Toda Inteligência Vem de Deus—Vida e Imortalidade Trazidas à Luz por Meio do Evangelho—Recolhimento—Construção de Templos—Os Élderes, Mensageiros de Salvação às Nações
John Taylor
Reunimo-nos de tempos em tempos para atender à adoração do Todo-Poderoso, porque pensamos ser próprio prestarmos o devido respeito ao Senhor Deus, nosso Pai Celestial; congregamo-nos com o propósito de orar-Lhe, de cantar Seus louvores, de falar de princípios, doutrinas, ordenanças e outros assuntos nos quais estamos individual e coletivamente interessados, tudo o que está mais ou menos ligado à adoração de nosso Deus. ¶
Há algo associado às nossas visões religiosas que difere materialmente das de muitos outros. O Senhor nos revelou Sua vontade, ou lei; deu-nos conhecimento dos princípios da verdade e da retidão; e Ele busca, pelos meios que designou — o meio do evangelho eterno — preparar-nos para os acontecimentos que necessariamente terão lugar dentro em pouco, e capacitar-nos a introduzir entre os homens aqueles princípios puros, santos e celestiais que existem com os Deuses nos mundos eternos, e a preparar-nos, por meio do evangelho, para operarmos com Ele e com o santo sacerdócio que existiu em eras anteriores, no desenvolvimento dos propósitos de Deus sobre a terra. É uma obra grande e importante aquela em que estamos empenhados, e necessitamos continuamente da direção e da orientação do Todo-Poderoso; pois é lógico, quando refletimos sobre isso, que nenhum homem, como está dito nas Escrituras, pode conhecer as coisas de Deus a menos que lhe sejam reveladas pelo Espírito de Deus. Falamos dessas coisas às vezes com certa leviandade, e provavelmente, em muitos casos, sem a devida reflexão. Mas quando olhamos para o homem tal como ele é organizado, e para o limite e os confins de sua inteligência, e então refletimos sobre a posição que ele ocupa perante o Todo-Poderoso, veremos que não há nada de muito misterioso nessas observações, mas que há grande quantidade de verdade e razão associadas a elas. Por exemplo, os homens sabem muito pouco sobre si mesmos, ou sobre as coisas do homem, ou como controlar suas paixões e hábitos, e os diversos males que os cercam e com os quais têm de lutar. Sabem muito pouco sobre a verdadeira condição do homem e sua relação com Deus, com o mundo, com o passado, o presente ou o futuro, como se evidencia pela posição do mundo em toda parte para onde voltamos nossa atenção. Estamos começando a descobrir algumas poucas coisas em relação às leis da natureza e à terra em que habitamos, mas nosso conhecimento dessas coisas é muito pequeno comparativamente, e ainda assim, às vezes, nos gabamos com bastante liberdade de nossa inteligência. Mas, quando refletimos sobre nossa verdadeira posição, sabemos muito pouco, na realidade, mesmo sobre o mundo em que vivemos, ou sobre as propriedades da matéria ou os elementos que nos cercam; e, no entanto, há poucos anos o mundo sabia muito menos do que sabemos hoje. Lembro-me muito bem da época em que não havia nada como navios a vapor. Lembro-me de atravessar o Atlântico mais de uma vez, quando nada como um navio a vapor era usado para esse fim. Lembro-me também da época em que não havia nada como locomotivas ou estradas de ferro; e muitos de vós sabeis muito bem como era em relação ao telégrafo, à fotografia e a muitas outras coisas. São simplesmente certos princípios que existem nas leis da natureza que nos foram desvelados; mas há milhares de outras coisas sobre as quais sabemos muito pouco. E então, o que sabemos sobre o futuro? O que sabemos sobre os céus que estão acima de nós? Podemos obter algumas ideias escassas, e delas nos gabamos bastante, mas, na verdade, não há muito do que se gabar quando refletimos sobre essas coisas. Essas coisas são princípios simples com os quais nos familiarizamos por meio do estudo e da pesquisa, pela análise química e pelo desenvolvimento das leis