Observações sobre a União
Charles W. Penrose
Sinto-me mais do que satisfeito nesta manhã por ter o privilégio de reunir-me convosco, de ver os rostos de tantos dos meus velhos amigos, e de desfrutar das bênçãos do Espírito de Deus e das instruções desta Conferência. Creio que compreendemos em grande medida a importância do assunto que nos foi apresentado esta manhã pelo Irmão F. M. Lyman. Tenho pensado nisso muitas vezes, refletindo sobre a condição dos Santos dos Últimos Dias e as perspectivas que se lhes apresentam, e observando também a apatia e o descuido de muitos, e o afluxo de pessoas entre nós que não são da nossa fé. Por vezes quase temi as consequências que poderiam advir, a menos que nos tornemos mais unidos em nossos sentimentos e esforços para edificar o Reino de Deus e manter as liberdades que Deus nos concedeu. O povo de Ogden encontra-se numa situação peculiar. Muitas pessoas têm vindo para cá que não são da nossa fé, algumas boas e outras nem tanto. Mas suas simpatias e sentimentos, tanto religiosos como políticos, são dissemelhantes aos nossos; elas não são de nós, seus interesses não são idênticos aos nossos, e embora possam parecer, por algum tempo, amigáveis e interessadas conosco em nossos assuntos locais, contudo a nossa experiência tem-nos demonstrado a verdade de certo dito de nosso Senhor Jesus Cristo: "Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha." Parece, em nossa história, que por vezes não foi assim, tendo vindo entre nós algumas pessoas cujos sentimentos pareciam estar em consonância com os nossos e que se mostravam amigavelmente dispostas para conosco, mas, não sendo sua fé a nossa fé, embora seus pontos de vista estivessem, em certa medida, em harmonia com os nossos, contudo temos verificado, por experiência, que estas palavras do Salvador se cumpriram até mesmo com elas. Algo certamente surge para traçar a linha divisória; alguma circunstância se dá que as coloca no seu devido lugar, e então ocupam sua verdadeira posição. Estão fora do convênio do Evangelho, e suas simpatias, sentimentos e fé não podem identificar-se com os nossos. Elas são do mundo, nós não somos; nós saímos do mundo. Isto pode parecer estranho a alguns; mas é tão verdadeiro quanto Deus é verdadeiro. Cristo estabeleceu esta regra, e havemos de constatar que ela é perfeitamente correta. ¶
A grande necessidade que temos, como Santos de Deus, é tornarmo-nos verdadeira e realmente unidos, não somente em pensamento, mas em nossa fé, desejos e simpatias uns para com os outros, e em nossa irmandade como irmãos e irmãs em Cristo. Devemos cultivar uma fé ativa e viva, demonstrando nossa fé por nossas obras em nossos esforços para alcançar uma união perfeita. Vejo a necessidade disto em nossos assuntos políticos. Quando olho para trás, para a última eleição, lembro-me dos poucos votos, comparativamente, que foram lançados nesta cidade. Isto demonstra que algo está errado. O que é? Há um descuido crescendo entre o povo, e o percebemos em certa medida em nossos assuntos religiosos e reuniões públicas, mas o vemos mais claramente quando se trata de votar, pois muitos que têm direito de voto ficam longe das urnas. Chamamos a atenção de nossos irmãos e irmãs para estes assuntos, e dizemos a todo Santo dos Últimos Dias que possui o direito de voto: é vosso dever votar. O direito de voto não nos é dado como ornamento ou brinquedo, mas como um poder a ser usado com o melhor de nosso juízo na manutenção da verdade e da liberdade. O espírito do Evangelho é o espírito da liberdade; o próprio Evangelho é a lei perfeita da liberdade; e todo movimento que possa ser feito, tendo por objetivo a manutenção da liberdade, devemos considerá-lo à luz do Evangelho, à luz do dever. ¶
