Uma Obra Maravilhosa—Visitação de Anjo—O Livro de Mórmon—Evidência Destinada a Despertar a Fé—Testemunho Nem Sempre Leva à Salvação
Orson Pratt
Uma coisa muito estranha aconteceu em nossos dias — uma obra que é considerada pelos Santos dos Últimos Dias, e por todo o povo, uma obra maravilhosa e um prodígio; algo quase inteiramente inesperado pela grande massa da família humana, algo que nossos pais não esperavam aconteceu nesta terra. O que é isso? Deus enviou um anjo do céu. O quê, um anjo nos últimos dias vindo do céu! Sim. Que coisa tão estranha! Quão diferente das tradições de nossos pais, por dezessete séculos passados! Dizei às pessoas desta geração que Deus enviou um santo anjo comunicando sua vontade ao homem, e elas estarão prontas a rir-se de vós com escárnio. Formaram em seus próprios corações a ideia de que os anjos já não haviam de ministrar à família humana. Nenhuma mensagem do céu deveria mais ser enviada por eles; nenhuma voz do Senhor deveria mais ser ouvida falando ao homem sobre a terra; nenhuma revelação mais deveria ser dada; nenhum Profeta mais deveria ser levantado, e nenhum Vidente e Revelador mais deveria dar a conhecer e proclamar a vontade do céu ao povo. Tais eram as tradições de nossos pais; tais eram as tradições de algumas duzentas ou trezentas milhões de pessoas, que se chamavam cristãs. Falai-lhes a respeito de mais palavra de Deus a ser dada à família humana, e a ideia e a exclamação universal das nações da Cristandade seria: "o cânone das Escrituras está completo." Quem lhes disse isso? De que fonte obtiveram essa informação? Alguma vez o Senhor lhes revelou isso, ou é uma criação de sua própria imaginação? Já ouvistes um único indivíduo, mesmo o mais erudito e sábio entre eles, provar essa afirmação pelos escritos divinos? Já ouvistes falar de algum leigo, ministro ou sacerdote que tivesse comprovado essas ideias e tradições de acordo com as Escrituras e a razão? Jamais, jamais. E a simples razão é que não têm prova nem evidência alguma para sustentar sua posição. Não há homem vivo, por mais erudito que seja, por mais familiarizado que esteja com as Escrituras da verdade divina, que possa trazer uma única ideia, a título de prova, para sustentar essas tradições. E, no entanto, quão geral e universalmente essas coisas foram divulgadas entre as nações, e absorvidas pela família humana como se fossem verdades reais! ¶
Quando os Santos dos Últimos Dias surgiram, há quarenta e oito anos, testificando que Deus havia enviado um anjo do céu, quão inesperado, quão estranho pareceu a esta geração! Dizem eles: "O Senhor teve, uma vez, uma religião sobre a terra, e os anjos faziam parte das bênçãos a ela ligadas; mas agora já não precisamos deles." Por quê? "Porque somos tão esclarecidos. Estudamos as Escrituras e nos tornamos tão eficazmente familiarizados com elas, e também com a ciência e tudo o mais, que já não precisamos de instrução adicional do Todo-Poderoso; já não precisamos de Profetas em nossos dias para predizer o futuro; já não precisamos de Reveladores que venham manifestar-nos a palavra de Deus. Ora, somos tão esclarecidos! A chama da luz do evangelho brilha tão intensamente que podemos sobreviver com o saber humano, sem revelação alguma dos céus." Não terei eu expressado diante desta congregação as reais ideias das duzentas ou trezentas milhões de pessoas da assim chamada Cristandade que vivem nas várias nações civilizadas? ¶
Voltemos agora aos verdadeiros princípios do evangelho, para verificar se sancionam e abarcam a visitação de anjos. A história nos informa que, antes do dilúvio, os anjos conversavam com os homens, como um homem conversaria com outro. E encontramos que Abraão e Enoque conversaram com Deus; e, pela fé, Enoque foi transladado da mortalidade para a imortalidade. Na época do dilúvio, sabemos que havia um homem sobre a terra que recebia nova revelação do céu, e que ele e sete outros que criam em sua palavra foram os únicos dignos de serem poupados do terrível julgamento que, por aquele tempo, pôs fim à maldade sobre a terra. Um Revelador foi poupado — o único homem entre eles que podia comungar com os céus, e receber informação do alto. ¶
Depois dos dias do dilúvio, sabemos que o Senhor fez a Abraão, Isaque e Jacó grandes e preciosíssimas promessas — promessas relativas às coisas da eternidade e às coisas da terra. Esses homens foram chamados e estimados "amigos de Deus"; eram perfeitos em seus dias, e eram Reveladores, a quem os anjos vinham e ministravam as palavras da vida eterna. Foram os únicos que receberam instrução do céu por nova revelação, e que foram considerados dignos, naqueles dias, de desfrutar da aprovação divina, e de serem chamados seus amigos. ¶