eternas. Estamos simplesmente nos familiarizando com alguns dos princípios que existem na natureza. Surge necessariamente a pergunta: quem colocou esses princípios ali? Quem organizou esta terra em que habitamos, e o homem sobre ela, e toda a criação tal como existe? Alguma inteligência superior, ou poder — a que chamamos o poder de Deus. "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus, de maneira que aquilo que se vê não foi feito daquilo que é visível." Não há uma partícula sequer do sistema humano que não esteja repleta de inteligência e não exiba previdência, presciência, desígnio, habilidade e poder criativo; e tudo revela a obra de um Criador, ou Deus, sábio, inteligente e onipotente. Quando menino, costumava perguntar a mim mesmo: quem sou eu? De onde vim? O que estou fazendo aqui? E por que estou aqui? etc. Essas coisas ainda nos intrigam, pelo menos muitas delas, e são pensamentos sobre os quais não podemos deixar de refletir. Vemos crianças nascerem no mundo, e vemos a primavera e o verão, o outono e o inverno se sucederem em ordem regular, e perguntamo-nos: por qual poder essas coisas foram produzidas? Por que estamos aqui, e qual é o objetivo de todas essas coisas que vemos ao nosso redor? Sem falar dos mundos que nos cercam. Pois, falando de nós mesmos, somos apenas um grão de poeira na criação; quase nada há de nós, ou em nós, ou no mundo que habitamos, em comparação com as miríades de mundos que nos cercam. ¶
Ora, frequentemente queremos saber o objetivo de nossa existência e por que estamos aqui; e os santos irão ainda mais além, perguntando: por que temos de lutar com os assuntos deste mundo, e enfrentar provações e tentações? E vamos ainda mais além, quando vemos nossos amigos partirem deste estado de existência, um após outro, e o corpo que antes estava cheio de vida, animação e vitalidade agora jaz indefeso e vazio de vida, e nossas mentes retrocedem aos anos passados, e pensamos nos milhares de milhões, sim, nas miríades que habitaram esta terra e que passaram para outro estado de existência, e somos levados a perguntar-nos: por que é assim? E somos levados a perguntar-nos ainda mais: por que estamos assim situados? E por que deveríamos assim entrar na vida, ter uma existência, e então desvanecer e decair? E é próprio que tenhamos tais pensamentos e tais reflexões. Quem pode desvendar essas coisas? Quem pode nos dizer, com base em princípios naturais, o significado deste fenômeno estranho, os porquês e os motivos relativos a essas questões? Ninguém. Temos sentimentos e sensações peculiares, comuns a todos os homens, no que diz respeito ao futuro. Mas quais são as visões, ideias e sentimentos dos homens em geral em relação a essas questões? E se têm visões, qual é a fonte de sua inteligência? Que cientista, filósofo ou teólogo pode desvendar para nós muitos desses princípios misteriosos que vemos exibidos diariamente diante de nós? É muito difícil para o homem compreender, e nada, como disse antes, senão o Espírito que organizou as criações de Deus pode revelar esses princípios e dar-nos conhecimento daquela conveniência das coisas tal como existem na mente do Criador, de nosso relacionamento com Deus e uns com os outros, e com o mundo em que existimos, e com os mundos que hão de vir. Nada senão a inteligência sobre-humana, mesmo a inspiração do Todo-Poderoso, pode revelar essas coisas. Temos dez mil ideias, noções e sentimentos; o mundo está cheio de toda espécie de teoria a respeito dessas questões. Mas de que adianta? Podemos teorizar quanto quisermos, mas, a menos que recebamos alguma comunicação de seres que possuem inteligência superior a tudo o que é mortal, que estão associados a essas vastas criações e sabem algo sobre sua origem e objetivo, o que podemos saber? Precisamos de comunicação com Deus, e de revelação Dele, que nos esclareça sobre isso, ou continuaremos nas trevas e nada saberemos a respeito