Pulpit

A Pergunta do Rei Lími, do Livro de Mórmon—Amon Responde—O Dom de Vidente e o Urim e Tumim—O Irmão de Jarede—A Pergunta de Hyrum Smith—O Que é uma Geração—O Imenso Número de Registros a Serem Revelados

Orson Pratt

1877-12-09

Desde que subi a este púlpito, lembrei-me de uma certa passagem contida no "Livro de Mórmon" (que começa na página 161), a qual vou ler.

"Ora, assim que Amon leu o registro, perguntou-lhe o rei se podia interpretar línguas; e Amon disse-lhe que não. E disse-lhe o rei: Estando pesaroso com as aflições de meu povo, fiz com que quarenta e três homens de meu povo saíssem pelo deserto para procurar a terra de Zaraenla, a fim de rogar a nossos irmãos que nos livrassem do cativeiro. E ficaram perdidos no deserto pelo espaço de muitos dias; e apesar de sua diligência não encontraram a terra de Zaraenla, mas voltaram para cá depois de terem viajado por uma região entre muitas águas e descoberto uma terra coberta de ossos de homens e de animais e também coberta de ruínas de edifícios de todo tipo, tendo descoberto uma terra que havia sido habitada por um povo tão numeroso quanto as hostes de Israel. E como testemunho de que as coisas que disseram são verdadeiras, trouxeram vinte e quatro placas cobertas de gravações; e elas são de ouro puro. E eis que também trouxeram couraças de grande tamanho; são de latão e cobre e encontram-se em perfeito estado. E ainda trouxeram espadas, cujos punhos se haviam estragado e cujas lâminas estavam corroídas de ferrugem; e não há na terra alguém capaz de interpretar a língua, isto é, as gravações que estão nas placas. Foi por isso que te perguntei: Podes traduzir? E torno a perguntar-te: Sabes de alguém que possa traduzir? Porque desejo que estes registros sejam traduzidos para a nossa língua; pois talvez nos possam dar informações sobre os remanescentes do povo que foi destruído, do qual vieram estes registros; ou talvez nos deem informações sobre o próprio povo que foi destruído; e desejo saber a causa de sua destruição.

"Ora, Amon disse-lhe: Posso indicar-te com segurança, ó rei, um homem capaz de traduzir os registros; porque possui algo com que pode olhar e traduzir todos os registros da antiguidade; e é um dom de Deus. E esses objetos são chamados intérpretes e nenhum homem os pode olhar, a menos que lhe seja ordenado, para que não procure o que não deve e pereça. E quem quer que receba ordem para olhá-los é chamado vidente. E eis que o rei do povo que está na terra de Zaraenla é o homem que recebeu ordem para fazer estas coisas e que possui esse grande dom de Deus. E o rei disse que um vidente é maior que um profeta. E Amon disse que um vidente é também revelador e profeta; e que não há dom maior que um homem possa ter, a não ser que possuísse o poder de Deus, que ninguém pode possuir; contudo, o homem pode receber grande poder de Deus. Um vidente, porém, pode saber tanto de coisas passadas como de coisas futuras; e por meio deles todas as coisas serão reveladas, ou seja, coisas secretas serão manifestadas e coisas ocultas virão à luz; e darão a conhecer coisas que não são conhecidas; e também manifestarão coisas que, de outra maneira, não poderiam ser conhecidas. Assim, Deus providenciou um meio para que o homem, pela fé, pudesse operar grandes milagres; portanto, ele se torna um grande benefício para seus semelhantes.

"E então, quando Amon terminou de dizer essas palavras, o rei alegrou-se imensamente e rendeu graças a Deus, dizendo: Sem dúvida estas placas contêm um grande mistério e estes intérpretes foram, sem dúvida, preparados com o fim de revelar todos esses mistérios aos filhos dos homens. Ó quão maravilhosas são as obras do Senhor, e quanto tempo suporta ele o seu povo! Sim, e quão cegos e impenetráveis são os entendimentos dos filhos dos homens! Pois não buscam sabedoria, nem desejam que ela os governe! Sim, são como um rebanho selvagem que foge do pastor, e se dispersa, e é acossado, e é devorado pelas feras da floresta."

As instruções que aqui se dão, e que acabo de ler, são de grande importância para os filhos dos homens. Somos aqui ensinados sobre um dom muito grande, precioso e elevado, que provém de Deus—o dom de ser Vidente, Revelador, Profeta, homem inspirado. Não somente para receber revelação de Deus, mas para interpretar as revelações dadas a outros Profetas que viveram em tempos anteriores, trazendo à luz conhecimento, inteligência e sabedoria, e os tratos de Deus com a família humana, entre povos mais antigos. Este dom é mais plenamente explicado no "Livro de Mórmon" do que no registro judaico. Temos no registro judaico, a Bíblia, algumas informações relativas ao instrumento aqui chamado intérprete, mas que naquele registro recebe outro nome, a saber, Urim e Tumim.

Foi um dom exercido nos dias de Moisés, entre a casa de Israel: um dom dado especialmente a Arão, irmão de Moisés, que foi designado sumo sacerdote sobre todas as tribos de Israel. O Senhor achou por bem dar-lhe instruções relativas aos deveres de seu ofício e chamado, como deveria vestir-se, que tipo de vestes sacerdotais deveria usar, o que deveria realizar ao administrar certas ordenanças e como deveria realizá-las; e também lhe deu alguma instrução a respeito do peitoral, chamado peitoral do juízo. A razão disso era que Arão fora designado juiz entre os filhos de Israel, ocupando entre aquele povo posição semelhante à que o Presidente do Bispado ocupa na Igreja. Mas foi abençoado acima daqueles que foram ordenados ao mesmo chamado nesta dispensação, pois possuía o Urim e Tumim, e em virtude desse instrumento podia consultar o Senhor a respeito de todo caso que lhe fosse trazido para julgamento. O juízo do homem é naturalmente muito fraco e imperfeito, e visto que Arão devia julgar o povo de Deus, era da mais alta importância que todas as suas decisões fossem dadas em retidão, sem imperfeição alguma, e por essa razão o Senhor deu instruções expressas a Arão, por meio de seu irmão Moisés, para que tivesse um peitoral. Nesse peitoral havia doze pedras, representando as Doze Tribos de Israel, e no centro dessas fileiras de pedras estava colocado o Urim e Tumim; e, quando ele devia proferir julgamento sobre alguma questão, consultava o Senhor por meio dele, e era capacitado a dar decisões conforme a palavra do Senhor.

