Todas as Coisas São Governadas Pela Lei—Toda Inteligência e Bênçãos Emanam de Deus—O Livre-Arbítrio do Homem Não Deve Ser Contrariado—Os Opositores do Reino de Deus Não Devem Ser Autorizados a Ensinar Nossos Filhos—Necessidade de Todos Estarem Sujeitos à Autoridade Legítima
John Taylor
Tenho o prazer de estar com os santos neste lugar; e interessei-me muito pelas observações feitas pelos irmãos que nos falaram nesta manhã, bem como nesta tarde. Penso que nos apresentaram muitos princípios bons e preciosos, que redundarão em nosso bem, se pudermos apenas apreciá-los e sermos governados por eles. ¶
Vivemos num dia muito significativo, num tempo prenhe de grandes acontecimentos; e é necessário que nos preparemos, para que possamos conformar-nos às circunstâncias que nos cercam, e cumprir os diversos deveres que recaem sobre nós, individual e coletivamente. ¶
Os irmãos que se dirigiram a vós falaram mais particularmente sobre as coisas temporais — assunto muito apropriado e importante, pois, embora possamos acreditar que é certo, próprio e proveitoso estarmos unidos nos assuntos temporais, seja qual for nossa fé, não a colocamos totalmente em prática. Tentamos fazê-lo, mas não parecemos apreciar plenamente a posição que ocupamos, e é muito difícil para os homens compreenderem essas coisas. Estabelecemos organizações nas diversas estacas, que são muito boas até certo ponto; são a estrutura — os ossos, os tendões, as artérias e a carne (comparando-as com o corpo humano); são muito belas e simétricas em todas as suas partes. Mas precisam que o Espírito de Deus sopre sobre elas, para vivificá-las com sua vitalidade, energia e poder vivificantes, a fim de que cumpram suas diversas funções como poderes vivos, respirantes e inteligentes, para que compreendamos verdadeiramente a posição que ocupamos nessas diversas estacas, tanto oficiais quanto povo, e todos possamos estar ativos, vivos e cheios de energia na busca daqueles princípios que Deus estabeleceu como necessários para nossa felicidade presente e eterna. ¶
Há ordem em todas as criações de Deus. O sistema planetário que nos cerca, e ao qual estamos associados, é governado pelos princípios mais estritos da lei; todos aqueles corpos magníficos se movem em suas respectivas órbitas em meio ao poder de Deus, sustentados e dirigidos por Sua mão Todo-Poderosa. E tudo na natureza também é governado pela lei. ¶
Hoje podemos falar de estradas de ferro e navios a vapor. Lembro-me da época, e muitos de vós, mais idosos, também vos lembrais, em que nada disso existia. Ora, mas o vapor não possuía as mesmas propriedades há cinco mil anos que possui hoje? Sim, possuía; as propriedades eram exatamente as mesmas, mas não as compreendíamos, isso é tudo. Os princípios eram os mesmos, e há uma lei eterna pela qual todas essas coisas são governadas. O mesmo se aplica à eletricidade. Lembrai-vos muito bem de quando levava vários meses para enviar uma mensagem a Washington e receber uma resposta; agora podemos fazê-lo em poucos minutos. Mas aquele princípio não existia sempre? Sim; mas o homem não sabia como se aproveitar dele. Lembro-me também muito bem da época em que não existia nada como o gás, quando se usava óleo de baleia, que produzia uma luz que quase mal tornava visível a escuridão. Nada sabíamos do querosene, ou da gasolina, ou do gás, ou de nenhuma dessas luzes artificiais superiores; mas os princípios já existiam então, tal como existem agora, apenas não os compreendíamos. Não compreendíamos a posição das coisas, e é somente há bem pouco tempo que algumas dessas descobertas foram postas em operação. A arte da fotografia não é conhecida há muito. Quando eu era menino, as pessoas teriam rido se falásseis de tirar o retrato de um homem em um minuto; contudo, isso é feito. A luz não possuía sempre as mesmas propriedades? Sim, mas o homem não a compreendia. O mesmo se aplica ao mundo mineral, ao reino vegetal, à criação animal, e a todas as obras de Deus. Todas são governadas por certas leis. Os vegetais que cultivais aqui, como foram organizados? Deus os organizou e os colocou sobre a terra, e lhes deu o poder de propagar sua espécie; assim também com relação à criação animal, bem como às aves, aos peixes, aos insetos, etc. ¶
