Não Há Salvação na Ignorância—Revelação da Calamidade—Este Mundo Não É Mau; Adequado ao Seu Propósito—Incredulidade da Humanidade—Os Santos Viverão
Charles C. Rich
Sou grato por ter a oportunidade de reunir-me com os Santos dos Últimos Dias, nesta tarde, neste Tabernáculo. Confio que possa transmitir-vos algumas palavras de instrução, na medida em que for assistido para isso pelo Espírito Santo; sem esse auxílio, tenho consciência de que não estaria qualificado a falar para vossa edificação. ¶
Reunimo-nos neste dia de Sábado com o propósito de oferecer nosso Sacramento ao Deus Altíssimo, para adorá-lo; e, enquanto assim nos ocupamos, permiti-me pedir-vos, meus irmãos e irmãs, que refreeis os desvios de vossas mentes, e imploreis que seu Santo Espírito repouse sobre nós, para que nossa adoração seja aceitável ao Senhor, e verdadeiramente benéfica para nós mesmos; pois, como já aprendemos, todas as bênçãos fluem dele, e dependemos dele para cada coisa boa que recebemos. ¶
Somos um povo abençoado por termos recebido o conhecimento do plano de salvação; pois estamos em posição de melhorar nossa condição, dia a dia, pela instrução que recebemos, na medida em que desejamos ser considerados obedientes a todos os requisitos de Deus para conosco. Começamos a trilhar o caminho estreito e apertado que, nos é dito, leva à exaltação e à continuação das vidas, e poucos há que o encontrem. O fato de termos encontrado o caminho da vida deveria inspirar em nossos corações o desejo de aprender tudo o que nos é necessário saber, a fim de nos habilitar a permanecer no caminho, servindo a nosso Deus de todo o coração. Presumo que esses sejam os sentimentos de meus irmãos e irmãs aqui presentes hoje. Sem dúvida, quereis saber o que o Senhor exige de nós, na esperança de superarmos toda imperfeição e loucura, e todo mal a que estamos sujeitos enquanto na carne. ¶
O Senhor nos disse, em nossos dias, pela boca de seu servo Joseph, que um homem não pode ser salvo na ignorância. Este item, por si só, é muito importante para mantermos sempre em mente, pois se destina a estimular-nos a buscar o conhecimento e a sabedoria que vêm de Deus, os quais nos habilitarão, em todas as circunstâncias, a decidir entre o certo e o errado, e, por fim, nos conduzirão de volta à sua presença. E, tendo alcançado uma porção desse conhecimento que buscamos, estamos, sem dúvida, dispostos a viver de acordo com ele e a praticá-lo em nossas vidas. Pois tudo o que é reto e agradável aos olhos de Deus não é capaz de produzir mal algum; ao contrário, seu fruto natural é bom. Ao fazer o que é certo, ao cumprir a vontade de Deus, não prejudicamos ninguém; ao contrário, ficamos então em condição de abençoar e beneficiar outros. Já demonstramos esse fato. Todos sabemos que, quanto mais próximos vivamos do Senhor, melhor nos sentimos, e maior é o grau de felicidade existente entre nós, e exercemos uma influência para o bem onde quer que estejamos. Já conheci pessoas cuja crença religiosa as levou a imaginar que a salvação não poderia ser obtida senão naquilo que chamamos de mundo espiritual. Mas aprendemos que os princípios da retidão produzem felicidade tanto neste mundo quanto no mundo vindouro. ¶
No que diz respeito ao mundo religioso, parece ser perfeitamente compreendido por todas as classes e denominações que pouco importa qual modo de adoração seja escolhido ou adotado, contanto que os próprios indivíduos se sintam satisfeitos; a ideia de saber se o serviço que pretendem prestar-lhe lhe é aceitável e aprovado ou não, não parece ser digna de sua consideração; de fato, nunca é questionada. ¶
