Ideias Sustentadas Pelos Santos dos Últimos Dias Conquistando Terreno Prosperidade Territorial O Mormonismo Não Favorecido pelo Governo Os Santos dos Últimos Dias Salvarão o Governo Bom Conselho sobre Muitos Pontos
George Q. Cannon
É algo inesperado, até para mim mesmo, ter a oportunidade, nesta manhã, de aparecer em vosso meio. Negócios importantes exigiram meu retorno a esta cidade por um curto período; mas, em consequência de certas responsabilidades que recaem sobre mim em Washington, parecia imprudente que eu partisse e viesse para cá. Na sexta-feira de manhã, há uma semana, mal pensava que seria possível ausentar-me; mas, durante o dia, fui favorecido em fazer arranjos tais que senti que poderia partir com segurança, ao menos por alguns dias. E parti imediatamente para esta cidade, via Filadélfia. ¶
Alegro-me por ter a oportunidade de encontrar-me com tantos de meus irmãos e irmãs, de contemplar vossos rostos, de ouvir as instruções que têm sido dadas, e de partilhar do espírito que tem sido, e será, derramado sobre nós. É um grande alívio para quem esteve ausente por qualquer período, misturando-se com o mundo, ter a oportunidade de conviver convosco, meus irmãos e irmãs; ao menos assim o estimo. Nunca volto o rosto para casa sem experimentar alegria e contentamento ao pensar em estar mais uma vez reunido convosco. ¶
Jamais, em toda a minha vida, tive um interesse mais profundo no bem-estar, na prosperidade, e no avanço da causa com a qual estamos identificados, do que no presente. Este sentimento tem pesado grandemente sobre minha mente; sinto que estamos vivendo numa época de tempo da maior importância. Sinto que a missão que nos foi designada é uma que, no presente, mal começamos a compreender. Os resultados mais importantes que dela hão de fluir mal começaram a despontar em nossa mente. Ao menos, pessoalmente, este é o meu sentimento. Quando contemplo a imensidão do campo de trabalho que se estende diante de nós, os males e as injustiças que têm de ser corrigidos, como creio, por meio da instrumentalidade deste povo, bem como as reformas que têm de ser efetuadas e levadas a cabo com êxito, parece-me que, à medida que os dias passam, invejo as horas que se vão; sinto como se os dias fossem inteiramente curtos demais, e como se desejasse viver por um milênio para ajudar aqueles com quem estou associado a realizar os grandes, os importantes, os planos de salvar almas bem como de redimir corpos, que precisam ser levados a cabo a fim de cumprir os desígnios da Providência em relação ao homem e à terra. ¶
Já podem os Santos dos Últimos Dias ver que o fermento plantado pelo evangelho tem realizado uma obra gradual em efetuar mudanças importantes. Pode-se pensar de um povo confinado a estas montanhas, não sendo mais numeroso do que somos, que nossa influência há de ser necessariamente muito limitada, e que podemos realizar muito pouco. Mas as ideias que têm sido propagadas pelos Santos dos Últimos Dias, embora não tenham convertido a nossa fé tantos quanto deveriam, tiveram uma influência maravilhosíssima sobre o mundo religioso, filosófico e científico. Ideias em que os homens agora creem, e que aceitam prontamente, Joseph Smith foi perseguido e denunciado por proclamar. E, embora haja milhões que não creem que ele fosse um Profeta de Deus, ou que os princípios que ensinou foram revelados por Deus, não há engano quanto ao fato de que seus ensinamentos, as verdades que apresentou, e as ideias que disseminou, tiveram um efeito maravilhoso sobre a mente humana em toda a cristandade. Se aqueles de vós que tiveram experiência no mundo, que chegaram à meia-idade, deixarem sua mente voltar ao tempo em que ouviram esses princípios pela primeira vez, e compararem a condição do pensamento humano naquele tempo com a condição do pensamento humano hoje, não duvido de que concordareis comigo ao dizer que, embora homens e mulheres não tenham se tornado Santos