A Restauração do Evangelho é Provável e Bíblica — Enviado Primeiro aos Gentios, Depois a Israel — Esta é uma Dispensação de Ajuntamento, ou a Plenitude dos Tempos — O Destino de Todas as Nações
Orson Pratt
Lerei algumas passagens da Escritura na primeira parte do capítulo 40 de Isaías. [O orador leu os versículos 1, 2, 3, 4, 9, 10 e 11.] ¶
A porção particular destas palavras que li, para a qual desejo chamar a atenção da congregação nesta tarde, é a que se refere à preparação para a vinda do Senhor — refiro-me à segunda vinda, quando a glória do Senhor será revelada e toda a carne a verá junta. Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo veio ao mundo há cerca de dezoito séculos, de maneira muito humilde, mansa e modesta. Veio ensinar ao povo os princípios do evangelho, e abrir o caminho pelo qual a salvação pudesse ser realizada em favor da família humana, oferecendo uma expiação diante do Senhor, seu Pai Celestial, pelos pecados do mundo. Quando veio dessa maneira humilde, considerou importante enviar um mensageiro adiante de sua face para fazer preparações para aquele evento, para que o povo não ficasse de todo despreparado, nem fosse surpreendido a respeito da obra que ele estava então prestes a realizar em nossa terra. Por isso foi levantado um grande profeta, geralmente conhecido pelo nome de João Batista, que saiu adiante do Salvador, clamando ao povo que se arrependesse, testificando que o reino dos céus estava próximo, batizando-os para a remissão dos pecados, informando-lhes que havia alguém entre eles que era maior do que ele. Embora fosse um grande profeta, ele não se considerava sequer digno de desatar as correias de suas sandálias, e, embora estivesse comissionado a batizar o crente humilde e penitente para a remissão dos seus pecados, aquele que estava entre eles os batizaria com fogo e com o Espírito Santo. Esse mesmo Jesus, depois que o caminho foi preparado, saiu pregando na terra da Palestina e nas regiões ao redor, testificando das coisas referentes ao evangelho, escolhendo homens, enviando-os adiante de si, sem bolsa nem alforje, para declarar as boas novas do evangelho ao povo. ¶
Depois de algum tempo, depois de ter sido perseguido e expulso de um lado para outro, e amotinado, escarnecido e lançado fora em muitos lugares, foi por fim tomado pelo povo religioso daquele dia, os que eram considerados mais piedosos — os sumos sacerdotes, fariseus, saduceus e muitos outros —, e foi levado perante eles em juízo, e foi condenado a morrer sobre uma cruz; e, depois de terem executado a sentença e o terem posto à morte, Jesus ressuscitou ao terceiro dia, e apareceu, não abertamente ao mundo, mas a algumas testemunhas escolhidas; e, pouco antes de ser levado ao céu, disse a onze desses homens: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." E, enquanto lhes dava sua comissão, suas instruções e os abençoava, foi levado ao céu, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o de seus olhos. E dois anjos permaneceram junto a eles naquela ocasião, e disseram: "Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir." Isto é, ele foi recebido numa nuvem, levado numa nuvem, e, quando vier pela segunda vez, virá numa nuvem, pessoalmente, com seu corpo ressuscitado, do mesmo modo que subiu na nuvem. Este foi o testemunho desses dois anjos que estavam ali naquela ocasião. É deste segundo advento, e das preparações para ele, que desejo falar nesta tarde. ¶
Jesus virá numa nuvem, ou, como é expresso aqui no capítulo 40 de Isaías: "a glória do Senhor se manifestará, e toda a carne juntamente verá que a boca do Senhor o disse." Também é expresso nas revelações de São João que, quando ele vier numa nuvem, todo olho o verá, e também aqueles que o transpassaram. Parece, então, que o segundo advento do Filho de Deus há de ser algo inteiramente de natureza diferente de tudo o que até agora ocorreu sobre a face da terra, acompanhado de grande poder e glória, algo que não se dará numa pequena porção da terra como a Palestina, e visto apenas por poucos; mas será um evento que será visto por todos — toda a carne verá a glória do Senhor; quando ele se revelar pela segunda vez, todo olho, não somente os que então viverem na carne, na mortalidade sobre a terra, mas também os próprios mortos, aqueles mesmos que o transpassaram, os que viveram há dezoito séculos, que se ocuparam do ato cruel de transpassar suas mãos, seus pés e seu lado, também o verão naquele tempo. Ora, um evento de tão grande caráter como o de que falo há de, necessariamente, ter uma preparação. Se o Senhor preparou o caminho para a primeira vinda, quando veio aparentemente como homem, como os outros homens; se considerou importante, naquela ocasião, enviar um dos maiores profetas que já viveram entre os homens, por que não enviaria também profetas, ou homens inspirados, adiante de sua segunda vinda, para advertir os habitantes da terra e prepará-los para acontecimento tão grande? Sei quais são as tradições do mundo religioso a respeito deste assunto — consideram que o dia dos profetas já passou, e que não hão de surgir mais profetas, apóstolos, reveladores, ou homens inspirados entre os filhos dos homens. Mas é muito evidente, por uma vasta quantidade de Escritura que se poderia citar, que haverá muitos profetas nos últimos dias; de fato, virá o tempo em que o espírito será derramado sobre toda a carne viva — todos os que não tiverem sido destruídos da terra, toda a carne; e os efeitos desse espírito, quando derramado, serão os de fazer profetas do povo. Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, e vossos anciãos sonharão sonhos pelo poder desse espírito, e vossos jovens verão visões, tudo pelas operações do espírito que será derramado sobre toda a carne. Esta é uma predição que há de se cumprir. ¶
Antes, porém, do tempo em que o espírito for derramado sobre toda a carne, um anjo será enviado do céu, e esse anjo trará o evangelho eterno para ser pregado. Quando falo do evangelho eterno, refiro-me ao mesmo que foi pregado há dezoito séculos; e será dada autoridade a alguns dos filhos dos homens para pregar esse evangelho eterno entre as nações; e, quando isso acontecer, não tenho dúvida de que muitos profetas serão levantados, porque a verdadeira Igreja cristã sempre se caracterizou por ter profetas. Nunca houve uma genuína Igreja cristã sem que tivesse profetas e profetisas; de fato, nos tempos antigos, os profetas eram tão numerosos em um dos ramos da Igreja cristã que Paulo teve de pô-los em ordem, e lhes enviou uma epístola dizendo-lhes que não se levantassem todos a profetizar ao mesmo tempo, mas que, se algo fosse revelado a alguém, ele não deveria levantar-se e declará-lo enquanto outro estivesse falando, mas devia esperar até que o primeiro terminasse de falar, e então profetizasse; pois, disse Paulo, "os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas." Isto é, quando o espírito vinha sobre os profetas nos tempos antigos, não exercia sobre eles um poder sobrenatural que os forçasse a levantar-se de seus assentos para declarar suas profecias no momento em que lhes eram reveladas; mas o espírito que lhes era dado estava sujeito a eles, de modo que podiam permanecer em seus assentos até que os primeiros profetas terminassem de profetizar. Essa era a ordem da Igreja cristã sempre que Deus teve uma sobre a terra — os profetas eram muito numerosos naquela igreja. ¶
