Apenas Uma Igreja de Deus—Em Que os Santos São um Povo Peculiar—O Domínio da Igreja e do Estado—A Religião Não Deveria Ser Obstáculo ao Cargo Político—Acontecimentos Políticos em Outros Lugares—Pobreza no Leste—Temor de Tumultos—A Questão do Trabalho—Ofícios, Etc., para os Jovens—Armazenamento de Grãos—Vêm Vindo os Problemas—Situação Afortunada dos Santos—Exortação
George Q. Cannon
Estou muito satisfeito, nesta manhã, por ter a oportunidade de reunir-me com os Santos dos Últimos Dias em Ogden, e confio que, ao tentar dirigir-me a vós, serei auxiliado pelo Espírito de Deus, a fazer observações apropriadas às vossas circunstâncias e condição. O Irmão Hardy, em suas observações, disse que somos o povo de Deus, e que estamos empenhados em estabelecer seu Reino sobre a terra. Se isso é assim — e suponho que vós, Santos dos Últimos Dias aqui presentes hoje, podeis dar testemunho de que assim é — então deveríamos ser um povo inteiramente diferente de todo outro povo sobre a face da terra; porque não pode haver senão um povo de Deus, ou uma Igreja de Deus, ou um Reino de Deus; não pode haver dois, nem três, nem mais, um oposto ao outro. Tudo o que foi revelado a respeito de Deus, a respeito de sua Igreja, e a respeito dos princípios da salvação, nos leva à conclusão de que há uma unicidade, de que há união, e de que divisões e oposição não podem existir entre o povo de Deus; seria inteiramente inconsistente com toda ideia do Criador eterno supor outra coisa que não fosse isso. Por isso, não importa onde encontreis os que são verdadeiramente o povo de Deus, encontrá-los-eis, sob todas as circunstâncias, unidos, pensando do mesmo modo, crendo do mesmo modo, e agindo do mesmo modo. Isto é, tendo em vista os mesmos objetivos, os mesmos fins a alcançar, e sendo movidos por um mesmo motivo ou impulso comum. Portanto, tendo esta opinião, discordo, em alguns pontos, de alguns que se chamam Santos dos Últimos Dias, os quais parecem alimentar a ideia de que, por estarmos no mundo, devemos necessariamente ser do mundo, parte dele; e que o padrão respeitado e reconhecido no mundo como correto é aquele ao qual devemos nos conformar. Ora, neste aspecto, discordo daqueles de meus irmãos que alimentam essas ideias. Penso ser nosso dever, fazendo as profissões de fé que fazemos, e ocupando a posição que ocupamos, sermos, na medida do necessário, inteiramente originais, ou, para usar uma expressão comumente usada para nos descrever, um povo adquirido. Porque o mundo tem certo modo de realizar certos objetivos, não reconheço que nos seja de modo algum necessário fazer o mesmo que ele faz. E estou bastante disposto a que se saiba e se entenda, no que a mim, individualmente, diz respeito, que, em muitos aspectos, difiro do mundo que me rodeia; e que, sendo Santo dos Últimos Dias, reivindico o direito, contanto que aja de acordo com as regras da boa ordem e não viole regra alguma de decoro, de fazer como me apraz, pensar como me apraz, e falar como me apraz. Este é um direito que reivindico como Santo dos Últimos Dias. Se escolho crer que Deus estabeleceu sobre a terra sua Igreja, à cabeça da qual colocou um Profeta, e escolho crer nesse Profeta, ouvir seus ensinamentos, ser guiado por seus conselhos, reivindico que, contanto que assim o faça, e não interfira com meus concidadãos no exercício de seus privilégios, é meu direito fazê-lo. Se escolho crer que o Senhor colocou em sua Igreja Doze Apóstolos, aos quais deu as chaves do Apostolado e autoridade, e a quem confiou a última dispensação, exigindo deles que fossem a todas as nações como mensageiros de vida e salvação, ou que zelassem para que o evangelho fosse levado a todas as nações da terra, e escolho ouvir suas instruções e conselhos, e ser por eles governado, escolhendo reconhecê-los como canais pelos quais a vida e a salvação hão de fluir a mim, e que toda administração das leis e ordenanças da Casa de Deus é sagrada e santa; se escolho fazer isso, penso ser meu direito fazê-lo, contanto