dos Últimos Dias, nem a massa da humanidade tenha recebido as verdades religiosas em sua totalidade, tal como foram ensinadas por Joseph, e tal como têm sido ensinadas por aqueles que o sucederam, houve, no entanto, um avanço muito visível e acentuado por parte de homens e mulheres em todo o mundo, onde quer que os Élderes desta Igreja tenham viajado. De modo que não é apenas no batismo do povo, não é apenas no ajuntamento do povo que estamos alcançando grandes resultados; mas é em ensinar ao mundo os princípios que Deus nos revelou, e em doutrinar gradualmente a mente da humanidade, ao menos até certo ponto, elevando-a dos preconceitos, das trevas e da ignorância em que esteve envolta, a um plano mais alto, para respirar um espírito de investigação mais puro e mais livre no pensamento religioso e científico. Muito, contudo, resta por fazer, e cabe a nós, como povo, cumprir nosso dever, cada um de nós, como se toda a responsabilidade recaísse sobre nós. E nisto, provavelmente, há tanta falha a apontar em nós quanto em qualquer outro ponto--uma falta de reconhecimento, da parte dos Santos dos Últimos Dias, do fato de que Deus nos responsabiliza, a cada um de nós, individualmente; pois é designado a todo homem e a toda mulher um trabalho individual que ele e ela têm de realizar. Por mim, sei que a influência de um homem, exercida corretamente, é potente para o bem; ou, se exercida impropriamente, para o mal, sobre seu semelhante. A vida de cada homem, a conversação de cada homem, a conduta e o caminhar de cada homem diante de seu semelhante, exercem uma influência que ele muito provavelmente nem começa a compreender ou entender. E se todos compreendêssemos isto, e agíssemos de acordo, vivendo à altura da luz e do conhecimento que possuímos, pensai apenas na influência que poderíamos exercer, como um corpo unido, entre os habitantes de nossa terra, e, de fato, entre os habitantes de toda a terra. ¶
Considero nossa posição, politicamente, como uma das mais importantes, muito mais importante do que a de qualquer outra comunidade com a qual estou familiarizado. Hoje é reconhecido por todos os lados, e o fato não é disputado por pessoas inteligentes, que os Santos dos Últimos Dias, ou, para falar mais propriamente, o povo do Território de Utah, ocupam uma posição superior à de qualquer outro Território dentro dos limites da União. Isto é reconhecido. E, quanto à temperança, à frugalidade, à economia, ao bom governo e à submissão à lei (se me for permitido excetuar a que diz respeito ao matrimônio plural, que viola a constituição, e que foi aprovada como um golpe contra nossa religião), quanto à administração honesta dos assuntos financeiros e governamentais, à preservação da boa ordem e à manutenção da paz, e à promoção da educação; em todos esses pontos, reconhece-se que, se não somos superiores, ao menos somos iguais a qualquer outro povo de nossa República. Enquanto os estados do leste estão sobrecarregados de dívidas e gemem sob a tributação local, com falências de não pequena magnitude ocorrendo continuamente, e homens sem saber o que fazer para se livrarem de suas dificuldades financeiras, o Território de Utah ocupa, pode-se dizer com verdade, a posição única de estar livre de dívidas: nenhuma dívida territorial digna de menção, nenhuma dívida de condado. Não obstante as inúmeras tentações que existiram, e às quais nossos funcionários poderiam ter sucumbido, estamos, tenho a satisfação de dizer, livres de dívidas, e também somos a comunidade mais levemente tributada dentro dos limites do governo. Quando mencionei esses fatos ao Presidente Hayes, ele observou: "Vossa posição é certamente invejável e única." Isto é reconhecido por todos os lados. Em nossos próprios territórios vizinhos, tomai, por exemplo, Wyoming, cujo povo se orgulha justamente de sua posição, porque tem comparativamente pouca dívida; contudo, seus impostos são duas vezes e meia