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Não Devemos Nos Gloriar de Superioridade Sobre Nossos Semelhantes — Deus Se Interessa pelo Bem-Estar de Toda a Humanidade — A Relação e a Responsabilidade de Todos os Homens Perante as Leis de Deus — Devemos Ser Corteses com Aqueles Cujas Opiniões Diferem das Nossas — Os Servos de Deus São Mensageiros de Salvação — A Restauração do Sacerdócio — Os Juízos do Todo-Poderoso — Teorias Absurdas de Homens Instruídos — Somente os Justos Entre os Santos Serão Salvos no Reino de Deus

John Taylor

1879-01-06

Tenho me interessado em ouvir as observações feitas pelos irmãos que nos têm dirigido a palavra durante esta Conferência; e proponho-me a oferecer algumas reflexões que passaram por minha mente enquanto ouvia o ensino e a instrução que foram apresentados.

Há um sentimento que prevalece, mais ou menos, entre todos os ramos da família humana, de que a nação ou o povo ao qual pertencem é superior em muitos aspectos aos demais, seja no governo, na moral, na ciência, nas manufaturas, nas artes ou na religião, conforme o caso, e os Santos dos Últimos Dias não estão isentos deste sentimento. Sentimos que Deus nos abençoou mais abundantemente com sabedoria e conhecimento a respeito de Si mesmo, de Seus caminhos, de Suas leis e das coisas eternas, por meio de nossa obediência à Sua vontade, mais do que abençoou a outros, e que estamos nos movendo num plano mais elevado do que o restante dos filhos e filhas de Adão. Admitindo que isto seja correto, não há nada de que devamos, como indivíduos ou como povo, nos gloriar. Se recebemos alguma inteligência ou conhecimento pertencente seja ao presente seja ao futuro, isto se deu unicamente por meio das comunicações que Deus Se agradou em nos revelar. Pois, naturalmente, somos muito parecidos com os demais homens — nem muito mais altos, nem muito mais baixos, nem muito mais inteligentes, nem muito mais ignorantes do que eles. Não há tamanha diversidade entre os povos como alguns imaginam, sendo iguais as demais circunstâncias; pode ser bom para nós refletirmos um pouco sobre a posição que ocupamos em relação aos outros, em relação a nosso Deus, em relação ao mundo em que vivemos e aos povos que nos cercam; refletirmos sobre o passado, o presente e o futuro; e compreendermos, se possível, nossa verdadeira condição perante o Todo-Poderoso e perante todos os homens.

É de fato verdade que Deus nos conferiu muitas grandes e peculiares bênçãos, pelas quais Lhe somos devedores; mas, ao mesmo tempo, o Senhor Se interessa pelo bem-estar de todos os homens, e de todos os povos de todas as nações, de todos os credos e todas as religiões — não em suas religiões como religiões, mas nas pessoas que professam crer nelas; e Ele conhece as ideias, hábitos, disposições e sentimentos peculiares dos homens em toda parte. Um dos antigos apóstolos, falando sobre estas coisas, diz: "E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura tateando o pudessem encontrar; ainda que não está longe de cada um de nós." Diz-se ainda que "somos também sua geração", e novamente que Ele é "o Deus e o Pai dos espíritos de toda a carne"; e, consequentemente, Ele Se interessa pelo bem-estar de toda a família humana, em toda parte — entre todos os povos, todas as nações, todas as tribos e todas as línguas.

Ora, se assim é, o que não temos razão para duvidar, então Ele Se interessa por toda a família humana, e procurará promover seu bem-estar e felicidade tanto quanto Lhe seja possível, segundo certas leis pelas quais Ele próprio é governado, assim como todas as coisas na criação, e o saber de que tanto se fala é simplesmente um conhecimento de alguns princípios associados àquelas leis geralmente chamadas as leis da natureza. Em relação às nações ou povos, o Senhor fará tão bem por eles quanto Lhe permitirem, e tanto quanto as leis pelas quais Ele é governado o permitam, exatamente como faríamos com nossos filhos. Nós, pais e mães, temos filhos; eles nem sempre fazem o que gostaríamos que fizessem; mas desejamos relevar suas fraquezas e imperfeições tanto quanto possível; mas, quando se chega a certos pontos, tanto o pai quanto a mãe têm de parar. Se nossos filhos violam as leis da terra, hão de ser julgados por essas leis, e não podemos impedi-lo, nem devemos tentá-lo. Ainda assim, nossos sentimentos se voltam para nossas famílias, e é justo e natural que assim seja, pois esses sentimentos paternais foram plantados no peito humano pelo Todo-Poderoso. É, portanto, apropriado que tenhamos afeição e manifestemos bondade, paciência e longanimidade para com todos os nossos filhos e todos aqueles com quem nos associamos. Deus tem este tipo de sentimento para com Seus filhos; e é uma porção do espírito que dEle emana que suscita esta afeição e consideração por nossa prole.

