Pulpit

O Fundo Perpétuo de Emigração—Como Resolver Dificuldades—Devemos Ser Governados Pelas Leis de Deus—Cooperação e Bondade Fraternal—A Educação Adequada dos Filhos

John Taylor

1878-12-08

Tenho o prazer de ter a oportunidade de estar com os santos aqui; e me interessei bastante pelas observações que ouvistes esta manhã do irmão Joseph F. Smith. Há muitos princípios associados ao evangelho do Filho de Deus; e o irmão Joseph apresentou coisas bastante interessantes, e há, então, algumas coisas que se poderiam dizer do outro lado da questão, igualmente verdadeiras. As doutrinas que ele ensinou são verdadeiras; estão de acordo com o espírito do evangelho. Devemos sempre viver com referência à eternidade, sentindo-nos cheios de bondade, benevolência, caridade e longanimidade para com todos, respeitando sempre os motivos e as circunstâncias alheias. Mas, por outro lado, ao fazermos isso, não é correto que outros tirem vantagem dessa benevolência; porque um homem é bom e honrado, um homem que teme a Deus e é indulgente, bondoso, misericordioso e perdoador, não é correto que outros tirem vantagem de tal bondade e de ações tão louváveis; há dois lados em todos esses assuntos, a questão do devedor e do credor não está toda de um só lado. Mencionarei aqui algo a que já se aludiu antes, e que servirá para tornar claro o que quero dizer: refiro-me às operações do Fundo Perpétuo de Emigração. Grande quantia tem sido despendida para reunir os pobres santos a este país. Algum deles já foi pressionado por esse Fundo a pagar o que lhe deve? Não. No entanto, muitos de vós fostes com vossas juntas de bois — se não fostes, enviastes-as — para ajudar este povo. Para quê? Porque sentistes em vosso coração fazê-lo, e porque fostes chamados a fazê-lo, e porque o fizestes em obediência a um mandamento de Deus. Não somente fornecestes juntas de bois, mas fornecestes também provisões para os santos emigrantes. Ora, eles, por sua vez, fizeram convênio e deram suas notas promissórias para o pagamento dessa dívida, o que, se pago conforme prometido, teria sido usado para emigrar outros santos em situação semelhante. Foi correto trazê-los para cá e suprir-lhes alimento, etc.? Sim. É correto que nos empenhemos em tais empreendimentos? Sim, porque o evangelho o requer de nossas mãos, e o amor de Deus e o amor de nossos irmãos. Isto foi feito de boa-fé. Não deveria ser honrado? Há hoje um milhão de dólares devidos por essa conta. É correto que assim seja? Não. Esses devedores foram pressionados, ou alguém os pegou pela garganta, dizendo: paga-me o que me deves? Não que eu saiba. Foram arrastados perante tribunais de justiça? Não. Mas, ainda assim, a dívida permanece não paga; e surge em minha mente uma questão. Permanecerá ali até que ela mesma se resolva, ou não? Este é um pouco o outro lado da questão, e não é uma coisa pequena, e é algo com que todos estamos familiarizados. Se este assunto não tem sido cobrado, isso não torna a obrigação menos sagrada. Somos instruídos a pagar nossas dívidas, a honrar nossas obrigações, a agir com justiça e retidão uns para com os outros. E eu gostaria que não tivéssemos dívidas a pagar; gostaria que pudéssemos viver de tal modo que nos mantivéssemos livres de dívidas, e honrássemos nossas obrigações dia a dia. Mas nós não fazemos isso; se o fizéssemos, estaríamos numa situação muito melhor e mais agradável, e nos sentiríamos mais confortáveis em nossos sentimentos e disposições. E se as pessoas não fazem essas coisas, então o quê? Há um caminho designado pelo Senhor, que é ajustá-las perante os tribunais dos bispos. Nós, como Santos dos Últimos Dias, devemos ser governados pelas leis da igreja, e não pelas leis da terra, até que a lei de Deus seja cumprida. Até onde os levaríeis? Exatamente até onde a lei de Deus prescreve. Se um homem pecar contra outro, é bom, caridoso e bondoso perdoá-lo? Sim. Ora, falarei de mim mesmo. Nunca processei um homem, nem perante nossos próprios tribunais, nem perante quaisquer outros. Por quê? Porque nunca achei que a coisa valesse o suficiente; nunca achei que dinheiro e propriedade valessem o bastante para ir aos tribunais por causa deles. Ainda penso assim; considero que é um assunto pequeno demais para romper aquelas relações fraternais que deveriam existir entre irmão e irmão. Então credes em dever a alguém e não lhe pagar? Não, não creio. Creio em cumprir compromissos honrada e honestamente diante de Deus. Mas serão os homens abençoados por serem perdoadores? Bem, penso que sim. E penso que nós, como Santos dos Últimos Dias, teremos boa oportunidade de obter uma grande bênção por causa de nossa paciência em relação àquelas obrigações antes mencionadas; pois há, como disse, um milhão de dólares devidos entre o povo, e não creio que tenham sido pressionados a pagá-lo. Mas eu gostaria que as pessoas fizessem quase o que é certo. Gostaria que agissem com honra, retidão, coerência e propriedade, e que todos cumprissem suas obrigações e seguissem um caminho reto. Mas há ainda outra questão a se resolver neste assunto. Não é apenas o valor do dinheiro, nem como isso me afeta; mas como isso afeta outros? Foi estabelecido um fundo perpétuo, que contemplava uma ajuda contínua, um retorno contínuo do dinheiro emprestado, e um fundo perpétuo sempre disponível para a assistência dos que necessitassem de ajuda. Este fundo não foi concebido como doação, mas como empréstimo; mas agora acontece que este fundo está paralisado, porque os homens não devolveram seus empréstimos. Não é, portanto, um assunto entre nós mesmos, mas um que afeta centenas de pessoas em situação muito pior do que aqueles que devem essas dívidas. O clamor continuamente chega a nossos ouvidos, pedindo ajuda. A pobreza, a angústia e a aflição na Europa estão aumentando, e continuamente temos de ouvir os lamentos dos pobres; eles olham para nós em busca de ajuda, mas aqueles devedores têm seus recursos e os estão usando. Há outro clamor; não são aqueles devedores sendo oprimidos por nós; mas os pobres ainda não reunidos sendo defraudados por aqueles que tomaram dinheiro emprestado e não o devolvem. Pode tornar-se uma questão considerável até que ponto estamos justificados em permitir que aqueles que foram assistidos por este fundo público, retendo o que justamente devem, bloqueiem as rodas da instituição e privem outros, que podem ser mais merecedores do que eles próprios, de obter o socorro que justamente lhes é devido. Mas credes em ser ganancioso? Não. Credes na cobiça? Não, não creio. Penso que, como Santos dos Últimos Dias, deveríamos ter nossas mentes fixas em outra coisa — algo mais elevado, mais exaltado, mais honrado, e mais de acordo com a posição que ocupamos, e com os princípios que professamos crer.

