Pulpit

Ordem Unida — Dízimo — Trabalhos Cooperativos em Brigham City

Lorenzo Snow

1878-04-21

Lerei, esta tarde, alguns versículos da revelação que começa na página 345 da nova edição do Livro de Doutrina e Convênios:

"1. Em verdade vos digo, a vós que vos reunistes a fim de conhecer a minha vontade relativa à redenção de meu povo aflito--

"2. Eis que vos digo: Se não fosse por suas transgressões, o meu povo, falando a respeito da igreja e não de indivíduos, já poderia ter sido redimido.

"3. Mas eis que não aprenderam a ser obedientes às coisas que exigi de suas mãos, mas estão cheios de toda sorte de maldades e não repartem seu sustento com os pobres e aflitos dentre eles, como convém a santos;

"4. E não estão unidos segundo a união exigida pela lei do reino celestial;

"5. E Sião não pode ser edificada a não ser pelos princípios da lei do reino celestial; de outra forma, não posso recebê-la para mim mesmo.

"6. E meu povo precisa ser corrigido até aprender obediência, ainda que seja pelas coisas que sofre."

Desejo lembrar a meus irmãos e irmãs, em primeiro lugar, que dependemos, para nossa informação e inteligência, do Espírito de Deus, que pode estar em nós, se devidamente cultivado, um espírito de inspiração, de revelação, para manifestar claramente ao nosso entendimento a mente e a vontade de Deus, ensinando-nos nossos deveres e obrigações, e o que é exigido de nossas mãos. E, em ocasiões deste tipo, quando estamos reunidos para conhecer a vontade de Deus, é importante que exerçamos fé, e tenhamos o espírito de oração, para que o Senhor faça com que algo seja dito que instrua, e nos dê tal informação e conhecimento que sejam de uso e serviço em nosso andar diário e sob as circunstâncias que nos cercam.

Precisamos de auxílio. Estamos sujeitos a fazer aquilo que nos levará a problemas e trevas, e aquelas coisas que não tenderão para o nosso bem, mas, com o auxílio daquele consolador que o Senhor prometeu a Seus Santos, se formos cuidadosos em ouvir seus sussurros, e compreendermos a natureza de sua linguagem, poderemos evitar muitos problemas e sérias dificuldades.

Somos informados, nestes versículos que li, que os Santos, em dias passados, foram expulsos da terra de suas posses, porque lhes faltava aquela união necessária à sua segurança e salvação, e para preservá-los naquela terra que o Senhor designava dar-lhes por herança. Não estavam unidos de acordo com a união exigida pela lei celestial. E somos informados aqui que Sião não pode ser edificada sobre nenhum outro princípio ou fundamento. Este é o assunto que diz respeito a todo Santo dos Últimos Dias, e é bem digno de profunda reflexão, e deveríamos buscar o espírito de inspiração, para compreendê-lo apropriadamente, e como talvez nos afete em nossa situação presente.