Temos outros relatos na Bíblia sobre o exercício deste mesmo dom. Davi foi abençoado com este dom, e quando Saul o perseguia de lugar em lugar, buscando sua vida, ele consultava o Senhor por meio de um instrumento semelhante, e recebia revelações. A natureza de suas perguntas era—Iria Saul a tal cidade em sua busca? Entregá-lo-ia o povo dessa cidade em suas mãos? E o Senhor lhe respondia, e ele naturalmente se governava de acordo. Este dom parece ter sido de ocorrência frequente entre os israelitas, geração após geração, até poucos séculos antes da vinda de Cristo. Então parece que Israel transgrediu de tal modo a lei do céu, e de tal modo se afastou do Senhor, que o Urim e Tumim lhe foi tirado, como se encontra mencionado por um dos Profetas na Bíblia judaica; foi-lhe tirado, e deviam permanecer muitos dias sem esse instrumento, também sem rei e sem sacrifícios, e por fim as ordenanças de Deus lhes seriam tiradas. Em outras palavras, deviam ficar sem reveladores, sem profetas, sem um rei inspirado a governá-los, tudo o que se cumpriu por muitos séculos na dispersão dos descendentes de Jacó de sua terra de promissão, entre as nações para onde quer que fossem levados, sem terem rei algum; não oferecem sacrifícios como antigamente; não têm sacerdote com o peitoral do juízo, nem Urim e Tumim para consultar o Senhor.

Parece que o Senhor se manifestou de modo semelhante ao povo deste grande continente ocidental. Aqui suscitou Profetas, e aqui eles possuíram um instrumento, embora não chamado estritamente pelo mesmo nome, mas evidentemente um instrumento concebido pelo Todo-Poderoso como meio de comunicação com o seu povo. O rei Mosias, que viveu algum tempo depois que os israelitas chegaram ao continente americano, alguns séculos antes da primeira vinda de Cristo, possuiu este grande dom. Amon, servo de Deus, que explicou este dom ao rei Lími, conta-nos a natureza do dom. Informa-nos que Mosias possuía algo com que podia olhar e interpretar escritos e gravações da antiguidade. Parece que quarenta e três homens do povo do rei Lími haviam sido enviados do reino em que residiam, situado nas proximidades do que hoje é o Equador, na América do Sul, para procurar a terra que haviam deixado duas ou três gerações antes; e perderam-se no deserto, não conseguindo encontrar Zaraenla, a terra que buscavam, situada na parte norte da América do Sul. Passaram por essa terra através de um deserto, e parece que chegaram à América do Norte. Encontraram toda a terra que exploraram coberta de ruínas de edifícios e cidades, e encontraram ossos de homens e animais, e, entre outras coisas, encontraram vinte e quatro placas de ouro puro, cobertas de gravações, as quais trouxeram, entre outras coisas, ao rei Lími. Este era, naquele tempo, homem justo, assim como a maior parte de seu povo, e estavam extremamente ansiosos por conhecer as interpretações das gravações, crendo que lhes dariam algum relato do povo que havia habitado a terra onde foram encontradas. Queriam saber o que fora feito de um povo tão grande, pois evidentemente lhes parecia que fora muito numeroso. E foi para esse fim que Amon foi consultado. Amon era um homem que havia sido enviado, entrementes, das partes norte da América do Sul, chamada Zaraenla, e informou ao rei Lími que o rei de Zaraenla possuía esse elevado dom de Deus, que era vidente, e podia, usando os intérpretes, interpretar línguas antigas. Daí o júbilo do rei, porque havia um homem que lhes podia dar as informações que tanto desejavam obter.

Depois temos, no "Livro de Mórmon", um relato de que o povo do rei Lími fora expulso por algumas das porções más do povo. Ele veio à terra de Zaraenla, trazendo, com sua colônia, essas vinte e quatro placas, e pedindo ao rei Mosias que as traduzisse para a língua nefita. Ele o fez; e elas relatavam um povo—que viera da torre de Babel, na época da confusão das línguas; que haviam desembarcado nesta terra do norte, chamada América do Norte, e ali habitado por dezesseis ou dezessete séculos, sendo em parte do tempo um povo justo e em parte do tempo iníquo. E muitos Profetas existiram entre a colônia antiga, e guardaram seus registros, alguns em placas metálicas e outros em outros materiais. Houve um Profeta, na época da destruição desta primeira colônia, cujo nome era Éter. Ele escreveu um resumo dos jareditas, também um relato de sua vinda a esta terra desde a Torre de Babel; escreveu também acerca da criação do mundo e dos feitos do Senhor desde o princípio até a construção da grande torre; este breve relato foi dado nessas vinte e quatro placas. E também se dá, no "Livro de Mórmon", por Morôni, o homem que escondeu as placas das quais o livro foi traduzido, um esboço muito breve da história desta primeira colônia vinda da torre, sob o nome de "Livro de Éter." E neste Livro de Éter encontramos que tiveram cerca de trinta reis desde o tempo em que deixaram Babel, e que por fim foram destruídos por causa de grande iniquidade, para cumprir uma profecia e decreto que o Senhor proferiu quando os trazia a esta terra. O decreto era que, se eles ou seus descendentes caíssem na iniquidade e se tornassem plenamente maduros em maldade, o Senhor os destruiria totalmente e traria outro povo para possuir a terra em seu lugar. Consequentemente, essas vinte e quatro placas mencionam sua queda, como foram destruídos; também se faz alguma menção a seus mais eminentes Profetas, e dá-se muita instrução a respeito da vinda a esta terra desta primeira colônia, como foram trazidos aqui pelo Senhor desde a torre, e como, ao passarem pelo vale chamado Nimrode, o próprio Senhor foi adiante de seu acampamento numa nuvem, ensinando-os, instruindo-os e guiando-os, do mesmo modo que depois guiou os filhos de Israel. E os trouxe a grandes águas, onde lhes ordenou que construíssem embarcações, o que fizeram, oito ao todo, pelas quais, sob os cuidados especiais do Todo-Poderoso, foram trazidos através do que hoje chamamos o grande Pacífico, levando trezentos e quarenta e quatro dias, e finalmente desembarcaram na costa ocidental da América do Norte, tanto quanto podemos determinar por este livro, no México, ao sul do Golfo da Califórnia. E que, quando o irmão de Jarede vinha para esta terra, o Senhor lhe deu algumas visões muito notáveis, e, entre outras coisas, deu-lhe o Urim e Tumim, preparando duas pedras de cristal em duas armações de arco, e as santificou, e mostrou ao irmão de Jarede muitas coisas maravilhosas, algumas das quais vou ler, para instrução dos que talvez não tenham dado atenção a estes assuntos.

