Pulpit

O Derramamento do Espírito—Os Registros do Passado—As Duas Varas—As Promessas e Bênçãos de José—A Terra Santificada—Há um Espírito no Homem

Orson Pratt

1877-12-02

Chamarei a atenção da congregação para uma passagem na profecia de Joel, capítulo segundo, começando no versículo 28:

"E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos sonharão sonhos, os vossos jovens verão visões.

"E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.

"E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça.

"O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor."

Estas palavras foram proferidas pelo homem inspirado muito antes da primeira vinda de nosso Salvador; referem-se à futura condição do mundo, um estado de coisas que nunca se sabe ter existido em nossa terra desde que o Profeta ali viveu. Toda a carne estaria sob a influência do Espírito de Deus, e não apenas toda a carne humana, mas também a criação animal, e todas as coisas vivas. O efeito do derramamento deste Espírito Santo sobre a humanidade será fazer com que os jovens profetizem, tornando-os reveladores, e os mais velhos sonhem sonhos. Esta profecia foi citada pelo apóstolo Pedro no dia de Pentecostes, quando sob a influência do mesmo Espírito. Não foi mencionada, contudo, com a intenção de declarar seu cumprimento naquele momento, mas apenas para informar aos judeus incrédulos que era o mesmo Espírito de que falara Joel. Recordar-se-á que, na manhã do dia de Pentecostes, cerca de 120 discípulos haviam recebido esse Espírito. Naquela ocasião, reunidos no Templo, operou sobre eles de modo tão poderoso que os iletrados e não instruídos foram capacitados a falar em línguas diferentes, e se manifestou sob a forma de línguas repartidas, como que de fogo. O povo que presenciou estas operações maravilhou-se e admirou-se extremamente. Mas alguns estavam inclinados ao mal, e acusaram estes homens de Deus de embriaguez. Foi então que o apóstolo Pedro, a fim de corrigir qualquer falsa impressão nas mentes da congregação, levantou-se e, depois de negar a acusação destas pessoas mal-intencionadas, disse: "Isto é o que foi dito pelo Profeta Joel," citando a profecia quase palavra por palavra.

Alguns supuseram que a profecia se cumpriu então. É bem evidente para todo aquele que refletir por alguns momentos que não foi esse o caso, mas que o Espírito que repousou sobre aqueles cento e vinte era o mesmo Espírito que, nos últimos dias, seria derramado sobre toda a carne. É ainda mais evidente que não se cumpriu então, como aparece do seguinte: "Mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue," etc., referindo-se à sua segunda vinda, quando estes grandes eventos deverão suceder. Cré-se geralmente, entre as várias igrejas cristãs, que não haverá mais revelações, nem visões, nem sonhos, dados pelo Espírito de Deus, e essa crença tem sido sustentada por gerações por milhões de pessoas que se autodenominam cristãs. Mas quando esta profecia realmente se cumprir, todos os homens e mulheres sobre a terra se tornarão reveladores, recebendo dos céus informação e conhecimento pelo poder daquele Espírito derramado sobre eles. Creio que nossa Bíblia atual será então grandemente ampliada, caso suas revelações sejam escritas.

