Pulpit

Salvação Tangível; Personalidade de Deus; Caráter de Deus; Pré-Existência do Homem; Jesus, Nosso Irmão Mais Velho; Transformação da Terra; Criação e Organização; Seu Destino Final, o Lar dos Santos; Revelações Dadas por Joseph Smith em Harmonia com as Escrituras

Orson Pratt

1876-11-12

Tenho o prazer de ver uma companhia tão grande reunida, a despeito da inclemência do tempo; isso me mostra que há um interesse na mente dos Santos dos Últimos Dias quanto à sua salvação futura. Nós, como povo, temos passado por muitas cenas dolorosas e aflitivas para a nossa natureza, que suportamos por causa da ansiedade de nossos corações em obter a salvação. Pessoas sinceras manifestarão sua sinceridade suportando grande tribulação, se necessário, pela causa de serem salvas. Esta vida mortal é de pequena consideração, comparada com a salvação eterna no reino do Pai. Não há nada pertencente às coisas desta vida presente que seja digno de ser mencionado, em contraste com as riquezas da vida eterna. Jesus, falando sobre este assunto quando esteve na terra, faz esta pergunta: "Pois que aproveita ao homem, se ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma? ou que dará o homem em troca da sua alma?" Não há nada tão precioso, nada de tão grande importância, quanto assegurar, nesta vida, a salvação de nossas almas no mundo vindouro. É muito melhor se pudermos obter a salvação passando por várias cenas de aflição e perseguição neste mundo, do que ceder a seus prazeres e vaidades, que só podem ser desfrutados por uma temporada, e depois perder essa recompensa eterna que Deus tem reservada para os justos.

É verdade que consideramos nossa recompensa futura sob uma luz bem diferente da do mundo religioso em geral. Buscamos algo tangível, algo do qual possamos formar alguma concepção racional, tendo alguma semelhança, em certa medida, com a vida presente. Mas quão imaginárias são as ideias do mundo religioso! Não me refiro agora ao mundo pagão, mas às nações cristãs esclarecidas, aos duzentos milhões de cristãos hoje existentes na terra. Se perguntarem a essas pessoas sobre o estado futuro do homem, algumas darão uma ideia, e outras darão outra, todas mais ou menos diferentes entre si, mas, no essencial, todas concordam, a saber, que é um estado inteiramente espiritual, isto é, desligado de qualquer coisa tangível como esta vida presente, uma existência que não pode ser concebida pelos mortais.

Vocês podem pensar que estou deturpando nossos amigos cristãos. Direi, portanto, que há muitos anos tenho me dedicado, mais ou menos, ao estudo da religião, e por isso li bastante extensivamente as ideias do mundo religioso. Não aceitei as ideias de alguns poucos indivíduos pertencentes às várias seitas, mas recorri aos seus escritos padrão, seus artigos de fé, que são adotados pelos vários corpos religiosos e conhecidos como seus credos. Por exemplo, nos artigos de fé de muitas das seitas religiosas, apresenta-se uma ideia como esta — que há um Ser inteiramente espiritual, chamado Deus, e que esse Ser é descrito como composto de três pessoas, e essas três pessoas são sem corpo, sem partes e sem paixões. Tal é o Deus adorado pelos metodistas — um povo que respeito muito, e cujos cultos frequentei em minha juventude mais do que os de qualquer outra denominação religiosa. As três pessoas que compõem esse único Deus são o Pai, o Filho e o Espírito Santo, todos os quais se diz serem sem corpo ou paixões; e, em conexão com isso, uma das doutrinas cardeais de sua fé, dizem-nos que um dessa santa Trindade, a saber, Jesus, foi crucificado, morto e sepultado, e que no terceiro dia ressuscitou dentre os mortos e ascendeu ao céu.

Quando eu era menino, frequentando os cultos metodistas, eu, como muitos hoje que são de idade mais madura, aceitava a sinceridade como verdade. Mas quando cheguei à idade adulta, minha atenção foi chamada a este artigo de fé; tentei com toda seriedade compreendê-lo, mas não consegui, e não consigo até hoje. É uma daquelas coisas incompreensíveis que não podem ser apreendidas pela mente humana. Vocês, meus ouvintes, tentem agora comigo, por alguns momentos, compreender, se puderem, um ser composto de três pessoas, e essas três pessoas sem corpo, partes ou paixões. Fui ensinado, ao estudar as ciências exatas, que tudo o que existia era composto de partes, que nada poderia existir como um todo a menos que existisse como partes. Não conseguia, portanto, entender como uma dessas três pessoas poderia ser crucificada se não tinha corpo; como era possível, e coerente com a razão, que ele depusesse seu corpo — algo que jamais possuiu — e ressuscitasse do túmulo, retomando esse mesmo corpo. Isto é, de fato, um mistério!