que, ao fazê-lo, não interfira com os direitos e privilégios de nenhum outro homem. Assim também em relação ao reunir-se. Se, como Santo dos Últimos Dias, escolho deixar outras sociedades e comunidades e separar-me delas, para lançar minha sorte no meio de um povo de fé semelhante à minha, para escolhê-lo como meus associados, e me misturar com eles, e patrociná-los, e apoiá-los em todos os seus labores e empreendimentos, quem tem o direito de me questionar por assim fazer, contanto que não interfira com os direitos de meus concidadãos? Ao falar assim de mim mesmo, o mesmo se aplica a todo este povo; pois o que é reto em casos individuais é reto em casos de toda uma comunidade, seja ela composta por milhares ou milhões. Muita crítica se tem feito a nós, como comunidade, por causa dessas peculiaridades, porque escolhemos crer que Deus, nosso Pai Eterno, estabeleceu sua Igreja, e colocou à cabeça dela um Profeta; porque estabeleceu sua Igreja, e nela colocou Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Mestres e outros auxílios; porque restaurou o evangelho eterno em sua simplicidade e poder; e também seus dons, para que os homens possam novamente desfrutá-los; porque, digo, cremos nisso e reivindicamos isso, muitos se dispõem a nos criticar. Ora, sustento que a ninguém interessa, senão a nós mesmos, no que cremos, como vivemos, como agimos, ou como nos organizamos, contanto que não violemos a lei, e não pisoteemos os direitos daqueles que possam nos rodear, que sejam nossos concidadãos. Falo assim por causa de algumas coisas que noto em nosso meio. Ora, estou frequentemente ausente, e, quando volto, suponho que observo a condição das coisas aqui com um pouco mais de escrutínio do que se estivesse aqui continuamente. E noto isto: que há, entre alguns pertencentes à Igreja, uma disposição para se acomodarem, uma tendência a curvar-se, uma tendência a deslizar na direção da sociedade tal como existe em outros lugares; e tenho notado que algumas pessoas têm medo terrível da associação entre igreja e estado, medo terrível de que alguém venha a misturar política e religião, de que alguém que ocupe um cargo na Igreja, entre nós, venha a ocupar algum cargo político. Não compartilho, de modo algum, desse temor. Jamais o compartilhei, espero jamais compartilhá-lo, e não tenho ideia de que jamais o compartilharei. Para tanto, estou demasiado consciente do fato de que os Santos dos Últimos Dias foram conduzidos a estas montanhas pelo Todo-Poderoso, por meio de seus servos, e que ele nos deu direitos como cidadãos desta terra, e, sendo maioria, é nosso direito governar esta terra, governá-la de tal maneira que assegure a todos os homens que entrem em suas fronteiras seus direitos, sejam eles Santos dos Últimos Dias, metodistas, presbiterianos, incrédulos, ou qualquer outro, seja "chinês pagão" ou americano civilizado. O Senhor nos deu, até agora, capacidade para governar esta terra; e proporciona-me não pouco prazer poder dizer que não há parte alguma desta nação tão bem governada quanto este Território, que, desde o dia em que aqui chegamos, tem sido governado pelo povo "mórmon"; e não há parte alguma destes Estados Unidos que se compare a este Território em prosperidade, em boa ordem, em bom governo, e em ausência de tributação e de tudo o mais que seja oneroso. E a quem se deve o mérito? Deve-se ao Senhor; e, depois dele, deve-se a seus servos e a seu povo. ¶
