Pulpit

A Parábola das Dez Virgens; A Importância da Última Dispensação; As Responsabilidades que Recaem sobre os Élderes; Os Juízos à Porta; Os Lamanitas; Manufaturas Domésticas; Guardar Trigo

Wilford Woodruff

1875-09-12

Vou chamar a atenção da congregação para alguns versículos do vigésimo quinto capítulo de São Mateus. [O orador leu os primeiros treze versículos; e também o quarto, quinto, sexto, sétimo e oitavo parágrafos da décima quarta seção do Livro de Doutrina e Convênios.]

Esta revelação, parte da qual tenho lido, trata em certa medida do tema da parábola que Jesus proferiu, a saber, as dez virgens; ambas se referem à sua segunda vinda e à sua obra nos últimos dias. Em nenhuma era ou dispensação um homem pode ser chamado a um chamado maior do que administrar nas ordenanças da casa de Deus, e nada senão o poder de Deus e a inspiração do Todo-Poderoso pode sustentar e amparar qualquer homem, não importa em que era viva, que seja chamado de Deus para declarar as palavras de vida e salvação, e para pregar arrependimento a uma geração incrédula. Isto talvez soe estranho aos ouvidos de muitos, mas os habitantes da terra, tanto judeus como gentios, deveriam lembrar-se de que o próprio Senhor Deus Todo-Poderoso, seu Filho Jesus Cristo, e seu Evangelho e sua obra, têm sido muito impopulares em toda era do mundo entre as multidões dos homens. Nenhuma doutrina mais impopular jamais foi apresentada à família humana do que a doutrina da vida e da salvação. Não me importa em que era do mundo um Profeta, Apóstolo ou homem inspirado tenha sido levantado para declarar os mandamentos de Deus; ele teve de lutar contra os preconceitos dos habitantes da terra. Assim é em nossos dias, e assim foi nos dias de Jesus Cristo. Quando ele veio aos judeus, à própria casa de seu Pai, a casa de Israel, como o grande Shilo de Judá, e o Salvador do mundo, nunca habitou na Judeia ou em Jerusalém homem mais impopular do que ele, desde o dia de seu nascimento até o dia de sua morte, quando entregou o espírito na cruz e voltou para a glória como mártir pela palavra de Deus e pelo testemunho que deu. E é por isso que digo que, quando qualquer homem, em qualquer era do mundo, é chamado por Deus para declarar as palavras de vida, ele tem de lutar contra as tradições de eras que pesam sobre as mentes dos habitantes da terra.

A parábola das dez virgens tem por objetivo representar a segunda vinda do Filho do Homem, a vinda do Noivo ao encontro da noiva, a Igreja, a esposa do Cordeiro, nos últimos dias; e suponho que o Salvador estava mais ou menos certo quando disse, referindo-se aos membros da Igreja, que cinco delas eram sábias e cinco eram loucas; pois quando o Senhor dos céus vier em poder e grande glória para recompensar cada homem segundo as obras praticadas no corpo, se ele encontrar metade dos que professam ser membros de sua Igreja preparados para a salvação, isso será tanto quanto se pode esperar, a julgar pelo rumo que muitos estão seguindo.

Desejo, se puder obter Espírito do Senhor suficiente para satisfazer minha própria mente, dizer algumas palavras nesta ocasião aos meus irmãos e irmãs, os Santos dos Últimos Dias, aqueles que tomaram sobre si o nome de Cristo. Vivemos em uma das mais importantes dispensações que Deus jamais deu ao homem, a saber, a grande e última dispensação da plenitude dos tempos, a dispensação de todas as dispensações, e aquela em que todo o dilúvio de profecia contido na santa Bíblia há de se cumprir, pois quase todas as profecias contidas naquele volume sagrado, desde Adão até João, o Revelador, apontam para a grande obra de Deus nos últimos dias, os dias em que o Deus dos céus estabeleceria um reino que seria um reino eterno, e a cujo domínio não haveria fim, e o reino e a grandeza do reino debaixo de todo o céu seriam entregues nas mãos dos Santos do Deus Altíssimo, e eles hão de possuí-lo para todo o sempre. Desejo que os Santos dos Últimos Dias compreendam seu chamado, sua posição e sua responsabilidade perante o Deus dos céus, e suas responsabilidades tanto para com judeus como para com gentios, vivos e mortos, deste e do outro lado do véu.

O Senhor jamais edificou seu reino em nenhuma era do mundo, senão chamando seus servos e trabalhando por meio dos tabernáculos dos homens sobre a terra; e isto ele tem feito em muitíssimas eras e dispensações. E sempre que o Senhor teve um Apóstolo, Profeta ou homem inspirado sobre a terra, este teve poder para administrar nas ordenanças da casa de Deus, e trabalhou pelo avanço do reino de Deus sobre a terra, quer tivesse poucos, quer tivesse muitos seguidores. Como foi nos dias de Noé e de Ló, assim será nos dias da vinda do Filho do Homem. Vivemos no dia em que Deus pôs sua mão para estabelecer aquele grande reino que Daniel viu. Vivemos no dia em que o anjo de Deus entregou o evangelho eterno, em cumprimento das revelações de São João, quando ele diz — "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo."

Nunca houve, em nenhuma era do mundo, uma geração de habitantes da terra que tivesse acontecimentos maiores à sua espera do que a presente. Como já observei, o cumprimento de todo este volume de revelação aponta para o nosso dia. A edificação do reino de Deus, a edificação da Sião de Deus, nas montanhas de Israel, o erguer de um estandarte para o qual os gentios possam fugir, a advertência às nações da terra para prepará-las para os grandes juízos do nosso Deus, a edificação da Igreja, a santificação do povo, a edificação de Templos ao Deus Altíssimo, para que seus servos possam neles entrar e tornar-se salvadores no Monte Sião, redimindo tanto os vivos como os mortos — todas estas coisas hão de ser realizadas em nosso dia. E jamais amanheceu, desde a criação do mundo, uma era de maior interesse para os filhos dos homens do que aquela em que vivemos.