mais altos que os nossos; e assim é com todos os nossos territórios vizinhos. Nosso percentual de analfabetismo é mais baixo do que o de qualquer um dos territórios, e também do que muitos dos estados; não que o analfabetismo de Utah não devesse ser ainda mais baixo, pois há espaço para grande melhoria em matéria de educação. Temos 1.200 milhas de linha telegráfica pertencentes a este Território; temos mais de 300 milhas de ferrovia local, sem contar as ferrovias Union e Central Pacific. Esta é a condição deste Território. Se tomarmos a declaração do último censo federal a respeito de nossa população, e aplicarmos a taxa de aumento da década anterior--isto é, o aumento de 1860 a 1870--aos últimos oito anos, verificar-se-á que Utah tem uma população de pelo menos 150.000. Mas nossa taxa de aumento tem sido maior nos últimos oito anos do que nos dez anteriores. Os Estados estão divididos em distritos congressuais, no presente, com uma população em torno de 135.000; isto é, um distrito com uma população desse número tem direito a um membro do Congresso. Neste Território, nossa população excede esse número. Nenhum Território jamais solicitou admissão na União com tantas vantagens quanto o nosso. Em 1789, a Constituição Federal foi adotada, e nos tornamos uma República consolidada. Isso foi há 89 anos. Vivemos neste país por mais de um terço desse tempo. Poder-se-ia pensar, então, que, com tanta experiência e tantas vantagens, com tal capacidade de autogoverno, com um Território tão desenvolvido e tão levemente tributado, com tão boa ordem e liberdade de dívidas, Utah seria bem-vindo à união dos estados. Por que não somos? Porque somos "mórmons." Isso encerra toda a razão. Se estivéssemos divididos em facções, se estivéssemos lutando, partido contra partido, se houvesse bares e casas de má fama por todos os nossos povoados, e se estivéssemos fortemente endividados, sem sequer ter a população exigida, e não fôssemos "mórmons", seríamos admitidos na união dos estados. Qual é a razão apresentada para isso? "Não queremos apoiar a poligamia. Se admitirmos Utah, sancionamos, em certa medida, a poligamia." Esta é a razão apresentada. Suponhamos, por exemplo, que um homem em cada dez, entre estes "mórmons", seja polígamo, haverá mais do que isso? Se houver, não o sei. Nunca fiz um censo, mas, no âmbito de minhas relações pessoais, ao examiná-las, penso que não há sequer um décimo dos homens neste Território, que atingiram a maioridade, que sejam polígamos. E digamos que há 150.000 pessoas no Território, quantas delas são homens? Se aplicarmos a mesma regra para verificar isso que aplicamos a outras comunidades--e ela não se aplicará à nossa, porque nossas crianças estão em excesso; mas, seja como for, aplicaremos a mesma regra, e dividiremos 150.000 por cinco; quanto resta? Trinta mil. Digamos que há trinta mil homens no Território de Utah que atingiram a maioridade, e um décimo desse número seja polígamo. O que nos resta? Três mil homens. E, por causa de três mil homens, o Congresso dos Estados Unidos diz que a maioria do povo não terá seus direitos políticos. Não parece que, pela ação do Congresso a esse respeito, estão elevando uma doutrina comparativamente obscura, quando se leva em conta os quarenta milhões de pessoas que vivem sob a bandeira dos Estados Unidos--e lhe conferindo importância nacional? Este é um dos exemplos mais extraordinários de tolice que já me lembro de ter lido em qualquer história; e, no entanto, tal coisa é feita, e esta é a única razão que se pode, de fato e corretamente, atribuir à recusa, por parte da nação, de admitir Utah como Estado. Apesar de tudo o que possamos dizer e fazer, parece haver uma determinação de dar a esta doutrina do matrimônio plural uma importância nacional e mundial, como tudo o mais relacionado a este povo. Tem sido anunciada e comentada como se fosse a prática de vinte milhões de pessoas, em vez de três ou quatro mil homens. ¶