Tem havido tentativas, e continuarão a ser feitas tentativas, de arrancar de nós o controle desta terra. Estamos empenhados numa guerra; foi-nos dito, desde o princípio, que é uma guerra que não há de cessar até que a retidão prevaleça sobre a terra. Todo homem que entra nesta Igreja, se entende a natureza de seu chamado, entende que entra numa guerra para lutar pelo triunfo da verdade. Não reconhecem isso os que se opõem aos Santos dos Últimos Dias? Certamente que sim; e seus esforços têm sido, e hoje continuam sendo dirigidos, e continuarão a ser dirigidos, para arrancar de nós esse poder que o Senhor nos deu. Eles lançariam pó nos olhos dos Santos dos Últimos Dias, se pudessem, e procurariam fomentar, nas mentes do povo, a ideia de que há algo muito inconsistente com a Constituição e o espírito de nossas instituições em que homens religiosos tenham qualquer ligação com a política. Considera-se muito próprio que um homem ímpio ocupe cargo; pode ele misturar-se na política e ajudar a formar o governo do país; mas o homem que professa qualquer religião, especialmente se for autoridade na igreja a que pertence, não tem direito de se intrometer na política, nem de interferir de modo algum no governo da sociedade. Isto está errado do início ao fim. Admitindo o que disse no início, de que somos o povo de Deus, perguntaria: que povo melhor se poderia encontrar, e que povo mais adequado para tomar conta dos assuntos da humanidade na terra, e estabelecer princípios justos, e manter leis sob as quais todos os homens possam habitar em paz e estar inteiramente livres de opressão e de tudo dessa natureza? Quem, pergunto, está mais qualificado para fazer isso do que os homens que entendem os princípios da verdade? Suponde, por exemplo, que hoje, e a partir de hoje, os Santos dos Últimos Dias, os que são ativos em sua religião e no cumprimento dos deveres de sua religião, se retirassem da política, e deixassem o governo desta terra a outros; qual seria o resultado? Não passaria muito tempo antes que as cenas que vemos em outros lugares, e que são lamentadas por todo amante da liberdade neste país, se representassem nesta parte da terra; veríeis uma condição de coisas que vos faria pranteá-la, e estaríeis dispostos a fugir para quase qualquer lugar, a fim de vos livrardes de participar delas. Este seria o resultado, se os que são ativos, como Santos dos Últimos Dias, se retirassem da participação nesses assuntos. Mas é esse o desígnio do Senhor? Não, não é; ele jamais desejou que assim fosse, e seria falta de sabedoria de nossa parte, como povo, permitir que tal condição de coisas existisse. Sustento que os Santos dos Últimos Dias têm todo o direito de ocupar cargos, e não deveriam ser excluídos de cargos; que, sempre que o povo escolher eleger um deles, não se consideraria de modo algum impróprio, não importa qual seja sua posição, que tenha todo o direito de ocupar esse cargo; e, se for homem justo, tanto melhor será para o povo, se ele condescender em assumir os deveres do cargo. Em vez de excluir tal pessoa, sentir-me-ia grato a ele por preenchê-lo, na certeza de que tais homens dariam satisfação, e que, enquanto estivessem no poder, um bom governo seria preservado na terra. Alguns de nossos inimigos foram ao Congresso, e reclamaram de "mórmons" ocuparem cargos. Disse-lhes: cavalheiros, se excluirdes um "mórmon" de ocupar cargo, por causa de sua autoridade eclesiástica, tereis de excluir todo homem de valor no Território, pois não há homem de valor no Território que não ocupe algum cargo em nossa Igreja. O sapateiro que trabalha em seu ofício para viver pode ser chamado, no dia de Sábado, para pregar ao povo; o carpinteiro, o ferreiro, o pedreiro, o homem que trabalha de segunda-feira de manhã a sábado à noite, pode ser chamado a pregar o evangelho da salvação; e tais homens são o tempo todo chamados a ir às nações da terra como ministros do evangelho; e, se é crime que um homem ocupe cargo político sendo ministro em nossa Igreja, então tereis de excluir todo homem de valor em nosso Território, pois nossos Bispos são nossos mais destacados e ativos homens de negócios; e há esta característica entre os que atuam neste Território: atuam sem remuneração; e os homens que se distinguem na administração de seus próprios assuntos são geralmente os escolhidos para administrar os assuntos públicos, e são os homens mais adequados para cuidar dos assuntos comerciais, para atuar como Juízes de Sucessões, ou em qualquer outro cargo. Quando isso se explica, é muito raro ouvir um homem reclamar. Mas há alguns que se queixam da hierarquia "mórmon", que não parecem saber que ela consiste em todo o povo, e que todo homem de valor, que professa a fé e a religião dos Santos dos Últimos Dias, pertence a essa hierarquia. ¶
