Pulpit

O Livro de Mórmon—Promessas aos Lamanitas—Objetivos do Registro—O Livro de Abraão—Dons para a Igreja—Benefício da Revelação Imediata—As Coisas Maiores Mostradas Àqueles que Recebem o Registro—A Visão de Moisés—A Criação Etc

Orson Pratt

1878-08-25

Há uma sentença no Livro de Mórmon (p. 510) que me veio à mente, a qual lerei: "E aquele que receber este registro, e não o condenar por causa das imperfeições nele contidas, o mesmo conhecerá coisas maiores do que estas." Esta passagem do Livro de Mórmon é uma que não me lembro de ter escolhido como base de nenhum discurso especial. É uma que se aplica diretamente à geração presente--o povo que deveria viver na terra na época em que o Senhor nosso Deus haveria de trazer à luz este registro, dando-lhe a oportunidade de ler seu conteúdo. Foi escrita pelo Profeta Morôni, que era o único homem justo de sua nação--os nefitas, tendo sua nação sido destruída poucos anos antes de ele escrever esta sentença. É verdade que alguns de sua nação haviam desertado e se juntado à nação oposta--os lamanitas, e alguns haviam fugido na destruição geral; mas eram caçados pelos lamanitas, e foram destruídos como povo. Morôni, sendo um Profeta de Deus, não se juntaria àquela nação em sua maldade e idolatria, e a única maneira de preservar sua vida era manter-se oculto e escondido do conhecimento dos lamanitas. Enquanto se escondia de seus inimigos, ele terminou o registro do Livro de Mórmon. A última data que ele dá no registro é 420 anos depois do nascimento de Cristo, conforme os sinais dados neste continente americano a respeito de seu nascimento. Trinta e seis anos antes desse tempo, sua nação foi destruída no que chamamos hoje o Estado de Nova Iorque, em torno de uma colina, chamada por aquele povo a Colina de Cumora, quando muitas centenas de milhares de nefitas--homens, mulheres e crianças--caíram, durante a maior batalha que travaram com os lamanitas. Por 36 anos este profeta de Deus manteve-se oculto, e escreveu conforme era impelido pelo espírito de inspiração, e finalmente escondeu as placas de ouro contendo os registros na colina de Cumora, com a promessa que o Senhor lhe dera de que esses registros viriam à luz nos últimos dias, e que ele próprio os traria à tona por sua própria sabedoria e poder. E ele também nos diz seu objetivo, a saber, beneficiar os gentios que viessem a ocupar este continente americano--a Terra Prometida, como a denominam; e também para o benefício de outras nações de gentios a quem o livro deveria depois ser enviado; e quando o rejeitassem, o Senhor faria com que fosse publicado aos remanescentes dos lamanitas que habitam este país, a quem chamamos índios americanos, o que seria o meio de revelar-lhes a história de seus antepassados, e também certas promessas feitas a eles como ramo da casa de Israel, estabelecendo que muitos de seus descendentes creriam no registro quando lhes fosse dado a conhecer, e que seriam instruídos nas coisas de Deus, e a maldição, que os degenerou à sua atual condição inferior, seria removida, e que deporiam suas armas de guerra, e que cessariam de guerrear e cometer assassinatos, furtos e roubos, e que se tornariam um povo pacífico, e também um povo branco e deleitável. Estas são as predições dadas no Livro de Mórmon como alguns dos objetivos de se trazer à luz aquele registro nos últimos dias. E, entre outros objetivos que o Senhor tinha em vista, estava o de esclarecer as mentes do povo a respeito do evangelho em toda a sua clareza e plenitude, com todas as suas promessas, bênçãos, dons e ordenanças; para que o povo, os gentios, a quem este registro fosse enviado, não tivesse desculpa para rejeitá-lo, e também para que o evangelho fosse estabelecido na terra em sua pureza, conforme antigas profecias. Outro objetivo era que ele pudesse edificar sua igreja entre os gentios, se eles cressem neste registro e na pregação de seus servos quando fossem enviados nos últimos dias entre eles, testificando de sua veracidade. Ao falar desta obra que o Senhor está realizando na terra, às vezes a chamamos de Igreja de Deus, e também falamos dela como o reino de Deus. É ambos, sendo o próprio Deus o Rei; não um poder civil, não um governo civil na terra, pois já temos estabelecido aqui, nesta terra escolhida, um governo em que todas as classes de pessoas religiosas podem adorar a Deus como bem entenderem; mas o Senhor pretendia, entre essas várias religiões e denominações eclesiásticas, ter uma denominação peculiar, um povo adquirido, uma igreja peculiar, a qual ele denomina seu reino, sendo ele mesmo o grande legislador nesse reino. Outro objetivo era que os homens pudessem ter mais fé do que tinham possuído nas gerações anteriores de apostasia e maldade, e que a fé que os antigos Santos exerciam pudesse novamente habitar nos corações dos filhos dos homens. Por exemplo, um poder de fé, por meio de nosso arrependimento e por meio de nossa obediência às ordenanças do batismo, para receber aquele batismo maior e miraculoso do Espírito Santo. E que este dom, este batismo de fogo e do Espírito Santo, que deveria ser dado a todos os membros da Igreja de Deus, os colocasse na posse de certos dons, que nenhum outro povo sobre a face de toda a terra teria ou saberia algo a respeito, desde que os membros da Igreja fossem dignos de possuí-los. Nomearei, em resumo, os vários dons que o Senhor pretendia dar a este povo. Nos últimos dias, quando este registro fosse trazido à luz, ele pretendia, em primeiro lugar, levantar um grande e poderoso Profeta, para traduzir o livro divino. Isto se cumpriu antes do surgimento da Igreja, há cerca de 50 anos. Este Profeta, que foi levantado para realizar esta obra, teve permissão de retirar esses registros do monte onde Morôni os havia depositado uns 420 anos depois de Cristo. Este Profeta foi mencionado nos registros, e a obra que ele deveria realizar também foi mencionada. E, apesar de sua juventude e inexperiência em relação à erudição e sabedoria do mundo, ele se provou um grande e poderoso homem de Deus; ele não apenas foi o instrumento nas mãos de Deus para trazer à luz o Livro de Mórmon, mas também recebeu numerosas outras revelações, contidas neste livro chamado Doutrina e Convênios, um livro que contém quase tanto material de leitura quanto o Livro de Mórmon; e além destas, encontrareis muitas das revelações dadas por ele naquilo que se chama a nova edição da Pérola de Grande Valor, publicada pela Deseret News Office, a qual dá um conhecimento das coisas que ocorreram na criação muito mais completo do que o descrito no livro de Gênesis, dando conta de muitos acontecimentos e eventos ocorridos antes do dilúvio, dando-nos também muita informação a respeito do evangelho que foi ensinado naquelas primeiras eras, e dando-nos algumas profecias muito importantes, que se estendem até o presente período do mundo, e também profecias que se estendem ainda mais além, do dia presente até o fim do mundo. Estas não são as únicas revelações dadas por meio deste grande Profeta moderno. O Senhor trouxe à luz registros sagrados das Catacumbas do Egito. Depois que várias centenas de homens trabalharam e labutaram por muitos meses escavando uma dessas vastas estruturas, eles entraram em seu interior; encontraram grande número de múmias--os corpos de pessoas que haviam sido preservadas desde que a catacumba fora construída, e umas onze dessas múmias, bem preservadas, foram retiradas por esses homens, e finalmente caíram nas mãos de uma pessoa chamada M. H. Chandler. Foram enviadas do Egito para a Irlanda, onde se supunha que ele residisse, mas ao saberem que ele residia na América, foram enviadas a ele. Ao receber as múmias, ele começou a remover parte da antiga cobertura ou envoltório, e para seu espanto encontrou sobre o peito de uma dessas múmias um registro escrito sobre antigo papiro, em caracteres claros, escritos tanto em tintas ou manchas ou cores negras quanto vermelhas. E as múmias e os registros foram exibidos pelo Sr. Chandler, em Nova Iorque, na Filadélfia, e em muitos dos Estados do leste de nossa União; e milhares de pessoas os viram, e entre elas muitos homens instruídos; e esses caracteres lhes foram apresentados, e não raramente o Sr. Chandler era remetido a "Joe" Smith, como costumavam chamá-lo, que, diziam, pretendia ter traduzido alguns registros que encontrara na parte oeste de Nova Iorque, e que se o Sr. Chandler fosse vê-lo, talvez ele traduzisse aqueles antigos caracteres. Muitas dessas referências eram feitas com a intenção de ridicularizar o Sr. Smith; mas aconteceu que, viajando pelo país, ele visitou Kirtland, Ohio, onde residia o Profeta Joseph Smith, trazendo consigo as múmias e os antigos escritos em papiro. O Sr. C. também havia obtido de homens instruídos a melhor tradução que pôde de alguns poucos caracteres, o que, contudo, não era propriamente uma tradução, mas mais uma forma de suas ideias a respeito dela, não sendo seu conhecimento da língua suficiente para permitir-lhes traduzi-la literalmente. Depois de alguma conversa com o Profeta Joseph, o Sr. Chandler apresentou-lhe os antigos caracteres, perguntando-lhe se poderia traduzi-los. O profeta os tomou e recolheu-se a seu quarto e consultou o Senhor a respeito deles. O Senhor lhe disse que eram registros sagrados, contendo os escritos inspirados de Abraão quando ele estava no Egito, e também os de José, enquanto ele estava no Egito; e que haviam sido depositados junto com essas múmias, que haviam sido exumadas. E ele também consultou o Senhor a respeito de alguns poucos caracteres que o Sr. Chandler lhe deu como teste, para ver se ele poderia traduzi-los. O Profeta Joseph traduziu esses caracteres e devolveu-os, com a tradução, ao Sr. Chandler; e este, ao comparar com a tradução dos mesmos poucos caracteres feita por homens instruídos, que já obtivera antes, verificou que as duas concordavam. O Profeta Joseph, tendo aprendido o valor desses antigos escritos, estava muito ansioso por obtê-los, e manifestou desejo de comprá-los. Mas o Sr. Chandler lhe disse que não venderia os escritos, a menos que pudesse vender as múmias também, pois isso diminuiria o interesse de sua exibição; o Sr. Smith lhe perguntou o preço, que era uma quantia considerável, e por fim comprou as múmias e os escritos, tudo o que reteve em sua posse por muitos anos; e foram vistos por toda a Igreja que quis visitar a casa do Profeta Joseph, e também por centenas de estranhos.