Mas, com o tempo, chegou a época em que a Igreja cristã apostatou e se desviou, e começou a seguir sua própria sabedoria, e os profetas e apóstolos cessaram, no que respeitava aos assuntos da Igreja cristã sobre a terra. As revelações, as visões e os diversos dons do espírito também foram tirados, conforme sua incredulidade e apostasia; mas, nos últimos dias, Deus tenciona novamente levantar uma Igreja cristã sobre a terra. Não vos assusteis, vós que pensais que Deus não terá mais uma Igreja sobre a terra, pois ele prometeu que teria novamente uma, e que estabeleceria seu reino; e, quando o fizer, podeis esperar muitos profetas e homens inspirados; e, se algum dia virdes surgir uma igreja que se autodenomine Igreja cristã, e ela não tiver apóstolos inspirados como os dos tempos antigos, podeis saber que é uma igreja espúria, que faz pretensão de algo que não possui. Se algum dia encontrardes uma igreja chamada Igreja cristã que não tenha homens para predizer acontecimentos futuros, podeis saber, de imediato, que não é uma Igreja cristã. Se encontrardes uma Igreja cristã que não tenha os dons antigos — por exemplo, o dom de curar, de abrir os olhos dos cegos, de desimpedir os ouvidos dos surdos, de fazer com que a língua do mudo fale e o coxo ande — se algum dia encontrardes um povo que se autodenomine Igreja cristã e não tenha esses dons entre si, podeis saber, com pleno conhecimento, que não estão de acordo com o padrão dado no Novo Testamento. A Igreja cristã sempre se caracteriza por ter homens inspirados, cujas revelações são tão sagradas quanto quaisquer contidas na Bíblia; e, se escritas e publicadas, tão obrigatórias para a família humana. A Igreja cristã sempre imporá as mãos sobre os enfermos em nome de Jesus, para que os enfermos sejam curados. A Igreja cristã sempre terá, entre seus membros, os que têm visões celestiais, o ministério de anjos e os diversos dons prometidos conforme o evangelho. ¶
Mas, como não houve Igreja cristã sobre a terra por muitos séculos passados, até o presente século, o povo perdeu de vista o padrão que Deus deu segundo o qual a Igreja cristã deveria ser estabelecida, e denominaram Igrejas cristãs a uma grande variedade de povos, porque professam sê-lo. Dizem: "Construímos capelas ao nome do Senhor; chamamos nossas igrejas de Igrejas cristãs, são chamadas Igreja de Cristo, Igreja de São João, Igreja de São Paulo, Igreja de São Pedro," e assim por diante, segundo outros dos antigos apóstolos; e quem nunca tivesse estudado o padrão que Deus deu da Igreja cristã quase que realmente acreditaria que são Igrejas cristãs. ¶
Mas tem havido uma longa apostasia, durante a qual as nações têm sido amaldiçoadas com igrejas apóstatas em grande abundância, e elas são representadas nas revelações de São João como uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate, tendo na mão um cálice de ouro cheio de imundícias e abominações, cheio do vinho da ira de sua fornicação; que em sua fronte havia um nome escrito — "Mistério, a Grande Babilônia, a mãe das prostituições." Este tipo de igreja tem existido em grande abundância, pois, como diz João, o Revelador, ela haveria de ter seu domínio sobre muitas águas, e faria todas as nações se embriagarem com o vinho da ira de sua fornicação. ¶
Ora, não disputamos que tais igrejas tenham existido e existam no presente, e que as nações da terra tenham sido amaldiçoadas com suas imundícias e abominações, e com o orgulho e a maldade que praticaram diante do Senhor dos Exércitos. Não duvido de que algumas poucas pessoas de coração honesto tenham sido enganadas por elas, por serem tão numerosas e tão populares na terra. Mas lhes falta toda a característica da antiga Igreja cristã, tendo numerosas formas de piedade, mas negando o poder dela. Isto é, negam reveladores e profetas, negam o poder de predizer acontecimentos futuros; negam que qualquer pessoa, nestes dias, tenha o poder de ter visões ou revelações do céu, como os membros da Igreja cristã tiveram antigamente. ¶
Visto que houve tão longa apostasia, e a terra ficou sem igreja alguma de Deus sobre ela, poderíamos naturalmente supor que, antes do segundo advento do Filho de Deus, haveria, como preparação para sua segunda vinda, uma Igreja cristã novamente organizada; e agora vos remeto a algumas profecias sobre este assunto na Bíblia. Voltemo-nos primeiro ao capítulo 14 da Revelação de São João, onde encontramos uma profecia sobre a segunda vinda do Filho de Deus. O versículo 14 diz: "E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante ao Filho do Homem, que tinha sobre a sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão, uma foice afiada," etc. Não temos tempo de ler todos os acontecimentos ligados a esta personagem que estava assentada sobre a nuvem, vindo em grande glória; mas voltemos alguns versículos e vejamos se há alguma preparação a ser feita antes de ele vir nesta nuvem. No versículo 6, ele diz: "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo." "E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu, caiu Babilônia, aquela grande cidade, porque a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua fornicação." ¶
Aqui, então, percebemos a natureza da obra preparatória para a vinda do Filho do Homem assentado sobre uma nuvem. O evangelho há de ser pregado a todas as nações, e esse evangelho, quando restaurado à terra, deve ser restaurado por um anjo do céu. Ora, o evangelho que foi introduzido na dispensação anterior a esta revelação recebida por João não foi restaurado por um anjo do céu; o próprio Jesus veio e pregou o evangelho, assim como João Batista, e seus apóstolos o pregaram, e naquele dia foram mandados a pregá-lo entre todos os povos, nações e línguas; e cumpriram sua missão, segundo o testemunho de Paulo, pois ele, falando da extensão a que o evangelho havia chegado antes de seu martírio, diz que o evangelho foi pregado "a toda criatura que há debaixo do céu," "do qual eu, Paulo, fui feito ministro." Parece, então, que naquele dia e época do mundo ele foi enviado de modo bastante pleno. E então veio a grande apostasia; e, depois que essa apostasia durasse por muitos e longos séculos, então um anjo viria. Pouco antes de a personagem aparecer na nuvem branca, o anjo viria e traria o evangelho, e o evangelho seria pregado aos que habitam sobre a terra, a todo povo, tribo, língua e nação. Que prova isto, indiretamente? Prova que não havia nação, nem povo, nem tribo, nem língua, sobre toda a face da terra, que tivesse o evangelho eterno quando o anjo viesse; porque, se houvesse algum povo, por mais obscuro que fosse, por mais distante que estivesse do que se chamam nações civilizadas, se houvesse algum povo sobre a terra que tivesse o evangelho, teria uma Igreja cristã, com apóstolos e profetas e todos os dons do espírito nela. Mas, visto que toda nação, tribo, língua e povo de toda a terra estava completamente destituído do evangelho e da igreja tal como organizada nos tempos antigos, foi necessário restaurá-lo de novo do céu, e está predito que isto seria feito por um anjo. ¶
