Os Propósitos de Deus Deveres e Responsabilidades dos Santos
John Taylor
É extremamente difícil falar a uma congregação tão grande quanto esta, e por isso peço que se mantenha a melhor ordem possível, porque é quase impossível para a voz humana alcançar uma congregação tão grande quanto a que está reunida aqui hoje. ¶
Todos nós temos um objetivo ao nos reunirmos como o fizemos nesta ocasião de conferência. Falo agora aos Santos dos Últimos Dias, pois é a eles que me proponho dirigir minhas observações esta tarde. Nem sempre compreendemos as influências pelas quais somos operados; mas, não obstante, há certos princípios em ação nesta geração que agem sobre a mente da família humana, e que a levam a refletir e a estudar mais ou menos, conforme as circunstâncias que a cercam e as posições que ocupa. Nós, os Santos dos Últimos Dias, mantemos uma relação diferente com o Todo-Poderoso da que mantém qualquer outro povo existente sobre a face da terra. Os princípios que recebemos não emanaram do homem, nem da sabedoria, inteligência ou filosofia do homem; cremos que procederam de Deus. Essa é nossa crença universal; é a fé de todo bom Santo dos Últimos Dias. Nenhum de nós, antes de o Senhor manifestar Sua vontade, sabia coisa alguma sobre as leis de Deus. Não sabíamos nada a respeito de Deus; não conhecíamos ninguém que pudesse nos dar informação a respeito dEle, e devemos à revelação vinda dEle toda a inteligência verdadeira que possuímos a respeito de nós mesmos, do mundo em que vivemos, do povo que viveu antes de nós, e daquele que viverá depois de nós; também a respeito de Deus, o Pai, e de Jesus, o Mediador do Novo Convênio. Tínhamos antes certas ideias vagas e indistintas sobre essas coisas, mas não tínhamos nada real, tangível ou confiável. Tampouco é por alguma consideração especial a nós mesmos, pessoalmente, que essas coisas são manifestadas. Deus tem certos propósitos a realizar, pertinentes ao mundo em que vivemos, nos quais estão envolvidos os interesses e a felicidade da família humana, para aqueles que vivem no mundo hoje, para aqueles que viveram em outras eras e dispensações, remontando ao tempo de Adão, e também adiante, até a última geração do tempo, até o último homem que nascerá sobre a terra. Os antigos Patriarcas e Profetas, homens de Deus que se banhavam na luz da revelação, e compreendiam a mente de Jeová, e que possuíam o Sacerdócio eterno e desfrutavam do evangelho como nós o desfrutamos; todos estes, juntamente com Deus, nosso Pai Celestial, e todas as hostes angelicais, estão interessados na obra que o Pai iniciou nestes últimos dias; e por isso uma revelação foi feita a Joseph Smith. Santos anjos de Deus lhe apareceram e lhe comunicaram a mente e a vontade de Jeová, como mensageiro escolhido para introduzir a dispensação da plenitude dos tempos, na qual todo o céu e todos os que já habitaram sobre a terra estão envolvidos e interessados. Ele não Se revelou, particularmente, por causa de Joseph Smith, individualmente, nem por causa de qualquer outro homem em particular, nem pelo interesse peculiar, emolumento ou engrandecimento de qualquer grupo de homens; mas com o propósito de introduzir certos princípios que era necessário que o mundo dos homens conhecesse; de fato, foi com o propósito de introduzir aquilo a que chamamos a Igreja e o reino de Deus na terra, no qual estão interessados todos os que já viveram ou que ainda viverão neste globo. ¶
O evangelho de que falamos, embora possa ser algo pessoal, ao mesmo tempo é tão alto quanto os céus, tão amplo quanto o universo, e tão profundo quanto o inferno. Permeia todo o tempo, e se estende a todo o povo, tanto vivo quanto morto. Falamos às vezes da Igreja de Deus, e por quê? Falamos do reino de Deus, e por quê? Porque, antes que pudesse haver um reino de Deus, tinha de haver uma Igreja de Deus, e por isso os primeiros princípios do evangelho precisavam ser pregados a todas as nações, como o foram antigamente, quando o Senhor Jesus Cristo e outros fizeram sua aparição na terra. E por que isso? Por causa da