Pulpit

Uma Conferência Importante—A Morte de José e a Morte de Brigham—As Chaves do Apostolado—A Revelação para a Direção da Igreja Vem por Meio do Cabeça—Quanto à Primeira Presidência

George Q. Cannon

1877-10-08

Nossa Conferência é das mais importantes, uma que sem dúvida será longamente lembrada por aqueles que participaram de suas deliberações e ações. Não é frequente que nós, como povo, sejamos chamados a passar por circunstâncias como aquelas que nos cercaram nas últimas quatro ou cinco semanas. Duas vezes em nossa história, durante os últimos quarenta e sete anos e meio, fomos chamados a lamentar a perda daquele que conduziu a causa do Santo Sacerdócio sobre a terra. Em ambas as ocasiões, o golpe caiu, poder-se-ia dizer, inesperadamente sobre nós; foi particularmente assim no martírio do Profeta José Smith, pois ele havia passado por tantas dificuldades, e tivera tantas escapadas por pouco, e tantas libertações de perigos do caráter mais ameaçador, que os Santos dos Últimos Dias haviam chegado a considerá-lo quase invulnerável, e que sua vida seria poupada até uma boa velhice, se não até a cena final. Seu martírio, então, caiu como um golpe muito inesperado sobre o povo. Foi um choque terrível, para o qual grande parte dos Santos dos Últimos Dias estava despreparada. É verdade que muitos foram avisados, especialmente aqueles que estavam no exterior entre as nações pregando; tiveram sonhos e manifestações do Espírito a respeito da terrível calamidade. Mas os que estavam em casa mal estavam preparados. As evidências vieram tão rapidamente, uma após a outra, que quase não havia ideia entre o povo de que sua prisão, ou sua entrega voluntária como o fez, terminaria em tal catástrofe. A própria Igreja estava tão despreparada, por qualquer experiência anterior, para os passos necessários a fim de levar adiante a obra que o Senhor havia estabelecido, e da qual ele fora o instrumento.

Lembro-me bem dos sentimentos experimentados naquela ocasião; como as mentes dos homens se perguntavam, e as conjecturas em que se permitiam; as suposições, as antecipações, alguns pensando que um homem seria escolhido, e outros que seria outro. Muitos do povo estavam totalmente perdidos para saber quem assumiria os assuntos da Igreja. E, embora não estivessem satisfeitos com Sidney Rigdon, nem com sua pregação, nem com suas propostas, muitos estavam indecisos em suas mentes quanto a quem seria o líder, ou quem teria o direito de estar à frente. Quando os Doze retornaram e suas vozes foram ouvidas no meio do povo; quando o Presidente Young se levantou diante da congregação e falou ao povo, a dúvida e a incerteza e todo sentimento afim se desvaneceram, e todos os que tinham porção suficiente do Espírito do Senhor reconheceram nele o homem que o Senhor havia escolhido para conduzir e guiar seu povo, em lugar do Profeta martirizado.

Pela primeira vez na história da Igreja, os Doze Apóstolos deram um passo à frente e tomaram os assuntos a seu cargo, pela autoridade do Apostolado, e a autoridade que haviam recebido do Profeta José. E por pouco mais de três anos, conduziram e guiaram a Igreja, até que o Senhor inspirou seu servo Brigham a organizar uma Primeira Presidência da Igreja. Esta experiência tem sido de grande valor para nós em nossas circunstâncias presentes. Os homens têm olhado para o passado; lembraram-se do que foi feito no período a que me refiro, e a dúvida, a incerteza e a hesitação não existiram em grande medida; de fato, não existiram de forma alguma nas mentes daqueles de longa experiência na Igreja. Os Doze Apóstolos têm a autoridade de conduzir e guiar, de administrar e dirigir os assuntos da Igreja, sendo o Quórum imediatamente abaixo da Primeira Presidência. Naturalmente, cabe a eles dar um passo à frente mais uma vez e assumir a direção e o controle, ditar e aconselhar e regular, na medida do necessário, tudo o que se relaciona à organização do povo, e à proclamação do Evangelho entre as nações da terra.

