Pulpit

A Visão de Daniel—O Sonho de Nabucodonosor—Sua Interpretação—A Vinda do Ancião de Dias—A Profecia de Joseph Smith—Coisas Ainda por Cumprir—O Vale de Deus Onde Adão Habitou—O Estabelecimento do Reino de Deus—O Milênio Vindouro e o Triunfo dos Santos

Orson Pratt

1877-02-25

Lerei algumas passagens do livro do Profeta Daniel, que ele recebeu do Senhor por meio de visão, e que se referem aos últimos dias—uma profecia que ainda não se cumpriu. Ela se encontra no capítulo 7, começando no versículo 9—

"Eu estava olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se assentou; as suas vestes eram brancas como a neve, e o cabelo da sua cabeça, como a limpa lã; o seu trono chamas de fogo, e as rodas dele, fogo ardente.

"Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões estavam em pé diante dele; assentou-se o tribunal, e abriram-se os livros.

"Então eu estava olhando, por causa da voz das grandes palavras que falava o chifre; eu estava olhando até que mataram o animal, e o seu corpo foi desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo.

"E quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio; todavia foi-lhes dada prolongação de vida até certo espaço de tempo.

"Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que um como o Filho do Homem vinha nas nuvens do céu; e chegou até o Ancião de Dias, e o fizeram chegar perante ele.

"E foram-lhe dados o domínio e a honra, e o reino, e que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino não será destruído."

Esta profecia se refere a um período de tempo na história de nossa raça, quando tronos serão derrubados, quando reinos e os vários governos que existem sobre a face da terra serão derrubados; a um período em que apenas um reino ou um governo terá o domínio, e o seu domínio se estenderá até os confins da terra; um reino, ademais, que nos é dito, no segundo capítulo da profecia de Daniel, ser eterno em sua natureza, e não como aqueles outros reinos que Daniel diz que serão derrubados. Este reino divino há de ter um domínio universal, no que diz respeito a este mundo. Ele é representado, em seu início, como sendo muito pequeno, comparado a uma pedra cortada do monte sem mãos, mas que rola crescendo em força à medida que rolava, até que todos os outros reinos, de invenção humana e autoridade humana, deixassem de existir, fossem esmiuçados e se tornassem, como está claramente declarado, como a pragana de uma eira de verão, que o vento levou e não se achou lugar para ela.

Presumo que não haja pessoa nesta congregação que não admita, comigo, que nunca chegou tal período desde que essa profecia foi proferida. Mas tal período há de chegar na história de nossa terra. O Profeta Daniel viu claramente que a pedra, que seria cortada do monte sem mãos, que feriria os pés da estátua—a grande estátua que representava os reinos deste mundo—seria uma obra divina, uma obra que o próprio Senhor realizaria entre os homens. Em outras palavras, o Senhor condescendeu em dar a um dos reis mais poderosos que já habitaram a terra, no que diz respeito ao poder humano, um sonho que lhe representava todos os reinos deste mundo; mas, ao despertar, ele nem sequer conseguia se lembrar do sonho. Contudo, este lhe causou uma profunda impressão, e ele sabia que havia algo muito importante ligado a ele. Tão perturbado ficou, que emitiu uma proclamação aos habitantes da grande cidade da Babilônia, exigindo que todos os sábios lhe dissessem o sonho, e depois lhe dessem a interpretação dele. Se pudessem dizer-lhe o sonho, ele, naturalmente, teria confiança na veracidade da interpretação; mas, se ele mesmo tivesse que contar o sonho, caso fosse possível lembrá-lo, não saberia se a interpretação estaria correta ou não. Sendo um monarca de poder absoluto, ameaçou de morte os sábios, caso não conseguissem dizer-lhe o sonho e também dar-lhe a interpretação. Daniel, com seus três amigos, que eram judeus, suplicou ao Senhor nesse assunto, e o Senhor revelou a Daniel o sonho e sua interpretação. O sonho, como Daniel o relatou ao rei Nabucodonosor, era o seguinte—

"Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua; essa estátua era grande, e o seu esplendor era excelente, e estava em pé diante de ti; e a sua aparência era terrível. A cabeça daquela estátua era de ouro fino; o seu peito e os seus braços, de prata; o seu ventre e as suas coxas, de bronze; as pernas, de ferro; os seus pés, em parte de ferro e em parte de barro. Estavas vendo, até que uma pedra foi cortada, sem mãos, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou. Então foram juntamente esmiuçados o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, e se fizeram como pragana das eiras do verão, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra, que feriu a estátua, se fez um grande monte, e encheu toda a terra."

Em seguida, o Profeta interpreta o sonho, indicando cada particularidade de seu significado. "Tu és a cabeça de ouro." Isto é, o seu domínio, o império babilônico, e os reinos e nações ao redor, sobre os quais o Senhor o fizera governante, representavam essa cabeça de ouro. "E depois de ti," continuou o Profeta, "se levantará outro reino, inferior ao teu," representado pelo peito e pelos braços de prata. Um terceiro reino haveria de se levantar depois desse, representado pelo bronze. Depois se seguiria um quarto reino, representando o reino de ferro, ou um reino de grande força. Mas este se dividiu, representado pelas duas pernas de ferro. Esse reino de ferro representa muito de perto o império romano, em toda a sua força e grandeza. Aquele império foi dividido, e ficou conhecido como o império oriental e o ocidental, representado pelas duas pernas de ferro, uma tendo sua sede em Roma, a outra em Constantinopla. Mas os pés e os dedos eram governos mais modernos, que haveriam de brotar do reino de ferro depois que este perdesse sua força. Estes são representados pelos dez dedos dos pés, ou dez reinos, que seriam em parte fortes e em parte frágeis. Não teriam a força das pernas de ferro, mas estariam misturados com barro de lodo, indicando tanto força quanto fraqueza. Esses últimos reinos e governos (tais como existiram nos últimos séculos, nos hemisférios oriental e ocidental) completam a grande estátua.

