Profecias Não Cumpridas — Mudanças na Configuração do Globo — Os Milagres, Resultado de Leis Ainda Não Perfeitamente Compreendidas — A Reformação da Terra — Seu Caráter Durante o Milênio — Sua Purificação pelo Fogo — Os Novos Céus e a Nova Terra — O Evangelho, a Lei Celestial e Único Passaporte para a Existência numa Terra Celestializada
Orson Pratt
Foram lidas as seguintes passagens das escrituras — o 24º capítulo de Isaías, do 1º ao 6º versículo, e do 17º ao 23º versículo; o 6º capítulo do Apocalipse, do 12º ao 17º versículo; o 34º capítulo de Isaías, do 1º ao 4º versículo; e o 13º capítulo de Isaías, do 6º ao 13º versículo. ¶
O Élder Pratt então disse — Li estas passagens, não com a ideia de selecionar delas alguma passagem em particular, mas mais especificamente para gravar na congregação o fato de que algo deve acontecer que ainda nunca se cumpriu. ¶
Desde os dias em que Isaías viveu e profetizou entre o povo, admitireis comigo que nunca houve uma destruição universal de todos os ímpios e transgressores da face da terra. Houve dezenas de milhões de pecadores sobre a terra desde a pronúncia dessa profecia até os dias de hoje, mas a destruição em massa de que se fala jamais ocorreu. Também admitireis comigo que os sinais que hão de aparecer nos céus, por ocasião dessa destruição universal dos ímpios, ainda não se manifestaram. Diz-se-nos não somente que o sol se escurecerá em seu nascer, mas que as estrelas recusarão brilhar. Se apenas o sol se escurecesse, as nações gentias, que não saberiam explicá-lo, poderiam dizer que se tratava de algum grande eclipse, como já ocorreram em diferentes épocas; mas quando descobrirem que todas as estrelas do céu retêm sua luz, sem que reste sequer um vislumbre de claridade, e que o próprio sol se torna negro como um pano de saco, não poderão atribuí-lo a um eclipse, pois um eclipse não destruiria a luz das estrelas espalhadas pela abóbada celeste. Diz-se-nos também, em relação a isto, que a terra será afligida tanto quanto os corpos celestes; que ela cambaleará como um bêbado, que os montes serão derrubados, e que toda a terra se dissolverá. Nada disso jamais ocorreu desde o dia em que essa profecia foi pronunciada; portanto, ainda está por se cumprir. ¶
Novamente, Isaías, no capítulo 40, disse que "todo vale será exaltado, e todo monte e todo outeiro serão abatidos, e o tortuoso se endireitará, e o áspero se aplainará; e a glória do Senhor se manifestará, e toda a carne juntamente a verá." Tal acontecimento jamais ocorreu, pois temos muitos montes em todas as partes da terra, e os vales ainda não foram exaltados, nem os lugares ásperos aplainados. Diz-se-nos que não somente os montes serão derrubados, os vales exaltados e os lugares ásperos aplainados, mas que a própria terra se dissolverá. Isto concorda com as profecias do salmista Davi. A ele foi permitido ver o grande dia da vinda do Senhor, e ele o descreveu em muitos de seus salmos; entre outras coisas que diz que hão de acontecer, está que os montes se derreterão como cera diante da presença do Senhor. Eles, naturalmente, cairão pela força da gravidade e encherão os vales; tal acontecimento jamais ocorreu desde o dia em que a profecia foi pronunciada. ¶
Diz-se-nos também, em outro lugar, pelo profeta Isaías, como os servos de Deus, naqueles dias notáveis, clamariam ao nome do Senhor, dizendo: "Oh! se fendesses os céus, e descesses, se os montes se escoassem de diante da tua face, como o fogo inflama os gravetos, e o fogo faz ferver as águas, para fazeres notório o teu nome aos teus adversários, e assim as nações tremessem diante da tua presença," oração essa que será respondida. ¶
Outra coisa é mencionada, além de todas essas mudanças que citei. Haverá uma grande remoção de certas porções da terra. "De todo se moverá a terra," como consta no 19º versículo do 24º capítulo de Isaías, e no versículo seguinte, ainda se referindo às mudanças que esta terra há de sofrer, lê-se: "E balançará como a choça." Diz-se-nos ainda, no mesmo capítulo, que "o Senhor esvazia a terra, e a desola, e transtorna a sua face," etc.; isto é, muitas porções da terra que agora jazem soterradas serão lançadas à superfície, e muitas porções que agora formam a crosta superior da terra serão viradas para baixo. ¶
