Visita às Escolas Dominicais Reflexões Sobre o Rumo Que Seguimos As Bênçãos Comuns Às Vezes Subestimadas O Evangelho Garante Seu Próprio Testemunho A Apostasia é Antes Evidência de Saúde Do Que Sintoma de Doença Testemunho
George Q. Cannon
É um grande privilégio que o Senhor concedeu aos Santos dos Últimos Dias, o de nos reunirmos em paz e tranquilidade, como fazemos neste dia, para adorá-lo e participar do Sacramento em memória da morte e dos sofrimentos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo; é um privilégio que eu, como membro individual da Igreja, aprecio, e desejo sempre assim fazer. ¶
Quando reflito sobre os muitos esforços que têm sido feitos para nos privar, como povo, de nossas liberdades e de nossos direitos de adoração, não posso deixar de sentir que, de todo o povo que vive sobre a face da terra, deveríamos ser os mais gratos, e deveríamos testemunhar a nosso Pai e Deus, por meio de nossa devoção, que apreciamos a bondade e a misericórdia que ele nos manifestou. Parece estranho que, neste tempo de tolerância e liberdade religiosa, haja necessidade de tal sentimento como este. Numa terra como a nossa, poder-se-ia pensar que todos teriam o direito de adorar a Deus segundo os ditames de sua consciência; mas essa não tem sido a nossa experiência. Contudo, o Senhor nos tem preservado, e tem frustrado as maquinações dos ímpios — preservou nossos direitos e liberdades, e nos concedeu privilégios em grande número. Estaremos nós, como povo, suficientemente atentos à importância desses privilégios? Vivemos de maneira que concorde com as revelações que o Senhor nos deu, com as exigências que fez de nós? Estas são questões importantes para respondermos. ¶
Encontrei-me com as crianças da Escola Dominical esta manhã, em uma das Alas desta cidade, e, falando-lhes, observei o que aqui posso observar (tomando a Bíblia em mãos): não há povo algum de que eu tenha conhecimento na cristandade que creia na Bíblia, e esteja disposto a que seus filhos sejam ensinados em todos os seus princípios na sua totalidade, como os Santos dos Últimos Dias. Não há princípio estabelecido nas Escrituras que os Santos dos Últimos Dias não incorporem em sua fé e prática. Relatei-lhes um pouco da minha experiência. Lembro-me de quando eu era criança e lia o Novo Testamento. Perguntei a meu pai se havia Apóstolos então sobre a terra, ou se havia pessoas que possuíssem os dons que os discípulos de Jesus possuíam. Sua resposta foi que ele não conhecia a existência de tal povo. Eu não conseguia compreender isso; para minha mente, como criança, parecia haver tanta necessidade do poder de Deus então quanto havia naqueles dias primitivos. Recordo-me de noites em que pensava nas bênçãos que gerações anteriores desfrutaram, e sentia-me pesaroso por não poder viver numa geração em que houvesse Apóstolos que tivessem o poder de Deus. Pensava então que estaria disposto a suportar a perseguição e as dificuldades que eles tiveram de enfrentar por uma fé tão gloriosa. ¶
Esta é uma vantagem que temos sobre toda outra denominação com que estou familiarizado. Cremos na Bíblia em sua totalidade — que Deus é hoje o mesmo que foi ontem, e o mesmo que sempre foi — que ele está tão disposto agora como sempre a conceder suas bênçãos ao homem, se o homem se preparar para recebê-las. E se houver ausência de fé e poder, e de dons celestiais, Deus, nosso Pai eterno, não pode ser acusado de parcialidade por retê-los desta geração. ¶