Há muito se fala, e assim tem sido nos últimos anos, sobre separar a religião da política. Creio que precisamos de um pouco mais de religião em nossa política do que já temos, e creio que, se houvesse mais religião verdadeira na política em todo o mundo, seria melhor para a humanidade. Estou certo de que é absolutamente necessário para nós, que viemos para cá, tendo-nos separado do mundo com o propósito de edificar o reino de Deus, que, para realizar isto, permitamos que nossa religião entre em nossas vidas e nos governe em tudo o que fazemos, seja secular ou religioso. Não podemos agir separadamente, isolados e sozinhos; o Espírito do Senhor, que é o espírito do Evangelho eterno, deve dirigir-nos em tudo o que fazemos, tanto em nossa capacidade pública quanto privada, e quando assim influenciados agiremos com a devida consideração pelos interesses de nossos irmãos e irmãs. Não viemos para cá por ouro e prata, por mais que destes preciosos metais possa haver escondido nas montanhas ao nosso redor. Não viemos para cá por rebanhos e gado, por casas e terras, por pomares e vinhas, ou por bens ou riqueza terrena de qualquer espécie. Todas estas coisas, é claro, desejamos obter, e é uma bênção possuí-las, pois com elas podemos melhor auxiliar na propagação do reino de Deus; mas a aquisição de tal riqueza não foi o objetivo que tivemos ao vir para cá; foi antes edificar um sistema social melhor e estabelecer sobre a terra aquela ordem divina que existe onde nosso Pai habita, alguns dos princípios da qual nos foram revelados por meio do Profeta Joseph Smith. Viemos para cá, em outras palavras, para descobrir a vontade de Deus, e então cumpri-la. Devemos manter este objetivo diante de nós o tempo todo, seja qual for a capacidade em que agimos, quer como membros da Igreja quer como membros da sociedade, quer em assuntos políticos quer religiosos; devemos manter diante de nós o fato de que o principal objetivo de nossas vidas é estabelecer o reino de Deus sobre a terra, para que Aquele a quem pertence o direito de reinar possa governar. E quando formos às urnas, seja para votar em nossos oficiais municipais ou de outra forma, devemos ir como Santos dos Últimos Dias, sendo fiéis aos nossos convênios religiosos; não podemos dizer: religião, ficai de lado, hoje sou político. Devemos ser Santos dos Últimos Dias o tempo todo, em cada ato de nossas vidas. E deste descuido em relação ao voto devemos livrar-nos; devemos compreender que o exercício do voto é exigido de nós, e, sabendo disto, devemos ter a hombridade de exercê-lo; e as irmãs que gozam do privilégio de votar devem compreender que a mesma obrigação recai sobre elas tanto quanto sobre os homens. Esta bênção lhes é dada para ser usada em benefício de seus irmãos e irmãs, para o bem da comunidade da qual fazem parte. ¶
É necessário que sejamos um só, um só em espírito e em atos, e devemos almejar, todos os dias, a realização da obra que nos foi confiada. Todo membro deve estar vivo e continuar vivo. O sinal de vida é o movimento, mas muitos dos irmãos e irmãs parecem estar mortos ou adormecidos no que diz respeito a estes assuntos. Devemos fazer melhor se quisermos preservar-nos dos fardos que o povo do condado de Tooele tem tido de suportar e agora suporta; se quisermos manter nossa liberdade e conservar o equilíbrio de poder, devemos exercer os poderes que nos foram conferidos, e, se não o fizermos, teremos de colher as consequências. Esta união de que tanto falamos, e que dizemos ser essencial à nossa força, como havemos de aumentá-la? Pois precisamos de um aumento de união, particularmente em alguns lugares. Tomemos Ogden, por exemplo: como havemos de estabelecer a união e preservá-la aqui? Tenho pensado que há uma coisa que precisa ser gravada em