A terra está agora dividida em continentes e ilhas. Poderíamos perguntar: será que mudarão de localização? A resposta é: sim. O apóstolo e revelador João, no 6º capítulo do Apocalipse, nos diz que viu, em visão, depois da abertura do sexto selo, entre outras coisas notáveis, que "todos os montes e ilhas se moveram dos seus lugares." Ilhas como a Grã-Bretanha mudarão de localização, assim como as do Oceano Pacífico e todas as demais igualmente; e não tenho dúvida de que haverá uma vasta mudança entre a localização dos continentes e a localização dos grandes oceanos e mares naquele tempo. A terra sem dúvida será restaurada à posição que ocupava anteriormente. Lemos que haverá uma restituição de todas as coisas de que falaram todos os santos profetas. Se a terra há de ser restaurada à sua condição anterior, tal como existia logo após a criação, então, no que se refere a continentes e oceanos, haverá uma restituição dessas porções do globo, bem como de muitas outras coisas não mencionadas na profecia. ¶
Estas passagens que li ocorreram-me à mente principalmente depois que cheguei a esta casa. Eu não tinha nada em particular a apresentar à congregação, nada estudado ou preparado. Prefiro depender do espírito do Senhor para me dirigir quando estou pregando o evangelho, e minha mente parece estar voltada para os grandes acontecimentos que hão de transpirar na derrocada e destruição das nações ímpias — os grandes acontecimentos em que o sol se tornará negro como um pano de saco, e cada estrela reterá sua luz e se lançará ao chão como a queda dos figos da figueira, tudo o que será muito notável em sua natureza. ¶
O profeta Joel diz: "e há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos sonharão sonhos, os vossos jovens verão visões." "E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor," etc. Supondes vós, meus irmãos, que o Senhor teria inspirado homens como o salmista Davi, os profetas Isaías, Joel, João o Revelador, bem como muitos outros, a falar de acontecimentos desta natureza, que haveriam de ocorrer nos últimos tempos, se tal coisa jamais fosse transpirar? Não, certamente que não. Estas coisas, aliás, são tão frequentemente mencionadas que não podemos ter qualquer dúvida em nossa mente quanto ao desígnio do Senhor. ¶
Não tenho dúvida de que muitas mudanças ocorreram em nosso globo desde aquela grande mudança nele operada no tempo da criação. Certamente houve uma grande mudança nele operada então, pois diz-se-nos que, quando o Senhor organizou a terra, ela estava envolta num grande oceano de água, sem que se visse terra seca. Mas o Senhor, por seu poder e palavra, ou, em outras palavras, por suas leis imutáveis, fez com que as águas se ajuntassem num só lugar, e assim apareceu a terra seca. Não suponho que essa mudança se tenha efetuado num piscar de olhos; creio que o Senhor tem certas leis estabelecidas pelas quais realiza suas obras maravilhosas relativas a todas as suas criações. Quanto tempo essa terra submersa existiu antes que o Senhor ordenasse que o grande abismo, que envolvia toda a sua superfície, fosse removido, não me cabe dizer; ninguém pode dizer quantos anos, ou milhares de anos, ou quantos milhões de anos, esta terra possa ter existido sob a forma de organizações parciais ou imperfeitas antes que sucedesse este grande acontecimento, do qual Moisés nos dá conta. Os períodos mencionados na história, como registrada no 1º capítulo de Gênesis, são representados como começando à tarde e terminando pela manhã. Sete períodos desses são mencionados. Quão longos foram esses períodos, chamados dias, não sei dizer; é muito evidente que não eram regidos pela rotação da terra em seu eixo, pois o sol não dava luz durante os três primeiros dias ou períodos. Foi no quarto dia que o Senhor fez com que a luz do sol brilhasse sobre esta pequena parcela da criação. Mas houve três dias antes disso, em que o sol não brilhou sobre a terra. O que então distinguia entre a luz e as trevas, naturalmente não podemos dizer. Houve uma eternidade de duração passada, antes do período chamado "o primeiro dia." Os materiais que nós, como Santos dos Últimos Dias, cremos terem existido desde toda a eternidade, os materiais não tiveram princípio; não foram criados. ¶
