O Ajuntamento, Resultado da Revelação—A Edificação de Templos É Semelhante—A Restauração do Sacerdócio—Ministrando pelos Mortos—O Evangelho, Sustentado por Deus
John Taylor
Há algo de novo, bem como de interessante, na contemplação do assunto a que se referiu o irmão Folsom. As ideias que os Santos dos Últimos Dias professam são diferentes das que qualquer outro povo sobre a face da terra professa; e há um sentimento e um espírito repousando sobre os Santos que não é conhecido nem experimentado por nenhum outro povo. O modo como fomos conduzidos é muito peculiar e difere inteiramente de tudo o mais que existe em qualquer lugar do mundo. Nosso ajuntamento, o tipo de Evangelho que é pregado, a disposição e o sentimento de edificar Templos, uma forte impressão que parece repousar sobre todo o povo, é algo em si mesmo muito notável. ¶
Ora, quanto ao nosso ajuntamento, quem há em qualquer outro lugar do mundo que sinta como sentem os Santos dos Últimos Dias? Não o encontrareis em lugar algum, e nada senão o Espírito de Deus operando sobre a mente do povo poderia tê-los induzido a se ajuntarem como o fizeram. Este espírito foi comunicado, assim como o Espírito Santo é comunicado, pela imposição de mãos, por meio do sacerdócio. E esta peculiaridade pareceu ainda mais notável no princípio, pois, tão logo o princípio do ajuntamento foi pregado pela primeira vez, o povo não necessitou de argumento convincente algum, pois o Espírito do Senhor lho havia revelado, e eles sabiam que era verdade. E não importava onde as pessoas o ouviam, ou em que língua era pregado, elas de imediato tinham um desejo forte e fervoroso de se ajuntar a Sião, de se reunir com os Santos e adorar com eles. E por mais tolamente que muitos de nós tenhamos agido desde então, ainda assim estes eram os sentimentos que brotavam em nosso peito; e vieram por causa de certos princípios que haviam sido desenvolvidos por meio de Joseph Smith. Vós que estais familiarizados com a história de Joseph Smith bem sabeis que, no Templo em Kirtland, entre outras visões, manifestações e ministrações que ele recebeu, houve uma em que o Profeta Moisés lhe apareceu, o qual lhe conferiu as chaves da dispensação do ajuntamento. Foi ele quem conduziu o êxodo de Israel em tempos antigos, e, como todos os demais homens que detiveram o santo sacerdócio e foram fiéis no cumprimento de seus deveres, ele não apenas ministrou no tempo, mas continua a ministrar na eternidade. E, detendo as chaves deste sacerdócio, ele era a pessoa apropriada para conferi-las ao Profeta Joseph; e, ao fazê-lo, disse a Joseph que lhe havia conferido "as chaves para coligar Israel das quatro partes da Terra e trazer as dez tribos da terra do norte." E isto se deu em cumprimento de uma escritura significativa, que diz: "Para, na dispensação da plenitude dos tempos, tornar a congregar em Cristo todas as coisas tanto as que estão nos céus como as que estão na terra." ¶
Assim, depois que os homens eram batizados para a remissão de pecados, e tinham as mãos impostas sobre sua cabeça para a recepção do Espírito Santo por aqueles que detinham este sacerdócio e autoridade, dos quais este era um dos princípios, eles imediatamente passavam a ter o sentimento de se ajuntar a Sião. Isto tem sido falado por homens antigos de Deus como um dos acontecimentos dos últimos dias. Um dos Profetas, referindo-se a isto, diz: "eu vos... tomarei, um de uma cidade, e dois de uma família; e vos levarei a Sião. E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência." Foi por meio deste princípio e desta ordenação, com o espírito que a acompanhava, primeiramente conferida a Joseph Smith, e depois aos crentes do Evangelho por meio da obediência a ela, através da administração do batismo e da imposição de mãos pelos Élderes, que o povo foi reunido como está hoje. Onde quer que este Evangelho tenha sido pregado, crido e obedecido, este desejo de deixar as terras de seu nascimento, para se ajuntar com os Santos, tem se manifestado fortemente; e tem sido tão forte, que já tive homens que se ofereceram para se comprometer a meu serviço por um bom período, ou dispostos a fazer qualquer coisa que lhes fosse exigida, contanto que pudessem ser auxiliados a chegar ao lugar de ajuntamento dos Santos. E foi para atender a esta necessidade universal que se estabeleceu o Fundo Perpétuo de Emigração, o qual tem sido o meio de trazer a este país milhares de pessoas, a maioria das quais, talvez, por seus próprios esforços, jamais teria conseguido acumular a quantia necessária de meios para se trazerem até aqui; e, como cada uma era instruída, depois de auxiliada, a devolver a quantia recebida para este propósito, outras podiam desfrutar de seus benefícios da mesma maneira, e assim o fundo se tornou perpétuo. ¶