Há princípios que são revelados para o bem do povo de Deus, e claramente manifestos nas revelações que foram dadas; mas, por não sermos mais perseverantes e diligentes, negligenciamos receber as vantagens que se destinam a conferir, e pensamos, talvez, que não é necessário nos esforçarmos para descobrir o que Deus exige de nossas mãos, ou, em outras palavras, para investigar os princípios que Deus revelou, pelos quais podemos receber bênçãos muito importantes. São revelados, plana e claramente, princípios calculados para exaltar os Santos dos Últimos Dias, e preservá-los de muito problema e aflição; contudo, pela falta de perseverança de nossa parte em aprendê-los e nos conformarmos a eles, deixamos de receber as bênçãos ligadas à obediência a eles. Esses princípios de união, que os Santos dos Últimos Dias em tempos passados ignoraram, e em consequência de sua desobediência a eles foram expulsos do Missouri, são chamados por diferentes nomes--Ordem Unida, Ordem de Enoque, os princípios da União da Lei Celestial, etc. Quando pesquisamos as revelações de Deus a respeito deles, vemos que, onde quer que o evangelho do Filho de Deus tenha sido revelado em sua plenitude, os princípios da Ordem Unida foram manifestados, e exigido que fossem observados. O sistema de união, ou a Ordem de Enoque, que Deus tanto se esforçou em revelar e manifestar, tem sido, e é, com o propósito de unir os Santos dos Últimos Dias, o povo de Deus, e prepará-los para a exaltação em Seu reino celestial, e também com o propósito de prepará-los, aqui nesta terra, a viverem juntos como irmãos, para que se tornem um em todos os assuntos pertinentes a seus negócios mundanos, bem como a seus interesses espirituais, para que se tornem um--um em seus esforços, um em seus interesses--de modo que não haja pobres no meio dos Santos dos Últimos Dias, nem aristocracia de dinheiro no meio do povo de Deus, mas que haja uma união, uma igualdade. Antes de esta Igreja ser organizada, em abril de 1830, foram dadas revelações tocantes à Ordem Unida; e, desde o dia em que a primeira revelação foi dada a respeito destes princípios, tem sido dado um grande número de revelações, tornando o princípio da Ordem Unida muito claro ao entendimento daqueles que desejam compreendê-lo. Os princípios e o sistema foram apontados, em várias revelações, de maneira muito distinta, para que os Santos não errassem. O Senhor nos mostrou que considerava esta ordem um assunto nada pequeno, mas um assunto de vasta importância; tanto que, de fato, pronunciou severas penalidades sobre aqueles que desobedecem a seus princípios, e prometeu importantíssimas bênçãos aos que a recebem e se conformam a suas exigências. Doutrina e Convênios, páginas 327, 276, 258, 264.

Os Santos dos Últimos Dias, sem dúvida, fizeram grande progresso, e avançaram consideravelmente além do ponto que os Santos alcançaram quando estavam no Missouri, e foram corrigidos em consequência de não terem se conformado aos princípios de união, como exigido; mas, quando vemos estes sagrados princípios desconsiderados, até certo ponto, tanto quanto são, ficamos a nos perguntar por que é assim, e como é que são tão negligenciados, tão ignorados--princípios de tamanha importância para nossa exaltação e glória, e para nossa segurança, e por causa de cuja desobediência o Senhor não pôde sustentar e defender Seu povo no Estado do Missouri, mas permitiu que fosse vencido e expulso por seus inimigos.

O Senhor, quando aconselhou que o Condado de Jackson fosse comprado pelos Santos, foi muito rigoroso quanto à maneira como deveriam observar os princípios de união; e chamou um de Seus servos, e lhe disse que faria dele um exemplo quanto ao que seria exigido daqueles que subissem à terra do Missouri para receber sua herança. Esse foi Martin Harris. (D&C, seção 58, página 203, versículos 35 e 36.) Disse o Senhor: "Considero conveniente que meu servo Martin Harris dê o exemplo à igreja, entregando seu dinheiro ao bispo da igreja. E também esta é uma lei para todo homem que vier para esta terra a fim de receber uma herança; e ele fará com seu dinheiro o que a lei determinar."

Ora, aqui está um dos primeiros princípios da Ordem Unida, e foi feito e ordenado uma lei para toda pessoa, e todos que tivessem o privilégio de ir à terra do Missouri para receber uma herança eram obrigados a observá-lo. Mas isso, penso, se aplicará não apenas aos que fossem à terra do Missouri, mas ao povo de Deus em toda terra. Onde quer que haja um povo de Deus, os princípios da Ordem Unida são aplicáveis, se estiverem dispostos a recebê-los e obedecê-los. Alguns têm pensado que a Ordem Unida deveria ser guardada apenas pelo povo que subisse à terra do Missouri. Ora, isso, creio, é incorreto. Pareceria muito singular que os Santos dos Últimos Dias, ao receberem o evangelho, não tivessem o privilégio de se unirem, de acordo com os princípios da lei celestial, e que o Condado de Jackson fosse o único lugar onde essa lei pudesse ser observada. Não terei tempo para prosseguir este assunto tão particularmente quanto gostaria; simplesmente farei referência a algumas revelações a respeito do assunto.

