Pulpit

A Bênção Resultante da Obediência à Lei—Nosso Arbítrio na Carne—As Vantagens da União—Ordem no Reino de Deus—A Guerra Eterna Entre o Bem e o Mal

Charles C. Rich

1878-02-10

Irmãos e irmãs, tenho o prazer de ter esta oportunidade de reunir-me convosco em Conferência. Alegrei-me muito ao ouvir os relatórios dos Bispos, bem como os daqueles que se dirigiram a nós. Tivemos excelentes instruções durante esta Conferência. Alegro-me de encontrar tantos dos Santos. Direi, porém, que me sinto muito fraco, e desejo as orações dos Santos, para que eu possa instruir-vos. Desejo falar para vossa edificação, mas isso depende do Espírito Santo, sem o qual ninguém pode instruir e edificar os Santos. Confio que o Espírito do Senhor estará conosco nesta tarde, para que eu possa, porventura, ser um meio de vos abençoar e edificar nos princípios do Evangelho. Lerei, para vossa instrução, do livro de Doutrina e Convênios, e vos darei algumas chaves com as quais podereis desvendar os tesouros do Evangelho. Página 424, nova edição: "Minha casa é uma casa de ordem, e não de confusão," etc. Página 421: "Todas as bênçãos se baseiam na lei," etc. Li estas passagens porque, para mim, elas são importantes, e são importantes também para vós. Aprendemos, pelas revelações que acabamos de ler, que foi ordenado antes da fundação do mundo como as bênçãos do Evangelho haveriam de ser obtidas, e por que algumas pessoas não podiam alcançar certas bênçãos. Somos informados de que elas não podiam obter estas bênçãos porque não observavam a lei. Como Santos dos Últimos Dias, é importante que entendamos os princípios da salvação, para que possamos compreender e obter todas as chaves, princípios e bênçãos a eles pertencentes. Passou-se muito tempo depois de o Profeta Joseph Smith ter recebido as chaves do reino de Deus, e depois de Hyrum e outros terem recebido muitas bênçãos, até que o Senhor deu a Joseph uma revelação, para mostrar-lhe a ele e a outros como poderiam pedir e receber certas bênçãos. Lemos nas revelações de São João que os Santos hão de receber uma pedra branca, "e na pedra um novo nome, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe." Joseph nos diz que este novo nome é uma palavra-chave, que só pode ser obtida por meio das investiduras. Esta é uma das chaves e bênçãos que serão outorgadas aos Santos nestes últimos dias, pela qual devemos ser muito gratos.

Nas primeiras instruções que recebemos dos Élderes, disseram-nos que devíamos arrepender-nos de nossos pecados e ser batizados, a fim de receber o Espírito Santo, e que não tínhamos direito algum sobre o Espírito do Senhor até que tivéssemos cumprido as exigências feitas a nós. Lembro-me muito bem de meus sentimentos sobre este assunto antes de obedecer ao Evangelho. Estudei cuidadosa, ansiosa e oravelmente, para que pudesse saber se era a Igreja de Jesus Cristo. Eu não queria correr risco algum no assunto, e permanecer na incerteza. Estava disposto a fazer qualquer coisa que me desse o conhecimento da verdade. Estava disposto a recebê-lo pelo ministério de um anjo, por revelação direta, ou de qualquer outra forma, mas não queria ser enganado. Cada vez que refletia cuidadosamente sobre o assunto, chegava a este ponto — as condições sobre as quais as promessas foram feitas são o arrependimento, o batismo e a imposição de mãos. O espírito então sussurrava: não fostes batizado, não obedecestes ao Evangelho; mas quando cumpri a lei, então tive um direito perfeito às bênçãos e às promessas, e as recebi, e obtive um conhecimento perfeito da verdade, e pude então dar testemunho dela a todo o mundo. Menciono estas coisas para vos mostrar os princípios sobre os quais devemos agir a fim de obter as bênçãos da salvação e da vida eterna. E posso testificar que o Senhor cumpriu suas promessas, e derramou seu Espírito sobre o povo, por meio do batismo e da imposição de mãos. Assim vemos que as chaves dadas para nossa introdução na Igreja de Jesus Cristo são tão eficazes em nossos dias quanto foram nos dias dos antigos Apóstolos. Alguns poderiam dizer: Por que não serviria igualmente alguma outra ordenança? Simplesmente porque estes foram os princípios ordenados para aquele propósito antes que o mundo existisse. Não é um traço novo no Evangelho, algo iniciado há poucos anos. Pelo que tenho lido, verificamos que são princípios eternos; que existiram e foram ordenados para nossa salvação antes da fundação do mundo, e não podem ser mudados. Devemos cumprir os princípios da lei eterna, a fim de obter bênçãos eternas. Quero gravar estes princípios em vossas mentes, pois não há "acho que sim" nem "suponho que sim" nestas coisas, pois o próprio Senhor as decretou, e testifico que são verdadeiras. Espero que estes princípios façam uma impressão duradoura em vossas mentes, para que vos dediqueis mais plenamente ao serviço do Senhor, e obedeçais fielmente a todos os mandamentos que ele nos deu, e possa dar-nos doravante.