A cabeça, ou reino de ouro, tendo perdido seu domínio universal, ainda está representada por seus descendentes, sob várias formas de governo na Ásia.

Os descendentes do reino de prata ainda existem na Pérsia e nas partes ocidentais da Ásia.

O reino de bronze tem seus representantes atuais no leste da Europa, estendendo-se até a Ásia.

Os descendentes do outrora grande reino de ferro encontram-se sobretudo na Europa, estendendo-se em certa medida até a Ásia, e em medida ainda maior até a América.

As nações atualmente existentes representam duas coisas—primeiro, em capacidade governamental, representam os pés e os dedos da grande estátua; segundo, na capacidade de descendência linear, representam todos os reinos anteriores dessa terrível estátua.

Estando agora completa a estátua, outro governo de origem divina há de ser estabelecido, sem fazer parte alguma dessa grande estátua. Sendo inteiramente separado e desvinculado dessa grande estátua, ele não representaria sequer um dedo do pé ou da mão da estátua, nem qualquer outra parte ou porção dela.

"Estavas vendo, até que uma pedra foi cortada, sem mãos," etc. Em outras palavras, todos esses outros governos foram formados pela sabedoria e engenhosidade humanas; mas, pouco a pouco, um governo separado e distinto, representado por uma pequena pedra, haveria de ser cortado sem mãos. O que entendo por isso é algo com que o homem nada teria a ver, no que diz respeito à divindade de sua formação. Pois assim está interpretado—"Mas nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino." É Deus, portanto, quem o organiza; é ele quem confere o poder e a autoridade àqueles que hão de ministrar em seu governo; a sabedoria humana não entra como elemento constituinte, nem em sua fundação nem em seu governo.

O quinto reino é, portanto, peculiar em relação a todos os outros em sua organização. Diz-se, além disso, que "não será jamais destruído, e esse reino não será deixado a outro povo." Os quatro reinos que o precederam foram transferidos, primeiro de uma nação, depois de outra, até que a estátua ficasse completa, até que os governos humanos tivessem quase cumprido o seu destino; então um reino ou governo haveria de ser estabelecido na terra, o qual jamais seria destruído. Não seria tirado de um povo e dado a outro, como Babilônia foi tirada dos babilônios e dada aos medos e persas; e como os medos e persas tiveram seu reino transferido e dado aos gregos e macedônios; e como estes, por sua vez, tiveram seu reino transferido deles e dado aos romanos; e como os romanos, por sua vez, perderam seu domínio universal e seu grande poder, e foram fragmentados em pequenos reinos, tais como existem agora. Mas este último reino não seria assim transferido; seria permanente, cresceria em grandeza e força, até que ele, ou a pequena pedra que o representava, se tornasse um grande monte, enchendo toda a terra. Ou, como diz o Profeta Daniel, "os santos do Altíssimo receberão o reino, e possuirão o reino para todo o sempre, e de eternidade em eternidade." "E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão." Esta parte da profecia ainda não se cumpriu, senão apenas no que diz respeito ao estabelecimento do reino de Deus.

Os quatro animais, descritos na primeira parte do capítulo 7, são esses quatro reinos representados pela grande estátua metálica de ouro, prata, bronze etc. Neste capítulo 7, o Senhor nada diz sobre a pedra que seria cortada do monte sem mãos, nem sobre o rolar dessa pedra, nem sobre o esmiuçamento dos vários reinos e governos; mas ele representa, nesse capítulo, um grande e importante acontecimento que se dará em certo momento da história de nossa raça, a saber—"Eu estava olhando, até que foram postos uns tronos," etc. Ele viu também como essa obra de destruição se realizaria, pois isso é descrito no capítulo 2.

Depois que os tronos terrenos forem derrubados, diz Daniel, "E o Ancião de Dias se assentou; as suas vestes eram brancas como a neve, e o cabelo da sua cabeça, como a limpa lã; o seu trono chamas de fogo, e as rodas dele, fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões estavam em pé diante dele."

Quanto é milhões de milhões? Apenas cem milhões, mas isso já formaria uma congregação bastante grande. Todos os habitantes dos Estados Unidos somam apenas cerca de quarenta milhões, contando homens, mulheres e crianças. Se estivessem reunidos num só lugar, apresentariam um espetáculo grandioso; mas suponhamos que dobremos esse número, fazendo-o oitenta milhões, que vasta congregação esse número de pessoas formaria—mal conseguimos abarcar em nossa compreensão sua extensão; e, ainda assim, acrescentaremos a isso mais vinte milhões, de modo a igualar o tamanho da congregação que o Profeta Daniel viu de pé diante do Ancião de Dias. Tal multidão de pessoas há de se estender por muitas milhas de território, por mais próximas que estejam reunidas. Duvido que os extremos de tal congregação pudessem ser vistos pelos olhos naturais dos mortais; eles se perderiam na distância.

