Pulpit

Necessidade de Esforço—Regulação dos Assuntos Temporais—Consagração e Mordomia—Preparação para a Construção no Condado de Jackson—Responsabilidade dos Presidentes—Como se Cria a Confiança—A Ordem Unida—Desejos para o Futuro

Lorenzo Snow

1877-04-05

Ao ocupar o tempo esta manhã, desejo, em primeiro lugar, chamar vossa atenção para o fato de que somos Santos dos Últimos Dias, ou ao menos deveríamos ser, e que, como tais, dependemos do Senhor para nossa instrução; isto está de acordo com nossa fé, de que devemos recorrer a ele por auxílio em todas as circunstâncias, em todos os lugares, em todos os nossos assuntos da vida, e em todos os assuntos pertinentes ao nosso progresso nos princípios da piedade.

Reunidos como estamos esta manhã, é muito necessário que peçamos ao Senhor seu espírito, o espírito de inspiração, para que repouse sobre nós como oradores e como ouvintes, a fim de que possamos compreender as coisas que possam ser ditas, e que sejam adaptadas às nossas necessidades individuais.

É impossível avançar nos princípios da verdade, aumentar em conhecimento celestial, a menos que exercitemos nossas faculdades de raciocínio e nos esforcemos de maneira apropriada. Temos um exemplo registrado na Doutrina e Convênios de um mal-entendido da parte de Oliver Cowdery, quanto a este princípio. O Senhor lhe prometeu o dom de traduzir registros antigos. Como muitos de nós hoje, ele tinha concepções erradas quanto ao exercício do dom. Pensava que tudo o que era necessário fazer, uma vez que este dom lhe havia sido prometido por Deus, era deixar sua mente esperar na ociosidade sem esforço, até que operasse espontaneamente. Mas, quando aqueles registros foram colocados diante dele, nenhum conhecimento lhe foi comunicado, permaneceram selados, por assim dizer, pois nenhum poder de tradução veio sobre ele.

Embora o dom de traduzir tivesse sido conferido, ele não pôde prosseguir com a obra, simplesmente porque falhou em se esforçar diante de Deus com vistas a desenvolver o dom dentro de si; e ficou grandemente desapontado, e o Senhor, em sua bondade e misericórdia, informou-o de seu engano, usando a seguinte linguagem —

"Eis que não compreendeste; supuseste que eu o concederia a ti, quando nada fizeste a não ser pedir-me; mas eis que eu te digo que deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito," etc.

Assim é conosco, quanto às coisas que estamos empreendendo. Se esperamos progredir, avançar na obra que temos imediatamente diante de nós, e finalmente obter a posse daqueles dons e glórias, chegando àquela condição de exaltação que antecipamos, devemos refletir e pensar, devemos nos esforçar, e isso ao máximo de nossa capacidade.

O tema que nos foi dado pelo Presidente Young ontem, e para o qual, em nossa oração esta manhã, pedimos a Deus que dirigisse nossas observações, é a obra com a qual estamos agora imediatamente preocupados, pertinente às nossas necessidades e carências atuais. Aqui surge a pergunta: Como devemos regular nossos assuntos temporais de modo a nos qualificarmos para cumprir os deveres e obrigações que hoje recaem sobre nós, e assegurar para nós mesmos as bênçãos da vida eterna?

A este assunto, na medida em que o Senhor me conceder seu Santo Espírito, mediante o exercício de vossa fé, desejo falar esta manhã. Desejo, contudo, restringir-me mais particularmente ao assunto relativo à nossa união financeira, unindo-nos como irmãos que entraram no convênio eterno do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, esperando habitar juntos na presença de Deus no mundo celestial.

Fomos informados, mediante as revelações de Deus, e para as quais nossa atenção tem sido frequentemente chamada, que, a menos que nos tornemos um só, tanto nas coisas temporais quanto nas espirituais, seria inútil antecipar a plenitude da glória celestial, ou um estado de unidade nas coisas espirituais de Deus. Mas qual curso devemos tomar para chegar a esta condição tão desejável parece permanecer um problema difícil e não resolvido. Sem dúvida, muitos se perguntaram: o que podemos fazer, e como o faremos?