Há outro princípio para o qual chamarei vossa atenção: a pré-existência dos espíritos. Antes de virmos a este mundo, tínhamos uma existência com o Pai nos céus. Somos seres eternos. Como sabeis disso? poderia alguém perguntar. Sabemo-lo pelas revelações de Jesus Cristo, que trazem à luz a vida e a imortalidade. Isto foi revelado a Abraão e a muitos dos antigos Profetas, e nos foi revelado nestes últimos dias. Somos informados de que, antes de os habitantes da terra terem uma existência na carne, tinham uma existência no mundo espiritual, e que era necessário virem a este mundo e serem revestidos de mortalidade. E por que era necessário? Porque não poderíamos alcançar uma exaltação sem vir para cá. Muitas pessoas pensam que este é um mundo de tristezas, e um mundo muito horrível para se viver. Assim pode parecer a algumas pessoas, mas penso que é um mundo glorioso, pois é aqui que somos capacitados a obter nossas bênçãos e investiduras. Viemos a este mundo mortais fracos e frágeis. Recebemos um arbítrio, com a oportunidade de fazer o bem e o mal. Somos convidados a obedecer ao Evangelho, que abrange princípios que dotarão o disposto e obediente de exaltação e vida eterna. Mas nosso arbítrio não nos é tirado. Temos diante de nós a luz e as trevas, o amargo e o doce, a exaltação e a degradação, a vida e a morte, e nos foram dados razão e inteligência para julgarmos e escolhermos por nós mesmos. Ao escolhermos o bem e obedecermos aos princípios da verdade, temos direito ao espírito de revelação, e somente por esse espírito podemos conhecer a Deus, o Pai eterno, e a seu Filho Jesus Cristo. Não é importante que conheçamos a Deus? Certamente é; pois conhecer a Deus, e a seu Filho Jesus Cristo, é a vida eterna. Assim, não obstante tenhamos aqui nossas provações e sofrimentos, temos igualmente alegrias e felicidade, e aprendemos a discernir e apreciar a diferença entre o bem e o mal. Também nos é dada, neste mundo, a oportunidade de crescer em fé e sabedoria, e em tudo o que conduz à exaltação e à vida eterna. E somos informados de que toda a inteligência que ganharmos neste mundo se levantará conosco na ressurreição. Ora, quem há entre os Santos que não deseja aprender algo a respeito dos princípios da vida e da salvação? Devemos, mais do que todos os povos, ser diligentes em buscar conhecer os princípios da verdade, para que possamos obter a vida eterna. Podemos usar as chaves e princípios que recebemos para obter este conhecimento, e o que há, pertencente ao Evangelho, que não possamos aprender se formos fiéis? Se não sabemos tudo o que é necessário para nosso progresso, é nosso privilégio procurar alguém que saiba. E quando entendermos como usar as chaves e princípios nós mesmos, poderemos então ensinar a outros, pois espera-se que todos os que receberam o Evangelho pratiquem seus princípios em suas vidas, e dediquem suas energias e vidas ao estabelecimento da verdade e da retidão sobre a terra. Estamos fazendo isso? Estamos cumprindo nosso dever como Santos de Deus? Ou estamos passando nosso tempo ociosa e indiferentemente? Se assim é, estamos causando dano a nós mesmos, e assim nos privamos das bênçãos prometidas aos fiéis.

