Casamento Plural—Somente para os Justos—Obediência Imperativa—Bênçãos Resultantes
Joseph F. Smith
Naturalmente, hesito diante da tarefa de dirigir-me a uma congregação nesta casa, sentindo, como sinto, minha incapacidade de me fazer ouvir. ¶
Interessei-me, esta manhã, ao ouvir as observações do Irmão Cannon. Não podemos deixar de nos alegrar com o testemunho que nos foi dado a ouvir, e que continuamente recebemos de muitas fontes, os quais provam que o mundo nada pode fazer contra nós, mas tudo a nosso favor. Até mesmo suas tentativas de nos caluniar e nos deturpar, e seus ataques injustos aos princípios de nossa religião, sempre tenderam a despertar indagação e investigação dos fatos, o que só pode resultar em benefício para nós como povo. Digo que os esforços de nossos inimigos contra nós sempre tenderam a fazer com que as pessoas desejosas de chegar à verdade indagassem sobre a real condição das coisas. Quanto mais as pessoas se interessarem nessa direção, mais verdade aprenderão, e nós desejamos essa investigação, pois certamente não há nada, ligado a nós como comunidade religiosa, de acordo com o evangelho que pregamos, de que devêssemos nos envergonhar, ou que não devesse ser conhecido por todos os homens. Não importa à verdade quão injustamente sejamos acusados; nem isso nos prejudicará permanentemente. Se sofrermos dano ou prejuízo pelas deturpações e males maliciosamente propagados a nosso respeito por nossos inimigos, tal dano e prejuízo só poderá ser temporário, pois, quando os fatos vierem à luz, e o povo souber a verdade, tanto mais bem se realizará a nosso favor, e tanto maior dano recairá sobre os autores das falsidades a nosso respeito. Nada queremos oculto ou encoberto, nem podemos respeitar princípio ou indivíduo algum que não suporte a luz do dia e a mais cuidadosa investigação. Desde 1830, os Élderes desta igreja têm se esforçado fielmente por promulgar o evangelho que recebemos, a toda nação e povo, sem distinção de raça ou cor, que o quisesse receber; em outras palavras, têm buscado diligentemente "expor o 'mormonismo'" ao mundo. ¶
Não nos envergonhamos de nossas relações domésticas, pelo menos na medida em que existem de acordo com os princípios do evangelho, nem qualquer homem ou mulher de mente reta sente, em seu coração, encolher-se, de qualquer maneira, diante da mais rigorosa exposição de pontos de vista corretos a esse respeito. É verdade que, em comum com a humanidade em geral, não gostamos que nossas falhas se tornem públicas; recolhemo-nos diante disso, e é natural que assim seja. É bem próprio que sintamos relutância em ter nossas fraquezas e imperfeições expostas ao mundo, ou mesmo a nossos vizinhos. Este sentimento é um incentivo bem próprio para que continuemos na obra do autoaperfeiçoamento, até superarmos as fraquezas que herdamos, vivendo mais próximos dos princípios de vida e salvação que recebemos. Mas os erros do homem não afetam em nada os princípios do evangelho do Filho de Deus. Mostrai-me um homem que tenha abraçado o evangelho em sua totalidade, em fé e prática, e então poderei apontar um homem que superou as fraquezas da carne; ou mostrai-me um homem que está procurando viver de acordo com esses princípios, e vos mostrarei um homem que está procurando superar suas fraquezas. Por isso, culpa alguma pode ser atribuída às doutrinas de nossa fé, por causa das enfermidades e deficiências da humanidade; mas deveríamos, antes, atribuir tais fraquezas à sua verdadeira origem — a imperfeição do homem, ou, ao menos, sua falha em cumprir aqueles princípios destinados a corrigir todo mal, e a estabelecer o homem na retidão. É talvez coisa difícil para nós, nas circunstâncias em que estamos colocados, as tradições dos pais aderindo a nós, as práticas do mundo diante de nós, e as tentações ao mal continuamente nos cercando, vivermos, em todo tempo, a religião de Jesus Cristo tão perfeitamente quanto deveríamos ou poderíamos de outro modo. É, sem dúvida, difícil para nós superarmos nossas loucuras, abandonarmos as tradições dos pais, evitarmos a prática do pecado, sermos pacientes no