Ora, digo que temos de ensinar ao mundo uma lição nesse sentido. Um povo que segue pacientemente seu rumo, sem murmurar, sem se rebelar, sem se erguer em tumultos, ao receber a negação de seus direitos legítimos e constitucionais. Um espetáculo como este é digno de admiração, especialmente quando se compreende que nenhum funcionário dentro dos limites de nosso Território pode ocupar um cargo de nomeação federal, se se souber que é "mórmon", ou quase, se se souber que sequer é favorável aos "mórmons". Assim que o cargo de Chefe do Correio se torna valioso, o Chefe do Correio mórmon, que talvez o tenha ocupado quando ele não compensava seu trabalho, é destituído, e outra pessoa é posta em seu lugar. O Marechal, o Secretário, o Governador, os Juízes e todos os funcionários federais foram nomeados, durante a última administração, dentre aqueles que se sabia não ter simpatia pelos "mórmons". Foi tudo o que nosso atual Governador pôde recentemente fazer para reter seu cargo, porque foi acusado de favorecer os "mórmons", porque se acreditava que favorecia um povo que foi enviado para governar. Isto é extraordinário, quando se pensa nisso; mas o mais surpreendente relacionado a isso é que o povo assim maltratado suporte tudo isso com a paciência e a equanimidade que os Santos dos Últimos Dias manifestam, nessas circunstâncias. ¶
Lembrai-vos de nosso último Governador. Ele começou pensando que fora enviado para cá para governar este Território e o povo do Território como seus concidadãos. Estava disposto a não fazer distinção entre mórmon e não mórmon; estava disposto a viajar pelo Território e conviver com o povo, comparecer a suas reuniões públicas, e falar-lhes, como faria se estivesse em qualquer outro lugar. Isso ele fez, e foi levantado contra ele como um crime, como uma razão para que não continuasse a ocupar o cargo. E um funcionário importante, nada menos do que o Subsecretário do Interior, foi enviado para averiguar se essas coisas eram realmente verdadeiras. E este funcionário do governo, um cavalheiro reconhecido por sua eficiência, e que servira três mandatos no Congresso com crédito para si mesmo e para seus eleitores; e que é considerado homem de reputação nacional, e que, em sua vida privada, é tido como muito exemplar, por nenhuma outra razão senão a de conviver com o povo "mórmon", tratando-o como concidadão, foi destituído do cargo. ¶
Aludo a essas coisas não para criticar em particular, nem para amargurar vossos sentimentos por causa do tratamento que recebestes, este não é meu motivo; mas para chamar vossa atenção para o fato de que, entre outras coisas, temos de ensinar a esta nação e mostrar a todo o mundo que, embora amplamente maioria neste Território, aprendemos a grande e mais importante lição que um cidadão pode e deve aprender, a saber, a da obediência. Alegro-me de que assim seja. Alegro-me em saber que os Santos dos Últimos Dias estão dando o exemplo a seus concidadãos por toda a união, nesse aspecto. Continuará assim? Continuaremos a viver como vivemos hoje--privados dos direitos a que temos direito? Certamente, por algum tempo, até que, na Providência do Todo-Poderoso, sejamos capacitados a assumir a posição que nos pertence de direito, e a receber os direitos aos quais plenamente fazemos jus. O tempo virá, e não está distante--embora ocasionalmente possamos nos cansar de esperar, e nos perguntemos por quanto tempo será adiado--mas permiti-me dizer-vos que os sinais dos tempos prenunciam para nós um grau de liberdade muito maior do que possuímos hoje, ou mesmo do que ousamos antecipar. E, como tenho dito com frequência--pois jamais deixei de declará-lo--que os Santos dos Últimos Dias, ou "mórmons", como somos chamados, esperam que seja seu destino sustentar a liberdade constitucional neste continente, e preservar nosso governo, e suas formas, de derrubada e destruição. Fui ensinado, desde a minha