Por que ficará de pé essa vasta assembleia de pessoas? Qual será o objetivo do Ancião de Dias, ao vir com essa vasta multidão, e o que se há de realizar? Lemos que os quatro animais, representando os poderes da terra, existirão na época da vinda do Ancião de Dias. E que o quarto animal, representado pelo Império Romano e pelos reinos que dele brotaram, será "morto, e seu corpo será desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo." Aqui, então, podemos ler o destino daquela porção dos habitantes da terra que constitui o quarto animal; ou, em outras palavras, o destino dos reinos da Europa, que haveriam de se levantar e brotar desse quarto poder. Podemos ler o destino final dos reinos da Europa, a saber, Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal, Escandinávia, e o grande poder do norte, Rússia, Áustria e Prússia, e todas as várias nações que pertencem mais particularmente a esse grande poder de ferro, que outrora oprimiu tão cruelmente o povo; seu "corpo será desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo," o que significa a natureza do julgamento que lhes há de sobrevir. Segundo outras profecias contidas em Daniel, uma sucessão de julgamentos, grandes e terríveis em sua natureza, hão de sobrevir-lhes, antes que venha o fogo de que se fala. Nação se levantará contra nação em guerra, reino contra reino: ou, na linguagem de Isaías, "Porque eis que o Senhor virá com fogo, e os seus carros, como um torvelinho, para tornar a sua ira em furor, e a sua repreensão, em chamas de fogo."

Parece, então, que o corpo do quarto poder será entregue às chamas ardentes, o que significa a extinção total desse poder da face da terra. As nações gentias, representando os outros três animais, não serão então destruídas: mas suas vidas hão de ser prolongadas, e seu domínio lhes há de ser tirado. Embora suas vidas sejam prolongadas, ainda assim não terão poder para reinar e governar, senão na medida em que lhes for permitido. Se lerdes desde o início do capítulo 36 até o fim do capítulo 39 de Ezequiel, encontrareis muito dito a respeito das nações gentias. "E as nações saberão que eu sou o Senhor," etc. Mas o quarto poder representa as nações da cristandade moderna. Estas não têm o privilégio dos gentios, de terem suas vidas prolongadas. Por quê? Quer o orador dizer que a cristandade moderna é mais perversa do que os gentios? Sim; o povo da cristandade possui mais luz e conhecimento do que os gentios e, portanto, está sob condenação maior; pois, segundo a luz e o conhecimento que cada um possui, será julgado. As nações mais esclarecidas, assim chamadas, estão rejeitando a mensagem do Evangelho que lhes é enviada por autoridade divina; e, por essa razão, sua destruição total é inevitável e, como foi decretado, hão de perecer. Suas vidas não serão prolongadas. Não somente os reinos e governos da Europa, e a parte ocidental da Ásia, hão de ser assim visitados, mas também aqueles que brotaram desses reinos e que emigraram para este hemisfério ocidental e outros lugares. Por exemplo, esta grande república há de perecer da maneira indicada, a menos que o povo se arrependa. Há apenas uma condição pela qual poderão ser preservados como nação, e o próprio Senhor a decretou. Podemos lê-la nas várias revelações que Deus deu a respeito desta terra. O Livro de Mórmon, por exemplo, fala em muitos lugares sobre a derrubada do governo que existiria nesta terra, caso rejeitassem a mensagem divina nele contida. Uma vez que não se arrependam, o Senhor disse que os visitaria em sua ira, e que derrubaria todas as suas fortalezas. E diz ainda que cortará seus cavalos do meio deles. Isso sem dúvida se dará por meio de alguma grande calamidade ou moléstia. Diz também que cortará as cidades de nossa terra, para que toda espécie de mentira, engano, hipocrisia, assassinatos, artimanhas sacerdotais, prostituições e abominações secretas sejam eliminados, referindo-se particularmente a esta nação. Diz ainda: "Executarei vingança e furor sobre eles, tal como sobre os gentios, coisas que não ouviram." Somos também informados de que a natureza desses julgamentos será rápida e terrível, sobrevindo-lhes como um vento impetuoso, quando menos esperarem; quando estiverem clamando paz e segurança, eis que a destruição súbita estará às suas portas.

Poderia me deter ainda mais longamente sobre os julgamentos que hão de vir sobre esta nação americana, segundo a revelação moderna. Em 1832, o Senhor predisse ao Profeta Joseph Smith que haveria uma grande guerra entre os Estados do Norte e do Sul. Essa revelação está publicada no Livro de Doutrina e Convênios, uma obra padrão da Igreja, e também em muitos idiomas, muitos anos antes de a guerra começar. Naquele período tão remoto nos foi dito que os Estados do Sul se levantariam contra os Estados do Norte, e os do Norte contra os do Sul, em guerra, resultando na morte e no sofrimento de muitas almas. Também nos foi dito que essa guerra começaria com a rebelião da Carolina do Sul.

Quando eu era menino, um pouco mais de 20 anos de idade, tive o privilégio de fazer uma cópia dessa revelação, e a carregava comigo, lendo-a com frequência às congregações a quem pregava. Seu tema formou um texto do qual muitas vezes preguei, bem como um assunto de conversa com estranhos, cujo conhecimento eu porventura fazia ao viajar de um lugar para outro.

