A Ordem Unida O Dever do Sacerdócio O Evangelho Não É Comunismo Ensinando o Povo a Viver Independência da Babilônia Os Santos Continuarão a Espalhar-se Unidade de Propósito e Ação Trará Novamente Sião Crítica às Escolas Gratuitas Situação Educacional de Nossos Filhos
Brigham Young
Gostaria de dizer muito, durante esta Conferência, aos Santos dos Últimos Dias, mas poderei falar apenas pouco, e por isso, quando falar, desejo que ouçais, e creio que todos vós o fareis. ¶
Penso que, como povo, somos mais parecidos nos sentimentos e emoções de nossos corações do que em nossas palavras. Do excelente discurso que ouvimos esta manhã do irmão Cannon, creio que o povo poderia tirar a ideia de que se espera que dividamos nossa propriedade igualmente uns com os outros, e que isto constituirá a Ordem Unida. Dar-vos-ei minha opinião, em tão poucas palavras quanto possível, a respeito deste assunto, que vos prometo estarem corretas. ¶
O Senhor deseja e exige que desenvolvamos a capacidade que há dentro de nós, e que utilizemos a capacidade destes homens, mulheres e crianças chamados Santos dos Últimos Dias. ¶
A maioria dos habitantes da terra é incapaz de ditar e planejar por si mesma. Em muitos casos há razão para isto, pois são tão oprimidos que, por falta de oportunidade, não conseguem desenvolver os talentos e a capacidade que há dentro deles. Esta é a condição do povo da maioria das nações da terra. Todos os que saem do mundo, abraçando o Evangelho de Jesus, colocam-se em condição de serem ensinados por ele, mas, em vez de ensiná-los pessoalmente, ele levantou seus professores autorizados para fazer esta obra, e o que ele espera que façamos? Ele exige, absolutamente exige, de nós, que tomemos estas pessoas que tomaram seu nome pelo batismo, e as ensinemos a viver, e a tornar-se saudáveis, prósperas e sábias. Este é nosso dever. ¶
Supondo que a propriedade de toda a comunidade fosse dividida hoje igualmente entre todos, o que poderíamos esperar? Ora, um ano a partir de hoje precisaríamos de outra divisão, pois alguns desperdiçariam e esbanjariam a sua, enquanto outros acrescentariam à sua porção. A habilidade de edificar e estabelecer a Sião de nosso Deus na terra é tomar o povo e ensiná-lo a cuidar de si mesmo e daquilo que o Senhor confiou aos seus cuidados, e a usar tudo o que temos sob nosso comando para glorificar seu santo nome. Esta é a obra de regenerar, de elevar a humanidade ao plano mais alto do Evangelho; em outras palavras, de simplesmente ensinar-lhe seu dever. ¶
Quanto à nossa propriedade, como já vos disse muitas vezes, a propriedade que herdamos de nosso Pai Celestial é nosso tempo, e o poder de escolher a disposição do mesmo. Este é o capital real que nos foi legado por nosso Pai Celestial; tudo o mais é o que ele possa se agradar de nos acrescentar. Dirigir, aconselhar e orientar na disposição de nosso tempo pertence ao nosso chamado como servos de Deus, de acordo com a sabedoria que ele nos deu e continuará a nos dar à medida que a buscarmos. ¶
Ora, se pudéssemos tomar este povo, em sua condição presente, e ensiná-lo a se sustentar e manter a si mesmo e um pouco mais, acrescentaríamos ao que já temos; mas tomar o que temos e dividi-lo entre o povo, ou dá-lo ao povo, sem ensiná-lo a ganhar e produzir, não seria nem mais nem menos do que introduzir o meio de reduzi-lo a um estado de pobreza. ¶
Não desejo, por um momento sequer, reconhecer a ideia de que, para estabelecer a Ordem Unida, nossa propriedade tenha de ser dividida igualmente entre o povo, para deixá-lo fazer o que bem entender com ela. Mas a ideia é levar o povo ao mesmo estado de unidade em todas as coisas temporais em que nos encontramos com respeito às coisas espirituais. Então, que aqueles que possuem a capacidade e a sabedoria dirijam os trabalhos daqueles que não são tão dotados, até que estes também desenvolvam os talentos que há dentro deles e, com o tempo, adquiram o mesmo grau de capacidade. ¶
O que dizeis a esta doutrina? Está certa ou errada? [A congregação respondeu: "Está certa."] ¶
