Pulpit

Há um Deus—A Comunhão Com Ele, um Anseio Inerente ao Coração Humano—O Homem à Sua Imagem—Macho e Fêmea os Criou—Espírito e Carne—Mortal e Imortal

Erastus Snow

1878-03-03

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.

"E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que se move sobre a terra."—Gên. i, 26—28.

Em Gên. v, 1, 2, lemos: "Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez; macho e fêmea os criou; e os abençoou, e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados."

Toda a humanidade sente instintivamente que há um Deus. Admito que muitas pessoas tentam argumentar consigo mesmas até sair da ideia e entrar num estado de incredulidade, ou de ateísmo, mas é muito difícil para elas fazê-lo, ou se convencerem de que estão certas quando pensam tê-lo feito. E o sentimento universal, que se pode considerar comum a todas as nações e povos que trazem a forma humana, é que há um Deus; e há um anseio por ele, e um desejo de adorá-lo, por mais difícil que seja para elas se satisfazerem quanto à maneira pela qual podem adorá-lo aceitavelmente.

Em certa ocasião, nosso Senhor e Salvador disse ao povo entre o qual ele ministrava: "Vós adorais o que não sabeis; mas nós" (falando de si mesmo, de seus discípulos e seguidores) "sabemos a quem adoramos, e falamos as coisas que ouvimos dele, e sabemos o que falamos; e, contudo, não recebeis o nosso testemunho."

Os judeus estavam de posse de muitas leis e ordenanças dadas a seus pais, e lhes foi ensinado o Deus verdadeiro e vivo, mas as trevas cobriam suas mentes, e muitos deles andavam em trevas ao meio-dia, e não desfrutavam da luz verdadeira, tal como estava em Cristo, no que lhes dizia respeito e ao seu Pai celestial.

As nações pagãs, como são chamadas pelos cristãos, têm ideias menos definidas de seu Criador, embora todas elas nutram a noção comum da Divindade, e procurem adorá-lo, embora possa ser de maneira rude e muito indefinida. Às vezes são acusadas de adorar a obra de suas próprias mãos — imagens feitas de madeira, de pedra, de ferro e bronze, e de vários outros materiais — e outras nações, tribos e línguas são acusadas de adorar animais de várias espécies. Têm seus elefantes sagrados, crocodilos, ou outras feras da terra, que aprendem a amar ou a temer e adorar, seja como "amigo" ou "inimigo." No entanto, quando nos familiarizamos com essas nações e descobrimos sua fé íntima, verificamos que nenhuma delas as considera senão como representações da Divindade. Não veem a Divindade diante de si, não andam, não falam, não conversam, nem comem, bebem e dormem com o ser que têm em mente como Deus, mas colocam diante de si algo que podem ver, para representá-lo, e assim que começam a erguer diante de si alguma representação da Divindade — um representante consideram tão bom quanto outro, e se é obra das mãos dos homens, é algo que corresponde às suas ideias de uma Divindade, e se está ou não em sua semelhança exata, não sabem — não tendo formado um conhecimento pessoal dele, nem possuindo semelhança alguma dele, segundo a qual possam modelar-se — uma imagem serve tão bem quanto outra, ou uma representação tão bem quanto outra. Mas todas estas não são senão representações da Divindade. E nenhuma nação foi encontrada sobre a terra, tribo ou língua, que não tenha algum modo de adoração, ou alguma fé na Divindade, e sinta a necessidade de honrar um Ser superior.

Este anseio do coração humano é universal, e a educação não o remove. Não se limita a tribos bárbaras e povos menos cultos. Todas as nações podem ter seus céticos, e em muitas nações esclarecidas dos tempos modernos há uma tendência evidente à incredulidade; contudo, aqueles que seriamente nutrem dúvidas quanto à existência de um Ser Supremo são geralmente os que têm um verniz de erudição e se tornaram desvairados nesse particular. O cientista rigoroso é obrigado a reconhecer a existência do Grande Ser Supremo. Não conseguem contorná-lo, nem chegar a nenhuma outra conclusão senão a de que a grande roda da natureza é movida por uma mão soberana, e que a regularidade e a uniformidade encontradas em todas as suas leis são atribuíveis àquele Ser Supremo, e inexplicáveis por qualquer outro princípio. É quase impossível para eles chegarem a qualquer outra conclusão, e onde, na história do mundo, está registrado de algum grande astrônomo que ele fosse incrédulo? Existe alguém dotado de mente, e cujas pesquisas o tenham capacitado a estender-se e começar a compreender e sondar a grandeza das obras da criação, que não tenha, da maneira mais humilde e reverente, reconhecido a Deus? Os que o negam, como disse antes, são os que têm uma educação parcial; e um pouco de erudição embriaga o cérebro.

Como diz o grande poeta inglês:

Um pouco de erudição é coisa perigosa! Bebei fundo, ou não provei a fonte Piéria; esses goles rasos embriagam o cérebro, e beber em fartura nos torna sóbrios de novo.

São os que adquirem um pouco de conhecimento, e começam suas pesquisas em vários ramos da ciência, mas não os sondam a fundo, que ficam desnorteados em suas imaginações, e tendem à incredulidade.

Há uma teoria na mente humana — direi que numa certa escola de filósofos modernos — para se satisfazerem e justificarem sua incredulidade; a inclinação e a tendência de seus pendores é nesse sentido. Mas é provável que os dispositivos rudes e indefinidos, e as noções e ideias errôneas do cristianismo moderno a respeito da Divindade, conduzam a esta incredulidade tanto quanto qualquer outra coisa. Os defensores do cristianismo são, em grande medida, culpados disso. Quando começamos a examinar os ensinamentos e a indagar sobre as opiniões dos principais teólogos dos tempos modernos, e a examinar seus artigos de fé e sua disciplina, os ensinamentos das diferentes denominações cristãs sobre o assunto da Divindade, não nos admiramos de que o pensador reflexivo e cuidadoso repudie suas noções rudes.