Havia muitos credos existentes quando o Salvador esteve na terra, tendo por fundamento de sua fé o Antigo Testamento. Desde seus dias, muitos surgiram, e ainda existem, e o dito do Salvador é hoje tão aplicável quanto quando ele o proferiu: "Estreita é a porta, e apertado é o caminho que leva à vida, e poucos há que o encontrem." Jesus o disse exatamente como é, e ele sabia do que falava. O mundo cristão, em seu conjunto, há de descobrir, quando concluir esta vida, que este, assim como muitos outros ditos e ensinamentos do Salvador, está cheio de significado, e há de descobrir também que é verdade, uma verdade que não pode ser mudada nem abolida. Não é todo mundo que há de encontrar a porta, nem os credos dos homens, nem as noções dos homens os habilitarão a encontrá-la. O próprio Deus tem voz na questão; ele proveu o caminho, e é conforme sua determinação, que não é mais nem menos do que o plano concebido e predestinado nos céus e antes dos fundamentos da terra. Este plano do evangelho não pode ser mudado nem alterado; é o "caminho apertado", e o único caminho pelo qual o homem pode servir a Deus aceitavelmente. Se, portanto, é conforme o plano que os homens, a fim de se tornarem portadores de sua mensagem, devam eles mesmos primeiro obedecer a certos requisitos imutáveis, e então serem comissionados por ele, antes de serem autorizados a pregar sua palavra e vontade a seus semelhantes, tornando-se assim virtualmente seus servos — tais requisitos devem ser cumpridos; nunca há de servir que indivíduos que desprezam esses requisitos, e que são inteiramente não autorizados por ele, saiam a agir como ministros enviados de Deus para declarar o caminho da vida aos filhos dos homens. Tampouco serviria que as pessoas aceitassem as doutrinas desses homens, por mais populares e aceitáveis que sejam para o homem, pois Deus, com quem todos nós temos de tratar, não as sancionará. O serviço que lhe prestamos deve ser feito segundo sua vontade; se feito de outra maneira, ele não o aprovará. As ordenanças pertencentes a seus santos Templos devem ser realizadas somente como ele determinou, e no lugar que ele ordenou, a menos que o Senhor revele o contrário. Isso é consistente com a razão. Se nós, por exemplo, empregamos pessoas para nos servir, queremos ditar seus trabalhos, e queremos que façam exatamente como desejamos, e não como possam desejar fazer. E quanto mais assim há de ser com nosso Pai celestial! Se nossos serviços não forem aceitáveis a Deus, não estamos servindo a ele; então, de quem somos servos? Diz o Salvador: "quem comigo não ajunta, espalha." E também: "Quem não é comigo é contra mim." E o Apóstolo Paulo diz: "Não sabeis vós que, a quem vos apresentardes como servos para obedecer, sois servos desse a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" Portanto, meus irmãos, consideremos devidamente a importância disso, temendo que os serviços que prestamos não sejam de "obediência para a justiça", e, por conseguinte, perdidos para nós, e se provem contrários à vontade de nosso Pai celestial. Devemos conformar nossa vontade à vontade dele; o próprio Salvador assim o fez, e não procurou fazer mais nem menos. E se o servimos aceitavelmente, deve ser como ele deseja dirigir, não como nós talvez desejássemos, a menos que desejemos fazer como ele quer que façamos. ¶
Quando compreendermos a verdadeira posição que ocupamos como filhos de Deus, e não deste mundo, descobriremos que ocupamos uma posição peculiar. ¶
Temos algo a aprender, e temos de aprender, pelo canal apropriado, o que o Senhor exige de nós; e, tendo aprendido isso, devemos estar prontos e dispostos a cumpri-lo, seja o que for. E se o mundo o soubesse, esta é a missão que nos foi dada a esta terra, para que pudéssemos aprender, nesta escola terrena, coisas que não poderíamos aprender em nenhum outro lugar. E, para que aprendamos corretamente, devemos estar dispostos a sermos ensinados por aqueles competentes para ensinar, e devemos aceitar e estudar as lições que nos são fornecidas. ¶
Há quase meio século, quando o Senhor começou pela primeira vez a revelar-nos, seus filhos, os princípios da salvação, começou a dizer-nos o que estava para vir sobre a terra; predisse a derrubada dos reinos deste mundo, e comissionou e enviou seus servos para dar testemunho de sua segunda vinda e de seu reinado sobre a terra. Falou-nos de terremotos, de fome e pestilência, e de outros julgamentos que haveriam, por fim, de alcançar os ímpios em sua iniquidade, e isso foi dito numa época em que o mundo clamava paz. Mas as pessoas são hoje tão cegas quanto à realização da profecia quanto o eram antigamente, quando o Salvador disse a respeito delas: "vendo, não veem; e ouvindo, não ouvem nem compreendem." Tal tem sido a condição de todas as gerações, não obstante