Estas coisas estão também relacionadas com outros assuntos. Procuramos cuidar do bem-estar de nossos filhos; procuramos — isto é, os que não estão totalmente depravados — conduzi-los pelos caminhos retos, influenciar suas mentes e sua moral, e ensiná-los corretamente tanto em relação à religião, à educação e à moral, como em assuntos seculares, a fim de que se tornem homens e mulheres inteligentes, capazes de se sustentarem, que aperfeiçoem os talentos que Deus lhes deu, e que possam compreender, ao menos, algumas das leis pelas quais as criações, os mundos, são governados, e os princípios pelos quais somos cercados neste mundo, bem como um conhecimento das leis da vida. Tudo isto é muito apropriado; e também é apropriado que os homens cultivem relações agradáveis e tenham bons sentimentos para com os outros. Um dos maiores males a que se alude nas santas escrituras, e que se diz há de se desenvolver nos últimos dias, é assim descrito: "nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos" — em vez de terem aquele sentimento bondoso, fraternal e afetuoso para com os outros, serão "amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amantes dos deleites do que amantes de Deus; tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela." Fala-se disto como um dos maiores males que poderiam existir entre os homens.

Como já disse antes, temos consideração por nossos filhos, e Deus também tem consideração por nós. Desejamos educar nossos filhos no caminho que queremos que sigam; outras pessoas desejam fazer o mesmo. Falemos dos católicos, metodistas, presbiterianos, batistas e outras denominações — por mais inconsistentes e tolas que possam nos parecer suas ideias, sentimentos ou modo de adoração, ainda assim muitos deles são bastante sinceros em procurar beneficiar seus filhos. E Deus é sincero em procurar promover a felicidade e o bem-estar deles, tanto quanto o é em relação a nós, tanto neste mundo como no mundo vindouro. E, por isso, Ele fará o melhor que puder por todos os povos. Mas, como já disse, sendo governado por lei, Ele só pode tratá-los "segundo o que tiver feito no corpo, ou o bem, ou o mal." E, quando esse julgamento acontecer, todos os homens terão de sujeitar-se à sua sentença; não há apelação dela. Não há tribunal a que possam recorrer para mudar o decreto do Todo-Poderoso. O Senhor sabe disto e preparou certas classes, por assim dizer, em Sua escola aqui na terra, para o Seu povo e para todo o mundo. E Ele proveu um meio de instrução para os habitantes da terra, considerando-os como seres eternos e imortais, que têm a ver com o tempo e a eternidade. Mas todas as coisas, como já disse, estão sob a influência, o controle e o governo da lei, tanto quanto o sistema planetário ao qual estamos ligados é governado pela lei. Não importa o que alguns de nós façamos, ou como o mundo aja: o sol nasce e se põe regularmente, a terra gira em seu eixo, e assim é com todos os sistemas planetários; não há confusão, nenhuma desordem em nenhum dos movimentos dos corpos celestes. São governados por uma ciência e inteligência que está além do alcance dos homens na mortalidade; contudo movem-se estritamente segundo certas leis pelas quais todos eles têm sido, são e serão governados. E estas leis estão sob a vigilância e o controle do grande legislador, que administra, controla e dirige todos estes mundos. Se não fosse assim, moveriam-se pelo espaço em desordem selvagem, e sistema se chocaria com sistema, e mundos sobre mundos seriam destruídos, junto com seus habitantes. Mas são governados por um poder sobre-humano, por um espírito e inteligência que habita no seio dos Deuses, sobre o qual a humanidade sabe muito pouco. Assim é também com todas as forças da natureza — a terra sobre a qual estamos, os elementos de que ela é composta, o ar que respiramos, a água que bebemos, e tudo na natureza é governado estritamente segundo leis imutáveis, eternas, inalteráveis, práticas, filosóficas e estritamente científicas, se assim preferirdes chamá-las; mas são, não obstante, colocadas ali pelo Todo-Poderoso.

Agora, quanto ao mundo e à posição que nele ocupamos. Há algo peculiar na relação que mantemos com o mundo da humanidade que nos cerca. Não nos convém sermos censores, repreendendo as pessoas por coisas que não compreendem e que estão além do seu alcance; devemos ser corteses e caridosos para com todos, e não encontrar defeito nos homens por não compreenderem as coisas como nós as compreendemos. Mas procuremos entender nossa verdadeira posição e a relação que mantemos com nosso Pai Celestial, com Suas leis, com os povos com quem nos associamos, e com o mundo em que vivemos.

Lemos de muitos homens proeminentes que existiram no mundo em várias épocas. Por exemplo, houve Adão, Sete, Enoque, Matusalém, Noé, Abraão, Moisés, os Profetas, Jesus e Seus discípulos, o povo que veio para este continente, Éter e o irmão de Jarede, Leí e Néfi, Alma, Morôni, e muitos outros indivíduos proeminentes que mantiveram relação com o Todo-Poderoso, que foram colocados pelo Senhor numa posição em que pudessem receber comunicações dEle, aprender Sua vontade e ensiná-la a outros. Consideramos estes homens grandes homens, e com justiça, homens sábios, inteligentes e filantrópicos; homens que se interessavam não somente pelo seu próprio bem-estar, mas pelo bem-estar dos povos que os cercavam e do mundo em que viviam. Estes homens não vieram como censores do mundo; não vieram para engrandecer-se, para se promoverem, nem para controlar ou coagir os outros. Qual foi a grande bênção conferida a Abraão? "E em ti serão benditas todas as famílias da terra" — não amaldiçoadas, não destruídas, não aniquiladas; mas ele, como mensageiro de Deus, como eleito do céu, como homem que Ele escolhera para realizar Sua obra, e a quem usaria, por meio daqueles princípios que existiam na eternidade, para derramar bênçãos sobre a humanidade decaída. Este foi o sentimento manifestado, segundo entendo. É verdade que, quando um grupo de ladrões, sob a forma de uma confederação de reis, veio e levou seu sobrinho e outros, despojando-os de seus bens, Abraão reuniu sua casa, perseguiu-os e feriu muitos deles, e libertou aqueles a quem pretendiam oprimir, trazendo os cativos de volta a seus lugares. E, tendo feito isto, que se seguiu? Disseram-lhe: Abraão, fizeste uma boa obra, livraste-nos e trouxeste de volta este despojo, toma o que quiseres. Mas ele lhes disse que não queria nada disso: "Fostes feridos, roubados e despojados, e levados cativos; estes homens vieram sobre vós e fraudulentamente vos despojaram de vossos bens; e aqui está meu sobrinho, Ló, que é homem honrado e por quem tenho particular interesse, e eu apenas fiz por vós o que um homem deve fazer por outro; nada tomarei dos despojos. Aqui estão estes jovens que estavam comigo; podeis dar-lhes o que quiserdes, mas não tereis motivo para dizer que enriquecestes Abraão."