Em Kirtland, Ohio, houve uma Ordem Unida estabelecida sob a influência e as instruções diretas de Joseph Smith. Ele recebeu revelações do Senhor a respeito deste assunto. E não apenas havia uma Ordem Unida estabelecida em Kirtland, mas também um mandamento de união de Deus a ser estabelecido numa localidade a cerca de quinze ou vinte milhas de Kirtland, numa cidade chamada Thompson. E o Senhor deu a Seu servo, Edward Partridge, o primeiro Bispo desta Igreja, revelações e instruções importantes a respeito de organizar um Ramo da Igreja na Ordem Unida naquele município. E Edward Partridge precisava dessas instruções, porque bem se poderia entender que ele, por si mesmo, não seria capaz de compreender a mente e a vontade de Deus quanto ao que era exigido segundo os princípios da lei celestial. Por isso, o Senhor lhe disse que era necessário que recebesse instruções nesses princípios. E deu-lhe instruções, e disse-lhe que era necessário que o povo ali fosse organizado de acordo com Sua lei, do contrário seria eliminado. E disse-lhe, além disso, que era seu privilégio ser organizado de acordo com a lei celestial, para que pudessem estar unidos sobre esses princípios. E também, nesta revelação, disse a Edward Partridge que ele teria o privilégio de organizar, pois isso era um exemplo para ele, em todos os outros lugares, em todas as outras igrejas. Assim, não se limitava a nenhuma localidade em particular, nem a Kirtland, nem a Thompson, nem ao Condado de Jackson; mas naquela revelação foi dito ao Bispo que isso seria um exemplo para ele ao organizar em todas as Igrejas. De modo que, onde quer que Edward Partridge encontrasse uma Igreja, ele teria o privilégio de organizá-la de acordo com a Ordem Unida, a Lei Celestial, ou a Ordem de Enoque.

Ora, poderíamos perguntar-nos: seria de supor que pudesse haver alguma transgressão, ou que ofenderíamos a Deus, ao averiguarmos o que é a Ordem Unida, e depois nos conformarmos a suas exigências, tanto quanto possível?

Nos dias do Profeta Esdras, a nação judaica, por muitos anos, estivera em cativeiro, e em transgressão, e fora permitido que fosse destruída, e expulsa de suas localidades por seus inimigos. Pois bem, Esdras, em certa ocasião, viu por bem reuni-los e reconstruir Jerusalém, que havia sido derrubada. O Senhor o ajudou nesta obra; e, depois de terem tido êxito em construir os muros, começaram a ler as leis e as revelações de Deus; e descobriram que o povo estava em grande transgressão, e em desobediência a uma lei muito importante e sagrada, e essa dizia respeito a seus casamentos com estrangeiros. Descobriram que havia sido dada uma lei, nos dias de Moisés, de que não deveriam dar suas filhas aos filhos de estrangeiros, nem tomar as filhas de estrangeiros para seus filhos. Pois bem, quando Esdras fez essa descoberta, e verificou que o povo estivera se casando dessa forma em considerável extensão, ficou consternado. Sentou-se, arrancou os cabelos da cabeça, e a barba do rosto, e rasgou as vestes; e clamou a seu Deus que perdoasse o povo. Pois bem, finalmente, os profetas, e os homens principais, foram reunidos e tiveram uma consulta; e então o povo foi reunido, e passaram por um tempo muito penoso, corrigindo aquilo em que haviam transgredido essa santa lei; e, por mais desagradáveis que fossem as exigências para corrigir isso, considerou-se absolutamente importante ter as bênçãos de Deus, e ser aprovado por Ele. Ora, não digo, ao voltarmos novamente ao nosso assunto, os princípios da Ordem Unida, que esta possa ser nossa posição no que diz respeito à nossa obediência a ela. Mas eu diria isto, contudo, que, se estes princípios da Ordem Unida foram tão importantes em dias passados, e o Senhor, por umas treze revelações ou mais, os manifestou a Seus Santos, e os resultados da desobediência foram os que vemos, por que não deveríamos considerá-los de alguma importância no presente? E encontraria o Senhor falha no povo, se os Santos dos Últimos Dias se esforçassem de todo o coração por se conformar a eles? E não nos sentiríamos melhor preparados para voltar e edificar o Condado de Jackson, a Estaca Central de Sião? Esperaríamos voltar, a menos que cumpríssemos a lei em todas as coisas, e em consequência de cuja desobediência o povo foi expulso daquele país?