Há outro grande princípio, muitas vezes trazido diante de nós, que pode ser considerado um princípio muito comum. É o princípio da União. O Salvador nos disse que devemos estar unidos, ou não somos dele. Isto nos diz respeito como Santos dos Últimos Dias? Penso que sim, mas alguns não parecem, de modo algum, preocupados com isso, apesar da palavra do Senhor, de que do contrário "não somos dele." Como podemos estar unidos de modo a sermos aceitáveis a Deus? Temos de estar unidos, não apenas em questões doutrinárias, mas em todos os outros aspectos. No que diz respeito à doutrina, estamos bastante unidos, mas não em nossos negócios temporais. Mas podemos nos tornar unidos em nossos negócios temporais, se estivermos dispostos a aprender algumas lições práticas que nos foram ensinadas, e a nos unir em sua execução; entrando nelas de todo o coração e com nossos meios, podemos então estar unidos também em questões temporais. Há apenas uma forma de estar unidos, segundo a vontade de Deus, que é sermos dirigidos em nossos negócios pelo Espírito do Senhor. Quando fomos batizados, recebemos o espírito do Evangelho, e por esse espírito obtivemos o conhecimento de sua verdade. E esse mesmo espírito que então recebemos, se continuar conosco, nos conduzirá a toda a verdade e nos revelará as coisas que virão. Precisamos de revelação a cada passo depois de sermos batizados, pois quando damos um passo, ele deve ser um passo certo, e o único passo certo que podemos dar será aquele que estiver de acordo com os princípios da verdade, conforme ditado por aqueles autorizados a ensinar e instruir os Santos. Este é o único princípio pelo qual podemos estar unidos, e quando este princípio for plenamente cumprido, então existirá união perfeita entre os Santos.

Lembro-me de certa vez estar doente, mas quase não percebi que estava doente, pois minha mente estava desperta e ativa. Durante a noite o Espírito repousou sobre mim, e os princípios do Milênio me foram revelados. Pareceu-me que tudo era felicidade e união. Ora, o que será necessário para trazer o Milênio? Em primeiro lugar, todo homem terá de aprender seu dever, e cumpri-lo. Cada um deve zelar pelo interesse do próximo tanto quanto pelo seu próprio. Ninguém fará o que conflitasse com o interesse de seu irmão, e nenhum homem infringiria deliberadamente os direitos e privilégios de seu próximo. Ora, se todos tivessem aprendido seu dever e o estivessem cumprindo fielmente, isso traria um reinado de paz e retidão, e o conhecimento cobriria a terra. Se estes princípios fossem entendidos e cumpridos, não teríamos razão para encontrar defeitos uns nos outros. Estamos buscando estas coisas? Confio que sim, e sinto-me alegre com o progresso que estamos fazendo como povo, embora estejamos muito aquém do que deveríamos alcançar. Devemos manter nossas mentes fixas neste assunto, e estar decididos a receber estas verdades, e viver por elas. Este deve ser nosso primeiro e último pensamento todos os dias, e não devemos ficar satisfeitos até realizarmos nossos desejos em retidão. Algumas pessoas pensam que algumas orações oferecidas ao Senhor serão suficientes para assegurar sua salvação. É muito bom orar, mas algo mais é exigido além de orar; por exemplo, devemos ser batizados, pois essa ordenança foi instituída para a remissão dos pecados. Precisamos de investiduras e ordenações, e estas só podem ser administradas por aqueles que possuem o Sacerdócio, pois sem estes dons não poderíamos obter uma coroa celestial. Conferimos o Sacerdócio a muitos jovens, para prepará-los e qualificá-los para futura utilidade. Queremos nossas lavagens e unções, e como podemos recebê-las sem alguém para administrá-las a nós? E ninguém poderia dá-las sem autoridade divina. As mesmas palavras poderiam ser usadas, e as mesmas ordenanças administradas exatamente da mesma maneira, mas não teriam valor algum, sem a autoridade sacerdotal. Nossos batismos, confirmações, ordenações e investiduras só podem ser administrados por aqueles que são ordenados e designados para administrá-los. A lei tem de ser cumprida a respeito destas coisas, ou as ordenanças são nulas e sem efeito. Templos têm de ser construídos, nos quais algumas destas ordenanças devem ser realizadas. Quem há de determinar sobre sua construção e administração? O próprio Senhor controla estas coisas, e autoriza quem lhe apraz.