Confio que nenhum dos Santos dos Últimos Dias seja sensível quanto a este ponto. Proclamaria ao mundo que temos tal confiança em nossos principais homens, os homens que fizeram este país, e que plantaram nossos pés nestas montanhas, os homens que, o dia todo, incentivaram o povo a hábitos de diligência, e a se tornarem autossuficientes, os homens que formaram nossos governos — nosso governo municipal, ou governo de condado, nosso governo territorial, tal como o temos hoje, e que nos organizaram como aqui estamos organizados; digo, não me envergonho de reconhecer que estou disposto a ser conduzido e governado pelos conselhos de homens que realizaram tais maravilhas, como testemunhamos por toda parte. Chamai-os de Apóstolos, chamai-os de Profetas, chamai-os de Bispos, chamai-os de Élderes, chamai-os do que quiserdes, contanto que seja honroso, não me envergonho disso. Prefiro que eles ditem do que que um pequeno conluio o faça. Já vi esses conluios fora deste Território, e entre não mórmons. Alguns homens se reúnem e conluiam, e planejam e organizam, e montam uma chapa, e armam seus fios de modo que outros a sustentem, e a Convenção a sustente, e, por esse meio, colocam seus favoritos no poder. Esta é prática comum por todos os Estados Unidos. Eu lamentaria isso como um dos maiores males que nos poderiam acontecer, que houvesse uma disputa por cargos entre os Santos dos Últimos Dias. Quando dois ou três irmãos, que aspiram a cargo, procuram dividir o povo, isto é algo a ser lamentado. Por isso, sempre defendi manter baixos nossos salários, para que os cargos não sejam muito desejáveis, de modo que os homens não desejem tomar posse de um cargo para usá-lo, ou sintam que, por terem sido eleitos uma vez para um cargo, deveriam sempre tê-lo. Deveríamos estar sempre prontos e dispostos a servir quando chamados, e igualmente dispostos a recusar quando necessário, tendo no coração o bem da comunidade. Muitos dos Membros do Congresso, durante a última sessão, estavam extremamente ansiosos por um adiamento antecipado. Por quê? Para que pudessem voltar para casa a tempo de administrar as reuniões primárias, pois, se não o fizessem, havia toda probabilidade de serem derrotados. Já se notou, por exemplo, que Oregon jamais elegeu o mesmo homem duas vezes. Por quê? Porque, quando a convenção se reunia para indicar um candidato, o membro estaria em Washington, e outra pessoa seria indicada, e ele ficaria de fora. É fato notável que, desde aquele Estado até a presente data, um Membro do Congresso e um Senador jamais foram eleitos duas vezes para o mesmo mandato. E há outros lugares em situação semelhante, onde os homens precisam estar em casa para supervisionar as indicações, ou perderiam a eleição. Não sei dizer quantas vezes já fui parabenizado pela facilidade com que fui eleito. Membros me perguntam se tenho de gastar muito dinheiro e tempo para garantir minha eleição. Digo-lhes que jamais me custou trabalho algum; que fui eleito porque o povo me quer; e, quando não me quiser, devo ficar em casa. Há alguns distritos nos Estados Unidos na mesma condição, onde os homens são tão fortes em seus distritos que não é necessário que voltem para organizar sua eleição. Mas, na maioria dos casos, é isto que têm de fazer; têm de vigiar com muito cuidado, e ter seus amigos vigiando por eles, e traçar seus planos de modo que suas reuniões primárias e convenções não sejam capturadas por seus inimigos. Eu de fato lamentaria a existência desta condição de coisas entre nós. Se houvesse, em algum momento, alguma divisão de sentimento entre nós, façamos como devem fazer irmãos e irmãs — pois as irmãs têm voz nesta questão tanto quanto os homens, e sua voz deve ter peso; deve haver representantes de ambos os sexos — e resolvamos nossas diferenças no