Vou ler primeiro como o Senhor iluminou as oito embarcações em que veio a colônia vinda da torre.

"Não podeis cruzar este grande mar sem que eu vos prepare contra as ondas do mar e os ventos que saíram e os dilúvios que hão de vir. Portanto, que desejais que eu prepare para vós, a fim de que tenhais luz quando estiverdes submersos nas profundezas do mar?"

Suas embarcações eram construídas de tal modo que podiam mergulhar sob as ondas e voltar a emergir, e assim foram impelidas pela força dos ventos durante trezentos e quarenta e quatro dias.

"E aconteceu que o irmão de Jarede (ora, eram oito os barcos que haviam sido preparados) subiu ao monte a que chamaram monte Selém, por causa de sua grande altura, e de uma rocha fundiu dezesseis pequenas pedras; e elas eram brancas e límpidas, como vidro transparente; e ele levou-as em suas mãos ao cimo do monte e clamou novamente ao Senhor, dizendo: Ó Senhor, tu disseste que seremos envolvidos pelas águas. Agora ouve, ó Senhor, e não te ires contra teu servo por causa de sua fraqueza diante de ti; pois sabemos que és santo e habitas nos céus e que somos indignos diante de ti; por causa da queda, nossa natureza tornou-se má continuamente; não obstante, ó Senhor, deste-nos o mandamento de invocar-te, para que de ti recebamos de acordo com nossos desejos. Eis que, ó Senhor, tu nos castigaste devido a nossa iniquidade e expulsaste-nos; e durante todos estes anos temos estado no deserto; não obstante, tens sido misericordioso para conosco. Ó Senhor, tem piedade de mim e afasta deste teu povo tua ira e não permitas que eles cruzem este furioso abismo na escuridão; mas olha estas coisas que fundi da rocha. E sei, ó Senhor, que tu tens todo o poder e que podes fazer tudo quanto queiras para o benefício do homem; portanto, com teu dedo toca estas pedras, ó Senhor, e prepara-as para que brilhem na escuridão; e elas nos iluminarão nos barcos que preparamos, para que tenhamos luz enquanto cruzarmos o mar. Eis que, ó Senhor, tu podes fazer isto. Sabemos que és capaz de mostrar grande poder, o qual parece pequeno ao entendimento do homem."

Podeis ver, pela própria linguagem, quanta confiança tinha este homem de Deus a respeito dos feitos do Senhor. Não lhe pareceu coisa impossível que o Senhor tocasse essas dezesseis pedras, duas das quais deviam ser colocadas em cada embarcação, uma em cada extremidade. Sabia que o Senhor podia tocá-las, e que lhe era possível fazê-las brilhar nessas embarcações, dando-lhes luz enquanto atravessavam o oceano.

"E aconteceu que após ter o irmão de Jarede dito essas palavras, eis que o Senhor estendeu a mão e tocou as pedras, uma a uma, com o dedo. E o véu foi tirado dos olhos do irmão de Jarede e ele viu o dedo do Senhor; e era como o dedo de um homem, à semelhança de carne e sangue; e o irmão de Jarede caiu perante o Senhor, porque ficou tomado de medo. E o Senhor viu que o irmão de Jarede havia caído por terra; e o Senhor disse-lhe: Levanta-te. Por que caíste? E ele disse ao Senhor: Vi o dedo do Senhor e temi que me ferisse; porque não sabia que o Senhor tinha carne e sangue."

Deve ter sido o espírito de nosso grande Redentor cujo dedo ele então viu, milhares de anos antes de vir e tomar sobre si um corpo de carne e ossos.

"E nunca ninguém se chegou a mim com uma fé tão grande como tu; porque se assim não fora, não poderias ter visto o meu dedo. Viste mais que isso? E ele respondeu: Não. Senhor, mostra-te a mim. E o Senhor disse-lhe: Crês nas palavras que eu direi? E ele respondeu: Sim, Senhor, eu sei que falas a verdade, porque és um Deus de verdade e não podes mentir. E quando disse estas palavras, eis que o Senhor se mostrou a ele e disse: Por saberes estas coisas, ficas redimido da queda; portanto, és conduzido de volta a minha presença; portanto, mostro-me a ti."

Sabeis que uma das penalidades da queda foi que o homem fosse excluído da presença de Deus, por este tabernáculo mortal; mas este homem, por causa de seu conhecimento e da grande fé que obtivera, teve o véu removido e foi restaurado novamente à presença de Deus, como o homem era antes da queda.

"Eis que eu sou aquele que foi preparado desde a fundação do mundo para redimir meu povo."

O Senhor já tinha o plano estabelecido antes de este mundo ser feito, ou trazido à existência. E tudo era compreendido nos conselhos da eternidade a respeito da vinda do Senhor no meridiano do tempo para tomar sobre si carne e sangue. Compreendia-se que ele haveria de sofrer a morte, e ser como um Cordeiro imolado desde a fundação do mundo, na mente de Deus.

"Eis que eu sou Jesus Cristo. Eu sou o Pai e o Filho. Em mim toda a humanidade terá vida e tê-la-á eternamente, sim, aqueles que crerem em meu nome; e eles tornar-se-ão meus filhos e minhas filhas. E nunca me mostrei ao homem que criei, porque nunca o homem creu em mim como tu creste. Vês que foste criado segundo a minha própria imagem? Sim, todos os homens foram criados, no princípio, à minha própria imagem. Eis que este corpo que ora vês é o corpo do meu espírito" (não um corpo de carne e ossos, mas a forma, a estatura e o formato do corpo de seu espírito, um corpo puro e imortal), "e o homem foi por mim criado segundo o corpo do meu espírito; e assim como te apareço em espírito, aparecerei a meu povo na carne.