Às vezes falamos sobre nossas coisas temporais. Se pudéssemos entender as coisas como Deus as entende, não estaríamos tão preocupados com elas. Se por um momento refletirmos sobre todas as criações que vivem neste pequeno globo — as que se movem no ar, nas águas e sobre a terra —, encontramos ali uma sabedoria, uma inteligência que provê para todas. Há um poder presciente e onipotente que governa, controla e molda os assuntos deste mundo de acordo com o conselho de Sua vontade, e especialmente em todos os assuntos pertencentes à família humana. Quando uma nação se levanta e outra cai, é por Seu poder que isso se dá. As nações e os povos podem estar em prosperidade por um curto período, mas um único toque do dedo do Todo-Poderoso e murcham, desmoronam e decaem. Mudança sucede mudança nos assuntos humanos, mas as leis de Deus em tudo são corretas e verdadeiras em cada estágio e fase da natureza; tudo sobre a terra, nas águas e na atmosfera é governado por leis imutáveis e eternas. Há certos corpos que se unirão; há outros que não se unirão. Não podeis, por exemplo, misturar óleo e água; podeis agitá-los juntos, mas logo cada um adere ao seu próprio elemento. As irmãs às vezes dizem que têm boa ou má sorte, conforme o caso, ao fazer sabão; mas, na realidade, não há sorte nenhuma nisso, pois haveríeis de descobrir que, se tivésseis as mesmas propriedades em igual força e quantidade, usando o mesmo processo, os mesmos resultados seriam alcançados noventa e nove vezes em cada cem, e descobriríeis que poderíeis muito bem lançar fora a centésima também — sendo as condições as mesmas. E assim é com os diversos minerais, em todas as suas organizações e condições. Assumem certas formas, e são conhecidos pelos geólogos por suas formas, etc., e são sempre fiéis a elas. E assim é com todos os elementos que nos cercam na atmosfera, na terra e na água. Pensamos ter aprendido muito, mas, se de fato soubéssemos, estamos apenas ao pé da colina; e quando formos capazes de compreender as coisas como Deus as compreende, entenderemos muitos princípios que jamais entraram em nossos corações para conceber, embora estejamos cercados por esses materiais, e até mesmo os pisemos sob nossos pés. Para falar dessas leis, o próprio Deus é governado pela lei, e o Sacerdócio no mundo eterno é governado pela lei, tanto quanto Suas obras o são. Nossa terra gira sobre seu eixo, e temos dia e noite, verão e inverno, semeadura e colheita. Quando os homens compreendem as leis pelas quais os planetas são governados, podem dizer-vos, com precisão de um quarto de segundo, quando ocorrerá um eclipse, e quando nossa terra estará em conjunção com outros planetas. Por quê? Porque são governados por leis eternas. Há muitas coisas pelas quais somos governados, sobre as quais sabemos muito pouco, e com as quais temos muito pouco a ver. Por exemplo, mencionarei o fluxo do sangue: que tem o homem a ver com isso? Nada; ainda assim, ele flui e percorre o corpo. Já observei uma pessoa idosa, e vi seu pulso começar a falhar, como se a maquinaria da vida estivesse prestes a parar, depois de estar em movimento talvez por sessenta ou cem anos, durante os quais o pulso continuou a bater sem nenhuma ação de sua parte, dia e noite, dormindo ou acordado. Há outro princípio que Deus plantou em nós, a que chamamos de respiração. Continuamos a respirar, e que esforço de vontade isso requer? Não mais do que faz o sangue fluir. Somos máquinas; Deus nos fez, e Ele é nosso Pai. Plantou em nós o fôlego de vida, e continuamos a inalar e respirar dia após dia, mês após mês, ano após ano. E quando isso cessa, o que então? Exatamente o mesmo que quando o sangue deixa de circular em nossas veias — partimos. E, contudo, essas coisas emanam de Deus, e são plantadas dentro de nós, e temos muito pouco a ver com elas. Temos órgãos, e parece que o Senhor toca neles; em Suas mãos está o fôlego da vida, e nEle vivemos e nos movemos de dia em dia e de ano em ano, porque Ele nos permite. Certa vez disse a Seus discípulos: "não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai Celestial as alimenta: quanto mais valeis vós do que elas?" Ele vela por todos, cuida de todos, interessa-se por todos; e nEle vivemos, nos movemos e existimos. ¶