Alguns poderiam perguntar: Por que não batizar pelos mortos, e dar investiduras nesta capela? Simplesmente porque o Senhor não o ordenou assim. A forma e a maneira pelas quais estas ordenanças devem ser realizadas foram determinadas no mundo eterno, e a menos que cumprais as exigências e obedeçais à lei, não podereis obter as chaves, e sem as chaves não podereis passar pelos anjos e pelos Deuses nos mundos eternos. Por exemplo, não podeis alcançar uma exaltação sem uma esposa, ou esposas; e vós, senhoras, não podeis ser exaltadas sem um marido. "Pois o homem não é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor." Assim disse o Apóstolo Paulo. Qual será, então, a situação daqueles que permanecem solteiros, e não alcançam uma exaltação? Aprendemos pelas revelações que eles serão anjos. Algumas pessoas pensam que os anjos são os seres mais exaltados e gloriosos no mundo eterno; mas isto é um engano. Se isso satisfizer a algum de vós receber aquela glória, a mim não satisfará. Ora, entendemos que, para obtermos uma exaltação, devemos ter uma esposa, e temos de cumprir a lei celestial, a fim de tê-la no mundo eterno. Em primeiro lugar, devemos recebê-la do homem que Deus autorizou e designou para selar para o tempo e para a eternidade, do contrário não temos direito algum sobre ela no mundo eterno. Talvez alguns não se importem muito com o outro mundo. Tais pessoas me lembram um homem que conheci na Califórnia, que conheceu e cortejou uma senhora cujo marido estava morto. Disseram-lhe que a senhora estava selada a outro homem para a eternidade; ele respondeu que não se importava, tudo o que queria era casar-se com ela para esta vida, não se importava com o outro mundo. Tal homem não alcançará uma exaltação. Algumas pessoas podem se satisfazer sem uma exaltação completa. Eu não me sinto assim. Sinto minha indignidade e minha incapacidade de falar como gostaria, e se não soubesse que era meu dever, recuaria diante desta tarefa; mas sinto que é meu dever declarar fielmente os conselhos de Deus, instruir os Santos em seus deveres, e dizer-lhes como podem obter a salvação. Quando tiver feito isto, terei cumprido meu dever. Todo homem e toda mulher podem obter e desfrutar o espírito de revelação, de modo a guiá-los no caminho do dever, e se todos formos guiados pelo mesmo espírito, e todas as nossas ações forem ditadas por suas influências, então desfrutaremos felicidade e paz.