A antiga Igreja Católica, que se autodenomina Santa Igreja Mãe, a Igreja Anglicana e a Igreja Luterana — os dois ramos mais extensos de dissidentes da Igreja Católica — e a maioria das denominações protestantes menores, todas declaram a seus seguidores que Deus é um espírito, sem corpo, partes ou paixões. Algumas omitem a palavra paixões, mas todas dizem que ele é sem corpo, ou partes; e, quando tentam localizá-lo, não o localizam em parte alguma. Seu centro está em toda parte, sua circunferência em nenhuma. Sua forma talvez seja mais bem descrita na linguagem pitoresca de Parley P. Pratt, "uma meia sem pé e sem perna," sentada no alto de um trono sem topo, muito além dos limites do tempo e do espaço; aquele lugar celestial desconhecido sobre o qual algum poeta louco cantou. E somos convidados a crer nesse ser, a prestar-lhe obediência e a adorá-lo. O pensador cuidadoso diz: "Não posso; é impossível para mim crer num ser que não tem corpo, nem partes, nem paixões, e que não está localizado em parte alguma; não posso concebê-lo." O pensador erudito diz: "Não posso conceber tal ser, nem ninguém mais pode concebê-lo. Não está dentro da esfera e do alcance de nossa compreensão." É simplesmente coisa nenhuma; e, no exercício de suas faculdades racionais, ele opta por não crer em seus dogmas, e é considerado por eles um incrédulo. Contudo, o verdadeiro filósofo não é um incrédulo. Ele é incrédulo apenas quanto àquelas ideias vagas e teorias que, em si mesmas, são monstruosidades. Contudo, na ausência de um verdadeiro ensino religioso, e sendo ensinados pelo mundo cristão de que as Escrituras não significam o que dizem, e devem ser tomadas em algum sentido misterioso, chegam à conclusão de que não sabem nada sobre o verdadeiro caráter da Divindade, e que não é de sua alçada ensiná-lo, senão à medida que aprendem a conhecê-lo examinando suas obras. Mas, examinando suas obras, aprendemos que ele é um Ser de ordem e de lei, e que todas as coisas são governadas pela lei. Quer examinemos os átomos mais diminutos sob poderosas lentes no mundo molecular, escrutinados com o auxílio do microscópio, quer estudemos as obras de Deus nos vastos mundos inumeráveis que giram em meio ao poder de Deus, encontramos a mesma ordem. "Todas as coisas são governadas pela lei."

Se estudarmos a fisiologia ou a anatomia, somos levados a exclamar com o Salmista de outrora: "De um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito," e a ver uma bela harmonia em todas as partes, e um desenho dos mais requintados. Isto se comprova pelo exame das várias partes da forma humana. E cada órgão é adaptado ao seu uso especial, e ao seu propósito especial, combinando-se num todo, uma grande união — um pequeno reino composto de muitos reinos, unidos e constituindo o grande todo, o ser a que chamamos homem, mas que, na linguagem destas Escrituras, foi chamado Adão — macho e fêmea os criou, e chamou o seu nome Adão, o qual, no original em que estas Escrituras foram escritas por Moisés, significa "o primeiro homem." Não houve esforço algum para distinguir entre uma metade e outra, chamando uma de homem e a outra de mulher. Esta foi uma distinção posterior, mas a explicação é esta — um homem, um ser, e ele chamou o seu nome Adão. Mas ele os criou macho e fêmea, pois eram um, e ele não diz à mulher multiplicai-vos, e ao homem multiplicai-vos, mas diz-lhes: multiplicai-vos e reproduzi vossa espécie, e enchei a terra. Fala-lhes como pertencendo um ao outro, como constituindo um só ser, e como organizados à sua imagem e conforme a sua semelhança. E o Apóstolo Paulo, tratando deste assunto da mesma maneira, diz que o homem foi criado à semelhança de Deus, e conforme a expressa imagem de sua pessoa. João, o Apóstolo, ao escrever a história de Jesus, fala da mesma maneira: que Jesus estava à semelhança de seu Pai, e expressa imagem de sua pessoa. E se as revelações que Deus fez de si mesmo ao homem concordam e se harmonizam com esta teoria, e se a humanidade fosse mais crente, e aceitasse a definição simples, clara e evidente da Divindade, e a descrição de si mesmo que ele nos deu, em vez de buscar algum grande mistério, e procurar achar a Deus onde ele não está e como ele não é, todos poderíamos compreendê-lo. Não há grande mistério nisso; não há mais mistério nisso do que há a nosso respeito, e em nossa própria relação com nosso pai e nossa mãe, e a relação de nossos próprios filhos conosco. Aquilo que vemos diante de nossos olhos, e que experimentamos de tempos em tempos, dia após dia, e ano após ano, é uma exemplificação da Divindade.

"O que," pergunta alguém, "quereis dizer que devemos entender que a Divindade consiste de homem e mulher?" Certamente que sim. Se creio em algo que Deus jamais disse a respeito de si mesmo, e em qualquer coisa pertencente à criação e organização do homem sobre a terra, devo crer que a Divindade consiste de homem e mulher. Ora, isto é simplificar até nosso entendimento, e o grande mundo cristão estará pronto a abrir a boca e gritar: "Blasfêmia! Sacrilégio!" Abrindo bem os olhos e bem a boca no mais completo espanto. O quê! Deus, homem e mulher? Os shakers dizem que sim, e Ann Lee diz: "Cristo veio primeiro na forma de homem, e agora vem na forma de mulher," e ela era essa forma.