E depois? Somos mortais? Sim. Somos imortais? Sim. Temos a ver com o tempo? Sim. Temos também a ver com a eternidade. Somos a prole de Deus; e Deus, nestes últimos dias, viu por bem colocar-nos em comunicação Consigo mesmo. Ele, por meio das revelações de Si mesmo e de Seu Filho Jesus Cristo, pelo ministério de santos anjos, e pela restauração do santo sacerdócio, que emana de Deus, e pelo qual Ele mesmo é governado, colocou-nos numa posição em que podemos cumprir o objetivo de nossa criação. O mundo em geral não está situado como nós estamos; não compreende as coisas como nós as compreendemos, e por isso, em muitos casos, sente muita amargura e acrimônia para conosco. Qual é o problema? Não compreendem nossa posição; e nós também não compreendíamos essas coisas até que nos foram comunicadas pelo Espírito do Deus vivo, e não pudemos, nem nenhum homem pode, obter conhecimento dessas coisas senão pelas leis que Deus estabeleceu. Pode haver relâmpagos em abundância, mas eles não podem ser usados para transmitir inteligência de um lugar a outro, senão conforme forem governados pela lei. Se quiserdes comunicar-vos com qualquer parte do mundo por este meio, tereis de ter os fios instalados e os instrumentos devidamente conectados e ajustados, e então tereis de saber operá-los; se não souberdes fazer isso, vosso trabalho é em vão — o fio, os instrumentos, etc., são inúteis. Poderíeis possuir a mais magnífica máquina a vapor, mas, a menos que carregada de vapor, de que serviria? Mas ponde-lhe fogo e água, e tende um bom engenheiro para operá-la, e então podereis viajar de vosso povoado até Salt Lake City, ou até Ogden, bastante depressa. Mas, sem essas coisas, de que serviria a máquina? De nada. ¶
Há certas leis eternas que existem desde antes da fundação do mundo. Também sempre existiu um sacerdócio, e por isso é chamado o sacerdócio eterno, e ele administra no tempo e na eternidade. Esse sacerdócio foi conferido ao homem juntamente com o direito ao evangelho; e nos é dito como o homem pode entrar na posse do Espírito Santo de Deus, e como pode ser colocado em comunicação com Deus, exatamente como colocaríeis uma cidade em comunicação com outra por meio do fio elétrico. É-nos dito como fazer isso, e é pela fé no Senhor Jesus Cristo; pelo arrependimento e pelo batismo para a remissão dos pecados, e pela imposição de mãos sobre nossa cabeça para a recepção do Espírito Santo. Este é um modo que Deus designou — uma lei eterna da qual o homem não pode desviar-se, nem contradizer, mais do que poderia de qualquer outra lei de Deus. Ele nos deu outras visões em relação a esses assuntos. Revelou coisas a respeito do relacionamento que existe entre marido e mulher, entre filhos e pais, e entre as diversas organizações de quóruns de Sua igreja. Colocou em nosso poder certos princípios, que são a prole de Deus, que dEle emanaram, a respeito de investiduras e unções, e outra inteligência da qual não seria próprio falar no momento presente. Onde tudo isso se originou? Em primeiro lugar, no único grande princípio de que Deus se revelou à família humana, e restaurou o evangelho eterno, e que, com ele, vieram todas essas outras coisas — apóstolos, sumos sacerdotes, élderes, patriarcas, bispos, sumos conselheiros, e todas as diversas organizações da Igreja e do reino de Deus, tal como agora existem sobre a terra, cada um ocupando seu próprio lugar e posição peculiar. Para quê? Para a edificação de algo que se chama Sião, ou os puros de coração. Para quê? Para meu engrandecimento? Para o vosso? Para meus interesses individuais, ou para os vossos? Não. Mas no interesse de Deus e de Jesus, o Mediador do Novo Convênio, de Adão e de todos os antigos patriarcas e apóstolos e homens de Deus que viveram antes, tanto no continente asiático quanto no americano, com os poderes que existem nos céus, que podem ser revelados por meio do canal que Ele designou aos homens que habitam a terra; para que pudéssemos permanecer e ocupar nossa verdadeira posição diante de Deus, não agindo e operando por nós mesmos, ou por conta