É argumentado por alguns que, quando o princípio do dízimo entrou em vigor, ele suplantou os princípios da Ordem Unida. A lei de Moisés foi dada para ser um aio, para levar o povo ao conhecimento do Filho de Deus, e induzi-lo a obedecer aos princípios da plenitude do evangelho. A lei superior foi dada aos filhos de Israel quando foram primeiramente libertados da servidão egípcia, mas, em consequência de sua desobediência, o evangelho em sua plenitude foi retirado, e a lei de mandamentos carnais foi acrescentada. Ora, imaginais que teria havido algum erro se o povo quisesse encontrar os princípios da lei superior e obedecê-los tanto quanto as circunstâncias permitissem? Supondes que teria sido errado buscar a plenitude do evangelho, enquanto vivia sob a lei mosaica? Mas, no Livro de Mórmon, encontramos este ponto mais plenamente ilustrado. Encontramos que os habitantes deste continente tinham conhecimento da plenitude do evangelho eterno e foram batizados para a remissão dos pecados, muitas gerações antes de Jesus vir ao mundo. Encontramos que Alma foi batizado nas águas de Mórmon, e cerca de quatrocentos e cinquenta outros indivíduos. Alma, por sua energia e perseverança, havia descoberto a plenitude do evangelho, e obtido revelações do Senhor, e o privilégio de observar o evangelho em toda a sua plenitude e bênçãos. Pensais que o Senhor estava irado com eles? Estavam sob a lei mosaica, e, no entanto, consideravam uma bênção observar a lei superior.

Ora, direi a respeito do assunto do dízimo, penso que essa lei foi dada aos Santos dos Últimos Dias, sendo um dos objetivos prepará-los para, e conduzi-los à, Ordem Unida, para que não caíssem no mesmo erro do povo que foi expulso do Estado do Missouri, mas fossem gradualmente introduzidos a esses princípios mais elevados. Não há nada mais edificante para nós mesmos, e agradável a Deus, do que aquelas coisas pertinentes à realização de uma fraternidade. Homens sábios, por séculos, procuraram trazer isso a efeito, mas sem êxito. Não tinham a capacidade, a sabedoria, a inteligência, nem a autoridade, para elevar o povo àquele padrão, para que se tornasse uma fraternidade unida. Todos os seus esforços foram ineficazes. Mas o Senhor terá êxito; e preparará os Santos dos Últimos Dias, de modo que esses princípios estejam em seu coração quando voltarem ao Condado de Jackson. Lembrai-vos de que, embora o evangelho em sua plenitude fosse observado por Alma e seus irmãos, e por muitos milhares em diferentes eras do mundo, viviam sob a Lei Mosaica; e não podem os Santos dos Últimos Dias, sob a lei do dízimo, observar a plenitude do evangelho? Se admitirmos que estamos sob o princípio da lei do dízimo, há algum mal em cumprirmos os princípios da Ordem Unida?