nós, e é a harmonia de sentimento e de pensamento entre os líderes e o corpo do povo. Para estabelecer isto e mantê-lo, é preciso haver identidade de interesses em nossos corações. Não convém que nossos irmãos, ao se encontrarem, apertem as mãos e travem uma conversa formal, e depois, ao se separarem, tenham algo de mau a dizer uns dos outros. Devemos procurar estabelecer verdadeira harmonia; a cabeça deve estar em harmonia com os pés, e o espírito que está na cabeça deve fluir até as extremidades do corpo. Devemos procurar estabelecer uma união essencial. Não meramente um aperto de mãos e uma ligação por regras, mas o entrelaçamento de coração a coração, para que o espírito tenha livre curso, corra e se difunda entre o povo. E para estabelecer isto, tenho pensado que precisamos ser francos e livres, e abertos uns para com os outros. Não creio naquele tipo de discussão que produz contenda, que vem do diabo; mas creio naquela liberdade de expressão que estabelece o entendimento mútuo, tende a unir os homens e produz verdadeira afinidade. Devemos estar unidos por uma união essencial — uma união de coração e alma. Como pode isto ser alcançado? Sendo verdadeiros e honestos uns para com os outros, para que haja verdadeira confiança em nosso meio. Pelo fato de um homem poder discordar de outro, ainda que seja de alguém chamado para presidir sobre ele, será isto dizer que tal homem é rebelde? Creio que não. Deve haver distinção entre a divergência honesta e a teimosia e a contenda. Ainda não podemos todos ver da mesma maneira, nem se espera que o façamos em nossa presente condição imperfeita. Assim como há diferença nas fisionomias uns dos outros, também há nas mentes uns dos outros, e a única maneira de harmonizar a diferença de opinião que possa existir entre nós é vivermos de tal modo que a luz do Espírito de Deus possa brilhar em nossos corações. Alguns homens são rápidos em perceber uma verdade; outros são lentos. Alguns homens apreendem uma ideia e a compreendem num instante, enquanto outros levam muito tempo, simplesmente por serem mais lentos de intelecto, ou por não verem, por acaso, do mesmo ponto de vista que nós. Devemos ser pacientes e procurar convencer uns aos outros quando acontecer de discordarmos. Como? Por ameaças e denúncias? Não; mas por verdadeira paciência, a mesma que Deus exerce para conosco. Cumprimos nós mesmos os propósitos dEle como Ele os revelou? Creio que não. Confesso que não. Posso ver diante de mim o padrão de retidão, de nobreza e de pureza, mas, ai de mim! sei que ainda não o alcancei; contudo desejo continuar lutando até chegar a esse padrão, e creio que estes desejos estão em vossos corações. Deus exerce paciência para conosco, e este é o espírito que devemos exercer uns para com os outros, até que possamos ver olho a olho. Haverá um tempo em que os atalaias sobre o Monte Sião cantarão juntos em perfeita harmonia. "Alçam os teus atalaias a voz, juntamente exultam; porque olho a olho verão, quando o Senhor tornar a trazer Sião." Mas o Senhor nunca trará Sião do alto enquanto Sião de baixo não estiver preparada para recebê-la. ¶
Diria então: cultivemos a paciência e sejamos francos, e incentivemos a franqueza; não me refiro à contenda, que é coisa muito diferente e provém de outra fonte. Há uma união essencial e há uma união aparente. Não daria nada pela última, mas a primeira vale tudo o que possuímos. Se apenas parecermos unidos e ligados uns aos outros, e os laços se romperem uma vez, seguir-se-á a separação, tudo será confusão e a força que possuímos será desperdiçada; mas se tomarmos tal rumo que nos permita ver do mesmo modo e agir do mesmo modo, teremos verdadeira força. Procuremos, pois, estabelecer tal união sendo livres e francos e verdadeiros