Assim, podemos igualmente descer aos dias de Moisés, e aos filhos de Israel que estavam no Egito. Abençoou-os o Senhor? Sim. De que maneira? Falando ele mesmo, e também enviando anjos para ministrar em seu meio; comunicando revelação de dia e de noite enquanto os filhos de Israel peregrinavam no deserto; por revelação eram instruídos em todas as ordenanças, e por revelação viajavam; e quando o Senhor lhes ordenava armar suas tendas, permaneciam naquele lugar até que outra revelação fosse dada. Os anjos comunicaram as coisas de Deus a esse povo, depois de terem sido trazidos à Terra Prometida, e, de geração em geração, o Senhor enviou seus anjos para ministrar entre seu povo. Profeta após profeta foi levantado em suas respectivas gerações para declarar a palavra do Senhor no meio de todo o Israel; e tais homens eram considerados os porta-vozes de Deus. E assim continuou até uns poucos séculos antes de Cristo. Então veio um dia de trevas; então veio um tempo em que, por causa da maldade do povo, nenhum anjo foi enviado, nenhum Revelador ou Profeta foi levantado no meio do povo. As consequências foram que o povo ficou entregue a si mesmo, sem a orientação de nova revelação, e, em vez de edificar e estabelecer o reino de Deus, criaram sistemas feitos pelo homem, dividindo-se em seitas e partidos, tais como fariseus, saduceus, essênios, etc., somando muitas denominações diferentes. E de tal modo se alienaram dos caminhos de Deus, e se tornaram tão iníquos, e Satanás tinha tanto controle sobre eles, que, quando Cristo veio pregar-lhes o evangelho eterno em toda a sua simplicidade e clareza, os encontrou em tal condição que amavam mais as trevas do que a luz, e estavam plenamente preparados para tingir as mãos no sangue do Salvador do mundo. ¶
Vemos que, depois que Cristo estabeleceu sua Igreja, os anjos continuaram a ministrar; e um dos Apóstolos, em certa ocasião, exortou os Santos de outrora a serem cuidadosos em hospedar estranhos, pois, ao fazê-lo, alguns haviam hospedado anjos sem o saber. E vemos que, durante o primeiro século da era cristã, anjos apareciam com frequência; e revelações também eram dadas pelo dom e poder do Espírito Santo que repousava sobre os Apóstolos, para orientação da Igreja. Paulo também testifica dos anjos deste modo: "Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" Mostrando-nos clara e nitidamente que esses habitantes celestiais do céu — esses seres puros e santificados que habitam na presença de Deus — foram enviados como ministros autorizados de Deus para aqueles que haveriam de herdar a salvação aqui sobre a terra. Mas, pouco a pouco, depois do primeiro século da era cristã, os céus voltaram a tornar-se como bronze sobre suas cabeças. A voz da inspiração não mais se ouvia, nem a voz dos anjos saudava mais os ouvidos dos mortais. Não havia mais visões entre o povo; o véu de trevas que pairava sobre eles, em consequência de o Senhor haver retirado sua ação ministrante da terra, tanto lhes ofuscou as mentes, que já não podiam mais contemplar o futuro glorioso. ¶
Este estado de apostasia continuou até cerca da última metade da era cristã, e prevaleceu mais ou menos entre todo o povo. E os sacerdotes, a quem o povo recorria em busca de luz e instrução espiritual, persistiram, todos e cada um, em ensinar ao povo, de geração em geração, que a Bíblia estava completa, que o cânone das escrituras estava fechado, e que já não era necessário que os anjos se comunicassem com o homem, nem que os dons e graças miraculosos que outrora adornavam a Igreja continuassem. O povo se acomodou nessa crença sem prova ou testemunho algum de sua veracidade, e ela se tornou uma tradição amplamente difundida e popular; e até os filhos, até nossos dias, herdaram essas noções e tradições de seus pais sem jamais as questionar; nascem, por assim dizer, nos filhos, e são educados e treinados nessa crença, e por isso ela se tornou profundamente arraigada, e dificílima de ser deles removida. ¶