Embora o golpe tenha sido pesado, e tenha caído inesperadamente sobre nós, pareceu-me, durante o verão passado, observando o Presidente Young, ouvindo-o, associando-me a ele, que ele havia obtido uma nova concessão de vida. Não fora capaz de falar por anos em assembleias públicas com a facilidade que teve desde o último inverno. Parecia que havia superado sua fraqueza, uma fraqueza no estômago da qual sofria quando falava a grandes congregações, e sua saúde corporal parecia ser tão perfeita quanto poderia ser para um homem de sua idade; sendo este o caso, foi coisa muito inesperada que ele partisse tão subitamente. Mas, olhando para trás às circunstâncias que o cercavam e que cercavam a Igreja, e os labores tão essenciais que ele tinha de realizar, podemos agora compreender por que foi que ele foi tão grandemente fortalecido, que teve tal vigor não apenas para falar, mas para realizar os labores de viajar e visitar os vários assentamentos, de que desfrutava. Eu mesmo não creio que o Presidente Young poderia ter se sentido tão feliz, como sei que se sente, se tivesse deixado a Igreja na condição em que estava quando começou seus labores na primavera passada. Estou convencido de que isto aumentou grandemente sua satisfação; foi uma consumação apropriada aos labores de sua longa vida que ele fosse poupado para organizar a Igreja por todos estes vales da maneira em que agora está organizada. Foi observado pelo irmão Pratt, em seu discurso, que em nenhum momento desde a primeira organização da Igreja os Santos dos Últimos Dias estiveram tão bem organizados; tudo posto em ordem tão completamente como agora os vemos. Esta é sua experiência e seu testemunho; e sabeis que ele tem estado familiarizado com a Igreja desde quase o início de sua organização até o presente. E creio que este seria o testemunho de todo homem de longos anos pertencente à Igreja. E sou grato neste dia por o Presidente Young ter sido poupado para realizar esta obra, por o Senhor lhe ter dado o vigor corporal e a capacidade mental suficientes para permitir-lhe encerrar os labores de sua carreira terrena de maneira tão apropriada.

Ele traçou o caminho a ser seguido pelos Doze. E fui impressionado várias vezes durante o verão que o espírito que ele possuía em relação a estes assuntos o impelia a apressá-los, e ter tudo atendido rapidamente; quase um sentimento de inquietação se manifestava nele (o que era tão contrário à sua usual calma de maneiras), para ter a obra de organização concluída. Fui lembrado várias vezes do mesmo espírito que repousava sobre o Profeta José; ele, ao que parecia, não conseguia descansar, estava constantemente incitando e exortando os Doze a darem um passo à frente e assumirem a responsabilidade que sobre eles recaía, e a transmitir ao povo o conhecimento que o Senhor lhe dera, e a conferir aos servos de Deus as chaves e a autoridade do santo Sacerdócio em sua plenitude. E o Presidente Young manifestou o mesmo espírito. Viveu para receber o Élder Taylor e os irmãos dos Doze que o acompanharam depois de seu retorno de organizar a última das Estacas de Sião, e para conferenciar com eles. Poucas horas depois, ele partiu.