sofrimento, suportarmos privações e provações de nossos sentimentos, enquanto possuímos tão pouco, como possuímos, do Espírito do Senhor, e do conhecimento da verdade. Mas não precisamos desanimar por causa disso, nem porque vemos falhas uns nos outros, pois nenhum homem é perfeito; todos os homens têm, mais ou menos, as deficiências próprias da humanidade. Não precisamos vacilar nem desanimar por causa disso, pois talvez não fosse possível a alguém perfeito em toda bondade permanecer no meio desta geração corrupta e perversa. Ainda assim, seria bom se tivéssemos entre nós alguns que fossem realmente perfeitos, cujo exemplo pudéssemos ver, cujo preceito pudéssemos aprender, e cujos passos pudéssemos seguir. Poderíamos, então, ser mais capazes de nos aperfeiçoarmos. Ainda assim, faremos bem em emular o bem que existe em nosso meio, e em observar aquelas grandes verdades que já recebemos em parte, as quais, em sua plenitude, são capazes de nos salvar até o mais extremo grau. Não seremos rejeitados, meus irmãos e irmãs, por aqueles pecados que ignorantemente cometemos, que são resultado de mal-entendido, com toda honestidade diante do Senhor. A dificuldade não está aí; o perigo está em falharmos em viver de acordo com aquilo que sabemos ser certo e apropriado. Por isso seremos responsabilizados diante do Senhor, por isso seremos julgados e condenados, a menos que nos arrependamos e abandonemos nossas loucuras, e nossa relutância em obedecer à luz e ao conhecimento que recebemos. Há algumas verdades simples e claras que conhecemos, mas que não observamos. Nisto está nosso grande pecado. A condenação do mundo, quando o Salvador começou sua missão entre os homens, foi que a luz viera ao mundo, mas amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más. Este princípio se aplica com igual força a nós, nesta dispensação. Se tivéssemos permanecido sem o evangelho, não estaríamos sob condenação. Mas, agora que a luz veio ao mundo; agora que a verdade e a autoridade de Deus foram restauradas, já não podemos permanecer sem pecado, a menos que obedeçamos a este evangelho assim revelado, e pratiquemos aquilo que professamos. ¶
Muito se diz, pelo mundo exterior, a respeito de nosso casamento plural, e às vezes ele é mencionado também pelos Santos dos Últimos Dias entre nós mesmos. Suponho, às vezes, que não somente o mundo carece de conhecimento a respeito deste princípio, mas que muitos dos que professam ser Santos dos Últimos Dias estão longe de possuir um entendimento correto dele. ¶
Em primeiro lugar, é um princípio que tem o sabor da vida para a vida, ou da morte para a morte; por isso, é bom que os que abraçaram o evangelho obtenham conhecimento a respeito deste assunto. É um princípio que pertence à vida eterna, em outras palavras, a vidas sem fim, ou aumento eterno. É uma lei do evangelho pertencente ao reino celestial, aplicável a todas as dispensações do evangelho, quando ordenada, e não de outro modo, e nem aceitável a Deus nem vinculante ao homem, a menos que dada por mandamento — não apenas assim dada nesta dispensação, mas particularmente adaptada às condições e necessidades desta, e às circunstâncias, responsabilidades, e deveres tanto pessoais quanto vicários do povo de Deus nesta era do mundo. Deus a revelou como um princípio particularmente adequado à natureza da obra que somos chamados a realizar, para que pudesse ser apressada até sua consumação. É um princípio justo, não injusto. É um princípio puro e santo; e, portanto, pessoas, sejam homens ou mulheres, que não tenham em seus corações o desejo de se tornarem puras e justas, não têm nada que fazer praticando-o, pois ele não pode ser praticado de modo aceitável diante de Deus senão sob o princípio da pureza e da retidão; portanto, nenhuma pessoa ímpia, injusta ou impura pode entrar na lei do casamento celestial ou plural sem incorrer no desagrado do Todo-Poderoso e em sua própria condenação diante do Senhor, a menos que se arrependa sem demora de todos os seus motivos e desígnios impuros. Um homem que não é honesto em seu coração, que não deseja ser justo e imparcial, tal