Há um ponto particular para o qual desejo chamar vossa atenção. O oceano parece ter sido ajuntado por si mesmo, quando a terra seca apareceu, e se havia ou não ilhas naquele período da história do nosso globo, não fomos informados. Poderíeis perguntar — O que ocasionou dois grandes continentes e dois grandes oceanos intervenientes entre eles, e como explicamos o aparecimento de ilhas e mares tal como hoje existem? Estes são resultados de outras mudanças desde os dias da organização desta terra, tal como proclamado por Moisés. O dilúvio, sem dúvida, produziu algumas mudanças na superfície de nosso globo, mas ainda assim não creio, por um momento, que ele pudesse ter produzido as mudanças que hoje vemos. No que diz respeito à localização das diferentes ilhas e continentes, descemos a um período posterior ao dilúvio. Nos dias de Pelegue, diz-se-nos, a terra foi dividida. Este é um relato histórico muito breve de um acontecimento verdadeiramente maravilhoso. Se tivéssemos o relato completo desse acontecimento exatamente como transpirou, ele certamente seria extremamente admirável. Supondo que aquele grande continente antediluviano único, que deve ter existido antes daquele tempo, tivesse sido dividido por vários milhares de quilômetros de água, não seria isso um acontecimento muito maravilhoso? ¶
Poder-se-ia perguntar: que leis naturais poderiam ter realizado tal acontecimento? Não pretendo dizer que existam leis regulares e uniformes pelas quais isso se tenha realizado; mas há leis, talvez, que o homem finito não compreende nem entende plenamente, as quais poderiam ocasionar a divisão da terra. O Senhor tem sob seu controle todas as leis da natureza, sejam uniformes ou não. É tão fácil para o Senhor fazer com que a água se erga como muralhas perpendiculares, como no caso dos filhos de Israel atravessando o Mar Vermelho, quanto o é fazer com que essas águas se acomodem ao seu nível comum. O que faz com que a água encontre seu nível? É o poder de Deus, e nada mais. Damos-lhe o nome de gravitação; mas o poder da gravitação nada mais é do que o poder que Deus exerce sobre os elementos, produzindo leis uniformes. ¶
Não tem o Senhor outras leis em operação além da lei da gravidade? Sim, ele pode fazer com que a lei da gravidade fique sujeita a outras leis. Por exemplo, certo homem estava cortando lenha com o profeta Eliseu quando seu machado caiu em águas profundas, aparentemente perdido; e o homem ficou bastante aflito com isso, pois o machado era emprestado. O profeta, compreendendo a natureza de certas leis superiores à da gravitação, exerceu o poder do sacerdócio de que estava investido, ordenando ao ferro que boiasse, e assim ele fez. ¶
Novamente, em outra ocasião, o profeta Eliseu, sabendo que haveria de suceder ao profeta Elias no ministério, e que Elias estava prestes a ser trasladado e levado ao céu, pediu-lhe certo favor antes que ele ascendesse, a saber, que uma porção dobrada de seu (de Elias) espírito repousasse sobre ele. Elias respondeu: "pediste uma coisa difícil; contudo, se me vires quando for tomado de ti, assim te será feito; mas, se não, não será assim." Aprouve ao Senhor conceder a Eliseu seu desejo, pois ele viu o profeta ascender ao céu numa carruagem de fogo, puxada por cavalos com aparência de fogo. Então tomou o manto de Elias, que dele caíra, e com ele feriu as águas do Jordão, dizendo: "Onde está o Senhor Deus de Elias?" E elas se separaram para um lado e para outro, e Eliseu passou em terra seca. Aqui, então, percebemos um poder maior que a gravitação. ¶
Como já observamos, quando os filhos de Israel haviam atravessado o Mar Vermelho, as águas se ergueram como muralhas de ambos os lados deles; o Senhor fez com que essas mesmas águas descessem sobre seus inimigos, destruindo-os totalmente. ¶
Novamente, enquanto Israel viajava no deserto, somos informados de que chegaram ao rio Jordão, e que, ao tocarem os sacerdotes que carregavam a arca do concerto a água com as plantas dos pés, as águas se ergueram num montão, e todo o Israel passou em terra seca. ¶