uns para com os outros. Para ilustrar minha ideia: uma senhora ganha um chapéu novo, encontra uma amiga e pergunta como ela está com ele. "Oh, que lindo!" diz a outra, "combina admiravelmente com a senhora; fica-lhe tão bem." Assim que a amiga se vai, ela se volta e diz a outra senhora: "Que aparência horrível ela fez com aquele chapéu tosco!" Assim os homens são amigáveis face a face uns dos outros, e falsos pelas costas. Devemos ser livres, francos e diretos; mas isto não quer dizer que devamos ser imprudentes e bruscos em nossas expressões, porque somos muito sensíveis e nos ofendemos com facilidade. Podemos até deixar escapar um comentário inocente, do qual alguém pode ofender-se, sentindo que somos seus inimigos quando na realidade somos seus amigos, e os mesmos sentimentos são propensos a resultar de uma brincadeira, quando na verdade nenhuma ofensa é pretendida. ¶
Mas a maior causa de desunião é a quebra de promessas. Um dos males de que se diz que há de prevalecer nos últimos dias é que os homens se tornarão "quebradores de tréguas"; isto é, serão culpados de fazer promessas apenas para quebrá-las. Creio que se pode dizer com verdade de alguns que se chamam Santos dos Últimos Dias que dão sua palavra a um irmão e, quase antes que o fôlego esfrie, falsificam sua promessa; fazem contratos por escrito e, quase antes que a tinta seque, os quebram. Se fizermos uma promessa de realizar algum trabalho, devemos procurar cumpri-la, mesmo que pareça em nosso prejuízo. Se prometermos pagar a um irmão, devemos fazê-lo ou resolver a questão com ele, e não tentar desculpar-nos dizendo: "Ah, é só um irmão"; ao passo que, se fosse um "gentio", muito provavelmente cumpriríamos nossa promessa. Devemos ser fiéis à nossa palavra em todas as circunstâncias e para com todas as pessoas; se tomarmos algo emprestado, devemos pagar nossa dívida; se de modo algum pudermos fazê-lo, devemos dar ao nosso credor a melhor satisfação que pudermos. Quando nos reunirmos uns com os outros e concordarmos em executar certas medidas, façamo-lo, ou não prometamos fazê-lo. E quando nos reunirmos em nossas reuniões, e forem apresentadas quaisquer medidas de interesse público, ou indicações a serem feitas para quaisquer de nossos oficiais públicos, e sentirmos que não podemos concordar com as medidas propostas, ou tivermos justa causa para nos opor às indicações, não fiquemos calados na reunião, para logo depois que ela terminar começarmos a acender o espírito de oposição entre nossos irmãos. Em todos os nossos assuntos políticos, se os élderes e o povo se reunirem e chegarem a um entendimento claro a respeito dos homens que devem ocupar certos cargos, da maneira a que aludi, não vejo como possa haver divisão, nem como aqueles que não são de nós, que estão em minoria, possam esperar ter êxito em eleger candidatos de oposição para preencher nossos cargos públicos. Isto não pode ser feito. Temos a maioria em número, e se tivermos uma união completa de poder, nossa força será preservada. Mas nossa fraqueza está em nosso descuido e apatia. Temos o direito de fazer o bem, o direito de votar, mas não o exercemos. ¶
Quando desaprovarmos algum homem proposto para ocupar algum cargo, tenhamos a certeza, em nossas mentes, de que o que causa essa desaprovação não é algum despeito pessoal contra ele. Não temos o direito de votar contra um homem por causa de nossos sentimentos pessoais. Se um homem for proposto para um cargo público, e tivermos um despeito pessoal contra ele, isso não deveria pesar nem uma pena. Um homem é proposto porque é considerado apto para o cargo, e quando a maioria concorda quanto a determinada pessoa, devemos alinhar-nos, a minoria deve ceder à maioria. E quando discordarmos de nossos irmãos, não deve