Bem, que nossas mentes retornem por alguns minutos ao tempo em que recebemos a plenitude do Evangelho eterno, nos países onde ele primeiro nos alcançou. Assim que nos convencemos da verdade, e de que os Élderes que pregavam o Evangelho eram os servos de Deus, oferecemo-nos como candidatos ao batismo para a remissão dos pecados, recebendo o Espírito Santo pela imposição de suas mãos, e então nos sentimos determinados a fazer tudo o que o Senhor exigisse por meio de seus servos, e a continuar a seguir seus conselhos em todas as coisas, mesmo até o sacrifício de tudo o que possuíamos, se necessário, seja quanto às riquezas do mundo, seja quanto àquilo que tínhamos em mais elevada e cara estima.

Aprendemos um fato importante e significativo, de que éramos sua prole, herdando, embora apenas em forma infantil, os mesmos atributos que ele próprio possuía, e que, mediante a experiência probatória, passando pelas provações da terra, rejeitando o mal e aceitando o bem, esses atributos poderiam ser desenvolvidos até que, eventualmente, pudéssemos receber uma plenitude da Trindade, e habitar na presença do Pai. Familiarizamo-nos com este fato, e nos convencemos em nossos corações de que o objeto que agora se apresentava diante de nós era digno de tudo o que pudéssemos dedicar a ele. Por isso, resolvemos que realizaríamos o empreendimento, ainda que à custa de tudo o que temos. Compreendemos bem que, para alcançar aquela posição que nos daria direito a esta exaltação, seria necessário submetermo-nos inteiramente à mente e à vontade de Deus. Sentimos em nossos corações consagrar nossas esposas, nossos filhos e nossa propriedade, se tínhamos alguma, e nosso tempo e capacidades, ao serviço de Deus. Se esta lei da consagração tivesse sido apresentada naquele tempo, sem dúvida teria sido acolhida com alegria, pois estava em exata conformidade com o espírito de nossos convênios.

Segundo a ordem do mundo celestial, tal como revelada aos Santos dos Últimos Dias a respeito da propriedade que pudéssemos possuir, exigia-se de nós que consagrássemos tudo ao Senhor, e então fôssemos feitos mordomos, como indicado pela revelação no livro de Doutrina e Convênios, e continuássemos a dedicar aquilo que nos fosse confiado ao serviço de Deus; e, na medida em que aumentássemos a propriedade de nossa mordomia, deveríamos dedicá-la ao benefício do reino de Deus, o que seria usado para a construção de Templos, emigrar e sustentar os pobres, e para levar adiante a grande obra de redimir Israel. Este sentimento, que nutríamos no princípio, deveria continuar a arder em nosso peito, e deveríamos ser fiéis e honestos em nossas professadas crenças.

Sei que muitos de nós, quando chegamos aos vales, nos conformamos a esta lei da consagração, que agora está publicada no livro de Doutrina e Convênios. Escrituramos nossa propriedade, e muitos estavam dispostos, talvez não todos, a que, se necessário, toda parte e porção dela fosse usada como os servos de Deus dirigissem. Este era o tipo de sentimento que então nutríamos, e, enquanto mantivéssemos essa condição de mente, de obediência voluntária, era tudo o que se exigia. Mas temo que este sentimento, que nos deu tanta alegria, que tendia a aumentar nossa fé e confiança em Deus e uns nos outros, não tenha continuado a crescer na mesma proporção que nossa prosperidade geral, experiência e conhecimento do Evangelho. Meu testemunho para vós é que, na medida em que este é o caso, hoje não estamos inteiramente aprovados por Deus, ainda que tenhamos o privilégio de adorar neste Templo, erguido a seu santo nome. Mas, na exata medida em que exista em nossos corações esta disposição de destinar os meios que acumulamos para a edificação do reino de Deus na terra, e isso sem murmurar, tal como os Santos dos primeiros dias depositavam os seus aos pés dos Apóstolos, nessa medida somos aprovados e aceitos por Deus. Quem, entre os Santos dos Últimos Dias, ao alcance de minha voz neste dia, deixaria de compreender isto?

Em muitas de nossas relações comerciais uns com os outros, não existe aquele espírito de união e interesse fraternal que deveria ser mantido. Precisamos tomar um rumo que nos capacite a adquiri-lo, e este espírito deveria prevalecer em todos os nossos assentamentos.