Antes que toda a carne receba o Espírito de Deus, o reino de Deus deve aparecer sobre a terra. A obra deve ser iniciada, e seu Espírito derramado sobre alguns poucos, em preparação para a vinda do Filho do Homem, para que haja novamente Profetas e reveladores sobre a terra, e a verdadeira Igreja de Deus novamente exista entre os homens, como antigamente. Chegado plenamente o tempo, neste o século 19, para se cumprirem as profecias a respeito do estabelecimento do reino dos últimos dias, o Senhor e seu anjo, como predito no capítulo 14 do Apocalipse de João, revelaram as placas originais das quais o Livro de Mórmon foi traduzido por inspiração e com o auxílio do Urim e Tumim, e verifica-se conter a plenitude do Evangelho do Filho de Deus, tal como revelado em tempos antigos aos israelitas deste hemisfério ocidental, os antepassados de nossa raça indígena. Compreendiam o Evangelho e também a lei de Moisés, esta última que haviam guardado por quase 600 anos antes de Cristo. Depois de sua crucificação e ressurreição dos mortos, foram favorecidos com seu ministério pessoal; o Evangelho lhes foi ensinado com grande clareza, e doze homens foram escolhidos neste continente, e comissionados a sair e pregar a plenitude do Evangelho a todos os habitantes da terra. Estes doze homens, como os Apóstolos do hemisfério oriental, pregaram fé no Senhor Jesus Cristo, e batismo por imersão em água para a remissão dos pecados, e a imposição de mãos para o recebimento do Espírito Santo; e sobre os que creram e obedeceram, o Espírito do Senhor foi derramado em grande medida. Tiveram visões, e sonhos, e revelações, e grandes manifestações do poder de Deus, e o povo, em geral, tanto da América do Norte como da do Sul, foi convertido e ensinado e instruído nas coisas de Deus. Contudo, isso não incluiu toda a carne, e portanto não cumpriu a profecia de Joel.

O Senhor trouxe à luz estes antigos registros, contendo a plenitude do Evangelho, que ordenou fosse pregado e publicado a toda nação e em toda língua sobre a face da terra, para que todos os seus numerosos filhos tenham a oportunidade de ouvir, e, pela obediência a seus requisitos, possam receber o Espírito Santo, o Consolador, que lhes revelará a mente e a vontade de Deus a seu respeito, e os conduzirá no caminho da verdade. Este mandamento especifica estritamente que este Evangelho deve ser pregado a todo o mundo, mas primeiro às nações gentias, e quando estiverem plenamente advertidas, e seus tempos se cumprirem, então o Senhor declarará a lei e o testemunho selados, no que se refere a pregar-lhes mais; e mais uma vez comissionará seus servos a irem aos judeus, à Casa de Israel, a quem o Senhor preparará, por seu próprio poder e sabedoria, para receber a mensagem, e não a rejeitarem como antigamente fizeram. Dezenas de milhares, entre as diferentes nações, já receberam o ministério do Evangelho, revelado pelo anjo, e foram cheios do Espírito Santo, segundo a promessa feita a toda alma que crer e se arrepender de seus pecados; e tornaram-se, em certa medida, reveladores e profetas. Este é, portanto, o começo da grande obra dos últimos dias, que nunca terá fim, até que toda a carne, que não for destruída da face da terra pelos juízos de que se falou, seja feita partícipe deste mesmo Espírito, e produza o mesmo efeito prometido.

