Pulpit

Muito Poucos Herdarão a Glória Celestial — A Cobiça pelas Coisas do Mundo Produz Apostasia — Não Há Felicidade Verdadeira Fora da Piedade — O Senhor Requer o Coração dos Filhos dos Homens

Brigham Young

1876-08-15

Penso que é bastante compreendido, por meus irmãos e irmãs, que meus trabalhos, como orador público, são um tanto limitados, em comparação com o que costumavam ser.

Na primeira temporada em que os Doze saíram em missão como os Doze Apóstolos, conheci o pai do irmão William Hyde, que acaba de se dirigir a vós. O irmão Hyde, falecido, era então um menino. Ele, com a família de seu pai, se ajuntou aos santos; foi ao Missouri e voltou a Illinois, e se casou. E esta tarde ouvimos um de seus filhos falar-nos. Faz quarenta anos neste verão desde que conheci pela primeira vez o pai deste jovem. Nos três anos anteriores a isso, eu vinha me ocupando em pregar o evangelho, e o Espírito de Deus repousava sobre mim a tal ponto que, se eu não abrisse a boca para pregar ao povo, parecia que meus ossos se consumiriam dentro de mim; por conseguinte, costumava pregar longa e vigorosamente.

Por quarenta e três anos tenho estado mais ou menos ocupado pregando ao povo. Meus órgãos da fala estão agora bastante exauridos, mas minha saúde geral é boa, até melhor do que quando era jovem. Nunca me senti melhor do que agora. Tenho pulmões suficientes para me servir a pregar por cem anos, contanto que os órgãos da fala de meu estômago fossem correspondentemente bons.

Vim para cá descansar, para me afastar de tanto falar. Desde que estou aqui, tenho sido procurado pelos índios que estão de passagem, e tenho tido de falar bastante com eles, além de ter de conversar com os irmãos.

Às vezes sinto que mal posso deixar de dizer aos Santos dos Últimos Dias como deveriam viver, mas meus órgãos da fala não me permitem dizer tanto quanto desejo. O Reino Celestial de Deus vale a pena ser buscado, e há momentos em que vejo tão claramente a importância de o povo viver sua religião que quase sinto vontade de clamar em alta voz e não poupar, se tivesse forças para tanto. Quando considero a grandeza do reino de Deus, e o privilégio que nos é concedido de nos tornarmos herdeiros de Deus, nosso Pai, e co-herdeiros com Jesus Cristo, nosso Irmão Mais Velho, e então percebo a condição dos Santos dos Últimos Dias, não me admiro de que a pergunta tenha sido feita ao Salvador por seus discípulos: "Quem poderá, pois, salvar-se?" Há muito poucos dos filhos do Pai Adão e da Mãe Eva que estarão preparados para entrar no Reino Celestial. Aqueles que se preparam aqui embaixo, mediante a obediência ao evangelho, recebendo, por sua fidelidade, as chaves do sacerdócio, e santificando-se pela verdade, estão se preparando para se tornarem filhos de Deus. Se nos tornarmos filhos de Deus, seremos co-herdeiros com Jesus Cristo de todas as heranças que o Pai preparou para os fiéis. Mas há poucos, de toda a família humana, que jamais hão de alcançar este mais alto estado de glória.

Temos uma obra a fazer, tão importante em sua esfera quanto a obra do Salvador o foi na sua. Nossos pais não podem ser aperfeiçoados sem nós; nós não podemos ser aperfeiçoados sem eles. Eles fizeram sua obra e agora dormem. Somos agora chamados a fazer a nossa; que há de ser a maior obra que o homem já realizou sobre a terra. Milhões de nossos semelhantes que viveram sobre a terra e morreram sem conhecimento do evangelho devem ser oficiados em seu favor, para que possam herdar a vida eterna (isto é, todos os que teriam recebido o evangelho). E somos chamados a entrar nesta obra.

Os Santos dos Últimos Dias que voltam sua atenção para ganhar dinheiro logo se tornam frios em seus sentimentos para com as ordenanças da casa de Deus. Negligenciam suas orações, tornam-se relutantes em pagar quaisquer doações; a lei do dízimo se torna uma tarefa pesada demais para eles; e por fim abandonam seu Deus, e as providências do céu parecem lhes ser vedadas — tudo em consequência desta cobiça pelas coisas deste mundo, que certamente hão de perecer ao serem manuseadas, e que, em seu uso, se desvanecerão e nos deixarão. Nós, assim como todo o mundo da humanidade, sabemos que nosso tempo é curto, nossos dias apenas um palmo. E, no entanto, cobiçamos este vil dinheiro, a riqueza do mundo. Não importa quanto dos bens deste mundo um homem possa possuir, seus poucos dias logo se esgotam, e ele dorme com os pais. Para ele, suas riquezas já não existem mais; era apenas riqueza aparente. Não podemos esperar receber riqueza real até recebermos as riquezas da eternidade, que são eternas. Estas riquezas não nos serão confiadas até que tenhamos preenchido nossas medidas aqui, tendo feito tudo o que o Senhor requer de nós, para nos aperfeiçoarmos, e ajudá-lo na obra da salvação da família humana. Não até que Jesus apresente todas as coisas ao Pai, dizendo: completei a obra que me deste para fazer; eis os resultados de meus trabalhos. Então, e não antes, poderemos possuir riquezas reais, verdadeiras riquezas, riquezas eternas.

