainda assim, era assim. E o Senhor conversou com ele, perguntando-lhe se havia considerado seu servo Jó, que era homem perfeito, etc. "Ó sim", respondeu Satanás, "sei tudo a respeito dele; mas permite-me atacá-lo. Jó não teme a Deus sem motivo. Puseste uma cerca ao redor dele e o protegeste; nestas circunstâncias, quem não serviria a Deus? Eu o serviria, se me servisses assim." "Podes experimentá-lo", diz o Senhor. O diabo se retirou; e a próxima coisa que ouvimos é uma série de aflições que sobrevieram a este homem bom. Diz-se que os sabeus e os caldeus, como às vezes fazem por aqui, caíram sobre seus bois e camelos e os levaram, e que não pouparam os pastores, mas os mataram a fio de espada. Mal fora dado este relato a ele, seguiu-se outro, informando que fogo caíra do céu e destruíra suas ovelhas e seus pastores, salvo apenas aquele que trouxe a notícia. E, enquanto ele ainda falava, dizem-nos que outro mensageiro chegou, informando a seu senhor, Jó, que, enquanto seus filhos e filhas festejavam na casa do irmão mais velho, um grande vento do deserto se levantou e feriu a casa até que caiu, matando os jovens. Mas, apesar de tudo, a integridade de Jó não foi abalada. "Nu", disse ele, "vim eu à terra, e nu voltarei para lá; o Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor." Novamente, veio um dia em que os filhos de Deus se reuniram diante do Senhor; e o diabo também se apresentou. E o Senhor disse a Satanás: "Consideraste tu o meu servo Jó, que não há ninguém como ele na terra, homem perfeito e reto, que teme a Deus e se desvia do mal? e ele ainda retém sua integridade, embora tu me movesses contra ele, para o destruíres sem causa." E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: "Pele por pele, sim, tudo quanto o homem tem dará pela sua vida. Mas estende agora a tua mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e ele te amaldiçoará na tua face." E o Senhor disse a Satanás: "Eis que ele está na tua mão; mas preserva-lhe a vida." Então Satanás feriu a Jó com tumores malignos, desde a planta do pé até o alto da cabeça; e seus amigos vieram contra ele, e o acusaram, e seus inimigos o escarneceram, e, por fim, sua esposa veio, em seu estado miserável, e disse: "Ainda reténs tua integridade? Amaldiçoa a Deus, e morre." Mas Jó lhe respondeu e disse: "Falas como fala uma das mulheres loucas. Quê? Receberemos o bem da mão de Deus, e não receberemos o mal? O Senhor deu, e o Senhor tirou, bendito seja o nome do Senhor." Este era o seu sentimento; e é agradável sentir assim, afinal — muito melhor do que o outro modo. Disse ele ainda: "Ainda que ele me matasse, nele esperarei." E por quê? Porque tinha o Evangelho eterno. O quê! Jó tinha o Evangelho? Sim, certamente que tinha. Como sei disso? Porque o Evangelho traz à luz a vida e a imortalidade; e ele tinha conhecimento disso. E, por isso, diz ele: "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus, a quem eu verei por mim mesmo, e os meus olhos o verão, e não outro; e por isso as minhas entranhas se consomem dentro de mim." ¶
Este era o tipo de sentimento que ele tinha; é este o tipo de sentimento que queremos possuir, sentindo que Deus é nosso e que somos dele, e que estamos associados à sua Igreja e a seu reino, e que fazemos sua vontade e realizamos seus propósitos na terra. E é tudo o mesmo para nós, então, seja em paz, seja em guerra; ninguém precisa tremer os joelhos, pois poder algum pode prejudicar os santos de Deus, enquanto continuarem seguidores daquilo que é bom. Diz o Salmista: "Porque a cólera do homem redundará em teu louvor; o restante da cólera tu o restringirás." Ele há de voltar e revirar, até que, por fim, os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e de seu Cristo; e ele há de reinar para todo o sempre. Enquanto isso, os que se levantam e correm contra o escudo de Jeová hão de achar que têm Deus com quem lidar, e que não passam de cacos de barro da terra, e que hão de murchar, secar, morrer e ser condenados. Não há poder na terra que possa prejudicar Israel, enquanto se achar fazendo o que é reto, obedecendo aos mandamentos de Deus, guardando seus convênios e conservando-se em pureza e honra diante dele. ¶
Que Deus vos abençoe e vos conduza nas veredas da vida, em nome de Jesus. Amém. ¶