Podereis perguntar: Por que isto não sucedeu desde o primeiro século da era cristã? Por que não se cumpriu entre as várias denominações cristãs de nosso globo? Por que não receberam sonhos, e visões, e revelações pelo poder do Espírito Santo? Pode ser mistério para alguns por que tão longo período tenha decorrido entre os povos das diferentes nações, durante o qual não tiveram revelações, nem visões, nem profecias, nem voz de Deus. A razão disso, tal como revelada pelo Senhor, é que o povo se afastou do Evangelho antigo; fizeram, como se predissera que fariam, mudanças nas ordenanças e romperam os convênios eternos; apostataram da verdade, de modo que a autoridade do Apostolado cessou entre eles; a autoridade de batizar deixou de existir, a autoridade de impor as mãos para receberem o Espírito Santo deixou de existir, e não mais eram capazes de ministrar com autoridade em nome do Senhor em nenhuma das ordenanças da Igreja. Havia muitas pessoas boas e morais que viveram. Mas onde se poderia encontrar a Igreja organizada segundo o padrão do Novo Testamento, com Apóstolos, Apóstolos vivos recebendo revelação do céu, e possuindo o poder que os antigos possuíam? Podíeis encontrar igrejas em abundância, chamadas igrejas cristãs—assim denominadas por si mesmas, algumas chamadas por certos nomes e outras por outros; todas crendo em doutrinas separadas e distintas que as caracterizavam; uma crendo em um princípio do Evangelho, e outra crendo em outro; uma crendo em um modo de batismo, outra em algum outro; uma recebendo parte do Evangelho, e outra reivindicando alguma outra parte. Esta era a condição das nações cristãs quando o Senhor enviou seu anjo para revelar a plenitude do Evangelho a Joseph Smith, um mero rapaz, suscitado especialmente pelas mãos de Deus para trazer à luz outro registro, concordando com aquele que já existia, chamado o Novo Testamento; não outro evangelho, mas o mesmo evangelho ensinado a outro ramo da casa de Israel. Nosso Pai Celestial não faz acepção de pessoas; tem tanto respeito por um ramo da casa de Israel quanto por outro; e visto que, por seu próprio poder, segundo os seus próprios registros, tirou um remanescente da tribo de José da terra de Jerusalém para este continente, teve tanta consideração por eles quanto pelos judeus, e quanto pelas dez tribos que foram levadas da terra da Palestina cerca de 720 anos antes de Cristo. Foram levadas para a terra do norte, mas não sabemos exatamente para onde. Teve igual respeito por todos estes ramos da semente de Israel; e visto que todos tinham conhecimento, antes de sua dispersão, da vinda do futuro Messias, seria perfeitamente razoável que, quando ele viesse para sofrer e ser crucificado pelos pecados do mundo, os judeus, apenas uma parte de Israel, não fossem os únicos favorecidos e abençoados com seu ministério pessoal; é perfeitamente razoável que fosse às dez tribos, e também viesse a este grande continente, onde existia parte de uma tribo, e a ela ministrasse. Sabeis que o próprio Jesus diz: "Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel." Não apenas aos judeus, pois eram só uma parte deles, tinha outros dispersos em vários países e nas ilhas dos mares. E visto que todos tinham conhecimento da vinda de Cristo, e de que ofereceria o grande último sacrifício, pondo assim fim ao rito do sacrifício que, por tantas gerações, haviam considerado sagrado, pareceria consistente que os informasse, em qualquer terra em que se encontrassem, de que o verdadeiro Messias viera e se oferecera, e portanto não mais deveriam oferecer bois e aves como sacrifícios, mas dali por diante crer nele para sempre. É também tão razoável que um ramo de Israel, existindo a milhares de quilômetros da Palestina, tendo o ministério pessoal de Cristo, guardasse um registro de seus ensinamentos, tanto quanto o fizeram na terra de Jerusalém; e que seus ensinamentos fossem tão sagrados, quando escritos, quanto o é o Novo Testamento. E é igualmente razoável que recebessem o mesmo evangelho e o mesmo espírito, e que os mesmos efeitos se produzissem entre eles, como entre estes em Jerusalém. Jesus nos informa também, no Evangelho de São João, que tinha outras ovelhas além das de Jerusalém. A passagem diz: "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém conduzir estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um pastor." Não foi aos gentios, pois estes não eram as "outras ovelhas" a que se referia; nunca foram denominados, em nenhum dos escritos das Escrituras, ovelhas de Israel, sempre foram chamados pelo seu próprio nome. Mas as ovelhas de que Jesus fala eram aquelas que ele pretendia visitar; "elas ouvirão a minha voz"—isto é, ele lhes ministraria, e o veriam e ouviriam sua voz. E a instrução que lhes deu, ordenou-lhes que escrevessem, tendo em vista sua vinda à luz nos últimos dias, em preparação para o tempo em que "a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar;" não apenas o conhecimento de Deus contido no registro judaico, mas o conhecimento de Deus contido em todos os registros. O Livro de Mórmon nos informa que as dez tribos na terra do norte terão um registro tanto quanto os judeus, uma Bíblia própria, se assim o quiserdes. De fato, Jesus, depois de ter instruído o remanescente de José nesta terra e revelado a eles seu evangelho, disse-lhes: "Mas agora vou para o Pai e vou também me manifestar às tribos perdidas de Israel, porque não estão perdidas para o Pai, pois ele sabe para onde as levou." E foi predito a seu respeito por um dos antigos profetas americanos, que viveu naqueles dias, que quando Deus trouxesse estas dez tribos da terra do norte, trariam consigo seus registros. E aconteceria que teriam os registros dos nefitas, e os nefitas teriam os registros dos judeus, e os judeus e os nefitas teriam os registros das tribos perdidas da casa de Israel, e as tribos perdidas de Israel teriam os registros dos nefitas e dos judeus. "Acontecerá que o meu povo... será reunido, e minha palavra também será reunida em uma." Não apenas o povo há de ser reunido das partes distantes de nosso globo, mas seus registros, ou bíblias, também se unirão em um.