do futuro, e de muitas coisas do presente e do passado. Alguns de nossos poetas, em metáfora bastante bela, apontam-nos para algum lugar "além dos limites do tempo e do espaço," onde devemos aguardar um lugar celestial, a morada segura dos santos. Há algo muito agradável nessas reflexões, mas, ao mesmo tempo, há algo muito tolo. Não sei como, nem sobre que princípio, haveremos de ir além dos limites do tempo e do espaço; isso está além de minha compreensão, e muito duvido que a pessoa que o escreveu pudesse compreendê-lo; de fato, sei que não podia. Cantamos também, às vezes, sobre "cantar a nós mesmos até a bem-aventurança eterna." O que é isso, e onde fica? Como haveremos de desfrutá-la, e em que circunstâncias? Certamente, aqueles que falam dessas coisas não demonstram inteligência alguma. Jamais poderemos compreender coisa alguma a respeito delas, senão pelas revelações de Deus, feitas diretamente a nós, ou a nós por meio de outros. ¶
Ora, nós, Santos dos Últimos Dias, somos devedores — eu ia dizer, a Joseph Smith, pelo conhecimento que possuímos; mas isso não seria estritamente verdadeiro, pois não somos devedores a ele, nem a nenhum outro homem, pelo conhecimento que possuímos; somos devedores ao Senhor, e o Profeta Joseph foi usado por Ele como o meio de revelar, em meio ao caos que existia no mundo, os princípios da vida, da luz e da inteligência, e as leis pelas quais os Deuses são governados nos mundos eternos, para nos ensinar que rumo deveríamos seguir, a fim de agirmos com sabedoria, prudência e inteligência, e compreendermos a posição que ocupamos aqui sobre a terra, e o relacionamento que existe entre o homem e seu Criador, e para que pudéssemos entender as coisas pertencentes ao futuro, bem como as coisas pertencentes ao presente. E a religião que nos foi revelada destina-se a preparar-nos para tomar parte nessas coisas, tanto neste mundo quanto no mundo vindouro; para nos ensinar como nos aproximarmos de nosso Criador e obter mais conhecimento de Suas leis e dos princípios de verdade que nos foram revelados. O mundo em geral trata essas coisas muito levianamente. A razão é que não as compreende, e nisso reside a dificuldade. E nós as conhecemos apenas em parte, e as vemos em parte, e as compreendemos em parte; mas, sem comunhão com o Todo-Poderoso, certamente não teríamos entendido absolutamente nada sobre essas coisas. Há algo muito peculiar no mundo, e nós, assim como outros, às vezes tendemos a ser bastante estreitos e limitados em nossas ideias a respeito do mundo em que vivemos e das pessoas que nos cercam. Somos informados de que "a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil." E afirmaria ainda que toda inteligência verdadeira que os homens possuem a respeito das leis, da natureza e de suas operações, bem como quaisquer ideias morais, científicas ou filosóficas corretas que possamos formar, procedem da mesma fonte, quer os homens o reconheçam, quer não. E mais, quaisquer ideias religiosas corretas que o mundo possua em relação ao estado futuro procedem daquela porção do Espírito que é dada a cada homem para o que for útil — não somente a nós, mas a todo homem, e à influência desse Espírito todos os homens são devedores pelo grau de honra e integridade que existe entre os homens. É verdade que há muito pouco, comparativamente, mas pela quantidade que há, são devedores a Deus tanto quanto nós. O apóstolo Paulo, em certa ocasião, disse que Deus não se havia deixado sem testemunho. Este é um princípio geral que existe em toda parte, e entre toda a humanidade. Mas há outro princípio, separado e distinto deste, que é o princípio que traz os homens a uma comunhão mais próxima com o Todo-Poderoso. E qual é esse princípio? É o Espírito do Senhor num grau mais eminente, chamado nas Escrituras de Espírito Santo. Como os homens o obtêm? Por meio de certo meio que Deus designou, a saber: pela fé, pelo arrependimento, pelo