início, em nossas primeiras reuniões, e ali as decidamos; e então vamos às urnas unidos, como um só corpo, deixando de lado quaisquer diferenças de opinião que possamos ter, determinados a levar a cabo aquilo que a maioria decidir, porque a maioria deve governar, e este é um princípio que deve ser reconhecido. A voz da maioria deve ser potente, e ter influência sobre a minoria, e a minoria não deve rebelar-se contra a maioria. Tomai um conluio republicano ou um conluio democrata; deixai-os reunir-se e discutir qualquer princípio, ou qualquer indicação. Eles nos dão exemplo, em certos aspectos, que poderíamos imitar com bastante proveito. Já os vi, e soube deles, brigando, e já ouvi argumentos fortes — os argumentos mais amargos; mas, depois de tomada a votação, depois de anunciada a vontade da maioria pelo voto, então a minoria se submete e vota com a maioria. Assim é ao indicar o Presidente da Câmara. O presidente democrata da Câmara não é a escolha de todo o partido democrata, mas é a escolha da maioria. Assim também com o porteiro, o oficial de armas, e os vários funcionários selecionados, e a minoria se submete à maioria. Assim também com os republicanos no Senado. Assim deveria ser entre nós, como comunidade; deveríamos estar dispostos a nos submeter à vontade da maioria nesses pontos. ¶
Estou grato, irmãos e irmãs, ao voltar, por encontrar tanta prosperidade em nosso Território. Podeis pensar que tivestes tempos difíceis, como sem dúvida tivestes; há escassez de dinheiro, e em alguns casos escassez de trabalho. Mas, em comparação com a condição do leste, bem podeis dizer que tendes bastante prosperidade. É coisa mais dolorosa testemunhar a quantidade de miséria e pobreza encontrada em muitas das cidades do leste, e por toda a terra em geral. Mal se pode caminhar do Capitólio, pela Avenida Pensilvânia, até o hotel, sem ser abordado meia dúzia de vezes, pedindo caridade, tanto pessoas de cor quanto brancas pedindo esmola. E é assim na maioria das cidades. É coisa mais dolorosa ver pessoas respeitáveis, pessoas de quem, pela aparência de suas roupas, não se suspeitaria estarem em necessidade, pedindo esmola. E isso ocorre quase universalmente por todo o leste. Um dos maiores temores que notei nas mentes dos membros, durante esta sessão e no verão anterior ao adiamento, foi de que a dificuldade decorrente dos tempos difíceis, da falta de trabalho, etc., desse origem a tumultos destrutivos. É verdade que os corações dos homens desfalecem ao olharem para as coisas que estão por vir. ¶
Neste aspecto, também não estamos sem nossas dificuldades. Temos problemas com a água. Esta é uma das questões de peso que se avolumam em nosso meio — como dividir nossa água de modo equitativo e justo, e há de receber atenção. Outra questão é como empregar nosso povo pobre; como havemos de pôr fim à ociosidade em nosso meio? Como havemos de proporcionar emprego a nossas numerosas crianças, a nossos jovens rapazes e moças que crescem? Que faremos para proporcionar abundância de emprego a todo aquele que deseje trabalhar? Estas duas questões requerem atenção. Mas, não obstante a existência dessas dificuldades, nossa condição é, em muitos aspectos, das mais invejáveis. Temos um país saudável; temos um país onde podemos viver em paz e tranquilidade. Os direitos da sociedade têm sido respeitados, até aqui, em nosso meio; combinações secretas não existem entre nós, tendo por objeto a derrubada das instituições existentes, ou a destruição da sociedade e da propriedade, ou a redução da propriedade a um nível comum. Não há males dessa espécie a nos ameaçar hoje. Temos abundância de terra. É verdade que nossa terra é terra seca; mas, ainda assim, há bastante espaço para nossos jovens se expandirem. E deveria haver um princípio, penso, observado por nós, e é este: que todo pai, e todo homem que tenha influência em nossas várias localidades, deveria procurar, na medida de sua capacidade e oportunidade, conferir a nossos jovens conhecimento dos vários