No bom e velho livro em que crê o mundo cristão, temos uma profecia que se pode encontrar no capítulo 37 de Ezequiel, a respeito da união de dois dos registros. Vou ler a profecia. "E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo,

"Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira, e escreve nele: Por Judá e aos filhos de Israel, seus companheiros. E toma outro pedaço de madeira, e escreve nele: Por José, a vara de Efraim, e de toda a casa de Israel, seus companheiros.

"E ajunta um ao outro, para que sejam uma vara; e serão uma só na tua mão.

"E quando os filhos do teu povo te falarem, dizendo: Não nos declararás o que isto significa?

"Dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei a vara de José que esteve na mão de Efraim, e das tribos de Israel, seus companheiros, e as ajuntarei à vara de Judá, e farei delas uma só vara, e elas se farão uma só na minha mão.

"E as varas, sobre as quais houveres escrito, estarão na tua mão, perante os olhos deles."

Por que lhe foi ordenado fazer esta coisa simples, pois certamente seria considerado simples em nossos dias que um homem tomasse duas varas, escrevendo em uma por Judá, e em outra por José, e depois juntando as duas varas, e erguendo-as nas mãos para que se tornassem uma? Se nos pusermos a pregar assim, o povo pensaria que estávamos loucos. Mas era um modo familiar pelo qual o Senhor pretendia instruir seu povo, e a interpretação é esta: Estas duas varas representavam o que o Senhor faria. Diz ele: "Quando os filhos do teu povo te falarem, dizendo: Não nos declararás o que significam estas duas varas, que se tornam uma na tua mão, Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu (não Ezequiel) tomarei a vara de José," etc. E que fareis com ela? "Ajuntá-la-ei à vara escrita por Judá, e delas farei uma só na minha mão. E as varas, sobre as quais houveres escrito, estarão na tua mão, perante teus próprios olhos;" sendo uma representação da outra. Mas quando isso acontecerá? Lede o próximo versículo.

"Dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações, para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra.

"E deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel, e todos eles terão por seu rei um só rei; e nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos.

"E nunca mais se contaminarão com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com as suas transgressões, e os livrarei de todos os seus lugares de habitação nos quais pecaram, e os purificarei; assim, eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus."

Cumpriu-se isso? Fê-lo ele pela Casa de Israel, dispersa entre os gentios, trazendo-a de volta e fazendo dela uma nação na terra e nos montes, com um só rei a reinar sobre todos eles? Já houve alguma vez, desde que as doze tribos viveram, há cerca de dois mil e quinhentos anos, período em que a Casa de Judá tenha sido feita una? É bem sabido que tais coisas ainda não sucederam. Mas a profecia se cumprirá, e isso em nossos dias. O Senhor congregará as dez tribos do norte, e a Casa de Judá dos quatro cantos da terra para onde foram levados, e as congregará por todos os lados, e as trará à sua própria terra, fazendo delas uma nação sob um só rei, para nunca mais ser dividida, nem, diz o Senhor, mais se contaminarão com suas coisas detestáveis, etc. "E habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, em que habitaram vossos pais," etc. Não é coisa espiritual, é natural, e sucederá exatamente como está escrito. Como cumprirá ele esta obra? Precisamente do modo indicado neste capítulo. Tomará a vara, ou registros, de José, escrita por José, e a ajuntará à dos judeus, escrita pela nação judaica; e quando se tornarem uma em sua mão, então trará Israel dos quatro cantos da terra e cumprirá tudo o que foi dito a seu respeito.

