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Como os Propósitos de Deus se Cumprem Semelhança entre o Governo Eclesiástico Antigo e Moderno Entrevista com o Barão Rothschild Objetivo da Construção de Templos A Organização Perfeita da Igreja de Cristo As Obras São Indispensáveis à Salvação

John Taylor

Conferência Geral de Abril de 1876·1876-04-06

Quando nos reunimos em ocasiões como a presente, é absolutamente necessário que nos coloquemos sob a orientação e direção do Todo-Poderoso; isso, de fato, é próprio em todo tempo, pois é no Senhor que vivemos e nos movemos--dEle derivamos nosso ser--e a Ele devemos toda bênção que desfrutamos, de natureza temporal e espiritual, tudo o que pertence tanto a este mundo quanto ao que há de vir. Estamos reunidos nesta ocasião para atender aos deveres e responsabilidades que recaem sobre nós, associados à Igreja e ao reino de Deus sobre a terra; e é muito importante que tenhamos Seu Espírito para nos dirigir tanto ao falarmos quanto ao ouvirmos, e nos vários propósitos, planos e cálculos que possam ser iniciados para a edificação do reino de Deus sobre a terra, pois realmente somos, ou deveríamos ser, cooperadores do Todo-Poderoso na realização de Seus propósitos na terra. E, embora sejamos muito fracos, e incapazes de fazer qualquer coisa por nós mesmos, ainda assim, com a assistência e orientação do Todo-Poderoso, seremos capacitados, mediante diligência e fidelidade no desempenho das várias responsabilidades que recaem sobre nós, a preencher a medida de nossos dias sobre a terra com honra diante de Deus, diante dos santos anjos e diante de todos os homens bons, e a ao menos dar uma mão para edificar o reino de Deus sobre a terra, do qual tão frequentemente falamos, e a introduzir os princípios que emanam do Altíssimo. A esse respeito, contudo, nada podemos fazer por nós mesmos, nem nenhum homem que jamais viveu sobre a terra pôde fazer algo por si só. Há um grande poder soberano, supremo, que molda, administra, controla e determina os assuntos da família humana. Ele levanta um e derruba outro; regula e controla os assuntos das nações à Sua vontade, e, no que diz respeito aos propósitos que Ele designou, pertinentes à terra em que vivemos, dos quais nos deu alguma leve ideia, Ele terá de ser, afinal, o principal cooperador, a mão condutora, o poder que guia, dirige e controla. Ele nos chamou para sermos Seus assistentes na obra que Ele começou nestes últimos dias, e chamou vários obreiros para Sua vinha, aos quais prometeu sustentar, guiar e dirigir, e por isso, embora seja um privilégio indizível para nós sermos cooperadores do Todo-Poderoso, é somente por meio do espírito, poder e inteligência que Ele comunica, que seremos capazes de fazer algo aceitável aos olhos de Deus, e, como disse antes, nenhum homem vivo, sem esta assistência, é capaz de fazer algo aceitável aos olhos de Deus. Quando olhamos para as obras de Deus nas várias eras que passaram, e nas várias dispensações que foram introduzidas no mundo, vemos isso manifestamente apontado. De fato, quando refletimos sobre a obra em que estamos empenhados, a quem devemos isso? A algum de nós? Penso que não. A Joseph Smith? Penso que não. Ele foi usado como instrumento nas mãos do Todo-Poderoso para transmitir certos princípios que Deus lhe revelou; isso foi tudo, e quando ele veio, não eram suas próprias palavras que ele falava, era a revelação da vontade de Deus a ele, e é isso que possuímos por meio dele, como instrumento. Assim é com o Presidente Young e seu conselho, e assim é com os Doze, assim é com todos os Bispos, Sumos Concílios, Sumos Sacerdotes, e todas as várias autoridades da Igreja e reino de Deus sobre a terra. Não há nada inerente a nós, pois nada sabemos senão o que Deus revelou, nada sabemos senão o que foi comunicado. Nem sequer compreendíamos os primeiros princípios da doutrina de Cristo; e jamais encontrei ninguém, em lugar algum por onde viajei sobre a face da terra, que soubesse algo sobre essas coisas. Devemos, portanto, ao Senhor, todo o conhecimento que temos da verdadeira doutrina da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e de todas as suas ramificações. Devemos a Ele o conhecimento do Sacerdócio, seja esse Sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque, que é segundo a ordem do Filho de Deus, seja o Sacerdócio menor, ou Aarônico. Nenhum de nós sabia nada sobre isso, e ninguém jamais soube, até que Deus o comunicasse. E o mesmo se aplica em toda parte. Voltai à história do mundo, relatada na Bíblia e no Livro de Mórmon, e vereis que todo grande movimento já feito entre os homens que teve Deus a apoiá-lo não se originou dos homens, mas que o próprio Deus foi seu autor. Até mesmo Jesus, quando veio, disse: "Não vim para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou"; e: "As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras." Portanto, olhando as coisas sob esse ponto de vista, nós, acima de todos os povos que habitam a face da terra, deveríamos reconhecer a mão de Deus em todas as coisas; e, de fato, temos uma revelação diretamente sobre esse ponto, que diz: "que com nenhum outro se ira o Senhor, senão com os que não confessam Sua mão em todas as coisas."