Como este assunto foi abordado, desejo agora falar um pouco sobre nosso modo de fazer negócios. Estamos bastante misturados, no presente — vós, aqui em Ogden, especialmente, e nós em Salt Lake também — com instituições gentias, e sua prática se baseia estritamente naquilo a que o irmão Joseph se referiu, "olho por olho, e dente por dente, paga-me o que me deves," etc., o que, num certo sentido, é bastante correto; mas há uma maneira melhor de resolver dificuldades, que é misturar um pouco de caridade e benevolência, e então tudo corre muito bem. Mas quando falamos de "arrastar os homens" pelos tribunais por não fazerem isto ou aquilo, como já se mencionou, direi o que deveríeis fazer: sempre que um homem tentar "arrastar-vos" pelos tribunais da lei da terra, deveríeis "arrastá-lo" pelos tribunais de nossa Igreja; deveríeis trazê-lo à responsabilidade por violar as leis da Igreja, por ir a juízo perante os ímpios, em vez de usar os meios que Deus designou. Pensamos, como Santos dos Últimos Dias, que as leis de Deus estão um pouco à frente das leis da terra; e, de fato, não é raro que homens que não pertencem à nossa Igreja se manifestem desejosos de levar seus casos a julgamento perante nosso Sumo Conselho, acreditando que obteriam ali melhor justiça do que perante os tribunais do mundo; creio nisso com todo o meu coração. Santos dos Últimos Dias, devemos ser controlados por princípios corretos; e se alguém for ofendido, temos nosso remédio. Se o irmão a que o irmão Joseph F. Smith se referiu, em vez de acalentar e abrigar aqueles sentimentos desagradáveis, tivesse ido ao seu irmão que o ofendera, e lhe dissesse que seus sentimentos foram feridos por alguma palavra que ele proferira, e que pensou em ir conversar o assunto francamente com ele, aquele pequeno incidente teria sido resolvido, e bons sentimentos teriam existido entre eles. Mas, supondo que, depois de assim procurado, vosso irmão não vos ouvisse, seria então próprio procurá-lo novamente, levando convosco outro irmão; e se ele ainda persistisse em manifestar sentimentos amargos, seria então próprio relatá-lo à Igreja, e deixar que o assunto fosse levado à atenção dos mestres ou dos sacerdotes, conforme o caso. Se ele recusar ouvir o conselho deles, que se apresente uma acusação contra ele a seu bispo, o qual, com seus conselheiros, deve ouvir e decidir o caso de acordo com as evidências, com toda longanimidade, humildade, justiça e oração diante de Deus, para guiá-lo em sua decisão. E quando operarem juntos desta maneira, tais assuntos serão resolvidos corretamente. E se qualquer uma das partes ficar insatisfeita com a decisão, poder-se-á apelar a um tribunal superior — o Sumo Conselho. E quando esse corpo de homens julgar o caso, e proferir sua decisão a respeito, e se o irmão recusar ouvi-los, o que então? Ele é excomungado da Igreja. "Mas (poderá dizer alguém) é uma questão de dólares e centavos, e se um homem me deve $5.000, não posso me permitir perdê-los, e que recurso me resta?" Trazei-o perante a Igreja, e, se ele não der ouvidos ao conselho das autoridades da Igreja, que seja tratado por este conselho. E qual será o resultado? Ele será separado da Igreja. "E terei de perder meu dinheiro?" Não, não necessariamente; ele está fora da Igreja, e agora podeis "arrastá-lo" pela lei, se este for o termo que usais. E é por isso que tomamos tanto cuidado ao eleger nossos representantes para nossa legislatura. Procuramos escolher bons homens, a fim de que possamos ter boas leis promulgadas, e então procuramos ter bons Juízes de Sucessões. O irmão Richards, aqui, é Juiz de Sucessões, e é ele um bom homem? Penso que sim. É ele um Apóstolo? Sim. Bem, seria correto levar-lhe vosso caso como Juiz de Sucessões? Não; se o fizésseis, trataríamos convosco quanto à vossa comunhão. Direis: "essa é uma doutrina curiosa." Concordastes em ser governados pelas leis da Igreja, e menciono isto para mostrar-vos o que seria correto em relação a princípios dessa natureza. E se, depois de citadas as partes referidas perante o Tribunal do Bispo, e dali o caso for levado perante o Sumo Conselho, e ainda assim ele não agir corretamente, a consequência será que ele será excomungado da Igreja, e então estareis livres para citá-lo perante o irmão Richards, como Juiz de Sucessões. Mas poderia haver, possivelmente, uma apelação do Sumo Conselho, e o irmão Richards, em capacidade eclesiástica, poderia ser um dos que considerassem o caso; então isso estaria certo.