Sei que é desagradável aos ouvidos de alguns indivíduos ouvir a respeito dos princípios da Ordem Unida, mas, tomando os Santos dos Últimos Dias, em geral, por todos os vários povoados deste Território, seu coração parece estar atraído no que se refere a este princípio. Quando o Presidente Young chegou pela primeira vez a estes vales montanhosos, ficou impressionado com a importância deste princípio, e deu os primeiros passos para a realização desta união. Há centenas e milhares de indivíduos que chegaram a estes vales naquele tempo, que se conformaram aos primeiros princípios desta união. Muitos de nós consagramos tudo o que possuíamos, e este é o primeiro passo no que diz respeito à Ordem Unida. É muito possível que tenha havido alguma negligência em levar adiante este princípio, tanto quanto, talvez, pudéssemos ter feito. Isto eu não diria particularmente, mas pode ter havido falha em nós, neste assunto, em não levar a cabo o que começamos. Nas coisas que pertencem à glória celestial, não pode haver operações forçadas. Devemos agir conforme o Espírito do Senhor opera sobre nosso entendimento e sentimentos. Não podemos ser empurrados a esses assuntos, por maior que seja a bênção que acompanhe tal procedimento. Não podemos ser forçados a viver uma lei celestial; temos de fazê-lo nós mesmos, de nossa própria livre vontade. E o que quer que façamos a respeito dos princípios da Ordem Unida, devemos fazê-lo porque desejamos fazê-lo. Alguns de nós estão praticando no espírito da Ordem Unida, fazendo mais do que a lei do dízimo exige. Não estamos limitados à lei do dízimo. Avançamos a tal ponto que sentimos que voamos acima dessa lei. Ora, temos milhares e dezenas de milhares, e poderia dizer milhões de dólares, que foram destinados pelos Santos dos Últimos Dias em várias direções. Destinamos dezenas de milhares de dólares para o ajuntamento dos pobres e a construção de tabernáculos, e para muitas outras coisas que poderiam ser mencionadas. Quando fazemos isso, agimos de acordo com um dos princípios pertinentes a esta Ordem Unida.

O Senhor, em Kirtland, estabeleceu uma Ordem Unida. Chamou certos indivíduos, e os uniu por revelação, e lhes disse como proceder; e todo homem que se comprometer plenamente com a Ordem Unida procederá da mesma maneira. Disse àquele povo e à Igreja ao longe que ouvissem e atendessem ao que Ele exigia dos homens nesta Ordem, e de todo homem que pertencesse à Igreja do Deus vivo--que tudo o que recebessem além do necessário para o sustento de sua família fosse posto no armazém do Senhor, em benefício de toda a Igreja. Isto é o que se exige de todo homem em sua mordomia. E esta é uma lei que se exige seja observada por todo homem que pertença à Igreja do Deus vivo. [Livro de Doutrina e Convênios, p. 234.] Ora, esta é uma das principais características da Ordem Unida. Não vamos parar aqui, nestes vales das montanhas. Muitos de nós esperamos sair e edificar a Estaca Central de Sião; mas, antes de sermos chamados, precisamos compreender estas coisas, e nos conformar a elas mais praticamente do que muitos de nós fazemos no presente.