O Profeta traduziu a parte desses escritos que, como disse, está contida na Pérola de Grande Valor, e é conhecida como o Livro de Abraão. Assim vedes que um dos primeiros dons concedidos pelo Senhor para o benefício de seu povo foi o da revelação--o dom de traduzir, com o auxílio do Urim e Tumim, o dom de trazer à luz registros antigos e velhos. Têm as outras denominações este dom entre elas? Ide e perguntai por toda a cristandade e não deixeis de fora nenhuma denominação. Ide e perguntai às mais antigas associações cristãs existentes; ide à Itália, sede principal, e perguntai ao homem que detém o maior poder e autoridade na Igreja Romana: "Podeis traduzir registros antigos escritos numa língua que se perdeu do conhecimento do homem?" "Não," diria ele, "não podemos, está fora do meu poder fazê-lo." Ide à Rússia, perguntai aos chefes da igreja dos católicos gregos, se podem fazer isso; e eles vos darão, substancialmente, a mesma resposta. Depois experimentai as denominações mais recentes, do dia presente, perguntai a cada uma delas, começando pelos luteranos e calvinistas, e pela Igreja da Inglaterra, e depois façam a mesma pergunta a todos os ramos que dela surgiram; assim como àqueles que vieram a existir por outros meios; e a resposta universal das denominações cristãs, contando cerca de 400.000.000, seria que não têm o poder de fazê-lo. Perguntai-lhes se pretendem possuir poder sobrenatural de Deus, para realizar uma obra desta natureza; e todos vos dirão que Deus nunca concedeu tal poder a nenhum de seus ministros. E então, se fosse possível, perguntai aos 400.000.000 de cristãos, espalhados pela Ásia, Europa, América e ilhas dos mares, se pode ser encontrado entre eles um homem dotado, como os antigos videntes eram, do dom de ver, ou como os antigos reveladores eram, que anunciavam eventos futuros, o que sucederia aos homens e às nações e a seu destino final; e a resposta universal será, Ó, não, tais coisas já cessaram por completo. Aqui então o primeiríssimo dom que o Senhor colocou em sua igreja é um dom peculiar no que diz respeito às religiões do mundo, não peculiar no que diz respeito à Igreja de Cristo, mas no que diz respeito ao mundo religioso nos quatro cantos da terra, temos algo que eles não têm, e algo que está de acordo com a Bíblia. Que homem, pergunto ainda, entre todas as religiões da terra, nos últimos dezessete séculos, possuiu o Urim e Tumim, o dom que o constituiria vidente e revelador? Pode haver havido uns dezessete mil milhões de pessoas que passaram deste nosso globo sem que tais dons estivessem entre elas; e eram dons dados ao povo de Deus antes do advento do Salvador, e que foram desfrutados por seus servos que viveram contemporaneamente com ele e com aqueles que viveram depois que ele cumpriu sua missão na terra e ascendeu ao céu. Então, falando a estranhos, eu diria, deveis ao menos reconhecer que professamos ter estes grandes e importantes dons, dons que todas as outras religiões do mundo nem sequer professam possuir. Permiti-me perguntar francamente, o que é mais agradável aos olhos de Deus, que o povo obtenha as grandes e preciosas coisas que vêm por meio da operação do Espírito Santo, ou que o povo não tenha informação, nenhuma instrução por cerca de mil e setecentos anos, apenas o que puderem colher dos escritos de alguns dos antigos Videntes, ou Profetas, ou Reveladores, ou Apóstolos, que viveram e que morreram séculos atrás? Talvez estranhos reivindiquem que têm os escritos desses homens favorecidos de Deus, e que não precisam de mais nada, e que todas as gerações de homens desde os dias em que tais homens de Deus adormeceram não precisaram de mais instrução do que aquela dada aos Santos de dias anteriores. Os estranhos presentes concederão prontamente que este é o sentimento, a crença e o testemunho de todos, ou de quase todos, os povos religiosos sobre a face de toda a terra. Sabeis também, se tendes lido a história da cristandade nos últimos dezessete séculos, que sua crença e testemunho a este respeito têm sido semelhantes aos sustentados pela cristandade de hoje. Ora, pergunto novamente, qual é o mais divino, qual está mais de acordo com a Bíblia, que um povo desfrute dos mesmos dons desfrutados pelo povo de Deus em dispensações anteriores, ou que seja obrigado a depender do dom de alguém que já faleceu há muito tempo? Ora, qualquer homem religioso coerente dará seu testemunho sobre assuntos religiosos independentemente das tradições de seus pais, e diria em sua própria mente, é mais coerente termos Reveladores, Profetas, Videntes e Tradutores inspirados do céu em nossa Igreja, é mais de acordo com a Bíblia estarmos na posse desses dons nós mesmos do que dependermos de Reveladores e Videntes de épocas passadas. Não suponho por um momento que haja pessoa coerente alguma que, deixada a seu próprio raciocínio, não diria que isto é certamente mais razoável e mais coerente; especialmente quando se recorre à Bíblia, na qual nada limita as gerações que viveram na terra nos últimos dezessete séculos com respeito a esses dons. É mais coerente, então, que quando Deus levantasse uma Igreja, tivesse nela Profetas, Videntes e Reveladores, homens inspirados, homens que podem receber a palavra do Deus vivo, sobre todos os assuntos que se apresentassem diante deles e que pudessem dizer respeito ao povo. Quantos milhões de perguntas e assuntos de maior ou menor importância poderiam ser citados para os quais nenhuma instrução poderia ser encontrada na Bíblia que fosse de todo apropriada às circunstâncias? Tomai qualquer indivíduo, entre os muitos da família humana, e encontrareis milhares de coisas, pertinentes ao seu bem-estar individual e circunstâncias temporais, que ele jamais poderia aprender na Bíblia. O Senhor guia e dirige os assuntos temporais assim como os espirituais de seu povo; ele sempre o fez. Quantos milhares de coisas precisa saber um único chefe de família, a respeito de suas próprias circunstâncias temporais, que rumo deveria tomar, mais agradável ao Todo-Poderoso, se seguir este ramo de negócio ou aquele outro, ou se seguir algum outro ramo de negócio, no qual pudesse fazer o maior bem; e no qual pudesse glorificar mais a Deus; e que seria a maior bênção para sua casa e família, e no qual pudesse agradar ao Senhor e viver mais retamente e mais piedosamente, e mais coerente e honestamente, seguindo um ramo de negócio em vez de outro. Todas estas coisas dizem respeito a cada chefe de família; portanto, se tivesse o espírito de revelação, se pudesse ir e consultar o Senhor, se encontrasse nos sussurros de seu espírito qual rumo tomar nos assuntos temporais, que grande bênção seria para ele; e não somente para essa única pessoa, mas para todos os seus filhos à medida que crescem, e para suas esposas, se tivesse várias esposas. O Senhor costumava dar revelação não somente ao chefe de família, mas também às esposas de um homem. Lede, por exemplo, o que o Senhor revelou às esposas de Jacó, como costumava revelar muitas coisas a Raquel, muitas coisas a Lia, muitas coisas a Bila, e muitas coisas a Zilpa. Estas quatro esposas eram reveladoras; eram profetisas; eram indivíduos que podiam consultar o Senhor e obter dele uma resposta; e temos suas revelações registradas nas Escrituras. Chamamos suas revelações de Palavra de Deus a elas. Que benefício seria para um homem que tivesse três ou quatro ou meia dúzia de esposas, poder receber a palavra do Senhor em relação aos seus vários deveres; quão apropriado seria para produzir paz, e união, e salvação na família e no lar. E que grande conforto seria para um homem se tivesse várias esposas, e soubesse, pelo espírito de revelação, como agir em relação a todos os seus assuntos domésticos e temporais, conforme a mente e a vontade de Deus. De novo, quão grande seria o benefício para um grupo de pessoas--sem falar de casas e famílias--situado, por exemplo, numa região do país, um povo unido conforme a lei de Deus, desejoso de promover o bem-estar e a felicidade uns dos outros, e cada homem sendo obrigado a amar seu próximo como a si mesmo; um povo que soubesse conduzir seus assuntos temporais de modo que o próximo de cada homem fosse beneficiado tanto quanto ele mesmo; e cada um zelando não apenas por seu próprio bem-estar ou o de sua própria casa, mas pelo bem-estar de toda a comunidade com quem estivesse associado, produzindo por fim aquela unidade e unicidade que o Senhor exige nas numerosas revelações que ele deu.