própria, ou por qualquer coisa inerente a nós, ou em virtude de qualquer inteligência de que individualmente possamos estar dotados, mas somente por aquilo que Deus comunica. A quem somos devedores pela luz que temos hoje? Alguns poderiam dizer que a Joseph Smith. Sim, como instrumento, mas primariamente a Deus e ao Sacerdócio por trás do véu. Poderia Joseph Smith ter revelado algo, se isso não lhe tivesse sido comunicado? Não. Poderia Brigham Young? Não. Poderia qualquer outro? Não; nenhum homem pode revelar coisa alguma pertencente a esses assuntos, senão conforme lhe for dado, e ele for permitido pelo Senhor, que é o Autor de toda luz, inteligência e conhecimento que nós, Seus filhos, possuímos. E Ele nos reuniu com o propósito de nos instruir, para que possamos operar com Ele e por Ele, e por meio da inteligência que Ele nos concede, na edificação de Sua Sião dos últimos dias. O mundo diz que somos exclusivistas. Não podemos evitar isso. Somos exclusivistas? Até certo ponto, sim. Por exemplo, sei que há uma lei que Deus deu. Posso eu ignorar essa lei e esperar bênçãos de Deus? Não. Podeis vós? Não, não podeis. Podem os homens escalar por outro caminho até o favor de Deus, senão aquele que Ele designou? Não, não podem. Que fareis, então? Procuraremos ajudar o Senhor a fazer o melhor que Ele puder por eles; e faremos o melhor que pudermos por eles. Uma coisa podemos fazer, e muitos de nós fomos separados para esse propósito, que é ir e pregar o evangelho a toda criatura. Isto o Senhor requer de nossas mãos, especialmente nós, Setentas, Élderes e Apóstolos. Podemos fazer tudo o que estiver em nosso poder pelo povo, desta maneira. ¶
E o que mais? Podemos fazê-los crer? Não. Podemos fazê-los obedecer ao evangelho? Não. Não o faríamos ainda que pudéssemos, porque, se algum tipo de força fosse empregada para a realização desse objetivo, resultaria apenas em mal, não em bem. Diz-nos Joseph Smith que "nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido; com bondade e conhecimento puro." Não devem ser exercidos pela força. É deste modo que vejo essas coisas, e tomo a mesma visão de nossos assuntos temporais, sobre os quais tanto ouvimos hoje. Deveria eu desejar controlar algum homem? Não, eu lhe mostraria o caminho certo. Deveria eu sentir-me indignado com as loucuras dos homens e desejar destruir pessoas? Não. Davi, nos é dito, orou ao Senhor para que seus inimigos fossem lançados rapidamente ao inferno; Jesus disse, sofrendo às mãos de homens cruéis tudo o que a natureza humana podia suportar: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Gosto mais deste último do que do primeiro. Quem é o povo do mundo? São os filhos de Deus. Se não são herdeiros com Deus, e co-herdeiros com Jesus Cristo, são, ainda assim, todos Sua prole. E o que Ele fará com eles? O melhor que puder; e nós procuraremos ajudá-lo a fazê-lo. Dar-lhes-emos bons exemplos; ensinar-lhes-emos, por preceito e exemplo, caminhos melhores, e buscaremos ao Senhor sabedoria para nos governar, e então procuraremos beneficiá-los. Mas permitiremos que nos destruam? Não. Permitiremos que nossos filhos sejam ensinados por eles? Não, jamais por eles, pois não conhecem o caminho da vida, e são inimigos de Deus e de Suas leis. Deus nos deu filhos, e não apenas espera obediência de nós, mas espera de nós, como esperou de Abraão, que ordenemos a nossos filhos depois de nós que obedeçam ao Senhor. Não permitamos, então, que sejam entregues aos poderes das trevas, para serem ensinados pelos inimigos de Deus e de Seu povo. Mas cuidemos de seus interesses, tanto para o tempo quanto para a eternidade, e sejamos para eles bons exemplos, e os mantenhamos afastados da contaminação do mundo. Ouvi o relato de uma circunstância que se dizia ter ocorrido numa daquelas escolas em Salt Lake City, mais ou menos assim: um professor, interrogando os alunos de certa escola, perguntou — quem é o grande falso profeta do século XIX? Ao responder, uma criança mencionou John Taylor. Fiquei um pouco divertido com isso; embora suponha que se pretendesse que dessem o nome de Joseph Smith, mas a criancinha se enganou. Mas que dizer da ideia de nossos filhos frequentarem as escolas