Estamos aqui por um certo propósito; o mundo foi organizado por um certo propósito; o mundo foi destruído por um certo propósito, e juízos o alcançaram por um certo propósito; o evangelho foi introduzido por um certo propósito, nas diferentes eras do tempo, e entre os diferentes povos aos quais foi revelado e comunicado, e nós, hoje, estamos sujeitos à regra geral. O Senhor nos tem conduzido como outrora conduziu Israel, e como conduziu os nefitas da terra de Jerusalém, e as dez tribos, e outros povos, que foram para diferentes lugares. Ele nos tem conduzido, e a primeira coisa que Ele fez conosco, ou com o mundo em que vivemos, ou com quem estamos associados, foi enviar Seu evangelho, tendo-o primeiro revelado a Joseph Smith, e ele, autorizado pelo Todo-Poderoso, e tendo recebido sua designação por meio do santo Sacerdócio que existe nos céus, e com essa designação, a autoridade para conferi-la a outros, conferiu-a a outros, e estes, por sua vez, a outros, e por isso o evangelho nos foi enviado nas várias nações em que residíamos. E quando esses homens saíram a proclamar este evangelho, foram, como disse Jesus, não fazer a "sua vontade, mas a vontade do Pai que os enviou," e cooperar com o santo Sacerdócio aqui sobre a terra na introdução de princípios corretos. Por isso saíram entre as nações, e milhares, e dezenas de milhares, e milhões ouviram seus testemunhos; mas, como foi nos dias antigos, assim tem sido nos últimos dias. Diz Jesus: "Estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que o encontrem; enquanto larga é a porta, e amplo o caminho que leva à destruição, e muitos há que entram por ela." Isso tem sido o caso em todas as eras e entre todos os povos, onde quer e sempre que o evangelho lhes tenha sido pregado.

Ora, pois, o Senhor tem desejado, nesta era, como em outras eras, ajuntar para Si um povo que fizesse Sua vontade, guardasse Seus mandamentos, ouvisse Seu conselho e cumprisse Suas ordens. A quem poderia Ele enviar? Aos sábios e letrados, ao filósofo e ao estadista, ao príncipe e ao potentado? Em verdade, não. O Senhor, nesta era como em ocasiões anteriores, envia por meio de quem Lhe apraz enviar; escolhe Seus próprios mensageiros, e os envia entre o povo. E quando os Élderes de Israel saíram, Ele lhes disse, numa certa revelação: "Ide, e meus anjos irão adiante de vós, e meu Espírito vos acompanhará." E saíram, e Deus foi fiel à Sua palavra, e muitos de vós, naquele tempo, em nações distantes, ouvistes as palavras de vida, e, ao ouvi-las, as conhecestes e compreendestes, exatamente como Jesus disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz e me conhecem, e me seguem, mas de modo nenhum seguirão o estranho, porque não conhecem a voz dos estranhos." Ouvistes a voz da verdade, acompanhada pelo Espírito de Deus, e isso fez vibrar uma corda em vosso próprio peito, e rendestes obediência e viestes para cá, como hoje vos encontramos.