impossibilidade de introduzir a lei de Deus entre um povo que não estivesse sujeito e não fosse guiado pelo espírito de revelação. Por isso o mundo tem, em geral, cometido grandes erros a esse respeito. Iniciou vários projetos para tentar unir e cimentar o povo sem Deus; mas não conseguiu fazê-lo. O fourierismo, o comunismo--outro ramo da mesma coisa--e muitos outros princípios do mesmo gênero foram introduzidos na tentativa de cimentar a família humana. E então tivemos sociedades pacifistas, baseadas nos mesmos princípios; mas todas essas coisas fracassaram, e fracassarão, porque, por mais filantrópicas, humanitárias, benevolentes ou cosmopolitas que sejam nossas ideias, é impossível produzir uma união verdadeira e correta sem o Espírito do Deus vivo, e esse Espírito só pode ser transmitido por meio das ordenanças do evangelho; e por isso Jesus disse a Seus discípulos que fossem e pregassem o evangelho a toda criatura, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e disse Ele: "Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." Foi por este espírito cimentador e unificador que verdadeiras relações fraternas e de simpatia puderam ser introduzidas e desfrutadas. ¶
Quando João estava na Ilha de Patmos, teve uma notável visão a respeito de muitas coisas, e disse ele: "Vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas." ¶
A Joseph Smith foi feita esta mesma comunicação, juntamente com a luz do evangelho, e lhe foram conferidas as chaves do santo Sacerdócio, com poder para nele administrar e para ordenar outros ao mesmo ministério. E ele mesmo foi batizado como Jesus foi batizado, e batizou outros, e estes a outros, e então impuseram as mãos sobre eles para o recebimento do Espírito Santo, e o receberam. E então, pela inspiração do Todo-Poderoso, foram dirigidos a se ajuntar, o que fizeram. E quantos de vós que me ouvis hoje mal sabíeis a razão pela qual vos ajuntastes? Mas tínheis um sentimento, um desejo ardente no coração de vos misturardes com os Santos de Deus. As Escrituras dizem: "Eu os tomarei, um de uma cidade, e dois de uma família, e os levarei a Sião; e lhes darei pastores segundo o meu coração, que os apascentarão com conhecimento e com inteligência." ¶
De acordo com esses princípios, os Élderes de Israel saíram, como ouvistes aqui durante esta Conferência, não em seu próprio nome, nem em sua própria força, nem por sua própria sabedoria; mas no nome, na força e no poder de Jeová, e como Seus mensageiros escolhidos para administrar vida e salvação a um mundo caído. E Deus foi com eles, e Seus santos anjos os acompanharam; e o Espírito e o poder de Deus estavam com eles; e as palavras que falavam não as falavam de si mesmos, mas conforme eram movidos pelo Espírito Santo. E Deus trabalhou com eles, e a verdade chegou ao vosso coração, e vós a recebestes e vos regozijastes nela. Deus tinha um povo espalhado entre as nações da terra, e Seu Sacerdócio foi instrumento em Suas mãos para ajuntar aquele povo; e nestes dias, como nos dias antigos, Jesus disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem, mas de modo nenhum seguirão o estranho, porque não conhecem a voz dos estranhos." ¶
Aqui, então, Deus desejava introduzir Seu reino sobre a terra, e teve, em primeiro lugar, de organizar Sua Igreja, de organizar o povo que Ele havia espalhado entre as nações, e de reuni-lo, para que houvesse um só rebanho e um só pastor, um só Senhor, uma só fé e um só batismo, e um só Deus, que estivesse em todos e por meio de todos, e pelo qual todos fossem governados. Para facilitar esse objetivo, Ele organizou Seu santo Sacerdócio tal como existia nos céus, e deu um padrão dessas coisas, tanto quanto o fez nos dias de Moisés, só que ainda mais. Deus disse a Moisés: "Atenta, pois, que o faças conforme o modelo que te foi mostrado no monte." Deus disse a Joseph: "Cuida que organizes esta Igreja de acordo com o padrão que te mostrei." E colocou em Sua Igreja Presidentes, Apóstolos, Patriarcas, Setentas, Sumos Sacerdotes, Bispos, Sacerdotes, Mestres, Diáconos, Conselhos