batismo administrado pela autoridade própria, e pela imposição de mãos para o dom do Espírito Santo. Ora, o Senhor teve Sua "testemunha" sobre a terra em diferentes eras. Sempre que teve essa testemunha, o evangelho geralmente esteve associado a ela; é parte integrante do grande plano. Há uma ideia muito tola prevalecente no mundo, de que não havia tal coisa como o evangelho até que Jesus viesse. É a maior tolice de toda a criação. Nenhum evangelho até Jesus introduzi-lo! Dir-se-á: "acaso as Escrituras não dizem que a vida e a imortalidade são trazidas à luz por meio do evangelho?" Sim. "E não foi Jesus quem introduziu o evangelho?" Sim. "Bem, então, se Ele veio e introduziu o evangelho, por que dizeis que já o tinham antes?" Sempre tiveram o evangelho, sempre que os homens tiveram conhecimento de Deus. É o evangelho que traz a vida e a imortalidade à luz; é o evangelho que coloca o homem em posição de obter um justo conhecimento de Deus, e das eternidades vindouras, de sua posição na terra, e de sua posição tal como será no futuro. É esse mesmo princípio que traz, como nos é dito, a vida e a imortalidade à luz. E se traçardes os registros seja do Livro de Mórmon, seja da Bíblia, ou os de qualquer povo que já viveu na terra, e encontrardes em algum lugar um povo que tivesse conhecimento da vida e da imortalidade, então vos mostrarei um povo que tinha o evangelho. Foi por meio desse princípio que os homens antes do dilúvio tiveram conhecimento de Deus e tiveram comunicação com Ele. Foi por meio dele que Enoque compreendeu os princípios do céu, e os aplicou à sua posição, e foi por esse poder, e por meio desse princípio, que ele, com as cidades em que viveu, foi trasladado, assim como os milhares que então viviam, e também os que viveram depois desse tempo foram trasladados; foi por meio do princípio e do poder do evangelho que traz a vida e a imortalidade à luz. Foi pelo mesmo princípio que Noé foi salvo; ele tinha comunicação com Deus, que lhe revelou o que estava para acontecer sobre a terra, e os resultados disso. Deus o advertiu, e o preparou, e lhe disse o que fazer e como fazê-lo, e ele seguiu o rumo que lhe fora dado, e recebeu sua recompensa. Foi por meio desse princípio que Abraão compreendeu a Deus, e teve revelação e comunicação com Ele, pois sem isso nada teria sabido a respeito de Deus. Mas ele entendeu, por meio dos registros de seus pais, certos privilégios que são mencionados em sua história — certos privilégios pertencentes a ele mesmo e a seus progenitores, os quais ele traçou de volta até os dias de Adão, por meio dos quais aprendeu que era herdeiro do santo sacerdócio; e quando averiguou isso, buscou uma ordenação do Senhor. E quando foi perseguido por sua fé, deixou a terra em que vivia, e o fez por insistência do Senhor: "Sai da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei." E o Senhor grandemente o favoreceu e o abençoou, e lhe disse: "abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra." Foi assim? Sim, cumpriu-se. Consideremos isso por um momento, e vejamos se se cumpriu ou não. Quem foram Isaque e Jacó? Tiveram comunicação com Deus? Sim. Como a obtiveram? Por meio do evangelho, e por meio das promessas feitas a seu pai Abraão. E quando Israel estava no Egito, quem os libertou? Moisés. E quem foi Moisés? Um descendente de Abraão. Ele conduziu o povo para fora da escravidão egípcia? Sim; Deus manifestou Seu poder em favor deles. Moisés tinha o evangelho? Sim, e Abraão também. O apóstolo Paulo diz, em sua epístola aos gálatas, "que, tendo a escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti." O evangelho foi pregado aos israelitas no deserto; mas, como diz o apóstolo ao falar deles, "a palavra da pregação de nada lhes aproveitou, porquanto não estava acompanhada pela fé naqueles que a ouviram." Mas Moisés conduziu alguns deles até a presença de Deus — aqueles que estavam preparados para recebê-la; os outros, ao ouvirem os trovões e verem os relâmpagos, e ouvirem a voz de Deus, disseram a Moisés: "fala tu conosco, e ouviremos; e não fale Deus conosco, para que não morramos"; não estamos preparados para esta glória, para este tipo de manifestação que nos foi dada. ¶