como Deus é justo e imparcial, não tem nada que fazer no casamento plural; e, antes de entrar na prática desse princípio, precisa arrepender-se, aprender sabedoria, obter o Espírito de Deus, obter entendimento a respeito do propósito que Deus tem em vista quanto a este princípio; para que possa entrar em sua prática com entendimento, para que seu coração e sua mente se voltem para praticá-lo em retidão. É coisa difícil, estou ciente, distinguir entre as ações de um homem e os princípios em que professa crer. Um hipócrita corrupto e ímpio pode causar mais dano no meio de um povo, num dado espaço de tempo, proporcionalmente, do que uma multidão de homens retos pode fazer de bem. Enviai um Élder a pregar o evangelho entre as nações, e deixai-o degradar-se, desonrar seu sacerdócio e chamado, e trará mais opróbrio sobre a causa por ele deturpada do que vinte bons homens poderiam remover. Porque as pessoas, em geral, olham para o homem. Julgá-lo por seus atos seria julgamento reto; mas condenar o evangelho, ou os Santos, por causa de seus atos, seria injusto; ainda assim, a causa que ele deturpa sofre injustiça por causa de sua ligação com ela. Os atos de um homem podem justamente ser considerados como resultantes de seus princípios. Julgamos uma árvore por seus frutos. Os frutos do evangelho são bons; aquele que de fato abraçou o evangelho fará o bem, exceto na medida em que erre, ou se afaste dele. Por isso, é difícil separar os atos de um homem de seus princípios. ¶
Não há, contudo, dificuldade alguma nesta questão para aqueles que sempre têm em mente que as práticas más e corruptas não são resultado da obediência ao evangelho, mas da desobediência, e da perversão da verdade. Se guardássemos isso em nossas mentes, não atribuiríamos culpa aos próprios princípios quando víssemos ou ouvíssemos falar de homens que deveriam representá-los agindo mal; mas antes diríamos: o homem se afastou de seus princípios, e caiu em erro. É ele que é deficiente, por não praticar o que professa; os princípios são bons e santos, e ele próprio se tornaria assim também, se apenas os praticasse. ¶
É precisamente assim em relação às nossas relações domésticas. Vemos, ocasionalmente, problemas em famílias, não mais nas plurais do que nas simples. Não há razão alguma para que haja diferença entre marido e esposa, ou marido e esposas, no meio deste povo, se todos estiverem dispostos a obedecer aos princípios e doutrinas do evangelho. É somente pela prática desses princípios que podemos evitar as perturbações que ocorrem nas famílias, ou entre a humanidade. Devemos aprender e obedecer ao princípio correto, ou estaremos sempre em tumulto e confusão, e em antagonismo uns para com os outros. Onde existem diferenças nas famílias, elas são rastreáveis diretamente a alguma causa. Quero impressionar na mente de meus ouvintes que a causa de tais males não é rastreável à prática de princípio algum que Deus tenha revelado a respeito dessas questões, mas à sua não observância; e isso é verdade em relação a todo princípio do evangelho. Às vezes é falha do homem, às vezes da mulher, e mais frequentemente de ambos, mas nunca falha do princípio. O princípio é correto, grande, enobrecedor, e destinado a trazer alegria, satisfação e paz, se apenas o observássemos e o praticássemos como devemos. Mas, para fazê-lo, precisamos obter sabedoria e entendimento. Estes, para muitos, só se adquirem por longa experiência. Começamos como crianças, temos de aprender preceito por preceito, linha após linha, aqui um pouco e ali um pouco, o que é bom, contanto que aproveitemos aquilo que aprendemos. Os homens devem ser justos, e assim também as mulheres, a respeito dessas questões. Todos devem ser justos uns para com os outros; também pacientes e tolerantes, cultivando amplamente aquele atributo cristão chamado Caridade, a fim de nos darmos bem, pacificamente, com nossos vizinhos, nossos irmãos e irmãs, assim como com nossas esposas, maridos e filhos. Todos somos imperfeitos, temos de aprender aos poucos, à medida que avançamos, aproveitando muitas vezes aquilo que sofremos, ainda que frequentemente repitamos os mesmos erros. Quando nos encontramos vencidos por uma falha, isso deveria ficar registrado como exemplo para o futuro, se possível, nunca nos permitindo sermos apanhados na mesma situação novamente. Assim aproveitando a experiência que adquirimos. ¶