Ora, acontece que as Escrituras não ensinam nada tão absurdo, tão irreconciliável e tão contrário aos nossos sentidos. Esta é uma doutrina feita pelo homem, criação de homens não inspirados. Os metodistas não originaram esta doutrina — ela existia e era amplamente aceita antes dos dias do bom homem, John Wesley.

Os Santos dos Últimos Dias creem que há um Deus verdadeiro e vivo, que esse Deus verdadeiro e vivo consiste de três pessoas separadas e distintas, que têm corpo, partes e paixões, crença esta que se opõe diretamente a essa doutrina feita pelo homem. Cremos que Deus, o Pai Eterno, que reina naqueles céus, é uma personagem distinta de Jesus Cristo, tanto quanto um pai terreno é distinto em sua existência de seu filho. Isso é algo que posso compreender, o que concebo ser a doutrina da revelação. Lemos que Jesus foi visto depois de haver ressuscitado dentre os mortos. Estêvão, o Mártir, pouco antes de ser apedrejado até a morte, testificou ao povo judeu que estava diante dele naquele momento, dizendo: "Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do Homem em pé à mão direita de Deus." Aqui, então, o Pai e Jesus, duas personagens distintas, foram vistos, e ambos tinham corpo. Encontramos numerosas outras autoridades corroborando essa mesma ideia. Não pretendo me deter sobre este assunto, porque a maior parte desta congregação compreende o ponto de vista escritural sobre este tema; portanto, não é necessário falar longamente sobre ele. Podemos, contudo, dizer algumas coisas quanto às paixões dessas personagens.

É declarado, como parte da crença dos metodistas, que Deus é sem paixões. O amor é uma das grandes paixões de Deus. O amor é, em toda parte, declarado uma paixão, uma das mais nobres paixões do coração humano. Este princípio do amor é um dos atributos de Deus. "Deus é amor," diz o Apóstolo João, "e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele." Se, então, este é um dos grandes atributos de Jeová, se ele está cheio de amor e compaixão para com os filhos dos homens, se seu filho Jesus Cristo amou tanto o mundo que deu sua vida para redimir a humanidade dos efeitos da queda, então, certamente, Deus o Pai Eterno deve possuir esta paixão. Além disso, ele possui o atributo da Justiça, que às vezes é chamado de Ira, mas o verdadeiro nome deste atributo é Justiça. "Ele executa justiça," diz o Salmista; e também, "Justiça e juízo são o assento do teu trono." A justiça é uma das nobres características de nosso Pai celestial; portanto, outra de suas paixões.

Temos também registrado nesta Bíblia sagrada que Deus foi visto por antigos homens de Deus. Jacó testifica o seguinte: "Vi Deus face a face." Sei que há outras passagens das Escrituras que pareceriam militar contra esta declaração. Por exemplo, há uma passagem que diz: "Deus nunca foi visto por ninguém." Isto está em contradição direta com o testemunho de Jacó. A maneira como reconcilio isto é que nenhum homem natural pode ver a face de Deus, o Pai, e viver — isso o dominaria; mas alguém vivificado pelo espírito, como o velho pai Jacó, poderia olhar para Deus, e conversar com ele face a face, como ele diz que fez; deve ter visto uma personagem, um ser, em seus contornos gerais semelhante a si mesmo; o homem, como Moisés nos informa, tendo sido criado à imagem de Deus.

Poderíamos referir-nos a muitas outras passagens das Escrituras que tratam deste assunto. O Profeta Isaías viu Deus; viu não apenas o Senhor, mas uma grande congregação em conexão com ele, de modo que sua cauda enchia o Templo. Ele é sempre representado, por aqueles que o viram, como uma personagem na forma de homem.

Tendo citado muito poucas evidências, indaguemos sobre o caráter e o ser de Deus, o Pai Eterno. Somos a prole do Senhor, mas o resto da natureza animada não o é; somos tanto filhos e filhas de Deus quanto as crianças nesta congregação são filhos e filhas de seus pais. Fomos gerados por ele. Quando? Antes de nascermos na carne; este estado limitado de existência não é nossa origem, é apenas a origem do tabernáculo em que habitamos. A mente que possuímos, o ser capaz de pensar e refletir, que é capaz de agir de acordo com os motivos que lhe são apresentados, esse ser que é imortal, que habita dentro de nós, que é capaz de raciocinar da causa ao efeito, e que pode compreender, em alguma medida, as leis de seu Criador, bem como rastreá-las tal como se manifestam na natureza universal, esse ser, a que chamamos a Mente, existia antes do tabernáculo.