"E agora como eu, Morôni, disse que não poderia fazer um relato completo destas coisas que estão escritas, basta-me dizer que Jesus se mostrou a esse homem no espírito, da maneira e à semelhança do mesmo corpo com que se mostrou aos nefitas."

Os nefitas eram israelitas a quem Jesus apareceu depois de sua ressurreição.

"E ministrou em favor dele, como ministrou entre os nefitas; e isto para que esse homem pudesse saber que ele era Deus, por causa das muitas obras grandiosas que o Senhor lhe mostrara. E devido ao conhecimento desse homem, ele não podia ser impedido de ver além do véu; e viu o dedo de Jesus e, quando o viu, caiu tomado de temor; porque ele sabia que era o dedo do Senhor; e não mais tinha fé, porque sabia, de nada duvidando. Portanto, tendo esse perfeito conhecimento de Deus, não podia ser impedido de ver além do véu; por isso viu Jesus; e esse ministrou em favor dele. E aconteceu que o Senhor disse ao irmão de Jarede: Eis que não permitirás que estas coisas que viste e ouviste sejam espalhadas pelo mundo, até que chegue a hora em que glorificarei meu nome na carne; portanto, guardarás em segredo as coisas que viste e ouviste e a ninguém as revelarás."

Parece que o Senhor não desejava mostrar estas coisas a outros, quando o povo não tinha fé suficiente. Essas coisas eram grandes e gloriosas demais para lhes serem dadas a conhecer naquele período inicial do mundo. Mas em certo tempo, quando seu nome fosse glorificado na carne, e depois de ressuscitar dos mortos, ele permitiria que essas coisas viessem à luz, o que fez entre os antigos israelitas neste continente; foram então traduzidas para a língua nefita e trazidas à luz. Mas o Senhor disse ao irmão de Jarede: "E eis que quando vieres a mim, tu as escreverás e selarás, a fim de que ninguém as possa interpretar; porque tu as escreverás em uma linguagem que não possa ser lida. E eis que eu te darei estas duas pedras e tu também as selarás juntamente com as coisas que escreveres. Porque eis que eu confundi a língua em que irás escrever; portanto, farei com que, no meu devido tempo, estas pedras esclareçam aos olhos dos homens as coisas que irás escrever. E após ter dito estas palavras, o Senhor mostrou ao irmão de Jarede todos os habitantes da Terra que já tinham existido e também todos os que viriam a existir; e não os ocultou de sua vista, mesmo até os confins da Terra." Que grande dom é conhecer e ver, pela iluminação do Espírito, por visão, coisas que sucederam desde o princípio deste mundo; ver, por exemplo, todos os habitantes da terra que existiram antes do dia em que o Senhor deu esta visão; e depois todos os habitantes da terra que hão de existir, até o fim do mundo. "Porque ele lhe dissera anteriormente que, se acreditasse que ele podia mostrar-lhe todas as coisas—elas ser-lhe-iam mostradas; portanto, o Senhor nada lhe poderia ocultar, porque ele sabia que o Senhor podia mostrar-lhe todas as coisas. E o Senhor disse-lhe: Escreve estas coisas e sela-as; e mostrá-las-ei aos filhos dos homens no meu devido tempo.

"E aconteceu que o Senhor lhe ordenou que selasse as duas pedras que recebera, e não as mostrasse, até que o Senhor as mostrasse aos filhos dos homens. E o Senhor ordenou ao irmão de Jarede que descesse do monte, da presença do Senhor, e escrevesse as coisas que vira; e foi-lhes proibido que chegassem aos filhos dos homens até que ele fosse levantado sobre a cruz; e por essa razão o rei Mosias as guardou."

Disse-vos que Mosias era homem justo, e revelador tanto quanto rei, que habitou neste continente americano alguns séculos antes de Cristo, e que, ao interpretar a história do povo, não interpretou estas coisas que o irmão de Jarede viu nesta grande visão; o Senhor não lho permitiu.

"Que não viessem ao mundo senão depois que Cristo se mostrasse a seu povo. E depois que Cristo realmente se mostrou a seu povo, ordenou que fossem manifestadas."

Foram traduzidas depois que Cristo apareceu primeiro aos nefitas, e provavelmente enviadas por toda a nação nefita. O Profeta Morôni diz: "E agora, depois disso, todos caíram em incredulidade; e não há ninguém senão os lamanitas, e estes rejeitaram o evangelho de Cristo; portanto, sou ordenado a escondê-las novamente na terra. Eis que escrevi nas placas as próprias coisas que o irmão de Jarede viu."

Muitos, ao lerem este registro sem atenção, perguntar-se-iam por que parte destas placas devia ser selada, e por que a Joseph Smith não foi permitido romper o selo. Foi porque, nesta grande revelação, a parte selada das placas de que se traduziu o Livro de Mórmon continha esta grande visão dada ao irmão de Jarede. A Joseph não foi permitido traduzi-la, nem romper o selo do livro; deve ser reservada para vir à luz no devido tempo.

O Profeta Morôni ainda diz: "Eis que escrevi nestas placas precisamente as coisas que o irmão de Jarede viu; e nunca foram reveladas coisas maiores do que as que foram reveladas ao irmão de Jarede. Por essa razão o Senhor ordenou-me que as escrevesse; e escrevi-as. E ele ordenou-me que as selasse; e também ordenou que eu selasse a sua interpretação; portanto, selei os intérpretes, de acordo com o mandamento do Senhor. Porque o Senhor me disse: Não deverão chegar aos gentios até o dia em que se arrependerem de sua iniquidade e tornarem-se limpos perante o Senhor. E no dia em que eles exercerem fé em mim, diz o Senhor, como fez o irmão de Jarede, para que se tornem santificados em mim, então lhes revelarei as coisas que o irmão de Jarede viu, esclarecendo-lhes todas as minhas revelações, disse Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Pai dos céus e da Terra e de tudo que neles há. E maldito seja aquele que lutar com a palavra do Senhor; e maldito aquele que negar estas coisas, pois a eles não mostrarei coisas maiores, diz Jesus Cristo; porque eu sou aquele que fala. E ao meu comando os céus são abertos e fechados; e pela minha palavra tremerá a Terra; e ao meu comando seus habitantes serão consumidos, sim, como que por fogo. E aquele que não crê em minhas palavras não crê em meus discípulos; e se acaso eu não falar, julgai vós; porque no último dia sabereis que eu sou aquele que fala.

