A Reunião dos Santos é a Obra do Senhor O Conhecimento do Evangelho só é Alcançável Pela Revelação O Senhor Ditou ao Profeta Joseph Smith Todas as Coisas Referentes ao Estabelecimento da Igreja de Cristo Sobre a Terra
John Taylor
Fiquei satisfeito e interessado com as palavras do irmão Staines. Ele tem sido muito diligente e incansável em cuidar dos interesses dos Santos que têm emigrado para este lugar por muitos anos. Rogo que Deus continue a abençoá-lo, para que ele ainda possa ser feito instrumento na guarda dos interesses e no alívio dos corações dos Santos de Deus por muitos anos vindouros. Esta reunião faz parte da obra em que nós, Santos, estamos empenhados. Há associadas a este trabalho algumas ideias que são bastante peculiares. Há muitas coisas nas Escrituras muito estranhas e notáveis para os homens que não são inspirados pelo espírito pelo qual esses princípios foram inculcados. ¶
O Senhor, em um lugar, diz por meio de seu Profeta: "Ajuntai-me os meus santos, aqueles que fizeram comigo um convênio com sacrifício." Há outra passagem de natureza semelhante, proferida por outro Profeta: "eu vos tomarei, um de uma cidade, e dois de uma família; e vos levarei a Sião; e vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentarão com conhecimento e entendimento." Há muitas profecias semelhantes nas Escrituras, apontando o dia em que vivemos. Mas os homens passam levianamente por elas, como fazem com muitas outras coisas de grande importância para a família humana. ¶
Mas certamente há um significado nessas expressões. Se esses acontecimentos ainda não se cumpriram, certamente ainda hão de se cumprir. Se Deus disse que tomaria um de uma cidade e dois de uma família e os ajuntaria a Sião e lhes daria pastores para os apascentar, deve haver um tempo em que essas coisas se cumprirão. Entre outras coisas comunicadas a Joseph Smith estava que o povo deveria se reunir, e há um impulso e um sentimento geral desse tipo prevalecendo entre este povo. Eles mal sabem por qual influência são ditados e controlados, mas esse sentimento está entre os Santos em terras estrangeiras assim como aqui. Lá o sentimento é um forte impulso e desejo de vir para cá, enquanto aqui há o desejo de ajudá-los a vir. Portanto, o sentimento é recíproco e faz parte do Evangelho, um pouco daquele fermento a que Jesus se referiu em seus dias, o qual "faz levedar toda a massa". Quanto às ideias que os homens possam ter a respeito disso, é assunto de muito pouca importância para nós. Basta-nos conhecer os princípios que Deus revelou. O mundo não tem meios de saber isso, e os Santos só o sabem pela obediência ao Evangelho. O irmão Staines referiu-se ao tempo em que primeiro se tornou para ele motivo de preocupação saber se os princípios do Evangelho eram verdadeiros ou não. Esse mesmo sentimento tem sido experimentado por muitos dos Santos dos Últimos Dias, e eles resolveram a questão por meio de uma doutrina de Cristo, sobre a qual o mundo parece nunca refletir. Jesus disse: "Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." Há algo tão amplo e abrangente, e ao mesmo tempo tão individualmente pessoal, no princípio aqui envolvido, que, embora esse modo de saber esteja aberto a todos, cada indivíduo deve sentir e reconhecê-lo por si mesmo. Há outra escritura que trata deste ponto: "Quem crê tem o testemunho em si mesmo", e outra diz: "O Espírito de Deus toma das coisas do Pai e no-las mostra". Novamente, outra diz: Temos uma esperança que entra além do véu, aonde Cristo, nosso precursor, entrou. Outra: "sabemos", não pensamos que sabemos, "que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna nos céus". Há algo tão definido para todos os homens que possuem estes princípios do Evangelho, que bem se pode dizer que "a vida e a imortalidade foram trazidas à luz pelo evangelho". ¶