Temos nós, como povo, suficientemente em mente que Deus exige que vivamos de modo a receber e desfrutar, na maior extensão possível, os dons e graças que ele tem a conceder a seus filhos fiéis? Penso que, às vezes, somos como outros povos a este respeito — somos muito propensos a nos tornar negligentes, a nos dispormos a deixar o tempo passar sem qualquer esforço particular de nossa parte para nos aperfeiçoarmos, para crescermos em piedade e no poder dela. Temos a disposição humana de nos acomodarmos no gozo dos confortos terrenos pelos quais possamos estar rodeados. Neste respeito, a natureza humana tem sido a mesma em todas as épocas, e por isso quase se tornou proverbial que, para uma igreja prosperar, deve ser perseguida, e seus membros postos em constante perigo. Mas, com o conhecimento que Deus nos deu, isto não deveria ser assim. Deveria ser um prazer, uma fonte de constante deleite para nós, como Santos dos Últimos Dias, guardar todos os mandamentos de Deus, buscar e contender por aquela fé uma vez entregue aos santos, pela qual eles realizaram obras tão poderosas. ¶
Disse que desejei grandemente viver quando houvesse Apóstolos sobre a terra. Não haverá centenas nesta congregação que sentiram, em várias épocas de suas vidas, antes de ouvirem o som do Evangelho eterno, que atravessariam esta terra, e suportariam toda espécie de dificuldades, se pudessem apenas ter o privilégio de contemplar o rosto de um homem de Deus, um Apóstolo do Senhor Jesus? O que não teriam dado para ouvir palavras de salvação de tal homem, um homem que tivesse autoridade para ensinar e administrar as ordenanças do Evangelho? Sem dúvida há centenas presentes que, em várias ocasiões de suas vidas, sentiram isto, tendo crescido em meio a seitas contendoras. Estou convencido de que há centenas aqui que sentiram em seus corações que não havia sacrifício algum que fossem capazes de fazer, que não fizessem de bom grado, para ter o privilégio que agora desfrutam. Eles agora são contados entre a Igreja de Deus, e têm conhecimento disso pelo poder do Espírito Santo, e pelo gozo de seus dons e bênçãos. E, contudo, falai hoje com esses homens e mulheres, e quais são os seus sentimentos? Vários deles sentem-se tão zelosos e fervorosos na obra de Deus quanto sempre se sentiram. Mas muitos, sem dúvida, tornaram-se negligentes. Essas bênçãos tornaram-se comuns por causa da facilidade com que foram obtidas, e a indiferença é o resultado. Contudo, não são elas tão valiosas hoje quanto o foram? Não é tão desejável hoje para os seres humanos saber que um homem tem autoridade para administrar o batismo, e que Deus reconhecerá a administração? Não é uma grande bênção ter a realidade tal como era antecipá-la? Certamente que é! A autoridade que Deus restaurou à terra habilita o homem a entrar nas águas do batismo, e então batizar seu semelhante para a remissão dos pecados, sancionando Deus o ato. Esta é uma bênção tão grande quanto sempre foi. O fato de haver numerosos homens sobre a terra assim autorizados não torna a bênção menos desejável. O fato de haver milhares de pessoas hoje vivendo sobre a terra que receberam as bênçãos que deveriam seguir aos que creram e obedeceram ao Evangelho — diminuirá isso, ainda que pouco, o valor delas? Certamente penso que não; elas são tão desejáveis hoje quanto sempre foram, e deveriam ser valorizadas por todo ser humano que tenha qualquer apreço pelas coisas de Deus. A autoridade para administrar nas ordenanças da casa de Deus, para dizer "Assim diz o Senhor", para aconselhar, instruir, advertir e repreender, é peculiar à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e neste respeito somos diferentes de todos os outros povos. Sendo isto assim, não excluímos ninguém de participar destes benefícios. Também nós — para usar uma expressão já adotada — também nós éramos gentios, em ignorância a respeito deste Evangelho em outro tempo, isto é, a maioria de nós. Portanto, embora reivindiquemos para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias este poder, não o