Ora, foram tolos; desviaram-se de princípios corretos, violaram as leis de Deus e, por isso, incorreram em Seu desagrado, e Seu Espírito lhes foi retirado, e o evangelho lhes foi tirado, e ficaram sob uma lei de mandamentos carnais, e a lei lhes foi dada como aio, dizem-nos, até que Cristo viesse. E o que Cristo fez? Restaurou a plenitude do evangelho que haviam perdido por causa de suas transgressões anteriores. O que se segue? Voltamos à promessa feita a Abraão, de que nele e em sua semente todas as famílias da terra seriam benditas. Moisés, como disse, era de sua semente, e foi o libertador de toda aquela nação. E quem foram os profetas que existiram entre o antigo Israel? Eram descendentes de Abraão; e a eles veio a palavra de Deus e a luz da revelação. Quem foi Jesus? Segundo a carne, da semente de Abraão. Quem foram Seus doze apóstolos? Da semente de Abraão. Quem foi o povo que veio a este continente — Leí e sua família, por volta de 600 a.C.? Da semente de Abraão. Quem foram os apóstolos que tiveram entre si, e que se espalharam entre os milhões que então viviam neste continente? Da semente de Abraão. Quem foi Joseph Smith? Da semente de Abraão; e a ele, dizem-nos, estava destinado ser filho de José, e a ele próprio seria chamado Joseph. E ele foi levantado para qual propósito? Para prejudicar ou destruir a humanidade? Não; mas para trazer a vida e a imortalidade à luz por meio do evangelho. Ele, como outros homens proeminentes de Deus, veio na plenitude dos tempos para realizar a obra que o Senhor lhe designara, sendo chamado por Deus e ensinado por Deus; e, sendo assim ensinado, possuía uma inteligência que a nenhuma outra na terra ficava a dever. Introduziu princípios que nenhum filósofo, ou cientista, ou toda a sabedoria deste mundo combinada seria capaz de desenvolver; nem seria possível a ninguém trazer à luz tais princípios, senão por meio das revelações de Deus — princípios de verdade, princípios de inteligência, princípios que afetam o homem no tempo e na eternidade; princípios que afetam o mundo em que vivemos; princípios que afetam milhares e miríades que viveram antes; princípios de salvação que se estendem a todas as nações e a todos os povos, vivos ou mortos, pertencentes ao tempo e pertencentes à eternidade. ¶
De que maneira esses princípios haveriam de ser dados a conhecer? Como os homens haveriam de se familiarizar com essas coisas? Sendo trazidos a comunhão com o Senhor. E como isso se daria? Jesus, quando estava na terra, ordenou e separou outros, e disse-lhes que fossem por todo o mundo e pregassem o evangelho. Que evangelho? Aquele evangelho que traz a vida e a imortalidade à luz; aquele evangelho que traz os homens a comunicação com seu Criador; aquele evangelho que nos mostrará quem somos, e o que somos, e por que estamos aqui, e o objetivo de nossa existência, e o que está diante de nós. Jesus disse a Seus discípulos em Seus dias: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão os que crerem: Em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os sararão." E, "eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." Estava Ele com eles? Sim. Como pregavam? Convocavam o povo a arrepender-se e a ser batizado para a remissão de seus pecados. Quem o fazia? Homens autorizados por Deus e comissionados por Ele, e não por outrem. E depois? Se assim fizessem, receberiam o Espírito Santo. E o que isso faria por eles? Tomaria das coisas de Deus e lhas mostraria; traria a vida e a imortalidade à luz; colocá-los-ia em comunicação com o Senhor; capacitá-los-ia a compreender princípios que nenhum homem poderia compreender, nem