Mas, novamente, o longo, longuíssimo silêncio foi quebrado; novamente a voz dos anjos saudou os ouvidos do homem mortal, e isso também em cumprimento de uma profecia proferida por João, o Revelador, enquanto estava banido na Ilha de Patmos. Ali, sofrendo pela causa do evangelho, o Senhor lhe mostrou, em visão, coisas que haveriam de acontecer sobre a terra. E, entre outras coisas que diante dele passaram, viu que, após certo tempo, as trevas que necessariamente haveriam de seguir-se à rejeição do evangelho tanto pelo judeu quanto pelo gentio, e que haveriam de vir sobre a face de toda a terra, seriam gradualmente dissipadas por uma comunicação celestial de Deus ao homem. E, no capítulo 14 do Apocalipse, aprendemos a maneira pela qual essa mensagem viria das cortes do céu. João fala do acontecimento deste modo: "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo," etc. Por estranho que possa parecer, esse anjo mencionado voou do céu à terra, rasgando o véu da superstição, da ignorância e da dúvida, e trazendo consigo, de sua morada celestial, boas novas de grande alegria, autorizando devidamente o homem sobre a terra a pregar as mesmas a todos os povos de todas as nações. Este evangelho confiado pelo anjo tem sido pregado entre muitas nações, onde quer que quisessem receber os portadores desta mensagem celestial; ali se tem ouvido a voz dos homens inspirados; e este trabalho missionário tem sido fielmente prosseguido durante quase meio século. E o evangelho será pregado até que toda nação, língua e povo sobre a face de nosso globo tenha o privilégio de ouvir esta gloriosa mensagem angélica. ¶
"Mas," diz alguém, "este é o vosso testemunho; dizeis que um anjo veio, mas nós não o sabemos; dizeis que ele trouxe o evangelho eterno, mas nós não o sabemos. Que evidência tendes para nos dar, para que possamos saber por nós mesmos que um anjo realmente veio, trazendo esta mensagem?" Eu vos direi como podeis prová-lo, como todo filho e toda filha de Adão agora vivente pode saber se houve, de fato, uma mensagem divina, chamada o evangelho eterno, enviada do céu aos habitantes da terra por um santo anjo. Fazei a vontade de vosso Pai celestial; invocai seu nome, e perguntai-lhe, dizendo em vossos corações: Ó Senhor, enviaste tu, de fato, dos céus, teu anjo, segundo a predição de teu servo João, trazendo ao homem sobre a terra o evangelho eterno? E ordenaste que fosse pregado a todo povo, nação e língua debaixo de todo o céu? Se fizerdes isso com toda a honestidade de coração e de propósito, todos podereis saber por vós mesmos. "O quê! O Senhor nos dá conhecimento em nossos dias por buscá-lo em oração?" Por que não? Não concedeu ele, antigamente, em cada dispensação, desde o princípio até o fechamento do primeiro século da era cristã, o conhecimento a respeito da verdade? Sim; e esse mesmo Deus que deu conhecimento a seu povo antigamente há de dar conhecimento a vós, contanto que cumprais sua vontade. "Mas," podeis dizer, "para que possamos fazer tal pergunta ao Senhor, gostaríamos de ter algum testemunho, suficiente ao menos para nos encorajar a fazer esta indagação." Não sei quanto quereis. No que se refere à evidência externa, ele deu-a em abundância antes que esta Igreja surgisse. O Senhor não permitiu que o Livro de Mórmon fosse enviado às nações, para ser publicado a todo o povo, até que ele desse testemunho a certos indivíduos escolhidos. Quantos? Quatro pessoas, pelo menos — o tradutor do livro, Joseph Smith, e mais três pessoas, Martin Harris, Oliver Cowdery e David Whitmer. Eles souberam com certeza, e deram seu testemunho no início deste registro. Eis, então, quatro testemunhas. Que diz Jesus? "Que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada." Ele achou por bem, contudo, dar quatro. "Mas," pergunta alguém, "não poderiam essas quatro testemunhas ter-se enganado?" Examinemos a natureza de seu testemunho, para ver se há alguma possibilidade de terem se enganado. Joseph Smith, uma dessas testemunhas, testifica que o anjo desceu do céu, e que seu semblante era como relâmpago, e a glória de Deus resplandecia ao seu redor. E o anjo lhe disse que fosse a certa colina, não longe da casa de seu pai, na cidade de Manchester, Condado de Ontário, no Estado de Nova Iorque, onde encontraria esses antigos registros — placas de ouro, contendo o evangelho eterno, que fora antigamente pregado entre os habitantes deste continente. Ele obedeceu; foi e encontrou os registros exatamente no lugar que lhe fora mostrado em visão pelo anjo. Havia alguma possibilidade de Joseph ter sido enganado? Dizemos que não; as circunstâncias eram tais que excluíam a possibilidade de tal engano. O anjo também lhe disse que, com essas placas, havia