Quão vão é da parte do homem permitir-se pensar que pode fazer-se feliz com os prazeres deste mundo. Não há prazer duradouro aqui, a menos que seja em Deus. Quando os homens deixam o reino de Deus, suas vidas se enchem de amargura, seus pensamentos se enchem de temor, e são pesarosos, dia após dia. Podem dizer-vos que são felizes. Mas, quando os sondais, e descobris os recônditos mais íntimos do coração, é um cálice de fel; não são felizes. Podem buscar, até os confins mais remotos da terra, pela felicidade, mas não a encontram. Onde está a felicidade, a verdadeira felicidade? Em nenhum lugar senão em Deus. Ao possuirmos o espírito de nossa santa religião, somos felizes pela manhã, somos felizes ao meio-dia, somos felizes à noite; pois o espírito de amor e união está conosco, e nos regozijamos no espírito porque ele é de Deus, e nos regozijamos em Deus, pois ele é o doador de tudo o que é bom. Cada e todo Santo dos Últimos Dias que já experimentou o amor de Deus em seu coração, depois de ter recebido a remissão de seus pecados, mediante o batismo, e a imposição das mãos, percebe que está cheio de alegria, de felicidade e de consolo. Pode estar em dor, em erro, em pobreza, ou em prisão, se a necessidade assim o exigir, ainda assim está alegre. Esta é nossa experiência, e cada e todo Santo dos Últimos Dias pode testificar disso.

Muito se tem dito a respeito de nos tornarmos um povo unido, vivendo juntos no que se chama a Ordem Unida. Um homem se levanta aqui, e outro ali, dizendo: "O Senhor não quer meus bens; é o irmão Brigham, ou é o bispo," e não se sente disposto a entrar nesta organização. Isto, admito, é em parte verdade; o Senhor não se importa nada com seus bens. Quem fez a terra, e as riquezas dela? A quem pertence a terra? "Do Senhor é a terra e a sua plenitude." Supondes que o Senhor se importa em algo com a fazenda de um homem? Nada absolutamente, pois toda a terra é dele. À sua ordem, ela se vai, e o homem que reivindicava a posse de qualquer parte dela não sabe para onde foi. Mas que quer o Senhor de seu povo? Está escrito nesta Bíblia, e se diz serem palavras do Senhor: "Dá-me, filho meu, o teu coração." Sem isso, não valeis nada; com isso, ele tem vosso ouro e prata, vossas casas e terras, vossas esposas e filhos, todo o vosso ser.

Tenho ensinado do púlpito, neste lugar e em outros lugares, por anos, a necessidade de nos tornarmos um. Posso dizer aos Santos dos Últimos Dias, jamais ouvistes o irmão Brigham exigir vossos bens. Tudo o que quero é ver este povo dedicar seus meios e interesses à edificação do reino de Deus, erigindo templos, e neles oficiando pelos vivos e pelos mortos, e sendo instrumentos nas mãos de Deus para trazer, de suas sepulturas, os que dormiram sem terem tido o privilégio de receber o evangelho, para que possam ser coroados filhos e filhas do Todo-Poderoso. Não queremos vossos bens, vos queremos a vós. Quando todos nos tornarmos um em fé e em espírito, seremos um em nossos atos, tendo o reino de Deus em nosso coração. E a indagação virá dos irmãos: "Que posso fazer por meus semelhantes? Posso ser o meio de salvar uma alma? Posso fazer algo por meus amigos que dormiram sem conhecimento da verdade, ou posso fazer algo por aqueles que vivem em terras estrangeiras? Sim, posso." Estes deveriam ser os sentimentos de nossos corações, e isto é o que se exige de nós.

Muitos de nós temos gasto considerável parte de nosso tempo pregando o evangelho, dentro e fora do país, e de outros modos ajudando a estabelecer o reino de Deus sobre a terra, e ainda estamos ocupados nesta obra. Temos doado para a libertação dos pobres em terras estrangeiras, trazendo-os para cá, onde têm o privilégio de ser mais instruídos no plano de salvação, e onde podem ajudar mais materialmente no estabelecimento de Sião na terra.