Quem não pode perceber a mão de Deus em nos trazer para longe do tumulto e da contenda do mundo dos negócios até estes vales montanhosos, onde temos a oportunidade e o privilégio de edificar aldeias e cidades sobre o princípio da unidade que nos foi revelado, proporcionando assim aquela disciplina necessária que não poderíamos ter obtido entre as cidades dos gentios? Este treinamento não pode ser adquirido em um ano, nem em cinco anos, mas sua aquisição se intensifica na proporção de nossa disposição de fazer sacrifícios a fim de obtê-lo. Com o tempo, o Senhor terá preparado o caminho para que alguns retornem ao Condado de Jackson, ali edificando a Estaca Central de Sião. Quão fácil será realizar esta obra, depois de termos aprendido a edificar cidades e Templos aqui, para sua divina aceitação! Nossa experiência atual é muito necessária. Sem ela, estaríamos totalmente despreparados para a realização de tal obra. Lemos que o Templo que Salomão construiu foi erguido sem que se ouvisse o som de um martelo. Havia havido uma preparação prévia e uma experiência adquirida em algum lugar distante, e um treinamento adequado. Os materiais foram cuidadosamente preparados alhures, e, quando reunidos, estavam prontos para serem colocados, cada peça em seu devido lugar. Assim como conhecimento e eficiência são obtidos gradualmente, podemos esperar que a experiência que estamos adquirindo agora, aprendendo a edificar cidades em nossa condição atual, conformando-nos tanto quanto possível à santa ordem de Deus, sirva para nos preparar, com o tempo, para voltarmos ao Missouri, de onde fomos expulsos, e ali edificarmos cidades e Templos ao nome do Altíssimo, sobre os quais sua glória descerá. Uma condição de disposição para conformar nossa vontade à vontade divina é o que precisamos. Talvez não seja considerado prudente entrar em convênios por escritura, em nossos assuntos de propriedade, embora possa vir a ser depois. Mas, enquanto as emoções de nossas almas nos impelirem a exclamar, na linguagem de Josué, que "eu e a minha casa serviremos ao Senhor," enquanto esta disposição habitar em nossos corações, de nos entregarmos inteiramente ao serviço de Deus, estaremos então na condição de pedir ao Pai que apresse o dia em que sua vontade seja feita na terra como no céu; e ainda, quando chegar o momento apropriado de exigir o uso de nossa propriedade nos interesses da grande obra em que estamos empenhados, a mera menção disso será suficiente. Mas perguntamos: não deveria o Bispo que opera em nossos assuntos temporais ser um homem muito sábio e bom? Certamente deveria, e um homem de honra e integridade, cheio do Espírito Santo, amando seu próximo como a si mesmo, e amando o Senhor nosso Deus com todo o seu poder, mente e força. Nisto, somos informados, "dependem toda a lei e os profetas." Bem-aventurado aquele em quem estes dois princípios estão desenvolvidos, pois tal homem está isento de condenação; ele está no mesmo nível daquele a quem o Salvador se referiu nas Escrituras como um homem "em quem não há dolo." O povo logo aprenderá a confiar em tal homem, pois ele pode estabelecer prova inconfundível diante de Deus e diante de seus irmãos de que obedece a estes mandamentos, nos quais está envolvido tudo pelo que os Profetas já viveram.

Suponhamos, ainda, que um indivíduo tal como o que descrevi, que realmente tivesse obedecido a estes mandamentos, fosse colocado para presidir uma cidade de mil pessoas, todas elas também vivendo naquela condição avançada a que me referi. Ele deve ter em mente sua importante posição, suas elevadas responsabilidades, e quem o designou para esta posição, ele ou aqueles em quem Deus investiu a autoridade. Por que tal homem é chamado a atuar como presidente sobre um povo? É para adquirir influência e depois usar essa influência diretamente para seu próprio engrandecimento? Não, mas, ao contrário, ele é chamado a atuar em tal posição segundo o mesmo princípio pelo qual o Sacerdócio foi dado ao Filho de Deus, para que fizesse sacrifício. Por si mesmo? Não, mas nos interesses do povo sobre o qual preside. Seria exigido dele oferecer-se na cruz como fez o Salvador? Não, mas tornar-se o servo de seus irmãos, não o senhor deles, e trabalhar em seu interesse e bem-estar. Não exercer a influência assim obtida para beneficiar a si mesmo, sua família, parentes e amigos pessoais, mas, estimando todos como seus irmãos, tendo direitos em comum consigo mesmo, e, portanto, buscando abençoar e beneficiar a todos igualmente, segundo os talentos e o mérito que possam possuir, e assim, ao fazê-lo, desenvolver em si mesmo aquele sentimento paternal que sempre existe no seio do Pai.