Temos instituições cooperativas estabelecidas entre nós, e se forem conduzidas apropriadamente, serão uma bênção para nós. Como devemos conduzir nossas instituições cooperativas de modo a serem aprovadas pelo céu? Elas devem ser ditadas pelo espírito de revelação, pois, a menos que sejam ditadas e controladas por esse espírito, correm o perigo de serem derrubadas. Se edificarmos instituições sobre qualquer outro fundamento, serão derrubadas mais cedo ou mais tarde. Se estabelecermos nossas instituições de acordo com os princípios da revelação, elas serão aprovadas pelo Todo-Poderoso, e serão preservadas quando ele derrubar os reinos deste mundo. Quem não gostaria de ver as instituições cooperativas crescendo entre nós, edificadas sobre um fundamento firme? Devemos observar bem o fundamento sobre o qual edificamos, pois, a menos que ajamos segundo princípios corretos, não podemos esperar prosperar. O edifício que é erguido apropriadamente resistirá aos ventos e às tempestades e será firme e sólido. O tempo dirá se edificamos pelo espírito de revelação ou de outra forma. Podeis estar certos de que, se não o fizermos, nosso edifício será derrubado.

Dependemos do Todo-Poderoso pelo fôlego de vida, pelo pão que comemos, e por toda bênção de que desfrutamos. Não precisamos, de forma alguma, sentir-nos perturbados quando vemos um homem elevado em seus sentimentos, e agindo como se fosse alguma grande pessoa. Somos todos nós meros vermes do pó, e, na melhor das hipóteses, pobres criaturas dependentes; mas alguns homens parecem crescer cada vez mais em sua própria imaginação, e quando vemos um homem subindo cada vez mais alto em sua própria presunção, nem sempre é sensato derrubá-lo subitamente, mas dar-lhe um empurrãozinho, e quando ele fica tão alto que sua cabeça roda, podemos então ajudá-lo a descer suavemente. Temos de aprender a ser humildes, mansos e modestos, ou não podemos desfrutar o espírito do Senhor.

Há outra coisa que desejo mencionar, que é a maneira como devemos tratar uns aos outros. O princípio foi proposto antigamente: "Fazei aos outros o que quereis que os outros vos façam." Este princípio nos obriga tanto quanto obrigava o povo em dias passados, e precisamos ser tão instados a observá-lo quanto eles precisavam. Como agiríamos com o Senhor se ele estivesse aqui? Temos sua palavra de que, quando o fazemos a um destes seus pequenos discípulos, o fazemos a ele. Se vemos um irmão maltratado, não gostamos disso, e sentimos tomar seu partido. Se não gostamos de ver um irmão maltratado, deveríamos ser mais cuidadosos em não maltratar uns aos outros, pois isso desagrada ao Senhor. Que podemos dizer a respeito destas coisas? Podemos dizer: "estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que o encontrem." Todos queremos encontrá-lo? Eu quero. E vós também, então busquemos diligentemente para que possamos encontrar o caminho certo — o caminho que Deus apontou. Ele o tornou claro diante de nós, e nos disse a maneira pela qual está disposto a outorgar-nos suas bênçãos. E se não as obtivermos, a culpa não será dele. Qual seria a condição da sociedade se estes princípios fossem plenamente cumpridos? Encontraríamos um irmão e um amigo em todo lugar onde Deus é conhecido. Ninguém teria disposição alguma para prejudicar o próximo. Ninguém procuraria ferir seu irmão ou sua irmã. Não seria bom viver em tal sociedade? Em vez de os homens se esforçarem para tirar vantagem uns dos outros, e procurarem engrandecer-se e edificar-se à custa dos outros, procurariam edificar e enriquecer os outros tanto quanto a si mesmos, e, em vez de terem fome e sede das coisas perecíveis desta vida, teriam fome e sede de retidão.