Muitos dos pobres, depois de terem sido trazidos para cá, aliviados, em muitos casos, das profundezas da pobreza, mal se tornam possuidores de um pouco de bens, já levantam o calcanhar contra o evangelho. Isto é doloroso para os Santos dos Últimos Dias, que lhes prestaram assistência; é penoso para Deus, que os libertou. Ainda assim, é nosso dever enviar o evangelho a todas as nações, e continuar doando meios para ajuntar os pobres. O Senhor salvará poucos, todos os que aceitarem a salvação segundo o desígnio que o Senhor concebeu. Ele fez o plano, não nós. Não é concepção do homem. Foram os Deuses que se reuniram em conselho — eles o planejaram e agora o oferecem a nós. Vamos aceitá-lo?

Há apenas duas igrejas sobre a terra — apenas dois partidos. Deus dirige um, o diabo o outro. Assim que um homem ouve o evangelho pregado e se convence de sua veracidade, é tentado pelo diabo, que, sempre que há oportunidade, sugere dúvida à sua reflexão. Se ele acolher estas influências duvidosas, não demora muito até que o que cria ser verdade se torne mera conjectura. Outro pode receber o evangelho, viajar e pregá-lo fielmente, sentindo em seu coração exclamar: "Glória a Deus nas alturas!", não tendo outro motivo senão fazer o bem a seus semelhantes. Com o tempo, talvez seja deixado sozinho; começa então a questionar-se, dizendo: "Pergunto-me se realmente estava certo?" Esta única dúvida talvez seja o começo de sua apostasia da Igreja. Nos dias de Joseph, o povo se inclinava a se desviar da fé e cair em apostasia, tanto quanto o faz agora, em proporção ao nosso número, e às vezes tenho pensado que ainda mais. Permitis que o diabo vos sugira que não vos guio corretamente, e deixais que este pensamento habite em vossos corações, e eu vos prometo que vos levará à apostasia. Permitis a vós mesmos duvidar de qualquer coisa que Deus tenha revelado, e não passará muito tempo até que comeceis a negligenciar vossas orações, recuseis pagar vosso dízimo, e encontreis defeito nas autoridades da Igreja. Estareis repetindo o que todos os apóstatas dizem: "O dízimo não é usado corretamente," etc. Há um sentimento que às vezes me leva a perguntar: "Já pagastes algum dízimo a mim que eu tenha guardado? Se sim, sejamos informados a respeito." Deus tanto me abençoou no que diz respeito às coisas pertencentes a este mundo, que, se puder ser mostrado que já recebi o benefício do dízimo de algum homem, sou capaz de restituí-lo cem vezes mais. Isto é talvez um pouco de leviandade de minha parte, mas às vezes me permito tais coisas.

Quando o irmão Joseph era vivo, ele me nomeou para avaliar bens no Templo de Nauvoo. Em certa ocasião, trouxeram uma sela; foi avaliada em dois dólares, e, precisando de uma sela, eu a usei. O irmão Joseph também, certa vez, me enviou a metade de um porco, que pesava noventa e três libras. E, enquanto pregava em Boston, recebi dois dólares e meio em dízimo, que também usei e relatei ao irmão Joseph. Fora isso, nem um centavo do dízimo jamais usei nos dias de Joseph; e, desde então, o direito de determinar o uso do dízimo me pertence, e usei o que julguei necessário, mas não tenho conhecimento de ter usado um único dólar do dízimo para meus próprios fins. Embora, depois destas declarações, eu diga que determino muito pouco sobre o dízimo. Nem os bispos, nem meus escriturários, alguma vez me perguntam algo a respeito, fazem dele o que bem entendem. Não me importa o que se faça com ele, se for usado corretamente e com propriedade. São perfeitamente bem-vindos a usar meu dízimo em comum com o vosso; o Senhor os responsabilizará por seu uso. Se meus irmãos, que emprego para cuidar de e criar meu gado, fazem o que desejo que façam, pagam o dízimo de meu gado. Nenhum homem nesta Igreja paga seu dízimo integralmente. Eu não pago o meu, mas pago tanto quanto qualquer outro; e nunca pergunto o que é feito com ele.

Quando negligenciamos qualquer um destes deveres, o inimigo diz: "Ganhei tanto terreno." Se o diabo consegue induzir um élder a beber um pouco, não se satisfaz com este triunfo, mas lhe diz: "Tua esposa e filhos o sabem, não faças orações esta noite." O élder diz à sua família: "Sinto-me cansado esta noite, não faremos orações." O inimigo diz: "Ganhei outro ponto." Vós vos permitis um pouco mais, e encontrareis outras desculpas. Vossa cabeça não está certa, vosso coração não está certo, vossa consciência não está certa, e vos recolheis novamente sem orar. Com o tempo, começais a duvidar de algo que o Senhor nos revelou, e não demora muito até que tal pessoa seja levada cativa pelo diabo.