um instrumento chamado o Urim e Tumim, que lhe permitiria traduzir os registros para nosso idioma. Joseph realizou a obra de tradução entre os anos de 1827 e 1830, mediante o uso desse instrumento, que havia sido escondido junto com as placas. Poderia ele ter sido enganado, quando tinha as placas diante de si, contemplando atentamente os caracteres peculiares nelas gravados, e também aquele instrumento tão singular, o Urim e Tumim? Todo homem de bom senso, com o mínimo grau de discernimento, dirá de imediato que não era possível, nessas circunstâncias, que ele fosse enganado; que o testemunho dado é verdadeiro, e a mensagem divina, ou então ele foi um audacioso impostor, um homem que veio propositalmente para enganar o povo. ¶
Quanto às outras três testemunhas. Testificam que, no ano de 1829, depois de as placas terem sido traduzidas, um anjo de Deus lhes apareceu, vestido de luz e glória, e, segurando essas placas em suas mãos, virou-as folha por folha, mostrando-lhes os caracteres nelas gravados. E dizem também que, enquanto estavam contemplando este ser celestial, revestido de sua glória, no ato de lhes mostrar essas placas de ouro, ouviram uma voz dos céus proclamando-lhes que as placas haviam sido traduzidas corretamente, pelo dom e poder de Deus. E do que viram e ouviram dão testemunho, dirigido a todos os povos de todas as nações a quem este registro — o Livro de Mórmon — houvesse de chegar. Permiti-me perguntar: havia alguma possibilidade de terem sido enganados? Se houvesse, então poderíamos dizer que todos os homens dos tempos antigos que professavam ter visto anjos foram também enganados. Mas não vejo que algo pudesse ser mais positivo. Fora dada a promessa de que três testemunhas seriam levantadas para dar testemunho da verdade desses registros, que pretendem ser uma história dos aborígines, ou dos antigos israelitas, que habitaram este país. O Senhor de fato enviou o anjo; viram-no descer do céu; viram a luz e a glória que irradiava de seu semblante; ouviram as palavras de sua boca; viram as placas nas mãos deste personagem celestial, e puderam distinguir os caracteres nelas gravados; e ouviram também a voz do Senhor ordenando-lhes que testificassem a todos os povos do que haviam visto e ouvido. Não poderiam ter sido enganados; era absolutamente impossível. ¶
Eis, pois, quatro testemunhas, todas dando testemunho da divindade desta obra. E, como já vos citei, o Salvador disse que toda palavra será confirmada pela boca de duas ou três testemunhas. O Senhor, portanto, não levantou esta Igreja, não começou a organizá-la, até que houvesse dado evidência suficiente a um número suficiente de testemunhas para iniciar o estabelecimento desta obra. ¶
Ademais, Joseph Smith foi ordenado pelo Senhor a mostrar essas placas a outras oito pessoas que, além das três já mencionadas, tornaram-se também testemunhas desta obra. E seu testemunho publicado é que viram as placas e as manusearam, e viram a escrita peculiar nelas contida, a qual dizem ter a aparência de obra curiosa e antiga. E, não obstante algumas dessas testemunhas tenham caído pelo caminho, tendo sido vencidas pelo poder do Adversário, tornando-se indignas da comunhão dos Santos dos Últimos Dias, nenhuma delas, até onde se sabe, jamais negou o testemunho que deram a respeito deste maravilhoso acontecimento. Eis, então, doze testemunhas. Não é essa evidência externa suficiente para satisfazer toda alma inquiridora cujo coração seja honesto diante do Senhor? Mas remeter-vos-ei ainda a mais. Quando esta obra foi publicada pela primeira vez, o Senhor chamou esses homens a sair entre o povo, proclamando o evangelho que eles próprios haviam recebido, prometendo que todos os que lhe prestassem obediência receberiam o Espírito Santo, o qual confirmaria, para inteira satisfação do crente, o testemunho desses Élderes. E, quando este Santo Espírito descia sobre tal povo, sabiam por si mesmos que esses homens eram servos do Deus vivo, e que o poder que sobre eles repousava era de fato o Espírito Santo, do qual haviam lido nas Escrituras. Como o sabiam? Porque ele manifestava diversos dons. Habilitava-os a impor as mãos sobre os enfermos, repreendendo em nome de Jesus a doença, e os enfermos eram restaurados à saúde. Podeis dizer que a imaginação teve algo a ver com isso; que os enfermos imaginavam-se melhores, e, por consequência, melhoravam. Mas permiti-me testificar que criancinhas de tenra idade, incapazes de exercer os