Homens proeminentes que eram descendentes de Abraão agiram da mesma maneira; a verdadeira benevolência torna todos cosmopolitas. Tem sido o sentimento, o propósito de todos os homens bons, beneficiar seus semelhantes; e até a filosofia dos gentios advogou isto, em certa medida. Qual foi a mensagem de Moisés quando foi enviado como libertador aos filhos de Israel, que os ímpios egípcios haviam oprimido e escravizado? Ele, como enviado de Deus, entregou uma mensagem: Assim diz o Senhor, deixa ir o Meu povo, Israel. Uma mensagem de misericórdia para Israel, e nem sequer prejudicial aos egípcios, a menos que se lhe opusessem. Libertou-os por alguma sabedoria ou inteligência inerente a si mesmo? Não, mas pelo poder do Todo-Poderoso, pelas revelações de Deus e pela inteligência que Deus lhe deu. Sua obra era especialmente uma mensagem para libertar Israel da escravidão e da opressão injusta. Ele os tirou de lá, e Deus operou com ele. E, quando seus inimigos os perseguiram, Ele os protegeu; abriu o mar e fez as águas se erguerem enquanto passavam a pé enxuto. Algumas destas pessoas filosóficas — não as chamo de cientistas, mas de ignorantes — dizem que isto é contrário às leis da natureza. Mas não é contrário às leis de Deus, nem ao poder de Deus, pois Ele pode fazer as coisas exatamente como Lhe apraz, e administrá-las segundo Sua própria vontade e propósitos; e Ele conhece outras leis na natureza, das quais os homens são ignorantes. Moisés, diz-se-nos, era estrangeiro em terra estranha, onde viu uma sarça que ardia em fogo e a sarça não se consumia (poder-se-ia dizer que isto também era contrário às leis da natureza); e uma voz lhe falou, procedente da sarça, dizendo-lhe que tirasse as sandálias dos pés, pois o solo em que estava era santo; dizendo-lhe também que ele era mensageiro escolhido do Senhor para realizar certa obra. E o Senhor o ensinou e instruiu. E Moisés se apresentou perante o rei do Egito e os poderes deste, e entregou a mensagem que Deus lhe dera. Não foi mensagem muito agradável de ouvir para eles, nem muito agradável de comunicar para ele. Mas era homem de Deus e trazia diante de si o temor de Deus; o Senhor o havia escolhido como instrumento, e, embora compreendendo suas próprias fraquezas, não se esquivou da responsabilidade, mas seguiu em nome do Deus de Israel para cumprir a incumbência que lhe fora confiada, e libertou os israelitas. É verdade que eram rebeldes e ignorantes, e é verdade que eram obstinados, e muitos deles eram muito corruptos; é verdade que não podiam suportar a luz das bênçãos do evangelho; e é também verdade que, quando Deus quis fazer deles um reino de sacerdotes, não puderam receber aquele sacerdócio, nem se deixar governar por sua influência. Ele então lhes tirou o Sacerdócio de Melquisedeque, deixando-lhes o menor, ou Sacerdócio Aarônico, porque não quiseram e não eram capazes de magnificar os deveres do maior, e disso foram necessariamente privados. E então? Deus fez o melhor que pôde por eles, como tem feito com toda nação e todo povo; contudo, enviou-lhes profetas de tempos em tempos.

Passemos adiante agora. Qual foi a mensagem que Jesus veio proclamar ao povo — uma mensagem de destruição? Uma mensagem de morte? Uma mensagem de condenação? Não, não; foi uma mensagem de boas novas e grande alegria para todos os povos. E o que Ele disse a Seus discípulos que fossem pregar? Destruição a todo o povo? Não; Sua incumbência a eles foi: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." Onde? A todo o mundo. E qual era a natureza daquele evangelho? Fé no Senhor Jesus Cristo, arrependimento e batismo para remissão dos pecados, e a imposição das mãos para o recebimento do Espírito Santo, o que colocaria os homens em posição de terem comunicação com Deus, seu Pai Celestial, tendo uma esperança florescente de imortalidade e vida eterna que entrava além do véu, para onde Cristo, seu precursor, havia ido. Portanto, era uma mensagem de misericórdia, salvação e exaltação para todo o povo que a recebesse. "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." Se foram condenados, se sofreram a ira de Deus, não foi porque a vida e a salvação não lhes tivessem sido oferecidas; foi porque rejeitaram aquela vida e salvação por meio da pregação de Sua palavra e da expiação de Seu Filho unigênito. Havia algo prejudicial nisto? Não, nada disso. Era em benefício da humanidade; era para o bem-estar do mundo; era para ensinar ao homem, por meio daqueles princípios celestiais que Ele havia comunicado, as leis de Deus, para colocá-lo na posse daqueles ricos tesouros da vida eterna, abrindo o reino dos céus ao crente que obedecesse a Suas leis e se deixasse governar por elas. Esta é a mensagem que Deus sempre proclamou ao povo.