Ora, então, estamos reunidos para ajudar em quê? Em cuidar de nosso próprio interesse individual? Não. Em acumular riqueza? Não. Em possuir e nos revolvermos nas boas coisas desta vida? Não; mas em fazer a vontade de Deus, e devotarmo-nos, a nossos talentos e capacidades, nossa inteligência e influência, de toda maneira possível, a levar a cabo os desígnios de Jeová, e a ajudar a estabelecer a paz e a retidão sobre a terra. Isto, como o entendo, é para o que estamos aqui, e não para atendermos a nossos próprios assuntos individuais e deixar que Deus e Seu reino façam como bem lhes aprouver. Todos nós estamos interessados na grande obra de Deus dos últimos dias, e todos deveríamos ser cooperadores nela. É próprio, às vezes, refletirmos um pouco sobre algumas dessas coisas, e descobrirmos qual é nossa verdadeira condição e posição perante o Senhor, e uns perante os outros, perante os anjos, e perante o mundo com o qual estamos misturados, e com o qual temos mais ou menos a ver. Queremos, às vezes, parar e refletir um pouco sobre algumas dessas coisas. Por que Deus foi tão cuidadoso em preservar as placas nas quais este registro foi encontrado, e das quais foi traduzido? Por que Ele foi tão desejoso de que os antigos Profetas, que viveram neste continente gerações atrás, guardassem e preservassem sagradamente esses registros sagrados? Ele nos disse para que era, e os Profetas nos disseram para que era, e Jesus, quando esteve aqui, nos disse para que era--para que estas coisas viessem à luz nos últimos dias, para benefício de Seu povo, e para benefício de todos os que crerem e obedecerem à palavra de Deus entre os gentios. Para quê? Para que pudéssemos ter um testemunho corroborante de um povo neste continente, que tinha seus Profetas, o qual concordasse com o testemunho que tínhamos do continente da Ásia; e para que, por meio dessa verdade que haveria de ser revelada, se formasse um núcleo por meio do qual Deus pudesse comunicar Sua vontade, e realizar aqueles propósitos que Ele designou realizar desde antes da fundação do mundo. Desde o início da organização deste mundo, Deus designou a realização da própria coisa em que estamos empenhados aqui hoje. Vivemos naquilo que as Escrituras chamam a dispensação da plenitude dos tempos, na qual o Senhor disse que congregaria todas as coisas em uma só, quer sejam coisas na terra, quer sejam coisas nos céus; nesta dispensação Ele designou congregar Suas ovelhas que estavam sobre a face da terra, tanto quanto fez nos dias de Jesus. Como foi então? Disse Jesus: "Pai, rogo por aqueles que me deste; teus eram, e tu mos deste. Rogo por eles para que sejam um, assim como eu, Pai, estou em ti, e tu em mim, para que o mundo saiba que tu me enviaste." Ele fez a mesma coisa neste dia. Ele congregou Suas ovelhas, organizou Seu santo Sacerdócio em sua plenitude, talvez tão perfeitamente quanto jamais foi organizado sobre a face da terra. Não sei, plenamente, qual era a situação das coisas nos dias de Enoque; podem ter acontecido muitas coisas neste continente que não nos foram reveladas, pois não temos todos os seus registros, apenas parte deles foi traduzida; algumas das coisas contidas nas placas era ilícito registrar naquele tempo. Mas houve tempos em que os homens tiveram comunhão com Deus; houve tempos em que Deus Se revelou a Seus servos, os Profetas; houve tempos em que os homens vinham dizer "Assim diz o Senhor" ao povo; houve tempos em que o povo dizia: "Tudo o que o Senhor nos ordenou observar, isso observaremos e faremos"; houve tempos em que o povo dizia: "O Senhor é nosso rei, o Senhor é nosso juiz; o Senhor é nosso legislador, e Ele reinará sobre nós." Deus está buscando ter um povo assim nos dias atuais, e isto, por meio do Sacerdócio sobre a terra, para que sejamos associados ao Sacerdócio nos céus, e eles a seu Deus.