Mas alguém dirá: "Isso não parece razoável." Por que não? Não creem vocês que o Espírito perdurará para sempre? Ó, sim. Vocês podem perguntar: o que acontece com o espírito, separado do corpo de carne e ossos, quando este corpo jaz na sepultura? Tem ele vida, inteligência e poder de pensar e refletir? Ouçamos o que disseram aqueles que estavam debaixo do altar, que foram mortos pela palavra de Deus e pelo testemunho que sustentavam, conforme visto e ouvido por João em Patmos. "E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó Senhor, santo e verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?" O Senhor lhes diz que "repousassem ainda um pouco de tempo." Estes fiéis servos de Deus aguardam ansiosamente o tempo em que o Senhor vingará seu sangue? Por quê? Porque esse será o tempo em que seus corpos serão redimidos; eles aguardam com grande ansiedade o tempo em que serão novamente identificados com o tabernáculo carnal pelo qual foram conhecidos e distinguidos enquanto estiveram na terra — daí esta oração.

Aqui encontramos mais uma prova adicional de existência para os espíritos dos homens que existem no céu, que são capazes de pensar, de usar linguagem, de compreender o futuro, e de antecipar o que estava por vir. Ora, se eles podiam existir depois de deixarem este tabernáculo, enquanto o tabernáculo jaz apodrecendo no pó, por que não existiriam antes de o tabernáculo ter qualquer existência? Não seria tão fácil dar existência a personagens espirituais antes de tomarem posse de corpos quanto é para eles existirem depois que o corpo se decompõe? Sim, e estas são as nossas opiniões, fundadas em nova revelação; não as opiniões de homens não inspirados, mas fundadas em revelação direta de Deus.

Onde existíamos antes de virmos para cá? Com Deus. Onde ele existe? No lugar que João denominou céu. O que entendemos por céu? Não o lugar descrito por nossos amigos cristãos, além dos limites do tempo e do espaço, pois não existe tal lugar, nunca existiu, nem jamais existirá; mas quero dizer um mundo tangível, um céu que é perfeito, um céu com materiais que foram organizados e reunidos, santificados e glorificados como a residência e o mundo onde Deus reside. Nascidos ali? Sim, nascemos ali. Até mesmo nosso grande Redentor, cuja morte e sofrimentos celebramos nesta tarde, nasceu naquele mundo antes de nascer da Virgem Maria. Não leram, no Novo Testamento, que Jesus Cristo era o primogênito de toda criatura? Por esta leitura pareceria que ele era o mais velho de toda a família humana, isto é, no que diz respeito ao seu nascimento no mundo espiritual. Há quanto tempo esse nascimento ocorreu não foi revelado; pode ter sido incontáveis milhões de anos, pelo que sabemos. Mas sabemos que ele nasceu e era o mais velho da família de espíritos. Não leram também, no Novo Testamento, que ele é chamado nosso irmão mais velho? Refere-se isto ao nascimento do corpo de carne e ossos? De modo algum, pois havia centenas de milhões que nasceram sobre nossa terra antes de nascer o corpo de carne e ossos a quem chamamos Jesus. Como é, então, que ele é nosso irmão mais velho? Precisamos retroceder ao nascimento anterior, antes da fundação desta terra; temos de retroceder a eras passadas, ao período em que ele foi gerado pelo Pai entre a grande família de espíritos. Ele se tornou, por seu direito de primogenitura, o grande Criador. Deus, por meio dele, criou não apenas este pequeno mundo, este grão de poeira da criação, mas por meio dele os mundos foram feitos e criados. Quantos, não sabemos, pois não foi revelado. Basta dizer que uma grande quantidade de mundos foi criada por ele. Por que por ele? Porque ele tinha o direito de primogenitura, sendo o mais velho da família de seu pai, e esse direito de primogenitura o habilita, não apenas a criar mundos, mas a tornar-se o redentor desses mundos, não apenas o redentor dos habitantes desta nossa terra, mas de todos os outros que ele criou pela vontade e poder de seu Pai.