No presente momento, é caso demasiado frequente que os homens chamados a atuar em tais posições, em vez de agir assim segundo seu santo chamado, usem sua influência, seu Sacerdócio, os sagrados poderes a eles conferidos, para seu próprio benefício e o de seus filhos e amigos pessoais. Isto é altamente impróprio, é errado e desagradável aos olhos de Deus; e deste pecado somos chamados a nos arrepender, afastando-o de nós, e começando a viver as vidas de Santos dos Últimos Dias, de acordo com os sagrados convênios em que entramos.

Quando encontrardes um homem que tem o mesmo interesse por aqueles a quem preside quanto tem por si mesmo e sua família, começareis naturalmente a ter confiança nesse indivíduo. Mas, assim que descobrirdes que seus sentimentos, de dia e de noite, e o curso de sua conduta, tendem diretamente a beneficiar a si mesmo e sua família, direis: "Que interesse tem ele por nós? Devemos cuidar de nós mesmos." Mas onde um homem trabalha pelo interesse da comunidade, ele se torna verdadeiramente um pai para aquele povo, trabalhando por eles com o mesmo sentimento, desejo e interesse com que trabalharia por si mesmo. Poder-se-ia dizer dele, como deveria ser dito de todos os homens, que ele ama seus irmãos, ou, em outras palavras, "seu próximo," como a si mesmo. Ora, que o homem que atua como Élder presidente de sua ala manifeste, por palavra e ação, estes sentimentos paternais para com aqueles a quem preside, e quão logo começaríamos a perceber restaurada a confiança perfeita!

Possivelmente tal homem nem sempre possua habilidades financeiras, e possivelmente o próprio povo talvez não tenha confiança em sua capacidade de administrar ou dirigir assuntos temporais. Isto é bem suponível, pois homens de bons e sólidos princípios nem sempre são dotados de grandes habilidades financeiras. Contudo, pelo fato de ele se ter estabelecido nos corações do povo, e de ser conhecido por eles por sua integridade e honestidade, e por sua disposição de trabalhar pelos interesses de Deus e do povo, disposto a fazer qualquer sacrifício que dele pudesse ser exigido, ele possui a confiança deles, e, uma vez de posse de uma confiança tão sagrada, o que ele poderia então fazer para satisfazer a mente do povo, que é, mais ou menos, inclinada a ser progressista? Que tal homem convoque em seu auxílio aqueles de seus irmãos que são mais capazes, deixando-os compartilhar suas responsabilidades. Porque descobrireis, como coisa geral, que o talento se difunde por muitos, e raramente se combina em indivíduos únicos; e só precisa de oportunidade para se desenvolver. Ele poderia dizer a um: "Aqui, irmão Fulano de Tal, estás mais bem preparado para preencher esta ou aquela posição do que eu;" ou, a outro: "Tu és o homem mais apto para este departamento;" e assim por diante, até fazer sobressair os talentos de todos, e, em vez de diminuir a confiança pública em si mesmo, tal curso a aumentaria. Além disso, ele estaria fazendo por seus irmãos aquilo que a Ordem Unida se propõe fazer por todos, a saber, proporcionar oportunidade de desenvolver o dom com que a Natureza nos dotou. Portanto, digo que todos esses assuntos podem ser resolvidos, desde que tenhamos o fundamento seguro e firme, que deveria estar baseado na honestidade e integridade para com Deus e os verdadeiros interesses de seu reino e povo. Com um povo de um só coração e uma só mente, possuindo os mesmos sentimentos e aspirações que tínhamos quando primeiro abraçamos o Evangelho, em conexão com nosso presente conhecimento e experiência no funcionamento prático da edificação do reino, quão fácil seria estabelecer nossas indústrias domésticas ou instituições mercantis e levá-las adiante com sucesso! Todos estariam prontos, como Israel, quando, no deserto, viajando para a terra de Canaã, foram chamados a construir um tabernáculo móvel para certos propósitos sagrados, e o povo trouxe suas ofertas, etc., até mais do que era suficiente, e Moisés teve de clamar ao povo para que parasse. Assim seria conosco, no que diz respeito à disposição do povo de tomar parte ativa em qualquer movimento geral que pudesse ser projetado. Quaisquer meios, propriedade ou tempo que fossem dedicados pela comunidade ao estabelecimento de qualquer empreendimento específico, seriam feitos de boa fé, pois todo coração se inspiraria de confiança, cada um considerando seu interesse identificado com o do todo.