Quando veio Joseph Smith, o que ele pregou? Exatamente o mesmo que todos os outros haviam pregado. Foi por causa de alguma filosofia peculiar, ou de alguma inteligência notável que ele próprio tivesse, de início, para compreender aqueles princípios que revelou? Não. É verdade que ele foi instrumento escolhido do Todo-Poderoso para esse propósito; é verdade que, sendo da semente de Abraão, aquela bênção peculiar lhe pertencia. É verdade que Abraão, em anos passados, por meio de sua genealogia, foi feito conhecedor dos direitos pertencentes ao sacerdócio, e que Joseph Smith tinha esses direitos em comum com Abraão, sendo da sua semente. E é verdade que foi escolhido para este propósito; mas, até que o Senhor Se manifestasse a ele e revelasse Seus propósitos, ele não sabia nada a respeito das coisas de Deus, mais do que vós ou eu sabíamos. Sei disto porque conversei com ele sobre estes assuntos. Pois bem, qual era a natureza de sua missão? Era restaurar o evangelho antigo; era trazer à luz o registro do evangelho neste continente, que o povo que aqui viveu em tempos passados havia perdido por causa de suas transgressões; era que a vara de José, nas mãos de Efraim, pudesse unir-se à vara de Judá, em seu testemunho, evidência, profecias, doutrinas e ordenanças, desenvolvendo princípios corretos, para que as coisas como existem nos céus pudessem ser tornadas mais claras aos homens na terra, e para que na boca de duas ou três testemunhas toda palavra fosse estabelecida. Era para condenar o mundo? Não, a menos que o mundo a rejeitasse. Qual era o evangelho que Joseph ensinava? Exatamente o mesmo que Jesus e Seus discípulos ensinaram. Ele exortava o povo a arrepender-se e a ser batizado em nome de Jesus para remissão dos pecados, e a receber o Espírito Santo. E ele e seus irmãos saíram e pregaram esta doutrina? Sim. E a promessa que fizeram foi cumprida para com os que creram e obedeceram? Foi; e vós sois hoje minhas testemunhas de que estas coisas são verdadeiras, tendo isto nos sido revelado pelo Santo Espírito da promessa, o Espírito Santo, que toma as coisas do Pai e as revela ao homem. E alguém é prejudicado por isto? O que é ferido? Que direitos são violados? Que princípios são pisoteados? De ninguém! Alguém é obrigado a obedecer a este evangelho? Não! Alguém foi coagido a qualquer medida referente a estes assuntos? Não! Sempre se proclamou, e ainda hoje se proclama: "É toda graça livre, é toda livre vontade." Restringiríeis alguém em seus direitos religiosos? De modo algum; eu os deixaria com seu Deus. Se não conseguem compreender, ou, compreendendo, não têm inclinação para obedecer o princípio correto, eu os deixaria com seu Deus, em cujas mãos todos nós estamos, e em cujas mãos estão os destinos da vida e da morte. Se os homens não amam a verdade, não podemos evitá-lo; se os homens se tornam corruptos e injustos e cheios de incredulidade, não podemos evitá-lo, não os colocamos nessa posição, é ato deles próprios. Podeis encontrar hoje, em todo o vasto mundo, um grupo de homens repletos de mais filantropia e benevolência, ou maiores benfeitores da humanidade, do que estes Élderes que me cercam? Não os encontrareis nesta pequena terra; não encontrareis em lugar algum homens que tenham feito e façam os sacrifícios por princípio que os Élderes desta Igreja têm feito. Vejo ao meu redor homens que viajaram centenas e milhares de milhas sem bolsa nem alforje, em meio à perseguição, ao desprezo e ao opróbrio, para levar a mensagem de vida ao povo, porque Deus o havia ordenado, e porque desejavam promover o bem-estar e a felicidade da família humana. Como têm sido tratados? Exatamente como Jesus foi tratado; exatamente como Seus Apóstolos e os profetas de outrora foram tratados. Os homens sempre mataram os profetas e apedrejaram os que lhes foram enviados. Mas, então, que importa isso? Pior será para aqueles que assim procederam; terão o pior fardo a carregar, pois eles, assim como nós, ainda hão de comparecer perante o Juiz de toda a terra, e Ele dirá: Eu chamei, mas recusastes; estendi a Minha mão, mas não a atendestes; portanto, "também eu me rirei na vossa perdição, e zombarei, vindo o vosso temor." É assim que Ele o expressa. Ofereci-vos luz; ofereci-vos verdade; ofereci-vos inteligência; desejei promover vossa felicidade, vosso bem-estar, mas não o quisestes, e portanto ficais sem desculpa. São eles Seus filhos? Sim. Sente Ele pesar ao vê-los agir assim? Sim; mas Ele não pode evitá-lo, é governado por lei, e essas leis são inexoráveis e justas, e delas não se pode desviar.