Algumas pessoas têm suposto que a doutrina do casamento plural era uma espécie de supérfluo, ou não essencial à salvação ou à exaltação da humanidade. Em outras palavras, alguns dos Santos disseram, e creem, que um homem com uma só esposa, selada a ele pela autoridade do Sacerdócio para o tempo e a eternidade, receberá uma exaltação tão grande e gloriosa, se for fiel, quanto poderia receber com mais de uma. Quero, aqui, apresentar meu solene protesto contra essa ideia, pois sei que é falsa. Não há bênção prometida senão sob condições, e nenhuma bênção pode ser obtida pela humanidade senão pelo fiel cumprimento das condições, ou lei, sobre a qual é prometida. O casamento de uma mulher a um homem para o tempo e a eternidade pelo poder selador, segundo a lei de Deus, é o cumprimento parcial da lei celestial do casamento — e é bom, até onde vai — e, na medida em que um homem cumpra essas condições da lei, receberá por isso sua recompensa, e essa recompensa, ou bênção, ele não poderia obter sob quaisquer outros fundamentos ou condições. Mas isso é apenas o início da lei, não a totalidade dela. Portanto, quem quer que tenha imaginado que poderia obter a plenitude das bênçãos pertencentes a esta lei celestial cumprindo apenas uma porção de suas condições, enganou-se a si mesmo. Não pode fazê-lo. Quando este princípio foi revelado ao Profeta Joseph Smith, ele naturalmente se encolheu, em seus sentimentos, diante das responsabilidades assim sobre ele impostas; prevendo, como em parte previu, as dificuldades aparentemente insuperáveis no caminho de estabelecê-lo, diante da opinião popular, das tradições e costumes de muitas gerações, do desdém, do escárnio, da calúnia, da oposição e da perseguição do mundo. Sim, este homem de Deus, que ousou enfrentar a oposição do mundo inteiro com frente ousada e destemida, que ousou disputar a autoridade religiosa e a erudição e sabedoria acumuladas da época — que ousou tudo pela verdade, e não se encolheu nem mesmo diante do sacrifício da própria vida em testemunho de sua missão divina, encolheu-se, em seus sentimentos, diante do peso da responsabilidade de inaugurar e estabelecer essa nova inovação sobre os costumes estabelecidos do mundo. Mas não vacilou, ainda que não tenha sido senão quando um anjo de Deus, com espada desembainhada, se pôs diante dele e lhe ordenou que entrasse na prática desse princípio, ou seria totalmente destruído, ou rejeitado, que ele avançou para revelar e estabelecer essa doutrina. ¶
Para colocar este assunto mais corretamente diante de vós, declaro aqui que o princípio do casamento plural não foi revelado pela primeira vez no dia 12 de julho de 1843. Foi escrito pela primeira vez naquela data, mas havia sido revelado ao Profeta muitos anos antes disso, talvez já em 1832. Por essa época, ou pouco depois, Joseph, o Profeta, confiou este fato a Oliver Cowdery; este abusou da confiança nele depositada, e trouxe opróbrio sobre si mesmo, e, por conseguinte, sobre a igreja, por "correr antes de ser enviado," e "tomar liberdades sem licença," por assim dizer; daí a publicação, por O. Cowdery, por essa época, de um artigo sobre o casamento, cuidadosamente redigido, e que depois encontrou seu caminho para dentro de Doutrina e Convênios sem autorização. Este artigo se explica por si mesmo, para aqueles que entendem os fatos, e é evidência indiscutível da existência precoce, tanto no Profeta Joseph quanto em Oliver Cowdery, do conhecimento do princípio do casamento patriarcal. ¶