de Bispos e Sumos Conselhos, e outras organizações que Deus havia desenvolvido e dado a Seu Sacerdócio; e por isso, quando veio o anjo mencionado por João em Patmos, ele restaurou o evangelho tal como existiu com Adão, e com Enoque, e com Sete, e com Matusalém, e com Noé e Melquisedeque, e com Abraão, com os Profetas, e com os Apóstolos e Jesus, quer no Continente da Ásia, quer neste continente, quer em qualquer outro lugar; e este povo, que possui este Sacerdócio e a autoridade de Deus para nele administrar, quando estiver atrás do véu, entrará novamente no ofício de seu chamado e será unido ali a seus respectivos sacerdócios, pois o Sacerdócio deste lado e do outro lado do véu são partes do mesmo sistema eterno; e por isso, com um povo como este, de posse do Sacerdócio, e desfrutando das revelações do céu, Deus podia comunicar-Se e, por meio deles, revelar Sua vontade à família humana, mas não a um povo que não desse ouvidos a Suas leis e não obedecesse a Seus preceitos. ¶
Este Sacerdócio foi possuído por João, o revelador, por Pedro, por Morôni, um dos Profetas de Deus neste continente. A Néfi, outro dos servos de Deus neste continente, foi revelado o evangelho com suas chaves e poderes. Sabemos que essas coisas foram assim, e não pretendemos argumentá-las, pois todos o sabemos. Lemos que Moisés e Elias apareceram a Jesus e a Seus discípulos no monte, e Jesus foi transfigurado diante deles. Quem eram Moisés e Elias? Eram Profetas do Deus vivo que possuíam o evangelho e o Sacerdócio em dias antigos, e foram enviados para administrar a Jesus e a Pedro, Tiago e João no monte. ¶
Também aprendemos que, quando João estava na Ilha de Patmos, as visões do céu se desdobraram diante de sua vista, e um grande e poderoso anjo se colocou diante dele e lhe mostrou muitas coisas grandes e importantes a respeito do futuro; e João prostrou-se para adorá-lo. Mas disse ele: "Detém-te! Não me adores." "Por quê? Quem és tu?" "Eu sou conservo teu, um dos Profetas que guardaram o testemunho de Jesus e a palavra de Deus. Não me adores; sou um dos que possuíram o Sacerdócio no tempo, e agora administro na eternidade, e vim como mensageiro do Senhor a ti." ¶
Foi precisamente desta maneira que se administrou a Joseph Smith, e pelo mesmo tipo de mensageiros, que possuíam o mesmo tipo de autoridade; e vieram para introduzir e inaugurar a dispensação da plenitude dos tempos, para que todas as coisas que estão em Cristo fossem congregadas em uma só, quer sejam coisas na terra, quer sejam coisas nos céus. Isto foi feito para que o povo de Deus fosse congregado em um só, para que a palavra de Deus fosse congregada em uma só, para que o Sacerdócio de Deus fosse congregado em um só, e para que todos os que estão em Cristo na terra fossem unidos por laços indissolúveis ao Sacerdócio que existe no céu, para que todos operassem juntos na realização dos propósitos de Deus sobre a terra. Por isso se diz que nós, sem eles, não podemos ser aperfeiçoados, e que eles, sem nós, não seriam aperfeiçoados; era necessária uma perfeita união entre o céu e a terra. Sob tais circunstâncias, que fizemos nós? Que poderíamos fazer? Que inteligência possuíamos, por nós mesmos? Quem entre nós conhecia os primeiros princípios da doutrina de Cristo? Nenhum homem vivo os compreendia corretamente, e devemos a Deus nossa inteligência a respeito dessas coisas. Quem sabia algo sobre a organização da Igreja de Deus? Ninguém. Existia alguma coisa assim sobre a face da terra? Poderíeis tê-la procurado, mas seria em vão, não poderia ter sido encontrada. Havia os sistemas, credos e noções dos homens, mas ninguém para dizer: "Assim diz o Senhor." Nenhuma profecia, nenhuma inspiração, nenhuma manifestação do poder de Deus. Quem sabia algo sobre a necessidade de Presidentes ou Apóstolos? Ninguém. Quem sabia o que era um Apóstolo? Ninguém. Quem sabia o que era um Sumo Sacerdote ou um Setenta? Ninguém. Quem sabia o que era um Élder no verdadeiro sentido do termo? Ninguém; nem havia ninguém que soubesse algo sobre o ofício de Bispo, Sacerdote, Mestre