Falo dessas coisas para mostrar quais são nossos deveres, e a posição que ocupamos. Lembrais-vos do que disse o apóstolo Paulo, falando a alguns dos santos de outrora sobre este assunto? O povo a quem ele se dirigia era, sem dúvida, semelhante a alguns de nossos irmãos complacentes, que estão sempre em algum apuro, e sempre querem "arrastar" os outros. Diz ele, no capítulo 6 de Coríntios: "ousa algum de vós, tendo alguma questão contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos? Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Para vos envergonhar o digo: não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos? Mas o irmão vai a juízo contra o irmão, e isto perante infiéis. Assim que é já realmente uma falta entre vós terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano?" etc.; e não se diz também, falando dos Doze, que se assentarão sobre doze tronos, e julgarão as doze tribos de Israel? E não possui a Igreja hoje os mesmos ofícios que possuía antigamente, e não são eles separados pela revelação de Deus, e ordenados pelo santo Sacerdócio para ocupar esta posição? Não são esses homens competentes para julgar as coisas comparativamente triviais associadas a esta vida? E, contudo, levareis vosso irmão perante homens ímpios para ser julgado por eles. Digo-vos que a mão de Deus vos seguirá se o fizerdes. E não queremos que se faça tal coisa entre os que se autodenominam Santos dos Últimos Dias; e Israel não pode fazer tais coisas com a aprovação de Deus, ou dos conselhos de Sua Igreja. E dou-vos aviso claro, e chamo aqui o irmão Peery, que é presidente desta estaca, para que o cumpra: que, quando encontrar qualquer Santo dos Últimos Dias sob sua jurisdição indo a juízo com seu irmão perante os ímpios, o traga e trate com ele quanto à sua comunhão. Este é um princípio correto diante de Deus; e, como santos de Deus, devemos ser governados por Suas leis, e não pelas leis do mundo. Mas essas leis são feitas e providenciadas para nossa proteção, e quando é próprio e correto, podemos usá-las em comum com os demais cidadãos. Mas temos leis entre nós mesmos, e todos os homens honrados entre nós se submeterão às decisões das autoridades de nossa Igreja, e os que não forem honrados não os queremos, e os excomungaremos.