Já ocorreu tal acontecimento? Esta é uma pergunta muito importante. A quem iremos fazer a indagação a respeito da vinda do anjo? Talvez alguém diga que seria melhor fazer a indagação a algum povo cristão, pois seria o mais provável a dar uma resposta. Muito bem, vamos então à mais antiga Igreja cristã, assim chamada — os católicos romanos —, e perguntemos-lhes. Vamos aos seus cardeais e arcebispos, ou mesmo ao chefe supremo de toda aquela igreja, que se assenta no que se chama a cadeira de São Pedro, e perguntemos-lhe, ou a qualquer outro de seus grandes homens: "Senhor, credes que um anjo veio do céu com o evangelho eterno para pregar a todas as nações, tribos, línguas e povos, desde o dia em que João proferiu essa profecia?" Qual será a resposta? Será: "Não, não cremos em coisa alguma semelhante; afirmamos que somos pregadores do evangelho eterno; e sustentamos a sucessão regular da autoridade que foi confiada no primeiro século da era cristã, e que o evangelho tem sido pregado desde aquele dia até este, e que a Igreja cristã tem existido entre todas as nações, e não tem havido necessidade de um anjo vir do céu com ele." "Muito bem, não credes que anjo algum veio com o evangelho eterno?" "Oh, não, isso é contrário à nossa fé e crença." ¶
Vamos à próxima mais antiga Igreja cristã, que se apartou dos católicos romanos, chamada a Igreja Grega. Percorramos toda a grande nação da Rússia, e façamos a eles a mesma pergunta, e responderão, como a velha mãe, que nenhum anjo foi enviado: "Não recebemos o evangelho que pregamos por meio de um anjo do céu." Muito bem, deixaremos vós, então, e desceremos às Igrejas cristãs modernas, que saíram da Igreja Católica há dois ou três séculos, e lhes façamos a pergunta; vamos a Lutero e a Calvino, e a todos os diversos reformadores que se separaram da Igreja de Roma no século 16, e perguntemos a cada um por sua vez, e cada um terá a mesma resposta. "Martinho Lutero, recebeste o evangelho que pregas de um anjo enviado do céu?" "Oh, não," diz ele, "recebemos nossa ordenação da igreja da qual nos dissentimos; outrora pertencíamos à Igreja Católica Romana, mas descobrimos que eram muito perversos e abomináveis, e que eram aqueles de quem João falou, que haveriam de ter escrito na fronte 'Mistério, Babilônia,' que estiveram bebendo do vinho da ira de sua fornicação, e saímos daquela igreja." "Bem, Sr. Lutero, recebestes alguma ordenação naquela igreja?" "Sim, recebemos uma ordenação." "E essa é vossa autoridade, não é? Nenhum anjo vos foi enviado do céu para restaurar a autoridade e o evangelho?" "Não, recebemos nossa autoridade da igreja-mãe." "Bem, pensais que a igreja-mãe é muito perversa?" "Sim, o povo mais perverso e corrupto sobre a face da terra." "Então recebestes vossa autoridade do povo mais corrupto sobre a face da terra, foi isso? De que serve isso? E, a propósito, se eles têm autoridade para conferir-vos o sacerdócio, e isso vos dá o direito de batizar e administrar as ordenanças, não têm eles também autoridade para vos excomungar? Fostes excomungados da comunhão deles?" "Oh, sim, exerceram sua autoridade cortando-me de sua igreja e lançando-me fora." "Muito bem, então tiraram toda a autoridade que pretendiam vos dar, não foi assim?" "Sim, tiraram-na, mas ainda assim a reivindicamos por meio deles, e essa é a única maneira pela qual conseguimos a cadeia de autoridade de volta aos apóstolos." ¶
Alguns dos protestantes, contudo, não argumentam desse modo; dizem que recebem sua autoridade da Bíblia, independentemente de qualquer igreja. Bem, permiti-me dizer a alguns que reivindicam sua autoridade desse modo: "Que parte da Bíblia te chamou pelo nome, William? Foste ordenado, não foste, para pregar o evangelho e batizar? Quem te ordenou? Quem te deu essa autoridade? Quem te comissionou?" Diz William: "Bem, na verdade não recebi a autoridade dos católicos romanos, nem de nenhuma igreja posterior aos católicos romanos, mas a recebi da Bíblia." "Que parte da Bíblia?" "Ora, aquele dito de Jesus a seus onze apóstolos. Pouco antes de ser levado numa nuvem, Jesus lhes disse: 'Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.'" "Bem, como sabes, William, que isso te dizia respeito? Se te dizia respeito, não dizia respeito também a teu vizinho, e a toda pessoa do sexo masculino que viveu na terra desde os dias dos apóstolos? Como sabes que se referia a ti? Deus algum dia te deu uma nova revelação?" "Oh, não menciones isso, não cremos em revelação nova alguma, nem em homens inspirados em nossos dias." "Muito bem, então não pensas que Deus enviou algum anjo para restaurar o evangelho e a autoridade para pregá-lo aos filhos dos homens?" "Oh, não, ninguém, senão uma pobre seita iludida, chamada mórmons, lá nas montanhas da América, crê em coisa semelhante; professam que Deus enviou um anjo do céu para restaurar o evangelho e a autoridade do sacerdócio, mas não cremos que Deus envie anjos em nossos dias." ¶
Este é aproximadamente o modo como sereis respondidos por todas as diversas igrejas que existiram durante muitas centenas de anos passados, a respeito de sua autoridade; não têm mais autoridade do que um sacerdote pagão. Por quê? Porque negaram todos os poderes e princípios fundamentais da antiga Igreja cristã. ¶
Diz alguém: "Bem, se não têm autoridade, então todos os nossos batismos são ilegais." Certamente que são; ser batizado por um homem que não tem autoridade, por mais sincero que eu seja, de nada me aproveitaria; tanto valeria eu mesmo me batizar. "Bem," diz alguém, "vós, mórmons, credes, então, que Deus de fato enviou um anjo, e novamente confiou aos homens o evangelho eterno, e a autoridade para pregá-lo e administrar suas ordenanças?" "Sim, e não apenas o cremos, mas muitos de nós sabemos, com perfeitíssimo conhecimento, que ele o fez, tendo recebido nosso conhecimento do próprio Deus." "Então o Senhor, pensais, cumpriu aquela passagem do capítulo 14 do Apocalipse, e de fato enviou um anjo para restaurar o evangelho à terra?" "Sim." "Há quanto tempo?" Passaram-se cerca de quarenta e seis anos desde que o anjo veio e confiou um registro do evangelho, não meramente dado de maneira verbal, mas fez com que fosse traduzido um registro que continha o evangelho eterno em toda a sua plenitude. Os antigos israelitas, que outrora habitaram este país, conheciam o evangelho. Jesus não confinou seu trabalho inteiramente à Palestina; mas, após sua crucificação e ressurreição, veio à América, e apareceu entre seu povo, e lhes ensinou o evangelho eterno, o mesmo que antes ensinara ao povo da Palestina, e lhes ordenou que escrevessem este evangelho em placas de metal; assim o fizeram, e estabeleceram uma Igreja cristã segundo o padrão que Deus lhes deu, e seus escritos foram trazidos à luz. Como? Pela administração de um anjo do céu, um anjo enviado para revelar este registro que contém a plenitude do evangelho eterno. ¶