A edificação de templos é outra característica associada a este Evangelho que é, em si mesma, peculiar. Estamos aqui, como esteve Jesus, não para fazer nossa própria vontade, mas a vontade daquele que nos enviou; e, assim como ele, espera-se que façamos e realizemos aquilo que nos for exigido pelo Todo-Poderoso. Esta é, na verdade, a posição que ocupamos como Santos dos Últimos Dias, se pudéssemos compreender plenamente a situação. Há certos poderes e privilégios, direitos, imunidades e bênçãos associados a este Evangelho que não existem em lugar algum mais, e este é um deles. Somos ensinados que o Evangelho traz à luz a vida e a imortalidade, e que, sem ele, não há conhecimento correto da vida e da imortalidade. Não compreendíamos nem a nossa própria posição, nem a posição do mundo; não podíamos compreender nada de Deus, ou das leis de Deus, ou das leis da vida, até que nos tornássemos familiarizados com o Evangelho. Todo dom bom e todo dom perfeito procede de Deus, em quem não há mudança nem sombra de variação. E o mundo, de modo geral, é ignorante a respeito de Deus. Por quê? Porque nos é dito que nenhum homem conhece as coisas de Deus senão pelo Espírito de Deus. E se eles não podem obter um conhecimento de Deus senão pelo Espírito de Deus, a menos que recebam aquele Espírito, devem permanecer ignorantes destes princípios. E não importa qual seja a erudição, a inteligência, a pesquisa, a filosofia ou a religião do homem; as coisas de Deus não podem ser compreendidas, exceto por meio do Espírito e das revelações de Deus. E isto só pode ser obtido pela obediência aos princípios que Deus ordenou, ordena e reconhece. E assim, nestes últimos tempos, ele primeiro comunicou um conhecimento de si mesmo a Joseph Smith, há muito tempo, quando ele era ainda bem jovem. Quem, naquele dia, sabia algo a respeito de Deus? Quem tinha recebido revelações dele, ou sabia algo a respeito dos princípios de vida e salvação? Se houve alguma pessoa, eu nunca ouvi falar delas, nem li a respeito delas, nem jamais as conheci. Mas quando o Senhor se manifestou a Joseph Smith, apresentando-lhe seu Filho, que também ali estava, dizendo: "Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!"; ele então soube que Deus vivia; e não dependia de mais ninguém para aquele conhecimento. Ele o viu, e ouviu sua voz, e soube por si mesmo que havia um Deus, e disto ele testificou, selando seu testemunho com seu sangue. A evidência da existência de Deus que ele recebeu, ninguém senão Deus poderia conferir. Pois bem, qual foi o resultado? Ele lhe disse como outros poderiam obter o mesmo conhecimento dele e de suas leis; e o fez conhecer um meio pelo qual ele poderia obter um conhecimento destas coisas. E como ele fez isto? Comunicando-lhe um conhecimento do sacerdócio eterno, e enviando aquele sacerdócio para lhe revelar as leis e as ordenanças do mesmo. Assim, já em 21 de setembro de 1823, um anjo disse a Joseph Smith: "Eis que vos revelarei o Sacerdócio." Ele foi informado de que havia uma certa ordenança a ser cumprida, a saber, o batismo. E, como João Batista havia detido as chaves daquele sacerdócio, em gerações passadas, ele foi enviado para conferir a ele e a Oliver Cowdery o que é conhecido como o Sacerdócio Aarônico, que os autorizava a batizar um ao outro para a remissão de pecados. E este mensageiro celestial veio e assim os ordenou, em 15 de maio de 1829, dizendo: "A vós, meus conservos, em nome do Messias, eu confiro o Sacerdócio de Aarão, que possui as chaves do ministério de anjos e do evangelho do arrependimento e do batismo por imersão para remissão de pecados; e ele nunca mais será tirado da Terra, até que os filhos de Levi tornem a fazer, em retidão, uma oferta ao Senhor." (D&C, página 100.) E o que veio depois? Foi necessário então que outras instituições fossem introduzidas e outros princípios desenvolvidos; e, consequentemente, os Apóstolos Pedro, Tiago e João apareceram, trazendo, e conferindo sobre suas cabeças, o Sacerdócio de Melquisedeque, que detém as chaves