Mas alguém dirá: "Por essa expressão poder-se-ia inferir que outros mundos também caíram, além do nosso, tendo sem dúvida sido colocados num estado de tentação, e, se assim for, seria justo presumir que houve um Jardim do Éden em cada um desses mundos, contendo toda espécie de fruto, entre os quais a Árvore do Conhecimento do bem e do mal, e que eles caíram precisamente da mesma maneira que o nosso caiu, e por conseguinte precisariam de um redentor; e, portanto, o povo desses mundos seria redimido e salvo segundo sua diligência e fidelidade em guardar os mandamentos de Deus?" Não leram, no primeiro capítulo de Gênesis, sobre duas pessoas que apareceram nesta terra antes de o homem ser feito, quando um, que era Deus, disse ao outro: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança"? Não sugere isto uma pré-existência de outra personagem, além do Todo-Poderoso? E não leram também, no mesmo capítulo, que "criou Deus o homem à sua imagem; macho e fêmea os criou"? Quando? Diz-se que foi no sexto período, ou, segundo a tradução do rei Tiago, "no sexto dia." Querem dizer que todos nós existíamos no sexto dia? Sim. Mas no sétimo dia, dizem-nos no capítulo seguinte, "não havia homem para lavrar a terra." Não é muito singular que todos tivessem existência no sexto dia, e que, no dia seguinte, não houvesse homem em existência para lavrar a terra? Por que não? Porque o homem ainda não fora colocado nesta criação temporal, mas ele já tinha existência então no céu, onde fomos gerados. Vocês e eu estávamos presentes quando este mundo foi criado e feito — vocês e eu então compreendíamos a natureza de sua criação, e não tenho dúvida de que nos alegramos e cantamos a respeito disso. De fato, o Senhor propôs uma pergunta muito curiosa ao Patriarca Jó, a este respeito. Ele lhe disse: "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra?" Onde estavas tu, "quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?"

Supondo que Jó estivesse vivo agora, e essa mesma pergunta lhe fosse feita, e supondo também que, em vez de respondê-la ele mesmo, buscasse esclarecimento sobre o assunto junto ao mundo cristão erudito, qual acham vocês que seria a natureza da resposta que ele receberia? Seria, em efeito: "Ora, Jó, quando o Senhor fundava a terra, tu não tinhas existência, pois não tinhas nascido." Por que Jó não respondeu assim ao Senhor? Foi porque ele compreendia algo a respeito do estado pré-mortal do homem. Ele foi sábio em não dar resposta ao Senhor, pois sem dúvida sentiu-se incapaz de fazê-lo. Mas achamos que Moisés compreendia o assunto, pois na ocasião em que os filhos de Israel transgrediram, ele e seu irmão Arão caíram com o rosto em terra diante do Senhor, e Moisés, suplicando com grande poder e fé em favor dos filhos de Israel, usou estas palavras: "Ó Deus, Deus dos espíritos de toda a carne," etc. Ele compreendia que Deus era o Pai de nossos espíritos, e assim se dirigiu a ele. Penso também que os Apóstolos, nos dias antigos, devem ter tido alguma ideia da pré-existência do homem, a julgar por certa pergunta que fizeram ao Salvador. Diz-se que "e passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?"

Consideremos agora esta pergunta em conexão com as ideias modernas atuais, e veremos de imediato quão insensata ela parecerá. Para expor a pergunta com mais clareza, em outras palavras, poderíamos dizer: Mestre, nasceu este homem cego porque havia pecado? A própria natureza desta pergunta indicaria, mesmo àqueles que não creem no princípio, que esse homem cego tinha existência antes de nascer neste mundo, e que era capaz, também, de cometer pecado. Para mostrar ainda mais claramente que o princípio da pré-existência do homem se funda em autoridade bíblica, citarei parte da oração do Salvador ao Pai, pouco antes de sua crucificação — "E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse." Aqui encontramos Jesus referindo-se de fato ao tempo em que habitou com seu Pai antes de tomar sobre si um corpo de carne e ossos. Ele também diz: "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." Ele desceu da presença e morada de seu Pai. Em outra ocasião, dirigindo-se aos judeus, ele diz: "Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou." Ele foi, em suma, o primogênito de toda criatura, e por conseguinte o mais velho da família de nosso Pai.

Se, portanto, é agora admitido que nosso irmão mais velho teve uma existência anterior com o Pai, por que seria considerado irracional que o resto da família tivesse uma pré-existência, tal como o Primogênito? Ele nasceu segundo o homem na carne, e por que não teriam seus irmãos mais novos um nascimento semelhante ao dele no espírito?