Lemos no "Livro de Mórmon" que Jesus disse aos nefitas que voltassem para casa, pois não estavam preparados para receber suas palavras. Eles foram para casa e prepararam seus corações para receber a verdade. Por que não recebemos mais verdade do que recebemos? Ouvimos muitos ensinamentos e conselhos dos servos de Deus. E por que não recebemos mais? Talvez não estejamos preparados para recebê-la. Por que o Todo-Poderoso não nos outorga mais luz, verdade, inteligência e outras bênçãos que ele é capaz de outorgar? É porque não estamos preparados para recebê-las. Temos mais oferecido agora do que muitos podem receber, porque seus corações não estão preparados, estão cheios do espírito do mundo, perderam de vista os princípios da salvação, e não os compreendem. Podeis ter ouvido estas coisas pregadas muitas vezes antes, mas se não as recebestes e as fizestes vossa regra de ação, teria sido melhor para vós se nunca as tivésseis ouvido.

Fomos ensinados que temos uma grande obra a realizar ao trabalhar em nossa própria salvação, ao promover a de nossas famílias, e ao assegurar a salvação de nossos amigos falecidos. Não podemos deixar nenhuma destas coisas por fazer e sentirmo-nos justificados diante de Deus, e diante de nossos amigos falecidos quando os encontrarmos no outro mundo, e se não nos sentirmos justificados, não nos sentiremos muito felizes.

Uma oportunidade é agora oferecida pelo irmão Cummings, pela qual alguns de nós podem obter nossas genealogias, e devemos aproveitá-la o quanto pudermos. Sinto-me feliz por poder enviar aos Estados onde muitos de meus antepassados viveram e morreram, para obter os nomes de muitos de meus amigos falecidos, para que eu possa realizar por eles uma obra que eles não tiveram oportunidade de realizar por si mesmos. Temos o privilégio de ser batizados por nossos mortos, e de realizar outras ordenanças por eles, e assim nos tornarmos salvadores no Monte Sião. Há um grande trabalho a ser realizado por todo Santo fiel. Não há tempo a perder em tolices. Perde-se tempo demais em frivolidades e futilidades. É importante que façamos bom uso do tempo que nos é concedido nesta provação, pois entendemos que seremos julgados de acordo com as obras feitas no corpo. Temos diante de nós o bem e o mal — aquilo que tende a exaltar e a dignificar, e aquilo que tende a corromper e degradar. E espera-se que vençamos o mal, e que não permitamos que o mal nos vença. Por exemplo, encontramos com demasiada frequência pessoas que podem ser vencidas pelo uísque, e por esse meio destroem sua utilidade na Igreja de Jesus Cristo; foram postas à prova neste assunto, e fracassaram. Diria a tais pessoas: não recebais nem participeis daquilo que leva à destruição. Centenas e milhares foram vencidos por este mal, e agora sofrem as consequências de sua loucura. Devemos estar preparados para resistir a todo mal; se não o fizermos, traremos problemas sobre nós mesmos. Não será porque não entendemos as leis de Deus, mas porque não as observamos. Confio que meus irmãos se lembrarão destas coisas, e que elas farão uma impressão duradoura em vossas mentes. Quero que vos lembreis de que sois seres eternos, que Deus é eterno, e que os princípios que ele nos revelou são eternos — que tendes a oportunidade de recebê-los, e que deveis prestar contas de todos os vossos atos, e sereis recompensados de acordo com os princípios da retidão.

Aprendemos que há uma guerra entre o bem e o mal, e somos livres para escolher um ou outro. Aprendemos o que se exige de nós, e quais são nossos privilégios como Santos de Deus; e se não recebermos e obedecermos aos princípios da verdade, e assegurarmos as bênçãos da salvação para nós mesmos e para nossos mortos, saberemos disso quando chegarmos ao mundo eterno; saberemos que deixamos de cumprir a condição sobre a qual elas são prometidas. Não pensais que ficaremos tristes quando descobrirmos o que perdemos? Penso que sim. E por quanto tempo ficaremos tristes? Podemos pensar em algum tempo, em eras futuras, em que não estaremos tristes se perdermos esta oportunidade de obter a salvação? Quando já tivermos lamentado por milhares de anos, ainda estaremos tristes se negligenciarmos esta grande salvação; lamentaremos para sempre se não aproveitarmos nossas oportunidades e nos apegarmos à vida eterna. Quero que penseis nestas coisas, pois agora é o momento de evitar o problema que poderia vir sobre nós, e de assegurar nossa futura felicidade e exaltação, cumprindo os princípios revelados para nossa salvação.