Queremos chegar a um entendimento correto a respeito de todos estes assuntos que tão materialmente nos concernem. Qual seria a primeira lição necessária a ensinar ao povo, se começássemos a dirigir seus trabalhos para o grande fim de nos tornarmos de um só coração e uma só mente no Senhor, de estabelecer Sião e sermos preenchidos com o poder de Deus? Seria parar de gastar e prodigalizar em nós mesmos todos os adornos desnecessários, e parar de comprar as importações da Babilônia. Nós mesmos podemos produzir tudo o que é necessário para nosso consumo, nosso vestuário, nossa conveniência e conforto, bem aqui em casa. Podemos produzir e fabricar o material necessário para embelezar nossas terras, jardins e pomares; para embelezar e mobiliar nossas casas, e para adornar os belos corpos que habitamos, sem enviar nossos recursos à França, à Inglaterra e a outros países, em busca de coisas que podem ser feitas um pouco melhor em casa, entre nós mesmos. O material do qual foram feitas essas almofadas, que adornam os púlpitos, foi produzido aqui. Depois de tirado da ovelha, foi fabricado em nossa fábrica de Provo no tecido que agora vedes; e o material do qual foram feitos os enfeites de seda foi cultivado, fiado e confeccionado por algumas de nossas irmãs neste Território. Poderíamos mostrar-vos lenços, moldes de vestidos e xales, todos de seda, feitos por nossas irmãs a partir da matéria-prima produzida aqui, mediante a iniciativa e a laboriosidade de umas poucas. Estas são apenas simples amostras do que se pode fazer. Suponde que eu perguntasse: "Senhoras, o que achais deles?" Não pensais que elas diriam: "Muito bons"? Podemos melhorar o que já foi feito, e queremos que o façais. Plantai a amoreira e criai o bicho-da-seda, e que vossos vestidos, vossos xales, vossos chapéus e vossas fitas, e tudo o que usais para vestir e adornar vossos corpos, sejam obra de vossas próprias mãos. Que os irmãos assumam e levem adiante, em todo departamento, o mesmo princípio de manufatura doméstica, até que sejamos capazes de produzir os materiais e confeccionar todo artigo necessário para vestir e adornar o corpo, da coroa da cabeça às solas dos pés. Então nos tornaremos um povo autossuficiente e em crescimento, e teremos de fazê-lo. Tudo isto está nos elementos em que vivemos, e precisamos da habilidade de utilizar os elementos para nosso crescimento e riqueza, e esta é a verdadeira administração financeira. ¶
Podemos agora ver o crescimento dos Santos dos Últimos Dias, e é maravilhoso para nós ver a multidão de pequenas cidades surgindo aqui e ali, e nos vemos na necessidade de dizer: Dai-nos mais espaço, pois os assentamentos mais antigos estão ficando densos, e o povo está se espalhando e preenchendo continuamente novos vales. Podeis ver os brotos surgindo e criando raízes; e ainda o velho tronco é bom, está vivo e crescendo rapidamente. ¶
Perguntou-se se pretendemos colonizar mais vales. Ora, certamente esperamos preencher o próximo vale, e depois o próximo, e o próximo, e assim por diante. Tem sido o clamor ultimamente, através das colunas dos jornais, que os "mórmons" estão indo para o México! Isto é bem verdade, calculamos ir para lá. Estamos voltando para o Condado de Jackson? Sim. Quando? Assim que o caminho se abrir. Estamos todos indo? Ó, não! Claro que não. O país não é grande o suficiente para conter nosso número atual. Quando voltarmos para lá, haverá menos gente restando nestas montanhas do que hoje contamos? Não; poderá haver então cem para cada um só que há agora. É tolice os homens supor que vamos abandonar estes nossos lares tão arduamente conquistados para fazer outros num país novo. Pretendemos manter o que é nosso aqui, e também penetrar o norte e o sul, o leste e o oeste, para ali fazer outros e erguer o estandarte da verdade. Esta é a obra de Deus, aquela obra maravilhosa e um prodígio a que se referiram os antigos homens de Deus, que a viram em seu início, como uma pedra cortada do monte sem mãos, mas que rolou e ganhou força e magnitude até encher toda a terra. Continuaremos a crescer, a aumentar e a espalhar-nos, e os poderes da terra e do inferno combinados não podem impedi-lo. Todos os que forem encontrados a se opor a Deus e a seu povo serão varridos, e seu nome será esquecido na terra. Assim como os Profetas José e Hyrum foram assassinados, e como massacraram nossos irmãos e irmãs no Missouri, assim também nos teriam servido, anos e anos atrás, se tivessem tido o poder para tal. Mas o Senhor Todo-Poderoso disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e por isso somos poupados para levar adiante sua obra. Estamos em suas mãos, as nações da terra estão em suas mãos; ele governa no meio dos exércitos do céu, e executa seu prazer na terra. Os corações de todos os viventes estão em suas mãos, e ele os dirige como se dirigem as correntes das águas. ¶