dos mistérios e das revelações de Deus, e por meio do qual eles podiam impor as mãos sobre os homens para a recepção do Espírito Santo. E quando receberam este dom, ele "trouxe as coisas passadas à sua lembrança, os conduziu a toda a verdade, e lhes mostrou as coisas que hão de vir"; abriu-se a comunicação entre os céus e a terra, pela qual outros, assim como Joseph Smith, podiam saber que Deus vivia, e obter para si mesmos, por meio da administração das ordenanças, um conhecimento de sua aceitação diante dele, e de seu relacionamento com ele, e também obter um conhecimento das coisas celestiais e também terrenas. Assim, primeiro, Joseph Smith, tendo recebido este conhecimento de que Deus vivia, e outros, por meio do mesmo instrumento que Deus ordenou, receberam o mesmo privilégio. Desta forma, se estabeleceu uma comunicação com os céus; não apenas com Joseph Smith e Oliver Cowdery, e aqueles imediatamente associados a eles, mas também com aqueles que receberam o Evangelho; e, como dizem as Escrituras: "Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus." E eles receberam aquele Espírito, por meio do qual eram capazes de compreender os princípios da verdade; e, como diz o Apóstolo João: "Mas vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas. E a unção que vós recebestes dele permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a mesma unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, e como ela vos ensinou, assim nele permanecereis." Como receberam eles esta unção? Arrependendo-se de seus pecados, sendo batizados por alguém que detinha a autoridade de Deus para a remissão de pecados, e tendo as mãos impostas sobre sua cabeça para a recepção do Espírito Santo. Eles receberam este espírito precisamente desta maneira, e assim tiveram este conhecimento para si mesmos; conhecimento que todos os Santos dos Últimos Dias têm, os quais vivem sua religião, andando humilde e obedientemente diante de Deus. Assim, isto é parte do que denominamos o Evangelho; é parte do que chamamos os princípios de vida, ou as leis da vida, pois conduz à vida, conduz a Deus, conduz a um conhecimento das leis de Deus, e a um conhecimento dos princípios da verdade, e a um conhecimento daqueles princípios que são calculados para exaltar e enobrecer a humanidade, tanto no tempo quanto por toda a eternidade. Não há nada de novo nisto, e, contudo, há. É chamado o novo e eterno Evangelho. Curioso, que algo eterno seja novo. Mas é um princípio que existiu com Deus, ou com os Deuses, se preferirdes, nas eternidades, e tem sido comunicado de tempos em tempos aos filhos dos homens. E, embora tenhamos uma grande quantidade de inteligência, erudição e ciência, e tudo o mais que é considerado digno entre os homens, não temos nada em tudo isto que dê um conhecimento das leis da vida. É necessário um desenvolvimento vindo de Deus para desvendar estas coisas, e nos tornar familiarizados com nossa verdadeira posição. Assim, embora seja novo para nós, é, não obstante, um princípio eterno. Somos seres mortais e imortais, temos a ver com o tempo e também com a eternidade. E, como as coisas do futuro são ocultas dos homens e só podem ser conhecidas por meio do Evangelho, este meio foi utilizado pelo Todo-Poderoso para a introdução dos princípios da verdade e para colocar a humanidade em posição de adquirir um conhecimento dele e de suas leis. Tendo sido colocados nesta posição, nós, cada um de nós, homens e mulheres que vivemos nossa religião, preservando-nos na pureza do Evangelho e agindo honrada e honestamente diante de Deus e do homem, temos o direito de saber e compreender por nós mesmos os princípios da verdade que abraçamos. Lembro-me bem de uma observação que Joseph Smith me fez há mais de quarenta anos. Disse ele: "Élder Taylor, fostes batizado, tivestes as mãos impostas sobre vossa cabeça para a recepção do Espírito Santo, e fostes ordenado ao santo sacerdócio. Agora, se continuardes a seguir as inclinações daquele espírito, ele sempre vos conduzirá corretamente. Às vezes pode ser contrário a vosso julgamento; não importa; segui os seus ditames; e, se fordes fiéis aos seus sussurros, ele se tornará, com o tempo, em vós, um princípio de revelação, de modo que sabereis todas as coisas." Isto concorda precisamente com algumas das palavras de João na passagem que vos citei. "Vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine: mas a mesma unção vos ensina todas as coisas." Ora, aquilo que João ensinou foi o Evangelho eterno, e aquilo que Joseph Smith ensinou foi o Evangelho eterno. Aquilo que João ensinou já foi esquecido há muito tempo pelo povo, eles não o possuem e, consequentemente, não podem compreendê-lo. E assim, quando Joseph Smith o revelou, ele pregou o novo e eterno Evangelho; novo para a geração que vive, e eterno porque existiu em todas as eras e tempos em que Deus se revelou à família humana. ¶