Aqui (segurando o Livro de Mórmon na mão) apresentamos um registro deste continente americano, uma história de um ramo da tribo de José, por quase 600 anos antes de Cristo, e até 420 anos depois de Cristo, uma história dos tratos do Senhor com eles, desde que deixaram Jerusalém até que uma de suas principais nações caiu em batalha, por causa de sua apostasia; e os descendentes do remanescente restante são este povo degenerado que chamamos índios, que ainda existe. Seu registro foi trazido à luz; o Senhor o fez, não Joseph Smith. Já uniu o registro e os testemunhos de José com os de Judá, para que tenhamos evidência adicional de que Jesus é o Cristo, para que tenhamos o testemunho de duas grandes nações—a nação judaica e a nação de José que habitou nesta terra, e que depois se tornou uma "multidão de nações," conforme a bênção pronunciada pelo antigo patriarca Jacó, ao abençoar seus dois netos, Efraim e Manassés. Encontramos aqui, neste continente, uma multidão de nações, e quando chegamos a examinar a língua que todas falam, encontramos que evidentemente procedeu da mesma origem. Os antiquaristas que investigaram diligentemente este assunto testificam todos deste único fato—que sua língua evidentemente procedeu da mesma origem. Também afirmam que devem ter vivido por muitas gerações neste continente para se terem tornado tão diversificados em suas várias línguas. Sabeis que, onde o povo não tem língua escrita, como a temos nós, ela se corrompe, e à medida que se separam uns dos outros, como fez a raça indígena, ela se corrompe cada vez mais. Quando vindes a rastrear as línguas faladas pelos aborígenes de nosso país, encontrareis que têm a mesma origem; também que esta "multidão de nações" são os descendentes de José, em cumprimento da promessa que Deus lhe fez por meio de seu pai Jacó. Os patriarcas costumavam abençoar seus filhos nos dias antigos e dizer-lhes o que sucederia nos últimos dias. Jacó assim abençoou seus doze filhos; e quando chegou a José, pronunciou sobre sua cabeça uma bênção peculiar. Diz: "José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus ramos correm sobre o muro;" significando que uma parte de sua semente não permaneceria sempre com o corpo principal de seu povo, mas se ramificaria, "correria sobre o muro," partiria da terra de Jerusalém. "As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais, até a extremidade dos outeiros eternos; elas estarão sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça do que foi separado dentre seus irmãos." Os pais de Jacó eram Abraão e Isaque. Que bênçãos lhes foram dadas? A Palestina. Mas diz o Patriarca, tenho uma bênção maior, excedeu a de meus pais. Quanto excedeu a deles? Até a extremidade dos outeiros eternos. Disse ele, dar-te-ei isto, José; ou, "elas estarão sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça do que foi separado dentre seus irmãos." Quão maravilhosos são os tratos de Deus com o homem, ao cumprir as afirmações proféticas de seus servos! Houve outra bênção pronunciada sobre sua cabeça por Moisés, antes de ser tirado do meio de Israel, muito distinta do resto das tribos. Diz: "E de José disse: Bendita do Senhor seja a sua terra, com o mais excelente dos céus, com o orvalho, e com as águas do abismo que jaz abaixo," etc. Como se dissesse, sua terra será muito escolhida. Em vez de ser abençoado com terras lado a lado com o resto das tribos, seria um ramo frutífero junto à fonte, cujos ramos correm sobre o muro, até a extremidade dos outeiros eternos, e ali seria abençoado com toda espécie de clima; a zona temperada e a tórrida; as bênçãos da terra e sua plenitude, no que se refere às zonas temperadas; depois as bênçãos da terra, no que se refere à zona tórrida.