meninice, que este seria o destino dos Santos dos Últimos Dias, e este povo tem sido treinado na mesma crença, e treinamos nossos filhos a aguardá-lo, e a acalentar o amor à liberdade civil e religiosa em seu coração, a tolerância para com todos os homens de todo credo, de toda nação, de todo idioma e de toda cor, para que todos os filhos e filhas de Adão, sem exceção, que habitam esta vasta terra, possam desfrutar da inestimável bênção da liberdade, e que será nosso favorecido e honroso destino, no curso dos acontecimentos humanos, por mais improvável que pareça hoje ser o caso, preservar a liberdade constitucional nesta terra, que Deus disse que seria uma terra de liberdade para todos os que nela habitarem justamente. Já disse, e creio firmemente, que o dia certamente virá em que o povo destas montanhas se tornará um grande fator na resolução de diferenças, na preservação dos direitos humanos no futuro, nos grandes conflitos que parecem prestes a explodir sobre nós a qualquer momento. Contemplai a condição do Leste hoje! Os elementos de destruição estão amplamente espalhados na sociedade, e, em vez de serem sufocados e apaziguados, são mais ou menos fomentados e abrigados, e estão amadurecendo rapidamente; e, quando surgirem certas contingências, é provável que expludam, e isso, também, para a morte e miséria de muitas almas. Pensai no sentimento que existia treze meses atrás, quando não se sabia quem seria o Presidente dos Estados Unidos, ou se teríamos outro Presidente ou não. Aquele foi um tempo em que as memórias da recente guerra se impuseram à atenção de homens sérios e ponderados. Lembravam-se do sangue, dos sacrifícios e dos terríveis horrores daquela luta, e recuavam ante o mero pensamento de sua repetição. Não fosse a grande guerra civil tão recente, e tão viva a lembrança de seus horrores, especialmente entre o povo do Sul, sem dúvida teria havido um conflito armado antes que o Presidente pudesse ter sido empossado na cadeira presidencial. Mas os homens recuaram diante do terrível arbítrio da guerra, e preferiram submeter-se mesmo ao que criam ser errado, concordando com um acordo, por considerá-lo melhor do que a guerra. ¶
Nossa posição, como povo, em muitos aspectos, é uma pela qual podemos ser extremamente gratos. Podemos parabenizar-nos por estarmos nestas montanhas, uma terra de liberdade, uma terra de franquia. Nenhum homem, que seja homem, pode respirar este ar e ser escravo. Quando olha para aquelas montanhas imponentes, erguendo seus grandiosos e altivos picos ao céu, e respira o ar puro da liberdade, e seus pulmões se expandem com ele, sente que jamais poderia curvar-se à escravidão, nem seus filhos depois dele. Há uma raça surgindo nestas montanhas cuja influência e poder, mais cedo ou mais tarde, hão de se fazer sentir na formação do futuro desta nação. Não é preciso ter receio a esse respeito. Sigamos o rumo traçado para nós, submetendo-nos, se necessário, à injustiça, mas jamais deixando de protestar e de contendê-la, não obstante; que nosso protesto contínuo se manifeste, para que se saiba que compreendemos nossos direitos, e que estamos dispostos a mantê-los, tanto quanto pudermos, sem violência. Continuemos a seguir nosso rumo com paciência e união, apresentando uma frente inquebrável ao inimigo, não tendo traidores dentro, nem facções, nem contendas ou desavenças, enterrando nossos pequenos ressentimentos e sentimentos, tendo o único grande e grandioso objetivo a realizar, a saber, o estabelecimento da verdade e da retidão sobre a terra, para que, eventualmente, se encontre um lugar e um povo dignos dAquele que virá, e a quem pertence o direito de reinar. E, seguindo fiel e diligentemente o rumo que Deus traçou, podeis contar com isto: a estrela da alva se levantará, e o alvorecer daquele glorioso dia será testemunhado por todos os que partilharem e se empenharem nesta obra. Mas quantos trabalhos recaem sobre nós, e