Somos informados, numa dessas revelações, de que é necessário que sejamos iguais. Se não somos iguais nas coisas temporais, não podemos ser iguais nas coisas espirituais. Os homens sobre quem Deus concedeu capacidade financeira são os homens desejados neste tempo--que Deus quer, e a quem desejaria chamar para se apresentarem na realização desta grande união. Ora, chamamos homens em nossas conferências, e os enviamos a pregar o evangelho às nações da terra. Saem na força e no poder de Deus, dependendo do Espírito Santo, para ajudar na realização da obra. No que diz respeito à edificação do reino de Deus aqui em casa, as pessoas que têm a capacidade são as que deveriam se apresentar nas coisas que levariam os Santos dos Últimos Dias a esta união. Isso teria mais valor para eles do que todas as coisas da terra. As bênçãos de Deus sobre eles, no tempo e na eternidade, bem recompensariam sua disposição de se apresentarem e trabalharem pela Sião de Deus. Somos informados de que o sacerdócio não é chamado a trabalhar por dinheiro, mas a estabelecer Sião. Que coisa adorável seria se houvesse uma Sião agora, como nos dias de Enoque! Que houvesse paz em nosso meio, e nenhuma necessidade de um homem contender e pisar os calos de outro para alcançar melhor posição, e avançar-se à frente de seu vizinho. E não deveria haver competição injusta em assuntos que pertencem aos Santos dos Últimos Dias. Aquilo que cria divisão entre nós, pertinente a nossos interesses temporais, não deveria existir. O Senhor considerou esta união um assunto de importância, e usa expressões fortes a respeito dela. Falando a respeito daqueles que desobedecessem aos princípios da Ordem Unida depois de a terem recebido, diz o Senhor: "Decretei em meu coração que, se qualquer homem entre vós quebrar o convênio com que estais comprometidos, será pisado por quem eu desejar." [p. 337.] E diz, a respeito de algumas partes que se afastaram deste princípio: "Amaldiçoei-os com uma maldição severa e dolorosa." Diz Ele, em outra revelação, mostrando a sacralidade desta ordem: "Portanto, dou-vos um mandamento, e aquele que o quebrar perderá sua posição na igreja, e será entregue às bofetadas de Satanás." [p. 258.] Estas são penalidades severas, mas isso é em consequência de Seu desejo de preparar um povo para a glória celestial. Ora, diremos que esses assuntos não nos dizem respeito, e que os deixaremos até voltarmos ao Condado de Jackson? Tenho pensado, às vezes, que, se os Santos dos Últimos Dias não abrirem os olhos e atenderem a estas coisas muito rigorosamente, dificilmente escaparemos destas aflições, mas seremos perseguidos como o foram nossos irmãos no Missouri. Depois das instruções que recebemos durante os últimos quarenta anos, diremos que não podemos nos conformar a estes princípios? Diremos que ignoraremos estes gloriosos princípios pertinentes a esta fraternidade exaltada?

