Pulpit

As Profecias de Joseph Smith e Seu Cumprimento Literal — O Surgimento da Igreja e o Martírio dos Santos no Ajuntamento e a Fuga da Igreja para as Montanhas Rochosas — A Grande Rebelião dos Estados Unidos — O Evangelho a Ser Pregado aos Gentios; Depois aos Judeus — Pragas dos Últimos Dias — Reinado Milenar

Orson Pratt

1876-08-26

Pouco mais de quarenta e seis anos atrás, o Senhor nosso Deus, por meio do ministério de santos anjos, organizou sua Igreja no Estado de Nova York, e chamou homens para o ministério, ordenando-lhes que saíssem como missionários, e pregassem ao povo dos Estados Unidos. Eles, em obediência ao mandamento, saíram em sua fraqueza, começando seus trabalhos no Estado de Nova York, e conseguiram batizar crentes, e organizar ramos da Igreja. Desde aquele dia até o presente, o Senhor tem estado com seus servos, e com o povo que abraçou a mensagem que proclamam.

Em conexão com o estabelecimento desta Igreja, o Senhor inaugurou o Ajuntamento, que é peculiar à dispensação em que vivemos. Esta obra de ajuntamento do povo tem continuado por quarenta e seis anos, e podemos contemplar seus resultados — um povo estabelecido por todos estes vales das montanhas, contando cento e cinquenta mil almas.

Tenho frequentemente refletido sobre as primeiras profecias que foram dadas por meio de nosso profeta, Joseph Smith, a quem o Senhor chamou para organizar sua Igreja nesta última dispensação, e tenho com frequência me maravilhado com o cumprimento literal delas. Referir-me-ei a algumas.

É bem sabido que o Livro de Mórmon foi traduzido por Joseph Smith, a partir de certas placas que ele descobriu, depositadas em certo monte, antigamente chamado Cumora, situado no Condado de Ontário, Estado de Nova York, tendo-lhe sido previamente mostrado o lugar em visão aberta. Este livro foi traduzido, e sua primeira edição de cinco mil exemplares foi publicada antes da organização desta Igreja. Estava declarado naquele livro que uma Igreja haveria de surgir, e que o povo que abraçasse o evangelho nele contido seria ajuntado em um só corpo. Para o cumprimento disto, basta que eu vos remeta ao povo, ao corpo desta Igreja, que habita estes vales das montanhas. Esta profecia também fala da extensão desta obra futura — não deveria ser pregada apenas ao povo deste continente americano, mas deveria ser proclamada a toda nação, tribo, língua e povo debaixo do céu, e o ajuntamento se daria de todas estas nações.

Um impostor pode profetizar, mas não pode cumprir suas próprias profecias. Se Joseph Smith fosse um impostor, como o mundo diz que era, como poderia saber de antemão do surgimento desta Igreja, e que o evangelho seria pregado em todas as partes desta nação? Mais ainda, como poderia saber que iria a toda terra, e seria proclamado por toda nação da terra, e até mesmo aos que habitam as ilhas do mar? Cumpriu-se isto? Tudo o que tendes a fazer é vos familiarizardes com o fato. Achareis que a mensagem do evangelho foi levada por nossos missionários às nações da Grã-Bretanha e Irlanda, à França, Alemanha, Itália, Suíça, e aos países da Escandinávia, à Áustria e à Rússia, à Ásia e à África, à Austrália e à ilha da Nova Zelândia, e às diversas ilhas do Oceano Pacífico Sul, bem como às ilhas Sandwich e da Sociedade. Entre todas estas nações, esta obra tem avançado em cumprimento de profecia, publicada antes de existir qualquer Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Joseph Smith, portanto, no que diz respeito ao cumprimento de suas profecias, tem tanto a estabelecer a divindade de sua missão.