Não há povo agora, nem jamais houve povo, que pudesse realizar algo sem isso, e, como disse antes, sem a orientação e direção do Todo-Poderoso. Há bastantes coisas associadas a esses assuntos, e algumas delas são muito claras e simples; de fato, foi dito por certo indivíduo que são tão claras que "um caminhante, ainda que tolo, não errará nelas"; e foi dito em dias antigos: "Deus não escolheu os sábios e os grandes da terra, mas as coisas fracas e tolas deste mundo, para reduzir a nada as coisas que são." Então, Ele restaurou o santo Sacerdócio, e isso, como o entendo, é a regra e o governo de Deus, seja na terra, seja nos céus, o princípio pelo qual todas as coisas são governadas nos céus, e pelo qual, quando os reinos deste mundo se tornarem os reinos de nosso Deus e de Seu Cristo, todas as coisas serão governadas aqui na terra.

Estas, então, como as entendo, são coisas de muitíssima importância para os Santos dos Últimos Dias, pois é a eles que me dirijo esta tarde. Temos, em nossa Igreja, uma organização como a que tinham em tempos antigos. Somos informados de que, nos dias de Jesus no continente asiático, "Deus colocou em Sua Igreja, primeiramente Apóstolos, em segundo lugar Profetas, depois Pastores, Mestres, Evangelistas," etc.; e, além disso, somos informados de que estes foram colocados na Igreja "para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que já não sejamos meninos, agitados de um lado para outro por todo vento de doutrina, mas para que cresçamos naquele que é nossa cabeça viva em todas as coisas," para que sejamos verdadeiramente semelhantes a Ele, um com Ele, assim como Ele é um com o Pai.

Este é o tipo de princípios que tinham então, e este é o tipo de organização. Que temos nós? Algo muito semelhante. Temos Apóstolos e uma Primeira Presidência. Que são os membros da Primeira Presidência? Apóstolos. Temos uma organização dos Doze, como tinham então. Temos também Setentas, em tudo o qual temos até mais do que eles tinham, embora não saiba o que tinham neste continente, o que não foi manifestado; saberemos essas coisas em breve, à medida que os propósitos de Deus se desenrolarem, e Suas revelações nos forem dadas a conhecer a respeito desses assuntos. Temos nossos Bispos, temos nossos Sumos Concílios, temos nossos Setentas, temos nossos Élderes, Sacerdotes, Mestres e Diáconos, tudo isso, ou o padrão para tudo isso, foi dado pelo Todo-Poderoso, pela revelação de Sua vontade a Joseph Smith; e, se temos algum conhecimento que difere do resto da humanidade quanto a esses assuntos, é por meio das revelações de Deus, e dizemos que a Deus seja a glória, e não a nós. Saíram em tempos antigos e pregaram o evangelho sem bolsa nem alforje. Fizemos o mesmo. Posso ver ao meu redor dezenas e centenas de homens que estiveram no exterior, entre as nações da terra, a pregar o evangelho sem bolsa nem alforje, confiando no Deus vivo, portando o mesmo Sacerdócio e autoridade; de posse das mesmas verdades, acesos, encorajados e sustentados pelo mesmo Espírito, a mesma luz, e a mesma inteligência que eles tinham.

Estas são algumas das características distintivas da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Então nos ajuntamos. Pois bem, os Profetas o viram anos e anos atrás, e profetizaram sobre isso, mas coube a nós fazê-lo. Diz o Profeta: "Tomarei um de uma cidade e dois de uma família, e os levarei a Sião." Que fareis deles? "Dar-lhes-ei pastores segundo o meu coração, que os apascentarão com conhecimento e inteligência." Introduzirei entre eles o Sacerdócio do Filho de Deus; dar-lhes-ei a luz, a revelação e o poder de Deus para estarem com eles, e Eu Me colocarei ao lado deles e os sustentarei. Ele nos revelou, como fez a outros, a natureza da relação que subsiste entre os homens e suas esposas; mostrou-nos que existem associações e ligações eternas, e mostrou-nos como realizar esses objetivos, e assegurar a nós mesmos, a nossas esposas e a nossos filhos, na medida em que observarem as revelações de Deus e cumprirem Seus propósitos. Estes são alguns dos princípios que Ele nos deu a conhecer, e Ele nos deu mandamentos relativos a essas coisas, e no tocante à construção de Templos a Seu nome e à administração neles, de modo a Lhe sermos aceitáveis. Ele nos apontou certos princípios pertinentes aos convênios eternos conosco, com nossos pais e com nossos filhos, e nos mostrou como desempenhar os vários deveres que nos recaem, de acordo com o conselho de Sua vontade, que Ele revelou por meio do santo Sacerdócio que aqui tem sobre a terra. Estas são coisas com as quais a maioria de nós está familiarizada, e por isso não me proponho a citar as Escrituras a respeito delas particularmente, mas apenas as coloco brevemente diante de vossa mente, para que refletais sobre elas.