Mas isso nos remete ainda mais para trás, e nos convida a averiguar um pouco a respeito de seu Pai. Muitos têm suposto que Deus, o Pai Eterno, a quem adoramos em conjunto com seu Filho, Jesus Cristo, sempre foi um ser autoexistente, eterno, desde toda a eternidade, que não teve começo como personagem. Mas, para ilustrar isso, indaguemos: Qual é o nosso destino? Se somos agora os filhos e filhas de Deus, qual será nosso destino futuro? O Apóstolo Paulo, falando do homem como um ser ressuscitado, diz: "O qual (Jesus) transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso," o que se harmoniza com o que diz João: "Ainda não é manifestado o que havemos de ser. Porém sabemos que, quando se manifestar, seremos semelhantes a ele." Nossos corpos serão glorificados da mesma maneira que o corpo dele é glorificado; então seremos verdadeiramente à sua imagem e semelhança, pois assim como ele é imortal, tendo um corpo de carne e ossos, assim seremos nós imortais, possuindo corpos de carne e ossos. Chegaremos a nos tornar Deuses? Permitam-me referir-me à resposta do Salvador aos judeus, quando acusado de blasfêmia por se chamar Filho de Deus. Diz ele: "Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, e a escritura não pode ser anulada." Isto prova claramente a todos os crentes na Bíblia que, neste mundo, em nosso estado imperfeito, sendo filhos de Deus, estamos destinados, se guardarmos seus mandamentos, a crescer em inteligência até finalmente nos tornarmos semelhantes a Deus, nosso Pai. Vivendo segundo cada palavra que procede da boca de Deus, alcançaremos sua semelhança, da mesma forma que nossos filhos crescem e se tornam semelhantes a seus pais; e, assim como os filhos, mediante diligência, alcançam a sabedoria e o conhecimento de seus pais, também nós podemos alcançar o conhecimento de nossos Pais Celestiais, e, se lhes forem obedientes a este mandamento, não apenas serão chamados filhos de Deus, mas serão deuses.

No primeiro versículo do décimo quarto capítulo de Apocalipse, diz-se-nos que João viu cento e quarenta e quatro mil pessoas em pé com o Cordeiro sobre o monte Sião, e tinham um nome peculiar escrito em suas testas — o próprio nome de seu Pai, aquele a quem chamamos, em nossa língua, Deus. Então estará escrito nas testas desses cento e quarenta e quatro mil esta insígnia, o nome do Pai, e eles serão deuses; e se associarão com ele como o Pai e seu Unigênito se associam, isto é, o único filho gerado na carne.

Disto podemos tirar a conclusão de que Deus, nosso Pai eterno, que é um ser espiritual, tem um corpo de carne e ossos, o mesmo que seus filhos terão depois da ressurreição.

Diz alguém, para levar isso ainda mais adiante: "se nos tornarmos deuses e formos glorificados como ele, nossos corpos moldados como o seu corpo gloriosíssimo, não teria ele também passado por uma provação mortal como nós, mortais, agora passamos?" Por que não? Se é necessário para nós obtermos experiência por meio das coisas que nos são apresentadas nesta vida, por que não obteriam aqueles seres, já exaltados e tornados deuses, sua experiência da mesma maneira? Descobriríamos, se levássemos este assunto de mundo em mundo, de nosso mundo a outro, até as intermináveis eras da eternidade, que jamais houve um tempo em que não existisse um Pai e um Filho. Em outras palavras, quando concebemos aquilo que é interminável, excluímos a ideia de um primeiro ser, de um primeiro mundo; no momento em que se admite um primeiro, limita-se a ideia do interminável. A própria cadeia é interminável, mas cada elo teve seu começo.

Diz alguém: "Isto é incompreensível." Pode ser assim em alguns aspectos. Podemos admitir, porém, que a duração é interminável, pois é impossível ao homem conceber um limite para ela. Se a duração é interminável, nunca pode ter havido um primeiro minuto, uma primeira hora, ou primeiro período; a duração interminável no passado é composta de uma continuação de momentos sucessivos intermináveis — não teve começo. Precisamente assim quanto a esta sucessão interminável de personagens; jamais haverá um tempo em que pais, e filhos, e mundos deixarão de existir; tampouco houve, em todas as eras passadas da duração, um período em que não existisse um mundo, e um Pai e um Filho, uma redenção e exaltação até a plenitude e o poder da Divindade. Isto é o que Jesus orou, e ele não limitou sua oração a seus Apóstolos, mas disse: "E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um como tu, ó Pai, és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós."