Pergunta alguém: "Esse anjo deu alguma autoridade a Joseph Smith, e a outros a quem se revelou, para batizar?" De modo algum. Ele revelou o registro, e Joseph foi mandado traduzi-lo com o auxílio do Urim e Tumim que estava com ele, e lhe foi dito que seria enviado a todas as nações, tribos, línguas e povos. Mas não deu a Joseph Smith autoridade para pregar aquele evangelho, nem lhe deu autoridade para batizar, ou impor as mãos para o dom do Espírito Santo, e é provável que a personagem que detinha as chaves para revelar o evangelho eterno não tivesse ela mesma essa autoridade — nem todos os anjos têm essa autoridade. Pedro, Tiago e João tinham a autoridade, e, depois de traduzido o livro, foram enviados. Para quê? Não para revelar o evangelho, pois este fora revelado por outro anjo anteriormente; mas foram enviados para impor as mãos sobre indivíduos, e ordená-los ao apostolado. Ninguém pode dizer que Pedro, Tiago e João não detinham o apostolado, e que pessoas não pudessem ser ordenadas por suas mãos. Ordenaram-nos ao apostolado, e ordenaram, em nome do Senhor, que pregassem o evangelho e ordenassem outros ao mesmo poder e autoridade que fora conferido e restaurado do céu. Foram mandados a pregar o evangelho a todas as nações e tribos da terra. Foi assim que o Senhor restaurou o evangelho eterno. ¶
Que temos feito desde que a autoridade foi restaurada? Passaram-se agora quarenta e seis anos, e o que se tem feito nesse tempo para o cumprimento da predição proferida por João, o Revelador? Muito se tem feito. Em meio à mais severa perseguição, os servos de Deus têm saído e pregado o evangelho a muitíssimas nações. Foram mandados ir primeiro trabalhar com as nações gentias, sem bolsa nem alforje. "Ide e pregai o evangelho como meus antigos apóstolos o fizeram, sem bolsa nem alforje; e ide primeiro aos gentios. Adverti-os plenamente, e ensinai-lhes a respeito do meu evangelho." Assim o fizeram, e por quarenta e seis anos continuaram suas missões entre as nações gentias. ¶
O Senhor também lhes disse que, quando a plenitude dos gentios tivesse chegado, quando seus tempos se cumprissem, então seus servos seriam enviados a todos os remanescentes espalhados da casa de Israel, que seriam enxertados novamente; mas primeiro deveria vir a plenitude dos gentios. Sabeis aquela Escritura que diz: "os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros." Ora, o evangelho, quando pregado nos tempos antigos, foi pregado primeiro aos judeus, à casa de Israel, aos de origem israelita, e, quando se julgaram indignos da vida eterna, e rejeitaram aquele evangelho, "Eis que," diz Paulo, "nos voltamos para os gentios." Os gentios, então, o ouviram por último; foram os últimos a abraçar o evangelho do reino, e os judeus os primeiros, isto é, tantos quantos cressem e se arrependessem. Mas, nos últimos dias, quando o anjo traz o evangelho, isso se inverte, e é pregado primeiro aos gentios, para trazer sua plenitude, e cumprir seus tempos, e então será enviado à casa de Israel. ¶
No capítulo 21 de Lucas, nosso Salvador, falando dos males que haveriam de sobrevir à nação judaica, diz: "E eles cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios até que os tempos dos gentios se completem." Isto se cumpriu literalmente sobre a nação judaica, e ela foi dispersa, segundo esta predição, entre todas as nações. Muitos deles foram destruídos ao fio da espada. Jerusalém foi tomada cerca de setenta anos depois do nascimento de Cristo, e tem estado em poder dos gentios desde aquele dia até este. Jesus lhes disse que assim aconteceria, que Jerusalém estaria em poder dos gentios, e seria por eles pisada até certo período — até que seus tempos se cumprissem. ¶
O grande objetivo do anjo ao restaurar o evangelho foi, em primeiro lugar, cumprir os tempos dos gentios. Pergunta alguém: "Que quereis dizer com isso?" Quero dizer que Deus enviará este evangelho, restaurado por um anjo, a toda nação, tribo, povo e língua no mundo gentio, antes de permitir que seus servos vão aos remanescentes espalhados de Israel; e trabalharão com as nações gentias, pregar-lhes-ão e declarar-lhes-ão a obra de Deus, e procurarão trazê-las ao conhecimento do evangelho antigo, e organizar entre elas uma igreja, na medida em que quiserem ouvir e receber seu testemunho. Então, quando as nações gentias rejeitarem este evangelho, e se julgarem indignas da vida eterna, como os judeus fizeram antes delas, o Senhor dirá: "Basta, afastai-vos delas, meus servos, dar-vos-ei uma nova comissão, ireis aos remanescentes espalhados da casa de Israel. Eu os ajuntarei desde os quatro cantos da terra, e os trarei novamente a suas próprias terras. Edificarão Jerusalém sobre seu próprio monte de ruínas; erigirão um templo no lugar designado na Palestina, e serão novamente enxertados." Ora, essa é, em resumo, a natureza desta grande obra preparatória dos últimos dias para a vinda do Filho do Homem. ¶
Ora, permiti-me citar outra passagem que corresponde a uma que já citei. Paulo, no capítulo 11 de sua epístola aos Romanos, fala da proclamação do evangelho primeiro aos judeus, e, por causa de sua incredulidade, Paulo diz que foram quebrados como ramos da oliveira mansa; "e," diz o apóstolo, dirigindo-se em sua epístola a uma igreja gentia, "vós fostes enxertados em lugar deles;" em outras palavras, o reino foi transferido de Israel para vós, gentios, e foi confiado em vossas mãos, e começais a produzir os frutos daquele reino, os dons do reino se manifestam entre vós, assim como se manifestavam entre Israel nos dias de sua retidão. "Mas," disse Paulo, "Dirás, pois: os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Bem! Por incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé; não te ensoberbeças, mas teme;" porque, se Deus não poupou os ramos naturais, se não poupou sequer a oliveira mansa — os ramos naturais — a ti também não te poupará. Portanto, considera a bondade e a severidade de Deus: sobre a casa de Israel, que caiu por incredulidade, severidade; mas para contigo, ou, em outras palavras, para convosco, os gentios, a bondade de Deus se estende, se permanecerdes na sua bondade. Foi sob essa condição — se vós, gentios, permanecerdes em sua bondade; do contrário, diz Paulo, vós também sereis cortados fora, do mesmo modo que Israel foi. Vós também sereis cortados fora, e eles também serão novamente enxertados, pois Deus é poderoso para os enxertar de novo. Pois, se Deus não poupou os ramos naturais, cuida para que também a ti não poupe, etc. Então lhes conta um mistério. Queria que aqueles gentios entendessem certo mistério, e era que o endurecimento em parte havia acontecido a Israel, até que a plenitude dos gentios entrasse, e assim todo o Israel será salvo. Como está escrito: "Virá de Sião o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades." "E este será o meu convênio para com eles," diz o Senhor, "quando eu tirar os seus pecados." ¶