Assisti ontem à vossa reunião mensal de sacerdócio. Percebi que houve um pequeno ressentimento acerca da divisão de vossa cidade em distritos, o que não deveria existir. Às vezes ficamos um pouco zelosos demais nesses assuntos locais; cada um tem suas próprias ideias, e deseja realizá-las. Não sei se tenho alguma ideia própria a respeito desses assuntos. Desejo apurar a vontade de Deus, e, se a conheço, quero fazê-la, independentemente de minha opinião, que pouco vale. Mas se pudermos conhecer a vontade de Deus, e compreender os princípios da vida, e então nos ativermos a eles, tudo estará bem. E quanto a que linha imaginária ou distrito habitais, não penso que faça muita diferença. Queremos um pouco desse bom sentimento de irmandade sobre o qual o irmão Joseph tem falado tão agradavelmente. Diz Jesus: "bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos. Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus." Isso vale muito mais do que dólares e centavos, se pudésseis apenas compreendê-lo. Vale dez mil milhões de vezes mais, pois estes perecem em seu uso. Nada trouxestes a este mundo; nada podereis levar. Dentro em pouco, um pequeno espaço de terra de seis pés por dois será tudo o que necessitareis, e vosso dinheiro e vossa propriedade deixareis para outros administrarem. "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos." Bem-aventurados quem? O mentiroso, o hipócrita, o ladrão, o velhaco, o devasso? Não; mas "bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus." Busquemos essas coisas, e procuremos possuir mais desses princípios que foram ensinados e inculcados por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Introduzimos entre nós o reino de Deus. O que se entende por isso? A lei, a regra, o governo de Deus. Ora, o Senhor estabeleceu uma lei perfeita em relação a nossos assuntos temporais, e não veríamos tantas contendas entre nós se pudéssemos praticá-la. Refiro-me ao que chamamos de Ordem Unida. Mas não conseguimos suportá-la, parece excessiva demais para nós; por mais que falemos e nos gabemos de nossa inteligência, não conseguimos chegar a alguns desses pequenos princípios do evangelho. Alguns de nós conseguem pagar seu dízimo, e alguns não conseguem. E então alguns de nós conseguem crer um pouco na cooperação, e achamos que é um passo terrível; para mim, isso é uma das menores coisas que Deus já instituiu entre os homens, e às vezes penso que, se não conseguimos fazer isso, seria melhor desistirmos. Falar em sermos Deuses e organizar mundos; ora, se falhamos num empreendimento comparativamente tão pequeno, não creio que tenhamos fé suficiente sequer para arrancar uma galinha choca de seu ninho. Se não conseguimos estar unidos em algumas dessas pequenas coisas, como poderíamos estar em coisas maiores? Estávamos falando sobre o princípio da cooperação em nossa reunião de sacerdócio; e pensei em referir-me a isso aqui. E estamos formando organizações de condado, ou antes, de estaca, por toda Sião. E queremos, em todos os nossos assuntos temporais, agir com justiça uns para com os outros. Queremos sustentar a cooperação, e então queremos que a cooperação nos sustente. Não está tudo de um só lado; há dois lados. Se sustentarmos a cooperação, chamaremos a cooperação para nos sustentar; e todos os povoados por todo o Território estarão representados, exatamente como os santos hoje estão representados na Igreja por meio dos presidentes de estaca, e procuraremos fazer o que é certo nós mesmos, e então procuraremos ver se eles fazem o que é certo. Nós os sustentaremos com esforços bons e honestos, e queremos operações justas de um lado e de outro, cumprindo os princípios da cooperação honesta e verdadeiramente diante de Deus e dos homens. É isto que esperamos, e o esperamos de vosso presidente, de seus conselheiros, e também dos bispos e de todo o povo. E se não puderdes fazer isto, nunca mais falai em fazer mundos.