Requer-se, então, revelação para um único ramo da igreja, situado numa região do país; quanto mais necessário, quando há numerosos ramos, e que esses ramos conheçam seus deveres uns para com os outros, para que não trabalhem uns contra os interesses dos outros de nenhuma forma ou maneira, mas, pelo contrário, trabalhem para o benefício mútuo de todos os ramos da Igreja e Reino de Deus, e assim preservem os meios, tal como José fez no Egito. José era um homem que buscava riquezas, aconselhou o Rei Faraó a buscar riquezas, construindo celeiros e adquirindo tanto quanto pudesse do excedente de grãos, durante os sete anos de colheitas abundantes que predisse, para armazená-lo para uso futuro. Algumas pessoas podem ter suposto, se vivessem naquele dia, que José era um grande especulador, e queria tirar vantagem do povo, enriquecendo-se às custas deles. Mas o Senhor dirigiu isso; ele deu uma revelação, mostrando claramente o que seria necessário para a salvação dos egípcios e também dos filhos de Israel que peregrinavam na terra. Portanto, percebemos que era necessário obter revelação a respeito de assuntos temporais, e que, sem ela, a fome teria vindo sobre eles sem que se apercebessem, e destruído centenas de milhares de pessoas, e teriam perecido por toda a terra. Assim, por meio de poucas palavras de revelação dadas por um Profeta de Deus que vivia em seu meio, milhões de pessoas foram salvas com vida.