Que mais? Como seres eternos, todos temos de comparecer perante Ele para sermos julgados; e Ele preparou diferentes graus de glória — a celestial, a terrestre e a telestial — que são concedidos segundo certas leis imutáveis que não podem ser contestadas. Que fará Ele com eles? Para aqueles que estão dispostos a ouvi-Lo, a se colocarem sob a influência do Espírito de Deus, a se deixarem conduzir pelos princípios da revelação e pela luz do céu, e que estão dispostos a render obediência a Seus mandamentos em todo tempo e a cumprir Seus propósitos na terra, e que estão dispostos a viver segundo uma lei celestial, Ele preparou para eles uma glória celestial, para que possam estar com Ele para todo o sempre. E quanto aos outros? Não estão preparados para ir para lá, assim como o chumbo não está preparado para suportar a mesma prova que o ouro ou a prata; e para lá não podem ir. E há um grande abismo entre eles. Mas Ele fará por eles tão bem quanto puder. Muitas destas pessoas no mundo, milhares e centenas de milhões delas, estarão em condição muito melhor, por meio da intervenção do Todo-Poderoso, do que possam imaginar. Mas não podem entrar no reino celestial de Deus; onde Deus e Cristo estão, elas não podem vir.

Deus tem-Se utilizado de vários meios, em várias eras do mundo, para ensinar e conduzir os homens pelo caminho certo. Enviou Seus servos, em épocas diferentes, à vinha, e reuniu alguns aqui e outros ali, que obedeceriam à Sua lei, para que pudessem ser salvos em Seu reino. E, pergunto, que têm as outras pessoas do mundo a ver com isso? Elas não quiseram ouvir as palavras de vida; podem os mensageiros de Deus evitá-lo? Não, não podem. A posição deles não é nada invejável. Não foi coisa muito agradável para Moisés ir ao rei do Egito comunicar-lhe a mensagem que tinha de levar, nem ver as pragas se sucederem umas após as outras. Mas Deus o pôs para essa obra, e ele a cumpriu. Foi o Senhor que administrou aquele assunto; ele foi apenas o instrumento. Quem foi que inspirou os profetas a predizer tantas coisas muito desagradáveis aos ouvidos? Foi Deus. Poderiam eles evitá-lo? Não. E quando Joseph Smith veio, por exemplo, poderia ele evitar nascer? Não. E, tendo nascido, poderia ele evitar ser chamado pelo Todo-Poderoso? Não. Ele tinha de fazer o que Deus exigia de suas mãos, ou não fazê-lo e sofrer as consequências; e se ele não o tivesse feito, outros o teriam feito, pois a obra de Deus está destinada a se cumprir. Mas ele fez a sua parte, e a fez bem e fielmente, e eu o sei, pois estava lá quando ele foi morto por alguns de nossos reverendíssimos irmãos cristãos.

Vós, Élderes de Israel, que vos reunis na condição de uma Conferência, tendes o sacerdócio conferido sobre vós. De onde veio ele? Do Senhor. O Sacerdócio Aarônico foi entregue por João Batista, que o possuía em tempos passados na terra. Ele o comunicou a Joseph Smith e Oliver Cowdery. E então Pedro, Tiago e João, que haviam operado no Sacerdócio de Melquisedeque em seus dias, vieram e o conferiram sobre eles; então o apostolado foi organizado, e então a ordem do sacerdócio foi manifestada a nós tal como existe nos céus. Por quê? Para que pudéssemos ser postos na posse de princípios que emanam de Deus, e para que pudéssemos desempenhar nosso papel em cumprir os propósitos de Deus; não apenas em relação a nós mesmos, mas mais especialmente às nações da terra, e depois operar em favor dos mortos assim como dos vivos. Tivemos nós, particularmente, algo a ver com isto? Eu não o introduzi, nem Brigham Young, nem Parley P. Pratt, nem Orson Hyde, nem Heber C. Kimball, nem Joseph Smith; nenhum homem o introduziu, senão conforme Deus o deu. Joseph Smith foi utilizado como instrumento em sua introdução; e então, tendo organizado a Igreja em todos os seus vários ramos, com Presidentes, Apóstolos, Patriarcas, Sumos Sacerdotes, Setentas, Élderes, Sacerdotes, Mestres e Diáconos, com Bispos e Sumos Conselhos, e todas as várias organizações da Igreja. Para que nos foram dadas estas coisas? Para satisfazer nossa ambição? Para nos permitir subjugar e pisotear nossos semelhantes? Para nos conferir poder e autoridade? Não, não para assunto individual algum, não para lucro ou engrandecimento de homem algum. Embora não haja nada mais honroso, nada mais digno, nada a que um homem deva mais aspirar, do que ser servo do Deus vivo, e ser comissionado por Ele para fazer Sua obra na terra. E para que é isto? Para espalhar princípios corretos entre os homens; para combater a artimanha sacerdotal, as maquinações de estado, a opressão, a fraude e a iniquidade de todo tipo, e para introduzir entre os homens aqueles princípios puros e santos pelos quais os Deuses são governados nos mundos eternos. Não é para vós e para mim em particular; o Senhor poderia passar muito bem sem nós, se nós pudéssemos sem Ele. Mas Deus, e o santo sacerdócio além do véu, que viveram e operaram na terra, e que operam na eternidade, sentiram-se interessados nas coisas com que estamos relacionados, e interessados no bem-estar do mundo. Falamos da sabedoria dos homens. Que verdadeira sabedoria ou inteligência tem o homem que não receba do Todo-Poderoso? Direi a que virá a sabedoria dos homens, dentro em pouco, e não está tão distante no futuro quanto muitos pensam: "quando a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá," seu poder e sua glória se desvanecerão, e vereis seus tronos vacilarem sobre suas bases; não tardará muito até que vejais guerra, desolação, carnificina e morte grassarem entre as nações, pragas, pestilência e fome despovoando a terra. E então onde estará sua sabedoria, sua filosofia e sua inteligência? Os homens adquirem um pouco de conhecimento e filosofia, e algumas das leis menores que Deus plantou na natureza, e a si mesmos dão a glória, como fez o monarca babilônico que disse: "Porventura não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?" Não sabem que são pobres, cegos, tolos, ignorantes, nus, destituídos e no caminho da morte. As nações da terra, com sua falsa filosofia, com sua riqueza, suas corrupções, seu poder e força, se tornarão, dentro em pouco, como a palha da eira de verão diante do vento, como representado pelo Profeta Daniel. Por quê? Porque a justiça eterna clama ao grande Deus a respeito de todo o povo da terra. Esta é a razão, e por causa de seus próprios atos e de suas próprias corrupções. Ouvi o que o Senhor uniu à Sua comissão a Seus servos neste nosso dia, e, quando o disse, disse aquilo que é verdadeiramente verdade: Ide e dai vosso testemunho ao mundo; e, depois do vosso testemunho, virá o testemunho de guerra e de fogo, e de espada e derramamento de sangue, e das ondas do mar se levantando além de seus limites, etc. Ele lhes dá aviso claro, e não o atendem; mas estas coisas hão de acontecer, e certamente hão de vir.