Em nenhum momento, provavelmente, na história da Igreja, os Santos estiveram tão calmos e tão serenos, manifestando tão pouca preocupação em relação à maneira como os assuntos deveriam seguir, e à condução dos negócios da Igreja, como o fizeram nesta ocasião. Tem parecido como se o Senhor tivesse preparado o povo para estas coisas. Ele derramou sobre nós o espírito de união que não tem sido desfrutado, provavelmente, em tão grande medida em nenhum outro momento de nossa história. Há grandes labores designados a todos nós em todo departamento do Sacerdócio. Se tomarmos a obra e a levarmos adiante no espírito com que nos foi confiada por ele, agora que partiu de nosso meio, o Senhor continuará conosco, e nos abençoará como o abençoou. Pois ele esteve com ele toda a sua vida; esteve com ele ao aconselhar o povo; esteve com ele ao profetizar ao povo, e ao ensiná-lo e dirigi-lo em seus labores tanto temporais quanto espirituais. E o Senhor coroou sua vida com sucesso, e seus labores com bênção; e aqueles que o sustentaram e obedeceram a seus conselhos foram prosperados em toda instância; e quando receberam o conselho no espírito apropriado, e o levaram a cabo tal como lhes foi dado, eles e a Igreja prosperaram sob sua presidência e administração; e isto se espalhou com poder e majestade, e de tal maneira que trouxe convicção aos corações de milhares de pessoas de que há um poder ligado a este sistema chamado "mormonismo," não compreensível para quem não o vê pelo Espírito de Deus. Sinto que nós, como povo, deveríamos abraçar esta obra; que nós, como Apóstolos, que nós, como Setentas, e como Sumos Sacerdotes, como Élderes, como Sacerdotes, Professores e Diáconos, deveríamos abraçar esta obra com seriedade e zelo, e levá-la adiante como o fez nosso Profeta e chefe de fila durante sua vida; que deveríamos retomá-la onde ele a deixou, e prosseguir com ela até que o fim seja alcançado, e a plena consumação de todas as coisas seja realizada; procurando ter o espírito que o animava, e segui-lo como ele seguiu José, como honrou José, como reverenciou José, como sustentou José, como manteve José, quanto à doutrina e ao conselho, de modo que me parece que, se formos animados pelo Espírito de Deus, o honraremos e seguiremos seus passos, como ele seguiu José, e como José seguiu Cristo. Quando fizermos isto, e abraçarmos esta obra com a seriedade e o zelo que deveriam caracterizar nossas ações, o Espírito e o poder de Deus repousarão sobre nós, e ele nos levará adiante como levou aqueles que nos precederam; não nos abandonará, nem nos deixará em posição alguma em que estejamos desprovidos de ajuda.

Ouvi com grande prazer aquela parte do discurso do irmão Pratt que ouvi, a respeito do Apostolado e da autoridade do Apostolado, e do direito do Sacerdócio de governar e reger. Tem havido muitas ideias flutuando nas mentes dos homens a respeito desta obra, e suponho que já fui interrogado, poderia dizer, milhares de vezes — em todo caso, fui interrogado sobre este ponto mais do que sobre qualquer outro, a saber, quem sucederá o Presidente Young no caso de ele falecer? Os Santos dos Últimos Dias que têm tido experiência neste assunto não têm tido ocasião de fazer esta pergunta; mas muitos Santos inexperientes a tinham em seus corações, perguntando-se que forma tomariam os assuntos caso algo acontecesse ao Presidente da Igreja.

Todo homem que é ordenado à plenitude do Apostolado tem o poder e a autoridade de conduzir e guiar o povo de Deus sempre que for chamado a fazê-lo, e a responsabilidade recai sobre ele. Mas há uma diferença, como foi explicado pelo irmão Pratt, que surge em alguns casos da antiguidade em idade, em outros casos da antiguidade em ordenação. E, embora seja o direito de todos os Doze Apóstolos receber revelação, e de cada um ser um Profeta, ser um Vidente, ser um Revelador, e deter as chaves em plenitude, é apenas o direito de um homem por vez exercer esse poder em relação a todo o povo, e dar revelação e conselho, e dirigir os assuntos da Igreja — sempre, é claro, agindo em conjunto com seus companheiros de serviço. E, embora digamos que os Doze Apóstolos têm o direito de governar, que os Doze têm a autoridade, que os Doze Apóstolos são os homens que presidem — quando dizemos isto, não queremos dizer que cada um dos Doze vai dar revelação a este grande povo, que cada um dos Doze tem o direito de aconselhar e ditar e regular os assuntos da Igreja conforme as emergências possam surgir, independentemente dos demais. A Igreja não é governada como a Instituição Cooperativa de Sião, por um Conselho de Diretores; este não é o desígnio de Deus. É governada por homens que detêm as chaves do Apostolado, que têm o direito e a autoridade. Qualquer um deles, caso surja uma emergência, pode agir como Presidente da Igreja, com todos os poderes, com toda a autoridade, com todas as chaves, e com toda investidura necessária para obter revelação de Deus, e para conduzir e guiar este povo no caminho que leva à glória celestial; mas há apenas um homem por vez que pode deter as chaves, que pode ditar, que pode guiar, que pode dar revelação à Igreja. Os demais devem aquiescer em sua ação, os demais devem ser governados por seus conselhos, os demais devem receber suas doutrinas. Assim foi com José. Outros detinham o Apostolado — Oliver recebeu o Apostolado ao mesmo tempo que José, mas José detinha as chaves, embora Oliver detivesse precisamente a mesma autoridade. Havia apenas um que poderia exercê-lo em sua plenitude e poder entre o povo. Assim também, à morte de José, havia apenas um homem que poderia exercer aquela autoridade e deter aquelas chaves, e esse homem era o Presidente Brigham Young, o Presidente do Quórum dos Doze, a quem Deus havia escolhido, que, por extraordinária providência, fora trazido à frente, embora muitos estivessem à sua frente segundo a ordenação em um ou outro momento.