Antes de virmos para esta Igreja e reino, tínhamos certas ideias confusas a respeito de um estado futuro; mas o que sabíamos a respeito disso? Muito pouco, muito pouco mesmo. Esperávamos chegar ao céu quando morrêssemos; esperávamos que, se fôssemos bons, honestos, retos e virtuosos, Deus nos aceitasse, o que era muito bom, até onde ia. Mas que conhecimento tínhamos do futuro? Nenhum. Que conhecimento tem o mundo hoje a respeito dessas coisas? Nenhum. Que conhecimento tem ele de nós e de nossas comunicações com Deus? Nenhum. O mundo jamais viu o reino de Deus, jamais poderá vê-lo, está fora de seu alcance. Disse Jesus em Seus dias: "A menos que um homem nasça de novo, não pode ver o reino de Deus," muito menos herdá-lo. Eles não podem evitar isso; nós não podíamos evitá-lo quando estávamos em sua condição; gerações passadas não podiam evitá-lo. Que poderiam fazer a respeito disso? Nada. Que poderiam fazer quaisquer dos grandes reformadores, como são chamados, a respeito dessas coisas? Simplesmente nada. Algum deles jamais introduziu o evangelho como Jesus o ensinou? Nenhum deles; com toda sua virtude, zelo e filantropia, com todos os seus desejos de fazer o bem, não puderam realizar essas coisas. Eram todos homens ímpios? De modo nenhum. Havia muitos homens bons entre eles, e assim há hoje; mas esses homens bons não podem ver o reino de Deus, a menos que seja pelo Espírito de Deus, e nos é dito definitivamente que "ninguém sabe as coisas de Deus senão pelo Espírito de Deus." E como o recebem? Fomos ensinados que é crendo no Senhor Jesus Cristo, arrependendo-nos de nossos pecados, sendo batizados por aqueles que possuem a autoridade, em nome de Jesus Cristo, para a remissão de nossos pecados, e recebendo a imposição de mãos pela mesma autoridade para o recebimento do Espírito Santo. Então é que o Espírito toma das coisas de Deus e no-las mostra; então é que somos trazidos à comunhão com nosso Pai celestial; então é que temos uma esperança que penetra além do véu, aonde Cristo, nosso precursor, entrou; então é que temos uma unção do Santo, como tiveram em tempos antigos, que nos ensinará os princípios de luz, vida e inteligência, pertinentes à nossa existência presente e futura; então é que as trevas com que o mundo está obscurecido são removidas, e a luz do céu tem permissão de permear nossa mente, e lhe imparte luz e inteligência; então é que somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, diz o escritor sagrado; "mas quando aquele que é nossa vida se manifestar, então nos manifestaremos com Ele em glória"; é por meio deste princípio, e desta vida, luz e inteligência, e isso mediante obediência aos mandamentos de Deus.