Que mais? Destrói Ele às vezes para o bem deles? Sim. Depois que Noé pregara o evangelho ao mundo antediluviano, e depois que a taça de sua iniquidade se encheu, e Sião e suas cidades haviam fugido, seguiram-se então os julgamentos de Deus; veio então a desolação e a destruição. E por que esta eliminação em massa da existência da humanidade? Para impedi-los de propagar uma espécie corrupta. Não foi isto correto? Sim, foi. Ele disse: Eu os cortarei fora; prepararei para eles uma prisão, na qual ficarão confinados por gerações, onde não terão poder para propagar sua espécie; pois estes espíritos puros, nos mundos eternos, não hão de ser contaminados com suas corrupções: Eu os tirarei da terra, e levantarei outro povo. E Ele o fez. E então? Ele ainda foi misericordioso. Quando Jesus foi morto na carne, Ele Se lembrou deles. "No qual também foi", diz Pedro, "e pregou aos espíritos em prisão; os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, etc." O que Ele pregou? O evangelho. E o que nos disse Ele para fazermos hoje? Não somente pregar o evangelho e reunir o povo, mas edificar Templos. Para quê? Para neles administrar. Para quem? Para os mortos que morreram sem conhecimento do evangelho, para que pudessem participar conosco das bênçãos que não tiveram o privilégio de desfrutar na terra. É isto o que estamos fazendo; portanto, estamos fazendo mais do que pregar o evangelho aos vivos; estamos fazendo preparações para salvar os mortos, segundo a palavra de Deus.

Fez-se referência esta manhã à sabedoria e ao saber do mundo. Não sei onde estão. Tenho viajado bastante extensamente por várias partes da terra, e devo dizer que não encontrei a inteligência deles. Direi o que tenho encontrado muito frequentemente: tenho testemunhado grande ignorância, superstição e maldade, e toda espécie de corrupção, e, apesar do pouco avanço que alguns poucos têm feito nos verdadeiros princípios da ciência, o que sabem eles das coisas tal como existem perante Deus? Contei a alguns cavalheiros cientistas, com quem me encontrei há poucos dias, algumas coisas que Joseph Smith, aquele rapaz iletrado e ignorante, me disse a respeito dos corpos celestes e certas coisas a eles associadas, e, quando terminei, um deles disse: Senhor Taylor, essas são algumas das ideias mais abrangentes que já ouvi em toda a minha vida. Eu disse que essas ideias vinham de Joseph Smith, aquele homem sem instrução; mas Deus as deu a ele por revelação. Outro observou: tenho lido muito e estudado muito; mas ainda tenho muito que aprender. Era algo que eu sabia? Não, apenas lhes disse algo que Joseph Smith me dissera. Temos muitos tolos ignorantes e instruídos; mas, quando encontrais homens sensatos e inteligentes, como estes eram, eles reconhecem o princípio quando lhes é apresentado. Mas muitos homens não têm o entendimento para fazê-lo. Falando em salvar a si mesmos, quem, entre os filósofos, pode salvar a si mesmo? Quem sabe alguma coisa a respeito de Deus ou do céu? Sabem muito pouco da terra em que habitamos; muito menos sabem das coisas pertencentes aos céus, ou a Deus, ou à eternidade. E deixai-me dizer-lhes ainda mais: nenhum homem conhece as coisas de Deus, senão pelo espírito de Deus — ou, para usar o texto tal como é dado: "Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus." E não podem obter esse espírito sem primeiro obedecer aos primeiros princípios do evangelho de Cristo. Falando de sua inteligência, é para mim uma espécie curiosa de inteligência. Que fazem eles quando têm de enfrentar o aguilhão da morte, e quando este lhes encara o rosto? Ora, dão um salto no escuro. E esta escuridão é o fim de toda a sua filosofia e de toda a sua ciência. E o pouco que sabem, ao adivinhar as leis de Deus, refere-se apenas a alguns poucos princípios fundamentais daquelas leis que Deus plantou por todo o universo, e por isso não tenho aquela reverência por suas teorias, noções e devaneios, nem atribuo à sua inteligência a importância que algumas pessoas lhe atribuem.