O que pensais de como tal informação era recebida pelas pessoas a quem era transmitida? Elas não acreditavam nela; não tinham ideia de que fosse uma revelação de Deus para elas; consideravam-na uma das imposturas que os "mórmons" haviam inventado para enganar o povo. Dizer-lhes que este grande governo seria dividido e entraria em guerra consigo mesmo era algo inteiramente estranho às suas mentes; era algo a que davam pouca atenção, muitas vezes tratando com escárnio e riso. Preguei nos Estados da Nova Inglaterra, e em várias partes da União, e assim era a maneira como essas coisas eram recebidas. O derramamento de sangue era então um dos sentimentos mais remotos do povo americano; contudo, veio a acontecer exatamente como predito, e todos conhecemos os resultados dessa terrível guerra. Aquela guerra, devemos lembrar, foi apenas um único julgamento, comparado com o que há de vir, e isso, ademais, num futuro próximo. Foi revelado que virá o tempo, na história de nossa nação, em que um Estado se levantará contra outro, uma cidade contra outra, e até a mão de cada homem se levantará contra seu vizinho, até que toda a República esteja em comoção e guerra generalizadas. Como e quando isso se dará, o Senhor, em sua sabedoria, não nos disse; mas basta que digamos que ele nos revelou os fatos de que tal e tal coisa se dará.

Pelo que sabemos, o cumprimento desta profecia pode brotar da política. Se o povo estiver muito dividido em política, esse sentimento poderá crescer tanto, nos anos vindouros, a ponto de ser a causa direta da guerra. E, se isso acontecer, muito naturalmente se espalhará por todas as vizinhanças da União. Uma classe de opositores políticos se levantaria contra a outra classe, na mesma cidade e território, e assim surgiria uma guerra de anarquia popular.

Se uma guerra dessa natureza se der, quem poderia conduzir seus negócios em segurança? Quem se sentiria seguro para plantar suas lavouras, ou para conduzir qualquer empreendimento? Haveria fuga de um Estado para outro, e reinaria confusão geral em toda a República. Tal, eventualmente, há de ser a condição de toda esta nação, se o povo não se arrepender de sua maldade; e tal estado de coisas não significa nem mais nem menos do que a derrubada completa da nação, e não apenas desta nação, mas das nações da Europa, que formam os pés e os dedos dessa grande estátua. Elas são os poderes a serem quebrados primeiro; não é a nação que representa a cabeça de ouro, o remanescente do Império Babilônico que ainda existe na Ásia, que será atacada primeiro, nem tampouco os persas e medos, cujos descendentes ainda vivem; mas o Senhor primeiro derrubará aqueles reinos que representam os pés e os dedos da estátua, de que tenho falado. Depois disso, ele prosseguirá esmiuçando os reinos que representam o bronze, a prata e o ouro. Alguns serão poupados por um pequeno período. O reino de Deus há de avançar, e certa pessoa há de vir, acompanhada de uma grande hoste; o nome dessa pessoa é o Ancião de Dias. E quem compõe essa poderosa hoste? Serão seres imortais? Sem dúvida, a maioria deles serão santos imortais, mas poderá haver alguns mortais entre eles. O ser chamado Ancião de Dias não será uma pessoa mortal, sua glória é grande demais para isso, ele já passou por sua mortalidade, e terá a supervisão dessa numerosa hoste, ao menos cem milhões de pessoas.

Quem seria a pessoa mais provável para ocupar essa importante posição? Ele é chamado Ancião de Dias. Podeis dizer-me quem é a pessoa mais antiga que viveu sobre a terra, durante os dias mais antigos? Todos, todos reconhecerão que é Adão. Uma vez que ele se provou um homem justo, é correto e apropriado que, por nomeação divina, tenha domínio sobre os justos de sua posteridade, os quais existirão desde seus dias até aquele período em que ele vier em sua glória; e esses milhões de milhões de que se fala serão os fiéis de sua própria posteridade. Estarão de pé diante dele, e então certos livros serão abertos. Se compreendermos a natureza desses registros, sem dúvida encontraremos muito escrito a respeito de reinos, nações e indivíduos. São os registros que se guardam no céu, nos quais são registradas todas as coisas pertencentes aos povos da terra. Ou, como o Livro de Mórmon o expressa, dando a linguagem do Salvador quando esteve neste continente americano, "todas as coisas são escritas pelo Pai;" isto é, por sua autoridade, por sua direção são escritas todas as coisas. Os registros das nações—sua ascensão e decadência, com tudo o que lhes pertence, em sua capacidade nacional, serão escritos. Depois haverá os registros das famílias e dos indivíduos, de todos os povos e línguas da terra. Os livros serão abertos, e o julgamento se assentará. Que julgamento? Não o julgamento final, pois este há de se dar mais de mil anos depois deste. Este julgamento se refere às nações que então existirão, e é a partir desses registros e por esse julgamento que serão julgadas. As calamidades de que se fala hão de se dar em cumprimento das Escrituras, e dos grandes propósitos de Jeová.

Poder-se-ia perguntar: Pensais que esta vasta congregação realmente virá, e, se assim for, a que lugar virá? Lerei uma nova revelação sobre este assunto, dada em 18 de maio de 1838, há quase trinta e nove anos. Foi dada quando o Profeta Joseph Smith e os Santos dos Últimos Dias se haviam reunido no Missouri, cerca de quarenta ou cinquenta milhas ao norte do Condado de Jackson. Haviam-se reunido num lugar que chamavam Spring Hill, e o Senhor revelou a Joseph, naquela ocasião, coisas concernentes a este grande acontecimento. Este lugar, Spring Hill, é referido pelo Senhor, nesta revelação, como sendo antigamente chamado Adão-ondi-Amã, porque é o lugar onde Adão há de vir visitar seus filhos, ou o lugar onde o Ancião de Dias há de se assentar, como falado pelo profeta Daniel. Aqui, então, temos uma chave para o importante personagem chamado Ancião de Dias: que é nosso pai Adão, e que ele há de se assentar em julgamento, entre certo número de seus filhos, naquela certa região do território.