Quando a revelação foi escrita, em 1843, foi para um propósito específico, a pedido do Patriarca Hyrum Smith, e não foi então destinada a ser divulgada à igreja ou ao mundo. É bastante provável que, se tivesse sido então escrita com vistas a ser divulgada como doutrina da igreja, teria sido apresentada de forma algo diferente. Há elementos pessoais contidos em parte dela que não são relevantes ao princípio em si, mas antes às circunstâncias que exigiram que fosse escrita naquele momento. Joseph Smith, no dia em que foi escrita, declarou expressamente que havia muito mais ligado à doutrina, que seria revelado a seu devido tempo, mas isso era suficiente para a ocasião, e foi feito para bastar por então. E, de fato, penso que é muito mais do que muitos estão preparados para viver, mesmo agora. Quando chegou o tempo de introduzir esta doutrina àqueles dignos na igreja, Deus ordenou ao Profeta, e ele obedeceu. Ensinou-a, tal como lhe foi ordenado, aos que estavam preparados para recebê-la e obedecê-la, e foram-lhes ordenado entrar nela, ou lhes foi advertido que as chaves seriam voltadas contra eles, e seriam desligados pelo Todo-Poderoso. Quase não é necessário dizer que o Profeta não encontrou ninguém mais disposto a liderar nesta questão com retidão do que ele mesmo. Muitos puderam vê-lo — quase todos aqueles a quem ele o revelou creram nele, e receberam o testemunho do Espírito Santo de que era de Deus; mas ninguém excedeu, nem sequer igualou, a coragem do próprio Profeta. ¶
Se, então, este princípio era de tão grande importância que o próprio Profeta foi ameaçado de destruição, e os melhores homens da Igreja foram ameaçados de exclusão do favor do Todo-Poderoso, caso não entrassem e estabelecessem sua prática sobre a terra, é inútil dizer-me que não há bênção alguma ligada à obediência à lei, ou que um homem com apenas uma esposa pode obter tão grande recompensa, glória ou reino quanto pode obter com mais de uma, sendo igualmente fiel. ¶
O casamento patriarcal envolve condições, responsabilidades e obrigações que não existem na monogamia, e há bênçãos ligadas à observância fiel dessa lei que, mesmo consideradas apenas sob princípios naturais, hão de exceder as da monogamia na mesma medida em que as condições, responsabilidades e o poder de multiplicação são maiores. Esta é minha opinião e testemunho a respeito deste assunto. Creio ser uma doutrina que deveria ser ensinada e entendida. ¶
Os benefícios derivados da observância justa desta ordem de casamento não recaem somente sobre o marido, mas são compartilhados igualmente pelas esposas; e isso é verdade não apenas com base na obediência a uma lei divina, mas também segundo princípios fisiológicos e científicos. Sob este último ponto de vista, as esposas são até mais beneficiadas, se possível, do que o marido, fisicamente. Mas, de fato, os benefícios que naturalmente recaem sobre ambos os sexos, e particularmente sobre sua prole, no tempo, sem falar da eternidade, são imensamente maiores na prática justa do casamento patriarcal do que na monogamia, mesmo admitindo-se a eternidade do convênio matrimonial monogâmico. ¶
O homem pode receber grande recompensa, exaltação e glória por entrar no vínculo do novo e eterno convênio, se permanecer fiel segundo seu conhecimento, mas não pode receber a plenitude das bênçãos, a menos que cumpra a lei, do mesmo modo que não pode reivindicar o dom do Espírito Santo, depois de batizado, sem a imposição das mãos pela autoridade própria, nem a remissão dos pecados sem o batismo, ainda que se arrependa em pano de saco e cinzas. ¶
"Mas," diz alguém, "como há de ser com os bons homens que creem na doutrina, mas são impedidos, ou não podem entrar em sua prática?" Respondo que todo homem e mulher receberá tudo aquilo de que for digno, e talvez algo mais, por conta da ilimitada caridade de Deus. Mas quem pode justamente esperar obter mais do que merece? Nem todos os julgamentos de Deus são dados ao homem. Aquilo que não aprendermos, a respeito da salvação de nossas almas, que são nossos corpos e espíritos, nesta provação, teremos de aprender na eternidade que se estende diante de nós, pois não podemos ser salvos sem conhecimento. "Mas, e se nunca obtivermos conhecimento?" Então nunca seremos salvos. ¶