Olhando ainda mais adiante, encontramos que há outras coisas à nossa frente. Uma coisa é a construção de Templos, e isto é um item muito importante, e deveria pesar com força sobre a mente de todos os bons Santos. Lembro-me, há algum tempo, de ter tido uma conversa com o Barão Rothschild, um judeu. Eu lhe mostrava o Templo aqui, e disse ele: "Élder Taylor, o que significa este Templo para o senhor? Qual é seu objetivo? Por que o estão construindo?" Disse eu: "Vossos pais tiveram entre eles Profetas, que lhes revelaram a mente e a vontade de Deus; temos entre nós Profetas que nos revelam a mente e a vontade de Deus, como a eles. Um de vossos Profetas disse: 'De repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, mas quem suportará o dia da sua vinda? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros.'" "Agora," disse eu, "senhor, poderia o senhor apontar-me um lugar sobre a face da terra onde Deus tenha um Templo?" Disse ele: "Não conheço nenhum." "Lembra-se das palavras de vosso Profeta que citei?" Disse ele: "Sim, sei que o Profeta disse isso, mas não conheço nenhum Templo em lugar algum. O senhor considera que este é aquele Templo?" "Não, senhor, não é." "Pois bem, para que serve este Templo?" Disse eu: "O Senhor nos ordenou construir este Templo para que possamos nele administrar batismos por nossos mortos (o que lhe expliquei), e também realizar algumas das sagradas alianças e convênios matrimoniais em que cremos, os quais são rejeitados pelo mundo em geral, mas que estão entre os princípios mais puros, mais exaltadores e mais enobrecedores que Deus já revelou ao homem." "Pois bem, então este não é o nosso Templo?" "Não, mas," disse eu, "o senhor construirá um Templo, pois o Senhor nos mostrou, entre outras coisas, que vós, judeus, tendes um papel considerável a desempenhar nos últimos dias, e que tudo o que foi falado por vossos antigos profetas se cumprirá, que sereis ajuntados à antiga Jerusalém, e que ali construireis um Templo; e quando construirdes aquele Templo, e chegar o tempo, 'o Senhor a quem buscais virá de repente ao seu templo.' Credes no Messias?" "Sim." "Lembra-se de ter lido em vossos antigos profetas algo assim: 'Olharão para aquele a quem transpassaram, e prantearão, e ficarão em amargura por ele, como quem está em amargura pelo primogênito. E dirá alguém: Que feridas são essas em tuas mãos e em teu lado? E ele dirá: Estas com que fui ferido na casa dos meus amigos?'" "Ah! Isso está em nossa Bíblia?" "Sim, senhor, isso está em vossa Bíblia." Falei-lhe então a respeito de os nefitas terem saído de Jerusalém e disse-lhe que o Livro de Mórmon os representa como descendentes de seu povo, e que Jesus veio entre eles, e que eles, por causa de sua iniquidade e afastamento da palavra e lei de Deus, foram feridos com negrume. Disse ele: "O quê, como Caim foi?" "Sim, senhor, como Caim foi." Disse eu: "Este povo, os lamanitas, de acordo com este registro,"--do qual lhe dei um exemplar em francês, sendo ele francês; "este povo está começando a sentir-se atraído por essas coisas, e estão vindo às centenas e aos milhares, exigindo o batismo de nossas mãos, exatamente como está registrado naquele livro que fariam, e isso é dado ali como um sinal de que a obra de Deus havia começado entre todas as nações." Disse ele: "Que evidência o senhor tem disso?" Esta conversa ocorreu na Townsend House, e quando o Barão me pediu evidência, disse eu: "Senhor, se me der licença por alguns minutos, dar-lhe-ei alguma evidência"; e fui à banca de livros de Savage, na Townsend House, e obtive uma cópia fotográfica de David Cannon batizando índios, de pé no meio de uma grande multidão deles. Disse eu: "Aqui está a evidência." "Pois bem, que faremos?" Disse eu: "O senhor não pode fazer nada, a menos que Deus o dirija. Vós, como povo, estais atados de mãos e pés, e assim tendes estado por gerações, e não podeis mover-vos um palmo, a menos que Deus vos solte os grilhões. Quando Ele der a palavra, as coisas faladas pelos Profetas se cumprirão; então o cordel de medir sairá novamente em Jerusalém, então virá vosso Messias, e todas essas coisas faladas pelos Profetas se cumprirão."