Se traçarmos a história do povo de Deus, veremos que é uma história de revelações de Deus ao homem, dadas com o propósito de dirigi-los como indivíduos, como famílias, como vizinhanças, como tribos e como povos, dirigindo-os a respeito de seus assuntos temporais, assim como a respeito das grandes coisas que dizem respeito a um estado futuro de existência.

Menciono isto a fim de me referir ao texto que tomei. Aquele que recebe este registro, e não o condena por causa das imperfeições nele contidas, o mesmo conhecerá coisas maiores do que estas. Isto é, conhecerão coisas maiores do que as contidas no Livro de Mórmon. O Livro de Mórmon contém coisas maravilhosas a respeito da colonização deste país logo depois do dilúvio, a história de certa nação que aqui viveu por uns dezesseis ou dezessete séculos; depois de outra nação que a sucedeu, e que aqui viveu uns 600 anos antes de Cristo, e até a época em que os registros foram escondidos. Grandes coisas, historicamente, são reveladas neste livro; grandes coisas são reveladas nele a respeito de profecias ainda por se cumprir, e que já se cumpriram--quando este registro foi traduzido. Não somente isto, mas contém o evangelho do Filho de Deus. Refiro-me aos primeiros princípios do evangelho--os princípios da fé em Deus e em seu Filho Jesus Cristo; arrependimento--o afastar-se do pecado, de toda iniquidade; batismo por imersão em água para a remissão dos pecados; o dom e poder do Espírito Santo, a ser derramado sobre aqueles que recebessem este registro--isto é, que recebessem suas verdades e as obedecessem. Não significa aqueles que lessem este registro e não realizassem as coisas nele contidas; a promessa não se estende a eles. "Aquele que recebe este registro," isto é, recebe o evangelho nele contido, certamente crerá em Cristo; certamente se arrependerá de seus pecados; certamente será batizado para a remissão de seus pecados; e certamente será confirmado pela imposição das mãos para a recepção do Espírito Santo. Nenhum homem ou mulher que deixe de cumprir estas coisas que mencionei--crê e recebe o registro; podem fingir crer no registro, podem dizer que parece ser um registro muito bom, e que fala como se pudesse ser verdadeiro; mas a menos que o recebam, obedecendo suas ordenanças, e suas instituições, e cumprindo os princípios do evangelho, não teriam direito à promessa registrada nas palavras de meu texto: "Conhecerão coisas maiores do que estas." Pergunto se os Santos dos Últimos Dias conhecem algo maior do que o contido no Livro de Mórmon. Que coisa maravilhosa é o Livro de Mórmon, trazido à luz por um anjo enviado do céu para ser traduzido das línguas antigas deste país para nossa língua inglesa, tendo o Urim e Tumim sido dado ao tradutor, por meio do qual as palavras foram traduzidas. Que coisa grande e maravilhosa é o Livro de Mórmon no que diz respeito às suas profecias, no que diz respeito à sua história e sua doutrina; e no que diz respeito às suas predições daquelas coisas que estão imediatamente no futuro, que grande benefício tem sido para nós, Santos dos Últimos Dias, ler nossa própria história antes que ela aconteça.

Poderia ocupar todo um discurso mostrando como o Livro de Mórmon se tem cumprido desde que foi traduzido até o tempo presente, na proclamação do evangelho entre os gentios. As perseguições que deveriam suportar estão preditas no Livro de Mórmon. É uma grande coisa, é uma coisa maravilhosa. De fato, é exatamente o que Isaías disse que seria, ao profetizar a respeito do Livro; ele disse que seria uma obra maravilhosa e um prodígio. Mas o povo que recebesse este registro conheceria coisas maiores. Que coisas maiores aprendemos? Poderíamos ter perscrutado o Livro de Mórmon do princípio ao fim, e nunca teríamos aprendido a organização perfeita do Reino de Deus sobre a terra, tal como agora a encontramos no meio deste povo. Poderíamos ter lido no Livro de Mórmon a respeito do sacerdócio de Melquisedeque, tal como existia entre os nefitas; poderíamos ter lido a respeito do sacerdócio aarônico, que também existia nesta terra; e poderíamos também ter lido a respeito dos primeiros princípios do evangelho e a respeito de Doze Apóstolos escolhidos entre os antigos nefitas; mas lemos nós da maneira como os nefitas foram organizados depois de serem batizados e receberem o Espírito Santo? Não. Por quê? Porque o Senhor achou por bem reter isso de nós, julgando apropriado revelá-lo por meio do patriarca Joseph, a quem ele haveria de levantar, como algo maior do que o Livro de Mórmon deveria conter; mostrando que haveria Doze Apóstolos em nossos dias. Informou-nos o Livro de Mórmon que teríamos Doze Apóstolos? Não. O Senhor, portanto, deu coisas maiores a este povo que creu no registro que nos chegou, ao revelar diretamente que seriam levantados nesta dispensação doze homens, chamados Apóstolos, e que deveriam ir e pregar seu evangelho, primeiro às nações gentias, e, quando os tempos dos gentios se cumprissem, deveriam ir e pregar seu Evangelho aos remanescentes dispersos da casa de Israel. Isto foi ensinado quando a revelação foi dada logo depois de traduzida a última parte do Livro de Mórmon; que o Senhor haveria de levantar uma Igreja; que chamaria doze homens e os enviaria como Apóstolos, que edificaria sua Igreja entre os gentios primeiro; que, quando seus tempos se cumprissem, os enviaria à casa de Israel, para trazer aquele povo de volta a um conhecimento do evangelho.