Lembro-me de certa ocasião, estando em Paris, na França (já me referi a este assunto antes, mas não fará mal repeti-lo novamente), em que vários que se diziam filósofos me visitaram e apresentaram tantas ideias tolas, fantasiosas, vagas, misteriosas e incompreensíveis, e teorias visionárias, que pensei que, de todos os ignorantes que já conheci, estes superavam a todos. Há naquela cidade um certo tipo de pão, uma espécie de bolo leve, que ali se faz. É tão leve que se poderia soprá-lo com um sopro, e se poderia comer dele o dia todo sem se satisfazer. Um irmão que ali me visitava perguntou se eu sabia o nome daquele pão. Eu disse que não sabia o nome francês, mas poderia dar-lhe um nome. Que nome lhe daríeis?, perguntou ele. Bem, eu disse, podeis chamá-lo de filosofia, ou de espuma frita, como preferirdes.

O Professor Huxley, ao visitar as Cataratas do Niágara, fez algumas observações que, se bem me lembro, foram publicadas e amplamente reproduzidas nos jornais, no sentido de que ali estava mais uma evidência dos muitos milhares ou milhões de anos (não me recordo agora do número) que teria levado para desgastar as rochas abaixo destas cataratas. E esta evidência foi apresentada em apoio a ideias geológicas. Pensei comigo mesmo: sim, o professor Huxley é homem muito instruído. Pergunto-me se ele sabia que aquela rocha esteve, em outro tempo, numa condição friável e plástica, quando, pela força do elemento aquoso, a camada mole poderia ser desintegrada, escavada e removida pelo processo de lavagem talvez em muito poucos dias. Já vimos grandes fendas serem abertas em algumas de nossas valas em poucas horas. Tais ocorrências são comuns aqui. Se ocorresse uma mudança nos elementos que compõem tais aberturas — o que poderia facilmente acontecer aqui como em qualquer outro lugar — e se petrificassem, existiria a mesma condição de coisas que se vê nas Cataratas do Niágara, e algum outro filósofo, no futuro, poderia discorrer sobre os anos que levou para remover tanta rocha. Se tivéssemos de nos submeter às suas teorias, estaríamos realmente numa triste condição. Eu, pelo menos, não me prostrarei nem adorarei perante tal santuário.

Falamos de nossas organizações; estão corretas segundo a ordem de Deus? Sim. Existirão nos céus? Sim. Estamos todos magnificando nosso chamado? Não; não estamos. Temos, de fato, uma espécie de esqueleto montado; mas creio que às vezes precisa de carne sobre os ossos e do sopro de vida, o espírito do Deus vivo insuflado nele. Precisamos perceber a posição que ocupamos e os deveres que nos incumbem. Vemos isto em quase tudo ao nosso redor associado à Igreja e ao reino de Deus. Enquanto muitos homens são diligentes e têm todo o coração empenhado na obra de Deus, há muitos montados sobre o muro, dizendo Bom Senhor e Bom Diabo, sem saber em mãos de quem hão de cair. E, no entanto, são Sumos Sacerdotes, Setentas e Élderes. Qual será a condição de tais homens? Diz-se-nos: "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?" Contudo a todos estes Ele dirá: "Nunca vos conheci: apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." Direis que isto se refere aos de fora. Não, não se refere. Fazem eles muitas maravilhas em nome de Jesus? Não; se fazem algo, é feito em seu próprio nome ou no do Diabo. Às vezes farão coisas em nome de Deus; mas isto é simplesmente um ato de blasfêmia. Isto se refere a vós, Santos dos Últimos Dias, que curais os enfermos, expulsais demônios e fazeis muitas maravilhas em nome de Jesus. E, contudo, quantos vemos, entre este povo, desta classe, que se tornam descuidados e tratam com leviandade as ordenanças da casa de Deus e o sacerdócio do Filho de Deus; e ainda assim pensam que, com o tempo, hão de deslizar para dentro do reino de Deus. Mas eu vos digo que, a menos que sejam justos e guardem seus convênios, nunca hão de chegar lá. Ouvi isto, ó Santos dos Últimos Dias! Ouvi isto, ó Setentas e Sumos Sacerdotes! "Porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna." Tendes o sacerdócio, e, se não magnificardes esse sacerdócio, Deus o exigirá de vossas mãos. Ele espera que todos estejamos vivos e enérgicos, honrando nosso chamado, nosso sacerdócio e nosso Deus, pois Ele o espera de todos nós. Ouvi isto agora, pois, tão certo quanto Deus vive, assim há de ser. Não bastará dizer "como nadamos, nós outras maçãs!" — vós mesmos tendes de nadar; pois todo homem "será julgado segundo o que tiver feito no corpo." Se aspirais a uma glória celestial, deveis ter um espírito celestial e ser governados por ele. Deveis ser honestos, virtuosos e benevolentes; deveis ser homens cheios do Espírito Santo, magnificando vosso chamado e honrando vosso sacerdócio, se quiserdes obter entrada no reino de Deus. E, quanto às irmãs, elas estão precisamente na mesma condição. Que devemos fazer? Ouvir e sermos guiados pelo mundo? Não; mas regular nossos assuntos temporais e espirituais — as coisas pertencentes ao tempo e as coisas pertencentes à eternidade — segundo a influência, a lei e a direção do Todo-Poderoso.