O Senhor nos abençoou grandemente, e temos grande razão para agradecer-lhe por nossos lares nestas montanhas. Fomos guiados por ele em todas as nossas jornadas, e ele nos abençoou em todos os nossos trabalhos. Temos razão para agradecer-lhe ainda mais abundantemente pela plenitude do Evangelho, e pela promessa da vida eterna. Ele nos disse que é de sua incumbência prover para seus Santos. Ora, quanto melhores Santos formos, melhor o Senhor proverá para nós. Ele nos disse, por meio de seu Profeta, que seus Santos serão os mais ricos de todos os povos. Mas aqui surge a pergunta: somos nós seus Santos? Deve-se lembrar que devemos ser um, ou não somos dele; e para nos tornarmos um, devemos permitir que o Senhor dite todas as nossas ações e nos conduza em seu caminho. Se seguirmos nosso próprio caminho, faremos como faz o mundo. O Senhor deseja edificar um povo como o povo de Enoque, que não tinha pobres entre si. Se era necessário que tal condição de sociedade existisse então, é menos necessário agora? As nações da terra, e as grandes cidades dos Estados Unidos, estão repletas de pobres e indigentes, milhares e milhões dentre eles sofrem por falta de pão; quão gratos devemos ser por nossa condição nestas montanhas, onde desfrutamos paz e fartura, e se não somos muito ricos, também não somos muito pobres. Está escrito que o Senhor não se desagrada de ninguém, senão daqueles que não reconhecem sua mão em todas as coisas. E aqueles que se sentem pobres deveriam reconhecer nisso a mão do Todo-Poderoso e se consolar, pois a pobreza é uma coisa excelentíssima; são os pobres nos bens deste mundo, mas ricos na fé, que são os herdeiros do reino. A pobreza tem sido uma das maiores bênçãos que nos poderiam ser conferidas. Se tivéssemos sido ricos, poderíamos ter ido para o diabo há muito tempo. Mas, sendo pobres, tivemos de nos apegar ao reino de Deus, ou a nada. Muitos homens, quando enriquecem, apostatam, porque amam mais seu dinheiro do que ao Todo-Poderoso. Quando amarmos o Todo-Poderoso mais do que amamos o dinheiro, ou qualquer outra coisa, então talvez ele nos confie riquezas, mas que o Senhor nos guarde de nos tornarmos ricos, se as riquezas nos tentassem a abandonar a verdade, e nos impedissem de servi-lo e de guardar seus mandamentos. A pobreza é uma grande bênção, se em nossa pobreza aprendemos a servir a Deus. E as riquezas também são uma grande bênção, se delas fizermos bom uso. Quando chegar o tempo em que os Santos possam ser confiados com riquezas, o Senhor lhes dará tudo o que precisarem, pois tudo pertence ao Todo-Poderoso. Sou abençoado com o nome Rich, mas eu mesmo passei pela pobreza, e sei como isso se sente. Confio que ganhei algum bem com minha experiência. Tenho algo de que me queixar? Certamente que não. Não tenho queixa alguma quanto às providências de Deus, que faz todas as coisas bem.