ou Diácono, ou sobre as funções de um Sumo Conselho ou de um Conselho de Bispos, ou sobre qualquer das ordenanças da Igreja de Deus. Quem sabia algo sobre a relação do homem com o homem, ou do homem com a mulher? Ninguém. Quem sabia algo sobre a relação que existe entre o homem e Deus? Ninguém. Quem sabia algo sobre as eternidades que hão de vir? Ninguém. Foi Deus quem revelou essas coisas. Joseph Smith não as sabia, nem Brigham Young, os Apóstolos, ou qualquer outra pessoa, até que Deus as revelasse, e devemos a Ele toda a luz, o conhecimento e a inteligência que possuímos a respeito dos céus e da terra, a respeito do Deus que nos fez e do modo aceitável de adorá-lO. ¶
Ora, pois, estamos aqui; temos estas várias organizações. Os Doze, por exemplo, têm vários deveres e responsabilidades que lhes recaem, sob a direção da Primeira Presidência. Depois há os Setentas, que devem ser mensageiros especiais às nações da terra, para saírem em nome do Deus de Israel, revestidos de Seu poder para administrar vida e salvação, e ensinar ao povo os princípios da verdade sob a direção dos Doze, a quem também cabe administrar esses princípios, e zelar para que este evangelho seja enviado a todos os povos; e por isso a necessidade que eles e a Primeira Presidência sentem quanto a levar essas coisas a efeito. ¶
E permiti-me dizer um pouco mais sobre um assunto ao qual já me referi antes, isto é, que Deus não poderia edificar um reino sobre a terra a menos que tivesse uma Igreja, e um povo que se tivesse submetido a Sua lei e estivesse disposto a submeter-se a ela; e com uma organização de tal povo, reunido dentre as nações da terra sob a direção de um homem inspirado por Deus, a boca de Jeová para o Seu povo; digo que, com tal organização, há uma oportunidade para que o Senhor Deus Se revele, há uma oportunidade para que as leis da vida se manifestem, há uma oportunidade para que Deus introduza os princípios do céu sobre a terra, e para que a vontade de Deus seja feita na terra assim como é feita no céu. Deus jamais poderia estabelecer Seu reino sobre a terra a menos que tivesse um povo que se submetesse a Suas leis e a Seu governo; mas com tal povo Ele podia comunicar-Se, a tal povo os céus podiam abrir-se; a tal povo os anjos de Deus podiam administrar; e entre eles a vontade de Deus podia ser feita na terra assim como é feita no céu, e entre nenhum outro, e é por isso que estamos aqui. Diz o Profeta: "Eu os tomarei, um de uma cidade, e dois de uma família, e os levarei a Sião." Que fareis deles? "Dar-lhes-ei pastores segundo o meu coração, que os apascentarão com conhecimento e inteligência"; para que se conheçam uns aos outros e a seus vários deveres e responsabilidades; para que sejam instruídos nas leis do santo sacerdócio, e sejam preparados, com o tempo, para se unirem a seus quóruns no reino celestial de Deus, e para que o povo seja instruído nas leis da vida. Por isso nossas cerimônias de casamento, relações e convênios estão entre os princípios do evangelho, e são eternos; existiram com Deus na eternidade, e existirão por todas as eternidades que hão de vir. Deus nos mostrou, a respeito de nossas relações matrimoniais, que nossas esposas devem ser seladas a nós pelo tempo e pela eternidade. Por que autoridade? Pela autoridade daquele santo Sacerdócio que administra na terra e no céu, e do qual Jesus disse que tudo o que ligassem na terra seria ligado nos céus, e tudo o que desligassem na terra seria desligado nos céus; e estas relações que existem entre nós aqui destinam-se a ser consumadas ali, e homens e mulheres que compreendem sua verdadeira posição esperam desfrutar da companhia e da associação uns dos outros ali, tanto quanto o fazem em seus próprios lares aqui, exatamente do mesmo modo. E embora possam dormir no pó, contudo, pelo poder da ressurreição, do qual ouvistes falar nesta Conferência, quando a trombeta soar e os mortos em Cristo ressuscitarem, romperão as barreiras da tumba e sairão, cada um e todos reclamando seus próprios cônjuges--aqueles com quem estiveram