Onde está o homem, o sacerdote ou o povo, em todo o mundo sectário, hoje, que creia no cumprimento literal das revelações de Deus contidas na Bíblia? Se há algum, gostaria de vê-lo e conversar com ele. Todo o mundo cristão professa crer na Bíblia, e talvez creia enquanto ela está fechada. Mas abri a Bíblia e lede as declarações nela contidas acerca da última dispensação da plenitude dos tempos, e onde está o homem que nelas crê? Não podeis encontrar nenhum, e é preciso fé, mesmo entre os Santos dos Últimos Dias, para crer nas revelações de Deus e para se prepararem para as coisas que aguardam o mundo.

As figueiras estão brotando, o verão está próximo, os sinais do céu e da terra todos indicam a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo; mas quem realmente está esperando e se preparando para a vinda do grande Noivo? Não sei que exista, sobre a terra, povo algum, à exceção dos Santos dos Últimos Dias, que esteja esperando este grande acontecimento. Pode haver exceções, pode haver homens que creem na segunda vinda de Cristo. O povo chamado Milleritas crê na segunda vinda do Salvador, e já fixou muitíssimos dias em que ela deveria ocorrer. Mas ele não veio; e jamais virá até que as revelações de Deus se cumpram e um povo esteja preparado para sua vinda. Ele jamais virá até que os judeus sejam reunidos ao seu lar e tenham reedificado seu Templo e sua cidade, e os gentios tenham subido até lá para batalhar contra eles. Ele jamais virá até que seus Santos tenham edificado Sião e cumprido as revelações que foram proferidas a respeito dela. Ele jamais virá até que os gentios em todo o mundo cristão tenham sido advertidos pelos élderes inspirados de Israel. Eles são chamados a lançar a foice e a ceifar, pois a seara está madura e chegou o tempo de que fala esta revelação, quando o Senhor ordena aos Élderes que saiam e advirtam o mundo pela última vez, e chamem os habitantes da terra ao arrependimento. E o que desejo dizer aos Élderes e aos Santos dos Últimos Dias é: Temos fé em Deus e em suas revelações? Temos fé em nossa própria religião? Temos fé em Jesus Cristo? Temos fé nas palavras dos Profetas? Temos fé em Joseph Smith, que, com o auxílio do Urim e Tumim, traduziu o Livro de Mórmon, dando um registro dos antigos habitantes deste país, e por meio de quem o Senhor deu as revelações contidas no Livro de Doutrina e Convênios? Se temos fé nestas coisas, então certamente devemos preparar-nos para o cumprimento delas. Considero que, como povo e como Élderes de Israel, ocupamos uma das mais importantes posições jamais ocupadas na face da terra por aqueles que foram chamados a trabalhar para o Senhor. Recebemos nosso chamado para esta obra, e devemos preparar-nos para desempenhar os deveres que dela decorrem. A verdade é um dos atributos do Senhor, e ele jamais faz uma declaração que não seja certa e verdadeira. E, como diz um dos Apóstolos, "Não há profecia alguma de particular interpretação; mas os homens santos de outrora falaram inspirados pelo Espírito Santo"; portanto, o que disseram é verdade, e suas profecias hão de ter seu cumprimento. Nenhum homem pode apontar, entre as revelações de Deus dadas pelos antigos profetas, nenhum acontecimento até o nosso dia que não tenha tido seu cumprimento. Tudo o que Jesus Cristo falou a respeito da Judeia e de Jerusalém teve seu cumprimento ao pé da letra. O Templo em Jerusalém foi derrubado até que não ficou pedra sobre pedra, e os judeus têm sido espalhados e pisados sob os pés dos gentios já por mil e oitocentos anos, e assim permanecerão até que se cumpram os tempos dos gentios, o que está bem próximo. E, como o Senhor nos disse nestas revelações, somos chamados a advertir o mundo.

Temos trabalhado já há quarenta e cinco anos pregando o Evangelho de Cristo por todas as nações gentias. Dizemos gentios, porque o Evangelho vai primeiro aos gentios, para que os primeiros sejam os últimos e os últimos os primeiros. Antigamente, os judeus foram os primeiros a quem o Evangelho foi enviado, mas eles o rejeitaram, e foram quebrados por incredulidade, e por isso o Evangelho se voltou para os gentios; e, como diz Paulo — "Gentios, tomai cuidado e temei, para que não caiais pelo mesmo exemplo de incredulidade, pois se Deus não poupou os ramos naturais, tomai cuidado também para que ele não vos poupe a vós." Os gentios caíram pelo mesmo exemplo de incredulidade que os judeus. Deram morte a todo Profeta, Apóstolo e homem inspirado desde os dias de Jesus Cristo, e a Igreja foi para o deserto, e a face de um Profeta, Apóstolo ou homem inspirado, chamado de Deus para administrar as ordenanças do Evangelho, não se via havia uns mil e oitocentos anos, até que o Senhor levantou um Profeta no dia e na era em que vivemos. Portanto, o Evangelho trazido à luz nos últimos dias tinha de ir primeiro aos gentios.

Às vezes nossos vizinhos e amigos se ressentem de que os chamemos de gentios; mas, benditas sejam suas almas, todos nós somos gentios. Os Santos dos Últimos Dias são todos gentios em sua condição nacional. O Evangelho nos veio entre os gentios. Não somos judeus, e as nações gentias têm de ouvir primeiro o Evangelho. Todo o mundo cristão tem de ouvir o Evangelho, e quando o rejeitar, a lei será atada e o testemunho selado, e ele se voltará para a casa de Israel. Até o dia de hoje fomos chamados a pregar o Evangelho aos gentios, e assim o temos feito. Pela última vez temos advertido o mundo, e estamos empenhados nessa obra há quarenta e cinco anos.