Logo depois de meu retorno de uma missão na Inglaterra, fui chamado ao Vale de Bear Lake para superintender o povoamento dos Santos nesta região. Senti que era certo que eu viesse para cá, não porque pudesse viver melhor aqui do que em qualquer outro lugar, mas porque este era meu lugar e campo de trabalho. E há uma boa coisa que todos deveríamos aprender, que é estarmos sempre contentes onde quer que o Senhor nos tenha colocado. Mas alguém diz: quero estar num país melhor. Bem, penso que chegareis a um país melhor com o tempo, mas recomendaria que não tivésseis pressa demais. Não quero ditar demais ao povo, mas estou disposto a aconselhar-vos para vosso bem; se estiverdes dispostos a seguir meu conselho, tudo bem, sereis abençoados em vossa obediência. Gostaria de derramar bênçãos sobre os Santos. Há muitas coisas que me vêm à mente que não posso vos dizer, mas aquilo que o espírito ditar, comunicarei. Não tenho em meu coração senão os melhores sentimentos para com os Santos.

Algumas pessoas pensam que sou um mau administrador! Talvez seja. Há algumas pessoas que são administradores tão bons que ficam com toda a lã e ainda parte do couro. Ora, eu não gostaria de administrar dessa maneira. E se eu não tosquiar ninguém, nem tirar vantagem daqueles com quem negocio, nada terei de lamentar, e desfrutarei uma consciência tranquila; mas se eu fizer estas coisas, terão um efeito ruim neste mundo, e pior no próximo. Talvez aqueles que administram tão apertadamente, em prejuízo de seu próximo, não se sintam tão bem quanto a isso no próximo mundo. Se eles nos enganaram e tiraram vantagem de nós em nossas necessidades, não se sentirão tão bem quanto a isso, se nos encontrarem no outro mundo. Eu poderia contar uma história. Penso que o farei. Poderia mencionar nomes. Compreendeis que, quando um homem morre e deixa este mundo, ele não leva sua família consigo, mas ela fica ao cuidado e à proteção de outros. Certo homem bom morreu e deixou uma grande família. Um parente próximo assumiu o encargo da família e a mudou para certa cidade, construiu um moinho de cereais, do qual a família era abastecida com o pão necessário. Ele construiu o primeiro moinho naquela cidade, e foi uma bênção para o povo, bem como para a família de nosso irmão falecido. Com o tempo, algumas pessoas resolveram construir outro moinho, e a fim de obter a moagem, decidiram construir outro moinho. A consequência foi que o primeiro moinho deixou de suprir alimento para as viúvas e os órfãos. Estes irmãos esperam ir para o mundo eterno. O chefe desta família estará lá? Certamente estará. E como se sentirão estes irmãos quando o encontrarem? Não penso que se sentirão muito felizes.

O efeito produzido por sua administração foi o de tirar o pão dos órfãos. Sentir-se-ão tão bem quanto se não o tivessem feito? Penso que não. Sempre me entristeci quando pensava nestas circunstâncias e em seus efeitos. Estas coisas terão de ser enfrentadas em algum lugar. O Deus a quem professamos servir vive e observa nossas ações, e se fizermos o mal, teremos de enfrentá-lo mais cedo ou mais tarde. Façamos, então, aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem. Mas não permitais que transgressores vos privem de bênção alguma; antes sofrei o mal do que fazer o mal. Agi retamente uns com os outros, e assim estabelecei confiança por vossas boas obras. Não tomeis direito ou privilégio algum de homem ou mulher nenhum. Nem de um gentio? Não! Não tomeis direito algum de homem nenhum. Eu não gostaria de infringir os direitos de homem algum. Se o fizermos, o Senhor nos responsabilizará no dia do juízo. Ele faz nascer o sol sobre os maus e os bons, e envia chuva sobre os justos e os injustos. E assim como o Senhor trata todos os filhos dos homens, assim devemos tratar uns aos outros. Detive-vos por mais tempo do que pretendia. Minha oração é que o Senhor vos abençoe, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoCharles C. Rich, “A Bênção Resultante da Obediência à Lei—Nosso Arbítrio na Carne—As Vantagens da União—Ordem no Reino de Deus—A Guerra Eterna Entre o Bem e o Mal”, (1878-02-10). Pulpit Vault, 1878-02-rich-blessing-the-result-of-obedience-to-law. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).