Eu poderia continuar citando as Escrituras, mas este é o Evangelho que Jesus ensinou a seus discípulos, e quando esteve neste continente ensinou as mesmas doutrinas e princípios e deu aos crentes a posse da mesma certeza. Há algo muito satisfatório com relação a esses assuntos. Não é de importância alguma para o Santo fiel o que os homens possam pensar dele; sua religião é para ele um assunto pessoal em que está individualmente interessado. Nenhuma filosofia, nenhuma sabedoria mundana pode transmitir o conhecimento do plano de salvação. Este conhecimento não se pode obter senão pela obediência aos princípios que Deus revelou. Mas, havendo participado da luz e da inteligência comunicadas pelo Todo-Poderoso mediante a obediência ao Evangelho do Filho de Deus, o resultado é o mesmo agora que em tempos passados. Tal homem tem o testemunho plantado em si mesmo, como disse Paulo: "Agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que seremos; mas, quando ele, que é a nossa vida, aparecer, então seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é." Seremos "transformados à sua gloriosa imagem". Esta, pois, é a esperança e a certeza do Evangelho, a recompensa de todo crente verdadeiro, e por isso é algo pessoal. De nada adianta apresentar a homens desse tipo as tolices que compõem as religiões do dia; é trabalho perdido tentar afastar um grupo de homens de princípios como esses, tais como Deus lhes revelou pessoalmente; suas almas foram acesas e inflamadas pela inteligência eterna, e é impossível erradicar essa evidência e certeza de um grupo de homens assim conduzido e dirigido. Deus sabia disso quando começou esta obra. ¶
Os homens têm tido suas variadas comunidades sociais, teorias religiosas e outras; mas não conhecem as molas secretas do coração humano. Não conhecem as operações do espírito do Deus vivo. Não conseguem unir suficientemente uma massa conglomerada de homens, nem o conseguirão onde não puderem amalgamá-los. Nada menos que a inspiração do Todo-Poderoso o fará. Tentaram isso em várias nações com resultados variados, mas nunca o conseguiram e nunca o conseguirão. Assim, voltamos ao ponto de onde partimos, a necessidade de enviar o Evangelho. Jesus disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem"; "mas de modo nenhum seguirão o estranho... porque não conhecem a voz dos estranhos". No princípio desta obra, o Senhor, conhecendo o material necessário, levantou seu servo Joseph Smith, inspirado por seu espírito, poder e autoridade, para proclamar o Evangelho do Filho de Deus, administrar as ordenanças dele, e unir aqueles que estivessem dispostos a fazer convênio com o Senhor por sacrifício, aqueles que deixassem de lado suas tradições e guardassem seus mandamentos. Isso era o que o Senhor desejava; não ajuntar uma multidão promíscua, mas aqueles que recebessem o Evangelho. "Eu os tomarei, um de uma cidade e dois de uma família, e os levarei a Sião", diz o Senhor, "e lhes darei pastores segundo o meu coração, que os apascentarão com conhecimento e entendimento", não com falsa filosofia, mas com conhecimento emanado de Deus; homens que manifestem a vontade de Deus e executem seus desígnios, ensinando ao povo sua lei. ¶
O mundo pensa que pode aprender a lei e a vontade de Deus nas escolas teológicas e outras, e nos seminários; mas nunca aprendeu nem nunca aprenderá a Deus ou seus propósitos dessa maneira. Deus deseja estabelecer seu reino em nossos dias, e o estabelecerá por seu próprio poder, à sua própria maneira. ¶
O Profeta fala de uma pedra que seria cortada do monte sem mãos, a qual rolará adiante e ferirá a grande imagem, tornar-se-á um monte e encherá toda a terra. Isso será feito pelo Deus de Israel, e nenhum poder ou governo, nem todo o poder da terra e do inferno combinados, poderá deter seu progresso. Esta é a obra de Deus, não a de homem. Não é por este homem nem por aquele homem que isto será realizado. É pelo poder de Jeová. Nenhum outro poder pode realizar essas coisas. Ele se serve de homens para realizar certos objetivos que tem em vista, e realizará seus propósitos à sua própria maneira e quando lhe aprouver. Mas às vezes falamos bastante sobre Joseph Smith. Quem foi Joseph Smith? Um jovem sem instrução. Poderia ele fazer alguma coisa para realizar essas coisas? Não, a menos que Deus lho tivesse revelado. Ele pediu sabedoria a Deus e a recebeu. Até aquele momento, ele não sabia mais sobre essas coisas do que vós ou eu. Foi Deus, e somente Deus, quem fez essas coisas. "Ele pode tomar as coisas fracas desta