Quando Joseph Smith foi chamado por Deus, foi necessário que fé, inspiração e o poder do Todo-Poderoso repousassem sobre ele, para capacitá-lo a organizar a Igreja e o Reino de Deus, e a pregar o Evangelho contra as tradições do mundo cristão, pois estas haviam espiritualizado a Bíblia até que não restasse vestígio algum sob um ponto de vista literal. Por isso os habitantes da terra não esperavam que a Igreja e o Reino de Deus fossem estabelecidos em seu meio. As trevas têm prevalecido sobre a terra, e ainda hoje prevalecem, em todas as nações, e isto faz com que reine o silêncio, e toda a eternidade se aflige por causa do pecado, da maldade e das abominações que prevalecem em todo o mundo cristão ou gentio, e em todo o mundo judaico, pois as trevas prevalecem sobre a face de toda a terra, e o Senhor está chamando todos os seus habitantes ao arrependimento e a receber o Evangelho, e, tendo-o feito, a se reunirem, saindo da Babilônia, para o lugar que ele designou como morada de seus Santos. Os Santos dos Últimos Dias ouviram este Evangelho entre os gentios onde quer que habitassem, em quase toda nação debaixo do céu, e por este Evangelho fomos reunidos a Sião. Fomos reunidos aqui com um propósito determinado, e esse propósito é cumprir as revelações de Deus.

Quando deixamos o Missouri e Nauvoo, deixando para trás os túmulos de nossos pais e filhos, fomos expulsos por nossos inimigos para este deserto, na expectativa de que pereceríamos, e por nada mais do que por crermos na revelação e na profecia, e em profetas vivos e servos de Deus. Julgávamos duro sermos expulsos de nossos lares e terras, que havíamos comprado de nosso governo e pago em dinheiro; mas direi aos Santos dos Últimos Dias que, se não tivéssemos vindo para cá, certamente teria caído por terra, sem se cumprir, um dilúvio de profecia — profecia acerca das montanhas de Israel, e da grande companhia que a elas se reuniria, acerca do erguer de um estandarte ali, e da edificação de cidades e do Templo de Deus em seu meio. Todas estas coisas teriam ficado sem cumprimento se não tivéssemos vindo a estas montanhas e as cumprido. E assim com muitas outras profecias. Fomos chamados juntos para realizar a obra do Senhor, e agora o Senhor conta conosco para cumprirmos nossos convênios e guardarmos seus mandamentos. Se assim fizermos, ele nos fez grandes promessas. O Senhor deu o santo Sacerdócio aos Élderes de Israel, e exige de nossas mãos que cumpramos todas estas revelações e mandamentos; e, quanto à parábola que li, sinto, como indivíduo, que me é necessário, e posso dizer que é necessário a todo o povo, termos azeite em nossas lâmpadas, se esperamos ver e compreender as coisas do reino de Deus.

O Senhor escolheu um Sacerdócio real e um povo santo dentre as coisas fracas do mundo, em cumprimento de suas revelações; e nos foi ordenado sair e dar testemunho destas coisas, e o fizemos. Teríamos sido condenados, e a maldição de Deus teria repousado sobre nós, se não o tivéssemos feito, porque chegou a plenitude do tempo determinado para edificar e favorecer Sião, para edificar o reino de Deus, para advertir o mundo e prepará-lo para os juízos do Todo-Poderoso. O Milênio está amanhecendo sobre o mundo; estamos ao fim dos seis mil anos, e o grande dia de descanso, o Milênio de que o Senhor falou, em breve amanhecerá, e o Salvador virá nas nuvens do céu para reinar sobre seu povo na terra por mil anos. O Senhor tem uma grande obra pela frente, e está preparando um povo para realizá-la antes de sua vinda. Ora, a pergunta que se levanta aqui, irmãos e irmãs, é: estamos preparados em nossos corações? Compreendemos estas coisas? Como povo, compreendemos nossas responsabilidades perante o Senhor? O Senhor levantou aqui, nos últimos dias, um reino de sacerdotes para estabelecer sua Igreja e reino, e preparar o caminho para a segunda vinda do Filho do Homem, e o Deus dos céus colocou nas mãos de seus servos as chaves do reino, e ele disse — "Tudo o que eu decretar por meio destes meus servos há de cumprir-se, pois a eles é dado poder para atar e selar tanto na terra como no céu, para o dia da ira do Deus Todo-Poderoso, que há de derramar-se sobre o mundo."