Parece, então, que Paulo entendeu, pelo espírito de profecia, que, se os gentios apostatassem, se não permanecessem no lugar em que foram enxertados, se não permanecessem na bondade de Deus, se se ensoberbecessem, também eles seriam cortados fora, exatamente como o foram por muitas e longas gerações passadas — cortados de todas as antigas bênçãos do evangelho eterno, por causa da apostasia de seus antigos pais. ¶
Mas o Senhor tenciona fazer uma mudança, e essa mudança é enviar este evangelho do céu para ser pregado às nações dos gentios, para lhes dar mais uma oportunidade, se a quiserem, de trazer sua plenitude; e, quando esse tempo chegar, e os servos do Senhor encontrarem que o restante deles endurece o coração e rejeita o evangelho da vida e da salvação, então o Senhor enxertará todo o Israel, e serão salvos, sendo novamente restaurados à oliveira mansa, e produzindo seus frutos. Assim se cumprirá o antigo convênio que Deus fez com eles a respeito dos últimos dias. Já lestes aquele convênio que Paulo cita? Um dos antigos profetas, Jeremias, proferiu a profecia, registrada em seu capítulo 31: "Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei um novo convênio com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o convênio que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito. E este é o convênio que farei com eles, diz o Senhor: escreverei a minha lei em seus corações, gravá-la-ei em seus pensamentos, e todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior deles, diz o Senhor." ¶
Ora, todo o Israel e toda a Judá conheceram o Senhor, desde o menor deles até o maior deles? Não tiveram mais necessidade de dizer, cada um a seu vizinho judeu, conhecei ao Senhor? Foi esse o caso antigamente, quando o Senhor lhes ofereceu o convênio do evangelho eterno? Não; em vez de todo o Israel e toda a Judá conhecerem o Senhor, desde o menor até o maior, foram justamente eles os que foram cortados fora e perderam os privilégios daquele convênio. Mas, nos últimos dias, quando a plenitude dos gentios for trazida pela proclamação do evangelho confiado pelo anjo, então é o tempo em que o Senhor renovará este convênio, e o mesmo evangelho que lhes ofereceu há dezoito séculos, e que rejeitaram, lhes será oferecido novamente, e todo o Israel será salvo. Como está escrito: "Virá de Sião o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades." ¶
Parece, então, que o Senhor, ao cumprir esta profecia, terá uma Sião sobre a terra. Pergunta alguém: "Que quereis dizer com Sião?" Quero dizer a Igreja de Deus — é isso que chamo Sião. Deus terá uma Igreja sobre a terra — uma Sião —, e dessa Igreja sairá um libertador em favor de todo o Israel, não somente os judeus — as duas tribos e meia que foram dispersas depois de Cristo —, mas também as dez tribos que foram levadas para fora da Palestina cerca de setecentos anos antes de Cristo. Todo o Israel — as doze tribos inteiras — chegará ao conhecimento da verdade quando Deus enviar esse libertador de Sião, proclamando o evangelho dos últimos dias para sua salvação. ¶
Ligado a este evangelho eterno há outro acontecimento muito maravilhoso, preparatório ao segundo advento. Qual é? Todo cristão sobre a face de toda a terra será ajuntado de todas as nações, e todos serão reunidos em um. Diz alguém: "Nenhuma de nossas denominações protestantes se ajunta; os católicos romanos não se ajuntam; a Igreja Grega não se ajunta, e não conheço nenhuma igreja, exceto vós, mórmons, que se ajunte." Ora, vejamos o que se diz a respeito deste ajuntamento. Já vos disse que o evangelho seria confiado por um anjo; já vos disse que seria a hora do juízo de Deus — um período peculiar de juízo, em que as nações hão de ser visitadas com juízos duros e terríveis. Ora, leiamos mais adiante: "Outro anjo seguiu, dizendo: Caiu, caiu Babilônia, porque a todas as nações deu a beber do vinho da ira de sua fornicação." Quem é Babilônia? Já expliquei que Babilônia é um grande poder que há de estar na terra sob o nome de uma igreja, uma mulher — que geralmente representa uma igreja — cheia de blasfêmia. Tinha a inscrição de seu nome na fronte — "Mistério, Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra." Que será dela? Onde se assenta? Sobre muitas águas, diz João; e, para interpretar isso ao entendimento do povo, as águas são muitos povos, nações, tribos e línguas onde a mulher tem seu assento. Estas igrejas estão espalhadas por toda a face da terra, e a isto se chama Babilônia. Outro anjo há de seguir o que traz o evangelho, depois de suficientemente pregado, e proclamará a queda deste grande e corrupto poder na terra. Ora, perecerão todos os cristãos que ali estiverem, ou serão ajuntados para fora? Ouvi o que diz João: "Ouvi uma grande voz do céu, dizendo: Saí dela, povo meu, para que não sejais participantes dos seus pecados, e para que não recebais das suas pragas; porque os seus pecados têm chegado até o céu, e Deus se lembrou das suas iniquidades." Então há apenas uma maneira de escapar, não é? Não podemos ficar em Babilônia e ser poupados desses juízos, podemos? De modo algum. Por quê? Porque seus pecados chegaram até os próprios céus. Olhai para suas abominações, suas prostituições, seus assassinatos, suas artimanhas sacerdotais, suas falsas doutrinas, suas formas de piedade sem poder algum; olhai para elas, todas as nações as seguem, e consideram popular seguir e abraçar essas doutrinas. "Saí dela, povo meu." Que povo? Deus não tinha povo em Babilônia até que a Igreja fosse organizada, não poderia tê-lo; enviou seus servos para organizar sua Igreja, para que houvesse um povo chamado seu povo. Mas, quando essa Igreja for organizada entre estas nações, tribos, línguas e povos, seus membros não têm permissão para permanecer onde estão. Isto não é invenção de uma companhia erudita de teólogos, dizendo que será bom para nós nos ajuntarmos em um; não é algo inventado pela sabedoria humana; mas o Revelador João diz: "Ouvi uma voz do céu." Quê, uma nova revelação, João? Sim, uma voz do céu. Deus haveria de falar novamente, antes da queda de Babilônia; e esta seria a voz: "Saí dela, ó povo meu." ¶
Quem tem cumprido isto entre todos os que se chamam cristãos? Têm-no feito os católicos romanos? Tem-no feito a Igreja Grega? Têm-no feito os protestantes, em qualquer de suas denominações, ajuntando-se de todas as nações da terra? Não, mas encontrais um povo que o faz. Quem são eles? A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, organizada na terra por autoridade divina. Têm ido proclamando estas coisas entre os habitantes da terra. Em vez de dizer ao povo: "Permanecei onde estais," dizemos-lhes: "Levantai-vos, fazei preparativos, e ajuntai-vos para fora desta corrupção." Esta tem sido a proclamação ao povo da Dinamarca, Noruega, Suécia, Alemanha, Itália, França, Espanha, Portugal, e a todo outro país cujo povo tenha recebido o evangelho, e lhes tem sido ordenado que não permaneçam, mas que obedeçam à palavra do Senhor, e se ajuntem tão logo quanto possível. ¶