Ora, isto era novidade para o povo. Aprenderam primeiro o Livro de Mórmon, e, tendo-o aprendido, tendo sido ensinados a respeito do que Deus ensinou ao antigo Israel nesta terra, então o Senhor lhes revelou coisas maiores conforme a promessa em nosso texto, dizendo-lhes o que deveria ser feito diretamente em nosso meio.

Novamente, o que poderíamos ter aprendido, seja da Bíblia ou do Livro de Mórmon, a respeito das três glórias--a celestial, a terrestre e a telestial? O que sabíamos a respeito daqueles que deveriam habitar esses vários mundos de glória? Nada absolutamente. Foi apenas referido nos escritos de Paulo, que havia três glórias, "uma glória do sol, e outra glória da lua, e outra glória das estrelas; pois uma estrela difere de outra estrela em glória." Mas Paulo nos deixou aí; não nos disse nada a respeito da glória celestial, ou nada a respeito da terrestre, ou telestial; não nos disse nada sobre os habitantes desses mundos, nem nada sobre as leis pelas quais esses diferentes mundos glorificados eram governados, mas apenas os referiu em poucas palavras e depois deixou de lado. O povo a quem ele escrevia pode ter sabido tudo sobre o assunto ao qual assim casualmente se referiu; se sabiam, o conhecimento que possuíam não nos foi transmitido. Mas o Senhor, no dia 16 de fevereiro de 1832, derramou seu Espírito do alto enquanto Joseph estava ocupado na obra de traduzir outro registro, e também sobre seu escrivão, e viram em visão o mundo celestial, e foram mandados escrever uma parte das coisas que viram; escrever a respeito da grandeza e poder e majestade e o conhecimento do povo que herda o mundo celestial. E também lhes foi mostrado, da mesma maneira, o mundo terrestre e seus habitantes e sua glória, e qual seria sua condição nos mundos eternos; e então desceram também em sua visão e contemplaram a glória menor, ou telestial, e viram os habitantes que ali moravam e compreenderam as leis pelas quais eram governados. Algumas dessas coisas foram mandados escrever, enquanto havia coisas que viram e que foram estritamente ordenados a não escrever, pois o mundo não era digno de recebê-las. Nem a Igreja, naquele tempo, estava preparada para receber um pleno conhecimento a respeito dessas coisas. Mas a parte que tiveram permissão de escrever, escreveram, e tem sido impressa há uns 40 anos para os Santos e para os habitantes do mundo aprenderem a respeito da condição futura de todos aqueles que passarem deste estado de existência para além do véu.

Aqui então estavam coisas maiores manifestadas do que as do Livro de Mórmon, ou as da Bíblia. Aquele que recebe este registro e não o condena por causa das imperfeições, o mesmo conhecerá coisas maiores. "Mas," diz alguém, "que imperfeições poderia haver nos escritos de um homem inspirado?" Eu vos direi. Imperfeições podem se infiltrar por meio da imprensa, a menos que houvesse alguma pessoa perita para examinar a impressão do Livro. Poderiam se infiltrar imperfeições por meio das pessoas que registraram essas coisas--Morôni e os vários profetas que o precederam, que escreveram sobre as placas. Poderiam ocorrer imperfeições pela omissão de algumas palavras. Mas um dos Profetas diz que não conhecia imperfeição alguma no registro; contudo, o Senhor sabia tudo, portanto, disse, não julgueis, para que não sejais julgados; não julgueis com juízo severo, para que não sejais julgados severamente--isto é, injustamente. Provavelmente o indivíduo, ao ler a primeira edição do Livro de Mórmon saída das mãos do impressor, não conhecia erro algum no que dizia respeito à impressão. Mas quando viemos a examinar a primeira edição, e mesmo todas as edições, encontramos algumas poucas imperfeições, introduzidas principalmente de natureza tipográfica. Bem, aqueles que não condenarem a obra de Deus por causa de coisas tão pequenas têm a promessa de que conhecerão coisas maiores do que estas. Os Santos dos Últimos Dias são testemunhas. Tendes em vossas prateleiras o Livro de Convênios e Mandamentos, as revelações do céu; também estais de posse da Pérola de Grande Valor, contendo a visão de Moisés, aquela grande e gloriosa visão que ele recebeu no monte, revelando-lhe a história da criação do mundo. O Senhor achou por bem descer sobre certo monte diante de Moisés, e mostrou-se a ele, e a glória de Deus repousou sobre Moisés, de modo que ele se pôs na presença do Senhor; e o Senhor mostrou a Moisés as obras de suas mãos em relação às várias criações que havia feito. E quando Moisés começou a indagar do Senhor, o Senhor lhe disse: Nenhum homem pode contemplar todas as minhas obras, sem contemplar toda a minha glória; e nenhum homem pode contemplar toda a minha glória e depois permanecer na carne sobre a terra. Aqui, então, Moisés começou a entender que não lhe cabia, como personagem mortal, lançar os olhos e contemplar todas as infinitas criações do Todo-Poderoso dispersas pelo espaço sem limites; mas o Senhor estava disposto a que ele soubesse em parte. E Moisés, ao ver a glória de Deus, e as coisas com que estava rodeado, pertinentes ao sistema planetário, começou a admirar-se e maravilhar-se, como tu e eu faríamos se tivéssemos o privilégio de contemplar em visão as obras de Deus. E enquanto se maravilhava com o que vira, o Senhor, por alguma razão, se retirou dele, provavelmente para prová-lo, para ver se lhe seria fiel. E quando o Espírito do Senhor foi retirado dele, e a glória de Deus se afastara dele e o próprio Senhor se apartara de diante dele, Moisés foi deixado a si mesmo. Ó, quão fraco! Ele caiu por terra, e por espaço de muitas horas não recobrou sua força natural. E quando, nessa condição fraca e caída, exclamou: sei agora que o homem nada é; e começou a clamar ao Senhor para que lhe restaurasse a força. E Satanás, sabemos, tirou vantagem de Moisés nessa ocasião, enquanto assim deixado a si mesmo, e veio e se pôs diante dele, e disse: Moisés, filho do homem, eu sou o Unigênito, adora-me. Moisés olhou para Satanás e percebeu de imediato a diferença entre o personagem glorioso que lhe aparecera pouco antes, e o personagem de Satanás. E Moisés, olhando para este estranho visitante, disse: Onde está tua glória, que eu deveria adorar-te? Eis que eu não poderia olhar para Deus, a não ser que sua glória estivesse sobre mim; mas posso olhar para ti em meu estado natural. Tendo-lhe dito tanto, ordenou-lhe que se retirasse; mas, estando tão fraco, sua fé não era suficientemente forte para prevalecer contra Satanás, por isso ele não se retirou ao seu mandado. Moisés então clamou a Deus, e Satanás começou a tremer e a terra começou a estremecer; e Satanás avançou sobre a terra, e ordenou a Moisés, dizendo: eu sou o Unigênito, adora-me. Mas Moisés continuou a clamar a Deus por força, e o Senhor ouviu e respondeu suas orações; e então ordenou a Satanás, em nome do Filho Unigênito, que se retirasse; e ele foi repreendido de sua presença. E novamente Moisés levantou sua voz aos céus e clamou ao Senhor, e a glória de Deus começou a vir sobre ele; e o Senhor pôs-se novamente diante dele, e Moisés novamente se encheu de sua glória. E enquanto estava cheio da glória do Senhor, ele contemplou toda a terra e seus habitantes, e não havia partícula da terra que lhe fosse ocultada; ele viu cada partícula dela. Ele a contemplou não pela visão natural, mas pelo Espírito do Deus vivo.