ramos de negócio. É assunto que se impõe à nossa atenção, e deveria receber atenção nossa: que todo menino e toda menina de nossa comunidade deveria receber ensino de algo, algum ramo de indústria especializada pelo qual pudesse se sustentar. Se nossos meninos desejam tornar-se agricultores, façamo-los os melhores agricultores; procuremos ensinar-lhes algum conhecimento a respeito de química agrícola, para que sejam mais capacitados a tornar nossa terra tão produtiva quanto possível. Sejam nossas meninas ensinadas em ramos adequados a seu sexo, pelos quais possam se sustentar. Seja nosso grande desejo, nesta direção, tornarmo-nos uma nação de produtores, para que a ociosidade não seja conhecida em nossa terra. É assunto que deve receber atenção; já recebeu alguma, mas deve receber mais. Se alguns de nossos meninos manifestarem desejo de se tornar criadores de gado, esforços deveriam ser feitos para colocá-los na posse de livros sobre criação de gado. As melhores fontes de informação a respeito desse negócio deveriam ser postas a seu alcance, para capacitá-los a criar os melhores animais; e este desejo de fazer o melhor uso das bênçãos de Deus deveria ser encorajado e alimentado por todos. Não esqueçais, meus irmãos e irmãs, os ensinamentos que ouvistes, e que têm sido repetidos a nossos ouvidos por tantos anos; refiro-me à poupança e ao armazenamento de grãos; pois virá o dia em que vereis a sabedoria de o terdes feito, e em que muitos de vós, sem dúvida, desejareis ter aproveitado tal conselho. Pois vos digo que guerras e desolação hão de cobrir a terra, exatamente como os profetas declararam que haveriam de fazer; e essas coisas estão vindo, vindo, vindo, tão claramente e tão certamente quanto a luz vem pela manhã, antes que o sol se erga sobre o cume daquela montanha, e antes que vejamos seus raios. Vemos a luz aproximar-se do leste, o que nos avisa de que o sol está próximo de nós, e de que em breve sentiremos seus raios. Assim é com os sinais dos tempos no presente. Basta lermos os jornais, e olharmos para o exterior, e vermos confusão, e vermos dificuldades, e vermos guerra, e vermos pestilência a se prenunciarem sobre a terra. E essas coisas hão de se realizar, tão certamente quanto o Senhor as falou, e tão certamente quanto seus servos deram testemunho dessas palavras. Digo que deveríeis estar gratos toda manhã, todo meio-dia e toda noite, e o dia inteiro, por estardes nestas montanhas, e por vossas famílias serem tão confortavelmente cuidadas nestes vales recônditos. Podeis ter dificuldades a enfrentar, podemos ter muitas coisas que tornam nossa posição desagradável; mas, ainda assim, nossa posição é a mais invejável de qualquer comunidade ou povo dentro dos limites dos Estados Unidos, do Canadá ao norte até o México ao sul. Não há povo algum que desfrute de posição mais invejável. Os homens já começaram a nos reconhecer isso, e a dizer que nossa localização é extremamente desejável. E o fato vai sendo compreendido e reconhecido, de que tem havido o que chamam de uma série de circunstâncias afortunadas, mas que nós chamamos de providências de Deus, em torno deste povo, que nos colocaram numa posição maravilhosíssima para exercer poder e fazer grande bem. Toda vez que volto para casa, esses sentimentos se aprofundam em meu coração. Sinto-me mais grato cada vez que avisto estas montanhas vindo do leste; parece que cada viagem aumenta minha gratidão, ao ver os lares e os lugares que Deus nos deu, aos quais nos conduziu, e que tornou tão abençoados em nossa habitação aqui. Somos abençoados com água pura e saudável; e o sol, ainda que seus raios sejam intensos, não tem sobre nós o mesmo efeito que sobre o povo do leste. Se o termômetro subisse mais 10 graus, preferiria suportar o calor aqui, digamos a 100 graus, do que a 90 graus no leste. Sinto-me mais vigoroso, o que se deve, sem dúvida, às frescas e revigorantes brisas dos cânions, que sopram sobre nós à tardinha e à noite, e nos permitem recuperar-nos do desgaste