associados na terra--através da eternidade. É assim que consideramos nossos convênios matrimoniais, não importa o que outras pessoas digam a respeito disso; este é o nosso assunto, e o faremos, e continuaremos a fazê-lo para todo o sempre, enquanto Deus nos permitir viver, porque é a palavra de Deus para nós, e, apesar de todos os poderes da terra e do inferno, jamais cederemos quanto aos nossos princípios matrimoniais, pois são eternos; e assim com respeito a todo outro princípio do evangelho. É por isso que nos reunimos, para ajudar a edificar o reino e o governo de Deus sobre a terra. Um governo terreno, se quiserdes, e um governo celestial, se quiserdes. Mas nenhum homem, nem grupo de homens, é capaz de introduzir princípios desta natureza, a menos que Deus esteja com eles e os apoie; e os primeiros Élderes desta Igreja jamais poderiam ter feito o que fizeram sem que o poder de Deus estivesse com eles e os acompanhasse, e sem que a misericórdia de Deus lhes fosse estendida. E nem poderiam fazê-lo hoje. ¶
Os homens têm ideias estranhas a respeito dos mórmons. Por quê? Porque, a menos que nasçam da água, não podem ver o reino de Deus; foi isso o que Jesus disse, e é por isso que as pessoas não conseguem nos compreender. Mas nós, que fomos batizados e iluminados pelo Espírito de Deus, podemos ver Seu reino. Nós o conhecemos, o compreendemos em parte, mas somente em parte. Qual é o resultado de todo este Sacerdócio--a Primeira Presidência, os Doze, os Setentas, os Sumos Sacerdotes, Élderes, Bispos, Sacerdotes, Mestres e Diáconos? Todos eles professam estar sob a direção do Todo-Poderoso, e, se não estiverem, são hipócritas vivos diante de Deus e dos santos anjos; pois estes são os convênios que fizeram, e estas são as ordenações que receberam. ¶
Vemos algo estranho relacionado a nós como povo--o mundo nos segue, e muitos entre nós seguem o mundo. Pode o mundo dar-vos a luz que recebestes, e o evangelho e as esperanças do céu que recebestes, e o Sacerdócio que recebestes? E trocareis essas coisas por um prato de lentilhas, e vos revolvereis na imundície, na corrupção, na iniquidade e nos males que abundam no mundo? Para que viemos aqui? Para adorar a Deus e guardar Seus mandamentos. E como está a situação de muitos de nós? Esquecemo-nos, em muitos casos, da esperança gloriosa de nosso alto chamado, e cedemos a loucuras, fraquezas e iniquidade, e somos governados, mais ou menos, pela cobiça, pela embriaguez, pela quebra do dia de sábado, e por males de vários tipos. Às vezes vejo Élderes de Israel trazendo carradas de lenha e carradas de feno no dia de sábado. Ora, isso é uma vergonha ardente aos olhos de Deus, dos santos anjos e de todos os outros seres inteligentes. Se tais homens tivessem vivido sob a lei do antigo Israel, teriam sido mortos. Sabeis disso? Ide ler nas vossas Bíblias. Que pensais de um Élder mentiroso, de um Sumo Sacerdote que jura, de um Setenta que quebra o sábado, e de um Santo cobiçoso? A alma de tais homens deveria ser inspirada com a luz da revelação, e deveriam ser testemunhas vivas, epístolas conhecidas e lidas por todos os homens! Pensais que podeis viver vossa religião, ter o Espírito de Deus e obter a vida eterna, e seguir tais coisas? Digo-vos que não. Foi dito antigamente: "Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele." Isso é tão verdadeiro hoje quanto era há mil e oitocentos anos. É próprio que nós, como Élderes de Israel, e como cabeças de família, reflitamos sobre estas coisas, pois, em muitos casos, estamos dando a nossos filhos exemplos que tenderão a precipitá-los na perdição. É para isso que estamos aqui reunidos? Digo-vos que não; estamos aqui reunidos para servir a Deus e guardar Seus mandamentos, e para edificar Sua Sião sobre a terra. ¶