poderes da imaginação, foram curadas da mesma maneira, e pelo mesmo poder, que era o poder do Deus Todo-Poderoso manifestado por meio de seus servos. E esses primeiros Élderes da Igreja foram assim habilitados a converter ao conhecimento de nossa fé multidões de pessoas que, como eles próprios, podiam dar testemunho da divindade e veracidade desta obra dos últimos dias, tendo recebido as convincentes garantias deste Consolador, que dá testemunho das coisas do Pai. E deste modo toda esta comunidade recebeu o conhecimento de que testifica, e, por isso, nos tornamos, para usar um termo bíblico, uma grande nuvem de testemunhas, cujo testemunho está em vigor para o mundo inteiro, quer o recebam, quer o rejeitem. ¶
Apresentei agora diante de vós evidência suficiente para despertar o princípio da fé em vossos corações, contanto que tenhais um genuíno desejo de saber a respeito da doutrina que ensinamos, se é de Deus ou dos homens. Tendes o testemunho de doze homens para começar, além do testemunho de dezenas de milhares de homens e mulheres que receberam o Espírito Santo pela obediência aos requisitos do evangelho, cujo conhecimento desta obra dos últimos dias também os habilita a testificar de sua verdade. E o testemunho deste povo fala como com a voz do trovão a todas as nações e línguas, no sentido de que Deus falou desde os mundos eternos, e que enviou novamente seus anjos à terra para confiar ao homem o evangelho eterno. Se um testemunho tão notável de doze homens, junto com o testemunho unido de uma comunidade tão grande quanto a nossa, não é suficiente para criar fé em vossos corações de que Deus de fato começou sua grande, maravilhosa e estranha obra e prodígio em nossos dias, então o que despertaria o povo para a percepção deste fato? Não pode haver desculpa para aqueles que ouvem e rejeitam o testemunho e o ensino dos Élderes desta Igreja, pois o clamor tem sido levantado por muitos anos, e não pode deixar de produzir um efeito marcante sobre todo povo de coração honesto, por causa de sua singularidade e equidade, pois a promessa é que, se tiverdes fé suficiente para invocar a Deus e perguntar-lhe, vós mesmos podereis obter um testemunho, e podereis receber aquilo que supera a fé ou a crença — podereis saber com certeza que ele de fato visitou novamente a terra, nestes últimos dias, por meio de seus anjos, e que Joseph Smith foi e é um Profeta do Deus vivo, e que as doutrinas que ensinamos não são do homem, mas de Deus; e provarão ser o odor da vida para aqueles que obedecem, e da morte para aqueles que as rejeitam. ¶
Portanto, como disse no início de minhas observações, uma coisa maravilhosa aconteceu nesta terra! Uma obra prodigiosa fez sua aparição! Os céus já não guardam silêncio! Profetas voltam a ser ouvidos entre o povo! A inspiração e o poder do Espírito Santo repousam sobre os servos de Deus, e seu poder se manifesta novamente entre as várias nações, como nos tempos antigos, curando os enfermos, fazendo os coxos andar, os cegos ver, e os surdos ouvir, e derramando seu Espírito sobre os filhos dos homens, como fez nas dispensações anteriores do mundo! ¶
Não é isto, então, suficiente para despertar os de coração honesto entre o povo? Se não o é, então não sei o que o seria. Será pelo cumprimento dos Profetas, dos quais falaram os oradores anteriores? Quando a mão do julgamento for posta sobre as nações, e a intensidade de sua ira se manifestar, consumindo os desobedientes e os ímpios, e a terra ficar despovoada de todos, exceto dos justos? Este será um testemunho ao qual não poderão resistir. Mas tal testemunho nem sempre será para a salvação. Será o testemunho do julgamento que os há de arrasar, e isso também numa hora em que menos esperam; uma hora em que estarão clamando que tudo é paz e segurança — eis que a destruição repentina está às suas portas; e assim o dito das Escrituras se cumprirá literalmente: "E como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem," etc. Quando aquele infeliz, mas desobediente e ímpio povo, os Antediluvianos, estava afundando nas águas, poderiam então dizer: "Sei que Noé é um Profeta, e que a mensagem que ele nos declarou aos ouvidos por tantos anos é divina." Mas, ai! Era tarde demais; rejeitaram a mensagem, não lhe dando atenção alguma, nem a quem lhes pregou o evangelho; não quiseram invocar a Deus com toda a honestidade de coração, mas consideraram Noé enganado; não obedeceram, e foram destruídos pelo poderoso dilúvio. Amém. ¶