reivindicamos como pertencente exclusivamente a nós, mas para ser difundido desta Igreja a todos os habitantes da terra, tão depressa quanto recebam as doutrinas de Jesus Cristo e tenham fé para obedecê-las. E estas são boas novas de salvação para todo o povo — boas novas de salvação nesta época de incredulidade, que se poderia dizer ser uma época de trevas e ignorância universais a respeito de Jesus Cristo. Dificilmente se encontra um homem que saiba algo sobre Deus, e que creia na ressurreição literal do corpo. Até mesmo os ministros, assim como os membros das várias denominações, estão nesta condição. É uma grande bênção que, num tempo como este, haja um povo sobre a face da terra que testifica, com toda a solenidade e ousadia, perante Deus, perante os anjos e perante os homens, que Deus falou desde os céus, que rompeu o silêncio que reinou por eras sobre o mundo, e que uma vez mais comunicou sua mente e vontade ao homem; que, nesta época, estas "boas novas" foram comunicadas desde os céus pelo ministério de santos anjos e pela voz do próprio Deus. ¶
Ora, esta é a mensagem de boas novas que os Santos dos Últimos Dias têm para levar, não somente a si mesmos e a seus filhos, mas a todos os habitantes da terra, e a toda nação, tribo, língua e povo, de que Deus vive, que Jesus vive, que os mesmos poderes existem que existiram antigamente, que o mesmo Evangelho é poderoso para a salvação hoje como o foi há dezoito séculos, que o Espírito Santo existe, e que os homens podem recebê-lo tomando o caminho apontado pelos servos de Deus antigamente. Quem não se alegraria com tal mensagem, se pudessem crer que fosse verdadeira? Não se alegrariam os ministros com ela? Não se alegraria o povo? Não se alegrariam e louvariam a Deus todos os habitantes da terra, se pudessem crer em tais novas como estas? O fato de não crerem nelas não diminui seu valor, sua veracidade, nem sua importância. Há aqueles que creem nelas, encontram-se nestas montanhas, são Santos dos Últimos Dias, mas chamados "mórmons" por aqueles que não escolhem dar-lhes seu nome próprio; e diferem de toda seita e denominação religiosa da cristandade. Sua crença é que Deus se revelou ao homem no dia e na época em que vivemos, restaurou o Evangelho eterno, o Espírito Santo, e os dons e graças dele. Não creio que haja um homem na cristandade, nem no paganismo, nem sobre toda a face da terra, por mais ímpio que seja, que não fosse, em seu íntimo coração, grato se compreendesse e conhecesse estas coisas por si mesmo; mas há aquela incredulidade e dureza de coração, há aquele poder que o adversário exerce sobre os filhos dos homens, que cega seus olhos e obscurece seu entendimento, fazendo com que as coisas de Deus lhes pareçam sem razão; até que se torne moda entre homens instruídos pensar necessário duvidar da existência de Deus, e de Jesus Cristo, e do expiação, porque, na verdade, não conseguem compreender o plano de redenção em todos os seus detalhes. Porque a ressurreição não pode ser compreendida por eles, devem negar a verdade da ressurreição e duvidar e negar a verdade da expiação e da mediação de Jesus Cristo. Isto é moda em nossos dias. Contudo, aqui está um povo, e nisso me regozijo, que crê em Deus, que testifica que sabe que Deus vive; que sabe que Jesus é o Salvador do mundo; que sabe que o Espírito Santo é derramado sobre os homens que obedecem e fazem a sua vontade; que agora testifica que sabe que Deus concede seus dons e bênçãos ao homem como o fez nos tempos antigos. Para mim, é extremamente interessante saber que há um povo nestas montanhas que preza esta fé, apesar de suas fraquezas e falhas, e apesar de alguns deles se afastarem da verdade e se tornarem estranhos aos convênios de Cristo. Apesar de todas estas coisas, ainda assim há um povo que tem esta fé; que a preza, e que procura ensiná-la a seus filhos após eles. ¶