"Mas aquele que crê nestas coisas que eu disse, a ele visitarei com as manifestações do meu Espírito e ele saberá e dará testemunho."

Ora, quero apelar aos Santos dos Últimos Dias que ocupam esta sala, se esta promessa se cumpriu ou não em vós. Vou lê-la de novo. "Mas aquele que crê nestas coisas que eu disse, a ele visitarei com as manifestações do meu Espírito e ele saberá e dará testemunho." Não diz que terá apenas uma opinião e dará testemunho, mas que saberá e dará testemunho. Sabeis, Santos dos Últimos Dias, que este livro (o Livro de Mórmon) é verdadeiro? Sabeis que o que tenho lido são as palavras do Senhor? Se tendes crido nestas coisas de todo o coração, e cumprido os mandamentos do Altíssimo, manifestando vossa fé por vossas obras, então fostes postos na posse deste conhecimento, e sabeis, pelo Espírito que ele derramou sobre vós desde o céu, que são verdadeiras, e em vigor para todo o mundo, e este Espírito vos dá conhecimento a respeito de toda a verdade. Não sois como aqueles que não têm revelação, de quem fala o antigo apóstolo, que estavam "sempre aprendendo, e nunca podendo chegar ao conhecimento da verdade;" mas sois daqueles que, se guardardes os mandamentos de Deus, não apenas aprendem da palavra de Deus, mas têm conhecimento de toda a verdade revelada pelo poder do Espírito, o Consolador, que é um revelador, uma unção para todos os que o recebem; e são capazes de dar testemunho das coisas que outrora criam ser verdadeiras. O Senhor assim tem suscitado uma grande nuvem de testemunhas, em conjunto com dezenas de milhares de outros, para dar testemunho da verdade, nesta última dispensação da plenitude dos tempos. "Pois, por causa do meu Espírito, ele saberá que estas coisas são verdadeiras; porque persuade os homens a fazerem o bem. E tudo quanto persuade os homens a fazerem o bem, vem de mim; porque o bem não vem de ninguém, a não ser de mim. Eu sou o mesmo que conduz os homens a todo o bem; aquele que não crer em minhas palavras, não crerá em mim—que eu sou; e aquele que não crer em mim, não crerá no Pai que me enviou. Pois eis que eu sou o Pai, eu sou a luz e a vida e a verdade do mundo. Vinde a mim ó vós, gentios, e mostrar-vos-ei as coisas maiores, o conhecimento que está oculto por causa da incredulidade! Vinde a mim ó vós, casa de Israel, e ser-vos-á revelado que coisas grandiosas o Pai vos reservou desde a fundação do mundo e que não chegaram a vós por causa da incredulidade. Eis que quando rasgardes esse véu de incredulidade que vos leva a permanecer em vosso terrível estado de iniquidade e dureza de coração e cegueira de mente, então as grandes e maravilhosas coisas que vos foram ocultas desde a fundação do mundo—sim, quando invocardes o Pai em meu nome, com coração quebrantado e espírito contrito, então sabereis que o Pai se lembrou do convênio que fez com vossos pais, ó casa de Israel! E então minhas revelações, que fiz com que fossem escritas por meu servo João, serão manifestadas aos olhos de todo o povo. Lembrai-vos: quando virdes essas coisas, sabereis que é chegada a hora em que elas realmente serão manifestadas. Portanto, quando receberdes este registro, sabereis que a obra do Pai começou sobre toda a face da Terra. Arrependei-vos pois, todos vós, confins da Terra, e vinde a mim e crede no meu evangelho e sede batizados em meu nome; porque aquele que crer e for batizado, será salvo, mas o que não crer, será condenado; e sinais seguirão os que crerem em meu nome. E bem-aventurado é aquele que no último dia for considerado fiel ao meu nome, porque será levantado para habitar no reino preparado para ele desde a fundação do mundo. E eis que sou eu quem o disse. Amém."

Li estas coisas porque estou plenamente ciente de que há, na Igreja dos Santos dos Últimos Dias, muitas pessoas que são muito negligentes na leitura do "Livro de Mórmon." É um dos maiores tesouros, no que diz respeito a livros, que já foi dado à humanidade, há quase 1.800 anos. Contém as coisas de Deus com grande clareza, tão fáceis de compreender que a criança que o lê pode entendê-lo. E, no entanto, quantos Santos dos Últimos Dias há que deixam este livro permanecer em suas estantes, semana após semana, sem jamais lerem uma página destas coisas preciosas. Também li estas coisas em benefício dos estranhos que possam estar presentes nesta ocasião. Não é de esperar que o leiam, pois não creem ser um registro divino; não creem que Deus falou, ou que Joseph Smith foi suscitado para trazê-lo aos filhos dos homens, pelo poder do Urim e Tumim. Não se espera, portanto, que leiam uma obra em que não têm fé. Não querem ter fé nela, não a consideram assunto de suficiente importância nem mesmo para consultarem o Senhor se é verdadeira ou não. E, no entanto, por vezes, podem ter, por alguns momentos, um sentimento no coração de que gostariam de saber o que contém o "Livro de Mórmon;" por isso, li isto para que tenhais uma ideia do que contém este livro, no qual os Santos dos Últimos Dias fundam sua fé, tanto quanto na Bíblia.