Então, estes cristãos — dizem que ele não tem forma alguma, nem corpo, nem partes, nem paixões. Um partido diz que ele é homem, e o outro diz que é mulher. Eu digo que é ambos. Como sabeis? Apenas repito o que ele mesmo diz de si: que criou o homem à imagem de Deus, macho e fêmea os criou, e chamou o seu nome Adão, o qual, em hebraico, significa o primeiro homem. De modo que os seres a quem chamamos Adão e Eva foram o primeiro homem colocado aqui nesta terra, e o seu nome era Adão, e eles eram a expressa imagem de Deus. Ora, se alguém está disposto a dizer que a mulher está à semelhança de Deus e que o homem não estava, ou vice-versa, digo que ambos estais errados, ou então Deus não nos disse a verdade.

Às vezes ilustro este assunto pegando um par de tesouras, se tenho uma, mas então todos sabeis que são compostas de duas metades, mas são necessariamente partes uma da outra, e, para realizarem seu trabalho uma para a outra, como foi planejado, pertencem juntas, e nenhuma delas está apta a realizar seu trabalho sozinha. E por esta razão diz São Paulo: "o homem não é sem a mulher, nem a mulher, sem o homem, no Senhor." Em outras palavras, não pode haver Deus, a menos que seja composto do homem e da mulher unidos, e não há, em todas as eternidades que existem, nem jamais haverá, um Deus de nenhuma outra maneira. Tenho outra descrição: nunca houve um Deus, e nunca haverá, em todas as eternidades, senão sejam feitos destas duas partes componentes; um homem e uma mulher; o macho e a fêmea. Alguns dos que estão dispostos a criticar dirão: como explicareis a ideia de uma pluralidade no departamento feminino? Aqui se abre um assunto que envolve filosofia e a propagação filosófica de nossa espécie, e envolve os grandes princípios da virtude, e as leis que governam, ou deveriam governar, através de toda a eternidade, o comércio dos sexos; e quanto mais forem examinados à luz da verdadeira filosofia e revelação, mais se provará que a sabedoria superior de Jeová ordenou que, no tipo superior da Divindade, eles não são limitados em sua união dos sexos; refiro-me ao princípio feminino. Por outro lado, todas as leis que governam o comércio dos sexos, e os resultados que fluem delas na procriação de nossa espécie, mostram que a violação das leis que Deus ordenou para governar e controlar o comércio dos sexos produz doença, morte e deterioração da família humana; deteriora o poder vital e a força física e a longevidade, e tende a enfraquecer, diminuir e destruir a raça humana, em vez de edificar, sustentar e fortalecer; ao passo que, por outro lado, o confinamento estrito de uma mulher a um só marido tende a tudo o que é encantador, à organização e ao governo da família, e a classificação dos seres humanos em grupos, em famílias e reinos, tende a aumentar os poderes vitais, a resistência e a longevidade; e, em todos os sentidos, realiza o grande objetivo da criação.

Há uma teoria proposta pelo Sr. Darwin, e outros, dessa escola de filósofos modernos, que se tem chamado, nos últimos anos, a teoria da Evolução, de que o homem, em nosso estado presente sobre a terra, não é senão a sequência e o desdobramento de um avanço constante desde a ordem mais baixa da criação, até o tipo presente do homem, e de que avançamos passo a passo desde a ordem mais baixa da criação, até que, por fim, o homem foi formado sobre a terra em nossa esfera presente de ação; em suma, que nossos bisavós eram macacos e símios. E quanta satisfação estes filósofos têm em contemplar seus avós macacos, ficamos a conjecturar; mas tais são as teorias propostas por alguns de nossos filósofos modernos. Mas nada encontramos sobre a terra, ou na terra, nem debaixo da terra, que indique que qualquer destes macacos ou símios, ou qualquer outra ordem de criação abaixo do homem, jamais tenha realizado algum grande feito. Até onde a história desta terra é conhecida, escrita ou não escrita, quer escrita em volumes de livros, quer gravada em placas metálicas, quer encontrada impressa em rochas, nem os geólogos, nem quaisquer outros cientistas jamais conseguiram nos mostrar algum grande feito destas ordens inferiores de seres que indicasse haver neles tal vitalidade capaz de desenvolver, em seu progresso futuro, a ordem presente de seres a que chamamos homem. Mas, se há alguma verdade na história que nos foi dada por Moisés, este ser a que chamamos homem é apenas Deus em embrião. E Moisés nos diz que o Criador conversou com este homem a quem chamou Adão, composto de macho e fêmea. Conversou com eles, mostrou-se a eles, falou com eles em diferentes ocasiões, deu-lhes instruções, deu-lhes sua lei, visitou-os repetidamente em seu novo lar, no lugar que chamamos Jardim do Éden, o jardim que o Senhor plantou para o homem — a leste, no Éden. E depois de ele ter sido expulso da presença de seu Criador, do Jardim, e o véu ter sido corrido entre ele e seu Criador, contudo, de tempos em tempos, Deus costumava afastar aquele véu e mostrar-se, e não apenas verificamos que Adão e Eva tinham frequente comunicação com seu Criador e falavam com ele pessoalmente, como falamos com nossos filhos e eles conosco; mas verificamos que muitos dos descendentes de Adão obtiveram privilégios semelhantes de ver seu Criador, e de falar com ele, recebendo instruções dele. Enoque, o sétimo desde Adão, dizia-se que andou com Deus, e desfrutou este privilégio por trezentos anos. De tempos em tempos o véu era afastado, e sempre que ele desejava, e era conveniente receber instruções e conselhos de seu Pai e Criador, ele desfrutava este privilégio, e o Pai vinha e se mostrava a ele e falava com ele. O mesmo se pode dizer de Noé e de Abraão, que conversaram com ele, e as Escrituras nos dizem, além disso, que Abraão matou o bezerro cevado, e preparou uma refeição saborosa, e a pôs diante dele, e ele comeu com ele.

Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo nasceu da Virgem Maria, dizem-nos as Escrituras; e ela testemunhou disso, e houve muitas testemunhas deste fato, e o registro nos ensina que ele foi gerado pelo poder de Deus, e não de homem, e que ela não teve relação alguma com homem mortal na carne até depois de dar à luz o Salvador, que é chamado o Filho de Deus. Direi também que Adão foi chamado o Filho de Deus.

Mateus, ao dar a genealogia de Jesus Cristo, traça-a retrocedendo desde sua mãe, através da linhagem dos pais, até Davi, de Davi até Abraão, de Abraão até Noé, e de Noé até Adão; quando chega de volta a Adão, diz: "o qual era filho de Deus." Mas Jesus foi gerado pelo poder de Deus, e não por um mortal na carne. E o Novo Testamento nos diz que Deus enviou seu anjo para visitar aquela bela Virgem Maria, e fazer-lhe saber que ela fora escolhida do Senhor para ser a Mãe de Jesus, que haveria de ser o Salvador deste povo. E o mensageiro, ou o anjo, enviado a ela, tinha o propósito de preparar sua mente, seu coração e sua fé para esta grande obra à qual o Senhor a escolhera. E ele lhe disse: "Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o Santo que de ti há de nascer será chamado Filho de Deus." Este Jesus, portanto, participou desta natureza divina; participou também da natureza humana, mortal, por meio da mãe. E, por ter participado da natureza humana — a mortal, por meio da mãe — ficou sujeito à morte, o mesmo que todos os outros seres mortais; pois a morte passou sobre nossos primeiros pais, Adão e Eva, por terem participado dos frutos da terra, seus organismos foram por eles infectados, e o sangue formado em suas veias, composto dos elementos da terra de que participaram, continha as sementes da dissolução e da decomposição. E este sangue, circulando em suas veias, feito dos frutos da terra — daquilo de que participaram — que formou sua carne, e fez os depósitos que constituíram seus músculos, seus ossos, artérias e nervos, e cada parte do corpo, tornou-se mortal, e este fluido circulante em seus organismos produziu um atrito que, por fim, desgastou a maquinaria de seu organismo, e o trouxe à decomposição, de modo que já não era mais habitável para que seus espíritos nele morassem, e sobreveio a morte; e este foi o decreto do Pai: "No dia em que participardes deste fruto, morrereis." Mas esta morte foi a morte do mortal, e não do imortal. A dissolução do tabernáculo mortal, que era o revestimento exterior de seu espírito. Como disse, o homem foi criado, macho e fêmea, e dois princípios estão fundidos em um; e o homem não é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor; e não há Senhor, não há Deus em que os dois princípios não estejam fundidos, nem podem estar; e nunca poderemos esperar alcançar o poder eterno e a Divindade por nenhum outro princípio. E não somente isso, mas esta Divindade, composta de duas partes, macho e fêmea, é também composta de dois elementos, espiritual e temporal. Ou, em outras palavras, dois organismos; um capaz de habitar dentro do outro. O espírito habitando dentro do tabernáculo exterior, correspondendo ao espírito o que nossa vestimenta corresponde a este corpo, como uma cobertura, um escudo e uma proteção. O espírito também é um elemento. Não é um nada imaterial, como alguns imaginam. Lemos sobre coisas materiais e imateriais, e tais termos são usados pelos homens por falta de linguagem mais adequada para representar corretamente as ideias; mas, em verdade, não existe tal coisa como substância imaterial. Embora nos digam que Deus é uma substância imaterial, e leiais as descrições filosóficas da Divindade feitas por alguns destes eruditos teólogos, e tudo se reduz a uma imaterialidade ou a coisa nenhuma. Mas não existe tal coisa como substância imaterial no sentido estrito da palavra; e a imaterialidade, quando rigorosamente definida, é apenas outra definição para coisa nenhuma. Mas usamos estes termos apenas comparativamente, para comparar uma coisa com outra, e dizemos que uma coisa é material porque podemos tocá-la com estas mãos, e podemos manuseá-la com estes corpos mortais, podemos vê-la com estes olhos mortais, e ela é visível à vista, ao tato, e assim por diante, e por isso a chamamos material; e o que não é visível a estes olhos naturais, e o que estas mãos grosseiras não podem sentir, chamamos disso imaterial ou intangível; mas estes são apenas termos comparativos.