jamais deveria compreender, sem o Espírito; traria à sua lembrança coisas passadas; guiá-los-ia a toda a verdade, e lhes mostraria as coisas vindouras. Foi assim? Sim. Tiveram esse Espírito? Sim. O espírito de profecia? Sim. O espírito de revelação? Sim. Tiveram o ministério de anjos? Sim. Estava a visão de toda a verdade aberta à sua mente? Sim. Compreenderam as manifestações de Deus até a cena final, e até que os mortos, pequenos e grandes, se apresentem diante de Deus, e até que esta terra não apenas seja redimida, mas se torne celestial, e nela habitem seres celestiais. Entenderam essas coisas, e profetizaram e escreveram a respeito delas. É assim com nosso evangelho? Precisamente o mesmo. Essas coisas nos foram comunicadas? Foram. Os élderes foram chamados a ir às nações da terra para convocar o povo a arrepender-se e a ser batizado, como nos tempos antigos? Foram. A maioria de vós já ouviu este evangelho pregado entre as diferentes nações da terra? Sim. Recebestes-o? Obedecestes-lhe? Sim. Recebestes o Espírito Santo que o acompanha? Recebestes, e sabeis e podeis dar testemunho disso. É o mesmíssimo evangelho; e por que o mesmo? Porque é o evangelho eterno, não algo iniciado há mil e oitocentos anos. Diz João: "vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra," etc. Que evangelho? O evangelho eterno; o evangelho que existia com os Deuses antes que este mundo entrasse em existência, ou antes que as estrelas da manhã juntas cantassem; o evangelho que foi pregado a Adão, e que ele pregou à sua posteridade; o evangelho que foi pregado por Enoque e Noé, por Abraão, Isaque e Jacó, e por todos os antigos profetas; o evangelho que foi pregado por Jesus e Seus discípulos, quando Ele lhes ordenou que fossem pregá-lo a todas as nações; em suma, o evangelho que traz a vida e a imortalidade à luz. Pode-se dizer de nós o que se disse deles: "fostes batizados num só batismo, e todos participastes do mesmo espírito." Foi assim? Sim. Não eram muitos batismos, não eram muitas fés, muitas ideias e muitas noções; mas era "um só Senhor, uma só fé, um só batismo," e "um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos." ¶
Há muitas coisas associadas a esses princípios nas quais os filhos dos homens estão profundamente interessados, e nas quais, mais especialmente, os Santos dos Últimos Dias estão muito, muito profundamente interessados. O Senhor nos recolheu dentre as nações da terra, exatamente como disse a alguns de Seus antigos profetas, que o escreveram, que faria. E um deles, envolto em visão profética, contemplando os desígnios de Jeová em relação a esta geração, e vendo o povo de Deus se reunindo, exclamou: "quem são estes que vêm voando como nuvens, e como pombas, às suas janelas?" E outro diz: "vos tomarei, um de uma cidade, e dois de uma família; e vos levarei a Sião." Que fareis com eles quando os tiverdes ali? "vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência." "Levantar-se-ão salvadores... no monte Sião," diz outro, "... e o reino será do Senhor." Expressões bastante peculiares, e algumas dessas observações bastante significativas. Contudo, foram feitas por homens sob a influência do Espírito Santo, o espírito de revelação que desvendou à sua vista coisas que haveriam de acontecer nos últimos dias, o que é enfaticamente chamado nas Escrituras "a dispensação da plenitude dos tempos," quando Ele haveria de "tornar a congregar em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra." Ele reuniria Seu povo em um, para começar, e daí nossa posição hoje nestes vales das montanhas. Por que estamos aqui? Viemos para cá porque era de acordo com os propósitos eternos de Deus que nos reuníssemos; e porque Deus restaurou este princípio, entre outros princípios, por meio do ministério de santos anjos, e pela manifestação de Seu poder, pela revelação de Sua vontade, por meio do antigo sacerdócio que existiu sobre a terra. E