Remetamo-nos ainda mais às profecias contidas no Livro de Mórmon. Lemos naquele livro que não apenas uma Igreja haveria de surgir, etc., mas que o sangue dos santos que abraçassem sua fé clamaria da terra ao Deus dos céus, contra os habitantes desta nação. Que coisa tão improvável de se cumprir! Aqui, sobre esta terra, está um dos governos mais livres já dados ao homem, concedendo a todos liberdade civil e religiosa. Em outras terras, existia perseguição em consequência das convicções religiosas dos homens; aqui, todas as sociedades religiosas gozavam da liberdade religiosa em toda a sua extensão. Se um impostor estivesse para profetizar, não seria mais provável que predissesse algo que agradasse ao sentimento popular do povo, algo que naturalmente viesse a acontecer? Mas que ele profetizasse que o sangue dos santos, que ainda não estavam convertidos, clamaria a Deus por vingança, contra um povo que se gloriava em sua liberdade — quem poderia crer nisso? O povo dizia que tal coisa jamais poderia acontecer; Joseph Smith devia ser um impostor. Mas quanto tempo se passou até que isto se cumprisse? A história mostra que, três anos depois do surgimento desta Igreja, os Santos dos Últimos Dias, contando cerca de mil e duzentas pessoas, estavam estabelecidos em Jackson, um dos condados ocidentais do Missouri, onde possuíam lares prósperos, que haviam feito das terras que compraram do Governo dos Estados Unidos, e que haviam pago, e onde, em consequência de terem pregado o antigo evangelho, que fora restaurado à terra pelo ministério de anjos, encontraram séria oposição, a tal ponto que foram por fim expulsos em massa de suas posses, seus lares foram derrubados e destruídos, seus animais foram abatidos a tiros como se abateriam os animais selvagens da floresta, suas medas de feno foram queimadas, e seus campos de milho devastados, e muitos dos santos também foram mortos a tiros pelas mãos de seus perseguidores. Por quê? Foi porque tinham cometido crimes que merecessem tal tratamento? Não, os registros de seus tribunais não mostram um único caso de nosso povo ter transgredido as leis. Foi por poligamia? Não, pois o princípio do matrimônio plural não era conhecido entre nós então. Diziam: "Proclamais que Deus é um Deus de revelação. Não o cremos. Dizeis que Deus reorganizou sua Igreja sobre a terra, conforme o padrão antigo. Não o cremos. Não queremos tais doutrinas, não queremos que nossas famílias sejam corrompidas por crer nelas, pois profetas, e nova revelação, e milagres, tudo isso já cessou; portanto, deveis deixar-nos. Comprometemo-nos, nossas vidas e tudo o que possuímos, a expulsar-vos do meio de nós." Talvez vós, estranhos, penseis que estou dizendo algo falso. Está escrito e impresso por nossos inimigos, e faz parte da história; e fornece mais um testemunho que comprova o chamado divino do rapaz que foi inspirado pelo Senhor a traduzir aquele livro.

Depois de nos termos novamente estabelecido numa terra nova, e edificado uma bela cidade, e quando tudo era pacífico e a prosperidade nos acompanhava, este mesmo profeta, ao reunir os élderes desta Igreja em certa ocasião em Nauvoo, disse-nos que teríamos de fugir para as Montanhas Rochosas em busca de segurança. O cumprimento desta predição é evidente a todos. Poderia mencionar dezenas de outras, e em nenhum caso aquele homem proferiu uma única profecia que já não se tenha cumprido ao pé da letra, ou que não haja de se cumprir no devido tempo do Senhor. Mencionarei outra profecia, que foi impressa em várias línguas, e publicada entre as diversas nações em cujas línguas foi impressa, e que levou vinte e oito anos até seu cumprimento. O Senhor revelou ao profeta Joseph Smith que haveria uma grande rebelião entre os estados do Norte e do Sul, começando no Estado da Carolina do Sul, e que terminaria na morte e na miséria de muitas almas. Isto, como todos sabeis, cumpriu-se literalmente. Quando eu era rapaz, viajei extensamente pelos Estados Unidos e pelo Canadá, pregando este evangelho restaurado. Eu tinha uma cópia manuscrita desta revelação, que carregava no bolso, e costumava lê-la ao povo entre quem viajava e pregava. De modo geral, o povo a considerava o cúmulo do absurdo, dizendo que a União era forte demais para se romper; e que eu, diziam, estava iludido, vítima de um impostor. Eu sabia que a profecia era verdadeira, pois o Senhor havia falado comigo e me dado revelação. Sabia também da divindade desta obra. Ano após ano se passava, enquanto de vez em quando alguns dos meus antigos conhecidos diziam: "Bem, que será feito daquela predição? Ela nunca há de se cumprir." Dizia eu: "Esperai, o Senhor tem seu tempo determinado." Com o tempo, ela veio, e a primeira batalha foi travada em Charleston, Carolina do Sul. Este é outro testemunho de que Joseph Smith foi um profeta do Deus Altíssimo; não apenas predisse a vinda de uma grande guerra civil numa época em que nem mesmo os estadistas sonhavam com tal coisa, mas indicou o próprio lugar onde haveria de começar.