Depois de orar durante anos para que Deus inspirasse Seu servo Brigham com o espírito de revelação, para que ele pudesse conduzir Israel pelo caminho em que devia andar, ele nos diz para sermos um, assim como Jesus disse a Seus discípulos; nos diz para entrarmos numa ordem unida, que Deus a revelou, que devemos ser um nas coisas espirituais, e um nas coisas temporais, unidos em todos os princípios, como os Santos de Deus têm sido onde quer que tenham existido. Mas nossos Élderes não conseguem vê-lo, e muitos de nossos Bispos não conseguem vê-lo, e muitos Sumos Sacerdotes e Setentas não conseguem vê-lo. Por quê? Porque o Noivo tardou, e todos nós cochilamos e dormimos, e em muitos casos pecamos contra Deus, e nossas lâmpadas se apagaram, esse é o problema, e perdemos a luz, e a inteligência, e a revelação, e a influência vivificante do Deus vivo. Se estivéssemos vivendo nossa religião e guardando os mandamentos de Deus, sentiríamos e agiríamos diferentemente; então conheceríamos a doutrina. Jesus disse: "Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." ¶
Qual é o problema, vós, Sumos Sacerdotes, vós, Setentas, vós, Bispos e outros? Não estais fazendo a vontade de Deus, e não conheceis a doutrina, esse é o problema; e, no entanto, estamos vivendo no fulgor do dia do evangelho, cercados de Profetas, Apóstolos, Patriarcas e homens de Deus. Não é tempo de nos humilharmos? Não é tempo de nos arrependermos de nossos pecados? Não é tempo de abandonarmos nossas iniquidades? Não é tempo de voltarmos aos primeiros princípios, e começarmos a considerar nossos caminhos, e a andar na luz da verdade? É assim que eu entendo, e por isso a necessidade de os Élderes de Israel, o Presidente da Igreja, os Doze, e todos os homens que são inspirados pela luz da verdade e pela luz da revelação, despertarem os membros da Igreja em geral para as boas obras. Veem Israel desviar-se atrás de deuses estranhos, abandonando a fonte de águas vivas, e "cavando para si cisternas, cisternas fendidas, que já não retêm águas"; e por isso a necessidade de Apóstolos e Profetas para o aperfeiçoamento dos santos e a obra do ministério, e a edificação do corpo de Cristo. Como está a situação entre muitos de nossos quóruns? Perfeitamente mortos, mudos e sem vida, sem a luz, a vida e o poder do Deus vivo entre eles; e Élderes de Israel, revestidos do Santo Sacerdócio, esperam, quando tudo passar, associar-se com os Deuses nos mundos eternos. Como está a situação? É tempo de refletirmos e pensarmos em nossa situação, e de considerarmos nossos caminhos e sermos sábios. Que quereis fazer? Quereis suscitar alguma excitação? Não; queremos trazer-vos de volta aos primeiros princípios do evangelho de Cristo. Quereis que sejamos batizados? Não particularmente, a menos que, como declarou o Presidente Young, vos arrependais de vossos pecados e de vossas iniquidades e de vossas mentiras, e de vosso engano e de vossa quebra do sábado, e de vossa cobiça e de vossa hipocrisia, e vos arrependais de falar contra os ungidos de Deus; não, a menos que estejais dispostos a serdes governados pelo Santo Sacerdócio em todas as coisas pertinentes a este mundo e ao próximo, pertinentes ao tempo e à eternidade. Se não puderdes fazer isso, não sejais batizados; será melhor para vós que não o sejais. ¶
Pois bem, estão todos nessa condição? Não, não; há mais de "sete mil que não dobraram os joelhos diante de Baal"; há mais de sete mil que estão buscando fazer o que é certo, viver sua religião, e guardar os mandamentos de Deus. Digo, então, arrependei-vos de vossas iniquidades, fazei as vossas primeiras obras, vivei vossa religião, guardai os mandamentos de Deus; que cada homem faça o que é certo e se afaste do mal. Se algum homem pecou contra seu irmão, que ele o corrija honesta, franca e verdadeiramente, e não hipocritamente; e façamos tudo com honestidade de coração, e busquemos a Deus, e nos humilhemos diante dEle, e vivamos nossa religião, e Deus derramará sobre nós bênçãos para as quais não teremos espaço bastante. Sua Sião se levantará e resplandecerá, e a glória de Deus repousará sobre ela, os princípios da verdade se espalharão à direita e à esquerda, e a misericórdia de Deus se estenderá sobre Seu povo. ¶
Que Deus nos ajude a temê-lO e a guardar Seus mandamentos, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