O mundo se opõe a nós. Dizem que não. Bem, desejaríeis prejudicá-los? Não; eu não tocaria num fio de cabelo de suas cabeças, nem os privaria de nenhum direito que gozam, seja religioso ou político. Queremos tratar todos os homens com bondade e o devido respeito; mas não queremos ser governados por suas visões religiosas, nem colocar nossos filhos sob seus ensinamentos. Queremos cuidar da educação de nossos filhos, e assegurar-nos de que sejam colocados sob professores adequados, e recebam a instrução apropriada, e não sejam entregues nas mãos dos inimigos da Igreja e do reino de Deus.

Ora, irmãos, se somos Santos dos Últimos Dias, sejamos coerentes com nossa crença e nossa profissão. Professo ser um Santo dos Últimos Dias, e creio nas doutrinas que o Senhor nos revelou, com todo o meu coração; e não me importo com quem o saiba. Ora, sou instruído nas revelações a criar meus filhos no temor de Deus. Creio que este reino, que o Senhor estabeleceu, crescerá e se multiplicará até que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e de Seu Cristo. E isto vós credes tanto quanto eu. Cremos na glória celestial; e cremos na glória terrestre e na glória telestial; ou, em outras palavras, cremos que haverá, por fim, uma separação entre os bons e os maus. Ora, estamos empenhados em nos reunir, ou em nos separar do mundo, e em construir nossos templos, e neles ministrar pelos vivos e pelos mortos, e gastamos milhões de dólares na realização deste objetivo, para que possamos nos tornar unidos e ligados por convênios eternos, que existirão durante todo o tempo e por toda a eternidade. E então, depois de fazermos tudo isto, iremos deliberadamente entregar nossos filhos a quem? A homens que não creem no evangelho, a homens que, segundo vossa fé, jamais irão para o reino celestial de Deus. Terão a maior glória de que forem capazes, mas não irão para lá. E entregareis vossos filhos a eles. E chamais a vós mesmos Santos dos Últimos Dias, não é? Suporei um caso. Esperais ser salvos no reino celestial de Deus. Bem, supondo que vossas expectativas se realizem, o que às vezes duvido, e olhardes para baixo, para algum lugar num reino terrestre ou num reino telestial, conforme o caso, e ali virdes vossos filhos, a prole que Deus vos deu para criar em Seu temor, para honrá-lO e guardar Seus mandamentos, e percebeis que entre vós e eles existe um grande abismo, tal como representado pelo Salvador na parábola do homem rico e Lázaro. E supondo que pudessem conversar convosco — o que, contudo, não poderiam fazer —, mas se assim fosse, quais seriam seus sentimentos para convosco? Seria: pai, mãe, a culpa é vossa por isto. Eu estaria convosco se não tivésseis adulterado os princípios da vida e da salvação, permitindo que eu fosse desviado por falsos mestres, que ensinaram princípios incorretos. E este é o resultado disso. Mas duvido muito que homens e mulheres, que não têm mais conhecimento dos princípios da vida e da salvação do que ir adulterar a sagrada prole, o princípio da vida que Deus confiou a vosso cuidado, para assim descartá-lo e deixá-lo absorver o espírito da incredulidade, que conduz à destruição e à morte, cheguem ao reino celestial de Deus. Duvido muito, em minha mente, da capacidade de tais pessoas de ali chegarem. Melhor seria cuidarmos um pouco de nós mesmos. Deus nos deu luz, e espera que sejamos governados por ela. Ao falar de Abraão, Ele diz: "eu o conheço." O que sabeis a respeito dele? Que ele me temerá. Que mais? "que ele há de ordenar a seus filhos depois dele que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele falou."