Não tenho tempo agora para mencionar quaisquer outras. Desejo, porém, dizer mais particularmente aos estranhos presentes que Deus nos informou, imediatamente após a organização desta Igreja, que este evangelho deveria ser pregado primeiro às nações dos gentios, e que então o Senhor chamaria seus servos e lhes daria uma missão especial aos remanescentes espalhados da casa de Israel, que estão entre as nações gentias. Não tendes ouvido de nós tentando converter os judeus. Por quê? Porque Deus decretou e determinou que primeiro cumprirá os tempos dos gentios, de acordo com a profecia antiga. Quando esse tempo chegar, o Senhor terá preparado alguns da nação judaica para receber o evangelho, e então se ajuntarão à sua própria terra, e reedificarão sua cidade sobre o antigo local. Sem dúvida vos recordareis daquelas palavras do Salvador referentes à nação judaica, que se encontram no capítulo 21 de São Lucas — "Porque haverá grande aflição na terra, e ira sobre este povo. E eles cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios até que os tempos dos gentios se completem." Como, e de que maneira, o Senhor cumprirá os tempos dos gentios? Deve primeiro haver uma mensagem revelada, uma mensagem do evangelho, enviada a eles. A pregação desta mensagem é referida no capítulo 14 do Apocalipse, pelo apóstolo João, que em visão viu o anjo no ato de trazê-la à terra. E somos informados de que deveria ser pregada a todas as nações, que se pode dizer serem compostas dos dois povos conhecidos como gentios e judeus. Mas o Senhor disse que "os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos." Jesus veio às ovelhas perdidas da casa de Israel, mas eles o rejeitaram, e os apóstolos foram movidos a dizer: "Eis que nos voltamos para os gentios;" e assim o fizeram, tendo os judeus se mostrado indignos da vida eterna, "e o reino de Deus vos será tirado," diz o Salvador, "e será dado a uma nação que dê os seus frutos." Os gentios, a quem o evangelho seria dado, o receberam, e os dons e as graças da Igreja, que antes eram desfrutados por Israel, agora se manifestavam entre os gentios. Mas eis que se corromperam, depois de terem recebido o reino, e Paulo percebeu o declínio de sua fé, que foi o começo da grande "apostasia," a qual, em sua segunda epístola aos tessalonicenses, disse que deveria vir antes de chegar o dia do Senhor. Também, no capítulo 11 de Romanos, Paulo fala dos gentios que receberam o evangelho como a oliveira brava, tendo sido enxertados na oliveira mansa, e os adverte nestas palavras — "Por incredulidade, eles (Israel), foram quebrados, e tu estás em pé pela fé. Não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também." Isto, com outras advertências proféticas de caráter semelhante, foi desconsiderado.

Remeto-vos a outra antiga profecia, contida no capítulo 4 da segunda epístola a Timóteo — "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, conforme as suas próprias concupiscências amontoarão para si mestres; e desviarão os ouvidos da verdade, e se tornarão às fábulas;" e que, diz ele, no capítulo anterior, "terão aparência de piedade, mas negando a eficácia dela; destes afasta-te." Parece, então, que este povo, de quem Paulo fala, haveria de ter forma de piedade; seriam, em outras palavras, um povo pio, professamente um povo muito religioso, mas possuiriam apenas uma forma, carentes de todo poder; destituídos, portanto, de apóstolos e profetas, milagres, etc. Por quanto tempo o povo permaneceria neste estado? João nos informa que este estado de coisas continuaria por longo tempo; que, em vez da Igreja, outro grande poder haveria de surgir, chamado "Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra," apresentando em sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e imundícias de sua fornicação; que se embriagaria com o sangue dos santos, e com o sangue dos mártires de Jesus. E este poder haveria de prevalecer contra os santos e destruí-los. Por quanto tempo existiria? Até que outro anjo voasse pelo meio do céu, tendo o evangelho eterno para confiar à terra, com poder para novamente administrar suas ordenanças. A quem o anjo há de trazer o evangelho? As Escrituras dizem: os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros. Os gentios foram os últimos a receber o evangelho nos tempos antigos, mas, em sua restauração pelo anjo nos últimos dias, hão de recebê-lo primeiro, e depois os judeus. Mas, antes que os judeus o recebam, devem cumprir-se as seguintes palavras do Salvador — "Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem," quando o evangelho novamente reverterá àquele povo. Que pensais que há de trazer o cumprimento dos tempos dos gentios? Deve ser a promulgação do evangelho, que o anjo traz, que há de ressoar aos ouvidos das nações gentias; todos os que o receberem hão de se ajuntar para fora desta iniquidade espiritual chamada a Grande Babilônia, porque Deus decretou sua queda. A derrocada da Babilônia é mencionada em conexão com a vinda do evangelho pelo anjo, que também declara: "vinda é a hora do seu juízo." Juízo sobre quem? Primeiro, sobre as nações gentias, quando seus tempos se cumprirem. De que maneira? Visitando-as com fomes, e pestes, e terremotos; nação levantando-se contra nação em guerra, etc., até que as nações gentias sejam derrubadas. Ou, para falar na linguagem de João, que declarou que, depois que o anjo trouxer o evangelho, outro anjo há de seguir, clamando em alta voz: "Caiu, caiu Babilônia," porque fez todas as nações beberem do vinho da ira de sua fornicação; caiu como uma grande pedra de moinho, lançada nas profundezas do mar, e não se acha mais lugar para ela.