Mencionei estes assuntos ao Barão Rothschild meramente para exibir algumas ideias pertinentes à obra em que estamos empenhados; e, falando do Templo: "Pois bem, este não é o Templo?" "Não, não aquele que ides construir; este é nosso, e esperamos ainda construir centenas deles, e administrar neles, levando adiante a obra de Deus." Falo disso para que reflitais um pouco, vós, Santos dos Últimos Dias. Organizou Deus uma Primeira Presidência? Sim. Dotou-a com o Espírito e o poder de Deus? Sim. Organizou Ele os Doze? Sim. Têm eles o espírito de seu ofício? Sim, em parte. Ele organizou os Setentas; têm eles o espírito de seu ofício? Em parte. Ele organizou um quórum de Sumos Sacerdotes; têm eles o espírito de seu ofício? Em parte, e muitas dessas coisas são apenas em parte. Ele organizou um quórum de Élderes, e muitos Élderes foram ordenados; têm eles o espírito de seu ofício? Em parte. Estão eles o magnificando? Somente em parte. Ora, temos realmente e verdadeiramente uma nação de Reis e Sacerdotes, ordenados, separados e autorizados a levar adiante os propósitos de Deus aqui sobre a terra, a operar com o Sacerdócio por trás do véu na realização dessas coisas. Que estamos fazendo? Um pouco, mas muitos de nós, receio, não muito. Muitos estão fazendo o melhor que sabem, e desejam, com toda a sua alma e espírito, com seu intelecto e seus bens e tudo o que têm, dedicar-se, e a tudo o que têm, a Deus e à Sua causa e reino, e à edificação de Templos, e à realização de tudo o que Deus exige de suas mãos. Depois há alguns que se sentem como o menino disse a respeito de seu pai. Um gentio passou e falou a um menino aqui na rua, e disse: "Menino, és mórmon?" "Não sei," disse o menino. "Teu pai é mórmon?" "Ah, sim," disse o menino, "mas ele não se preocupa muito com isso." Há bastante gente que se sente muito assim--não se preocupam muito com isso. Quando sua mente é iluminada pelo Espírito de Deus, sentem-se inclinados a dedicar-se, e a tudo o que têm, a Deus, mas, aos poucos, começam a enfraquecer e a hesitar, e a tremer, e se afastam.

Há algum tempo, muitos de nós renovamos nossos convênios e fomos batizados em nome de Jesus para a remissão de nossos pecados, e então fizemos convênio diante de Deus, dos santos anjos, e uns dos outros, de que nos consagraríamos, e a tudo o que tínhamos, a Deus, de que seguiríamos Seu conselho e o conselho de Seu santo Sacerdócio em todas as coisas, temporais e espirituais. Ora, falemos um pouco claramente sobre algumas dessas coisas. Não é assim? Não fizestes essas coisas? Fizestes. Pois bem, que significa isso, ou que significa o batismo, ou que significam quaisquer dessas coisas--as ordenanças, o Sacerdócio, o ajuntamento, os Templos, as investiduras, e a luz, a inteligência e os privilégios que recebemos das mãos de Deus? Que significam eles? São uma realidade sagrada que emanou de Deus? São coisas nas quais está envolvida nossa felicidade presente, futura e eterna, ou são um mero fantasma? Parece que são muito pouco mais para muitos, embora, talvez, os apreciem segundo o melhor de seu entendimento, luz e inteligência; ainda assim dizem que desejam guardar os mandamentos de Deus. Permiti-me repetir aqui uma passagem das Escrituras. "Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no meu reino, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." Creio que essa é a Escritura, se não me engano muito; creio que a encontrareis escrita ali, e creio que essa Escritura é tão verdadeira hoje quanto era há mil e oitocentos anos, tão obrigatória, e encontraremos seus resultados igualmente verdadeiros, e quando os segredos de todos os corações forem revelados, quando o juízo se assentar e os livros forem abertos, essas coisas serão conhecidas e compreendidas. Como será então com os Santos dos Últimos Dias? Ora, aqueles que estão fazendo o certo, e estão cheios de integridade, e guardaram seus convênios, observaram a lei de Deus, e andaram em obediência a Seus mandamentos, ouvirão Jesus dizer: "Foste fiel sobre o pouco, e sobre muito te constituirei." E depois há outros mencionados. Quem são eles, e o que são? "Ora, muitos me dirão naquele dia: Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Não expulsamos demônios em teu nome, e em teu nome fizemos muitas obras maravilhosas? E então lhes direi: Apartai-vos de mim, pois nunca vos conheci."

Como isso se aplica a alguns de nós, pensais? Isso se aplica um pouco mais de perto a alguns de nós do que imaginamos; pois não creio que os gentios façam muito no profetizar em nome de Deus; não creio que expulsem muitos demônios em nome de Deus, ou façam obras maravilhosas em Seu nome. Jesus falava a um povo que havia feito essas coisas, talvez como alguns de vós, e, no entanto, vos tornastes descuidados e indiferentes, e em muitos casos naufragastes numa boa consciência, e falhastes em guardar os convênios que fizestes.