Se o véu fosse afastado, e pudéssemos ver os espíritos daqueles que uma vez viveram aqui na carne, e que passaram para além do véu, ou foram separados de seus tabernáculos, e agora existem no mundo espiritual, se o véu fosse afastado e pudéssemos vê-los, se esta segunda vista, esta vista espiritual, nos fosse concedida, de modo que pudéssemos olhar pelos olhos de nossos espíritos, em vez de pelos olhos de nossos tabernáculos terrenos, e pudéssemos ver estes espíritos e conversar com eles, verificaríamos que poderíamos falar com eles, e não falaríamos tampouco pelos órgãos da fala. Poderíamos falar por meio de outros órgãos. Este tabernáculo pode estar sobre o leito, os olhos fechados, e todas as sensibilidades do tabernáculo suspensas por algum tempo, e ainda assim o organismo da vida pode ser mantido pela circulação do sangue, e pelo movimento do coração, a maquinaria de nosso organismo pode ser mantida em movimento, e, por algum tempo, preservada da decomposição e dissolução, enquanto o espírito conversa com espíritos. Alguns chamam isto de transe. Nas escrituras, e em outros lugares, chama-se a isto visão. É simplesmente o espírito dentro de nós desfrutando o privilégio mais elevado de conversar com espíritos, ver coisas espirituais e conversar com espíritos ou seres imortais; mas eles não conversam por meio destes órgãos da fala, nem veem por meio destes olhos naturais, mas veem pelos olhos de seu espírito, e conversam com os órgãos da fala que pertencem ao espírito, e se os espíritos dos homens não possuíssem as faculdades e o poder de comunicação, e de conversar e manter conversação uns com os outros antes de virem para este tabernáculo, jamais falariam neste tabernáculo. Isto é apenas uma arte; esta arte da fala — este poder da vista — da audição. A fala não é algo peculiar ao tabernáculo, e pertencente a este tabernáculo. Pertence ao espírito, e o espírito ensina o tabernáculo; e o espírito faz uso do tabernáculo. Assim que se encontra incorporado neste tabernáculo, começa a usar os dedos e as mãos do tabernáculo, e faz destes seus servos. No momento em que é separado, este tabernáculo jaz sem sentidos. Tem boca, dentes, língua e órgãos da fala, mas não pode usá-los. Tem olhos, mas não pode ver. Tem ouvidos, mas não pode ouvir, e não tem poder de usar estes órgãos. Não pode pôr-se em movimento, não pode manter-se em movimento; é o espírito que faz tudo isto. E quando o espírito é separado do tabernáculo, ainda retém o poder de ver, ouvir, sentir, provar, cheirar e conversar; mas o tabernáculo perde todos estes poderes, no momento em que o espírito parte.

Ora, o que é este espírito? É uma substância imaterial? Não? Como disse antes, isto é apenas outra definição para coisa nenhuma. É um ser precisamente como somos vistos aqui hoje; e se perguntardes: "Como é o espírito do irmão Snow quando desencarnado?" Ora, basta olhardes para mim agora, e podereis responder à pergunta. Como é o espírito de minha esposa? Ora, basta olhardes para ela e ver. E se ambos fôssemos desencarnados no mesmo instante, mal saberíamos que fomos mudados, mais do que saberíamos se ambos saíssemos pela porta no mesmo instante e nos encontrássemos do lado de fora, olhando um para o outro, e não víssemos muita diferença entre nós do que havia quando ambos estávamos dentro de casa. Estando dentro ou fora dela, somos os mesmos seres. Conversando juntos? Sim. Olhando um para o outro? Sim. Exatamente as mesmas feições. Nossos tabernáculos são formados para nossos espíritos, sim, expressamente para nossos espíritos. Mas por que não foram todos feitos iguais? Por que não foram todos feitos com apenas um metro e oitenta de altura? E por que não foram todos, em todos os aspectos, do mesmo tamanho; membros, semelhança, tudo igual; o mesmo comprimento de braço? Bem poderíeis perguntar ao alfaiate: "Por que fazeis casacos e calças de tamanhos diferentes?" E dizer também à modista: "Por que fazeis vestidos e outras roupas de tamanhos diferentes?" E a resposta deles é: porque tenho tantas pessoas diferentes para vestir, e faço a roupa para servir à pessoa. E esta é a resposta a respeito dos tabernáculos. São feitos para servir aos espíritos. Digo, portanto, que Deus não apenas inclui em si o princípio masculino e feminino, o mesmo que o homem, mas também inclui os dois elementos a que chamamos espírito e tabernáculo, e estes são apenas termos comparativos, para ilustrar de maneira rude a ideia dos dois princípios, sendo o espírito de material mais refinado, possuindo maior inteligência, mais plenamente desenvolvido, e organizado para obras maiores e mais gloriosas.

Ora, a respeito da doutrina da mortalidade e da imortalidade. Pergunta alguém: "O que é mortal, e o que é imortal?" Estes são, novamente, apenas termos comparativos; o mesmo que usamos temporal e eterno. Tempo significa temporal — de curta duração. Imortal significa aquilo que se estende para dentro da eternidade? E o que é eternidade? Ora, é outro termo que usamos — um termo comparativo para medir o tempo, e dizemos tempo e eternidade. E depois as escrituras usam outros termos, eternidades, e de eternidade em eternidade; sendo estas apenas outras tantas definições, ou divisões de duração. Mas as escrituras nos dizem que apenas o tempo é medido para o homem, isto é, o termo tempo é usado com referência ao curto período pertencente à mortalidade, ao passo que eternidade é usado na medida do tempo dos Deuses, de um período a outro, e a vastidão da eternidade ninguém pode compreender. É ilustrada por Abraão, pela figura de um anel. Ele traça um anel redondo para dar uma ilustração de sua visão da eternidade. Podeis começar em qualquer ponto daquele anel e tentar encontrar o fim, e não o conseguireis, pois ele não tem fim. Podeis ter um ponto de partida em qualquer lugar do anel, mas não podeis ter ponto de parada algum, e assim as Escrituras, em outro lugar, usam mais expressamente o termo de que o curso de Deus é um círculo eterno, e por isso se chama eternidade. Mas este curso de Deus, sendo "um círculo eterno," é maravilhoso a nossos olhos, e quem pode compreendê-lo? Mas vemos, sim, vemos bem diante de nós hoje, sua imagem, o homem — macho e fêmea.