Mas para onde hão de se ajuntar? Há algo indicado na profecia sobre onde deveriam se ajuntar? Sim. Daniel viu uma Igreja organizada nos últimos dias, num monte ou lugar alto da terra. Lede o sonho de Nabucodonosor, rei da Babilônia, no capítulo 2 das profecias de Daniel. O rei não conseguia se lembrar de seu sonho ao despertar, e mandou chamar todos os sábios, músicos e astrólogos, e pediu-lhes que lhe dissessem qual fora seu sonho, e depois lhe dessem a interpretação. Mas não puderam fazê-lo. Por fim, um homem de Deus, um homem humilde, de nome Daniel, suplicou ao Senhor, e o Senhor lhe revelou o sonho e sua interpretação. Nabucodonosor, ao que parece, tinha visto uma imagem muito grande diante de si; a cabeça dessa imagem era de ouro, o peito e os braços de prata, o ventre e as coxas de bronze, as pernas de ferro, e os pés parte de ferro e parte de barro de oleiro. Viu-a em toda a sua terrível majestade, composta desses diferentes metais, juntamente com o barro de oleiro. Então, depois que Daniel lhe descreveu o que vira em seu sonho, disse ele: "Estavas vendo até que uma pedra foi cortada do monte" — não de algum país baixo da terra, próximo ao nível do mar — "mas estavas vendo até que uma pedra foi cortada do monte sem ser por mãos, e feriu a imagem nos pés, que eram parte de barro de oleiro e parte de ferro, e os pés foram despedaçados. Então foram juntamente despedaçados o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, e se tornaram como a moinha das eiras de verão, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles." Que aconteceu à pedra? A pedra que feriu a imagem tornou-se uma grande montanha e encheu toda a terra. ¶
Ora, qual foi a interpretação do sonho de Nabucodonosor? Disse ao rei que a cabeça da imagem representava o reino então organizado; que depois dele viria outro reino, o dos medos e persas, representado pelo peito e braços de prata; então um terceiro reino se seguiria, os macedônios; depois um quarto reino, que seria grande e terrível, comparado ao reino de ferro, que todos reconhecem ter sido o grande poder de Roma, que floresceu e teve poder e domínio sobre toda a terra. Daquele reino cresceram outros reinos, representados pelos pés e dedos da imagem; esses reinos não tinham toda a grandeza e força dos reinos anteriores representados pela imagem, mas eram em parte fortes e em parte fracos. ¶
Ora, qual é a localização desta grande imagem, desde os dias de Nabucodonosor até agora? Ide à Ásia e ali encontrareis os descendentes do antigo império babilônico ainda existentes. Vinde um pouco mais para o ocidente, e ainda encontrareis os descendentes dos medos e persas, que outrora floresceram e exerceram domínio sobre a terra. Um pouco mais para o ocidente, encontrareis os descendentes do terceiro império, o macedônio, ainda existente. Vinde mais além, à Europa, e encontrareis os pés e dedos da imagem nos reinos dos últimos dias da terra, que se ramificaram através do grande abismo e se plantaram na América. Estão eles em parte fortes e em parte quebrados? Sim. Alguns deles têm aparentemente alguma força, e têm entre si todas as características do barro misturado com o ferro, pois estão divididos uns contra os outros, e têm de manter seus exércitos permanentes porque têm medo uns dos outros. Mas onde está a pedra dos montes? Onde está aquele reino chamado a pedra? Na interpretação, o profeta diz: "Estavas vendo até que o reino de Deus foi estabelecido, e feriu a imagem nos pés," e assim por diante. Não começa seu ataque lá na Ásia, onde vive a cabeça de ouro ou seus descendentes, nem em nenhuma parte intermediária, mas começa na própria extremidade desta grande imagem, à medida que se estende para o ocidente, e começa pelos pés e dedos; é ali que a pedra é cortada do monte sem mãos, é ali onde o Deus dos céus há de estabelecer um reino, como diz Daniel, que jamais será destruído, nem será entregue nas mãos de outro povo, mas permanecerá para sempre. Não como o reino dos dias antigos que foi estabelecido, antes de o império romano atingir seu apogeu de poder. O reino de Cristo dos dias antigos foi estabelecido nos dias dos apóstolos; foi vencido e destruído da terra. A besta fez guerra contra eles e prevaleceu, e foram banidos da terra, e a mulher sobre a besta de cor escarlate parece ter tido domínio entre todas as nações, tribos, línguas e povos, mais ou menos. Mas, nos últimos dias, o reino de Deus haveria de ser edificado sobre a terra, que jamais seria destruído; não seria como o dos dias antigos, mas permaneceria para sempre, enquanto todos esses outros reinos não somente seriam destruídos, mas, como a moinha das eiras de verão, seriam completamente levados, e nenhum lugar se acharia para eles. ¶
Esse é o destino de todas as nações. Muitos sábios e estadistas têm meditado profundamente sobre o passado, o presente e o futuro das nações, e sem dúvida têm indagado em suas próprias mentes, com grande seriedade: "Qual será o fim destes poderes políticos? Qual será o fim, por exemplo, deste nosso grande governo republicano? Qual será o fim dos governos organizados na Europa?" Estas perguntas, sem dúvida, têm ocorrido a milhares e dezenas de milhares de homens pensativos. A Bíblia responde à pergunta. Nenhum reino, nenhuma forma de governo de invenção humana há de ter permissão para subsistir. Quando Deus tiver cumprido o que está escrito pelo profeta Daniel, haverá um único reino universal, e apenas um, e esse será o reino de Deus, e o próprio Jesus será o grande rei. ¶
Pergunta alguém: "Que quereis dizer com este despedaçamento? Pensais que Daniel quis dizer que sairiam com força física para subjugar todas as nações?" Não, não penso coisa alguma semelhante; mas, quando o Senhor Deus enviar seu santo anjo do céu com o evangelho eterno, e então ordenar seus servos ao apostolado, e enviá-los entre as nações da terra, e eles proclamarem o evangelho do reino entre o povo, se o povo não quiser ouvir, o próprio Senhor os despedaçará. Será a mensagem que ele enviar que os amadurecerá para a destruição. ¶