Podeis perguntar por que ele viria a esse lugar em particular, neste continente ocidental? A razão é que ele outrora habitou ali. Podeis dizer, realmente pensei que Adão vivia na Ásia, e se assim foi, não temos relato de sua saída de lá. Lerei outra revelação, contida neste Livro de Doutrina e Convênios, dada no dia 8 de julho de 1838, na qual se representa que Adão ocupou essa região do território. A revelação foi dada em Far West, Missouri. Lerei apenas alguns versículos—

"Pois não pertencem a mim as aves do céu e também os peixes do mar e os animais das montanhas? Não fiz eu a Terra? Não tenho em minhas mãos o destino de todos os exércitos das nações da Terra? Portanto, não farei eu com que lugares solitários brotem e floresçam e produzam em abundância? diz o Senhor. Não há lugar suficiente nas montanhas de Adão-ondi-Amã e nas planícies de Olaa Sineá, ou seja, a terra onde Adão habitou, de modo que cobiçais aquilo que é apenas uma gota e negligenciais assuntos de maior importância? Portanto, subi à terra de meu povo, ou seja, Sião."

Temos, então, o entendimento de que aquele foi o lugar onde Adão habitou. Talvez estejais ansiosos por saber o que significa "Ondi-Amã." Significa o lugar onde Adão habitou. "Amã" significa Deus. Todo o termo significa Vale de Deus, onde Adão habitou. É na língua original falada por Adão, tal como revelada ao Profeta Joseph.

A seguir, voltemo-nos a outra passagem, referente ao mesmo assunto, contida no Livro de Doutrina e Convênios, na página 355, versículo 53, sendo parte de uma revelação dada em 28 de março de 1835—

"Três anos antes de sua morte, Adão chamou Sete, Enos, Cainã, Maalalel, Jarede, Enoque e Matusalém, todos sumos sacerdotes, e também o restante de sua posteridade que era justa, ao vale de Adão-ondi-Amã; e lá lhes conferiu sua última bênção. E o Senhor apareceu a eles; e ergueram-se e abençoaram Adão e chamaram-no Miguel, o príncipe, o arcanjo. E o Senhor confortou Adão e disse-lhe: Coloquei-te à cabeça; uma multidão de nações procederá de ti e deles serás por príncipe eternamente. E Adão levantou-se no meio da congregação; e embora curvado pela idade, estando cheio do Espírito Santo, predisse tudo que sucederia a sua posteridade, até a última geração. Todas estas coisas foram escritas no livro de Enoque e delas se testificará no devido tempo."

Vemos, então, que a maneira pela qual Adão obteve essas promessas foi nesta Conferência realizada pelo grande Patriarca, na qual ele reuniu seus filhos e os filhos de seus filhos, ao longo de oito gerações, todos homens justos, razão pela qual seus nomes são especialmente mencionados, enquanto milhões de seus filhos, descendentes que eram perversos, não têm seus nomes mencionados. Os justos de toda a sua posteridade estavam reunidos com ele, naquele lugar, no vale chamado Adão-ondi-Amã. Que gloriosa Conferência aquela deve ter sido, uma Conferência em que o próprio Senhor apareceu? Penso que, se os Santos dos Últimos Dias pensassem que poderiam contemplar a face do Senhor, reuniriam-se em nossas Conferências, e nada os impediria; poucos justos ficariam para trás, mas viriam, em geral, de todas as partes do Território. Não sei se aqueles homens santos que se reuniram em Conferência com Adão tinham alguma promessa prévia de que contemplariam a face do Senhor; mas foram em fé, em obediência ao chamado de seu venerável pai; sem dúvida exerceram muita seriedade de espírito, a fim de obter uma bênção das mãos do Senhor. O Senhor atendeu às suas orações, e apareceu a eles, e lhes deu muito consolo, e estabeleceu Adão à sua cabeça, para ser um príncipe sobre eles e sobre toda a sua posteridade para sempre. E não tenho dúvida de que, se tivéssemos o Livro de Enoque mencionado na revelação, no qual estão escritas todas as profecias preditas por este homem venerável, encontraríamos algo predito sobre sua posteridade que hoje vive. Penso que ele falaria sobre sua vinda como o Ancião de Dias, o grande Príncipe, a sua posteridade. Ele disse a seus filhos, naquela grandiosa Conferência, tudo a respeito disso, e eles compreenderam, e tudo foi escrito no Livro de Enoque, para ser testificado no devido tempo. Estes talvez sejam alguns dos livros que hão de ser abertos naquela grande ocasião.

Podeis perguntar: Por que a necessidade desta vasta multidão dos céus se reunir aqui na terra? É para cumprir muitas profecias além da de Daniel; é para cumprir profecias que foram preditas por todos os homens santos que compreenderam os grandes acontecimentos dos últimos dias, de que os Santos que estão no céu hão de descer aqui à terra, e hão de ser organizados aqui na terra, e hão de ser unidos aos Santos na terra, como uma grande companhia, cada um compreendendo o seu lugar. Não penso que haverá quaisquer contendas ou ciúmes, como, por exemplo, se os Sumos Sacerdotes são maiores do que os Setenta, mas todos compreenderão seu devido lugar e posição, porque suas posições lhes serão indicadas pelo Ancião de Dias, o pai e príncipe de todos, até mesmo os últimos ordenados ao Sacerdócio. Talvez esses registros nos recordem as posições que todos hemos de ocupar; pois creio que, para o Senhor, o fim era conhecido desde o princípio.