Mas leva tempo levar o povo a esta condição. Aqui, neste país do sul, entendemos que o povo tem se esforçado para trabalhar junto na Ordem Unida, deparando-se com mais ou menos desapontamento. Por causa de reveses ou fracassos em nossas tentativas de operar com sucesso nossos assuntos temporais, não devemos permitir que tal desapontamento deprecie o princípio em si; mas antes atribuamos nossos infortúnios às fraquezas humanas, considerando o princípio como divino, revelado para nosso benefício e bênção especiais, e, em toda instância de aparente fracasso, resolvamo-nos sempre a "tentar de novo." Os princípios do Casamento Plural foram revelados para o benefício e a exaltação dos filhos dos homens, mas quanta infelicidade tem surgido devido ao fracasso, da parte de alguns que contraíram esta ordem de casamento, em se conformar às leis que a governam! Mas isso surge de algum defeito na ordem do sistema matrimonial? Ó não; mas da ignorância, da tolice e da maldade daqueles indivíduos que nele entram, que o abusam, em vez de retamente lhe obedecer. Assim é a respeito dos princípios da Ordem Unida. Seus princípios também são sagrados, e vos asseguro que jamais voltaremos ao Condado de Jackson, Missouri, para ali edificarmos a Nova Jerusalém dos últimos dias, até que haja uma disposição perfeita da nossa parte para nos conformarmos às suas regras e princípios. Muitos anos se passaram desde que recebemos a revelação da Ordem Unida, e, num certo sentido, esse longo período de tempo indica negligência de nossa parte em não a obedecermos mais plenamente. Os próprios princípios daquela ordem, em minha estimativa, foram dados para nossa salvação temporal e espiritual. A fim de obtermos o benefício que Deus designou que deles fluísse, devem ser estabelecidos e sistematizados sobre o princípio da retidão, cada pessoa aprendendo a amar seu próximo como a si mesma. Que tentássemos tratar deles sobre qualquer outro princípio equivaleria, virtualmente, a abrir caminho para amargo desapontamento.

Então, permiti-me repetir, deixai-me encontrar uma comunidade que esteja disposta a se conformar a isto, trazendo à mente os convênios feitos no princípio, quando recebemos a plenitude do Evangelho, disposta a se lembrar de quando dedicaram tudo o que possuíam — sua propriedade, seus talentos, seus poderes mentais e físicos — à edificação de seu reino; lembrando-se do tempo em que fizemos isto, as bênçãos de Deus estavam sobre nós, e seu Espírito ardia dentro de nós. Que então aqueles que pregam no meio daquela comunidade de Santos percebam para que o Sacerdócio lhes foi conferido; que saibam e sintam plenamente por que foram designados a preencher tal e tal cargo, a saber, que deveriam agir no espírito de nosso Mestre, servos de todos, que aprendam a considerar e estimar, com o mesmo afetuoso interesse, o bem-estar de todos, como fazem o de si mesmos, e sejam, de fato, pais para o povo. Então entrarão no espírito dos dois grandes mandamentos dos quais, disse o Salvador, "dependem toda a lei e os profetas," a saber, amar o Senhor com todo o nosso poder, mente e força, e nosso próximo como a nós mesmos. Isto, em minha opinião, é o fundamento de nosso futuro sucesso, temporal e espiritual, nesta Ordem Unida. Até chegarmos ao fundamento sólido da honestidade e sinceridade neste assunto, tratando as coisas temporais como as espirituais, de todo o coração, tendo tudo e a nós mesmos como sagrados ao serviço de Deus, podemos esperar mais ou menos fracasso.