Destes simples testemunhos mostramos que Deus controla as leis da natureza. Novamente, o fato de o profeta Elias ter sido levado ao céu registra outro caso das leis da gravitação sendo superadas por uma mais poderosa. Novamente, a ascensão de Jesus, depois de haver comissionado seus discípulos a pregar o evangelho a todo o mundo, foi outro caso da lei da gravitação sendo superada pelo poder de Deus. Que ninguém suponha, então, que todos os grandes acontecimentos que hão de transpirar futuramente sobre a superfície da terra e do mar tenham de ocorrer em virtude de algumas lentas mudanças progressivas, ocupando centenas de milhares e talvez milhões de anos, segundo as ideias dos geólogos modernos. Podem eles mostrar de que maneira o Senhor pode governar e controlar essas coisas, trazendo acontecimentos, no curso de um tempo muito curto, que talvez levassem milhões de anos para se realizar por meras mudanças progressivas, tais como são reconhecidas pelos geólogos? Quão fácil seria que esse mesmo poder se manifestasse, ordenando ao grande oceano que deixasse seu leito atual e se ajuntasse nas regiões polares de nosso globo. Poder-se-ia perguntar: o que os manteria ali? Eles agora ocupam a superfície de nível comum, o mais próximo possível do centro de gravidade, e suportam a força centrífuga exercida pela rotação da terra em seu eixo. Se fossem enrolados de volta, de onde vieram; se um grande continente equatorial, num único cinturão contínuo, cercasse o globo, e as duas regiões polares estivessem cobertas de oceanos, o que os manteria em sua posição? Isso poderia ser feito sem infringir particularmente as leis da gravitação. Quão fácil seria para o Senhor comprimir as regiões polares de nosso globo e fazer com que as regiões equatoriais se elevassem mais, de modo a equilibrar as águas polares e mantê-las nas regiões ártica e antártica. ¶
Poder-se-ia objetar que, ainda que tal condição existisse, e ainda que admitíssemos o poder de Deus em assim dividir as águas, dando-nos um continente equatorial, isso não protegeria os habitantes do equador do calor abrasador do sol, e seria totalmente impossível aos habitantes da terra habitar a região equatorial, se isso se desse. Quão fácil seria para o Senhor alterar a posição do eixo da terra, dando-lhe maior inclinação em relação ao plano da eclíptica, de modo que os dois trópicos se estendessem trinta e cinco ou quarenta graus ao norte e ao sul do equador. Que efeito teria isso? Teria o efeito de dar mais calor aos polos, e também de dar menos calor ao equador. ¶
A terra será moldada na forma mais adequada à ocupação de uma ordem superior de seres. Agora, filhos da mortalidade ocupam este globo. Em algumas porções da terra sofremos extremos de calor e frio. O lapônio se resguardou disso em sua casa de neve, enquanto o povo das regiões tórridas tem de se resguardar do calor intenso. E há muito sofrimento entre os habitantes da terra, em seu atual estado de mortalidade, por causa dos extremos de calor e frio. Mas em relação ao grande acontecimento que citei, não tenho dúvida de que todo movimento e disposição que o Senhor fará ocorrer sobre a superfície de nosso globo terão a tendência de prepará-lo para a habitação de seres de uma ordem superior de inteligência do que os que agora o ocupam. Em testemunho disso, remeteremos vós a algumas poucas passagens da escritura. Os habitantes dos céus, que agora residem na presença de Deus, o Pai, e de seu Filho Jesus Cristo, não esperam residir ali para sempre; eles têm expectativas assim como nós. E esperam receber outro lugar ou localização diferente daquele onde agora residem. Não haveis lido aquela passagem peculiar contida no 5º capítulo do Apocalipse, relativa aos habitantes do céu? O revelador João os ouviu cantar um cântico novo e belo, sobre o desselar de certo livro — "digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos, porque foste morto, e com o teu sangue para Deus nos compraste de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra," etc. ¶