o que nos fez reunir? Muitos de vós dificilmente saberiam dizer, se eu perguntasse. Sei muito bem que, quando recebestes este evangelho em terras estrangeiras, não pudestes descansar até vos reunirdes a Sião; e havia um sentimento correspondente entre os santos aqui, para ajudar a realizar essas coisas. Antes que a ferrovia através das planícies fosse construída, costumáveis enviar vossas juntas de bois, às vezes até quinhentas de uma só vez. O que vos fazia agir assim? Era o espírito do recolhimento associado à dispensação dos últimos dias; se houvesse tempo, eu poderia contar-vos de que maneira tão peculiar algumas pessoas foram movidas. ¶
O Profeta Joseph Smith e Oliver Cowdery batizaram um ao outro. Por quê? Porque João Batista apareceu e conferiu-lhes este sacerdócio, e eles foram administrar nele. Por que Joseph Smith e outros impunham as mãos sobre os homens para a recepção do Espírito Santo? Porque Pedro, Tiago e João, que detinham as chaves do sacerdócio e deste evangelho nos tempos antigos, conferiram-lhes esse poder, e eles operaram nele. Por que o povo se sentia inclinado a reunir-se? Porque Moisés, que estava à frente da dispensação do recolhimento, e a quem foram dadas as chaves desta dispensação, veio e lhes conferiu o poder de reunir a casa de Israel e as dez tribos de sua dispersão; e quando recebestes este evangelho, recebestes isso como parte dele. Esta dispensação da plenitude dos tempos abrange todas as outras dispensações que já existiram sobre a terra, com todos os seus poderes. Essa é a razão pela qual desejáveis tanto reunir-vos, e por esses impulsos peculiares que muitos de vós não conseguíeis explicar. ¶
Por que construímos templos? Porque Elias apareceu e conferiu os poderes de seu sacerdócio, que haviam de "converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais." E por que gastais tanto — até mesmo vossos inimigos se queixam por causa dos milhões de dólares empregados na construção de templos. Por que o fazeis? Simplesmente porque Deus nos ordenou fazê-lo, e nós o sabemos, e porque o espírito que acompanha esta obra peculiar repousa sobre nós, até sentirmos seus impulsos em nossos próprios ossos. E é um incômodo fazê-lo? Não. Sentimos prazer nisso. E, então, quando construímos nossos templos, sentimos prazer em administrar neles, não somente por nós mesmos, mas por nossos pais e mães, e por aqueles de nossos progenitores que morreram sem o evangelho, e ainda para ajudar a salvar todos os que foram dignos de salvação, que já viveram sobre a terra. E temos de continuar nossos labores nesta direção; apenas começamos; e se essa pequena coisa incomoda os homens, todo o consolo que posso dar-lhes é que ficarão ainda mais incomodados. Se outros não sabem o que estamos fazendo, nós sabemos; sabemos em quem temos crido e, por conseguinte, operamos nessas coisas. ¶
Ora, então, que devemos fazer? Continuar a fazer o bem; continuar a viver nossa religião; continuar a realizar os propósitos de Deus; continuar a nos humilhar diante do Senhor, e cultivar Seu Santo Espírito, para que possamos compreender Suas leis e conhecer Sua vontade a nosso respeito. Recebestes o Espírito Santo. Agora vos contarei uma instrução que Joseph Smith certa vez me deu, e não vos fará mal. Disse ele: "Élder Taylor, você recebeu o Espírito Santo: agora siga as inclinações desse espírito; e se o fizer, aos poucos ele se tornará em você um princípio de revelação, e você saberá todas as coisas à medida que forem surgindo, e compreenderá o que é certo e o que é errado em relação a elas." Isso se aplica a vós tanto quanto a mim, se puderdes recebê-lo, viver de acordo com ele e desfrutá-lo. ¶