Mas, voltando a este assunto singular da edificação de Templos, ao qual me referirei novamente. Por que queremos edificar estes Templos? Alguns de nós dificilmente sabem; mas queremos edificá-los. Que coisa tão singular! Considerai apenas a quantidade de trabalho que já foi realizada por todo este Território. Certamente o povo tem algum motivo em vista. O artesão ou o trabalhador não se põe a trabalhar a menos que receba alguma recompensa. Quando os homens se dedicam a qualquer tipo de trabalho, seja mental, físico, mecânico ou científico, eles têm algum objetivo particular em vista. Assim é também em relação a estes assuntos. Já me referi a isto; mas muitos de nós dificilmente conseguem perceber por que estamos empenhados nestas coisas. ¶
Voltarei a referir-me a outra manifestação. Encontramos, entre outros que apareceram a Joseph Smith, o Profeta Elias; e para que veio ele? Sua missão especial era "converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais." E a mesma escritura nos informa de sua vinda "antes que venha o grande e terrível dia do Senhor." O que significa isto, pergunta o mundo? Significa que somos a descendência de Deus; significa, como dizem as Escrituras, que Deus é o Pai dos espíritos de toda carne; significa que temos a ver com a eternidade tanto quanto com o tempo; significa que temos a ver com as coisas passadas, com as coisas presentes e com as coisas por vir; significa que, sendo filhos de nosso Pai Celestial, estamos ou deveríamos estar sob o seu governo, prestando-lhe obediência, e que devemos operar com ele, estendendo misericórdia, amor e salvação aos vivos e aos mortos, segundo certas leis desconhecidas dos homens em geral, mas conhecidas de Deus e agora reveladas novamente por ele para a salvação de nossa raça. Significa que Deus é o Pai da família humana e está interessado em toda a sua prole, tanto a que agora existe quanto a que já partiu. Significa que há certas leis nos céus que dizem respeito a todos os homens, e que devem ser cumpridas, senão no tempo, na eternidade. Significa que todos os homens que viveram e morreram sem um conhecimento do Evangelho serão colocados no mesmo plano que nós, por meio do plano que ele providenciou, dando a todos os seus filhos, vivos ou mortos, uma oportunidade igual de aproveitarem os meios de salvação; e que devemos operar em favor deles, realizando certas ordenanças por eles, que eles agora são incapazes de realizar por si mesmos. Significa que, assim como Deus se interessa pelo bem-estar de toda a sua família, os homens na carne que possuem seu espírito e a luz da eternidade, tendo chegado a um conhecimento dele e de suas leis eternas, devem cooperar com ele na realização deste objetivo. E significa também que, se ele conferiu o Evangelho e o seu poder, e os Sacerdócios Aarônico e de Melquisedeque, enviando seus mensageiros dos céus para este propósito, não é para um fantasma, não é para um brinquedo a ser manuseado a bel-prazer; mas é para que operemos com Deus e com o sacerdócio que viveu antes de nós, na realização das coisas de Deus na terra. É isto o que significa. E assim, diz ele, quando Elias vier, ele "converterá o coração dos pais aos filhos", etc. Não é para que a humanidade venha, viva e exista por um pequeno tempo, para ser apagada e nada mais restar dela; mas é para que seja iluminada pelo Espírito de Deus, para que simpatize e tenha consideração por toda a família humana, viva e morta, sentindo-se desejosa de promover sua felicidade e bem-estar, assim como ele mesmo faz. Quantas vezes, pregando este Evangelho no exterior, ouvi homens dizerem, e vós já ouvistes o mesmo sentimento expresso: "Se isto é verdade, o que aconteceu com nossos pais? Estarão eles perdidos para sempre?" E então, como sabeis, eles têm certas ideias peculiares a respeito do inferno e da condenação, o lago de fogo e enxofre, no qual certa parte da família humana há de