Permiti-me dizer aos irmãos que estão e que cogitam se ligar ativa e inteiramente a esta santa Ordem, que o Sacerdócio vos foi conferido, como ao próprio Filho de Deus, para nenhum outro propósito senão que, mediante o sacrifício, pudésseis ser provados, para que, porventura, no último dia, pudésseis estar aprovados diante de Deus, e diante de seres perfeitos e santos; e que, para merecer esta divina aprovação, pode ser necessário esquecer-se de si mesmo e do engrandecimento individual, e buscar o interesse de vossos irmãos. Se estais prontos e dispostos a fazer isto, e se vossa vida e conduta cotidianas, e o espírito dentro de vós, testificam o fato, estabelecereis confiança nos corações daqueles que vos conhecem e com quem estais mais imediatamente associados nos assuntos temporais.

A confiança é frequentemente mencionada por nossos irmãos, especialmente ao falarem sobre o assunto da Ordem Unida. É mencionada e escrita pelo mundo religioso, político e financeiro; e a condição presente de todos é tal que se impõe à nossa séria atenção. Podemos confiantemente prever que, à medida que a história registrar os desenvolvimentos deste nosso mundo em progresso, testemunharemos cada vez mais a necessidade dela. Pois, à medida que a fraude palpável e, o que se poderia chamar, legítima, aumenta, e todo o mundo amadurece geralmente na iniquidade, a confiança diminuirá e se tornará mais inestimável e preciosa. Isto é bastante óbvio para todos os homens em cujos corações habite uma centelha daquele Espírito pelo qual os Profetas predisseram o destino das nações. A confiança só pode ser adquirida sobre o princípio da retidão, seja aplicada ao monarca ou ao camponês, ao religioso ou ao não religioso; só o mérito a comanda.

Vivamos, então, as vidas de Santos dos Últimos Dias, para que primeiro geremos confiança em nós mesmos; então começaremos a ter confiança uns nos outros, em Deus, e em suas promessas. Um povo nesta condição de progresso não conheceria fracassos, tudo o que empreendesse prosperaria, cresceria em fé e em boas obras. Digo-vos, em nome do Senhor Deus, que vem o tempo em que não haverá segurança senão nos princípios da união, pois nisso reside o segredo de nossa salvação temporal e espiritual. Fomos capacitados a estabelecer assentamentos, vilas e povoados, e fomos abundantemente abençoados com as necessidades e conveniências da vida, apesar de termos sido lentos em ouvir e obedecer aos mandamentos de Jeová. Rogaria a Deus que todo Bispo e oficial que preside fizesse hoje, neste santo Templo, convênio e jurasse diante dele, o Senhor nosso Deus, que se voltariam e o serviriam com todo seu poder, mente e força, e trabalhariam nos interesses do povo como o fariam por si mesmos. Pois meu maior desejo é ver Sião estabelecida de acordo com as revelações de Deus, ver seus habitantes trabalhadores e autossuficientes, cheios de sabedoria e do poder de Deus, para que ao nosso redor possa ser erguida uma muralha de defesa, uma proteção contra os poderosos poderes da Babilônia; e, enquanto os desobedientes da família de nosso Pai contendem, e enchem sua taça de iniquidade até transbordar, e assim se preparam para o incêndio, nós, que somos os reconhecidos filhos do reino, sendo cheios da retidão e do conhecimento de Deus, possamos ser como as virgens prudentes, vestidas com nossas vestes nupciais, e devidamente preparados para a vinda de nosso Senhor e Salvador.

Como citar este discursoLorenzo Snow, “Necessidade de Esforço—Regulação dos Assuntos Temporais—Consagração e Mordomia—Preparação para a Construção no Condado de Jackson—Responsabilidade dos Presidentes—Como se Cria a Confiança—A Ordem Unida—Desejos para o Futuro”, (1877-04-05). Pulpit Vault, 1877-04-snow-necessity-for-effort. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).