ser por causa de sentimentos pessoais. Alguém pode dizer: "Ah, não quero aquele homem." Por quê? "Bem, ele disse tal e tal coisa contra mim, ou não fez tal e tal coisa por mim." Não se trata de gostar ou não pessoalmente de um homem. A questão é: ele é apto para o cargo? É ele o homem certo para o lugar? A maioria de meus irmãos quer este ou aquele homem? Se assim for, deixarei de lado minhas divergências e votarei naquele considerado mais apto para o cargo. Estas coisas têm muito mais importância do que muitos de nós pensamos. No passado tivemos o equilíbrio de poder em nossas eleições, e tudo tem corrido bem, quer votássemos quer não. Mas virá o tempo em que a coisa será mais equilibrada, e devemos habituar-nos a exercer todo poder que Deus nos conferiu para a edificação do Seu reino e para nosso benefício mútuo. Quando um bispo de uma ala chama um homem para desempenhar algum dever público, este deve estar disposto a apresentar-se para fazer sua parte; e toda mulher deve sentir que gostaria de ver seu marido fazer tanto quanto o marido de qualquer outra mulher, não só em assuntos religiosos, mas em tudo o que diz respeito ao bem-estar da comunidade da qual fazemos parte. Sejamos todos membros ativos da igreja, e sejamos todos membros ativos do corpo político — sejamos verdadeiros e vivos Santos dos Últimos Dias, e deixemos que o espírito do Evangelho flua a cada parte, para que todos sejam vigorados, partícula ligada a partícula, pois quando cada partícula se liga às outras partículas, este é o sinal de vida num homem, mas quando as partículas parecem ter desejo de separar-se, isto é indício de dissolução, aquela mudança misteriosa a que chamamos morte; quando nos afastamos uns dos outros, isto é sinal de morte espiritual em meio aos Santos dos Últimos Dias. ¶
Desejo ver a igreja e o reino de Deus vivos em todas as suas partes; desejo ver cada membro imbuído do espírito de Deus, e cada homem que possui o santo sacerdócio sentindo aquele espírito e poder que lhe pertencem, pois sei que há virtude, poder e força nele. Sei que é uma realidade. Sei que, quando um homem é ordenado ao santo sacerdócio, se buscar o espírito de seu chamado, pode aproximar-se de Deus mais do que poderia sem ele; sei que pode fazer mais bem à humanidade com ele do que poderia possivelmente fazer sem ele. Sei que o sacerdócio de Deus é eficaz; que há nele vida e vigor, e que por meio dele um homem tem acesso a Deus, o Pai Eterno, e tem poder para ajudar o seu semelhante. Devemos ser uma nação de reis e sacerdotes para Deus, um sacerdócio real, um povo adquirido, zeloso de boas obras. Isto é o que devemos ser, meus irmãos e irmãs. E aqui, particularmente no Condado de Weber, onde o elemento externo parece estar se reunindo, e que é naturalmente agressivo, sempre pronto a tentar arrebatar de nós nossos direitos adquiridos, cumpre-vos ser dos primeiros e sinceros e unidos, e ser diligentes em vossos esforços para conservar, para Deus e o Seu reino, aqueles direitos e liberdades que Ele nos deu. Deus quis que o Seu povo, que Ele reuniu para esta terra, a possuísse, e que não fosse dominado por seus inimigos, ao menos enquanto estivessem em maioria. Havemos então de entregar nossa força à minoria que deseja tirar-nos os nossos direitos, e que tem procurado, o dia todo, destruir os nossos melhores homens? Creio que não; creio que seremos mais enérgicos e nos apegaremos uns aos outros, e, se tivermos divergências, procuraremos resolvê-las. Irmãos, se tiverdes ressentimentos contra um irmão, ide a ele como homens, e dizei-lhe que ele fez tal e tal coisa, e que é vosso desejo que o assunto seja esclarecido; e se não puderdes resolvê-lo por vós mesmos, recorrei ao auxílio de um mestre, e antes sacrifiquemos nossos