Agora que ele partiu, apenas um homem pode deter este poder e autoridade a que me refiro, e esse homem é aquele a quem sustentastes ontem, como Presidente do Quórum dos Doze, como um dos Doze Apóstolos e da Presidência, chamado John Taylor. Quando a revelação vier a este povo, é ele quem tem o direito de dá-la. Quando o conselho vier a este povo, como povo, é ele quem tem o direito de transmiti-lo; e, embora os Doze estejam associados a ele, um em poder, um em autoridade, devem respeitá-lo como seu Presidente, devem olhar para ele como o homem por meio de quem a voz de Deus virá a eles, e a todo este povo. Por extraordinária providência, ele foi trazido à frente. Os homens se perguntaram por que assim foi. É fácil de explicar. Houve um tempo em que três Apóstolos vivos, três Apóstolos que hoje vivem, tinham seus nomes colocados acima do dele no Quórum dos Doze. Mas, quando este assunto foi refletido, o Presidente Young foi movido a colocá-lo à frente de um, e depois à frente de outros dois, até que, pela voz unânime dos Apóstolos, foi reconhecido como o Apóstolo Sênior, detendo a mais antiga ordenação sem interrupção entre os Apóstolos. Não que ele o buscasse; não que se esforçasse para obtê-lo; não que implorasse por seu lugar, pois é devido a ele dizer a esta congregação hoje que nenhum homem foi mais modesto em insistir em sua reivindicação ou em expor seu direito do que ele. Mas o Presidente Young foi guiado pelo Espírito de Deus, como verdadeiramente cremos, a colocá-lo em sua posição correta; e há dois anos, em junho passado, em Sanpete, ele declarou numa congregação pública que John Taylor estava logo abaixo dele; e que, quando estivesse ausente, era direito dele presidir o Conselho. Pouco pensávamos então, naquela ocasião, que surgiria tão cedo uma necessidade em que ele fosse chamado a exercer aquele poder, aquela autoridade e direito. A maioria do povo poderia facilmente imaginar que o Presidente Young sobreviveria ao Presidente Taylor, mas o Senhor ordenou de outra maneira.