Voltemos a esta inteligência. Quem saberia hoje, em qualquer lugar do mundo, como edificar um templo que fosse aceito pelo Senhor? Ninguém. Quem saberia como nele administrar de modo aceitável a Ele, uma vez edificado? Ninguém. Que tragam eles seus sábios, se os têm, e nos digam como haveremos de obter uma herança no reino de Deus. Isto é algo que não podem fazer. Por quê? Porque não têm o evangelho; e é o evangelho que traz a vida e a imortalidade à luz, e esta é a espécie de inteligência que buscamos. Redimir e salvar os vivos e os mortos; edificar a Sião de nosso Deus, para que um povo seja preparado, puro de coração, e preparado para associar-se com as inteligências ao redor do trono de Deus.

Estas são algumas das coisas associadas aos nossos deveres e responsabilidades. Têm os apóstolos deveres a cumprir? Sim. Deus o exige de suas mãos? Sim. Se não o fizerem, Ele os terá por inocentes? Não. E os Setentas? Sim. Quais são eles? Ir às nações da terra como portadores do evangelho. Esse é o vosso dever, ó Setentas; e, se não o cumprirdes, Deus removerá vosso candeeiro do seu lugar. Ouvis isto, ó Setentas? E vós, Sumos Sacerdotes e Élderes, Deus não vos conferiu o sacerdócio para sonhardes com ele, para brincardes ou fazerdes pouco caso dele, ou o tratardes com desprezo: Ele vos vomitará de Sua boca, a menos que tomeis outro rumo, muitos de vós. Deus espera que Sua mensagem vá a todas as nações, e o sacerdócio deveria buscar a Deus e revestir-se do poder de Deus e da luz da revelação, para que possam apresentar-se como Seus mensageiros às nações; e então, depois, tendo limpado suas vestes do sangue desta geração, ir administrar pelos mortos nos templos do Senhor, e continuar trabalhando e agindo até que Deus tenha cumprido Seus propósitos.

Que mais ireis fazer? Edificar o reino dos céus sobre a terra, onde a voz de Deus há de reinar, e onde a lei de Deus há de ter o domínio, e onde os homens serão instruídos nas leis do céu e ensinados por Deus. Muitas revelações e mudanças ainda hão de ocorrer; temos de nos colocar em posição de sermos guiados e dirigidos pelo Senhor, tanto nas coisas temporais quanto nas espirituais, ou nunca obteremos aquela glória que muitos de nós buscamos.

Pois bem, que devemos fazer? Fazer o que é certo, seguindo os conselhos daqueles que estão colocados sobre nós. Segui o conselho dos Doze, vós a quem cabe fazê-lo; segui o conselho de vossos bispos, vós que viveis nas alas, e vós, bispos, segui o conselho dos presidentes de estaca, e vós, presidentes de estaca, buscai e segui o conselho dos Doze. E vós, povo, sede ensinados por vossos mestres; e vós, mestres, obtende o Espírito do Senhor para que ensineis corretamente; e vós, Setentas e Élderes, preparai-vos para ir às nações da terra. Dizei: eis-me aqui, enviai-me; estou pronto, estou disposto a cumprir meu dever e a magnificar meu chamado, e, com a ajuda do Senhor, levantarei uma voz de advertência a meus semelhantes. E, como Sumos Conselhos, sentai-vos em julgamento com honestidade, verdade, fidelidade e integridade, sem temor nem favoritismo para com homem algum, para agir e administrar em retidão. E vós, Bispos, agi como pais sobre o rebanho de Cristo, para que magnifiqueis vosso chamado, e para que, em vosso julgamento, busqueis a inspiração do Todo-Poderoso, a fim de administrardes justiça entre o povo; para que a retidão prevaleça em Sião, e para que se espalhe, cresça e aumente, para que a glória de Deus repouse sobre nós, e para que nos regozijemos juntos na plenitude do evangelho de paz. E prosseguirá isto? Sim. Espalhar-se-á o reino? Sim, "até que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e de Seu Cristo; e Ele reinará para todo o sempre." E, quanto aos ímpios e aos maus, protegei-vos contra eles tanto quanto puderdes; uni-vos e sede um só, e não vos importeis com suas ideias e sentimentos. Deus nos chamou para sermos um só, para sermos unidos; e o homem que se envolver com os gentios e com seus vícios e loucuras irá à morte. Fomos enviados para ensinar os princípios da vida, não para sermos ensinados por eles; e nos é exigido que sejamos governados pelos princípios, leis, inteligência e verdade que vêm de Deus, para que magnifiquemos nosso chamado, edifiquemos Seu reino, reunamos os eleitos, salvemos os vivos e redimamos os mortos, e então, ao terminarmos, nos unamos à multidão reunida no reino Celestial de Deus; e honra, e louvor, e glória, e poder, e majestade, e domínio sejam atribuídos Àquele que está assentado no trono, e ao Cordeiro, para todo o sempre. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Não Devemos Nos Gloriar de Superioridade Sobre Nossos Semelhantes — Deus Se Interessa pelo Bem-Estar de Toda a Humanidade — A Relação e a Responsabilidade de Todos os Homens Perante as Leis de Deus — Devemos Ser Corteses com Aqueles Cujas Opiniões Diferem das Nossas — Os Servos de Deus São Mensageiros de Salvação — A Restauração do Sacerdócio — Os Juízos do Todo-Poderoso — Teorias Absurdas de Homens Instruídos — Somente os Justos Entre os Santos Serão Salvos no Reino de Deus”, (1879-01-06). Pulpit Vault, 1879-01-taylor-we-should-not-boast-of-superiority-over. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).