Aqui, pois, percebemos, com todas estas predições e profecias, que o Senhor, em suas providências, operou de tal modo entre os israelitas, a fim de cumprir estas promessas até a última letra. Não seriam abençoados apenas com as bênçãos da terra, mas "Bendita do Senhor seja a sua terra, com o mais excelente dos céus." Que considerarieis serem as coisas mais excelentes dos céus? Diria que as revelações dadas do céu a seus descendentes seriam tão preciosas quanto qualquer coisa que lhes pudesse ser concedida. Por que, então, se deveria considerar irracional que estas profecias, relativas aos descendentes de José, se cumprissem, que o Senhor trouxesse à luz estas coisas preciosas nos últimos dias, sob o nome do registro de José, a fim de que servisse de testemunho, em conjunto com o registro judaico, primeiro aos gentios, e depois à casa de Israel, para que o caminho estivesse preparado, a fim de que o reino que devia ser estabelecido nos últimos dias pudesse aumentar sobre a terra, em cumprimento das profecias de Daniel, até mesmo até que o Reino e a grandeza do Reino sob todo o céu fossem dados aos Santos do Altíssimo. Se Deus pretende estabelecer um Reino representado no Livro de Daniel por uma "pedra cortada dos montes sem mãos," e esse Reino há de estender-se até tornar-se, tal como o viu em visão, um grande monte que enche toda a terra, sem dúvida será apenas uma obra preparatória para o segundo advento de seu Filho, de modo que, quando ele vier em toda a sua glória, nas nuvens do céu, acompanhado dos profetas, e apóstolos, e reveladores, e do resto dos Santos, para reinar sobre a terra, é razoável supor que o Reino a ser estabelecido teria profetas, e reveladores, e homens inspirados, velhos sonhando sonhos, e jovens vendo visões. E deste modo, quando Jesus descer com seus Santos ressuscitados, encontrando um Reino preparado para ele, composto daqueles que têm o Espírito de Deus em seus corações, começará seu reinado—seu reinado universal sobre a terra, sobre todos os Santos vivos. Cumprir-se-á então aquela parte da profecia de Daniel, "E o reino, e o domínio," não apenas o Reino, mas também o domínio, "e a majestade dos reinos sob todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo, cujo reino é um reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão." Isto é, todo o povo então vivo estará sob este único Rei dos Reis, ele reinará no meio de seu povo, os Santos ressuscitados, e os Santos então vivos. E toda a carne terá o Espírito de Deus derramado sobre si.