Penso, muitas vezes, que nós, como Élderes de Israel e como Santos dos Últimos Dias, ficamos muito aquém de compreender nossa posição perante o Senhor. A obra exigida de nossas mãos é grande e poderosa; é a obra do Deus Todo-Poderoso. Somos responsáveis por apresentar o Evangelho de Cristo a todas as nações da terra, por advertir os gentios, por preparar o retorno das dez tribos perdidas de Israel, e por levar o Evangelho a todas as tribos de Israel. Somos responsáveis por tudo isto, e por edificar Templos ao Altíssimo, onde possamos entrar e atender às ordenanças para a salvação de nossos mortos. Há cinquenta mil milhões de espíritos encerrados no mundo espiritual que jamais viram, em toda a sua vida, a face de um Profeta, Apóstolo ou homem inspirado. Nenhum homem com a autoridade de Deus jamais lhes declarou as palavras de vida e salvação, e, sem autoridade, seus ministérios são inúteis, pois é para isto que existe o Sacerdócio. O Deus dos céus ordenou isto desde toda a eternidade até toda a eternidade. Estas pessoas, no mundo espiritual, morreram na carne sem a lei, sem o Evangelho, e estão encerradas na prisão. Joseph Smith está pregando a elas, e assim também milhares dos Élderes de Israel que morreram e passaram para o outro lado do véu. George A. Smith, que habitou entre nós até há poucos dias, tomará parte, com alegria e regozijo, com seus irmãos, na grande obra do outro lado do véu. Quando vi dez ou doze mil pessoas reunidas neste Tabernáculo para prestar as últimas homenagens ao corpo daquele homem, pensei comigo mesmo — "Quão maior é a congregação que cerca seu espírito, no mundo espiritual." Sim, ali eles se contam aos milhões, enquanto aqui temos unidades, e os servos de Deus lhes pregarão do mesmo modo que Jesus pregou aos espíritos em prisão. Enquanto seu corpo jazeu três dias e três noites no túmulo, ele foi e pregou aos espíritos em prisão, para que fossem julgados segundo os homens na carne, para que pudessem ter parte na ressurreição, de acordo com o testemunho que recebessem. Como já disse, o Deus dos céus exige isto de vossas mãos. No mundo espiritual não se batiza ninguém; ali não há batismo; ali não há casar nem dar-se em casamento; todas estas ordenanças têm de ser realizadas na terra. Paulo diz, referindo-se a este assunto — "Por que sois vós batizados pelos mortos? Se os mortos não ressuscitam, por que então sois batizados pelos mortos?" O Senhor nos responsabiliza por irmos e edificarmos Templos, para que neles possamos atender às ordenanças necessárias para a salvação dos mortos.

Em cada dispensação o Senhor teve aqueles que foram pré-designados para realizar determinada obra. Todos nós habitamos na presença de Deus antes de virmos para cá, e homens como Abraão, Isaque, Jacó, os antigos Profetas, Jesus e os Apóstolos receberam seus chamados antes de o mundo ser feito. Foram ordenados antes da fundação do mundo para virem tabernacular aqui na carne e trabalhar pela causa de Deus, e isto por causa de sua fé e fidelidade. Podeis ver a grande variedade de espíritos que habitaram na presença de Deus, desde os que estão na presença de Deus até os demônios. Boa parte das hostes do céu foi expulsa por causa de sua maldade. Lúcifer, filho da alva, e os que o seguiram foram lançados à terra, e habitam aqui até hoje — cem para cada homem, mulher e criança que respira o fôlego de vida. Habitam aqui sem corpos, apenas os tabernáculos que conseguem obter, para governar e presidir.

Exige-se de nós que edifiquemos Templos em que possamos atender às ordenanças da casa do Senhor, para que as portas da prisão possam ser abertas, e os prisioneiros sejam libertados. O mundo diz — "Não acreditamos nestas coisas." Sabemos disso perfeitamente bem; assim foi nos dias de Noé e de Ló, mas a incredulidade do povo não deteve o dilúvio nem o fogo, tampouco a incredulidade desta geração deterá a mão de Deus por um só instante. Os anjos de Deus têm esperado no Templo do céu, já há quarenta e cinco anos, para saírem a ceifar a terra. O trigo e o joio devem crescer juntos até a ceifa; o povo deve ser advertido, os Santos reunidos, Sião edificada, Templos erguidos, os vivos advertidos, os mortos redimidos, para que as vestes dos Élderes de Israel possam estar limpas diante de todos os homens.

É pelo poder de Deus que os Élderes têm sido sustentados nos dias que já passaram. E quero dizer a meus irmãos — e o que digo a eles aplico também a mim mesmo — devemos despertar, devemos abrir nossos olhos para ver, nossos ouvidos para ouvir, e devemos abrir nossos corações para compreender nosso chamado e nossa posição perante o Senhor; pois, se, como Santos dos Últimos Dias, formos deixar de orar, perder a luz do Espírito Santo, e voltar-nos para os rudimentos mesquinhos do mundo, o Senhor terá de nos dizer — "Saí do meu caminho, meus propósitos não podem ser frustrados"; e levantará outro para realizar esta obra. O Senhor jamais disse mentira alguma nem fez promessa falsa alguma. "Quem sou eu", diz o Senhor, "que prometo e não cumpro?" "Quem sou eu", diz o Senhor, "que ordeno e não sou obedecido?" Em suma, as promessas do Senhor são sim e amém, e ainda que passem os céus e a terra, sua palavra jamais deixará de cumprir-se.

Em um parágrafo da revelação que vos li esta tarde, diz —

"E também, dos céus o Senhor fará ressoar a sua voz, dizendo: Escutai, ó nações da Terra, e ouvi as palavras do Deus que vos criou. Ó vós, nações da Terra, quantas vezes eu quis ajuntar-vos como a galinha ajunta seus pintos debaixo das asas, mas vós não o quisestes! Quantas vezes vos chamei pela boca de meus servos e pelo ministério de anjos e por minha própria voz; e pela voz de trovões e pela voz de relâmpagos e pela voz da tempestade; e pela voz dos terremotos e grandes chuvas de pedra; e pela voz da fome e pestilências de toda espécie; e pelo grande som de uma trombeta e pela voz do julgamento e pela voz da misericórdia, todo o dia; e pela voz da glória e honra e das riquezas da vida eterna quis salvar-vos com salvação eterna, mas vós não o quisestes! Eis que chegado é o dia em que está cheio o cálice da ira de minha indignação."