Percebereis, Santos dos Últimos Dias, como este Urim e Tumim foi formado em primeiro lugar. Não era algo que existia na terra em estado natural, era algo feito pelo Senhor. Ele é bom artífice, entende como fazer as coisas. Fez os céus e a terra, fez muitos mundos que vemos girar, como que sobre asas, no meio do espaço. Fez as vestes que primeiro vestiram Adão e Eva; e fez um jardim muito belo, e plantou-o com uma variedade de árvores, e fez com que produzissem fruto, e que tivessem semente em si mesmas. Ele entende como fazer tais coisas; não é como muitos de nós, que, depois de tentarmos fazer certas coisas, falhamos por falta de conhecimento; mas quando ele se propõe a fazer algo, fá-lo da melhor maneira possível, e o que faz é feito perfeito. E se depois sua obra se torna imperfeita, é por causa da maldição que vem sobre a terra em consequência do pecado. Ele fez o Urim e Tumim, e temos um relato de sua feitura nas palavras que tenho lido. As duas pedras de cristal que deu ao irmão de Jarede foram feitas por ele. Quando escreverdes estas coisas, selá-las-eis, também os intérpretes, até que o Senhor ache por bem, no seu devido tempo, revelá-las aos filhos dos homens.

Talvez alguns de vós pergunteis quando será revelada esta grande revelação dada ao irmão de Jarede. Gostaria de poder responder à pergunta; não posso dizer quanto ao ano, pois não sei. Posso, contudo, responder-vos em termos gerais. Se recorrerdes à "Doutrina e Convênios," ali encontrareis uma revelação, dada no ano de 1829, a Hyrum Smith, que desceu de Manchester, Condado de Ontário, Nova York, para o Condado de Susquehanna, Pensilvânia, para visitar seu irmão, Joseph, que então se ocupava na obra de traduzir o "Livro de Mórmon." Quando Hyrum chegou à presença de seu irmão, sentiu-se ansioso por saber o que o Senhor tinha para ele fazer, ou se não seria bom que começasse a pregar, prestando testemunho dos manuscritos do "Livro de Mórmon," etc. Por fim, desejou que seu irmão consultasse o Senhor, por meio do Urim e Tumim, sobre o que desejava que fizesse. O Senhor deu uma revelação, dizendo-lhe que não devia pregar sua palavra naquele momento, que o tempo ainda não havia chegado. Ainda não recebera a ordenação que o autorizasse a pregar, nem a Igreja havia sido organizada na terra. O Senhor, contudo, disse-lhe certas coisas que devia fazer. Disse: "Estuda minha palavra, que saiu entre os filhos dos homens, e também estuda minha palavra que há de sair entre os filhos dos homens, ou aquela que agora está sendo traduzida, sim, até que tenhas obtido tudo o que concederei aos filhos dos homens nesta geração, e então todas as coisas te serão acrescentadas." Depois que a geração vivendo em 1829, há uns quarenta e oito anos, se cumprir inteiramente, então poderemos aguardar a revelação que o irmão de Jarede obteve no monte, então poderemos aguardar as coisas que ele viu quando o Senhor lhe mostrou todos os filhos dos homens que jamais existiram sobre a terra desde o princípio da criação até seu dia, e também os que haveriam de vir sobre a terra até o fim dos tempos. Ao lhe mostrar estas coisas, não creio que ele lhas deu apenas para satisfazer sua curiosidade, pois nenhum homem, dizem-nos, jamais testemunhara coisas tão grandiosas, e o Senhor não lhas poderia negar, por causa de sua grande fé. Também não creio que este grande homem tivesse buscado o Senhor apenas para satisfazer curiosidade; mas disse-vos, e creio, que ele lhe revelou muitos de seus grandes e maravilhosos propósitos relativos aos habitantes da terra, relativos a seus tratos futuros com as nações da terra, relativos ao surgimento de seu reino nos últimos dias, como agora está acontecendo. Não tenho dúvida de que viu cada particularidade tal como ocorreram, desde 1830 até o presente. Viu nossa história e nossas viagens e nossas perseguições; e também viu o estado de escuridão em que o mundo estaria antes que o Senhor estabelecesse novamente esta Igreja sobre a terra, e as perseguições que sobreviriam aos Santos dos primeiros dias, e como a Igreja cairia e o Sacerdócio seria tirado dentre os homens; todas estas coisas lhe foram manifestadas, e foi-lhe ordenado que as escrevesse. E se as tivéssemos agora, aquilo que ele escreveu, não tenho a menor dúvida de que poderíamos ler a história futura desta Igreja, do mesmo modo que podemos sua história passada; poderíamos compreender todos os pormenores até que os iníquos sejam destruídos da terra, e poderíamos ver nossas viagens futuras e nossas tribulações e perseguições futuras, e também nossas bênçãos que hão de vir depois de terminados os dias de tribulação; poderíamos contemplar a glória de Deus que há de repousar sobre Sião, e a ressurreição dos justos mortos, e a vinda da Igreja do Primogênito nas nuvens do céu, em conjunto com Jesus, e a vinda da antiga Sião. Todas estas coisas, não tenho dúvida, foram reveladas a este homem de Deus, e foi-lhe ordenado escrevê-las, e virão à luz quando tiver passado inteiramente a geração que vivia no ano de 1829—há quarenta e oito anos.

