Simplicidade e Imutabilidade do Evangelho — Ele Deve Ser Pregado em Todo o Mundo Antes que o Salvador Venha — Deveres e Responsabilidades dos Santos
Wilford Woodruff
Em conexão com o jovem irmão, o élder Joseph H. Parry, que acaba de retornar de uma missão de pregação na Inglaterra, desejo prestar meu testemunho, e fazer algumas observações sobre a Escritura contida no último capítulo de São Marcos, começando no versículo 14, na qual se dá relato do aparecimento do Salvador aos onze discípulos, e de sua repreensão a eles por sua incredulidade e dureza de coração, porque não haviam crido nos que o tinham visto depois de ressuscitado, etc. Nesta ocasião, deu-lhes a seguinte comissão — ¶
"Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os sararão." ¶
Pode parecer singular a alguns por que nossos élderes não tratam do que se chama "os mistérios do reino." Não conheço mistério maior para os habitantes da terra do que o evangelho de Jesus Cristo. E, no entanto, o evangelho é tão simples, e tão fácil de compreender, que os iletrados e os jovens podem conhecê-lo. O apóstolo Paulo disse: "Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação a todo aquele que crê." Considerava-o de tanta importância que, em outra ocasião, escrevendo aos gálatas, disse — "Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já vos anunciamos, seja anátema." Pelo fato de o evangelho ser tão simples, de estar adaptado à condição e às circunstâncias de todos os povos, e de ter saído, por mandamento do Salvador, a todo o mundo, no caso de ser rejeitado, deve necessariamente seguir-se a condenação. ¶
Não obstante a simplicidade do evangelho, onde, durante os últimos dezoito séculos, esteve o homem ou a seita que o apresentou ao mundo, tal como ensinado pelo Salvador e seus apóstolos, antes de ser revelado do céu, em cumprimento de antigas profecias, ao jovem Joseph Smith, e por ele pregado? Nenhuma voz jamais se ouviu proclamá-lo. Jamais houve uma igreja ou organização sobre a terra, desde os dias de Cristo e seus apóstolos, dirigida pelas revelações do céu e reconhecida por Deus. ¶
O evangelho agora pregado a todo o mundo, por mandamento do Senhor ao profeta Joseph, é o mesmo ensinado por Adão, Enoque e o Salvador. Nunca muda com o decorrer do tempo; suas ordenanças e leis são sempre as mesmas, pelos séculos dos séculos. Os primeiros princípios do evangelho ensinados desde a aurora da criação são fé, arrependimento e batismo, e a imposição das mãos para o recebimento do Espírito Santo; e são os mesmos hoje. Para certas mentes, poderia haver mistério ligado a estes princípios. Por que, dizem alguns, é assim? Só podemos responder que é porque é a lei do grande Jeová, o plano formado nos céus para a salvação e redenção do homem. São exigências feitas a toda a família humana, que devem ser obedecidas para que o suposto mistério seja banido, e os frutos e as bênçãos do evangelho sejam desfrutados. O evangelho é livre a todos; é sem dinheiro e sem preço. Mas ninguém pode oficiar em suas ordenanças, aceitavelmente a Deus, exceto os que receberam autoridade divina para fazê-lo. Pois, diz o apóstolo, "ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Aarão." Mas há muitíssimos evangelhos, todos afirmando ser de Cristo, e todos diferindo, mais ou menos, uns dos outros, e do que foi ensinado pelo Salvador, quando esteve sobre a terra. Quando aquele que tem a autoridade prega o evangelho, promete, em nome de Jesus Cristo, a todos os que creem e obedecem, que o Espírito Santo lhes será dado. Em virtude desta promessa, todos estes podem saber por si mesmos se é de Deus, ou se é do homem. Se um homem não autorizado sai, pretendendo proclamar este mesmo evangelho, e não importa quão capaz e talentoso seja, sua doutrina pode ser detectada, porque as promessas que deveriam seguir os crentes em Cristo não se realizam, o Espírito Santo, que dá seus dons aos homens, não é recebido, e, assim, expõe-se a falácia das doutrinas dos homens, de modo que ninguém precisa ser enganado. Nossos rapazes são frequentemente chamados do arado e da oficina, para irem às nações a fim de disseminar os princípios do evangelho eterno. Por que poder são sustentados nossos jovens, que saem, inexperientes, sem muita instrução, apresentando, em mansidão, a um mundo culto e inteligente, o evangelho de Cristo? Deus, por meio de seus anjos, os assiste; fortalece seus joelhos débeis, e lhes dá as palavras. ¶