Ora, estamos tentando fazer algo em Brigham City na direção desta ordem; mas parece haver a maior dificuldade em nós mesmos, quando chegamos a esses assuntos temporais. Nossas velhas ideias das coisas têm uma influência maravilhosa sobre nós, de modo que parece coisa difícil quebrar a crosta, e nos conformarmos inteiramente às exigências da Ordem Unida. Chegamos a certos pontos de união em nossa cidade; mas não desejo falar de nossos assuntos ali com qualquer espírito de jactância, pois, quando considero a sacralidade destes princípios, e sua importância, sinto minha insuficiência e indignidade. Empenhar-se neste labor parece ser um empreendimento grande e sagrado. O Presidente Young costumava dizer: "Ora, lá em Brigham City o irmão Snow tem conduzido o povo, e o colocado na Ordem Unida sem que soubessem." Mas posso ver muitas coisas em que estamos muito aquém de realizar. Não entramos na plenitude dos princípios da Ordem Unida, mas falamos a respeito deles, e muitos de nós tentamos nos conformar a eles, e obter o espírito deles em nosso coração. Ora, somos cerca de três mil almas, e avançamos até este ponto--presumo que um pouco mais do que tendes em Ogden--há apenas uma loja em nossa cidade onde se compram produtos importados, e ela pertence ao povo. Ora, isso é considerado um passo rumo à união num povo de três mil, concordarem em fazer seu comércio num só lugar--que haja um único estabelecimento mercantil. Ora, vós tendes mais de uma loja em Ogden. Além disso, nos unimos um pouco mais; temos apenas um curtume em nossa cidade de população de três mil. Temos apenas um estabelecimento de sapateiros--uma associação de sapateiros, composta de cerca de trinta pessoas. Não há competição neste negócio. Suponho que tenhais mais de um em Ogden; mas sois um povo maior do que nós, várias vezes. Todos compram suas botas e sapatos neste departamento industrial, e assim os homens empenhados neste negócio são sustentados pelo povo, de acordo com seus convênios; e não há outros sapateiros naquela localidade. Pois bem, nos unimos em outro ponto, que é, numa fábrica de lã e num rebanho de ovelhas. Sofremos uma perda de cerca de cinquenta mil dólares no incêndio de nossa fábrica, e na destruição de nossas colheitas pelos gafanhotos. Não há pessoas ricas em Brigham City, mas o povo, por meio de sua união, ergueu outro edifício, muito melhor do que o destruído. Esperamos ter a fábrica em funcionamento por volta do primeiro de julho. Isso mostra alguma prova do avanço do povo. Esta realização não é consequência de o povo ali ter dinheiro; mas esta obra--esta obra surpreendente, como a considero--foi realizada em consequência do avanço que o povo fez nesta união. Pois bem, temos apenas uma ferraria naquela cidade; umas doze ou quinze pessoas trabalham neste estabelecimento, e o povo os sustenta em suas operações. Aqueles empenhados nos vários ramos de trabalho sentem-se confiantes de que o povo os apoiará, e cumprirá o que foi acordado a este respeito, e não se preocupam com nenhum outro emprego, ou negócio. Há apenas uma loja de móveis em Brigham City, e o povo sustenta aqueles empenhados nesse negócio. Suponho que tenhais mais de uma. Há apenas uma latoaria, e é apoiada por todo o povo de Brigham City. Há apenas um departamento madeireiro ali, e o povo sustenta as partes empregadas naquele negócio. Umas oitenta ou cem pessoas se empenham durante a temporada madeireira. Os moinhos pertencem ao povo, e não há competição. Há apenas uma chapelaria naquela cidade, e é sustentada pelo povo. Tendes mais de uma aqui; talvez devêsseis ter. Há apenas uma alfaiataria em Brigham City, e o povo empregado nesse negócio é apoiado por todo o povo. Poderia mencionar muitos outros negócios, mas deixarei este assunto agora.

Ora, para o povo de Ogden, e o povo de outros povoados, seria bom unir-se para se abastecer de suas roupas, alimentos, móveis, materiais de construção, e de tudo o que pertence a seu conforto e conveniência, sem estar sob a necessidade de empregar, ou usar, aquelas coisas que são importadas. Tendes muitos homens vigilantes, financeiramente hábeis, em Ogden, homens muito inteligentes, cheios de sabedoria e iniciativa, e que têm os princípios do evangelho neles. Estais à frente do povo de Brigham City neste aspecto, mas nós estamos à frente de vós em alguns outros aspectos. Na proporção em que um homem possui conhecimento a mais que seus irmãos, deveríamos estar mais ansiosos por realizar o bem para Sião; e ele deveria ser aquele que dá o exemplo apropriado para a união do povo. Creio que, se os Santos dos Últimos Dias avançassem e estabelecessem a Ordem Unida em seu meio mais do que fazem, o Senhor nos sustentaria e abençoaria mais abundantemente, e proveria remédios contra os males a que estamos expostos--perseguição e dificuldades de fora, das quais não falaremos hoje.

As irmãs aqui em Ogden estão realizando bastante a respeito da Ordem Unida. Estão se unindo para realizar uma grande obra. Não sei se elas, em conjunto com outras, não serão, mais ou menos, a salvação de Sião; e é bom que perseverem, e que alguns dos irmãos sigam seu bom exemplo a este respeito.