as revelações a elas dadas terem sido claras e positivas, e muitas já se cumpriram e muitas estão se cumprindo. Assim como foi com a derrubada dos judeus, assim há de ser nestes últimos dias. O Senhor cumprirá sua palavra, e cumprirá tudo o que disse a respeito de sua vinda, estejamos ou não preparados. Ele há de derrubar os reinos deste mundo, e estabelecerá seu reino, e o mundo da humanidade não poderá impedi-lo. Cabe a nós prepararmo-nos para a dispensação de suas providências, fazendo o que é certo, não pensando que é, nem supondo que é, nem talvez seja, mas sabendo o que é certo. Temos a oportunidade de aprender o que é certo, e o que se exige de nós, e temos o poder de fazê-lo; e, se não o fizermos, com certeza seremos achados em falta. Em comparação, seremos como as virgens tolas cujas lâmpadas se apagaram, e que, quando chegou o tempo de aparecerem prontas para sair ao encontro do Noivo por quem esperavam, descobriram que não tinham óleo em suas lâmpadas; e, enquanto procuravam renovar seu estoque, o noivo chegou, e elas já não puderam encontrá-lo. Há muitas coisas relativas a nós, Santos dos Últimos Dias, que deveriam ocupar nossa séria atenção. É fácil cometer erros, a menos que sejamos muito cuidadosos; e, se cometermos erros, encontrar-nos-emos mais ou menos prejudicados, e desviados do caminho reto, e destituídos daquela porção do Espírito Santo que, de outro modo, poderíamos desfrutar. ¶
No que diz respeito a este mundo, algumas pessoas o consideram um mundo horrendo, um mundo cheio de dor, tristeza e sofrimento. Não o considero assim. Considero-o um mundo abençoado, um mundo glorioso, que nos proporciona muitíssimos privilégios. Que outro lugar há, além deste mundo, onde possamos obter a remissão dos pecados? Essa ordenança pertence a esta vida e a este mundo, e a nenhum outro. E há muitas coisas relativas a este mundo que podemos fazer aqui, mas que não podemos fazer depois de passarmos para trás do véu. Se cuidarmos dos deveres desta vida no tempo e na estação devidos, não deixando por fazer nada que estejamos aptos a fazer, tudo estará bem conosco no futuro; mas, se falharmos no cumprimento de nossos deveres aqui, certamente lamentaremos, e talvez lastimemos, nossa negligência quando já tivermos partido; e, além disso, teremos então de depender de outros para fazer coisas em nosso favor, que poderíamos ter feito nós mesmos. Aproveitemos nossas oportunidades aqui, e apreciemo-las tão plenamente quanto devemos. Elas são grandes e gloriosas, e, se não fizermos bom uso delas, certamente ficaremos pesarosos quando partirmos, e o que torna isso mais sério é que não sabemos quando, se é que algum dia, deixaremos de estar pesarosos. Esta provação é curta, e, quando tivermos feito tudo o que está em nosso poder fazer, empregando o melhor de nossos esforços para cumprir cada obrigação e dever, então não faremos mais do que estar preparados. Quanto mais aprendermos e compreendermos a respeito das coisas de Deus, mais conscientes nos tornaremos da importância de sermos cuidadosos e determinados, de nossa parte, a jamais cedermos ao espírito de indiferença, nem a sermos culpados de cometer um ato que seja errado. Deveríamos ficar surpresos se um mensageiro do mundo eterno pudesse ser influenciado a cometer um ato de loucura ou de erro. Como santos de Deus, deveríamos ser tão firmes, e ter tal determinação, em conexão com nosso conhecimento, que não pudéssemos ser movidos por influência ou poder algum a fazer o que é errado, por mais trivial que seja. O que está em jogo nesta questão? Tudo, no que diz respeito à nossa exaltação. Isto é algo em que deveríamos pensar e que deveríamos ter em mente em todas as nossas associações e situações na vida, sendo cuidadosos e cautelosos para que não produzamos um mal que viva mais do que nós. Vendo que estamos, o tempo todo, sujeitos à tentação, e, por consequência, a fazer o que é errado, deveríamos estar determinados em nossos próprios corações a jamais permitir que algum erro que possamos cometer viva mais do que nós; procuremos que mal algum, por menor que seja, encontre lugar em nossos corações; mas, antes, cultivemos o bom fruto em todas as nossas associações nesta vida, sentindo-nos gratos por termos o privilégio de trabalhar pela causa do que é certo e verdadeiro, e de desenvolver esses princípios em nós. ¶