O quê! Os habitantes do céu virão reinar sobre esta terra? Sim. Alguns de vós talvez digam: "Não pensaria que um povo celestial quisesse deixar a presença de Deus e do Cordeiro, onde tudo é paz e felicidade, onde não há pecado a perturbar a paz daquela morada bendita. Não suporia que pudessem antecipar alegria em voltar a esta terra." Mas a terra há de passar por uma mudança na qual será santificada e tornada gloriosa quando os pecadores forem destruídos. Quando o Senhor realizar o que vos li, a saber, que os habitantes da terra serão queimados, e poucos homens restarão; e todos os exércitos dos ímpios serão massacrados. E quando se cumprir a predição de Isaías, de que os mortos estarão de uma extremidade à outra da terra, e a terra for mudada em sua posição, e um clima belo for introduzido, e todo o solo seco tornado habitável, e os lugares ásperos aplainados, os vales erguidos, e os montes nivelados, penso que então se deleitarão em vir para cá. Porque este é o seu antigo lar, onde outrora viveram. "Com o teu sangue para Deus nos compraste de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra." ¶
Como reinarão? Virão como personagens espirituais, sem corpos de carne e ossos? Não. Haverá uma ressurreição, e quando esses grandes acontecimentos se derem sobre a terra, os quais foram tão claramente preditos por tantos dos antigos dignos que mantiveram comunhão com Deus, as sepulturas entregarão os justos mortos. Os santos que foram ouvidos cantando aquele cântico novo e belo, o próprio espírito dos justos, virão do paraíso celestial para reclamar seus corpos ressuscitados, não mais sujeitos à morte — serão imortais e eternos. Terão inteligência na proporção daquela condição exaltada de seus espíritos e corpos, e a terra será adequada a eles como morada. É por isso que essas mudanças hão de acontecer. ¶
Os geólogos dizem que seriam necessários alguns milhões de anos para efetuar quaisquer mudanças na terra quanto à localização de seus continentes e ilhas, e um grande número de leitores inteligentes se inclina a essa crença. Mas há um Deus que os desapontará a todos, que manifestará seu poder, fazendo a terra oscilar de um lado para outro como um bêbado; um Deus cujo poder é capaz de fazer com que os montes sejam derrubados, e os vales se elevem. Quando chover sobre os vales exaltados, isso lavará o solo rico para baixo, sobre os montes rochosos que afundaram, tornando-os férteis; e assim toda a superfície da terra se tornará uma morada apropriada para o homem em seu estado aperfeiçoado e melhorado, seja imortal ou mortal. ¶
"Pensais," dirá alguém, "que haverá seres mortais vivendo na terra, quando essas hostes celestiais vierem?" Sim, e habitarão juntos. Que! pessoas não sujeitas a doença, ou a tristeza, ou a castigo, pessoas cujos corpos são celestiais e imortais, que perdurarão em seus corpos por toda a eternidade! Elas se misturarão com seres mortais? Sim. Temos alguma escritura que nos sustente nisso? Sim. Nosso Salvador era imortal quando ressurgiu do túmulo, seu corpo de carne e ossos não era mais sensível à dor; era um corpo glorificado, imortal e eterno. Podia ele misturar-se com os filhos da mortalidade? Sim, pois em certa ocasião os apóstolos, sem dúvida pensando que o Salvador estava morto, foram lançar suas redes, sua ocupação anterior. Mas Jesus, conhecendo seus corações, foi à praia do mar e ali acendeu um fogo. Ao pouco os chamou para a terra, e eles vieram. Ele tomou um peixe e o assou nas brasas, e o deu a eles para comer, e comeu com eles. Ele era imortal, eles eram mortais. Havia alguma diferença perceptível entre a aparência do Salvador naquela ocasião e a de seus discípulos? Não; ele não permitiu que sua glória se manifestasse, como o fez na ilha de Patmos, quando João recebeu suas manifestações celestiais. Sua glória foi retida, e não tiveram dificuldade em olhar para sua pessoa. ¶
Não tenho dúvida de que certo grau da glória dos seres imortais será retido dos filhos da mortalidade, durante todo o período do milênio. Reis e sacerdotes virão para reinar aqui, e se misturarão livremente entre seus filhos, de quem são ancestrais. E aqueles que são mortais poderão receber instrução daqueles que são imortais, o que os preparará para o tempo em que a terra há de sofrer uma mudança ainda maior. Os filhos da mortalidade necessitarão dessa preparação para viverem quando esta terra estiver ardendo, o que será seu destino final. ¶