Disse "toda" a carne, incluindo a carne dos animais assim como a humana. Isto tem sido claramente mencionado nas profecias. Isto é, naqueles dias em que "a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar," então "o leão comerá palha como o boi." Sua natureza será tão suscetível ao Espírito de Deus que será inteiramente transformada; em vez de caçar outros animais e devorar sua carne, alimentar-se-á do reino vegetal, tal como fez pela manhã da criação. Quando a terra foi feita pela primeira vez, todas as coisas foram declaradas muito boas; saiu das mãos do Criador em condição muito perfeita, mas quando o homem caiu, sobreveio uma mudança, não apenas ao homem, mas também à criação animal, e o reino vegetal caiu sob a maldição, e o poder de Satanás foi exercido sobre a terra, e a inimizade se introduziu entre o homem e os animais. Mas virá o tempo em que o Espírito de Deus será derramado sobre toda a carne e "morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará; e o bezerro e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos; e um menino pequeno os guiará," etc. Isso mudará a queda da criação, ou pelo menos a parte viva dela. A maldição então será removida. Será como o jardim do Éden, e Jesus estará ali, e ensinará seu povo, cumprindo o que está escrito nas Sagradas Escrituras a respeito de seu reinado de mil anos. Os Santos serão então ressuscitados, e também serão os habitantes deste globo. Estão cantando a respeito disso no céu, enquanto seus corpos dormem no túmulo. Lede o capítulo 5 do Apocalipse de João, que vos dará uma ideia do que os Santos do céu aguardam. As palavras do novo cântico que João ouviu cantarem eram: "Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos, porque foste morto, e com o teu sangue para Deus nos compraste de toda tribo, e língua, e povo, e nação; E para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra!" Que claro! "Reinaremos sobre a terra!" Esperam por isso; cantam a respeito; aguardam-no, tanto quanto esperamos ir com eles, e nos misturarmos com eles, e tanto quanto temos fé de que iremos, quando depusermos nossos corpos na sepultura, ir para nossa antiga morada onde outrora estivemos, para as mansões preparadas, e que nos uniremos às hostes celestiais. Não nos esqueceremos da terra; é nossa morada natal; mas, em vez de esquecê-la, nos uniremos a eles em seu novo cântico, e com eles aguardaremos com alegre expectativa o dia em que voltaremos a reinar sobre a terra, tendo sido feitos reis e sacerdotes para nosso Deus. E Jesus e os Doze Apóstolos estarão em nosso meio. E temos um relato de seus tronos. "E disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, na regeneração, quando o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel." Então as doze tribos voltarão, e doze homens, sentados em doze tronos, na terra da Palestina, reinarão sobre elas. Os doze discípulos suscitados nesta terra, há 1.800 anos, terão seus tronos; os quais, depois de serem eles próprios julgados pelos Doze em Jerusalém, se assentarão em seus tronos e julgarão o remanescente da tribo de José. E terão essa obra a fazer nos mundos eternos. O Sacerdócio não é dado por poucos anos e depois cessa; mas todos os servos de Deus que ministraram aqui embaixo, por autoridade do Sacerdócio, continuarão sua obra entre seres imortais, e entre os vivos que não tiverem sido mudados ao estado imortal. Alguns pensam que, quando Jesus vier, todos os que então viverem sobre a terra serão mudados. Não há Escritura nesse sentido. Mas há uma Escritura que diz que os Santos vivos serão todos "transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta." Quando soar a primeira trombeta, na vinda do Salvador, não serão transformados, mas serão arrebatados; mas quando os túmulos dos Santos se abrirem e ressurgirem como seres imortais, serão vivificados, não feitos imortais, renovados em certa medida, e serão levados com os que ascenderão de seus túmulos para encontrar Jesus, e descerão com ele. E os imortais se multiplicarão e se espalharão, de modo que os muitos lugares despovoados em consequência do grande juízo que precederá sua vinda ficarão habitados por seus numerosos filhos durante o milênio, enchendo as diferentes partes da terra. De modo que, quando os mil anos terminarem, e Satanás for novamente solto, encontrará grande número de pessoas que não foram tentadas por ele, e usará de sua astúcia entre elas, e conseguirá desviar mais ou menos algumas. Reunirá suas numerosas hostes dos quatro cantos da terra, e cercará o acampamento dos Santos. Os Santos então se reunirão de longe, como agora o fazem, e terão que armar suas tendas enquanto o fazem; e o exército de Satanás também cercará a cidade amada para destruir o povo de Deus; mas fogo descerá de Deus, do céu, e os devorará. E a cidade amada e os justos serão levados ao céu; e depois de terminados os mil anos, a terra passará. Esta terra, que será santificada, purificada e abençoada com a presença de Jesus, e sobre a qual os Santos imortais e ressuscitados viverão e reinarão como reis e sacerdotes; esta terra, por causa da queda e da maldição que veio sobre ela, terá de sofrer uma mudança maior, do mesmo modo que nossos corpos, e passará. Não se achará lugar para ela, como mundo organizado; existirá em condição elementar, todos os seus elementos espalhados pelo espaço, até que o Senhor ache por bem reuni-los novamente por seu poder, e forme uma terra imortal, uma terra livre da maldição, livre dos efeitos da queda, restaurada como era no princípio. Esta será então a nova terra e o novo céu, onde apenas os justos habitarão. A cidade amada descerá sobre esta terra eterna, e então se tornará uma das mansões celestiais, onde os Santos que estiverem preparados reinarão para todo o sempre.

Este é então nosso lar eterno; não devemos procurar um céu—

"Além dos limites do tempo e do espaço, Onde a mente humana jamais pode traçar."