de pessoas que os ensinam e catequizam desse modo? Não achais isso um tanto humilhante? Penso que descemos muito baixo quando podemos nos submeter à instrução deles. Não queremos partilhar de seus sentimentos, nem adotar seus costumes, nem sermos degradados nem por seus princípios sociais, nem religiosos, mas, ao mesmo tempo, desejamos fazer-lhes todo o bem que pudermos. Se mentem a nosso respeito, não importa; podemos suportar tudo o que disserem de nós. Desejaríamos prejudicá-los? Espero que não. Devemos tratar e lidar com todos corretamente, agindo com justiça e honradez para com todos. Mas, ainda assim, não os queremos como nossos professores. Pensariam estar prestando serviço a Deus se pudessem, por qualquer influência, desviar-nos do caminho. Que fará o Senhor com eles? Colocará os mais dignos deles num reino terrestre, e a outra classe herdará um reino telestial, mas jamais entrarão no reino celestial, a não ser por meio daquele sacerdócio que nos foi conferido pelo Senhor. Desejaremos, então, que nossos filhos sejam ensinados por aqueles que procurariam degradá-los e conduzi-los a outro lugar, mais baixo do que aquele que esperamos desfrutar? Certamente não. O que se disse de Abraão, falando de seus filhos? O Senhor diz: "eu o conheço." O que conheceis? "que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele que guardem o caminho do Senhor, etc." Precisamos ser muito cuidadosos ao formar nossos filhos; devemos agir honestamente diante deles; pois se veem o pai ou a mãe agir desonestamente, é provável que os filhos sigam o exemplo. Devemos também ter cuidado para não sermos encontrados falando asperamente, ou usando palavras duras, na presença deles. Mas, antes, façamos como a velha senhora costumava fazer ao lecionar: quando as crianças chegavam a uma palavra que não conseguiam pronunciar, ela lhes dizia para pulá-la e chamá-la de "palavra difícil." Que nossas vidas, nossas ações e nossa conduta atestem que somos homens de Deus, que estamos agindo com retidão e justiça, e realizando a vontade de Deus sobre a terra. ¶
Bem, agora, um pouco mais a respeito dessas coisas. Beneficiaremos a eles? Sim, faremos todo o bem que pudermos. Mas se os homens mentem, e se tornam fraudulentos, e se deleitam em abominações, e são desprovidos de princípios, então diremos, com aquele de outrora: "no seu secreto conselho não entre minha alma, com a sua congregação minha glória não se ajunte." Estamos reunidos aqui com o propósito expresso de realizar os propósitos de Deus; o mundo, contudo, não o compreende. Mas eu vos digo o que farão, com o tempo. Vereis que afluirão a Sião aos milhares e às dezenas de milhares; e dirão: "não sabemos nada sobre vossa religião, não nos importamos muito com assuntos religiosos, mas sois honestos e honrados, retos e justos, e tendes um governo bom, justo e seguro, e queremos colocar-nos sob vossa proteção, pois em nenhum outro lugar podemos nos sentir seguros." Há uma escritura que diz que virá o tempo "em que todo homem que não tomar sua espada contra seu próximo terá que fugir para Sião, por segurança." E virão. Mas devemos nos preparar; precisamos ter a influência vivificante do Espírito de Deus permeando todas as nossas organizações, todos sentindo que estamos sob a direção e proteção do Todo-Poderoso, cada homem em seu lugar, e cada homem de acordo com a ordem do sacerdócio em que Deus o colocou. Espera um bispo que os membros de sua ala lhe sejam sujeitos? Sim. Deveriam sê-lo? Sim. E não deveriam eles mesmos ser sujeitos ao presidente da estaca? Sim. Então, se o presidente de uma estaca espera obediência daqueles que estão sob ele, deve ele mesmo estar sujeito àqueles que estão acima dele. Os sacerdotes, mestres e diáconos em seu lugar, os bispos no seu; os presidentes de estaca no seu; os sumos sacerdotes, os setentas, e todos os demais, magnificando seus respectivos chamados, preenchendo as posições que ocupam, mantendo-se como homens prontos, revestidos do poder de Deus e do santo sacerdócio que repousa sobre eles. E quando mais desse espírito existir entre os élderes de Israel, sentirão a palavra de Deus como fogo em seus ossos, e desejarão sair, levando a palavra