Quando Jesus vier, os acontecimentos que citei terão lugar. A terra está destinada a passar; depois que esses seres imortais tiverem habitado nela por mil anos, depois que Jesus tiver reinado aqui como Rei dos reis e Senhor dos senhores, e o povo se tiver familiarizado com ele e com todos os antigos, então, por fim, a terra será queimada. Podeis perguntar: "Para que serve queimá-la?" Digo-vos a razão pela qual suponho que a terra será queimada. Ela foi amaldiçoada por causa da queda. Nos primeiros tempos Deus disse: "maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida," etc. Essa maldição ainda não foi inteiramente removida até hoje; a terra tem gemido sob a iniquidade. Seus habitantes têm tido de sofrer todas as intempéries de um clima rigoroso ou as intensidades de calor e frio. Milhões assim têm sofrido por muitos milhares de anos, tudo em consequência da maldição que veio sobre esta criação. Essa maldição não será toda removida de uma só vez, será removida, em parte, durante o milênio. A maldição não ocupará toda a face da terra na mesma extensão durante aquele tempo como o fez nos dias da iniquidade. Mas tão grande tem sido a maldição que Deus decretou que ela sofresse a morte, tal como o homem; não pode escapar disso, a mudança há de vir, a mudança final, que equivale à própria morte. O profeta Isaías fala da terra morrendo: "e os seus moradores morrerão semelhantemente." Assim como ela há de morrer, assim morrerão todos os que nela habitam. Quando verá ela a morte? Não antes de depois do milênio, depois do reinado da retidão pelo espaço de mil anos; depois, também, da "pequena estação," durante a qual Satanás será solto de sua prisão. Ela continuará em seu estado temporal com uma parte da maldição sobre sua face, até que o diabo ajunte seus exércitos ao fim dos mil anos, quando os organizará, trazendo-os sobre a largura da terra, e cercando o arraial dos santos e a cidade amada. Então o Senhor fará a mudança final; então soará a última trombeta, que fará vir todas as nações adormecidas; virão com corpos imortais, não mais sujeitos à morte temporal. Virão de suas sepulturas adormecidas, e o mar entregará os mortos que nele estão. As sepulturas dos ímpios serão abertas, e virão à luz; e aparecerá um grande trono branco, como registrado no 20º capítulo do Apocalipse, e é descrita a personagem que nele se assenta. Jesus vem então em sua glória e poder, de maneira muito maior do que jamais se manifestou nesta terra antes; tão grande será a glória daquele que se assenta sobre o trono, que de diante de sua face a terra e o céu fugirão, e não se achará lugar para eles. ¶
Não será isso uma mudança maior do que derrubar os montes, etc., o que há de acontecer no início do milênio? A terra será queimada pelo fogo, retornando aos seus elementos originais. Não se diz que não se achará lugar para os elementos, mas que não se achará lugar para o mundo organizado. Assim como conosco, a organização do corpo mortal cessará, será finalmente dissolvida, e os elementos de que é composta serão espalhados no espaço; mas aquele mesmo Deus que controla as leis pelas quais ela agora existe, no devido tempo, e quando lhe aprouver, falará a esses elementos, e por seu poder Todo-Poderoso eles novamente se ajuntarão, e serão formados numa nova terra, como claramente retratado no 21º capítulo do Apocalipse de São João. O apóstolo não somente viu o céu e a terra passarem, mas viu "um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram." ¶
Como supondes que esta nova terra será feita? Supondes que o Senhor irá à imensidão do espaço, e reunirá novos materiais e ordenará que sejam organizados? Não, ele tomará os mesmos materiais, os elementos que terão sido dissolvidos pelo fogo, e ordenará que se reorganizem novamente, adaptando a criação ressuscitada à condição dos habitantes que a ocuparão. Ela será então muito mais gloriosa do que parecerá durante os mil anos de repouso; será então reorganizada pelo Deus Todo-Poderoso na forma mais perfeita, de modo a ser capaz de duração eterna e sempiterna, não mais sujeita a se dissolver, não mais a sofrer da ação dos elementos uns sobre os outros, como tem sido o caso desta terra, durante sua existência temporal. Mas continuará por toda a eternidade, e quem a habitará? Os santos que anteriormente viveram nela, durante os sete mil anos de sua existência temporal. ¶