Suponde que vivamos e morramos sem conhecimento. Então, se algum dia obtivermos salvação, teremos de obtê-la no mundo vindouro, como os Antediluvianos, que rejeitaram o evangelho tal como lhes foi pregado por Noé, e foram destruídos pelo dilúvio, enviados à prisão para serem punidos por sua desobediência e outras maldades, e, no meridiano do tempo, receberam conhecimento pela proclamação do evangelho, tal como lhes foi pregado pelo Salvador enquanto seu corpo dormia na sepultura, sem o qual teriam permanecido para sempre ignorantes de Deus, de seu governo e leis, em condição perdida. Todos os homens devem obter salvação segundo seus próprios méritos, pois por nossas obras seremos julgados, e por elas justificados ou condenados. ¶
É um glorioso privilégio poder entrar num Templo de Deus para ser unido como marido e mulher nos laços do santo matrimônio, para o tempo e toda a eternidade, pela Autoridade do Santo Sacerdócio, que é o poder de Deus, pois aqueles que assim se unem, "não os separe o homem," pois Deus os uniu. É um privilégio adicional para esse mesmo marido e mulher voltarem a entrar no Templo de Deus para receber outra esposa da mesma maneira, se forem dignos. Mas, se ele permanecer fiel com apenas uma esposa, observando as condições daquela porção da lei que pertence à eternidade do convênio matrimonial, receberá sua recompensa; mas os benefícios, bênçãos e poder pertencentes à segunda, ou mais fiel e plena observância da lei, jamais receberá, pois não pode. Como já foi dito, nenhum homem pode obter os benefícios de uma lei pela observância de outra, por mais fiel que seja naquilo que faz, nem pode assegurar para si a plenitude de bênção alguma sem cumprir a lei sobre a qual se funda, mas receberá o benefício da lei que obedece. Isto é justo e reto. Se isto não é doutrina correta, então estou em erro, e, se estou em erro, quero ser corrigido. ¶
Entendo que a lei do casamento celestial significa que todo homem nesta Igreja, que tem capacidade de obedecer e praticá-la em retidão, e não o fizer, será condenado; digo que a entendo assim, e nada menos, e testifico, em nome de Jesus, que é isso mesmo o que significa. Mas que será daquele que não pode cumpri-la? Diz o Senhor: "aquele que, tendo conhecimento, não lhe ordenei que se arrependesse, e aquele que não tem entendimento, cabe a mim proceder segundo está escrito." Em outras palavras, aquele que carece de entendimento não está sob a lei, e cabe a Deus tratar com ele segundo sua própria sabedoria. Se um homem reconhece que é incapaz, ou desqualificado, por falta de conhecimento, sabedoria ou entendimento, de obedecer a esta lei, quando cabe a Deus tratar com ele segundo aqueles princípios de justiça que estão escritos, ou que ainda hão de ser revelados, não é provável, contudo, que venha a tomar assento com Abraão, Isaque e Jacó, ou a compartilhar de suas bênçãos prometidas. ¶
Esta lei está em vigor sobre os habitantes de Sião, e aquele que é qualificado para obedecê-la não pode negligenciá-la ou desconsiderá-la impunemente. Mas deve ser observada em retidão. O mandamento é "sede justos, como vosso Pai celestial é justo; sede santos, como ele é santo." ¶
Por que exigiu o Filho de Deus isso de seus discípulos, visto ser tão universalmente crido pelo mundo que o homem de modo algum pode ser justo? Exigiu Jesus algo inconsistente ou impossível? Não, nada disso fez. Tudo o que nos ordenou fazer, podemos realizar com a ajuda do Espírito Santo; mas não podemos fazê-lo por nós mesmos. Portanto, se buscarmos o Espírito Santo, o dom de sabedoria e entendimento de Deus, poderemos praticar esses princípios de retidão, e eles nos farão justos, até mesmo como Deus é justo, na esfera em que somos chamados a agir. Cumpriremos a lei, e receberemos a bênção, a exaltação e a recompensa que se seguirão; se não o fizermos, deixaremos de obter a recompensa. ¶
Este é um raciocínio muito simples, admito. Críticos diriam que estes são axiomas que não precisam ser ditos. Se fizermos o mal, seremos punidos; se fizermos o que é reto, então receberemos bênçãos das mãos de Deus. ¶
Que Deus vos abençoe, e nos guarde a todos no caminho da retidão, e nos capacite a viver a religião que dele recebemos, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