Moisés não apenas viu toda esta bela criação em sua totalidade, mas sem dúvida contemplou as leis pelas quais cada partícula é governada, pela lei da gravitação, ou eletricidade, ou calor; Moisés as compreendeu. Ele então desejou saber como o Senhor criara a terra, assim como os outros corpos celestes; mas concederia o Senhor seus desejos por completo? Não; porque não cabia ao homem mortal saber tanto. Mas Moisés ainda suplicou ao Senhor nesta linguagem: "Sê misericordioso para com teu servo, ó Deus, e conta-me a respeito desta terra, e dos seus habitantes, e também dos céus, e então teu servo ficará contente." Pensou ele que, se não pudesse contemplar outros mundos, se não tivesse o privilégio de olhar para criações mais gloriosas, seria uma satisfação para ele olhar para esta terra e também para os céus. Mas qual foi a resposta do Senhor a ele? "Os céus, eles são muitos, e não podem ser numerados para o homem; mas são numerados para mim, pois são meus, e conforme uma terra passar, e os céus dela, assim virá outra; e não há fim às minhas obras, nem às minhas palavras." Mas, disse o Senhor, "eu te revelarei a respeito desta terra sobre a qual estás, e também do céu pertencente à terra, e escreverás as palavras que eu te falo." Foi assim que Moisés obteve o que hoje se chama o livro de Gênesis, que dá conta da criação. Como aprendemos essas coisas? Pelo cumprimento desta promessa, contida nas palavras de nosso texto: "Aquele que crer neste registro e não o condenar por causa de suas imperfeições, o mesmo conhecerá coisas maiores do que estas." Aqui então chegamos a um conhecimento da grande e magnífica visão dada ao Revelador Moisés. Deus comunicou a Moisés a respeito da criação dos céus e desta pequena terra em que habitamos. Ele nos diz que trevas vieram sobre a face do grande abismo, depois que a terra foi criada. O que havia antes dessas trevas virem sobre a face do grande abismo, depois que a terra foi criada? Pode alguém nos dizer o que havia antes de virem essas trevas? Muitas pessoas religiosas, sem reflexão alguma, têm suposto que não havia luz, desde toda a eternidade, até uns seis mil anos atrás; que então o Senhor criou o sol, a lua e as estrelas, pensam realmente que essa foi a primeira vez, em todas as intermináveis durações da eternidade passada, em que houve alguma luz. Refiro-me a muitas pessoas ignorantes. Mas segundo a revelação dada a Moisés, havia luz antes que os alicerces deste mundo fossem lançados, antes que Deus fizesse vir as trevas sobre este grande abismo; depois que ele criou os céus e a terra, então Deus falou e disse: haja luz, e houve luz. E, como nos é dito, a tarde e a manhã foram o primeiro dia. Por que começa com a tarde e não com a manhã? Porque as trevas reinavam, tendo o Senhor feito com que as trevas reinassem sobre toda a face da terra. Como ele o fez, de que modo o produziu, não é revelado. De todo modo, não se diz no livro de Gênesis que o sol foi permitido brilhar, ou que a lua desse sua luz no primeiro dia; mas isso foi algo que se permitiu que acontecesse no quarto dia, e não no primeiro. O que então existia antes que as trevas viessem sobre a face do abismo? Era luz solar? Penso que não. Era provavelmente aquilo que está associado a todas as criações em sua primeira formação--matéria autoluminosa. As trevas então foram feitas, mas como não sabemos; pode ter sido fazendo com que a luz associada àqueles materiais se tornasse latente na substância--não permitida a brilhar. Quanto tempo durou essa escuridão não é revelado. Quanto tempo passou até que o Senhor disse novamente, "haja luz; e houve luz," não é revelado.

De novo, encontramos que as porções sólidas da terra estavam inteiramente cobertas de água, pois o Senhor ordenou que as águas se ajuntassem em um só lugar; e ordenou que a terra seca aparecesse. À terra seca chamou terra; ao ajuntamento das águas chamou mares. Como fez ele isso? Pode tê-lo feito por um milagre direto, ou pode tê-lo feito segundo certas leis que ele controlava, e que sempre estiveram sob seu controle. Quão fácil teria sido para ele tomar este nosso globo, que estava inteiramente coberto de água, e pô-lo em movimento, e fazê-lo girar sobre seu eixo. Não faria isso com que as águas se ajuntassem das regiões equatoriais para as duas regiões polares--os mares ártico e antártico, e nas regiões intermediárias, deixando assim a terra seca nas regiões equatoriais?

De novo, quão fácil teria sido para ele comprimir as porções sólidas da terra nos polos e fazer com que se abaulassem acima do equador. Ou, em outras palavras, fazer isso também por lei, fazendo a terra girar mais depressa do que gira no presente, o que daria um diâmetro maior no equador do que nos polos.