Bem, o tempo passa, mas, antes de encerrar, desejo dizer uma palavra ou duas sobre esta cooperação nas coisas temporais. São coisas muito pequenas, mas formam uma espécie de degrau em direção a outros acontecimentos maiores e mais importantes. Uma união mais estreita, que esperamos inaugurar mais adiante, mas para a qual ainda não estamos preparados. Mas, por enquanto, espera-se que, como homens e mulheres honrados, cumpramos honesta e verdadeiramente nossos convênios em relação a essas pequenas coisas temporais; e sejamos um, pois o Senhor nos disse claramente que, se não formos um, não somos Seus. Se não somos Seus, de quem somos? Podeis calcular isso como bem entenderdes. Estes são os fatos em relação a este assunto; desejamos realizar essas coisas. Para quê? Por causa de ganhar dinheiro? Não. O dinheiro tem pouca importância onde a verdade está em jogo. Não me importaria se todo o dinheiro deixasse de existir, mas importo-me com os princípios, e com as leis de Deus, com que os homens sejam o que professam ser, e não hipócritas, desmentindo sua profissão. Esperamos ver essas coisas realizadas com honestidade e verdade, porque esta é a ordem que Deus introduziu como um degrau para algo no futuro. Construímos templos, e neles administramos. Como? Precisamente de acordo com as revelações que Deus nos deu; mas quando se trata de nossos assuntos temporais, quase ignoramos totalmente as leis que Ele nos deu para governá-los. Diz Jesus: "em vão me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo." E eu digo: em vão direis Senhor, Senhor, se não puderdes atender a essas pequenas coisas; e aqueles que não o fizerem, Deus os removerá de dentre Seu povo. Ouvi isto, ó Santos dos Últimos Dias! E não vos enganeis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. Devemos ser governados por princípios corretos, no temor de Deus; e devemos, retamente, honradamente e virtuosamente, preservar nossos corpos e espíritos puros, e guardar todas as leis de Deus, e buscar compreender Sua vontade em relação a todas as coisas, e sentir que estamos aqui para edificar o reino de Deus, e não a nós mesmos, para estabelecer os princípios da retidão e da verdade, e as leis do céu, e não nossas próprias ideias e teorias; pois é por meio das ordenanças de Deus, e por meio da obediência a Suas leis, que vêm as bênçãos de Deus sobre Israel, no tempo e por toda a eternidade.

Que Deus vos abençoe e vos conduza pelos caminhos da vida, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “O Fundo Perpétuo de Emigração—Como Resolver Dificuldades—Devemos Ser Governados Pelas Leis de Deus—Cooperação e Bondade Fraternal—A Educação Adequada dos Filhos”, (1878-12-08). Pulpit Vault, 1878-12-taylor-the-perpetual-emigrating-fundhow-to-settle. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).