Mas por que tudo isso? Por que se haveria de dar a todos o conhecimento de seus devidos lugares? Por que se haveriam de abrir os livros, e por que o quarto animal haveria de ser destruído, e seu corpo entregue para ser queimado pelo fogo? Isso está explicado na mesma passagem—"Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que um como o Filho do Homem vinha nas nuvens do céu."

A quem vem este glorioso personagem? Ele vem ao Ancião de Dias. Que quer dizer, aquele personagem vindo em glória, majestade e domínio, com as nuvens do céu, ao Ancião de Dias! Para quê? Para que dele receba o reino, em sua ordem, cada pessoa em sua devida posição, tudo organizado segundo a mais perfeita ordem. O Ancião de Dias entrega o reino, assim completado, ao Filho do Homem, cujo domínio se torna tão grande que todos os povos, nações e línguas o servem; e seu domínio é eterno e não terá fim.

Não sei como poderia haver algo mais perfeito para a vinda de Cristo do que o que aqui está registrado. É certamente uma grande e gloriosa obra; e sem tal obra tudo estaria em confusão em sua vinda. Quão grandioso e glorioso será aquele período, quando Jesus vier nas nuvens do céu! Ele faz esta preparação de antemão, para que haja um povo pronto a recebê-lo. As pessoas mortais, bem como os seres imortais, todos conhecendo suas posições, formarão o grande Conselho, e estarão organizados, prontos para receber Jesus quando ele vier reinar como Rei dos reis e Senhor dos senhores sobre esta terra.

Pensais que então haverá qualquer disputa sobre assuntos políticos ou de outra natureza pertencentes ao governo? Não penso que então exista, naquele grande Conselho, a condição de coisas que vemos aqui apresentada em nossa própria nação. Não haverá disputa alguma sobre um presidente ou qualquer outra posição. Todas as coisas então serão reguladas pela lei de Deus. Isso será reconhecido naqueles dias. Um sentimento de perfeita unanimidade existirá entre o povo, e divisão e dissensão serão desconhecidas. Tivemos tanta divisão em nosso país, e entre as nações, por tantas gerações, que se tornou coisa comum entre o povo. A fim de ser esclarecido, independente e liberal, pensa-se que todo homem deve estar contra seu vizinho, e todo homem deve impor seu próprio julgamento em relação aos assuntos, ainda que isso possa contradizer o de seu vizinho. Tudo isso, num governo como nossa república, é reconhecido como legítimo. Apresentai agora um homem como candidato à presidência dos Estados Unidos, contra cujo caráter privado não se proferiu sequer uma sílaba, e logo vereis os mais respeitáveis de nossos jornais voltarem-se com calúnias contra ele; tudo o que possam imaginar com tendência a prejudicá-lo, na estimação do público, será dito a seu respeito; e, se o povo em geral acreditasse nisso, ele seria considerado um dos homens mais perversos, e seu caráter seria manchado do Atlântico ao Pacífico. Isso não pode ser um sistema de verdadeiro republicanismo; deve ser resultado das imperfeições do homem decaído e, consequentemente, há de passar e ser esquecido. Mas, quando o reino dos céus estiver plenamente estabelecido, não penso que haverá a menor divisão; tudo será conduzido com perfeição; e, assim, paz e união hão de existir. Aqueles que hão de dirigir os assuntos daquele reino serão um só, tal como o Pai e o Filho são um. Pensais que o Pai disputa com o Filho sobre assuntos de governo? De maneira alguma; eles estão perfeitamente unidos. Por que estão assim unidos? Porque cada um compreende que o outro possui conhecimento, sabedoria, pureza e santidade, e, sendo ambos inteligentes e puros, compreendendo o fim desde o princípio, estão, portanto, em perfeita harmonia um com o outro em todas as coisas. Lembrar-vos-eis da oração do Salvador: "E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim." Ele orou para que todos os que cressem se tornassem um, assim como ele e o Pai são um. Mas não estava ele enganado? Não anularia ele nossa liberdade e independência, se todos os que cressem se tornassem um? Tal condição não nos daria a oportunidade de disputar uns com os outros. Unidade é o maior e mais celestial princípio de governo. Se pudéssemos descobrir o que é correto, não promoveria isso a paz e o bem-estar de todos, ao pôr em prática, com unidade, todo princípio de retidão, e desencorajar aquilo que é errado?

Outra oração, uma que é geralmente usada, e que Jesus ensinou a seus discípulos, foi: "Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu," etc. Seu governo há de ser estabelecido aqui, e sua vontade há de ser feita em perfeição, assim como o é nos mundos celestiais. É uma loucura extrema o homem argumentar que nossa liberdade seria cerceada se esta oração fosse respondida sobre nossas cabeças hoje. Pelo contrário, nossa independência seria ampliada; pois então, naturalmente, seríamos mais semelhantes ao grande Capitão de nossa salvação. Se a vontade de Deus fosse realmente feita na terra como no céu, existiria um estado de paz e felicidade, haveria pouca queixa ou murmúrio, e o povo teria plena confiança uns nos outros. Ao deitarem-se à noite, não teriam necessidade de se preocupar em trancar suas portas e verificar se tudo estava seguro contra roubo, pois não haveria furto, ninguém para prejudicar o vizinho, de forma alguma. Se tivésseis qualquer coisa que quisésseis deixar ao ar livre, de dia ou de noite, não importaria quão valiosa fosse, poderíeis fazê-lo sem sentir o menor temor de que alguém a tomasse de vós.