Não devemos ir além do que nossos pensamentos podem alcançar, para algum lugar remoto e desconhecido, a respeito do qual nenhuma revelação foi dada. Mas voltaremos à nossa terra, e então se cumprirá aquela parte da visão em que João diz: "E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, e com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.

"E Deus enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas."

Por quê? Porque todos os seus habitantes serão então imortais, e a própria terra será celestial, e por consequência não haverá mais funerais, nem causa de luto: "Eis que faço novas todas as coisas," disse aquele que estava assentado no trono.

Essa será a história desta pequena criação nossa; é apenas uma, entre a imensidão de criações que Deus fez, todas as quais têm seus tempos de redenção, tendo de passar por mudanças semelhantes às que mencionei; e os povos que as habitam têm de aprender por uma escola de experiência; têm suas alegrias e tristezas, tanto quanto nós, porque eles, como nós, não poderiam adquirir de outro modo a experiência necessária para os preparar para a sociedade das hostes celestiais.

Quando, segundo a profecia de Joel, Deus conceder visões e revelações a seus filhos e filhas, e sonhos, pelo mesmo Espírito, aos velhos, eles adquirirão mais conhecimento em brevíssimo tempo do que se poderia aprender estudando os melhores livros que possuem os colégios e instituições de ensino em todo o mundo. Temos de estudar anos para aprender um único ramo, a matemática por exemplo, isto é: geometria, seções cônicas, cálculo, etc.

São necessários anos de estudo para adquirir conhecimento delas, e por volta do tempo em que as dominamos parcialmente, já somos homens velhos, prestes a passar deste estado de existência. Mas quando chegar o tempo em que o Espírito do Deus vivo for derramado sobre toda a carne, em poucos momentos o Senhor poderia desvendar os mistérios e tesouros da terra, de modo que pudéssemos compreender não apenas a superfície geográfica da terra, mas fôssemos capazes, pelo poder da visão, de ver cada partícula dela, tanto por dentro como por fora, e também a lei que governa suas porções elementares, quase tudo o que agora está fechado à nossa visão mortal. Só podemos ir até certo ponto com nossa vista natural; mas há uma faculdade em todo homem e mulher que agora está adormecida, em estado latente; e assim que for tocada pelo espírito do Senhor, seremos capacitados a ver um novo mundo de coisas, por assim dizer, mistérios se abrirão e perceberemos naturalmente como se estivessem escritas, e deste modo seremos capazes de aprender muito rapidamente. Se quisermos conhecimento deste mundo ou de nós mesmos, de quando nossos espíritos nasceram, ou se desejamos saber coisas que sucederam antes de se lançarem os fundamentos do mundo ou de se formar o núcleo, quando os filhos de Deus bradaram de júbilo, se desejássemos saber estas coisas, bastaria que o Espírito do Senhor tocasse a visão de nossas mentes e iluminasse nosso entendimento, e poderíamos contemplar coisas passadas, de milhares de gerações de mundos antes que a terra fosse feita, e poderíamos ver a sucessão de mundos que existiram e estiveram em existência muito antes de esta terra ser formada, poderíamos ver as provações pelas quais passaram, vê-los serem trazidos à existência e passarem por suas várias mudanças e finalmente tornarem-se gloriosas mansões celestiais na presença de Deus. Por este mesmo espírito de que fala Joel, poderíamos olhar adiante, para o futuro distante, e contemplar novos mundos formados e redimidos, e não apenas isso, mas ver e compreender as leis pelas quais foram feitos, e o objeto e o fim de todas estas criações, sendo tocados pelo dedo do Todo-Poderoso e iluminados pelo Espírito Santo. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “O Derramamento do Espírito—Os Registros do Passado—As Duas Varas—As Promessas e Bênçãos de José—A Terra Santificada—Há um Espírito no Homem”, (1877-12-02). Pulpit Vault, 1877-12-pratt-the-outpouring-of-the-spirit. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).