Mas é importante para nós que observemos bem os nossos caminhos, se apreciamos as bênçãos que Deus nos concedeu, e as pomos em uso apropriado, ou não. Como podemos saber que Jesus é o Cristo, e que ele vive? Como pode qualquer homem sabê-lo? Muitas vezes na minha vida tenho sido interrogado por homens inteligentes sobre este ponto. "Dizeis que Jesus vive, como o sabeis? Dizeis que há uma ressurreição do corpo e que o sabeis. Como o sabeis?" Faz apenas algumas semanas que um cavalheiro de habilidades superiores e cultura excelente, um homem por quem eu havia formado considerável apreço, disse: "Eu daria tudo o que há no mundo, se o tivesse, para saber o que dizeis que sabeis. Dizeis que sabeis que Deus vive, dizeis que sabeis que Jesus é o Salvador do mundo, dizeis que há uma ressurreição literal do corpo. Eu não sei destas coisas, não consigo descobrir nada a respeito delas. Minha razão não pode ficar satisfeita com os princípios que me são oferecidos em favor destas ideias." E pensava ele que eu deveria ser um homem muito feliz por ter tal fé. Disse-lhe que ele poderia tê-la, seguindo o caminho que Deus apontou. Podemos qualquer de nós saber estas coisas lendo a Bíblia, ou ouvindo nossos pais dizê-lo? Não, a informação derivada de tal fonte é apenas questão de crença. O maometano crê no Corão, e que Maomé foi um verdadeiro profeta, porque seus pais lho ensinam. E deverá o crente em Jesus Cristo, e em sua expiação, basear sua fé em fundamento não melhor que este? O pagão crê em sua doutrina e a ensina a seus filhos. A mera crença não é suficiente. Devemos saber, se algum dia havemos de alcançar a vida eterna. "Conhecer a Deus e a Jesus Cristo, a quem ele enviou, é a vida eterna." ¶
Que diferença há entre cristãos e maometanos neste ponto? Os cristãos creem que Jesus é o Cristo, porque a Bíblia o diz; os maometanos baseiam sua crença em Maomé, porque seus pais e mães lhes dizem que ele foi um profeta e que o Corão é verdadeiro. Jesus diz: "Se alguém quiser fazer a vontade dele (do Pai), conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." Diz também: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida." Seu Apóstolo Pedro diz: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado... para perdão dos pecados, e recebereis o Espírito Santo." Esta era a promessa, e por meio dela todo ministro que reivindica estar autorizado a representar o Evangelho pode ser posto à prova. Aquele que é ministro de Jesus Cristo tem o direito e a autoridade de fazer certas promessas aos crentes, e estas promessas o céu cumprirá e o homem não pode. Se um homem se apresentar professando ser ministro de Jesus Cristo, prometendo aos crentes que receberiam o Espírito Santo cumprindo certas condições, e a promessa falhar em seu cumprimento, que evidência tem tal homem de que o ministro foi enviado por Deus? Nenhuma. Mas se um homem vier, dizendo: "O Senhor me enviou; fui chamado, comissionado e ordenado, e tenho autoridade para ir e clamar ao povo que se arrependa e seja batizado, e se o fizerem receberão o Espírito Santo pela imposição das mãos"; se o povo, depois de obedecer às exigências, receber o Espírito Santo, terá então um testemunho de que ele é um homem de Deus. Isto, quando recebido e retido, é uma testemunha viva e sempre presente. É deste modo que os Santos dos Últimos Dias sabem que este é o Evangelho de Jesus Cristo; sabem que Jesus é o Salvador do mundo porque receberam as bênçãos prometidas. Mas a recepção de um único item de conhecimento nos salvará por si só? Não. Devemos crescer de fé em fé, de conhecimento em conhecimento, cultivando e prezando o conhecimento que nosso Pai nos deu, até alcançarmos o poder e recebermos dons que ainda não desfrutamos. Este é o privilégio dos Santos dos Últimos Dias. Não é um conhecimento baseado em alguma experiência passada, mas conhecer hoje, ter uma fé viva no íntimo, pela comunhão com Deus, por termos nossas orações respondidas. Isto último é uma das melhores e mais seguras evidências que o homem pode ter. Quando está em dificuldade, quando em perigo, pode ir a Deus, e pedir-lhe que lhe conceda o livramento de que necessita, e o recebe. ¶