Esta será a ordem das coisas a existir aqui na terra, e que será reconhecida por todas as nações que então existirão, e continuará por mil anos. E, ao expirar esse tempo, este tipo de governo nem mesmo então será extinto, embora todos os que puderem ser influenciados por Satanás a apostatar assim o farão, naquela época, e haverá uma grande divisão do povo, ao fim dos mil anos. Os Santos, então, ter-se-ão tornado muito numerosos, provavelmente mais numerosos do que nunca antes; e serão obrigados a se reunir num só lugar, como agora fazemos vindos dos quatro cantos da terra. Terão de armar seus acampamentos ao redor, pois a "cidade amada" não será grande o suficiente para eles. É chamada por João, o Revelador, o acampamento dos Santos, uma cidade amada, para onde os Santos se reúnem, vindos das nações da terra. Satanás reunirá seu exército, composto de todos os anjos que caíram e deixaram as cortes celestiais, quando ele o fez, além de todos aqueles que apostatarão da verdade, ao fim dos mil anos: eles também se misturarão com os imortais do exército de Satanás, todos possuindo o mesmo espírito e mente. Ele, com seu exército, virá contra os Santos e a cidade amada, e os cercará ao redor. Seu exército será tão grande que poderá cercar os Santos por todos os lados: ele há de cercar o acampamento deles. Por causa da posição favorável que ocupará, nessa grande batalha final, e por causa do vasto número de seu exército, sem dúvida ele acreditará que obterá a vitória e subjugará e possuirá a terra. Não penso que ele compreenda plenamente todos os desígnios de Deus: pois João nos diz que, quando este grande exército estiver reunido em posição, ao redor do acampamento dos Santos, "de Deus desceu fogo do céu, e os devorou." Devorou a quem? Não aos anjos caídos, pois estes não têm corpos para serem devorados; mas este fogo do céu há de devorar a raça perversa e apóstata que os houver escutado e que se houver unido ao exército de Satanás; serão consumidos, e assim o reino de Cristo não será vencido por Satanás nem tirado dos Santos. Lembrai-vos das palavras de Daniel—"O reino não será destruído, nem tampouco será deixado a outro povo." Ainda que apostatem ao fim dos mil anos, ainda que busquem todo plano possível para derrubar o reino, ainda que reúnam suas forças e tenham Satanás e seus anjos caídos para lutar com eles, ainda assim aquele reino que foi organizado no início dos mil anos continuará a existir. O fogo é o grande agente que há de devorar os perversos, depois do que este acampamento, e a cidade amada, e todos os habitantes que a ela pertencem, serão arrebatados ao céu.

Então chega o período e o tempo em que a terra há de passar por sua mudança final, superando em muito quaisquer mudanças anteriores. Pois, no início do Milênio, os montes se derreterão e escorrerão como cera, à presença do Senhor; então a terra será extremamente movida e sacudida de um lado para outro. Embora o oceano volte a sua posição anterior; embora estas e muitas outras mudanças maravilhosas se deem quando Cristo vier, elas nada são comparadas às mudanças que hão de se dar após os mil anos, depois que o exército de Satanás for destruído. Então aparecerá o grande trono branco. Então, depois que a cidade santa e a Nova Jerusalém forem levadas ao céu, a terra fugirá da presença daquele que se assenta sobre o trono. A própria terra há de passar por uma mudança semelhante àquela pela qual havemos de passar. Assim como nossos corpos retornam novamente ao pó, tornando-se parte constituinte dele, e não se acha lugar para eles como corpos organizados; assim há de ser com esta terra. Não apenas os elementos se derreterão com calor ardente, mas o próprio grande globo há de passar. Deixará de existir como um mundo organizado. Deixará de existir como um dos mundos capazes de ser habitado. O fogo devora todas as coisas, convertendo a terra em seus elementos originais; ela passa para o espaço.

Mas nenhuma partícula sequer dos elementos que compõem a terra será destruída ou aniquilada. Todos hão de existir e ser reunidos novamente por um poder organizador maior do que o conhecido pelo homem. A terra deve ser ressuscitada novamente, tal como nossos corpos; seus elementos serão reunificados, e serão reunidos pelo poder da palavra de Deus. Ele então organizará esses elementos, agora constituídos sobre esta terra, de tal maneira que nenhuma maldição estará ligada a qualquer de seus compostos assim formados. Agora a morte está ligada a eles, mas então tudo será organizado na mais perfeita ordem, exatamente como o era quando o Senhor primeiro a formou. Ele então declarou tudo "muito bom." Não poderia ser de outra forma; um ser infinito em sabedoria e conhecimento, e um ser que tem poder na mesma proporção, poderia organizar uma terra na forma mais perfeita; e assim o fez, e a declarou muito boa. Mas o homem trouxe uma maldição sobre a terra. O homem trouxe uma mudança, não apenas sobre o homem, mas sobre a criação animal, e não apenas sobre a criação animal, mas sobre todos os elementos de que a terra foi formada. Essa maldição foi, por assim dizer, transfundida por toda partícula da criação, de modo que, onde quer que voltásseis os olhos, existem morte, destruição e tristeza. Mas o mesmo Ser que a organizou, e a declarou muito boa, há de organizá-la novamente. Ela há de sair novamente de sua condição de caos, pelo poder de sua palavra, um corpo celestial, preparado para a morada de uma ordem superior de seres, aqueles que guardaram a lei celestial, aqueles que, por meio da obediência às leis de Deus, se tornam exaltados. Estes são os que terão o privilégio de herdar a terra para todo o sempre. Quando ele a tiver toda preparada, trará os seus habitantes, a cidade santa, a Nova Jerusalém.