Somos agora chamados a construir Templos. Posso dizer, com grande satisfação, que, tanto quanto meu conhecimento se estende entre os Santos dos Últimos Dias, estão, em seu conjunto, dispostos a realizar este trabalho. Aprendemos, pela bondade e misericórdia de Deus, que os Templos servem a um propósito importante, e que, sem eles, não podemos, em nossa condição atual, receber certas bênçãos necessárias à nossa salvação e exaltação no Reino de Deus. Por quê? Porque o Senhor ordenou que essas bênçãos sejam administradas em tais lugares, e as quais, se não realizadas como ele determinou, são sem efeito. São coisas que compreendemos, porque o Senhor nos iluminou por meio de seu Santo Espírito. Tem sido dito comumente no mundo que os Santos dos Últimos Dias foram cegamente conduzidos pelo Profeta Joseph; após sua morte, disse-se que eram os enganados do Profeta Brigham; e agora poder-se-ia dizer que prestamos obediência cega ao Presidente Taylor. Mas, como Santos dos Últimos Dias, compreendemos que é privilégio de todo homem e de toda mulher saber por si mesmos que esses homens foram e ainda são servos do Deus vivo, e que é, portanto, Deus quem os guia e dirige. E, se alguém pertencente a esta igreja não estiver satisfeito quanto a este ponto, é porque não está vivendo à altura de seus privilégios; e a todos esses, se os houver, eu diria que é tempo de obterem este conhecimento; é tempo de que todo homem e mulher que reivindique associação com a igreja e reino de Deus seja habilitado a levantar-se e dar testemunho ao mundo, se necessário, de que sabe que Deus estendeu sua mão para edificar seu reino, e que este foi estabelecido na terra em nossos dias, e que nos foi permitido recebê-lo. Quando pudermos dar este testemunho, não será "suponho que sim", ou "talvez seja"; mas será: "Em verdade, assim diz o Senhor." ¶
Posso dizer agora, como já disse muitas vezes diante de vós e diante do mundo, que sei, por mim mesmo, que Deus estabeleceu seu reino sobre a terra nestes dias, e que ele exige obediência às leis de seu reino, e que não só a exige, como também é nosso dever submeter-nos de bom grado e alegremente à sua vontade, seja ela qual for, pois nada pode exigir de nós senão o que for para nosso bem, e que, também, devemos cumprir a fim de nos purificarmos para entrar no reino Celestial. "Bem," poderá dizer alguém, "mas o mundo não acredita nisso." Sei que o mundo não acreditou em Noé, quando este lhes pregou pelo espaço de 120 anos que, se não recebessem seu testemunho, o Senhor enviaria sobre eles um dilúvio de águas. O mundo não acreditou em Jesus, o Filho de Deus, quando lhes falou do futuro de Jerusalém. Sei também que, tanto quanto a história nos informa, o mundo jamais recebeu os testemunhos dos servos de Deus, nem tampouco acredita agora no que lhe está sendo pregado por seus servos. Mas, apesar de tudo isso, o Senhor sempre cumpriu sua palavra, e por ela os justos foram salvos, e os desobedientes destruídos. E sabemos que ele há de realizar tudo o que foi dito pela boca de seus servos, quer o mundo creia, quer não. E nós, como o povo de Deus, que fomos suficientemente humildes para receber a mensagem que nos enviou, temos o consolo de saber que, embora a maldade e a abominação, e todos os que nelas se comprazem, sejam varridos da terra, segundo o decreto do Todo-Poderoso, seus santos, com seus filhos, hão de viver para se multiplicar e espalhar-se, e por fim encher toda a terra. Cultivemos em nós o conhecimento de Deus, vivendo de acordo com a luz que recebemos; e apreciemos sempre os privilégios que este mundo nos proporciona de aprender o bem e o mal, e de sermos capazes de distinguir entre o que é certo e o que é errado. Temos o poder, se formos fiéis, de vencer o mal, a oposição e todos os poderes das trevas, e de nos santificarmos diante do Senhor por meio de sua verdade, e de nos prepararmos, enquanto estamos nesta terra, para herdar sua gloriosa presença no mundo vindouro. ¶
Que este possa ser nosso feliz destino é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