Certa vez, eu pregava a uma grande assembleia em Collinsville, Connecticut; quando terminei, um jovem clérigo veio à frente, e perguntou-me se eu havia recebido algum diploma de faculdade. Respondi-lhe: "Não." "Sabeis," disse ele, "que um homem que não recebeu diploma de faculdade não tem direito de pregar?" "Não, senhor," disse eu, "não o sei." "Bem, senhor," disse ele, "é o caso." Perguntei-lhe então que me informasse como foi que Jesus pregou, sem receber diploma de faculdade? E se coisas como diplomas de faculdade já foram alguma vez conhecidas ou ouvidas no ministério de Cristo e seus apóstolos? ¶
O Senhor escolheu pescadores pobres e iletrados, e os enviou a combater, e mesmo a confundir a sabedoria dos sábios. Seu evangelho é hoje representado pelas coisas fracas da terra, e assim tem sido por mais de quarenta anos. E qual é o resultado de nossa pregação? Que os fatos falem por si mesmos. Podeis contemplar por vós mesmos um povo aqui ajuntado, vindo de diferentes nações, todos movidos pelos mesmos motivos, a saber, edificar e estabelecer Sião sobre a terra, em cumprimento das palavras de Deus, pela boca de seus profetas. Por que temos tido tanto êxito, até aqui, na realização de obra tão grande? Simplesmente porque Deus confirmou nossa pregação, e os testemunhos que prestamos, conferindo o Espírito Santo, com sinais seguindo os crentes. Não fosse assim, Utah seria hoje o que era em 24 de julho de 1847, quando os pioneiros pela primeira vez puseram os pés em seu solo — uma terra árida, desolada, imprópria para a habitação do homem. Os resultados de nossa pregação anunciaram o cumprimento da profecia. Sião se levantou, e algumas das profecias a seu respeito, registradas no Antigo e no Novo Testamento, estão tendo seu cumprimento. ¶
Anjos visitaram a terra e entregaram as chaves da salvação ao profeta Joseph. Ele viveu o suficiente para efetuar uma organização completa da Igreja, estritamente de acordo com as revelações de Deus a ele dadas. Deus, em nossos dias, deu dons aos homens, para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo. O apóstolo comparou a Igreja a um corpo perfeito. Uma parte não pode dizer à outra: "não tenho necessidade de ti"; mas todas as partes são necessárias para completar a organização, o que é tão necessário para efetuar o aperfeiçoamento dos santos desta geração como de qualquer outra. Fé no Senhor Jesus Cristo, arrependimento e batismo para a remissão dos pecados são exigências absolutas, que devem ser cumpridas, antes que o Espírito Santo possa ser recebido. Estes sinais, diz o apóstolo, seguirão os que creem: em meu nome expulsarão demônios, porão as mãos sobre os enfermos e eles sararão, etc. Estas bênçãos são o direito de todo crente honesto em Cristo. Foram estabelecidas na Igreja pelo Salvador, e permanecem com a Igreja, como uma poderosa nuvem de testemunhas por todo este Território poderia testificar; e não somente as deste Território, mas as de toda terra e clima onde o evangelho foi pregado e um ramo da Igreja organizado. Diz o apóstolo João, este evangelho deve ser pregado a todos os que habitam a terra, a toda nação, tribo, língua e povo; como testemunho antes da segunda vinda de nosso Salvador para habitar a terra, que virá, não como um cordeiro ao matadouro, não montado num jumentinho, objeto do escárnio do povo. Mas virá em poder e grande glória, tomando vingança sobre os que não o amam nem o temem. Enviamos, portanto, boas novas de grande alegria a quem quer que as queira receber, para que subam a Sião e escapem dos juízos que certamente hão de alcançar os ímpios. ¶
Sei que estamos empenhados na grande obra dos últimos dias, a obra do Deus vivo. E sei que Joseph Smith foi um profeta de Deus, escolhido e separado para introduzir esta última dispensação da plenitude dos tempos. Deixou um registro, publicado, selado com seu próprio sangue, confirmando a verdade dele. Este testemunho está em vigor para todo o mundo, e há de estar em vigor até o fim dos tempos. Isto declaramos ser o reino que o profeta Daniel viu em visão, jamais a ser derrubado ou dado a outro povo. Nestas montanhas Sião há de ser edificada, em cumprimento de profecia, e todo jota e til que a seu respeito foi falado deve se cumprir. O último é o primeiro, e o primeiro será o último. O evangelho foi primeiro enviado diretamente aos judeus; o próprio Salvador era daquela linhagem, pelos lombos de Davi. Veio para os seus, mas não o receberam. Foi reprovado por eles, desde o dia de seu nascimento até o crucificarem na cruz. Consequentemente, o Redentor ressuscitado ordenou a seus apóstolos que se voltassem aos gentios. Estes receberam a obra, e desfrutaram dos dons e bênçãos do evangelho, até mesmo do Consolador, o Espírito Santo; e o sacerdócio continuou com eles até que uma parte deles se tornasse indigna dele, por sua apostasia, enquanto os fiéis eram perseguidos e atormentados até a morte. O evangelho agora nos foi restaurado a nós, gentios, pois todos somos gentios em