Quanto tempo há de passar até que os tempos dos gentios se cumpram? Esta é uma pergunta que não posso responder plenamente. Será na geração em que o anjo vier. Quarenta e seis anos já se passaram, desde que o Senhor enviou sua mensagem do evangelho às nações gentias; e por mais de quarenta anos os santos têm se ajuntado para fora do meio da Babilônia, em cumprimento de outra profecia de João — "E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até o céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela." Lembrai-vos, estranhos e todos, que este ajuntamento do povo não haveria de resultar de uma fábula engenhosamente inventada, ou da trama natural do homem; mas seria em consequência de nova revelação — uma voz do céu, ordenando ao povo que saísse daquelas nações onde a Mãe das Prostituições tem seu assento. Pois está escrito na Revelação de João que as grandes águas sobre as quais se assentam os milhões chamados Babilônia são nações, e multidões, e línguas, e povos. "Sai dela, povo meu." Por quê? Para que não sejas participante dos seus pecados. Quão grandes são seus pecados? "Seus pecados chegaram até o céu, e Deus se lembrou de suas iniquidades." Sai da Babilônia, para que não sejas feito participante de suas pragas. Morte e pranto, lamentação e angústia, hão de vir sobre todos os habitantes da terra. Mas bem-aventurados os que saem da Babilônia, pois hão de estar em lugares santos, e não serão abalados, tendo guardado os mandamentos do Altíssimo.

Mas se vós, Santos dos Últimos Dias, que recebestes a mensagem do evangelho eterno, e que, em obediência à voz do céu, saístes da Babilônia, se vos contaminardes, voltando-vos novamente às vaidades, à maldade e às corrupções do povo do meio do qual fostes libertados, então, diz o Senhor, "Eis que o juízo há de começar pela casa de Deus," há de começar convosco, Santos dos Últimos Dias, e então há de estender-se às nações e reinos da terra, com choro, pranto e lamentações entre todos os povos, o que se cumprirá tão literalmente quanto o que foi predito pelo profeta Joseph Smith a respeito do que aconteceria entre o Norte e o Sul.

Estas pragas mencionadas nas revelações de João hão de se cumprir literalmente — "O Senhor Deus amaldiçoará as águas do grande abismo, e elas se tornarão em sangue." "O mar se tornará como o sangue de um morto, e toda coisa vivente no mar será destruída." E virá o tempo em que os sete anjos, tendo as sete últimas trombetas, hão de tocar suas trombetas literalmente, e o som delas será ouvido entre as nações, justamente como preparação para a vinda do Filho do Homem; e todos os juízos preditos por João, que hão de suceder ao som de cada uma das sete trombetas, hão de se cumprir literalmente sobre a terra em seus tempos e estações. E os ímpios roerão suas línguas por causa da paz, e amaldiçoarão a Deus, desejando morrer por causa de sua dor. Estes são os que não se arrependeram quando o evangelho lhes foi pregado, e que se endureceram em suas iniquidades, que transbordavam, para que Deus os visitasse conforme tudo o que fora falado pela boca de seus antigos profetas.

Que será dos Santos dos Últimos Dias? Quando os juízos houverem cessado, que hão de ser visitados primeiro sobre a casa do Senhor, os que restarem hão de se espalhar, crescer e multiplicar-se; e edificarão sobre este continente uma cidade grande e magnífica, chamada Sião, ou a Nova Jerusalém. E edificarão um templo dentro daquela cidade, sobre o qual repousará uma nuvem de dia, e o resplendor de um fogo flamejante de noite; e sobre todas as assembleias do povo de Sião o Senhor criará este glorioso apêndice, e derramará sua benignidade amorosa. Este é o destino de Sião, tal como previsto por Isaías e Davi, e por muitos dos profetas que a respeito dela profetizaram.