De que vale a religião, a menos que esta bênção possa ser desfrutada? Não me importa quanta piedade as pessoas possam demonstrar, se não têm suas orações respondidas não há muita fé real e viva ligada à sua religião. Este é um bom teste para nós. Vivemos em tão íntima comunhão com Deus, dia após dia — não nas lembranças e reminiscências do passado, mas vivendo no conhecimento de hoje — que podemos ir a ele pedindo em nome de Jesus, e recebendo resposta às nossas orações? Isto é um teste de comunhão com Deus e de verdade evangélica. Isto deveria ser a experiência de todos nós todos os dias que vivemos, não, como digo, lidando com a lembrança de favores passados, não algo que recebemos quando nos filiamos à Igreja ou durante algum tempo subsequente, mas por causa dos favores que recebemos e desfrutamos hoje. Esta é uma felicidade que o mundo não pode dar nem tirar, que faz um homem feliz no meio de seus inimigos. Como Daniel, pode ser lançado entre feras selvagens, ou como os três hebreus, pode ser lançado numa fornalha ardente, ainda assim é feliz e pode louvar seu Deus. Nossa religião não pode ser posta de lado, como fazemos com nossas vestes dominicais, e esquecida até o domingo seguinte. É uma religião que entra em nossos tratos diários com o próximo, de pais com filhos e filhos com pais, nós a levamos em toda a nossa vida e a exibimos nos frutos de nossa vida, tratando com bondade e misericórdia, com justiça e honra uns com os outros, ministrando palavras de consolação aos que estão aflitos, desfrutando de seu espírito quando nos levantamos pela manhã e durante o dia, até nos recolhermos à noite. Este é o modo de viver, e para este propósito Deus revelou o Evangelho. Qualquer coisa menos que isto não é verdadeira religião. O homem que não vive assim não desfruta das bênçãos que Deus está disposto a conceder-lhe. Tendes provado isto, vós, Santos dos Últimos Dias que sois membros desta Igreja desde o seu início. Não éreis felizes quando vossos inimigos vos perseguiam, quando fostes expulsos de vossos lares? Fostes alguma vez mais felizes do que quando estáveis nas planícies, confiando inteiramente na providência de Deus, viajando como Abraão viajou, sem saber para onde íeis? E não fostes felizes quando chegastes aqui em meio a privações? Certamente que sim. A felicidade estava em vossos corações, e alegrava vossos semblantes. Por quê? Porque a paz de Deus estava em vós, repousava sobre vós e nela vos regozijáveis. Para este propósito, a religião, como é chamada, é revelada. Que é a religião? Faz a verdadeira religião o homem diferente do que ele é naturalmente? Sim, pode fazê-lo se sua natureza for defeituosa; se herdou paixões más, apetites impróprios e inclinações erradas, ela o capacita a subjugá-los. Alguns supõem que é pecaminoso ser alegre, dançar ou assistir a diversões. Os jovens, especialmente no mundo, muitas vezes dizem: "Não quero ser religioso; deixarei isso para quando ficar velho; quero divertir-me." Estas ideias têm sua origem em falsas tradições. Não há nada que proporcione felicidade verdadeira exceto guardar os mandamentos de Jesus Cristo. Nossa santa religião incorpora toda bênção que o homem pode desfrutar; não há coisa boa alguma que possais desejar em retidão que não esteja incorporada na religião de Jesus Cristo. Deus, que nos criou, conhecia as necessidades de nosso ser, e, portanto, adaptou o Evangelho às nossas naturezas. ¶