terra, as coisas vis e as coisas que não são, para aniquilar as que são, para que nenhuma carne se glorie em sua presença." Ele tomou Joseph. Por quê? Porque havia chegado o tempo de começar uma obra na qual todo o santo Sacerdócio de Deus que viveu em eras anteriores estava envolvido. Joseph foi o instrumento honrado escolhido para tomar a iniciativa. Quem sabia que aquele tempo havia chegado? Ninguém. O mundo religioso estava tão dividido então como o está hoje. Toda espécie de doutrinas e dogmas opostos eram promulgados. "Quando o Senhor tornar a trazer Sião, os atalaias verão olho a olho." Mas quando os homens são governados por suas próprias noções, o que veem das coisas de Deus? Nada. Quem originou as doutrinas desta obra dos Últimos Dias? Quem organizou esta Igreja? Li que, em tempos passados, Deus colocou na Igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, depois pastores, mestres, evangelistas, para o aperfeiçoamento dos santos, a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo. Quem sabia algo disso? Deus disse a Joseph para organizar um Quórum de Doze Apóstolos, e ele o fez. Disse-lhe como organizar uma Primeira Presidência, e ele o fez. Deus disse-lhe como organizar o Sacerdócio Aarônico e Melquisedeque, e ele o fez. Quem sabia algo disso? Ninguém. Havia por toda parte uma Babel de confusão, sem certeza nem verdadeira inteligência. Lemos que havia Setentas. Quem sabia o que era um Setenta? Joseph foi instruído a organizar Quóruns de Setenta, e ele o fez. Foi instruído a organizar um Quórum de Sumos Sacerdotes. Foi-lhe dito quais eram os seus deveres. Sabia Joseph, ele mesmo, algo disso tudo? Não, até que lhe fosse dito. Foi instruído a ordenar Bispos. Todo tipo de noção existia sobre a posição e os deveres de um Bispo. Lembro-me de conversar com um nobre inglês, creio que era o Conde Roseberry. Disse-lhe eu: "Permita que apresente a vossa senhoria Edward Hunter, nosso bispo presidente. Tendes vossos bispos na Inglaterra, e eles são chamados lordes espirituais; este é o nosso lorde temporal, e cuida do nosso pão e queijo." O que alguém sabia acerca do ofício e dos deveres de Diácono, Mestre, Sacerdote ou Élder? Nada. Quem sabe algo sobre a construção de Templos? Ninguém, nem mesmo os judeus; eles não sabem plenamente para que serviam. Deus o revelou ao seu Sacerdócio. O relacionamento entre marido e mulher — quem sabe algo sobre isso? Ninguém. O sacerdote sectário se levanta com semblante solene e declara um casal marido e mulher até a morte. Digo, de tal loucura, bom Senhor, livrai-me; mas o Senhor me livrou por meio do Evangelho. Deus levantou Joseph, e serviu-se dele para revelar este conhecimento, e temos de ser dirigidos somente por Deus. Ele colocou em sua Igreja, nos dias antigos, apóstolos, profetas, pastores, etc., para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus. Todos aqueles ofícios desapareceram há muitos e muitos anos, mas Deus restaurou as antigas organizações do seu Sacerdócio na terra — apóstolos, sumos sacerdotes, setentas, élderes, sacerdotes, mestres e diáconos. Ele restaurou os bispos e seus conselhos, e os sumos conselhos, para a realização de seus propósitos. Ele primeiro institui o batismo para a remissão dos pecados, depois a imposição das mãos para o dom do Espírito Santo, o ajuntamento do povo, depois a construção dos Templos. Testemunha disso é o nosso Templo aqui, e o de St. George, e muitos outros. Deus deve ditar. Devemos estar dispostos a cumprir suas instruções, unidos como um só corpo, com sentimentos de simpatia bondosa e fraternidade, associados em nossas capacidades familiares, em nossas capacidades de quórum, associados com a Igreja triunfante, com os homens de Deus que viveram em anos passados, sem os quais não podemos ser aperfeiçoados, nem eles sem nós. Se formos diligentes e fiéis nestas coisas, tudo nos irá bem. A vida eterna está ao nosso alcance, e cabe aos apóstolos, sumos sacerdotes, setentas, bispos e a todos os que pertencem à Igreja de Deus levantar-se e cumprir seu dever, desempenhar suas obrigações para com o Altíssimo; e rogo que nosso caminho seja como o do justo, que resplandece cada vez mais até o dia perfeito. ¶