como se acumulam e se amontoam sobre nós! O trabalho de erguer o povo e de uni-lo, de proporcionar trabalho adequado aos desempregados e a nossos filhos e filhas, para que não haja ociosidade em nossa terra, para que não haja necessidade de se organizarem sociedades sindicais, opondo o trabalho ao capital. Quão necessário é que ouçamos as palavras de sabedoria e instrução que nos foram dadas, aconselhando-nos a nos organizarmos, e a arranjarmos nossos assuntos temporais, de tal modo que não haja um único indivíduo, em toda a nossa terra, que deseje trabalhar e fique desempregado, mas que todos tenham este abençoado privilégio, pois, quando os homens trabalham, ficam longe do mal. Lembrai-vos do velho ditado: "O cérebro de um homem ocioso é a oficina do diabo." Queremos banir a ociosidade; como o faremos? Organizando-nos, e fazendo com que todo Presidente de Estaca e todo Bispo façam do estudo e do objetivo de sua vida proporcionar emprego a todo homem sob sua presidência imediata que o deseje. E assim nos preservaremos, e nossos filhos encontrarão emprego em casa, em vez de se espalharem para fora, indo daqui para ali; e nossas filhas, também, encontrarão então maridos capazes de sustentá-las honrada e adequadamente, e assim o matrimônio será promovido na terra. Nossos rapazes, quando chegarem aos anos de maturidade e puderem sustentar uma esposa, deveriam casar-se, e não deveria haver um bom número de jovens crescendo em nosso meio que deveriam estar, mas não estão, casados. Embora não faça este comentário para se aplicar a casos individuais, sou firmemente da opinião de que um grande número de homens solteiros, com mais de vinte e quatro anos de idade, é um elemento perigoso em qualquer comunidade, e um elemento sobre o qual a sociedade deveria manter um olhar vigilante. Pois todo homem, conhecendo-se a si mesmo, conhece como é constituído seu semelhante; e, se os homens não se casam, são muito propensos a fazer algo pior. Então, irmãos, encorajai nossos jovens a se casarem, e cuidai para que lhes seja proporcionado emprego, de modo que possam casar-se. ¶
E depois há a educação de nossos filhos. Oxalá pudéssemos conceder-lhes, em todo o sentido da palavra, uma educação apropriada, para que se tornassem os iguais de qualquer povo. Nossos filhos são notáveis pelo brilho de seu intelecto. Professores vindos do leste e do oeste dizem que nunca viram crianças receberem o conhecimento com mais facilidade do que as crianças destas montanhas. Deveríamos empenhar todo o esforço em nosso poder para educar nossos filhos, proporcionando-lhes os melhores recursos, para que nossas filhas e filhos possam ser educados e talentosos. E, ao mesmo tempo, ensiná-los a trabalhar. Digo a minhas filhas que quero que aprendam a lavar, a costurar, a cozinhar, e a se tornarem as melhores donas de casa; e que, então, pouco me importa quanto mais possam saber de música e de outros dotes, para que estejam aptas a conviver e a se sentirem à vontade na melhor sociedade. Tanto as meninas quanto os meninos deveriam ser treinados de tal modo que conferissem dignidade ao trabalho; e a ideia, prevalente entre algumas pessoas, de que, por serem talentosas, as meninas ficam mimadas e inaptas para o trabalho, ou para as tarefas domésticas, deveria ser reprovada. ¶
Pensemos nestas coisas depois que nos separarmos e voltarmos para casa; e procuremos levar em nosso peito o espírito desta Conferência, e difundi-lo entre o povo que não está presente. E vivamos de tal maneira que o desejo brote continuamente em nosso coração, não de como podemos engrandecer-nos a nós mesmos, mas de como podemos enriquecer esta comunidade, como podemos beneficiar e abençoar este povo, como podemos elevá-lo e tornar estas multidões de crianças que crescem em nosso meio mais úteis, para que possam ser ornamento à sociedade? ¶
Rogo ao Senhor que nos abençoe e nos preserve na verdade, em nome de Jesus. Amém. ¶