Quanto ao número de anos pelo qual se mede uma geração, não temos período definido e especial dado por revelação; o Senhor fala em termos gerais a respeito de gerações. Entre os nefitas, imediatamente depois do aparecimento de Cristo entre eles, uma geração era de cem anos, e na quarta geração foram destruídos, como nação; à exceção de alguns poucos que passaram para os lamanitas. Encontramos gerações contadas de pai a filho, e de filho a neto, etc., e quando chegamos a gerações médias, segundo a estatística das nações, encontramo-las com cerca de trinta anos por geração; mas quando o Senhor fala em termos gerais, e diz, Esta geração não passará, até que uma Casa seja construída ao seu nome, como se dá neste "Livro de Convênios," e uma nuvem repouse sobre ela; nesse caso, não creio que ele se limite a nenhum período definido, mas basta dizer que o povo vivendo em 1832, quando a revelação foi dada, não passará todo; haverá alguns vivos quando a Casa de que se fala for erguida, sobre a qual repousará a glória de Deus. Já se passaram quarenta e cinco anos desde que essa revelação foi dada, a respeito da construção dessa Casa. E quando ele diz a Hyrum Smith, "Estuda minha palavra, etc., até que tenhas obtido tudo o que concederei aos filhos dos homens nesta geração," não sei quanto tempo aquela geração foi destinada, na mente de Deus, a durar, e não creio que haja pessoa alguma na Igreja que o saiba, a menos que o Senhor lho tenha revelado. Mas temos toda razão para crer que o tempo não está distante, e que há alguns vivendo entre os jovens agora sobre a terra que viverão para presenciar grande número de revelações dadas, e verão vir à luz outros livros e outros registros traduzidos pelo Urim e Tumim, esse mesmo instrumento que Joseph Smith usou na tradução do "Livro de Mórmon," que virá novamente à luz e será revelado ao vidente e revelador que Deus há de suscitar entre este povo, por meio de quem estes antigos registros virão à luz. Então estas grandes coisas serão conhecidas, então nos alegraremos na maior plenitude de conhecimento e entendimento, segundo a promessa; e quando rasgarmos esse véu de incredulidade, de que fala o "Livro de Mórmon," e quando for tirado do nosso meio, e exercermos fé em Deus, tal como o fez o antigo homem de Deus, o irmão de Jarede, então o Senhor revelará a este povo o que foi mostrado a este homem. E se lhe foi importante, nos tempos antigos, compreender as grandes coisas dos últimos dias, quanto mais importante é para nós que vivemos, por assim dizer, pouco antes da vinda do Filho do Homem; e se os antigos homens de Deus foram privilegiados e abençoados em compreender as coisas do futuro, quanto maior bênção será para nós, visto que estas coisas estão às nossas portas.

Creio que farei mais algumas observações relativas a esta mesma revelação que há de ser dada. No segundo livro de Néfi, capítulo 11, temos algum relato do que o Senhor vai fazer, referindo-se às coisas que o irmão de Jarede viu. A profecia que vou ler foi proferida quase seis séculos antes de Cristo, por um homem chamado Néfi, a quem o Senhor tirou de Jerusalém, em conjunto com a família de seu pai e outros, colocando-os na costa ocidental da América do Sul, onde formaram uma colônia. Antes de chegar aqui, teve uma grande revelação, e também depois de chegar. Vou começar no décimo sétimo parágrafo da visão que teve.

"E acontecerá que o Senhor Deus vos revelará as palavras de um livro e serão as palavras dos que adormeceram."

Ele profetizava a respeito dos últimos dias, do tempo em que o Livro de Mórmon seria trazido aos habitantes da terra.

"E eis que o livro estará selado; e no livro haverá uma revelação de Deus, desde o princípio até o fim do mundo." Esta é a parte que está selada. "Portanto, por causa das coisas que estão seladas, as coisas que estão seladas não serão entregues no dia da iniquidade e das abominações do povo." Isso concorda com o que vos dizia acerca da geração que está passando. Os que são iníquos serão varridos da terra, e os que permanecerem, sendo justos, terão esta grande revelação desselada para eles. "Portanto, o livro não lhes será revelado." O Senhor não permitiu que essas placas fossem entregues aos iníquos, pois bem sabia que as teriam destruído por causa do ouro em que estavam escritas. "O livro, porém, será entregue a um homem, e ele entregará as palavras do livro, que são as palavras dos que adormeceram no pó; e ele entregá-las-á a um outro; Mas não entregará as palavras que estão seladas, nem entregará o livro." Quero declarar aqui, para informação dos que não compreendem, que antes de Joseph Smith traduzir a parte não selada, copiou algumas das palavras e enviou-as, por meio de Martin Harris, à cidade de Nova York, para serem mostradas aos entendidos, a fim de ver se as sabiam ler. "Porque o livro será selado pelo poder de Deus, e a revelação que foi selada será guardada no livro até o devido tempo do Senhor, quando virão à luz; pois eis que revelam todas as coisas, desde a fundação do mundo até o seu fim." Obteremos algum conhecimento dos propósitos de Deus, não somente a respeito dos seis mil anos passados, mas também dos mil anos vindouros, depois que se der a revelação que mostra os propósitos e desígnios do grande Jeová a respeito desta criação. "E dia virá em que as palavras do livro, que estavam seladas, serão lidas nos telhados das casas; e serão lidas pelo poder de Cristo; e serão reveladas aos filhos dos homens todas as coisas que ocorreram aos filhos dos homens e que ocorrerão até o fim da Terra. Portanto, no dia em que o livro for entregue ao homem de quem falei, o livro será escondido dos olhos do mundo para que ninguém o veja, exceto três testemunhas, além daquele a quem o livro será entregue; e vê-lo-ão pelo poder de Deus; e eles testificarão a veracidade do livro e das coisas que ele contém. E ninguém mais o verá, senão uns poucos, de acordo com a vontade de Deus, para dar testemunho de suas palavras aos filhos dos homens, pois o Senhor Deus disse que as palavras dos fiéis falariam como se viessem dos mortos. Portanto, o Senhor Deus revelará as palavras do livro e, pela boca de tantas testemunhas quantas achar necessário, estabelecerá a sua palavra; e ai do que rejeitar a palavra de Deus!"