capacidade nacional, e continuará conosco se formos fiéis, até que a lei esteja atada, e o testemunho selado, e os tempos dos gentios se cumpram, quando então reverterá novamente aos judeus, a quem o Senhor terá preparado para recebê-lo. Ajuntar-se-ão à sua própria terra, levando consigo seu ouro e sua prata, e reedificarão sua cidade e seu templo, segundo a predição de Moisés e dos profetas. Quando chegar este tempo, que está próximo, mesmo à nossa porta, que as nações gentias que rejeitarem o evangelho que agora lhes é enviado se preparem para enfrentar os juízos de um Deus ofendido! Pois, quando sua taça estiver cheia até a borda, o Senhor então se lembrará dos castigos dos judeus, seu povo favorecido, e às mãos de quem eles terão recebido em dobro por suas iniquidades. As ofensas devem vir, disse o Salvador, mas ai daquele por quem vierem. Ai dos gentios, que têm infligido aflições aos judeus por estes muitos anos! Ai deles se agora rejeitarem este único meio de salvação, pois hão de certamente sobrevir-lhes as terríveis calamidades mencionadas nestes livros, a Bíblia e o Livro de Mórmon. ¶
O princípio do ajuntamento tem sido pregado nos últimos trinta e sete anos. Antes de este princípio ser pregado pelos élderes, grande parte do povo já havia recebido o espírito dele; e a consequência foi que, assim que foi ensinado pela Presidência da Igreja, o povo em toda parte estava pronto para recebê-lo. Fora-lhes revelado pelo Espírito Santo, cujo ofício é revelar o que é passado, presente, e o que há de vir, e nenhum testemunho mais seguro e mais forte se pode dar a alguém do que este proporciona. Ajuntamo-nos aqui com o propósito expresso de estabelecer Sião, o que, segundo as Escrituras, deve acontecer antes que o evangelho possa ser enviado aos judeus. Passagem após passagem se poderia encontrar na Bíblia, referindo-se à nossa vinda para cá; à construção da estrada pela qual os remidos do Senhor poderiam viajar; à edificação de nossa cidade num lugar baixo, que deveria ser chamada Buscada, uma cidade não desamparada; e como o Senhor faria brotar fontes de água, e o deserto floresceria como a rosa, etc., tudo o que já se cumpriu. Mas como consideram os habitantes da terra estas coisas? Com grande indiferença. De fato, seria para mim uma maravilha se fosse de outra maneira, pois, segundo as predições, o povo desta época deveria ser semelhante ao povo dos dias de Noé e de Ló, casando-se e dando-se em casamento, praticando toda espécie de maldade e abominações, e inteiramente despreparado para a vinda do Filho do Homem. Os judeus não estavam sob condenação por rejeitarem o Salvador, até que ele apareceu entre eles como a luz do mundo; então já não tinham mais desculpa para seus pecados; e, ao rejeitá-lo, e aos que lhes foram enviados, ficaram condenados diante do Senhor, e, por consequência, seus juízos anunciados os alcançaram. O povo que não ouviu o evangelho pregado desde os dias dos apóstolos até sua restauração em nossos dias não está sob condenação por rejeitar o evangelho durante o tempo em que este foi tirado da terra. Mas a luz novamente amanheceu sobre o mundo, e os élderes de Israel se ocupam em proclamá-la por toda parte, e, como foi com os judeus, assim será com os gentios que a rejeitarem, pois as predições dos profetas de Deus devem se cumprir, e nem vós nem eu podemos impedi-lo, ainda que quiséssemos. Somos acusados de intolerantes, porque proclamamos estas coisas. Não temos culpa — somos meramente as criaturas usadas pelo Todo-Poderoso para fazer sua vontade. A obra é dele, o plano de salvação é criação de sua sabedoria superior, não a nossa. ¶
Permiti-me dizer a meus irmãos e irmãs que nossas responsabilidades são grandes, muito maiores que as do mundo exterior, que rejeita o evangelho. Recebemos a luz, o conhecimento de Deus; estamos sob sagrados convênios de defender a verdade, e uns aos outros em retidão. Se formos achados traidores à causa, crucificando de novo o Filho do Homem, grande será nossa condenação. Nosso tempo designado para permanecermos aqui embaixo é curto; mas nossos espíritos são eternos, e viverão para sempre, e nosso destino futuro depende desta nossa carreira terrena. O Senhor deu ordem a seus anjos a nosso respeito; são nossos amigos, e seus olhos estão sobre nós. Estão de prontidão, com foices afiadas em suas mãos, prontos para sair e ceifar a terra. Nosso chamado é aperfeiçoarmo-nos, purificar Sião, e torná-la morada apta para o Filho de Deus quando vier; edificar templos, e neles realizar os ritos e ordenanças pelos vivos e pelos mortos, e realizar tudo o que Deus deseja que façamos. E que sejamos fiéis no cumprimento disso é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