Quantas vezes o Senhor enviou Profetas, como nos dias de Noé, Ló, Abraão, Enoque, Jesus Cristo, Joseph Smith e Brigham Young? Quantas vezes os Élderes de Israel ergueram suas vozes aos habitantes da terra e foram rejeitados? Não hão de erguer-se estas coisas em juízo contra eles? Sim, em verdade hão de erguer-se. O Senhor tem oferecido a plenitude do evangelho eterno aos habitantes da terra hoje, e eles se recusam a recebê-lo. O irmão Pratt aqui presente, eu mesmo e milhares de nós já viajamos dez mil milhas a pé, sem bolsa nem alforje, carregando nossa trouxa ou mala, e já vadeamos pântanos, atravessamos rios a nado, e mendigamos nosso pão de porta em porta para pregar o Evangelho a esta geração. E quantos temos conseguido levar a crer? Dois de uma cidade e um de uma família, como o Profeta disse, e os temos reunido a Sião. Não obstante, a voz de advertência tem saído para o mundo. Mas o que vemos hoje? O que veem os Deuses, os céus e toda a eternidade? Veem uma geração de homens e mulheres fazendo guerra contra Deus e seu Cristo, fazendo guerra contra Profetas e Apóstolos, e trabalhando noite e dia para dominar e aniquilar todo princípio de salvação e vida eterna que Deus restaurou ao mundo. E direi aqui, aos ouvidos desta congregação, que, se não fosse esta a dispensação da plenitude dos tempos, e não fosse pelos decretos que o Senhor fez a respeito dela, um dos quais é que ele estabelecerá um reino que há de permanecer para sempre, não haveria Apóstolo ou Santo dos Últimos Dias sobre a face da terra que não tivesse de selar seu testemunho com seu sangue, como quase todo outro Apóstolo que já respirou o fôlego de vida. Digo que, se não fosse por estas coisas, todos teríamos de seguir nossos líderes, Joseph e Hyrum Smith, que entregaram suas vidas pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo. Mas ouvi isto, ó nações gentias, e todas vós, nações da terra: o Senhor Todo-Poderoso pôs sua mão para edificar seu reino sobre a terra, e ele não será frustrado. O Senhor há de fazer uma obra breve na terra, e defenderá seus ungidos, seus Profetas, sua Sião e seu povo. Este é o decreto do Deus Todo-Poderoso. Os olhos de todo o céu estão sobre este povo, estão sobre a terra, sobre os gentios e sobre os judeus, e o Senhor tem em suas mãos os destinos de todos os homens. E somos ordenados por Deus a nos levantarmos e advertir as nações da terra; e chamamos os Santos dos Últimos Dias, os Élderes de Israel, as mães e filhas em Sião, a deixarem de lado suas frivolidades e tolices, e a não mais deixarem seus corações postos nas modas do mundo, mas a se voltarem e lerem a Bíblia, o Livro de Mórmon e as revelações de Deus dadas nestes dias, e a obterem o Espírito Santo e a andarem na luz do Senhor, para que vossos olhos se abram, para que possais ver e compreender a posição que ocupais sobre a terra, pois estais sob grande responsabilidade pela maneira como cumpris vosso dever e magnificais vossos chamados perante o Senhor, e ele não está brincando conosco, nem com esta geração.

Se os olhos dos gentios se abrissem por um só instante para ver as coisas da eternidade, e os juízos que aguardam esta geração, não se admirariam de que os servos de Deus sejam movidos a clamar em alta voz às nações da terra. Digo-vos que os juízos de Deus estão à porta, tanto de Sião como da grande Babilônia. A grande Babilônia veio em memória diante de Deus, e sua espada está banhada no céu, e cairá sobre Idumeia e sobre o mundo. Quem pode resistir diante da mão do Deus Todo-Poderoso? Nenhum homem, nenhuma nação, nem conjunto de nações sobre a face da terra.

Prouvera a Deus que os olhos do mundo se abrissem! Prouvera a Deus que os olhos das nações gentias se abrissem, para que pudessem ver e compreender o que pertence à sua paz! Quanto tem o Senhor rogado às nações da terra para lhes dar glória celestial, honra, imortalidade e vida eterna? Tem rogado com elas pelos últimos seis mil anos, e tem levantado seus servos de tempos em tempos, e tem chamado os habitantes do mundo a se prepararem para o grande dia de seu segundo advento e vinda, que está próximo. Ele os está chamando em alta voz hoje; e, como tenho dito a alguns de meus irmãos ultimamente, o Senhor agora quer saber se os Santos dos Últimos Dias estão dispostos a trabalhar com ele ou não. É um dia de decisão. Não espero que mais da metade de nós tenha azeite em suas lâmpadas e esteja preparada para entrar na ceia das bodas com o Noivo. Isso será quase tudo o que podemos esperar, a menos que nos arrependamos de nossos pecados e nos afastemos de nossas loucuras, frivolidades e das modas de Babilônia — coisas em que nossos corações têm estado postos, em vez de estarem postos em edificar o reino de Deus. Parece-me que haverá apenas um remanescente, mesmo entre os Santos dos Últimos Dias, que estará preparado para herdar a vida eterna e para a vinda do Noivo.

Sinto, em meus ossos e em meu espírito, que há uma mudança à porta, tanto para Sião como para Babilônia. Grandes acontecimentos nos aguardam, a nós e a esta geração. Como já disse, os juízos estão à porta. Os anjos de Deus aguardam a grande ordem para saírem e ceifar a terra. Toda a terra e o inferno estão agitados contra Sião. O espírito da mentira anda solto por todo o mundo, e o povo não quer receber a verdade. Em minhas meditações, quer a respeito do passado, quer do presente, sempre me pareceu um dos maiores mistérios por que tão poucos se dispuseram a crer nas revelações de Deus. Nos dias de Jesus, entre todos os rabinos judeus, com seu Urim e Tumim, éfode, sacrifícios, a entrega da lei, e todas as bênçãos de Judá que tinham em suas mãos, tem sido para mim uma maravilha que tão poucos tivessem interesse em seu Shilo, seu Salvador, que veio para morrer e redimir o mundo. Todo o espírito de Jerusalém e da Judeia era — "Crucifica-o, crucifica-o! O seu sangue seja sobre nós e sobre nossos filhos." Assim foi, e assim tem sido, e eles o têm sentido. E os gentios têm motivo para tomar cuidado, para que também eles não caiam por incredulidade.