Há muitas coisas na nova tradução, além da visão e revelação a respeito da criação, escrita por Joseph Smith, que são muito maiores do que qualquer coisa contida na Bíblia, ou no Livro de Mórmon, ou na Doutrina e Convênios. Trago à tona estas coisas a fim de mostrar-vos que Deus cumpriu suas promessas até o tempo presente, dando-nos maior conhecimento a respeito da criação de nosso globo.

O Profeta Joseph Smith nos revelou que todos os materiais de nosso globo, e todos os materiais do universo, são eternos em sua natureza, que sua substância é eterna, não criada do nada, conforme as fantasias e ideias tolas do mundo religioso. O Senhor nos disse que criou a terra a partir de materiais que já existiam previamente; disse-nos que esses materiais eram eternos em sua natureza, e de duração perpétua. Em que condição estiveram esses materiais durante os últimos, digamos, milhões de eras--por exemplo, tantos milhões de anos quantos são os grãos de areia à beira-mar? Estiveram inativos, sem controle algum de lei? Não havia princípios ou leis elétricas que os governassem, não havia calor associado a eles, ou não havia um princípio latente chamado luz, nem poder de gravitação em relação a esses materiais? Não tenho dúvida em minha própria mente de que houve leis desde toda a eternidade--ou, se não quiserdes chamá-las leis, chamai-as forças, chamai-as poderes, chamai-as de qualquer nome que vos convenha--que controlaram esses materiais; e então, novamente, essas leis ou forças também estiveram sob o controle de uma sábia e suprema inteligência desde toda a eternidade até o tempo presente. Quantas organizações os materiais de nossa terra sofreram antes de serem organizados conforme as revelações dadas a Moisés, não é revelado. Quantos mundos eles integraram antes disso; quantas condições existiram através dos milhões de eras de duração passada, em lugar nenhum é revelado. Muitos homens instruídos estão começando a ver que os materiais de nosso globo existem, como dizem, há milhões de eras. Alguns deles fizeram cálculos a respeito de quantos milhões de anos se passaram desde que tais e tais fenômenos ocorreram, em relação a certos materiais dos quais nossa terra é composta; e porque descobriram algumas dessas coisas, começaram, na fraqueza e tolice de suas mentes, a duvidar da história mosaica, a respeito da criação. Presumo que, se eu nunca tivesse ouvido falar do Livro de Mórmon, ou da Doutrina e Convênios, ou das revelações de que falo, suponho que teria sido provavelmente um incrédulo, no que diz respeito às seitas religiosas; eu não poderia tê-las crido, se tivesse permitido a minha mente refletir. Mas quando venho a aprender e entender que Deus em nenhum lugar falou, em todas as revelações que deu, que jamais fez sequer uma partícula desta terra do nada; e quando descubro que Deus nunca insinuou ou revelou tal coisa; mas, pelo contrário, que organizou o mundo a partir de materiais preexistentes que eram eternos em sua natureza, então pude refletir junto com nossos sábios filósofos e permitir que minha mente voltasse tão longe quanto ousassem ir em suas teorias, e depois voltar a toda a eternidade além de onde eles vão, e dizer, estes materiais estavam em organização, e dizer que mundos estavam sendo organizados, e diferentes condições estavam ocorrendo, e leis estavam sendo dadas para todas essas vastas eras do passado, e ainda assim reconciliar isso com as revelações que Deus deu nestes últimos tempos. A ciência e a verdadeira religião jamais podem contradizer-se. Nunca houve verdade alguma na ciência que contradissesse qualquer princípio de revelação que Deus jamais tivesse revelado ao homem. Por quê? Porque a verdadeira ciência se funda num verdadeiro entendimento das leis e forças da natureza. Mas quem ordenou de tempos em tempos essas leis da natureza em relação ao universo tal como agora o contemplamos? Foi o Senhor a quem servimos, o grande Governante Supremo do universo, que organiza e desorganiza conforme sua própria vontade e prazer. Ele adorna os céus em sua sabedoria e edifica a vasta superestrutura do universo, como obra muito própria de suas mãos. Ele traz à vida e à existência novos mundos e os desorganiza, dispersando os elementos, e novamente os reúne por seu poder, ou pelas leis que ordenou, e por suas leis faz novas criações, novos mundos, e novos universos, e os habita com miríades e miríades de seres inteligentes. Esta é a obra do grande Governante Supremo de todas as coisas.

Descobrimos isto lendo os dois primeiros capítulos de Gênesis, tal como foi revelado de novo, e muitas outras coisas, das quais éramos profundamente ignorantes, até que Deus levantasse este jovem, este Profeta iletrado do século dezenove, para trazer estas coisas à luz. Por revelações dadas em dias antigos, e renovadas por meio deste jovem Profeta de Deus, aprendemos que nós mesmos não começamos a existir quando nascemos para este estado de existência; aprendemos que somos de origem mais elevada do que a atribuída pelo pobre homem incrédulo. Contrastai as ideias dos últimos séculos com as ideias que Deus revelou do céu. Elas fariam o homem procurar sua origem até o próprio réptil e o verme que rasteja pela terra, e até o peixe do mar--como o primeiro pai, a primeira origem, a primeira ostra. Tal é o raciocínio dos instruídos dos últimos séculos--a teoria da evolução; em outras palavras, aquilo que se aprende dos livros, a criação da tolice e insensatez do homem. Mas quando aprendemos, por meio das revelações de Deus, que, em vez de o homem provir do pobre verme do pó, ele descendeu daquele ser que controla o universo por seu poder; que descendeu daquele ser que é a plenitude de todo conhecimento, e que estende seu cetro sobre mais sistemas planetários do que há grãos de areia à beira-mar. Somos sua prole, somos seus filhos e suas filhas, somos seus filhos, ele nos gerou, e existíamos antes da fundação do mundo. Quem, entre os sábios, e os grandes, e aqueles que estudaram tão longe quanto a sabedoria humana pode presentemente alcançar; quem entre eles pode dizer a origem da vida? Quem entre eles pode dizer a origem desta inteligência no homem, este poder de raciocínio, e esta faculdade perceptiva, que capacita o homem a compreender não apenas muitas coisas relativas às leis conectadas com sua própria pequena terra, mas o capacita a lançar-se pelas regiões do espaço, por centenas de milhões de milhas, e descobrir e entender muitas coisas que governam mundos distantes? Não há homem algum que possa dizer a origem desta Inteligência? Que a mente colegial treinada, cuja vida foi ocupada no estudo, venha e nos diga como o homem obtém o primeiro princípio do conhecimento, como o conhecimento veio a estar ligado à matéria, como o conhecimento veio a estar ligado à carne, aos ossos, ao sangue, à pele, aos tendões? Esse conhecimento--essa inteligência é divina; Deus é o autor, ele é pai de nossos espíritos, e fomos gerados antes que este mundo passasse a existir. Certa vez habitamos na presença de nosso Pai, certa vez pudemos elevar nossos cânticos de louvor no mundo celestial, de onde emigramos; certa vez habitamos na sociedade de uma inumerável assembleia de anjos, num mundo que havia passado por seus estágios, suas provações, do mesmo modo que este mundo está passando por suas várias mutações. Aquele mundo celestial de onde viemos é mais perfeito do que esta terra, é organizado segundo uma ordem celestial, uma ordem mais elevada, e glorificado pela presença de seres imortais, glorificados, celestiais. Esse é o nosso lar, daquele mundo viemos. Aqui é nossa morada por uma temporada; para aquele mundo retornaremos; àquele ser por quem fomos gerados prestaremos contas; ele, que é nosso Pai, exigirá de nós que demos conta de nossos atos nesta prova. Devemos encontrá-lo, e contemplá-lo, em toda a sua glória, em todo o seu poder, em toda a sua majestade e grandeza e superior excelência, com aquele conhecimento infinito de que ele dispõe; devemos comparecer diante dele para dar conta de nossos atos enquanto excluídos de sua presença neste pequeno mundo.