sentimentos do que permitir que aquele espírito genial que pertence à verdadeira fraternidade seja esmagado em nossos corações. Que todo homem e mulher nesta congregação, hoje, sinta que quaisquer dificuldades que possam ter tido com seus irmãos ou irmãs sejam sepultadas a partir de hoje, e não sejam mais guardadas. Dizei em vossos corações: antes que eu deixe algo azedar ou manchar meus sentimentos, irei ao meu irmão ou à minha irmã e confessarei minha fraqueza, livrando-me assim dela. E se formos livres, francos e honestos, e disserdes o que está em vossos corações, sem temor nem favoritismo, haverá mais união em nosso meio, e o Espírito de Deus habitará conosco, e veremos novas belezas em nossa religião a cada dia, e buscaremos a companhia de nossos irmãos em vez de evitá-los; mas, por outro lado, se guardarmos ressentimentos em nossos corações sem revelá-los ou buscar alívio, podemos estar certos de que isto, se permitido continuar sem controle, resultará em separação dos próprios homens para com quem hoje professamos irmandade, e em nossa própria ruína e morte. Somos filhos do convênio, e devemos estar unidos pela influência do Espírito Santo, cujos laços são mais fortes do que os que existem entre marido e mulher; essa influência nos tornará um, assim como a terra é uma, embora composta de milhões de átomos. No princípio, dizem-nos, Deus falou, o caos ouviu, e os mundos entraram em ordem. As partículas dispersas se uniram e se solidificaram, se consolidaram, e esta pequena terra, que agora rola no espaço, mostra os efeitos desta verdadeira e essencial união de partes. Deus falou às partículas caóticas da humanidade; Ele nos reuniu a este lugar para nos tornar um; e devemos viver juntos e trabalhar juntos, e apresentar uma forte falange de poder, como verdadeiros irmãos e irmãs de fato, para que o espírito de união esteja em nossos corações, e em cada ato e obra, que deveria ser feita em benefício uns dos outros, e não por individualismo e egoísmo. O espírito do individualismo é: cada um por si; o espírito do Evangelho é: cada um pelo seu irmão; e é esta influência que leva um homem a dizer: "Deixai-me amar o Senhor meu Deus de todo o meu coração, e de toda a minha alma, e de toda a minha força, e deixai-me amar o meu próximo como a mim mesmo, e buscar os interesses dele tanto quanto os meus." Este é o Espírito de Deus; é o espírito do Evangelho eterno; é o espírito de paz, e alegria, e consolação e conforto, e há nele verdadeira e real felicidade. Que sentimento miserável é não poder encontrar-se com um homem franca e cordialmente. Quão diferente quando amigos e irmãos se encontram. Seus semblantes se iluminam imediatamente, e há um brilho e calor que expressam seus sentimentos uns pelos outros; é um sentimento de alegria e satisfação, e aqueles que o possuem desejam abençoar e fazer o bem a seus semelhantes. ¶
Sinto a importância destas simples verdades; elas são necessárias ao nosso crescimento como comunidade e ao nosso progresso como indivíduos. Deus as revelou para nossa orientação e salvação, tanto temporal quanto espiritualmente. Ponderemos sobre elas, e que nada se interponha entre nós e o Sacerdócio de Deus. Sejamos unidos em todas as coisas, e quando chegar a hora de votarmos em nossos oficiais municipais, tenhamos um entendimento claro de antemão, e então unamo-nos nele; e prometo-vos que, se fizerdes a vossa parte, Deus fará a Sua parte, e sairemos mais que vencedores. E não estará longe o dia em que o Sacerdócio de Deus terá o equilíbrio de poder, e o domínio e governo que agora estão nas mãos dos ímpios, sobre a face de toda a terra, serão tirados dos corruptos e ímpios, e dados nas mãos dos Santos do Deus Altíssimo, e Ele reinará para todo o sempre. Amém. ¶