Geralmente se pensa que o "mormonismo" está indo à ruína porque homens e mulheres deixam a Igreja. Tem-se dito frequentemente: deixai que a moda seja introduzida e que ministros sejam enviados aqui, deixai que minas sejam descobertas, e outros agentes sejam postos em ação, e o problema do "mormonismo" logo estaria resolvido. Não tenho dúvida de que muitas pessoas chamadas Santos dos Últimos Dias sucumbiram à embriaguez, e talvez a outros vícios. Mas isso afeta a verdade? É isso alguma evidência de que o "mormonismo", ou o Evangelho de Jesus Cristo, será derrubado? De modo algum. Não posso compartilhar das sombrias apreensões que alguns estão dispostos a nutrir com respeito ao futuro deste povo. Penso que nunca houve tempo em que as perspectivas do futuro da Igreja fossem melhores do que são no presente. Não antecipo desastre. Espero que alguns homens caiam; isto sempre foi o caso, e enquanto o adversário tiver poder sobre os filhos dos homens continuará a sê-lo. Agradeço a Deus que certos homens tenham disposição para deixar esta Igreja, e assim traçar a linha entre os que servem ao Senhor e os que não servem. Lamento que homens sejam tão infelizes; mas quando vejo a obra de purificação acontecendo, é para mim evidência de que o corpo da Igreja é saudável. Estamos sendo postos em contato com os vícios do mundo, e se os Santos dos Últimos Dias não conseguem manter sua fé em meio a estas coisas, quanto mais cedo forem desassociados, melhor será para a Igreja. Se, contudo, pudermos suportar todas as coisas por amor ao Evangelho de Cristo, se pudermos manter a fé valentemente, na prosperidade assim como na adversidade, então nossa fé está fundada sobre a rocha. Não faria diferença alguma para tal povo se houvesse cinco mil salões de bebida e jogo em nossa cidade, permaneceriam inabalados e imperturbados por tais coisas. Deus terá um povo provado e escolhido, assim como o ouro é sete vezes purificado; se, portanto, houver alguma escória em nós, ela será tirada. Se a perseguição não o fizer, é muito provável que o Senhor use outros meios para trazer o mesmo propósito, de modo que o fim será alcançado. ¶
Testifico que esta é a obra de Deus. Sei, tão bem quanto sei que vivo, que Deus levantou Joseph Smith e lhe concedeu conhecimento e poder e o habilitou a organizar a Igreja de Cristo em sua pureza primitiva, tal como existe e floresce hoje, nestas montanhas. Sei também que ele concedeu o mesmo poder e autoridade a seu servo Brigham, e sei, também, que o povo que obedecer a seus conselhos será abençoado, como sempre o foi, e que a ira do Senhor se acenderá contra o povo a menos que lhe obedeça, porque o Senhor o designou para guiar e conduzir o povo. Para conduzir o povo cegamente sem eles próprios saberem para onde vão? Não, certamente que não. Quando o Presidente desta Igreja dá conselho, é o privilégio dos Santos dos Últimos Dias saber, por si mesmos, pelo testemunho de Jesus dentro deles, que tal conselho é correto, e nenhum testemunho mais alto pode ser dado a nenhum homem do que este. É o privilégio de todos saber se esta é a obra de Deus ou não, de acordo com a promessa do Salvador, que deixa o mundo sem desculpa. É um assunto de grande importância para um homem testificar perante Deus e os anjos que estas coisas são verdadeiras. Se ele for um impostor, então a responsabilidade de tal homem é terrível; se o seu testemunho for verdadeiro, então aqueles que o ouvem e o rejeitam assumem responsabilidade maior. Que Deus nos ajude a permanecer puros e sem mácula perante ele, é a minha oração em nome de Jesus. Amém. ¶