de vida e salvação a seus semelhantes espalhados por toda a terra. Muitos já começam a sentir isso agora; o fogo começa a arder um pouco mais, e se continuarmos a cumprir nossos deveres — e não formos pedir às pessoas que creiam em algo que mal conseguimos crer nós mesmos; mas formos cheios de fé, buscando sempre ao Senhor mais inteligência —, Seu Santo Espírito resplandecerá sobre o altar de nossos corações; as revelações de Deus se desdobrarão, e sentiremos em nossos corações exclamar: ó Deus, deixa-me sair para levantar uma voz de aviso, pois Teus juízos se aproximam, as nações se abalam, os tronos vacilam e serão derrubados, e guerras e comoções se espalham por toda parte, e desejo ir arrancar os honestos "como tições do fogo," de modo que, quando tiver realizado minha obra, possa sentir que minhas vestes estão livres do sangue de todos os homens. Este é o tipo de sentimento que devemos ter, e pelo qual devemos ser governados. Quanto a esses outros assuntos de natureza temporal, mencionados antes, se não pudermos cooperar juntos e fazê-lo com honestidade e boa-fé, sendo esta uma das melhores coisas que podem ser exigidas de nós, é muito pouco o que podemos fazer. Devemos cultivar em nós mesmos o Espírito de Deus; devemos beber livremente daquela água que o Salvador disse à mulher de Samaria que era capaz de lhe dar, mesmo aquela água que "se faria nela uma fonte de água que salta para a vida eterna." Já bebemos dessa fonte; resta agora que permitamos que ela borbulhe e jorre, que flua e espalhe sua influência revigorante por toda parte. Devíamos ter um céu na terra — ser verdadeiramente a Sião de nosso Deus, os puros de coração, cada um buscando o bem-estar do outro. "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças, e o teu próximo como a ti mesmo." Ainda não chegamos bem a isso; mas suponde que Paulo viesse e dissesse algo um pouco mais além — cada um preferindo o outro em honra. Essa parte deixaremos de lado por enquanto. Mas se pudéssemos sentir que somos os filhos de Deus, todos animados por esse mesmo Espírito Santo, produzindo paz e alegria, e todos soldados numa só irmandade comum, nos laços do evangelho eterno, todos operando com Deus e com o santo sacerdócio que viveu em outras eras, para realizar Seus propósitos sobre a terra, e ajudando a redimir a terra e a estabelecer Seu reino, que jamais tornará a ser derrubado. Se pudéssemos sentir assim, deixaríamos um pouco de lado nossa individualidade e nossa autoestima; buscaríamos fazer não a nossa própria vontade, mas a vontade dAquele que nos enviou. ¶
Vejo que o tempo passa. Em conclusão, deixai-me dizer, irmãos: amai-vos uns aos outros, sede bondosos uns com os outros; se tiverdes dificuldades, resolvei-as honradamente. Não conheço homem algum sobre a terra contra quem eu tenha o menor sentimento. Não alimentaria tais sentimentos, pois eles fazem a pessoa sentir-se infeliz. Perdoai-vos uns aos outros; suportai as fraquezas uns dos outros. Não somos todos iguais. Nossos rostos são diferentes, nossos hábitos são diferentes, embora feitos do mesmo material e possuindo o mesmo tipo de organização. Somos tão dessemelhantes que dificilmente encontrareis duas pessoas iguais. Não desejo que todos pensem como eu. Estou disposto a conceder a cada um grande margem em relação a essas coisas; mas gostaria de ver todos fazerem o que é certo e apegarem-se a Deus. E quanto a muitas outras pequenas coisas, pouco me importo com elas. Que os homens tratem suas esposas com bondade; e então vós, esposas, podeis muito bem tratar vossos maridos da mesma forma, não podeis? Que todos cultivem a caridade e a paciência, e como isso vos fará sentir muito melhor! Filhos, obedecei a vossos pais; e pais, tratai vossos filhos com bondade, e busquemos todos fazer a vontade de Deus sobre a terra. Que Deus vos abençoe, irmãos e irmãs, e vos conduza pelos caminhos da vida; e que Deus nos ajude a todos a fazer o que é certo, e que o temor e a bênção de Deus repousem sobre todo o Israel, e sobre todos os que amam a verdade em toda parte, e que nossos inimigos sejam confundidos em todas as suas tramas contra Sião, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