E a localização de seu reino haveria de ser nos montes, assim diz Daniel. Ora, podeis entender aquele dito em Isaías, que li no início de minhas palavras. Ao descrever a glória do Senhor a ser revelada e toda a carne a vendo junta, como preparação para aquela obra, Isaías diz que havia certo povo que subiria aos montes. "Ah! Sião, anunciadora de boas novas, sobe tu a um monte alto." Isso não significava uma cidade chamada Sião, pois não se pode supor que uma cidade subisse a um monte alto; mas significava um povo, um povo que trazia boas novas. Que boas novas? Que pode haver de mais gloriosas novas para os habitantes da terra do que o evangelho eterno, enviado por um anjo, para dizer ao povo que, se se arrependerem de seus pecados e forem batizados na água para a remissão de seus pecados, receberão o batismo de fogo e do Espírito Santo pela imposição das mãos dos servos de Deus? Que pode haver de mais glorioso, em sua natureza, do que uma proclamação deste tipo às nações da terra? Por isso, quando o povo sair da grande Babilônia e se ajuntar, ajuntar-se-á nos montes para cumprir esta profecia. ¶
Há alguma outra profecia sobre irem aos montes? Sim. Lede o capítulo 18 de Isaías. Isaías, estando de pé na Palestina proferindo sua profecia, olhou para o sudoeste e viu os rios da Etiópia, ou África; e, depois de ter visto esses rios em visão, vê também uma terra que ensombreia com asas, além dos rios da Etiópia. Que tipo de terra era aquela, além dos rios da Etiópia, de onde Isaías estava na Palestina? Ora, é uma terra que tinha a aparência de asas. Sem dúvida já vos impressionastes com a grande semelhança que a América do Norte e a América do Sul têm com as duas grandes asas de uma ave. Enquanto Isaías assim contemplava uma terra além dos rios da Etiópia, ela se parecia tanto com as asas de uma ave que ele diz: "Ai da terra que ensombreia com as suas asas, que está além dos rios da Cuxe." Bem, Isaías, que tens a dizer sobre essa terra? Ora, diz ele, há uma proclamação a ser feita ali. Quão extensa, Isaías? A todos os povos. Ouvi as palavras de Isaías. Diz ele: "Vós, todos os habitantes do mundo, e vós os moradores da terra, quando se levantar a bandeira nos montes, o vereis." Não nos lugares baixos daquela terra que ensombreia com asas, perto da costa do mar, mas nos montes. Qual é a natureza desta bandeira? É característica de um estandarte, muitas vezes mencionado pelos profetas, e chamado pelo nome de estandarte. Isaías fala dele como uma bandeira em várias passagens. Que seria naturalmente um estandarte? O reino de Deus é um estandarte ao qual o povo se reúne e se ajunta. Afeta a todos os povos, Isaías? Sim. "Vós, todos os habitantes do mundo." Que poderia ser mais extenso do que isso? "E vós os moradores da terra, quando se levantar a bandeira nos montes, e quando se tocar a trombeta, o ouvireis." Que mais há de acontecer, Isaías? Diz ele que um juízo severo há de ocorrer naquela terra que ensombreia com asas. Que tipo de juízo, um que há de ser muito severo, Isaías? Sim, pois diz ele: "Porque antes da ceifa, quando já o gomo está perfeito, e as uvas verdes amadurecem depois de brotarem, então podará os sarmentos com a podadeira e, cortando os ramos, os tirará dali. Juntamente serão deixados às aves dos montes e aos animais da terra, e sobre eles passarão o verão as aves de rapina, e todos os animais da terra invernarão sobre eles." Quando será isso, Isaías? Depois desta proclamação, depois que todas as nações do mundo a tiverem ouvido, depois que o povo tiver ouvido o som da mensagem de advertência; então, primeiro entre todas as nações de onde as extremidades da imagem enviaram um de seus governos, ali começará um juízo terrível, tão terrível que o povo daquela terra não terá tempo de sepultar seus mortos, e as aves de rapina passarão o verão sobre eles. Por que tudo isto? Porque não hão de dar ouvidos quando aquele som for a todos os povos; não se arrependerão de seus pecados; não receberão a mensagem que Deus enviou por seu anjo, e por isso ele os visita primeiro, porque são os primeiros a ouvir aquelas boas novas. Não é de admirar, então, que Sião, que traz boas novas, tenha sido ordenada pelo antigo profeta a subir a um monte alto. ¶
Avancemos um pouco mais, e vejamos o que imediatamente se segue a isto. Diz Isaías: "Eis que o Senhor Deus virá com poder." Quê! A vinda do Senhor haveria de ocorrer depois que Sião subisse aos montes? Sim, esse é um dos grandes acontecimentos que hão de transcorrer, quando o povo das nações estiver descuidado e indiferente, quando estiver comendo e bebendo, comprando e vendendo, e suas mentes inteiramente absorvidas pelas diversas ocupações da vida. "Eis que o Senhor Deus virá com poder, e o seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão vem com ele, e a sua recompensa diante da sua face; então a glória do Senhor se manifestará, e toda a carne juntamente a verá." ¶
Mas uma das grandes obras preparatórias, naquela dispensação do ajuntamento de Sião aos montes, será a construção de uma grande estrada, que há de ser aplainada no deserto. Permiti-me perguntar a vós, que já atravessastes estas montanhas, desde Omaha por centenas de milhas para o ocidente, que tipo de país é este? É um país de pomares, vinhedos, e solo aluvial, próprio para lisonjear o agricultor? Diz alguém: "Não, nunca vi uma planície tão árida por centenas e centenas de milhas. De dia, quando tínhamos oportunidade de a observar, tinha um único aspecto por toda parte, e era uma vasta planície de artemísia e deserto." Ora, Isaías disse que, quando seu povo subisse aos montes, uma estrada seria aplainada no deserto. "Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus." Quê! É feita para o Senhor? Sim. Que fará o Senhor com ela? Ele há de ajuntar seu povo de todas as nações por esta estrada através do deserto. Quereis saber mais alguma coisa sobre esta estrada? Lede outro capítulo de Isaías; ele dá mais pormenores do que os que mencionei. ¶
O que li no capítulo 40 de Isaías sobre a estrada no deserto é apenas uma coisa ligada a isso. Em outro capítulo diz ele: "Passai, passai pelas portas; preparai o caminho ao povo; aplainai, aplainai a estrada, limpai-a das pedras; arvorai a bandeira aos povos. Eis que o Senhor fez ouvir até as extremidades da terra: Dizei à filha de Sião: Eis que a tua salvação vem; eis que vem com ele o seu galardão, e a sua obra, diante dele." Aqui está a mesma coisa dita novamente, só que fala de túneis, ou, em outras palavras, portas — "Passai, passai pelas portas." Não tenho dúvida de que Isaías, contemplando as gerações futuras, viu o tempo em que um longo trem de carros seria arremessado através de um continente, sem força ou poder animal aparente. Talvez ele não compreendesse os termos modernos para túnel através de uma rocha, e por isso os chama de portas. "Passai, passai pelas portas; preparai o caminho ao povo; aplainai, aplainai uma estrada; limpai-a das pedras; arvorai a bandeira aos povos." Então vem esta proclamação universal — "Eis que o Senhor fez ouvir desde as extremidades da terra." Ora, desde as extremidades da terra, naturalmente suporíamos que Isaías, de pé na Palestina, proferindo isto, veria uma obra que haveria de acontecer numa terra bem distante. Não pôde encontrar linguagem melhor para descrevê-la do que a expressão "até as extremidades da terra." Não uma obra que aconteceria na Palestina, em sua própria vizinhança, mas: "Eis que o Senhor proclamará desde as extremidades da terra, a todos os povos: Eis que vem a vossa salvação." Isto é, o Senhor estava vindo com mão forte, e esta proclamação vinda do Senhor haveria de ressoar a todos os habitantes da terra, um estandarte seria erguido, e um caminho preparado por esta estrada que seria aplainada. ¶