Diria a judeus e gentios, e a toda a terra, se tivesse poder, que Deus jamais teve senão um único Evangelho para entregar aos filhos dos homens, e que esse Evangelho é o mesmo hoje, ontem e para sempre; ele nunca muda. O Senhor jamais teve, em nenhuma era do mundo, uma Igreja que reconhecesse, que não tivesse uma cabeça, e que não fosse organizada com Profetas, Apóstolos, Pastores, Mestres, dons, socorros, governos, inspiração e dons do Espírito Santo; e a Igreja de Deus hoje é a mesma que em toda outra era.

Este Evangelho é oferecido ao mundo, e o fato de os homens em geral terem tamanho desejo de arrancá-lo da terra é a mais forte prova imaginável de que estão sob o domínio e o controle do pai das mentiras. Se algum homem tem uma verdade que não temos, dizemos: "Dai-no-la." Estou disposto a trocar todos os erros e falsas noções que tenho por uma só verdade, e consideraria ter feito um bom negócio. Não tememos a luz e a verdade. Nossa religião abrange toda verdade no céu, na terra ou no inferno; abrange toda a verdade, todo o Evangelho e o plano de salvação, e o cumprimento de todo o volume de revelação que Deus jamais deu. Não temos poder, os homens não têm linguagem, para expor as verdades eternas de Deus em toda a sua plenitude e beleza; tudo o que podemos fazer é advertir os filhos dos homens, e o Senhor escolheu os Élderes de Israel exatamente para esse propósito. Esta tem sido uma falha que os homens têm encontrado na obra do Senhor. Um homem me perguntou há pouco tempo — "Por que o Senhor escolheu Joseph Smith para edificar seu reino? Por que não escolheu o Dr. Porter, Henry Ward Beecher, ou algum homem desses?" Eu disse — "Tais homens venderiam o reino de Deus e tudo o que nele há por dinheiro e popularidade, e, tão certo como o Senhor vive, ele jamais poderia governá-los e conduzi-los; nenhum deles trabalharia com ele, são demasiado parecidos com os fariseus, saduceus, sumos sacerdotes e rabinos da Judeia e de Jerusalém." Alguma vez o Senhor escolheu tais homens para realizar sua obra? Percorrei toda a história do mundo, e achareis que, sempre que Deus quis um servo, um Apóstolo ou um Profeta, escolheu o homem mais humilde que se pudesse encontrar. Quando se quis um rei para Israel, não se pôde encontrar um só entre todos os altos filhos de Jessé; e quando o Profeta perguntou se Jessé não tinha outro filho, foi-lhe dito que não, apenas o rapaz que cuidava das ovelhas. Ninguém pensava nada a respeito dele, ele não tinha importância alguma. "Deixai-me vê-lo", disse o homem de Deus; e, quando o trouxeram, o Profeta derramou óleo sobre sua cabeça e o ungiu Rei de Israel. Assim tem sido por toda parte. Tomai Moisés, o líder de Israel. Sua mãe o lançou entre os juncos, nas margens do rio Nilo, entregando-o aos crocodilos. Mas quão cuidadosamente o Senhor velou por ele! Por fim, a filha de faraó o tirou dali, enquanto se banhava, e o entregou a sua própria mãe para ser criado e amamentado. Podeis ver a mão do Senhor nisto. Quando o Senhor chamou Moisés para libertar Israel do Egito, este disse — "Como posso fazer isto? Sou homem de fala difícil e vagaroso na palavra." Ele pensava que não conseguiria, pois não tinha bom domínio da linguagem. Mas o Senhor lhe disse que lhe daria um porta-voz. Assim, por toda parte, o Senhor tem escolhido as coisas fracas do mundo para confundir os sábios, e as coisas que não são, para reduzir a nada as coisas que são. O próprio Jesus Cristo nasceu num estábulo e foi posto numa manjedoura; e quem foram seus Apóstolos? Pescadores iletrados, homens de quase o mais baixo ofício, seja na Judeia, em Salt Lake City ou em qualquer outro lugar; mas pescadores podem ser tão honrados quanto quaisquer outros homens, e geralmente são considerados homens muito humildes, e é esse o tipo de homem que Deus sempre escolheu.

O Senhor chamou Joseph Smith porque ele fora pré-designado, antes de o mundo existir, para edificar esta Igreja e Reino, e ele veio pelos lombos do antigo José. Era um jovem sem instrução, mas o Senhor o usou, e ele viveu para cumprir a medida de seu chamado; viveu enquanto o Senhor exigiu que vivesse, e até receber todas as chaves detidas por todo Profeta e Apóstolo que já viveu na carne, desde os dias de Adão até seu próprio dia, que pertenciam a esta dispensação.

Joseph Smith recebeu sua primeira ordenação pela mão de João Batista, que foi decapitado, e que, enquanto na carne, detinha o Sacerdócio Aarônico. Pedro, Tiago e João, que foram Profetas, e foram crucificados e mortos — pelo menos Pedro e Tiago o foram — vieram e ordenaram Joseph Smith ao Apostolado; e toda ordenação que ele obteve, obteve-a do mundo espiritual, de homens que haviam tabernaculado aqui na carne. Estas são as verdades eternas do Deus dos céus, e a eternidade as revelará aos habitantes da terra. É por este poder que esta Igreja tem sido plantada, não pelo homem nem pela vontade do homem, mas pelas revelações de Jesus Cristo. Chamamos os Santos dos Últimos Dias, contamos com eles, e o Senhor conta com eles, os céus contam com eles, para que tomem parte e edifiquem este reino.