Quanto à ordenação, muitas pessoas imaginaram que era necessário ordenar um homem para suceder outro, que isso lhe conferiria uma eficácia particular ou o dotaria de algum poder adicional. A ordenação é sempre boa e aceitável; bênçãos e designações são sempre desejáveis para aqueles que têm de sair para se prepararem para o serviço de Deus; mas não é necessário que um Apóstolo seja ordenado para estar à frente do povo. Quando surge a exigência, ele já possui a plenitude da autoridade, e o poder dela. Fui informado de um sonho que uma pessoa teve pouco depois da morte do Profeta. Uma pessoa sonhou que certo homem havia sido designado pelo Presidente, e que as chaves lhe haviam sido dadas; e que o Presidente Young veio e disse que havia dado a esta pessoa as chaves. Ora, isso por si só, para uma pessoa que compreende o princípio, traria consigo sua própria contradição. O homem sonhado já era um Apóstolo, detendo e exercendo as chaves do Apostolado; e, portanto, não seria necessário que o Presidente Young lhe conferisse novamente as chaves. Se todo homem dos Doze, exceto um, fosse morto, o que restasse teria o direito de organizar uma Primeira Presidência da Igreja, de escolher Doze Apóstolos, e de organizar a Igreja em sua plenitude e poder, e de presidir sobre ela. E seus atos seriam aceitos pelo Senhor, e obrigatórios sobre o povo. Esta é a autoridade do Apostolado. Se todo Apóstolo antigo tivesse sido morto, exceto João, o Revelador, como todos foram, e houvesse fé e homens suficientes restantes, ele teria o direito de ordenar outros Apóstolos, e pôr em ordem toda a Igreja, e levar adiante a obra como o Senhor a ditasse. Assim também em nossos dias. Como já declarei, não é necessário que um homem que recebeu este poder e estas chaves seja ordenado e designado para agir; ele pode agir em qualquer posição. O Presidente Young, quando escolheu o irmão George A. Smith para ser seu Primeiro Conselheiro, no lugar de Heber C. Kimball, não impôs as mãos sobre sua cabeça para lhe conferir qualquer poder ou autoridade adicional para a posição, porque o irmão George A. detinha o Apostolado em sua plenitude, e, em virtude daquele Sacerdócio, poderia agir naquela ou em qualquer outra posição na Igreja. Ele escolheu outros Conselheiros assistentes; não os designou, não havia necessidade disso, pois já detinham o Apostolado. E, se o tivesse feito, só poderia tê-los abençoado; não poderia ter-lhes conferido mais do que já tinham, pois tinham tudo o que ele mesmo tinha, isto é, quando os escolhia do mesmo Quórum. Ele escolheu vários de seus Conselheiros assistentes do Quórum dos Doze; não impôs suas mãos sobre eles para designá-los, nem para lhes dar a autoridade e o poder de agir como seus Conselheiros; já os detinham.