Há muitos nesta congregação que tomaram parte em aplainar esta estrada. Construímos as porções mais difíceis desta ferrovia, através destas montanhas, cerca de quatrocentas milhas de extensão. Trabalhastes com coração bom e alegre, quando estáveis ocupados em limpar as pedras, e quando fazíeis essas portas de que fala Isaías, através das quais ele viu um longo trem de carros disparar para dentro da montanha, perdendo-os de vista por um tempo, e depois os vendo sair novamente com grande velocidade, da montanha? Como poderia ele descrever isso melhor do que dizendo: "Passai, passai pelas portas"? ¶
Mas que tipo de povo haveria de ser este, que seria ajuntado das extremidades do mundo por esta proclamação? Lede o versículo seguinte: "E chamá-los-ão: Povo santo, remidos do Senhor." Diz alguém: "Bem, vós sois chamados de qualquer outra coisa, menos isso; em vez de serdes chamados povo santo, sois representados, pelos sacerdotes e por todos os demais, como um povo muito injusto." Muito bem, o Senhor, a seu próprio tempo devido, vos há de habilitar a distinguir entre os justos e os ímpios. "Eis que os chamarão povo santo, remidos do Senhor; e eis que serão chamados: Buscada, a cidade não desamparada." Que diferença em relação à velha Jerusalém! Foi ela buscada? Não; Jerusalém foi edificada muito tempo antes de Israel sair do Egito, e ali estava pronta para que a tomassem quando entraram na Terra Santa. Foi Jerusalém alguma vez desamparada? Sim, desamparada por muitas gerações. Mas não assim com Sião, que subiria aos montes; buscariam um lugar, de tal modo que a cidade seria chamada "Buscada;" e, em vez de ser desamparada, como muitos supõem que os "mórmons" hão de ser, o Senhor Deus os protegerá. Segundo as palavras de Daniel, o reino não será destruído, nem será dado a outro povo, e permanecerá para sempre. Todas estas características se estão cumprindo. ¶
Suporíeis que a casa de Jacó, as dez tribos de Israel, pudesse ser ajuntada dos quatro cantos da terra, e trazida de volta à sua própria terra, sem que se levantasse esta bandeira? Não. Lede o capítulo 11 de Isaías. Ali diz ele: "E levantará um estandarte entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro confins da terra." Até que o Senhor Deus envie esta proclamação a todos os habitantes do mundo e moradores da terra, em vão buscaríamos a redenção dos desterrados de Israel e dos dispersos de Judá. Israel, as dez tribos, chamadas os desterrados, jamais voltará, os judeus dispersos jamais serão restaurados, até que tal bandeira seja levantada. Isaías, no capítulo 5, fala dessa bandeira: "Porque levantará o estandarte entre as nações de longe." Por que não erguê-la em Jerusalém, Isaías? Por que não erguê-la na Palestina? Por que não começar a obra na Ásia? Diz Isaías: "Porque levantará o estandarte entre as nações de longe." Quão longe? Bem longe, até as extremidades da terra, de onde Isaías então estava. ¶
Depois de levantada esta bandeira, ele fala de quão rapidamente virá o povo: "e eis que virão apressada e ligeiramente." Foi assim que viestes, Santos dos Últimos Dias? Quando atravessastes o oceano, como viestes? Em navios a vapor; e, quando atravessastes os Estados Unidos até Omaha, como viestes? Em vagões a vapor. E, quando atravessastes estas planícies desérticas de artemísia, como viestes? Com apressada ligeireza pela maior parte do deserto, exatamente como Isaías disse que viríeis, em seu capítulo 5. ¶
Muitos pensaram que, quando viesse a ferrovia, o "mormonismo" seria acabado. Mas tal suposição demonstra sua ignorância. Ora, bendito sejais, este povo, no ano de 1847, quando os pioneiros atravessaram estas planícies sem trilha alguma que os guiasse, já esperavam por esta grande estrada. Sim, recordo-me, quase todos os dias em que podia obter uma observação do sol (pois tínhamos dois sextantes, e horizontes artificiais, e barômetros de montanha, e um círculo de reflexão), tomando as latitudes e longitudes de todos os lugares proeminentes, ao atravessar este grande deserto; e, não satisfeitos com obter a latitude e a longitude, tínhamos nossos barômetros de montanha e termômetros anexados e desanexados, e tomávamos a altitude acima do nível do mar de todos os lugares proeminentes na rota desta grande estrada que haveria de ser aplainada para nós em meio ao deserto. Assim, este povo foi o primeiro a falar desta grande estrada, e jamais a perdemos de vista. Peticionamos ao Congresso por sua construção há vinte e cinco anos; nossa Legislatura, conhecendo a mente do povo, enviou nosso memorial à Legislatura Nacional, e pediu-lhes que aplainassem a estrada através deste país. Nossos memoriais foram, por algum tempo, tratados com silêncio; mas, com o tempo, quando chegar o momento adequado, o Senhor há de despertar o Congresso e os grandes homens e capitalistas da nação para saírem e construírem esta estrada. Não nos regozijamos e agradecemos ao Senhor nosso Deus por cumprir aquilo que esperávamos, e pelo qual orávamos tão diligentemente? Certamente que sim. ¶
Poderíamos continuar nossas observações, pois há muitas coisas ligadas a esta grande obra preparatória que, se o tempo permitisse, teríamos prazer em apresentar ao povo. Citarei mais uma ou duas passagens relativas ao ajuntamento. Paulo viu este ajuntamento, e o chama de uma nova dispensação que haveria de vir depois de seu dia. Diz que, na dispensação da plenitude dos tempos, ajuntaria em um todas as coisas em Cristo, quer sejam coisas no céu, quer sejam coisas na terra. A dispensação da plenitude dos tempos, então, haveria de se caracterizar pelo ajuntamento de todas as pessoas que estivessem em Cristo. Todos os justos mortos que estão no céu, cujos corpos dormem na sepultura, juntamente com todos os cristãos sobre a terra, serão ajuntados em um naquela dispensação. Cumprindo outra profecia, no capítulo 43 de Isaías, onde o Senhor diz: "Direi ao norte: Dá; e ao sul: Não retenhas; trazei os meus filhos de longe, e as minhas filhas, das extremidades da terra," todo aquele que é chamado pelo meu nome. Deixará ele para trás algum cristão? Nenhum. Ide e buscai em Nova York, na Filadélfia, e em todos os estados do leste, e nos estados centrais e do sul, e depois em toda a Europa, por um cristão, depois que esta profecia se cumprir, e não podereis achar nenhum. Por quê? Porque todos estão ajuntados em um. Como? Por nova revelação. O Senhor diz: "Direi ao norte: Dá." O Senhor há de falar, o Senhor há de proferir algo — "Direi ao sul: Não retenhas. Direi: Vinde, meus filhos e minhas filhas, das extremidades da terra," todo aquele que é chamado pelo meu nome. Em que condição terrível estará o mundo quando não houver entre ele um só cristão. Amém. ¶