do dia. Isto é apenas uma coisa, mas mostra quão bom o Senhor tem sido ao nos conduzir a esta terra; e ainda há de chegar o tempo em que apreciaremos ainda mais nossa posição geográfica, quando as calamidades faladas pelos profetas antigos e modernos alcançarem os habitantes da terra, assim como os de nossa própria nação. Vede nossa nação, por exemplo; a maioria do povo afirma que o Presidente foi colocado em sua posição por fraude. Ainda que não se tenha provado que o Presidente Hayes tenha sido parte na fraude, e, de fato, creio que ele esteja livre de acusações desta espécie, isso, contudo, não muda o fato de que a maioria da nação crê que ele ocupa a cadeira presidencial por meio de fraude. E, claro, se assim for, seu Gabinete não foi legalmente escolhido. Mas isso mostra a condição a que estamos chegando; aqueles de vós que estão informados sobre os resultados do chamado comitê investigador Potter conhecem as irregularidades que foram trazidas à luz, as quais, por si sós, dão uma ideia do estado da sociedade. ¶
Havemos nós, irmãos e irmãs, de permitir-nos deslizar para esse rumo? Quando homens vêm até nós, dizendo que não é correto administrarmos nossos assuntos eleitorais como o fazemos, havemos de dar ouvidos a eles, quando há tais exemplos diante de todos nós, por todo o leste? Digo que isso seria colocar-nos numa posição das mais indesejáveis e críticas; seria desperdiçar as bênçãos que Deus nos deu, e que deseja que magnifiquemos e apreciemos. Espero ver o dia em que, por todas estas montanhas, de Idaho ao norte até o México ao sul, haja um povo livre, habitando em paz, desfrutando as bênçãos da liberdade, desfrutando as bênçãos de uma forma de governo Constitucional, elegendo seus próprios funcionários por sua livre e imparcial escolha, e os apoiando; e esses funcionários executando a justiça e a retidão no meio do povo. Já o vejo, em parte, pois, por todos estes vales, temos um sistema de governo que é a mais pura forma de governo republicano-democrático Constitucional que se pode encontrar em qualquer lugar dos Estados Unidos. Prezo-o, conheço seu custo; e deveríamos mantê-lo, todo homem e toda mulher deveriam mantê-lo, defendendo seus direitos, pois têm o direito de votar, e de votar em qualquer homem que escolham, não importa quem seja. Quando decidirdes que ele é o homem para ocupar o cargo, elegei-o então, e, se achardes que tal homem não vos convém, quando chegar o momento, mudai-o, e apoiai somente homens que hão de manter as leis e os princípios do governo Constitucional, e honrar o cargo para o qual foram eleitos. Jamais sintamos oprimir homem algum por causa de suas opiniões religiosas, ou de sua pobreza, ou de suas opiniões políticas; mas, ao contrário, sintamos que é dever sagrado a nós imposto tolerar a liberdade, e preservar a boa ordem, e zelar para que a integridade e a honestidade prevaleçam na terra. E vereis o dia, e não está distante, em que estas montanhas serão o baluarte de um povo livre, e em que os homens virão para cá porque os princípios da Constituição serão aqui mantidos; e serão protegidos em seus direitos políticos e religiosos. E esta é a missão que Deus nos deu. Deveríamos estar ombro a ombro, e não deixar que homem algum nos divida, não importa quem seja. É nosso dever unir este povo da maneira mais forte possível pelos laços da retidão, não na iniquidade, não por combinações secretas, mas pelos laços da retidão; porque somos poucos em número, e é somente por nossa unidade que podemos nos fortalecer. Mantenhamos a unidade, irmãos e irmãs; mantenhamo-la no evangelho, mantenhamo-la nas ordenanças a que Deus exige que nos submetamos; mantenhamo-la em todos os nossos assuntos políticos, do norte ao sul, e sejamos um só, tendo em mente que uma indicação fraca, bem sustentada, é melhor do que uma boa indicação não sustentada. ¶
Que Deus vos abençoe, e vos encha de seu Santo Espírito, e vos preserve na liberdade do evangelho, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