É bom que os Santos dos Últimos Dias compreendam os princípios do Santo Sacerdócio, e o poder dele, para que possa ser sabido por vós onde repousa a autoridade, quem tem o direito de ensinar e guiar e aconselhar nos assuntos do reino de Deus. O Senhor o revelou com clareza, de modo que os caminhantes, até mesmo os tolos, não errarão. Foi necessário que o Élder Taylor fosse designado para presidir sobre este povo? Foi necessário que os Doze Apóstolos fossem designados para presidir sobre este povo? Não, não foi, pois já possuíam o poder, a autoridade e a ordenação. Foi necessário que o Profeta José Smith designasse Brigham, Heber, ou Willard, ou qualquer outro dos Doze Apóstolos? Não, pela mesma razão, haviam recebido a plenitude do Santo Sacerdócio, a plena investidura e as chaves, e a autoridade, e a plenitude do Apostolado; portanto, não era necessário. Poderia ter sido feito; não haveria erro em fazê-lo; não haveria impropriedade em abençoar um homem; não haveria impropriedade em um homem como José ou Brigham, favorecidos por Deus com o poder de mover os céus para trazer bênçãos sobre os filhos dos homens; digo, não haveria impropriedade em tais homens imporem suas mãos sobre qualquer homem e o abençoarem; o Senhor o abençoaria, se assim fosse abençoado. Mas estou agora falando da autoridade e do poder do Santo Sacerdócio. A bênção de tais homens, ou por tais homens, não lhe conferiria nenhuma autoridade adicional ou mais chaves, presumindo que ele já tivesse recebido a plenitude do Apostolado. Alguns podem sentir que o Senhor deveria levantar um homem por manifestações especiais de poder para presidir sobre sua Igreja — tendo eles uma expectativa dessa natureza. Sempre que o Senhor o fizer, será porque há necessidade disso, e sempre que houver necessidade disso, não será revelado por meio de um dos Doze, à parte do Presidente, não será revelado por meio de um Setenta, não será revelado por meio de um Sumo Sacerdote, de um Élder, de um Patriarca; virá como vêm todas as revelações do Senhor, para serem obrigatórias sobre este povo, por meio da voz daquele a quem o Senhor escolher para ser sua voz, sancionado pelos Doze Apóstolos. Ouvi isto, ó Israel! e lembrai-vos disso. Tenho eu o direito de dizer quem deve presidir sobre este povo? Não. Ainda que seja um Apóstolo, detendo as chaves com meus irmãos e estando ao lado deles, tendo autoridade igual à deles. Por quê? Porque não sou escolhido pelo Senhor para ser sua boca aos Santos dos Últimos Dias; o que quero dizer com isto, para lhes dar revelação. É meu direito instruir e ensinar, labutar e aconselhar; mas não é meu direito organizar uma Primeira Presidência para esta Igreja, nem tampouco é direito de nenhum outro homem, exceto aquele a quem o Senhor escolheu Presidente dos Doze, com aquele Quórum estando como a Primeira Presidência. Um dia ou dois atrás, um homem veio aqui e notificou o Presidente dos Doze de que ele seria o sucessor de Brigham. A interpretação mais caridosa que se pode dar a tais discursos é que o homem está louco. Sempre que a voz do Senhor vier sobre tal assunto, virá com o poder e a demonstração do Espírito Santo e com muita segurança, e todo Santo dos Últimos Dias sobre a terra a receberá, porque o Espírito de Deus dará testemunho a nossos espíritos de que é dele, de modo que não podemos ser enganados. É nosso privilégio viver de tal maneira que conheçamos a voz do verdadeiro pastor, e não sejamos enganados por aqueles que professam ter revelação e ter autoridade, quando não a têm. E todo homem e mulher nesta Igreja deveria viver de tal maneira que, quando ouvissem a verdadeira voz, a reconheceriam como reconheceriam a voz de seu amigo mais próximo, e não seriam enganados ou desviados. Bem, mas, diz alguém, por que não podeis organizar uma Primeira Presidência agora, se os Doze têm esta autoridade? Quereis saber a razão, irmãos e irmãs, por que não damos tal passo? Suspeito que gostaríeis de saber por que um homem e seus dois Conselheiros não são escolhidos, chamados e designados pela voz do povo nesta Conferência, como a Primeira Presidência da Igreja? A razão é simplesmente esta: o Senhor não no-lo revelou; ele não nos ordenou a fazer isto, e até que o exija de nossas mãos, não o faremos. Por ora, parece ser a mente e a vontade de Deus, tal como nos foi manifestada, que os Doze presidam sobre a Igreja. E até que ele revele a seus servos que é certo e apropriado que uma Primeira Presidência seja novamente organizada, esperaremos, nada faremos dessa natureza. Quando vier a voz de Deus, quando for o conselho de nosso Pai Celestial que uma Primeira Presidência seja novamente organizada, o Quórum dos Doze será organizado em sua plenitude como antes. Portanto, podeis esperar, tanto quanto nós, pela voz do Senhor; e, quando ela vier, seja quando for, vereis a Igreja tomar providências neste assunto; mas, até então, Santos dos Últimos Dias, sereis governados pela autoridade que já existe. Se três homens têm o direito de governar, certamente doze homens, todos possuindo as mesmas chaves, têm esse direito e essa autoridade. Então, esperemos o bom prazer do Senhor, e cessemos as conjecturas, e cessemos de nos entregarmos a ideias vãs e tolas sobre estes assuntos.

Rogo a Deus que vos abençoe, e derrame seu Espírito sobre todos nós, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “Uma Conferência Importante—A Morte de José e a Morte de Brigham—As Chaves do Apostolado—A Revelação para a Direção da Igreja Vem por Meio do Cabeça—Quanto à Primeira Presidência”, (1877-10-08). Pulpit Vault, 1877-10-cannon-an-important-conference. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).