Parte do mundo de fora tem encontrado muitos defeitos nos índios. Quem são os índios? Lede o Livro de Mórmon, e aprendereis que são os descendentes literais de Israel; foram amaldiçoados por causa das transgressões de seus pais, e uma pele escura veio sobre eles. Esta história nos diz que outrora foram um povo branco e deleitável, e tiveram grande poder nesta terra, mas foram degradados e derrubados por causa de seus pecados. Quando aqui chegamos, encontramo-los vivendo de grilos, gafanhotos, raízes e tudo o que pudessem comer, seres pobres, miseráveis e degradados, embora tenham almas imortais e sejam da casa de Israel. O que o Senhor está fazendo por eles? Está estendendo sua mão sobre eles, em memória das promessas feitas a seus pais. O Presidente Young e seu povo são acusados de instigar os índios contra o governo geral, e contra o homem branco. Isso não é verdade. Temos pregado aos índios por muitos anos, conforme temos tido oportunidade, mas que efeito teve isso? Não muito. Pregamos a Walker, a Arapene e a muitos outros chefes que aqui habitaram, mas que já faleceram, e nossa pregação teve pouco efeito. Agora o Senhor está estendendo sua mão sobre os lamanitas, e seus olhos estão sendo abertos, e eles estão recebendo o Evangelho de Jesus Cristo das mãos dos Élderes de Israel. De quem é esta obra? Não é obra do homem, mas é obra de Deus, e, se as nações da terra tentarem detê-la, a guerra será entre elas e Deus, e não entre elas e nós. Assim é com todo outro princípio que Deus nos revelou. Esta obra é a obra do Deus de Israel, e não a obra do homem; não é a obra de Brigham Young, dos Doze Apóstolos, nem de ninguém mais. A mão do Senhor está buscando aquele povo, e se nós, como Santos dos Últimos Dias, não nos levantarmos e magnificarmos nossos chamados e cumprirmos nossas missões, o Senhor tomará aquele povo e edificará seu reino, e nós seremos lançados fora. É tempo de despertarmos e compreendermos esta verdade, e de, como Élderes de Israel, compreendermos nossa posição perante o Senhor. Ora, há um desejo muito geral manifestado por este povo de enriquecer, e de trabalhar para si mesmo em vez de para o reino de Deus. Mas de que nos aproveitará, a vós ou a mim, deixarmos de orar e irmos enriquecer? De que aproveitará a um homem ganhar o mundo inteiro e perder sua própria alma? Não muito. Que dará um homem em troca de sua alma, quando chegar ao outro lado do véu? Admiro-me muito do pouco interesse manifestado, em geral, pelos habitantes da terra em seu estado futuro. Não há aqui hoje pessoa alguma que não vá viver do outro lado do véu tanto tempo quanto seu Criador — pelas intermináveis eras da eternidade, e o destino eterno de cada indivíduo depende da maneira como são gastos os poucos e breves anos da vida na carne. Pergunto, em nome do Senhor, que é a popularidade para vós ou para mim? Que são o ouro ou a prata, ou os bens deste mundo, para qualquer de nós, além do que nos permite obter o necessário para comer, beber e vestir, e para edificar o reino de Deus? E que deixemos de orar, e nos tornemos loucos atrás das riquezas do mundo, é o cúmulo da tolice e da loucura. A ver o modo como algumas pessoas agem, poderíeis supor que vão viver aqui eternamente, e que seu destino eterno depende do número de dólares que possuem. Às vezes pergunto aos Santos dos Últimos Dias: quanto tínhamos quando chegamos aqui? Quanto trouxemos, e de onde veio? Não creio que algum de nós tenha trazido esposa ou casa de tijolos; não creio que algum de nós tenha nascido a cavalo ou em carruagem, ou que tenhamos trazido conosco títulos de estrada de ferro, gado e casas, mas nascemos nus como Jó, e creio que sairemos daqui tão nus quanto ele saiu. Então, quanto aos bens deste mundo, que valem eles para nós, para que nos induzam a perder a salvação por causa deles? Digo, antes disso, que eu seja pobre todos os dias da minha vida; se as riquezas hão de me condenar, e tirar-me a glória que tenho em perspectiva por guardar os mandamentos de Deus, rogo a Deus que jamais as possua.

Deus tem em suas mãos as riquezas deste mundo; o ouro e a prata, o gado e a terra são dele, e ele dá a quem quer dar. Quando Cristo estava no monte, Lúcifer, o diabo, mostrou-lhe toda a glória do mundo e ofereceu-se para dá-la a ele se ele se prostrasse e o adorasse. Mas sabeis que aquele pobre demônio não possuía um único pé de terra em todo o mundo, e que nem sequer tinha um corpo, ou tabernáculo? A terra é o escabelo dos pés do Senhor, e se algum dia tivermos algo dela para nós, será o Senhor quem no-la dará; e devíamos ser tão fiéis à nossa religião se tivéssemos dez mil milhões de dólares, quanto se não tivéssemos nada. A vida eterna é o que buscamos, ou deveríamos buscar, e essa, sejam quais forem nossas circunstâncias e condição de vida, deveria ser nossa primeira meta.