Estas são coisas para nós refletirmos, e é bom que todos reflitamos sobre a posição que ocupamos. Como está conosco? Estamos todos empenhados na mesma obra? Não precisamente. Paulo deu uma descrição muito bela da igreja de Deus em seus dias. Disse ele: "O corpo não é um só membro, mas muitos; e o olho não pode dizer ao ouvido: Não tenho necessidade de ti; nem a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós." Estavam todos empenhados na mesma obra. Não era uma obra que recaísse apenas sobre os Apóstolos, ou Profetas, ou Evangelistas, ou alguns dos homens principais e proeminentes da Igreja; era a obra de Deus, na qual todos estavam empenhados. O corpo não é um só membro, mas muitos, e, se um dos membros sofre, todos sofrem com ele; se um membro se alegra, todos são honrados com ele. O corpo não é todo cabeça; seria um tipo curioso de corpo sem braços, estômago, pernas, pés, etc.; não seria corpo algum, não poderia existir ou agir. Cortai qualquer membro do corpo, digamos, um braço, e o corpo fica mutilado; arrancai um olho, e o corpo fica mutilado. Arrancai ambos os olhos, e não podereis ver. Podeis ter um corpo tão perfeito quanto quiserdes e tirar as pernas e os pés, e então? Nada podeis fazer, não podeis andar, tendes de ser carregados por alguma outra pessoa e levados de um lado a outro, um ser indefeso e inanimado, sem movimento, poder e atividade. Assim é com o corpo, e, se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele. A cabeça pode ser muito perfeita, mas, se o braço está atrofiado, ou qualquer parte do corpo ferida, os poderes do corpo ficam prejudicados, e ele não pode responder plenamente aos fins de sua organização. Por isso, na organização da Igreja de Cristo, cada membro deveria agir em seu próprio lugar--a Presidência no seu, os Doze no seu, os Bispos no seu, os Setentas no seu, os Sumos Sacerdotes no seu, e os Élderes, Sacerdotes, Mestres e Diáconos que vivem sua religião no seu. Um Mestre que guarda os mandamentos de Deus e cumpre seus deveres é mais honrado do que o Apóstolo que não o faz. Feri qualquer parte do corpo, por exemplo, cortai o dedo, e o corpo inteiro o sente imediatamente. Tocai a cabeça, e cada parte do corpo o percebe. E assim é com cada partícula do corpo--é um sistema perfeito; e assim é a Igreja de Deus, e cada um dos órgãos, membros em particular, e assim o corpo organizado caminha pelo caminho que Deus traça, e busca realizar todas as coisas que Ele determina que façamos. Por isso há uma mútua simpatia, afeto e consideração, e uma fraternidade e comunhão entre os Santos de Deus que vivem sua religião, por toda a organização do Sacerdócio, da cabeça aos pés.

E então estamos unidos ao Sacerdócio nos mundos eternos, e o Sacerdócio que temos é da mesma natureza daquele que eles têm. Eles administram no tempo e por toda a eternidade; nós estamos administrando agora no tempo, e em breve estaremos todos na eternidade. Os Doze que estão ao meu redor, e a Primeira Presidência, e outros estarão, dentro em pouco, além do véu, noutro estado de existência. E então? Ora, então iremos prestar contas de nossa mordomia, e será bom para todos nós se pudermos dizer, com Paulo: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé; desde agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua vinda."

Que Deus nos ajude a sermos fiéis, a viver nossa religião, e a guardar Seus mandamentos, para que possamos, dentro em pouco, obter uma herança incorruptível, incontaminável, e que não murcha, guardada nos céus para nós, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Como os Propósitos de Deus se Cumprem Semelhança entre o Governo Eclesiástico Antigo e Moderno Entrevista com o Barão Rothschild Objetivo da Construção de Templos A Organização Perfeita da Igreja de Cristo As Obras São Indispensáveis à Salvação”, Conferência Geral de Abril de 1876 (1876-04-06). Pulpit Vault, 1876-04-taylor-how-gods-purposes-are-fulfilledsimilarity-of. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).