Temos algum relato que nos sustente nisso? Sim, pois depois que João viu o novo céu e a nova terra, a próxima coisa que nos relata é a população da nova terra. "E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, preparada como a esposa adornada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, e com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." ¶
A terra então será feita nova, imortal, eterna em sua natureza; e os seres santos que João viu descer nesta cidade santa serão seus habitantes. Não mais morte, não mais tristeza, etc.; em outras palavras, esta terra, esta criação, se tornará um céu. Os céus que agora existem são inumeráveis para o homem. Deus, desde toda a eternidade, tem organizado, redimido e aperfeiçoado criações na imensidão do espaço; todas as quais, quando forem santificadas pela lei celestial, e feitas novas e eternas, se tornarão a morada dos fiéis antigos habitantes, que também se tornam imortais, por meio e mediante a lei celestial. Estas são as moradas a que se referiu o Salvador — "Na casa de meu Pai há muitas moradas." Em outras palavras, podemos dizer: Nos domínios de nosso Pai há muitas moradas. Não são como moradas construídas pelos homens, são mundos de maior e menor magnitude. O primeiro grau são corpos celestiais exaltados, dos quais a luz celestial há de irradiar através da imensidão do espaço. ¶
Oramos ansiosamente por habitar na presença de Deus, o Pai, quando partirmos desta vida. Onde será? Ele habitará com o homem sobre a terra. Isso o confinará a esta terra? Não, não mais do que os reis da terra estão confinados a seus palácios, ou à cidade em que possam habitar. Eles têm o direito de visitar as diferentes porções de seus domínios e até mesmo quaisquer partes da terra. Assim também será com Deus, nosso Eterno Pai, quando ele escolher esta terra como habitação, fazendo dela uma de suas moradas, mas terá o poder de ir de um mundo celestial a outro, para visitar as miríades de criações, como lhe aprouver. ¶
Assim, referindo-nos às mudanças que a terra deve sofrer, poderíamos perguntar: Estamos vivendo agora de modo a estarmos preparados para todas as dispensações da providência de Deus? Estamos preparados para receber nossa herança sobre esta terra, quando ela for feita eterna? Se guardarmos a lei celestial que Deus nos há de dar; ou, em outras palavras, se nascermos primeiro da água pelo batismo, e depois do espírito pelo batismo de fogo e do Espírito Santo, e se continuarmos a andar neste espírito em novidade de vida, sendo novas criaturas diante do Senhor nosso Deus, e nos tornarmos santificados pela lei celestial, mesmo a lei do evangelho, então estaremos preparados para herdar esta criação, quando ela for feita nova, e santificada, e se tornar imortal. ¶
Se não estivermos assim preparados, para onde iremos? Deus é o autor de muitas criações além daquelas que são celestiais. Ele preparará uma criação exatamente adaptada à condição de tais pessoas — aqueles que não são santificados pelo evangelho em toda a sua plenitude, e que não perseveram fiéis até o fim, se encontrarão localizados em uma das criações inferiores, onde a glória de Deus não se manifestará na mesma extensão. Ali serão governados por leis adaptadas à sua capacidade inferior e à condição em que se tiverem lançado. Não somente sofrerão depois desta vida, como deixarão de receber glória, poder e exaltação na presença de Deus, o Eterno Pai; deixarão de receber uma herança eterna sobre esta terra, em seu estado glorificado e imortal. Portanto, quão cuidadosos devem ser os Santos dos Últimos Dias, para merecerem a associação da multidão feliz que João ouviu cantar aquele cântico novo. Desejamos nossa herança nesta terra tanto quanto eles. Se eles puderam alegrar-se na expectativa de receber uma herança sobre a terra, quanto mais poderemos nós, que sabemos comparativamente nada das alegrias do céu, quando nosso globo for glorificado, morada apropriada para seres imortais e glorificados. ¶
Guardemos os mandamentos do Altíssimo; ordenemos nossas vidas de modo a termos direito ao Pai, aguardando aquele período de tempo em que estes corpos mortais, que devem dormir no pó, virão da sepultura, formados à semelhança de seu corpo mais glorioso, para herdar a mesma glória com ele. Amém. ¶