ser lançada, para arder para sempre e nunca ser consumida. E se nossa doutrina for verdadeira, eles pensam que seria cruel que este estado de coisas existisse. Ora, Deus é mais misericordioso do que o homem, ele possui mais simpatia pela natureza humana do que o homem possui, ou jamais possuiu, uns com os outros. O Senhor tem se ocupado do bem-estar da humanidade o dia todo, desde o começo do mundo até o presente. Mas há certas leis eternas entre os Deuses nos mundos eternos, que tornam necessário que a humanidade passe por certas provações, observe certas ordenanças e seja governada por certas leis, antes que possa ser exaltada no reino de Deus. E, como Satanás tem operado em oposição aos desígnios do Senhor, e até agora conseguido atrair os homens para si, tornou-se necessário que estas ordenanças que Deus instituiu fossem introduzidas, e que o homem fosse governado por elas. Assim, foi necessário que um Redentor fosse providenciado, o que foi perfeitamente compreendido por um dos Profetas, que disse: "Livra-o, para que não desça à cova; já achei resgate." Quem era ele? Quando Jesus apareceu, diz João: "Eis aqui o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." Ele foi o resgate. ¶
E quanto aos outros, os que morreram sem um conhecimento do Evangelho? Eles estão amplamente providos. O Senhor nos mostrou que devemos edificar Templos, nos quais oficiar por eles. Começamos a fazê-lo, e nossos pais já começaram a sentir por nós, manifestando-se por sonhos e visões, e de várias maneiras, àqueles mais interessados em seu bem-estar. E, tendo inaugurado este estado de coisas para nossa orientação, que temos hoje, com Presidentes, Apóstolos, Presidentes de Estacas, Sumos Conselhos, Sumos Sacerdotes, Setentas, Bispos, Élderes, Sacerdotes, Mestres e Diáconos, e as várias organizações da Igreja; cabe a cada um de nós operar em nossa esfera sob a direção do Todo-Poderoso; e sentir não apenas por nós mesmos, mas por outros, como fizeram Abraão, Isaque e Jacó; devemos ter o desejo de abençoar nossa posteridade depois de nós; e Deus nos mostrou como fazê-lo, e conferiu sua autoridade Patriarcal com poder de abençoar. Ele designou isto por meio do sacerdócio e das ordenanças de selamento. Aquilo que é unido, nenhum homem pode separar, e o que é ligado na terra também é ligado no céu; e também muitas outras coisas de natureza semelhante, em relação a nós mesmos. No momento em que um homem se ilumina pelo Espírito de Deus e começa a compreender a si mesmo, ele começa a sentir pelo bem-estar dos outros. "Tenho uma esposa, o que farei para salvá-la? Tenho filhos, o que posso fazer por eles?" E, aos poucos, sua compreensão se amplia, e ele passa a buscar seu pai, e seu avô, e amigos e parentes que já partiram; e seus sentimentos, se fossem expressos, seriam: o que posso fazer por eles para ajudá-los? Sim, ele nos revelou que podemos prestar valioso auxílio a nossos amigos e antepassados falecidos, e, como já disse, o Senhor nos mostrou que, para que eles recebam o benefício de nossos serviços, Templos devem ser edificados, e devem ser dedicados a Deus e aceitos por ele; e, por meio destas estruturas sagradas e das ordenanças nelas realizadas, há de haver uma união e uma soldagem de todos os princípios e povos, e sem elas esta grande obra não pode ser realizada. ¶
O irmão Folsom, que acabou de falar-vos sobre seus recentes trabalhos no Templo de Manti, diz que nunca se sentiu melhor em sua vida do que quando esteve ali envolvido. Qual é a razão? Ele esteve empenhado no serviço de Deus; e não há felicidade entre os homens que se compare com a alegria e a satisfação que o Evangelho confere; ele nos eleva das coisas sublunares do tempo e dos sentidos, e sentimos que somos deuses, sim, filhos de Deus, e que ele é nosso Pai; e sabemos que temos uma esperança que floresce com a imortalidade e as vidas eternas, e sentimos que estamos nas mãos de Deus, e que ele nos guiará e nos dirigirá e nos sustentará e nos conduzirá triunfantes em todas as circunstâncias; e nos sentimos alegres e felizes na contemplação destas coisas. E então é necessário que o Senhor tivesse introduzido este Evangelho, ou direi que ele jamais poderia ter salvado a família humana que já partiu? Sim, direi isto; porque há certas leis em relação a estas coisas que devem ser obedecidas; o próprio Senhor é governado por elas, e nós devemos ser governados por elas. E