Mas diz alguém: "Não significa essa unidade uma só pessoa?" Não; Jesus quis dizer que aqueles que nele cressem, por meio de seus servos, pudessem alcançar aquela plenitude, glória, poder e exaltação que ele herdou, até a plenitude da glória celestial, para serem coroados com Deus o Pai Eterno, e com seu Unigênito, para serem feitos iguais, por assim dizer, a eles, em poder e domínio; concordando com algumas revelações modernas que Deus deu por meio do Profeta Joseph Smith. Ele disse que todos os que recebem este sacerdócio, isto é, os que recebem o testemunho dos servos de Deus, a ele recebem; e todo aquele que recebe meu Pai, recebe o reino de meu Pai; e assim tudo o que meu Pai possui lhe será dado. Esta é uma promessa gloriosa, a de sermos co-herdeiros com o Filho de Deus na herança de todas as coisas, até a plenitude e a glória do mundo Celestial, seus corpos por fim se tornando glorificados, corpos espirituais de carne e ossos, os mesmos que Deus, o Pai.

Antes de a terra ser feita rolar à existência, éramos seus filhos e filhas. Aqueles de seus filhos que se provarem, durante esta provação, dignos de exaltação em sua presença, gerarão outros filhos, e, precisamente segundo o mesmo princípio, também eles se tornarão pais de espíritos, assim como ele é o Pai de nossos espíritos; e assim as obras de Deus são uma ronda eterna — criação, glorificação e exaltação no reino celestial.

Quantas transformações esta terra teve antes de receber sua forma presente de criação, não sei. Os geólogos pretendem dizer que esta terra deve ter existido por muitos milhões de anos, e essa afirmação é geralmente feita por homens que não creem em Deus nem na Bíblia, para refutar a história da criação do mundo, tal como dada pelo Profeta Moisés. Iremos mais longe do que os geólogos ousam ir, e diremos que os materiais de que a terra é composta são eternos, jamais terão fim.

O que se entende por criação? Meramente organização. Em seis dias, diz-se-nos, Deus criou este mundo, e também todo ser vivo que então existia. Criou ele alguma dessas coisas do nada? Os materiais então se originaram? Não; não há nenhuma Escritura a ser encontrada dentro das capas do Antigo e Novo Testamento, ou do Livro de Mórmon, ou de Doutrina e Convênios, ou em qualquer das revelações de Deus, antigas ou modernas, que sequer sugira tal coisa, pois não foi esse o caso; mas vão aos credos dos homens e encontrarão essas coisas ensinadas. Fui ensinado assim em minha juventude; foram-me incutidas na mente jovem, e é claro que eu acreditava nelas. Mas, à medida que amadureci em anos e pensamento, especialmente depois que comecei a estudar a língua hebraica, aprendi que o material de que esta terra foi feita sempre existiu, e que houve apenas uma organização ou formação que ocorreu durante o tempo referido por Moisés.

Quantas transformações esta terra passou antes daquela referida por Moisés, não sei, nem me importa particularmente. Se passou por milhões e milhões de transformações, isso nada nos importa. Estamos dispostos, para argumentar, a admitir que os próprios materiais são tão antigos quanto os geólogos ousam dizer; mas isso não destrói a ideia de um Deus, não destrói a ideia de um grande Criador, que, segundo certas leis fixas e imutáveis, trouxe esses materiais, de tempos em tempos, a uma certa organização, e então, por seu poder, completou os mundos assim feitos, colocando neles seres inteligentes e animados, capazes de pensar e de ter existência; e então, novamente, por várias razões, ele destrói sua existência terrena, até que finalmente os exalta de sua condição anterior, e os torna celestiais em sua natureza.

Este é o destino deste nosso globo; ele há de finalmente alcançar um estado de organização que nunca mais será destruído. Quando? Depois que Deus tiver cumprido e realizado seus propósitos, depois que tiver descansado da iniquidade por mil anos, durante os quais Satanás não terá poder para tentar os filhos dos homens, durante os quais os fiéis reinarão, como reis e sacerdotes sobre a terra em seus corpos ressurretos, quando também o reino e a grandeza do reino debaixo de todo o céu estarão na posse dos Santos do Altíssimo; não apenas na posse daqueles que são Santos mortais, mas também na posse daqueles que são Santos imortais, aparecendo como hão de aparecer em seus corpos ressurretos, erguendo-se como governantes, como reis e sacerdotes, sobre a face de nosso globo.