O primeiro casal foi colocado aqui numa fazenda que ele preparara para eles; uma terra que ele organizara para eles, e onde lhes deu domínio como deuses sobre ela, como governantes sobre a terra e tudo o que nela há. Lúcifer, que caiu do céu, quando estes espíritos maus de que lemos se rebelaram contra Deus, o Pai, e seus anjos que caíram com ele, empreenderam a oposição a esta terra e a arrebatar o domínio de Adão, e tem tentado isso desde então, desde o princípio até o presente, arrebatar o domínio desta terra de Adão e de sua posteridade, e o único meio pelo qual espera ou tem esperança de consegui-lo é, em suma, tomar posse dos tabernáculos de Adão, o que significa um homem e sua esposa — macho e fêmea, a quem ele chamou Adão — e governar a terra, e fazer da terra e de sua plenitude seus servos. Ele tem procurado fazer isto, mas não conseguirá realizar aquele desígnio maligno, pois o Pai providenciou uma maneira de frustrá-lo. O Salvador o deslocará. O nome de Jesus tem poder sobre todos estes espíritos maus, Lúcifer e todas as hostes do inferno que são lançadas à terra, e estabeleceram sua morada nos tabernáculos dos homens, e, em muitos casos, tiveram êxito. Não chegam a tomar completamente posse dos tabernáculos dos homens, senão em casos isolados. Há casos em que parece que estes espíritos controlam tanto os tabernáculos dos homens a ponto de encontrar o espírito natural que possui estes tabernáculos e suspender as operações de suas funções, e usurpar o controle das funções do corpo, e fazer estes órgãos da fala falarem a linguagem dos demônios, e fazer estes tabernáculos realizarem as obras perversas do maligno; enquanto o espírito que possui, e deveria controlar este tabernáculo, está atado, por assim dizer, de mãos e pés; e onde estes poderes e funções estão assim suspensos, nestes casos isolados, chamamo-los de maníacos, porque seus poderes naturais estão suspensos, e estão sob o domínio dos demônios. Mas outros, e isto nos inclui a todos nós, são mais ou menos influenciados por espíritos maus, que incitam e conduzem às paixões e às concupiscências da carne; e a fazer muitas coisas em violação às verdadeiras leis da vida e da saúde, e da paz, da glória e da exaltação, e estes males a que somos incitados pela influência destes espíritos destinam-se, pouco a pouco, a nos trazer à escravidão, ao pecado e à morte, e àquele que tem o poder da morte, que é o diabo.

Ora, o termo diabo usamos também como um termo que representa um poder que está à frente da rebelião contra Deus, nosso Pai. Um poder que está à frente daquela rebelião organizada. Um poder que governa todos os espíritos maus. Ele é chamado nas Escrituras aquela antiga Serpente, o diabo, e Satanás, e Lúcifer, e uma variedade de nomes. Estes lhe são aplicados, todos representando o poder principal sobre aquela rebelião organizada, que governa e controla estes espíritos maus, e este poder detém o poder da morte sobre a mortalidade, e sobre o homem na carne. E por que e como obtêm este poder? Já disse que, influenciando os pais em primeiro lugar, e depois influenciando sua posteridade após eles, e violando as leis de seu ser, e assim se sujeitando à dissolução e à morte. A forma deste organismo não implica necessariamente dissolução e morte. É apenas os materiais que nele entram que implicam isto, e que o provocam. As sementes da dissolução e da decomposição são plantadas aqui, como disse, pela influência deste maligno, que nos leva a violar as leis de nosso ser, e que traz a morte em seu rastro. O Pai, em sua economia, previu isto, e providenciou uma maneira de escapar, providenciou uma libertação. Ele providenciou a ressurreição, um período em que os espíritos que são desnudados na morte, quando a morte natural chega, que é a separação do espírito do tabernáculo — quando esta morte natural chega, que desnuda este espírito, e o deixa em seu estado nativo despido —, ele designou um tempo em que será vestido pela segunda vez, e então, na imortalidade, com tabernáculos incorruptíveis, imaculados, que não se desvanecem. E este é o segundo vestir; isto é imortal. Este incorruptível está livre dos elementos mais grosseiros que entram nestes tabernáculos mortais, e livre destas sementes de dissolução e decomposição, e daquelas coisas que se desgastam e destroem este tabernáculo, que perecem com o uso. Aqui, então, está a vida. Comemos e bebemos e vivemos, e, contudo, o próprio comer e beber nos destrói. Participamos dos frutos e elementos da terra, e isto edifica estes tabernáculos mortais, e, quando estes forem edificados até certo ponto, o próprio processo pelo qual os edificamos volta a destruí-los, e perecem com o uso. Desgastam-se nos objetivos para os quais foram criados. Assim como nossas roupas, botas, sapatos e chapéus, perecem com o uso. Não assim com o imortal; o espírito é vestido com o tabernáculo imortal. É semelhante ao mortal? Sim; e ainda assim diferente, semelhante no que diz respeito à forma; a forma e o organismo constituídos para o espírito, e para o trabalho que há de ser realizado por toda a eternidade; mas não composto de materiais pereníveis. Aquele tabernáculo imortal, aquele incorruptível, não terá sangue algum circulando em suas veias. Está livre dos elementos grosseiros desta terra, dos frutos desta terra, dos grãos e vegetais desta terra.