assim, quando Elias veio e impôs as mãos sobre Joseph Smith, conferindo-lhe aquele Evangelho que havia de converter o coração dos pais aos filhos, ele o recebeu, e o espírito dele nós recebemos; e é por isso que queremos edificar Templos. E, a este respeito, estamos associados àqueles nos céus, na realização do plano que foi contemplado e planejado pelos deuses antes que o mundo existisse, em relação à formação da terra, e em relação a povoá-la, e depois, no que diz respeito à sua redenção e à salvação de seus habitantes e a tudo o que a ela pertence, até que seja celestializada e seres celestiais a habitem. E estamos operando, ou deveríamos fazê-lo, e o faremos quando nos conhecermos a nós mesmos, com os santos anjos e com o santo sacerdócio que existiu antes, fazendo nossa parte na terra enquanto eles realizam a sua nos céus. Poderíamos fazer alguma coisa, a menos que Deus nos ajudasse? Não, não poderíamos. Poderíeis pregar até que a língua se colasse ao céu da boca, instando o povo a edificar Templos, mas, a menos que o espírito de Elias repousasse sobre eles, eles jamais o fariam. E, às vezes, as pessoas pensam agora que isto interfere com os dólares e os centavos e seus cálculos monetários; mas que importância tem isto? Deus está interessado nestas coisas, e não se importa muito com os dólares, pois o ouro e a prata, e o gado sobre mil colinas são dele, a terra em sua plenitude lhe pertence; os céus são o seu trono, e a terra, o seu escabelo, e ele administra e dirige segundo o conselho de sua própria vontade. E, assim como enviamos nossos ministros às nações da terra para realizar certas missões designadas pelo sacerdócio na terra, também Deus, nos céus eternos, emprega aqueles de seus servos ao seu redor na realização do mesmo grande objetivo. ¶
Pensais que este Evangelho teria resistido à oposição que enfrentou, e que este povo poderia ter vivido sob a calúnia e o opróbrio, a vituperação, o ódio e a perseguição que foram levantados contra ele pelos homens, se Deus não estivesse conosco? Não; teríamos sido dispersos como a palha ante o vento, há muito, muito tempo. Mas Deus nos tem sustentado, e tem dito a todos os homens, e continuará a dizer: Até aqui virás e não mais adiante, e aqui será detido o teu poder. Nossa força está em Deus, e não no homem. Muitas e muitas vezes tenho visto a ira do homem ser desviada, quando se pensava que seu poder nos esmagaria, e isso também por um único princípio. Qual era ele? Jesus, quando estava na carne, ensinou seus discípulos a orar; e o Senhor também nos tem instruído a orar. E temos a consolação de saber que nossas orações têm prevalecido diante dele, pois temos visto nossos inimigos frustrados, confundidos, desbaratados e dispersos, os quais buscavam nossa destruição, e seus planos totalmente fracassarem, e isso mesmo quando, a toda aparência humana, estávamos prestes a ser submergidos e dominados por sua fúria. E, enquanto continuarmos a temê-lo, a observar suas leis e a guardar seus mandamentos, todos os seus planos fracassarão, desde agora e para sempre [a congregação disse: Amém], pois Deus está do nosso lado, e ele nos susterá e jamais nos abandonará. ¶
Voltando novamente ao assunto da edificação de Templos. Poderia falar sobre isto de agora até amanhã, e ainda assim não chegaria à quarta parte, pois há tantas coisas ligadas a ele. Mas sentimos agora que queremos edificar Templos, para que possamos oficiar neles. O irmão Woodruff tem estado operando por muito tempo no Templo de St. George; e talvez já o tenhais ouvido testificar de visitas que teve do mundo espiritual, dos espíritos de homens que outrora viveram na terra, desejando que ele oficiasse por eles nas ordenanças do Templo. Este sentimento está plantado no coração do povo; e o sacerdócio nos céus está velando por nós; são espíritos ministradores enviados para ministrar àqueles que hão de ser herdeiros da salvação, diz o Apóstolo; e, se não fôssemos os recipientes de suas ministrações e de seu cuidado vigilante, estaríamos em pobre condição. Eles estão operando nos céus, e nós, na terra; eles, sem nós, não podem ser aperfeiçoados, nem tampouco nós sem eles; requer-se o esforço combinado e unido de ambas as partes, dirigido pelo próprio Deus, para consumar a obra em que estamos empenhados. ¶