Um governo administrado por tais homens será um em que se poderá confiar; nesse aspecto, será bem diferente das nações políticas do homem mortal. Então não haverá a contenda que agora temos, pois todas as coisas pertencentes ao governo do reino de Deus serão conduzidas em ordem e sobre os princípios eternos da retidão.

Os Doze Apóstolos que foram chamados por Jesus, e que ministraram em seu nome enquanto permaneceram na terra, hão de assentar-se, doravante, sobre doze tronos, e julgar as doze tribos de Israel. Não haverá nada de intangível ou etéreo quanto a esses tronos; serão tão reais quanto qualquer trono real da terra. E os Doze Apóstolos governarão sobre as doze tribos de Israel pelo espaço de mil anos, tendo, como terão, seus corpos celestiais, e comerão e beberão à mesa do Senhor. Ele também estará aqui; será Rei dos reis, diante de quem todos hão de curvar-se, todos hão de reconhecer seu poder — e isso será pelo espaço de mil anos.

Com o tempo, quando chegar a hora de esta terra morrer — pois tem havido aqui muita iniquidade — Satanás será solto para sair novamente a enganar, pois ainda haverá alguns dos Santos mortais, que estarão sujeitos à tentação, e Satanás não apenas tentará enganar os Santos mortais, mas reunirá seus exércitos ao redor do acampamento dos Santos.

Depois vem outro tempo, quando aparecerá um grande trono branco, e aquele que nele se assenta será glorioso em sua majestade e poder, de cuja face a terra fugirá e não se achará lugar para ela. Irá ele aniquilá-la? Não; nenhuma partícula da terra será aniquilada; nenhuma partícula da terra jamais se originou, e por conseguinte nenhuma partícula dela deixará de existir; mas ela fugirá para seu elemento original, da mesma maneira que o corpo humano o faria se fosse queimado na fogueira. Os elementos se difundiriam entre a matéria original, e assim será com os elementos de nossa terra quando ela passar por sua transformação. João não se contentou apenas em ver a terra passar, mas viu ainda mais, até contemplar um novo céu e uma nova terra, pois, disse ele, o primeiro céu e a primeira terra passaram, e já não havia mar. Além disso, testifica ainda mais, dizendo: "E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, preparada como a esposa adornada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, e com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas."

Esta criação, quando renovada, será habitada por seres imortais, que não mais estarão sujeitos à morte; por conseguinte, não haverá mais dor nem tristeza, nada que perturbe sua paz ou os impeça de entrar na plenitude da felicidade e alegria.

Este, digo eu, é o destino desta terra, e o Senhor nos disse que o tempo está próximo. Em outras palavras, esta é a última dispensação, e estamos nos preparando para a obra do Milênio. Quando os mil anos tiverem passado, a terra será renovada — tornar-se-á então um céu, a morada dos antigos e dos Santos dos Últimos Dias, bem como de todos os que se provarem fiéis, que nascerem durante o Milênio. Por quanto tempo a habitarão? Para sempre.

Quando eu era menino, com dezenove anos de idade, vi Joseph Smith pela primeira vez; assisti a uma Conferência da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em 2 de janeiro de 1831. Naquela Conferência, o povo desejava que ele indagasse do Senhor por eles — estavam ansiosos por conhecer sua mente e vontade. Eram, naquele tempo, comparativamente poucos em número, não passando de duzentos. Joseph Smith sentou-se a uma mesa e recebeu uma grande revelação, que agora está contida neste Livro de Doutrina e Convênios. Parte dela, referente a uma terra de promissão, diz o seguinte — "E dá-la-ei a vós, como terra de vossa herança, se a buscardes de todo o coração. E este será meu convênio convosco: Vós a recebereis como terra de vossa herança e como herança de vossos filhos para sempre, enquanto a Terra durar; e tornareis a possuí-la na eternidade, para não mais passar."