Temos uma amostra deste imortal em nosso Senhor Jesus Cristo. Ele foi ressuscitado dos mortos depois de ter jazido no túmulo por três dias. As Escrituras nos dizem que ele foi vivificado pelo poder do Pai, que o ressuscitou dos mortos; e ele tinha a mesma aparência que tinha quando pereceu, suas feições eram as mesmas. Mostrou-se a seus discípulos depois de sua ressurreição, em numerosas ocasiões. Primeiro, mostrou-se a Maria, perto do túmulo onde fora ressuscitado. Quando Maria chegou ao túmulo ao raiar do dia, viu dois anjos junto ao túmulo, e eles lhe disseram: "a quem buscas?" (é claro que sabiam a quem ela buscava, mas falaram para fazê-la se abrir), e ela, supondo que fossem os guardas, na luz cinzenta da manhã, olhou para a entrada do túmulo, e viu que ele havia partido. Ali estava o lençol mortuário, e o lenço que estivera sobre sua cabeça, cuidadosamente dobrado e posto de lado, mas Jesus não estava ali, e, em sua decepção e tristeza, ela se voltou para ir embora, e viu dois homens que supôs serem os guardas, e disse: "Se o levastes daqui, dizei-me, peço-vos, onde o pusestes." Responderam: "Jesus ressuscitou, como vos disse quando ainda vivia; ide e dizei a seus discípulos que ele ressuscitou," e, ao voltar-se para ir embora, Jesus estava junto a ela. Ela o encontrou, viu que ele tinha a mesma aparência que tinha quando morreu, e o reconheceu instantaneamente. E, ao fazer o gesto de tocá-lo, como se fosse segurá-lo pelos pés e adorá-lo, disse ele: "Não me toques; ainda não subi a meu Pai, acabo de ressuscitar, tenho de ir apresentar-me a meu Pai, e então virei visitar-vos, mas não podeis me tocar ainda. Mas ide e dizei a meus discípulos que vou adiante deles para a Galileia, como lhes prometi, e irei a meu Pai." Pouco depois, mostrou-se a seus discípulos. Apareceu a dois deles na mesma tarde, quando eles caminhavam para fora da aldeia, poucas milhas fora da cidade, conversando e falando com eles pelo caminho, e revelou-se a eles no ato de partir o pão. Depois, apartou-se deles. Na vez seguinte, apareceu a onze dos discípulos, reunidos numa sala, e os instruiu. Mas Tomé, chamado Dídimo, não estava presente, e, quando lhe disseram que tinham visto o Senhor, ele não conseguia crer, e disse: "Não somente tenho de vê-lo eu mesmo antes de crer, mas tenho de sentir as marcas de suas feridas, onde os pregos foram cravados através de suas mãos e pés, meter minhas mãos em seu lado, e sentir o buraco feito pela lança quando os soldados a cravaram em seu lado, e tiraram o sangue de seu coração. A menos que eu possa fazer isto, não crerei." Assim, na vez seguinte em que os discípulos estavam juntos, e Tomé estava com eles, Jesus veio para o meio deles e mostrou-se a eles outra vez, e a primeira coisa que disse foi: "Tomé, vem aqui, mete teus dedos nos buracos de minhas mãos, mete tuas mãos em meu lado, sente a ferida como foi feita pela lança em meu lado, sente a marca dos pregos em minhas mãos e pés, e não duvides, mas crê." Nenhuma palavra havia sido dita, mas Jesus ouviu suas palavras, e conheceu os pensamentos de seu coração, e isto o tomou de surpresa. Vem agora, vem, disse ele, "Aplica agora a prova que exigiste. Sente a marca dos pregos em minhas mãos e pés, e mete tuas mãos em meu lado, e não duvides, mas crê." Tomé viu que os pensamentos de seu coração eram conhecidos e ouvidos, e as palavras de sua boca eram conhecidas e lidas, e ele exclamou de imediato: "Senhor! Basta." Bem, disse Jesus, "Tomé, agora crês porque viste, mas benditos são os que crerem, e não tiverem visto."

Sei que há muitos que pensam que devem mostrar sua grande força de espírito fazendo como Tomé fez, e jurando que não crerão em nada até vê-lo; mas Jesus diz: "Tomé, agora crês porque viste, mas benditos são os que creem, e não viram."

Ora, na primeira vez em que Jesus apareceu a seus discípulos, pensaram que era um espírito que lhes tinha aparecido, e, para lhes mostrar que trazia consigo seu tabernáculo, disse: Trazei-me algo para comer, e vos provarei que há em mim algo mais do que espírito. "Que tendes para comer?" E eles responderam: "Temos aqui peixe e mel." "Trazei-me peixe e favo de mel." E ele tomou um pouco do peixe e do mel e comeu diante deles. Ora, disse ele, "Crede; o espírito não tem carne e ossos como me vedes ter."

Aqui estava um ser imortal ressuscitado dos mortos. Em que diferia aquele tabernáculo do tabernáculo mortal? Houve uma mudança operada nele? Tinha os mesmos olhos em suas órbitas, a mesma língua em sua cabeça, as mesmas mãos e pés, com os mesmos buracos feitos ao cravarem os pregos através deles, o mesmo buraco feito em seu lado pela lança que nele foi cravada? Diz ele: "o espírito não tem carne e ossos como me vedes ter," e usou os mesmos dentes, os mesmos órgãos, e comeu diante deles, e lhes mostrou que ali estava seu tabernáculo. Então, em que diferia do tabernáculo mortal? Respondo: o sangue foi derramado, e, para que o propósito do Pai pudesse ser cumprido, ele fez os soldados cravarem a lança em suas entranhas, para que tirassem a última gota do sangue de seu coração. E, quando foi ressuscitado dos mortos, foi vivificado pelo espírito, pelo espírito e poder do Pai, e a vida que havia nele não era a vida infundida pela circulação do sangue, não era isso que mantinha a maquinaria deste organismo em movimento, era o elemento chamado espírito. E esta é a diferença essencial entre o mortal e o imortal.