Proponho-me a fazer algumas observações a respeito dessa cidade, em benefício dos estranhos, caso haja alguns presentes. Consideramos a Nova Jerusalém como distinta da antiga Jerusalém. A antiga Jerusalém será reconstruída pelos judeus em seu antigo local, e durante o Milênio se tornará uma cidade muito gloriosa, e seus habitantes serão um povo abençoado e honrado. Somos informados pelo Profeta Éter de que o Senhor construirá uma cidade neste continente americano, a qual será chamada Nova Jerusalém. A razão de ser chamada "nova" é que ela nunca antes existiu aqui. Ambas as cidades serão arrebatadas, quando a terra passar por sua dissolução final, e, quando renovadas, hão de voltar novamente, primeiro a Nova Jerusalém, seguida pela antiga Jerusalém.

Muitos têm suposto que a descrição da glória e beleza da cidade que desce do céu era a Nova Jerusalém, mas não é assim. Essa descrição, dada por João a respeito da segunda cidade, era de uma cidade santa—a antiga Jerusalém. Temos um relato de seus muros e da altura deles, temos também um relato de suas doze portas, suas casas e seus habitantes, e também da glória de Deus que há de estar na cidade. Mas temos alguma descrição ampliada da Nova Jerusalém? Não. Não tenho dúvida, porém, de que a cidade da Nova Jerusalém será igualmente gloriosa àquela que João viu e descreveu.

João viu a Nova Jerusalém descendo do céu e fala de seus habitantes. Então um dos anjos o levou a um alto monte, e lhe mostrou a segunda cidade, quando descia à terra.

O Livro de Mórmon fala com muita clareza sobre este assunto. O Profeta Éter, tal como registrado na última parte do livro, falando dessas duas cidades, diz que ambas são construídas pelo homem, sob a direção do Todo-Poderoso; e que o Senhor decretou que, quando forem construídas, não hão de desaparecer nem ser destruídas. Temos muitas de nossas casas que estão se deteriorando. Podeis construí-las de granito, e meio milhar de anos começará a desgastá-las. Assim é com qualquer material usado na construção de nossas cidades; enquanto o homem estiver sob a maldição, haverá um constante deteriorar de suas habitações. Mas não assim, em relação à antiga Jerusalém, que há de ser reconstruída; e não assim, em relação à Nova Jerusalém, que há de ser construída neste Continente. Por que não? Porque Deus é todo-poderoso, e, quando faz um decreto a respeito de qualquer coisa, ele há de se cumprir. Se ele disse aos antigos nefitas: Registrai vossas profecias e escritos em placas de ouro, e eu as preservarei, de modo que não se desgastem, que o tempo não terá poder para desperdiçá-las; mas os registros serão preservados, ele era plenamente capaz de preservá-los por seu poder, e cumprir sua promessa. O mesmo Ser, que é capaz de preservar os registros sagrados, tem poder para preservar habitações sagradas e santas.

Portanto, Santos dos Últimos Dias, quando voltardes para reconstruir os lugares desolados de Sião, e quando construirdes a Nova Jerusalém no lugar que ele designou, quaisquer que sejam os materiais usados, pela bênção do Sacerdócio, que Deus ordenou, esses materiais hão de durar para sempre: continuarão durante os mil anos, sem se desgastar, e, quando forem arrebatados ao céu, quando a terra fugir, ainda hão de perdurar em toda a sua perfeição e beleza. Quando essas cidades descerem novamente sobre a nova terra, em seu estado imortal e eterno, ainda hão de ser tão duradouras quanto a própria terra, não mais sujeitas à maldição e, portanto, não mais hão de se desgastar; a morte se foi—tudo o que é corruptível em sua natureza cessou, no que diz respeito a este globo habitável, e toda tristeza e lamento se acabaram.

Que Deus abençoe os Santos dos Últimos Dias, e que nossas mentes se mantenham firmes na natureza e glória das promessas aos justos, e nos grandes acontecimentos que hão de se cumprir, aguardando a vinda da Igreja do Primogênito, aguardando o dia da paz, o dia do descanso, quando Jesus há de reinar como rei dos reis, tal como agora reina nos céus.

Que o Senhor desperte as mentes de seu povo para que busquem essas coisas no futuro, e que possamos afastar de nossas mentes tudo o que, por sua natureza, tenda a excluir o espírito do Deus vivo de nossos corações, é minha oração sincera, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “A Visão de Daniel—O Sonho de Nabucodonosor—Sua Interpretação—A Vinda do Ancião de Dias—A Profecia de Joseph Smith—Coisas Ainda por Cumprir—O Vale de Deus Onde Adão Habitou—O Estabelecimento do Reino de Deus—O Milênio Vindouro e o Triunfo dos Santos”, (1877-02-25). Pulpit Vault, 1877-02-pratt-daniels-vision. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).