Digo aos irmãos e irmãs — tendes vosso chamado; o Senhor levantou estes Élderes de Israel, e posso provar, pelo Livro de Doutrina e Convênios, que recebestes o Sacerdócio desde a eternidade, e vossas vidas têm estado escondidas com Cristo em Deus, e não o sabíeis. Sois literal e legitimamente herdeiros do Sacerdócio pela linhagem de vossos pais, e esse Sacerdócio continuará por toda a eternidade; portanto, recebestes vosso chamado, e o Senhor conta convosco para edificar sua Sião e seu reino sobre a terra.

Procuremos ser fiéis e viver nossa religião; procuremos crer nas revelações de Deus. Penso que será melhor para nossas filhas, para nossas esposas, para nossos filhos e para nós mesmos deixarmos de lado o New York Ledger e a literatura de capa amarela em geral, e tomarmos e lermos as revelações de Deus, e as compreendermos. Quando leio as revelações, seja na Bíblia, no Livro de Mórmon ou no Livro de Doutrina e Convênios, considero-as verdadeiras, e busco seu cumprimento. Até o dia de hoje, nem um jota ou um til delas jamais deixou de se cumprir, e, como o Senhor disse — "O que eu disse está dito, e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a terra, nem um jota ou um til de minha palavra deixará de se cumprir, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo. Eis que eu sou Deus, e a verdade há de ser e permanecer para todo o sempre. Amém." Ora, procuremos viver nossa religião e guardar os mandamentos de Deus. Como Santos dos Últimos Dias, vejamos onde estamos, e, se não temos azeite em nossas lâmpadas, deixemos de tentar enriquecer, e oremos ao Senhor até obtermos seu Espírito e azeite em nossas lâmpadas, e luz para a glória de Deus, e tomemos e trabalhemos para edificar seu Reino e sua Sião.

Antes de encerrar, quero falar sobre um ponto temporal. Tenho falado sobre a busca de riquezas. Não encontro defeito nas riquezas. O ouro e a prata são do Senhor. Precisamos construir casas e devemos cultivar a terra. Isto está certo. Não encontro defeito em um homem enriquecer; encontro defeito em vendermos o reino de Deus, nosso direito de primogenitura, vendermos o Evangelho e nos privarmos da vida eterna, por causa de satisfazer as cobiças da carne, o orgulho da vida e as modas do mundo, e pormos nossos corações nestas coisas. É certo edificar casas, plantar vinhas e pomares, cultivar a terra e fazer o deserto florescer como a rosa, ornar nossas moradas e edificar Templos. Isto está certo. Não tenho objeção a que as senhoras — nossas esposas, filhas e mães — em Sião se adornem tanto quanto lhes aprouver, contanto que façam elas mesmas o que vestem. Plantai vossas amoreiras e fazei vossa própria seda; obtende palha e fazei vossos próprios chapéus; fazei vossas flores artificiais para vos adornar, e que tudo seja obra de vossas próprias mãos, e não importeis estas coisas às custas dos meios que temos no Território. Não tenho defeito algum a encontrar em vos adornardes, contanto que façais apenas aquilo que necessitais.

Quero dizer uma palavra a nossos agricultores antes de encerrar. Quero perguntar-vos se já ouvistes o irmão Kimball falar sobre guardar trigo? "Sim", dizem alguns, "já o ouvimos, mas a fome ainda não chegou." Não, mas há de chegar. O Senhor não vai decepcionar nem a Babilônia nem Sião, quanto à fome, à pestilência, aos terremotos ou às tempestades; ele não vai decepcionar ninguém quanto a nenhuma destas coisas, elas estão às portas, e quero dar uma palavra de exortação a nossos agricultores, e digo-lhes: guardai vosso trigo, pois, segundo o espírito que tenho tido em meu peito nos últimos três ou quatro meses, e no peito de muitos outros, chegará o dia em que, se não seguirdes este conselho, precisareis de vosso trigo para o pão. Sinto-me levado a exortar os irmãos; e a dizer-lhes: guardai o pão, não o vendais por uma ninharia; deixai que vossas esposas e filhas passem, por algum tempo, sem fitas e ornamentos; deixai que vosso trigo permaneça em vossos celeiros; procuremos passar com casacos velhos e chapéus velhos, e guardar o trigo, e dentro em pouco vereis a razão pela qual este conselho foi dado. Guardai vosso trigo, e outras provisões, contra um dia de necessidade, pois chegará o dia em que serão necessárias, sem dúvida alguma. Precisaremos de pão, e os gentios precisarão de pão, e, se formos sábios, teremos algo para alimentá-los e a nós mesmos quando a fome chegar. Já alimentamos milhares deles em dias passados, que teriam deixado seus ossos nestas planícies, se não fosse pelo conselho do Presidente Young de que cultivássemos a terra e tivéssemos trigo à mão para alimentá-los. E chegará novamente o dia em que o milho será necessário em Sião, e será buscado. Espero que os Santos dos Últimos Dias tomem cuidado com estas coisas e sejam sábios.

Rogo que Deus vos abençoe, que vos dê seu espírito, para que possais ver e compreender vossa posição perante ele. E rogo que abra os olhos, os ouvidos e os corações dos gentios, para que possam receber o Evangelho de Cristo, e ser contados com a casa de Israel na última dispensação da plenitude dos tempos, para que possam permanecer em lugares santos entre as nações, pois estas coisas hão de vir tanto a judeus como a gentios, a Sião e a Babilônia. Não há como escapar delas, pois o Senhor assim o disse, e o que ele disse há de se cumprir. Amém.

Como citar este discursoWilford Woodruff, “A Parábola das Dez Virgens; A Importância da Última Dispensação; As Responsabilidades que Recaem sobre os Élderes; Os Juízos à Porta; Os Lamanitas; Manufaturas Domésticas; Guardar Trigo”, (1875-09-12). Pulpit Vault, 1875-09-woodruff-parable-of-the-ten-virgins. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).