Mostrar-vos-ei aqui a diferença entre as operações dos homens e as do Senhor, no que diz respeito à família humana. Os homens fazem guerra uns contra os outros, matam, destroem e devastam. Esta obra de matar e destruir está ocorrendo até mesmo agora entre os russos e os turcos. E foi há apenas pouco tempo que os alemães e os franceses faziam o mesmo; e quase parece coisa de ontem, quando nossa própria nação estava tingindo as mãos no sangue umas das outras, quando o pranto de viúvas e órfãos, de pais e mães enlutados, irmãos e irmãs, era ouvido por toda a nossa terra, e quando a necessidade e a miséria, a dor e o pesar se estampavam nos rostos de tantos, por causa da inumanidade do homem para com seu semelhante. Que dizem as Escrituras? "Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado." Que direito tem qualquer homem de interferir na vida de outro homem? ¶
Agora voltarei a mostrar-vos como o Senhor opera. Ele destruiu um mundo inteiro de uma só vez, salvo alguns poucos, que ele preservou para seu próprio propósito especial. E por quê? Ele tinha mais de uma razão para fazê-lo. Este povo antediluviano não era apenas muito perverso em si mesmo, mas, tendo o poder de propagar sua espécie, transmitia suas naturezas e desejos ímpios a seus filhos, e os criava para se entregarem às suas próprias práticas ímpias. E os espíritos que habitavam os mundos eternos sabiam disto, e sabiam muito bem que nascer de tais pais lhes acarretaria uma quantidade infinita de sofrimento, miséria e pecado. E, supondo que fôssemos do número dos espíritos ainda não nascidos, não seria justo presumir que apelaríamos ao Senhor, clamando: "Pai, não vês a condição deste povo, quão corrupto e perverso ele é?" Sim. "É então justo que nós, que agora somos puros, tomemos tais corpos e assim nos sujeitemos às mais amargas experiências antes de podermos ser redimidos, segundo o plano de salvação?" "Não", diria o Pai, "isto não está em harmonia com minha justiça." Pois bem, o que fareis nisto; o homem tem seu livre-arbítrio e não pode ser coagido, e, enquanto viver, tem o poder de perpetuar sua espécie? "Primeiro lhes enviarei minha palavra, oferecendo-lhes livramento do pecado, e advertindo-os de minha justiça, que certamente os alcançará se a rejeitarem, e os destruirei da face da terra, impedindo assim seu aumento, e levantarei outra semente." Pois bem, eles rejeitaram a pregação de Noé, o servo de Deus, que lhes foi enviado, e, consequentemente, o Senhor fez com que as chuvas do céu descessem incessantemente por quarenta dias e noites, o que inundou a terra, e, não havendo meio algum de escapar, exceto para as oito almas que foram obedientes à mensagem, todas as demais se afogaram. Mas, diz o caviloso, é justo que um Deus justo elimine tanta gente? Isto está de acordo com a misericórdia? Sim, foi justo para com aqueles espíritos que ainda não haviam recebido seus corpos, e foi justo e também misericordioso para com aquele povo culpado da iniquidade. Por quê? Porque, ao lhes tirar a existência terrena, ele os impediu de transmitir seus pecados à sua posteridade e de degenerá-la, e também os impediu de cometer novos atos de perversidade. E foi justo enviá-los ao inferno, para arderem eternamente em fogo, sem nunca serem consumidos? Não sabemos nada a respeito desta parte, isso é sectarismo, e não faz parte do Evangelho de Jesus Cristo. Basta dizer que foram postos em prisão, e as portas foram tão seguramente trancadas que não puderam ser abertas até que o tempo determinado chegasse. Os Profetas compreenderam isto, e falaram a respeito. ¶
E depois? Deus ainda os procurava; e disse, falando do Salvador, que ele haveria de vir. E para fazer o quê? "Restaurar os contritos de coração, a apregoar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do Senhor." Esta era a natureza de sua missão à terra. E o que nos dizem as Escrituras que ele fez? "Mortificado na verdade, na carne, porém vivificado pelo Espírito; No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; Os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé." Foram eles redimidos? Sim, se Jesus lhes pregou o Evangelho, o que certamente fez. Se um homem mata outro, sabe ele como redimi-lo depois? Não, não sabe; portanto, os homens não têm o direito de assumir as prerrogativas de Deus, e por isso as Escrituras dizem que "nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele." Podeis levar o sacerdote, ou os sacerdotes, a orar por ele e enviá-lo ao céu no momento em que exala o último suspiro aqui; mas tais orações não servem de nada; ele jamais chegará lá, mas irá para o lugar que lhe foi designado. Eis, então, a diferença entre os tratos de Deus com o homem e os tratos do homem, um com o outro. ¶