Isso nos dá um pouco mais de luz sobre o mesmo assunto. Quando isso for trazido à luz, espero que o mesmo Urim e Tumim que o Senhor deu a Joseph Smith venha à luz com essas placas, e sejam traduzidas, mas por quem não sei. Quem será o Vidente e Revelador favorecido que há de ser suscitado entre este povo para trazer esta revelação à luz não me foi revelado. E não apenas esta revelação, mas também aquelas vinte e quatro placas de ouro que contêm os feitos da antiga nação jaredita que habitou este continente norte-americano; no presente temos apenas um resumo, não a centésima parte de sua história. Essas placas de ouro virão à luz, assim como muitos outros registros guardados pela primeira nação—os jareditas, que aqui chegaram; e não tenho dúvida de que o Senhor dará o Urim e Tumim para traduzi-los. E não apenas estes, mas o Senhor pretende, nesta dispensação em que vós e eu vivemos, inundar toda a terra com um dilúvio de conhecimento a respeito de si mesmo; a respeito de seus propósitos e desígnios, e a respeito das futuras glórias e bênçãos ordenadas para os Santos dos Últimos Dias, a respeito da preparação da terra para os mil anos de retidão vindouros. Assim, essas placas, esse grande número de placas, guardadas pelos reis dos nefitas e por muitos Profetas antes e depois de Cristo, bem como aqueles registros selados de que tenho falado, virão todos à luz; teremos então revelações das coisas celestiais e terrenas, e os desígnios e propósitos de Deus. Teremos, talvez, a mais completa história deste continente que existe de qualquer outra nação ou reino sobre a terra. Além disso, temos abundância de promessas que Deus nos fez, neste livro chamado Doutrina e Convênios, dado por meio do Profeta Joseph, a respeito de outros registros além daqueles que citei, guardados pelos jareditas e pelos nefitas, um registro, por exemplo, remontando aos dias de Enoque. Podereis dizer que naqueles dias não sabiam escrever. Mas a Bíblia indica que sabiam, e fala do livro das gerações de Adão, mesmo antes do dilúvio. Além disso, temos um relato de que, três anos antes da morte de Adão, ele reuniu os justos de sua posteridade, chamou também os Sumos Sacerdotes daquele dia, para um certo vale, chamado Adão-ondi-Amã, situado cerca de oitenta quilômetros ao norte do Condado de Jackson, ou o que hoje se chama Condado de Davis, Missouri. Ali se reuniram os justos de sua posteridade por oito gerações, e ele lhes deu sua última bênção, como o grande patriarca de todos. E ele se levantou, apesar de curvado pela idade, diante da vasta assembleia reunida naquela ocasião, e profetizou todas as coisas de importância que haveriam de suceder entre sua semente, e as nações que dele haveriam de surgir, até o próprio fim dos tempos. Estas coisas, diz-se, foram escritas no livro de Enoque, e hão de ser testificadas no devido tempo. Quando o obtivermos, creio que saberemos muito a respeito dos antediluvianos, dos quais no presente sabemos tão pouco.

Depois há ainda outro registro a vir à luz. João Batista é dito, pela mais alta autoridade, ser um dos maiores Profetas jamais nascidos de mulher; mas temos muito pouco escrito no registro judaico a seu respeito. Temos uma revelação na Doutrina e Convênios a respeito do registro de João, esse grande Profeta. E nos é prometido que, se formos fiéis como povo, a plenitude do registro de João nos será futuramente revelada. Quando o obtivermos, creio que teremos ainda mais conhecimento a respeito de doutrina e princípio, e coisas grandiosas e maravilhosas, das quais pouco ou nada sabemos. Isso não é tudo. O Senhor nos disse que traria à luz aquelas placas de latão que Leí e as famílias que com ele vieram de Jerusalém, cerca de seiscentos anos antes de Cristo, trouxeram consigo, as quais contêm a história da criação, e os escritos de homens inspirados até os dias de Jeremias; saíram nos dias de Jeremias. Somos informados, no "Livro de Mórmon," que continham muitas profecias, muito grandiosas e extensas em sua natureza. E quando estas placas, agora escondidas no monte Cumora, forem trazidas à luz, teremos a história do Antigo Testamento muito mais completa, com o acréscimo de grande número de profecias que não constam agora naquele registro. As profecias de José no Egito foram muito grandiosas, e somos informados, no "Livro de Mórmon," que lhe foram dadas em grande número. Quando as tivermos todas, também as profecias de Neum, grande Profeta que profetizou a respeito de Cristo; também as de Zenos e Zenoque, e outras das quais se dá apenas mera referência; e depois, quando as dez tribos de Israel vierem da terra do norte, trarão consigo seus registros, que guardaram desde setecentos e vinte anos antes de Cristo, os quais conterão um relato dos tratos de Deus com aquele povo perdido, o que sem dúvida será extremamente interessante, bem como instrutivo.

Pararemos aqui? Não, virá o tempo em que este povo se tornará mais plenamente reveladores, Profetas e Videntes eles mesmos, e a terra se encherá do conhecimento de Deus, e até da boca dos pequeninos e das crianças de peito o Espírito de Deus revelará coisas que têm sido guardadas em segredo desde a fundação do mundo; proferirão as coisas de Deus, ajudando a encher a terra do conhecimento de Deus, como as águas cobrem o grande abismo.

Poderíamos agora parar e nada mais dizer a respeito das bíblias que ainda hão de vir. Do pouco que disse, os estranhos presentes talvez comecem a crer na verdade daquela Escritura que diz: "E há também muitas outras coisas que Jesus fez, as quais, se fossem escritas uma por uma, suponho que nem o mundo poderia conter os livros que se escreveriam." O Senhor não tem, por causa da incredulidade e iniquidade do povo, permitido que estas coisas venham à luz para serem pisadas aos pés, como porcos pisariam joias sob os pés. Mas assim que a retidão do povo o justificar, ele revelará estes tesouros ocultos de conhecimento, e eles compreenderão e entenderão as grandes coisas de Deus; e não apenas registros virão à luz, mas as mentes dos homens, e as mentes das mulheres, e as mentes das crianças, e as mentes de todo o povo que crê, serão como fonte de luz e inteligência, e serão capazes de compreender todos os registros e livros inspirados do alto.

Às vezes, quando reflito sobre estas coisas em espírito, parece que mal posso esperar que a presente geração passe, sem ver os Santos dos Últimos Dias na posse destas grandes coisas. Elas certamente virão! Ficai certos, Santos dos Últimos Dias, de que estas coisas se cumprirão, sim, até o último jota e til; e todo registro que Deus ordenou fosse guardado entre os antigos videntes e reveladores será trazido à luz nesta última dispensação, e ninguém precisa pensar que o Senhor está zombando de nós, pois estas coisas serão manifestadas.

Que Deus vos abençoe é minha oração, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “A Pergunta do Rei Lími, do Livro de Mórmon—Amon Responde—O Dom de Vidente e o Urim e Tumim—O Irmão de Jarede—A Pergunta de Hyrum Smith—O Que é uma Geração—O Imenso Número de Registros a Serem Revelados”, (1877-12-09). Pulpit Vault, 1877-12-pratt-king-limhis-enquiry-from-the-book-of-mormon. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).