Como disse, uma união de dois princípios — o elemento refinado que se organiza em espírito, e o elemento mais grosseiro a que chamamos tabernáculo, organizado como uma vestimenta exterior, os dois unidos e fundidos, e os dois princípios, macho e fêmea, unidos. E para que propósito? Ora, vemos aqui, para o propósito da procriação; para o propósito do aumento sem fim, e da edificação, ampliação e extensão dos reinos e domínios da eternidade. Do contrário, por que existem todas estas vastas criações, os orbes resplandecentes, que indicam ao homem débil nesta terra inferior a existência destes mundos glorificados! Por que tudo isto, se não fossem as obras dos Deuses da eternidade em andamento, e isso continuamente? E a necessidade e a extensão disso, ninguém pode dizer; e, para usar a linguagem de Enoque, o sétimo desde Adão, disse ele: "Se as partículas desta terra fossem contadas, e milhões de terras como esta, mal seria um começo para o número de tuas criações, e tua mão está sobre todas elas." E este é o objeto que adoramos. E, não obstante o Apóstolo Paulo diga: "há muitos senhores e muitos deuses, contudo," disse ele, "para nós há um só Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo," e isto nos basta. E podemos dizer a cada criança, embora haja muitos pais e muitas mães, mas para vós há apenas um, e isto basta, isto vos basta. Honrai vosso pai e vossa mãe, e deixai que vosso pai e vossa mãe honrem seu pai e sua mãe, e esta é a corrente do Sacerdócio, e o poder que desce das eternidades ao homem na terra. E que Deus nos capacite a crescer nesta corrente, e a subir cada vez mais alto, adiante e para cima, e a nos elevarmos ao poder eterno e à Divindade. Repito-vos o que o Apóstolo Paulo disse aos efésios, em sua epístola a eles; diz ele: "Irmãos, haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus: o qual, achando-se na forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a ele." Mas, diz o sectário bigote e de mente estreita, Que blasfêmia! que o homem, na forma de Deus, aspire a ser igual a ele! Isto é precisamente a exortação de São Paulo a seus Santos daqueles dias. Continuaremos nós, na estima de Jesus, por aplicar a mesma verdade a nós, ou por usar a mesma exortação que Paulo usou com seus irmãos? E São Paulo entendia o que declarava, e desejava incutir esta mesma fé e sentimento em muitos de seus irmãos, e cultivar o mesmo sentimento, esperança e aspiração, e trabalhar e aspirar a subir e tornar-se um com Deus, porque, diz ele, "sois sua imagem, e sois dele." Por quê? Podemos aspirar a ser iguais a ele, e isto não é usurpação. Sim, Jesus, que se achava na forma de Deus, não teve por usurpação tornar-se igual a ele. Como pode ser isso? Pergunto se algum filho rouba seu pai, se cresce até se tornar igual a ele; alcança todas as perfeições de seu pai; alcança todo o conhecimento, toda a sabedoria, todo o entendimento, todo o poder, e realiza obras tão grandes quanto as que seu pai realizou? Roubou ele algo de seu pai? Perdeu seu pai algo, porque o filho alcançou a mesma grandeza, glória e perfeição? Não! As Escrituras nos dizem que Deus, ao outorgar bênçãos, nada perde. Ao dar, isso não o empobrece, e ao reter, isso não o enriquece. Ele pode transmitir luz, verdade, conhecimento, poder, sabedoria, entendimento, capacidade, elevar e exaltar suas criaturas, e torná-las semelhantes a si mesmo, e, em vez de perder algo, ele se enriquece grandemente. Está ampliando e estendendo seus domínios, está multiplicando seus reinos e sua descendência, sobre os quais está estendendo sua benigna influência, e bênçãos, e glória, e honra, para todo o sempre. Então, diz o Apóstolo Paulo, Por que vossa mentalidade estreita? Haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo, que, achando-se na forma de Deus, não teve por usurpação tornar-se igual a ele, crescendo até Cristo, nossa cabeça viva, e este é o objetivo da organização do Sacerdócio sobre a terra, e a classificação e organização da Igreja de Cristo sobre a terra. Não é para excluir e mandar para a danação, para o inferno, todos os que não subscrevem nossas ideias e crenças num instante, nem num dia, semana, mês, nem num ano, nem nesta breve existência; mas é para reunir homens e mulheres, e localizá-los e organizá-los, e classificá-los juntos, e instruí-los, e conduzi-los e inspirá-los com fé, e edificá-los, e ensinar-lhes as leis da vida e da saúde, e elevá-los para que possam exercer fé, e apegar-se às promessas de Deus, e subir por esta corrente que desce dos Deuses da eternidade a seus filhos na terra. Subindo por esta corrente até serem edificados em Cristo, nossa cabeça viva, e se tornarem um com Cristo Jesus, pois, diz o Apóstolo Paulo, Somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Jesus Cristo.

Ora, mais uma vez, aquele mesmo Paulo diz, na mesma epístola aos efésios, que Cristo estabeleceu em sua Igreja primeiramente Apóstolos, em segundo lugar Profetas, e em terceiro lugar Evangelistas, Pastores e Mestres, e dons e curas. Todos estes ele colocou em sua Igreja para o aperfeiçoamento dos Santos, e para a obra do ministério, e para o aperfeiçoamento de seu povo, a fim de que cresçam até Cristo, nossa cabeça viva, e todas as partes, bem ajustadas entre si, se tornem perfeitas nele. Aqui estão os objetivos desta organização deste Sacerdócio, e as ordenanças a ele pertencentes, e o poder da santidade, que se manifesta ao homem na carne, e, por meio dele, os impele a avançar, mais rápido, mais além e cada vez mais longe, até que alcancem esta plenitude do poder eterno e a Divindade. E que não percamos de vista este alto chamado de Deus em Cristo Jesus, que veio até nós, e que não voltemos aos rudimentos pobres do mundo, mas lancemos fora as concupiscências da carne, e o orgulho da vida, e todas as vaidades e loucuras deste estado mortal, e aprendamos a apreciar nossa verdadeira posição, e nosso alto e santo chamado, e trabalhemos para nos aperfeiçoarmos por meio do Evangelho, e em obediência a suas ordenanças, até que nos tornemos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, elevando-nos ao poder eterno e à Divindade, e à perfeição que nele há, é minha oração, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Como citar este discursoErastus Snow, “Há um Deus—A Comunhão Com Ele, um Anseio Inerente ao Coração Humano—O Homem à Sua Imagem—Macho e Fêmea os Criou—Espírito e Carne—Mortal e Imortal”, (1878-03-03). Pulpit Vault, 1878-03-snow-there-is-a-god-communion-with-him. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).