Muito se poderia dizer a respeito dos princípios da Ordem Unida, que não me sinto inclinado a falar hoje à tarde, mas sinto-me levado a instar com aqueles irmãos que têm meios e estão em circunstâncias favoráveis, a investigar a mente e a vontade de Deus a respeito destes assuntos, e procuremos edificar Sião. Sião são os puros de coração. Sião não pode ser edificada senão sobre os princípios de união exigidos pela lei celestial. É bem hora de entrarmos nestas coisas. É mais agradável e prazeroso para os Santos dos Últimos Dias entrarem nesta obra e edificarem Sião, do que edificarem a si mesmos e terem esta grande competição que nos destrói. Ora, deixai as coisas prosseguirem em nosso meio à maneira gentia, e vereis uma aristocracia crescer entre nós, cuja linguagem aos pobres seria: "não precisamos de vossa companhia; vamos ter coisas muito finas; estamos bem ocupados agora, por favor voltai em outra ocasião." Teríeis classes estabelecidas aqui, algumas muito pobres e algumas muito ricas. Ora, o Senhor não vai permitir nada desse tipo. Tem de haver uma igualdade; e temos de observar estes princípios que se destinam a dar a cada um o privilégio de reunir ao seu redor os confortos e conveniências da vida. O Senhor, em Sua economia nas coisas espirituais, estabeleceu que todo homem, de acordo com sua perseverança e fidelidade, receberá exaltação e glória nos mundos eternos--uma plenitude do Sacerdócio, e uma plenitude da glória de Deus. Esta é a economia do sistema de Deus, pelo qual homens e mulheres podem ser exaltados espiritualmente. O mesmo com relação aos assuntos temporais. Deveríamos estabelecer os princípios da Ordem Unida, que dão a todo homem a chance de receber estas bênçãos temporais. Não digo que seria apropriado dar a um homem recém-batizado a plenitude do Sacerdócio de uma só vez. Nem seria correto dar a um homem que acabou de chegar do velho país a casa e as posses daquele que está aqui e trabalhou e labutou por anos para acumulá-las. Não seria correto que o possuidor saísse de sua casa, e deixasse aquele que nunca trabalhou nem labutou entrar e tomar seu lugar; mas este homem que tem as bênçãos de Deus ao seu redor deveria estar disposto a sacrificar uma parte de seus meios excedentes para estabelecer alguma indústria, para que este pobre homem possa trabalhar e obter boa remuneração por seu trabalho, para que possa ver conforto e conveniência diante de si, ao perseverar como fez aquele que assim foi abençoado. Este é o espírito e o objetivo da Ordem Unida, e que deveríamos nos esforçar por estabelecer. Deveríamos empregar nossos meios excedentes de tal maneira que os pobres possam ter emprego, e ver diante de si uma suficiência e as conveniências da vida, para que não fiquem dependentes de seus vizinhos. Onde está o homem que quer ser dependente de seus vizinhos ou do Escritório de Dízimos? Não! Ele é um homem, e é a imagem de Deus, e quer reunir os meios ao seu redor, por seus próprios esforços individuais. Abençoados por Deus somos nós, que temos meios excedentes, e deveríamos estar dispostos a empregar esses meios pelos quais tais indivíduos possam ter, como antes mencionado. A Ordem Unida não é o comunismo francês. Não se exige daqueles que possuem os meios de vida que gastem esses meios entre os que nada sabem sobre cuidar deles e preservá-los. Mas que nenhum homem seja oprimido e colocado em circunstâncias em que não possa estender a mão e ajudar a si mesmo.

Pois bem, quis dizer algumas coisas a título de sugestão aos irmãos. Que Deus abençoe Seu povo em Ogden. Tomai o Livro de Doutrina e Convênios, rastreai o assunto da Ordem Unida, e o encontrareis plenamente explicado. E não precisa haver dificuldade alguma quanto ao que é exigido de nossas mãos.

Que vivamos de tal maneira que sejamos dignos de uma posição na presença de Deus. Amém.

Como citar este discursoLorenzo Snow, “Ordem Unida — Dízimo — Trabalhos Cooperativos em Brigham City”, (1878-04-21). Pulpit Vault, 1878-04-snow-united-order-tithing-cooperative-labors. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).