Aqui então está outra coisa em que o Senhor cumpriu nosso texto. Ele nos falou de nossa pré-existência; falou-nos da glória e da grandeza de nosso antepassado, o próprio Ser Supremo; disse-nos quando existíamos, que foi antes que este mundo fosse trazido à existência. Não são estas coisas maiores do que as contidas e explicadas no Livro de Mórmon ou na Bíblia? É verdade que o Livro de Mórmon apenas alude à pré-existência do homem, sem explicá-la. Jesus, antes de aparecer na carne, mostrou sua forma espiritual ao irmão de Jarede; não era um corpo de carne e ossos, mas uma forma espiritual, à semelhança de um homem. Ele lhe disse: Vês que és criado à minha imagem? E disse ainda: Todos os homens, no princípio, criei à imagem do corpo do meu Espírito; isto é, a forma espiritual que ele ocupava. Todos os homens e mulheres, no princípio, foram criados por Ele, e nunca houve pessoa alguma, não há ninguém agora vivendo, e nunca haverá homem ou mulher, que não tenha sido, no princípio, criado à sua imagem.

Não sei se estou ocupando tempo demais; direi brevemente, contudo, antes de encerrar, que certos registros que Deus prometeu trazer à luz em seu próprio tempo devido, excederão de longe qualquer coisa que tenha sido revelada pelo Livro de Mórmon ou pela Bíblia, ou aquilo que nos chegou por meio do registro abraâmico tirado do papiro egípcio, ou aquilo que está contido na visão de Moisés, revelando-lhe a história da criação do mundo. Tudo isso será como uma gota no balde em comparação com o conhecimento eterno que ainda há de fluir do céu sobre as cabeças dos Santos dos Últimos Dias antes que esta geração passe. A terra se encherá do conhecimento de Deus, como as águas cobrem o grande abismo, e as coisas de todas as nações serão reveladas. Os registros antigos guardados pelo povo da Ásia, que desde então degeneraram em selvagens por causa das transgressões de seus pais; e aqueles guardados pelas dez tribos dos países do norte, onde viveram por mais de 25 séculos; e aqueles registros guardados pelo povo da Cidade de Enoque, dando conta dos tratos de Deus com a antiga Sião, tudo isso virá para ajudar a encher a terra com o conhecimento de Deus, como as águas cobrem o grande abismo. E João, quando na Ilha de Patmos, viu coisas em visão, que foram mandadas selar, e que ainda estão por ser desveladas; e desta maneira receberemos conhecimento sobre conhecimento, revelação sobre revelação, não apenas a respeito dos seis ou sete mil anos da existência temporal da terra, mas a respeito dos materiais da terra antes de ela ser feita, e dos elementos e materiais, e tudo o que pertence à terra futura que há de ser criada quando os elementos desta terra se dissolverem e passarem para o espaço. Não há nada demasiado grande para ser retido dos Santos de Deus na última dispensação da plenitude dos tempos. Ouvi o que disse o Profeta Joseph Smith, quando confinado na Prisão de Liberty. Tanto poderia o débil braço do homem tentar deter as águas do Rio Missouri quanto tentar impedir o Todo-Poderoso de derramar conhecimento sobre os Santos dos Últimos Dias. Isto virá; virá como uma poderosa inundação, virá como um poderoso oceano, e não haverá trevas mentais sobre toda a face da terra. As leis pelas quais a terra é governada, pelas quais os materiais eram governados, pelas quais a inteligência produz inteligência, pelas quais um material se apega a outro, e pelas quais todos os vários mecanismos se realizam, serão reveladas em seus tempos e em suas estações. E então o Senhor não parará ali; mas desdobrará outros sistemas e céus que hão de entrar em conexão com o nosso. Como, não sei; de que maneira, não sei. Haverá telescópios, microscópios e outros instrumentos descobertos nesses sistemas, que ultrapassarão tanto as descobertas feitas no tempo presente, que todas essas coisas se reduzirão à insignificância, e quando os habitantes de um sistema puderem conversar com os de outro, e quando houver comunicação entre todas as criações que Deus fez com a presente criação que habitamos, e quando o Senhor trouxer Sião de todas as criações que fez; então, penso eu, começaremos a olhar para trás com espanto para a pequenez das descobertas dos instruídos do século dezenove. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “O Livro de Mórmon—Promessas aos Lamanitas—Objetivos do Registro—O Livro de Abraão—Dons para a Igreja—Benefício da Revelação Imediata—As Coisas Maiores Mostradas Àqueles que Recebem o Registro—A Visão de Moisés—A Criação Etc”, (1878-08-25). Pulpit Vault, 1878-08-pratt-the-book-of-mormon. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).