Vós, élderes de Israel, não vedes a necessidade de um avanço? Não vedes que temos avançado até onde podemos, sem adotar a revelação que o Senhor deu em Independence, condado de Jackson, a saber, que "os bens dos santos deveriam ser depositados aos pés dos bispos, etc., e que, a menos que isso fosse feito, uma maldição os alcançaria"? Recusaram-se a fazê-lo, e a consequência foi que foram expulsos de seus lares. A menos que obedeçamos a estas primeiras revelações, o povo declinará em sua fé, e abandonará a fé do santo evangelho. Percebem os élderes isto? Sim, muitos deles percebem — e também muitas das irmãs. Não fosse pela fé e pelas orações dos fiéis, esta Igreja teria sido entregue nas mãos de nossos inimigos. É a fé do sacerdócio, que se apega aos mandamentos do Senhor, que mantém o povo onde está. Supondo que estivésseis em condição de dizer: faremos o que é exigido de nós. Bastaria que eu dissesse: é vosso dever terminar aquela casa (o Tabernáculo) sem demora, e seria feito, cada homem fazendo sua parte de bom grado. Mas, em vez de ser este o caso, poderíamos pedir ao irmão John sua parelha: diz o irmão John, "É muito difícil para ti pedires minha parelha. Tenho apenas o único par, e não vejo como possa cedê-la." O irmão John guarda sua parelha; mas, se tivesse tido fé suficiente para obedecer ao pedido, o Senhor o teria abençoado com duas parelhas. Mas, porque a guarda, isso é tudo o que tem, e muito provavelmente continuará sendo tudo o que terá. Novamente, diz o sacerdócio: "Quero tua casa." "Toma-a." "Teu jardim." "Toma-o." Diz alguém: "Sentes assim, irmão Brigham?" Precisamente assim, não quero abrigar outro sentimento. Não tenho nada que, se o Senhor o requerer, não deva ir livremente. Ele não pode tomar mais do que já é seu. Digo: toma-o, confiarei nele por mais. Este é o único terreno seguro sobre o qual caminhar. É a única maneira pela qual podemos assegurar a vida eterna. Diz Jesus: "Estreita é a porta, e apertado é o caminho que leva à vida eterna," mas que a Nova Tradução fez que levasse "às vidas," e poucos há que a encontrem. Mas larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à destruição, e muitos são os que entram por ele.

O Senhor gostaria de nos ver tomar o rumo que leva à porta estreita, para que pudéssemos ser coroados filhos e filhas de Deus, pois estes são os únicos, nos céus, que se multiplicam e aumentam, e que planejam e fazem e redimem mundos. Os demais recebem um reino inferior, onde este privilégio lhes é negado. Isto o Senhor nos deu a conhecer por meio do profeta Joseph; está publicado e tão claramente escrito, que podemos lê-lo e entendê-lo por nós mesmos. Cabe a nós escolher se seremos filhos e filhas, co-herdeiros com Jesus Cristo, ou se aceitaremos uma glória inferior; ou se pecaremos contra o Espírito Santo, o que não pode ser perdoado nem remido neste mundo, nem no mundo vindouro; cuja penalidade é sofrer a segunda morte. Que é aquilo que chamamos morte, comparado às agonias da segunda morte? Se as pessoas pudessem vê-la, como Joseph e Sidney a viram, orariam para que a visão se encerrasse; pois não poderiam suportar a visão. Tampouco poderiam suportar a visão do Pai e do Filho em sua glória, pois isso as consumiria.

O Senhor nos dá pouco a pouco, e está sempre disposto a nos dar mais e mais, até mesmo a plenitude, quando nossos corações estiverem preparados para receber todas as verdades do céu. Isto é o que o Senhor deseja, o que ele teria prazer em fazer, por seus filhos.

Estas são apenas algumas reflexões, quando levamos em conta nossa religião cristã, pois ela incorpora todo ato da vida de uma pessoa. Nunca devemos presumir fazer coisa alguma a menos que possamos dizer: "Pai, sanciona isto, e coroa o mesmo com êxito." Se os Santos dos Últimos Dias assim viverem, a vitória é nossa. Há muitos que desejam viver assim, e digo: Deus abençoe a todos esses. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Muito Poucos Herdarão a Glória Celestial — A Cobiça pelas Coisas do Mundo Produz Apostasia — Não Há Felicidade Verdadeira Fora da Piedade — O Senhor Requer o Coração dos Filhos dos Homens”, (1876-08-15). Pulpit Vault, 1876-08-young-very-few-will-inherit-celestial-glory. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).