Não temos aqui outro negócio senão edificar e estabelecer a Sião de Deus. Deve ser feita de acordo com a vontade e a lei de Deus, segundo aquele padrão e ordem pelos quais Enoque edificou e aperfeiçoou a Sião dos dias antigos, que foi levada para o céu, donde se difundiu o dito de que Sião havia fugido. Com o tempo, ela voltará de novo, e, assim como Enoque preparou seu povo para ser digno da translação, também nós, mediante nossa fidelidade, devemos nos preparar para encontrar Sião vinda do alto, quando ela retornar à terra, e suportar o esplendor e a glória de sua vinda. ¶
Meus irmãos e irmãs, deleito-me realmente em ouvir nossos irmãos falarem sobre esta santa ordem do céu. A unidade de propósito e ação, no cumprimento da vontade de nosso Pai, tem sido meu tema o dia todo; mas tenho continuamente suplicado aos Santos que não desperdicem seus bens na cobiça dos olhos e da carne, pois isto é contrário à vontade e aos mandamentos de Deus. Desejo dizer que quem tiver fé suficiente para herdar o reino celestial verá que sua herança estará sobre esta terra. Esta terra é nosso lar; com o tempo será santificada e glorificada, e se tornará um lugar de morada apropriado para os santificados, e eles habitarão nela para todo o sempre. Direi ainda que trabalho pela terra, nunca pretendo estar satisfeito até que toda a terra seja entregue a Cristo e a seu povo. Quando o irmão George Q. nos diz que não devemos trabalhar pela terra e pelas coisas deste mundo, quer dizer que não devemos trabalhar com motivos pecaminosos, e para satisfazer as cobiças da carne. Mas, se possuíssemos o tesouro do mundo gentio, não poderíamos enviar nossos Élderes até os confins da terra, levando o precioso Evangelho a todos os viventes? Não poderíamos sustentar suas famílias durante sua ausência? Não poderíamos construir Templo após Templo, e de outras formas apressar a obra de redenção? Sim. Mas, mantendo o povo na pobreza, como havemos de realizar esta grande obra? Digo, ajuntemos e acumulemos as coisas da terra da maneira indicada pelo Senhor, e então as dediquemos a Deus e à edificação de seu reino. O que dizeis a esta doutrina, está certa ou errada? [A congregação disse: "Está certa."] O pouco de propriedade que tenho, desejo que seja dedicado à edificação de Sião, e suponho ter tanto quanto qualquer outro homem na Igreja. Estou sempre pronto a receber e cuidar das bênçãos que Deus derrama sobre mim, e estou sempre pronto e disposto a dedicá-las à edificação de seu reino. ¶
Muitos de vós talvez tenhais ouvido o que certos jornalistas tiveram a dizer sobre Brigham Young ser contrário às escolas gratuitas. Sou contrário à educação gratuita tanto quanto sou contrário a tirar a propriedade de um homem e dá-la a outro que não sabe cuidar dela. Mas, quando se chega ao fato, ouso dizer que ensino em escola dez crianças para cada uma que ensinam aqueles que tanto reclamam de mim. Agora pago as taxas escolares de vários filhos que são órfãos ou filhos e filhas de pessoas pobres. Mas, em ajudar e abençoar os pobres, não creio em permitir que minhas caridades passem pelas mãos de um bando de ladrões que embolsam nove décimos para si e dão um décimo aos pobres. Nisso está a diferença entre nós; sou pelo ato real de fazer, e não de dizer. Encorajaria eu as escolas gratuitas por meio de tributação? Não! Isso não está de acordo com a natureza de nossa obra; devemos ser como uma só família, nossos corações e mãos unidos nos laços do convênio eterno; nossos interesses iguais, nossos filhos recebendo oportunidades iguais na sala de aula e na faculdade. ¶
Temos hoje mais crianças entre as idades de 5 e 20 anos que sabem ler e escrever do que qualquer Estado ou Território da União com número correspondente de habitantes. Isto não é exatamente confirmado pelas estatísticas publicadas de alguns dos Estados, mas, pelo que sabemos deles, cremos que seja o fato. ¶
De um modo geral, temos tão boas escolas quanto se pode encontrar, e é nosso direito ter melhores ainda, e sobressair em tudo o que é bom. ¶
Quanto à minha saúde, sinto muitas vezes que não poderia viver mais uma hora, mas pretendo viver o quanto puder. Não sei quão cedo o mensageiro virá me chamar, mas calculo morrer arreado. Amém. ¶