Quando eu estava sentado e ouvi aquela revelação, tal como foi proferida pelo Profeta Joseph, e escrita por seu escrivão, pensei comigo mesmo: essa é uma doutrina muito curiosa, pois eu não sabia, até então, que esta terra se tornaria nosso futuro lar e céu, e não pensava que Joseph Smith o soubesse. Mas parecia-me tão curioso obrigar-me a crer que o Senhor nos ia dar parte desta terra, para possuí-la, e nossos filhos depois de nós, enquanto durasse o tempo, e retê-la por toda a eternidade, para nunca mais passar. Isso era tão diferente de tudo o que me haviam ensinado — fiquei totalmente perplexo — ao pensar que meu Pai celestial viria e viveria aqui, nesta terra! Mas, quando cheguei a ler a Bíblia sobre este assunto e descobri quão numerosas eram as passagens que prometiam que os Santos herdariam a terra para sempre, fiquei perfeitamente espantado de nunca ter pensado nisso antes. "Bem-aventurados os mansos," diz o Salvador, "porque eles herdarão a terra." Os mansos têm sido lançados nas covas e montanhas da terra, tendo tido de esconder-se de seus perseguidores, enquanto os ímpios, os soberbos e os altivos têm herdado a terra. Contudo, aqui está uma promessa de que os mansos herdarão esta terra, o que todos, é claro, prontamente admitiriam nunca ter tido seu cumprimento. Depois, fiquei ainda mais confirmado na verdade desta doutrina ao encontrar outras passagens corroborantes. Davi, por exemplo, em seu Salmo 37, diz: "Os malfeitores serão desarraigados... Os justos herdarão a terra e habitarão nela para sempre." Volto aos Livros de Moisés, e ali verifico que a terra é prometida aos Santos para sempre. Cheguei aos Atos dos Apóstolos, em que o mártir Estêvão, respondendo à acusação de blasfêmia, fala de Abraão, de como ele veio a deixar sua própria terra, e de como o Senhor lhe havia prometido uma terra por herança, a qual "prometeu que lha daria em possessão, e depois dele, à sua descendência," e no entanto ele nunca a possuiu, "nem ainda o espaço de um pé," e essa mesma promessa foi confirmada a Isaque e a Jacó. E quando li, no Apocalipse de João, sobre o novo cântico que ele ouviu cantarem no céu a respeito de seu retorno à terra (Apoc. 5:9-10), fiquei plenamente confirmado de que a nova revelação era de Deus. Uma parte do cântico que João ouviu os anjos cantarem era: "Porque foste morto, e com o teu sangue para Deus nos compraste de toda tribo, e língua, e povo, e nação; E para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra."

Quão claro é isto, uma vez que aprendemos sobre nosso céu futuro. Não precisamos orar, segundo os metodistas, para que o Senhor nos leve a uma terra além do tempo e do espaço, a morada segura dos Santos. Quão inconsistente é buscar um céu além do espaço! O céu dos Santos é algo que podemos aguardar com a esperança confiante de realizarmos nossas heranças e desfrutarmos delas para sempre, quando a terra se tornar santificada e renovada. E ali, como aqui, nos multiplicaremos e teremos filhos. Por quanto tempo? Pela eternidade. Como, terão os Santos ressuscitados filhos? Sim, o mesmo que nosso Deus, que é o Pai de nossos espíritos; assim, vocês, se forem fiéis até o fim, tornar-se-ão pais de seus filhos e filhas, que serão tão numerosos quanto as areias da praia do mar; eles serão seus filhos, e vocês serão seus pais celestiais, assim como nosso Pai celestial é Pai para nós, e eles pertencerão aos seus reinos por todas as vastas eras da eternidade, assim como nós pertenceremos ao reino de nosso Pai.

Aquele que recebe meu Pai, diz o Salvador, recebe o reino de meu Pai, portanto tudo o que meu Pai possui lhe será dado. É uma espécie de herança em condomínio; havemos de tornar-nos co-herdeiros com Jesus Cristo de todas as heranças e de todos os mundos que são feitos. Teremos o poder de locomoção; e, como Jesus, depois de sua ressurreição, seremos capazes de subir e passar de um mundo a outro. Não estaremos confinados à nossa terra nativa. Há muitos mundos habitados por pessoas glorificadas, pois o céu não é um lugar, mas muitos; o céu não é um mundo, mas muitos. "Na casa de meu Pai há muitas moradas." Em outras palavras — na casa de meu Pai há muitos mundos, que, por sua vez, serão feitos céus glorificados, as heranças dos redimidos de todos os mundos que, tendo sido preparados por experiência semelhante à nossa, os habitarão; e cada um, por sua vez, será exaltado por meio das revelações e leis do Deus Altíssimo, e continuarão a multiplicar sua descendência por toda a eternidade, e novos mundos serão feitos para sua progênie. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “Salvação Tangível; Personalidade de Deus; Caráter de Deus; Pré-Existência do Homem; Jesus, Nosso Irmão Mais Velho; Transformação da Terra; Criação e Organização; Seu Destino Final, o Lar dos Santos; Revelações Dadas por Joseph Smith em Harmonia com as Escrituras”, (1876-11-12). Pulpit Vault, 1876-11-pratt-salvation-tangible. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).