Diz alguém: esperarei para ver se Deus fará estas coisas. Mas, porventura, enquanto esperais, podeis ser cortados, e vossa porção designada entre os incrédulos, onde há choro e ranger de dentes. Ai daqueles que esperam para ver se Deus realmente cumprirá as profecias de seus servos, e que não se arrependem de seus pecados! Mas bem-aventurados os que se arrependem tão logo ouvem o som da mensagem, e que se voltam ao Senhor seu Deus de todo o coração, pois hão de ser cheios do Espírito Santo, que testifica do Pai e do Filho, e hão de estar preparados para a dispensação de suas providências, e saudar sua vinda com grande alegria. O povo do mundo antediluviano esperou um dia demais; esperaram até que o dilúvio viesse, quando já era tarde demais, e foram varridos, escapando apenas oito pessoas. O Salvador, falando de sua segunda vinda, disse — "E como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem. Porque assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam. Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se há de manifestar." Levantou o Senhor um profeta e advertiu os antediluvianos por nova revelação? Sim; e fez o mesmo no caso do povo nos dias de Ló. Fará ele o mesmo antes de sua segunda vinda? Fará. Está fazendo isto por meio de seu evangelho, revelado com o propósito de salvar todos os que o recebem, que se ajuntam a um lugar de segurança, como fizeram Noé e os que creram em sua mensagem. Mas virá o dia em que o Senhor não poupará quem quer que permaneça na Babilônia; isso será, porém, quando esta profecia de Isaías se cumprir completamente — "Trarei a tua semente desde o oriente, e te ajuntarei desde o ocidente; direi ao norte: Dá; e ao sul: Não retenhas; trazei os meus filhos de longe, e as minhas filhas, das extremidades da terra," todo aquele que é chamado pelo meu nome. Tudo isto há de acontecer nesta mesma dispensação em que o anjo haveria de trazer o evangelho, que é a dispensação da plenitude dos tempos. O apóstolo Paulo também se refere a este mesmo grande acontecimento, na seguinte linguagem: "Para, na dispensação da plenitude dos tempos, tornar a congregar em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; até mesmo nele." É, então, o propósito de Deus não confinar o ajuntamento apenas aos santos terrenos. "Quê," diz alguém, "seres imortais descendo do céu para viver nesta terra?" Certamente, e assim cumprir numerosas profecias nas Escrituras; uma das quais é: "reinaremos sobre a terra." Quem são estas pessoas? São aquelas que João ouviu cantando no céu a respeito disto. Disseram: "com o teu sangue para Deus nos compraste de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra." Que cântico glorioso! Enquanto nós cantamos sobre ir ao céu, todos os seres celestiais estão cantando sobre voltar à terra para viver e reinar. Por quê? Porque esta é sua herança, foram feitos dignos pelo sangue do cordeiro, e seu Redentor será seu Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, e ao seu domínio não haverá fim. Quando isto acontecer, então se cumprirá o dito de que todas as coisas que estão em Cristo, tanto no céu como na terra, hão de ser ajuntadas. Os ímpios também hão de ser ajuntados, mas em molhos, prontos para serem queimados.

Não vos maravilheis, portanto, Santos dos Últimos Dias, de que fostes exaltados dentre as nações gentias! Não vos maravilheis de que o Senhor tenha dito ao Norte: dá; e ao Sul: não retenhas, trazei meus filhos de longe, e minhas filhas das extremidades da terra! Não vos maravilheis com a parábola do Salvador sobre o ajuntamento de toda espécie de peixes e trazê-los à praia! Em breve, anjos virão entre os Santos dos Últimos Dias que foram ajuntados das nações, e hão de arrancar um aqui, e outro ali, colocando-os em seu devido lugar. A separação dos peixes há de acontecer; os maus hão de ser lançados fora, enquanto os bons hão de ser reservados em vasos para o uso do Mestre.

Que o Senhor, que nos redimiu dentre as nações, derrame sobre nós as ricas bênçãos de seu reino, que ele decretou conceder a seu povo nos últimos dias! E que este povo se estenda à direita e à esquerda; que amplie o lugar de sua habitação, e estenda as cortinas de sua morada, até que se torne uma grande montanha, como predisse o profeta Daniel, e encha toda a terra, até que o reino, e o domínio, e a grandeza do reino, debaixo de todo o céu, sejam dados aos santos do Deus Altíssimo! Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “As Profecias de Joseph Smith e Seu Cumprimento Literal — O Surgimento da Igreja e o Martírio dos Santos no Ajuntamento e a Fuga da Igreja para as Montanhas Rochosas — A Grande Rebelião dos Estados Unidos — O Evangelho a Ser Pregado aos Gentios; Depois aos Judeus — Pragas dos Últimos Dias — Reinado Milenar”, (1876-08-26). Pulpit Vault, 1876-08-pratt-prophecies-of-joseph-smith-and-their-literal-fulfillment. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).