Ora, o que somos nós? Devemos ser os santos de Deus, sem repreensão no meio de uma geração perversa e corrupta. Devemos estar cheios de caridade, de bondade fraternal, de afeto e amor uns pelos outros, e amor por todos os homens. Devemos sentir como sente nosso Pai Celestial. O que Ele faz? "Faz que o seu sol se levante sobre os maus e os bons, e a chuva desça sobre os justos e os injustos." Ele salvará todos os homens até o grau de salvação e exaltação que forem capazes de receber; mas não pode conceder ao povo o que não está preparado para receber. Há uma glória celestial, e uma glória terrestre, e uma glória telestial; "uma é a glória do sol, e outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela. Assim também é a ressurreição dos mortos." Mas há, devemos ter em mente, uma glória celestial que é uma só, e uma glória terrestre que é uma só, etc. E queremos, como Santos dos Últimos Dias, compreender a posição que ocupamos; e, embora Deus nos tenha conferido muitos privilégios grandiosos e preciosos, queremos apreciá-los e honrá-los. Somos Setentas? Devemos estar cheios de luz e vida, e do poder e espírito do Deus Vivo, e sentir que somos mensageiros para as nações da terra; devemos sentir a palavra de Deus ardendo como fogo em nossos ossos, sentindo o desejo de ir arrancar os homens dos poderes das trevas e das correntes de corrupção com que estão presos, e conduzi-los pelos caminhos da vida. Devemos estar preparados para sair chorando, levando semente preciosa, para que possamos voltar de novo com regozijo, trazendo conosco nossos feixes. Se somos Sumos Sacerdotes, devemos magnificar nosso chamado nessa porção do sacerdócio, e preparar-nos para os deveres e responsabilidades que recaem sobre nós, associados a esse sacerdócio, para que estejamos preparados, de acordo com as revelações que recebemos a respeito desses assuntos, a presidir sobre as diferentes estacas, e entre elas, quando forem organizadas, e a estar preparados para operar em todas as coisas de acordo com a mente e a vontade de Deus. Se somos élderes, devemos buscar magnificar nosso chamado em cada particular, e afastar de nós todo mal, e nos satisfazermos de que somos aceitos por Deus, vivendo de tal modo que seja tanto um prazer quanto um dever realizar a vontade de Deus em todas as coisas. Se somos pais, devemos tratar nossos filhos apropriadamente, e treiná-los no temor de Deus; devemos tratar nossas esposas com misericórdia, ternura e amor; devemos suportar suas fraquezas, e sustentá-las no caminho da vida, derramar alegria e felicidade em seu seio, e ajudá-las a suportar as lutas e dificuldades com que têm de lidar. Se somos esposas, devemos procurar fazer de nossos lares um céu. E, como filhos, como pais, como Santos dos Últimos Dias e como élderes de Israel, devemos buscar, pela oração da fé, cumprir os diversos deveres que recaem sobre nós, para que possamos honrar nosso Deus, magnificar nosso chamado e preencher a medida de nossa criação aqui sobre a terra, e purificar-nos de toda injustiça, e estarmos cheios de amor, bondade, generosidade e filantropia, e também cheios de honestidade, de veracidade e integridade, sentindo em nossos corações dizer: ó Deus, sonda-me, prova-me e examina-me, e se há algum mal em mim, ajuda-me a purificá-lo de dentro de mim, e ajuda-me a honrar e magnificar meu sacerdócio, e todo dever que recai sobre mim. E, como pais e mães, jamais devemos proferir uma palavra, ou praticar um ato, de que devêssemos nos envergonhar de que Deus, ou os anjos, ou nossos filhos, ouvissem ou vissem. E se fizermos o que é certo, e estimarmos e cultivarmos o espírito de Deus na medida em que possa prevalecer e predominar em nosso meio, veremos Sião levantar-se e resplandecer, e a glória de Deus repousará sobre ela. ¶
Que Deus nos ajude a fazer o que é certo, e a preservar nossa pureza, a guardar Suas leis, e a nos conduzir pelos caminhos da vida, para que, enquanto vivermos sobre a terra, possamos operar com Ele na salvação dos vivos e dos mortos, e sejamos, por fim, salvos em Seu reino celestial, tendo combatido o bom combate, terminado nossa carreira, e guardado a fé. Em nome de Jesus. Amém. ¶