Somos movidos a edificar Templos. Há um sendo edificado agora em Logan, no Vale de Cache. Estive lá há duas semanas, e fiquei muito satisfeito ao ver a obra sendo levada adiante com tanta energia e tanto espírito. Desde o início de junho, creio, mais de 30.000 dólares foram gastos pelo povo daquela e de outras duas Estacas, na preparação dos arranjos necessários para a edificação deste Templo. Encontramos o mesmo espírito existente entre eles como encontramos em St. George, e em Sanpete, e aqui, e, de fato, como encontramos em toda parte entre os Santos dos Últimos Dias; e fico muito satisfeito ao ver o povo assim movido e agindo. No Milênio, uma duração de mil anos, estaremos ativamente empenhados em oficiar pelos mortos, e em ajudar Deus a ajustar contas com os habitantes da terra. ¶
Antes de encerrar, desejo acrescentar algumas palavras a respeito de assuntos associados à nossa posição aqui, que é uma posição muito importante diante dos anjos e do povo. Ocupamos uma posição importante a este respeito; somos os filhos e filhas de Deus; se obedecermos às suas leis e guardarmos os seus mandamentos, provando-nos valentes e fiéis à sua causa, seremos herdeiros, "herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se porventura com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados", e reinaremos também com ele, para que todos sejam glorificados juntos nos mundos eternos. Ora, se pudermos realizar uma obra deste tipo, e obter a aprovação de Deus, e a cooperação do santo sacerdócio, então estaremos fazendo algo que não apenas será aceitável a ele e aos santos anjos, mas também ao nosso nome e fama, à nossa honra, felicidade e glória, e ao aumento de nosso domínio não haverá fim. Mas, se cedermos à tolice e à vaidade, à cobiça e ao orgulho, ou à maldade, à perversidade ou à corrupção de qualquer tipo, a mão de Deus estará sobre nós, nosso candeeiro será removido de seu lugar, a luz dentro de nós partirá, e as trevas tomarão o seu lugar; e, oh, quão grandes serão aquelas trevas! Quantas vezes já vi homens que conheci nesta Igreja, e a quem respeitei como honrados, naufragarem em sua fé, perderem o Espírito de Deus e caírem nas trevas. Quando eles se desviam, depois de terem recebido certa luz e inteligência, podeis conduzi-los de volta? Não, não podeis. Eles não têm desejo disso, e não podeis implantar aquele desejo dentro deles. Que diz Paulo? "Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo futuro, E vieram a cair, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que eles de novo crucificam para si mesmos o Filho de Deus." Não queremos estar naquela terrível condição. Sejamos cuidadosos, então, quanto ao que fazemos e ao que dizemos, e como agimos e vivemos. Tratemos uns aos outros de maneira correta e apropriada, não buscando oprimir e defraudar, ou roubar uns aos outros da propriedade, ou da honra, ou do caráter, ou de qualquer outra coisa; mas sigamos todos o exemplo do Filho de Deus, andando em toda humildade e mansidão, sentindo-nos antes dispostos a sofrer o mal do que a fazê-lo, e sempre desejosos de promover a felicidade e o bem-estar uns dos outros. Não sejamos censuradores, nem opressivos, nem tirânicos, nem exigentes; mas cultivemos o espírito de bondade e caridade, e busquemos continuamente o Espírito de Deus, para nos guiar e dirigir. A cada manhã que nos levantarmos, dediquemo-nos a Deus, e peçamos sua bênção sobre nós durante o dia, para que sejamos preservados do mal, da tolice e da vaidade. Sejamos governados e influenciados pelos conselhos que recebemos de nossos Bispos e autoridades presidentes; e oremos por eles, para que sejam mantidos puros e santos; e não deixemos de suplicar ao Pai em favor dos Doze, pois somos pobres e fracas criaturas, e necessitamos da fé e das orações dos Santos, e da ajuda e do favor do Todo-Poderoso, e pedimos um interesse em vossas orações, para que possamos ser conduzidos nas veredas da vida; pois nenhum de nós pode fazer coisa alguma, a menos que Deus esteja conosco. ¶
Irmãos e irmãs, que Deus vos abençoe, e vos conduza nas veredas da vida, para que possais estar preparados para uma herança no reino celestial de Deus, em nome de Jesus. Amém. ¶