O Livro de Mórmon — O Urim e Tumim — Aparição de um Santo Anjo em 1829 a Quatro Pessoas — Seus Testemunhos da Veracidade do Livro de Mórmon — Também Outras Oito Testemunhas — A Profecia de Isaías Refere-se Àquele Livro — A Profecia de Ezequiel
Orson Pratt
Lerei alguns versículos do capítulo 29 de Isaías, começando no versículo 18. [O orador leu do versículo 18 até o fim do capítulo.] ¶
Aquilo que desejo trazer à vossa mente, mais particularmente, na presente ocasião, encontra-se no primeiro versículo que li — "E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro." ¶
Os Santos dos Últimos Dias são um povo peculiar entre os habitantes da terra da presente era, peculiar em muitas coisas, peculiar em muitas noções e opiniões religiosas. Professamos crer neste livro, o registro judaico, chamado a Bíblia. Não somos peculiares no que diz respeito a este item de nossa fé; mas, além da Bíblia, cremos em outro livro, chamado o Livro de Mórmon, que consideramos igualmente sagrado quanto à Bíblia. Alguns talvez chamem o Livro de Mórmon de uma bíblia, e, em certo sentido da palavra, assim pode ser chamado, pois é uma coletânea de livros sagrados, tal como o é o registro judaico. A diferença entre os dois registros está apenas na história e em alguns dos escritos proféticos. A Bíblia professa ser uma história do povo que viveu no continente oriental, enquanto o Livro de Mórmon professa ser uma história do povo que viveu na América antiga. Denominamos o registro judaico a Bíblia, porque é uma coletânea de livros que se diz terem sido escritos por homens inspirados. Não vejo razão para que nós, como Santos dos Últimos Dias, não devêssemos também chamar o Livro de Mórmon de uma bíblia, sendo ele uma coletânea de livros escritos por Profetas e Reveladores. Talvez, porém, o mundo, ou aqueles que são estranhos às evidências acerca destes dois livros, possam objetar, e dizer que não temos direito de chamar o Livro de Mórmon de uma bíblia, a menos que possamos trazer tal evidência para comprovar sua divindade quanto a que podemos trazer a respeito do registro judaico. Mas, supondo que possuamos evidências semelhantes acerca deste livro em relação à América antiga, tal como as tendes a respeito da Bíblia, a história do povo da Palestina; supondo que possamos apresentar tantas evidências e testemunhos substanciais para provar a divindade do Livro de Mórmon, quanto vós podeis apresentar para provar a divindade do registro judaico, então por que não deveríamos incluí-lo entre os livros sagrados, e denominá-lo uma bíblia, assim como chamamos assim o registro judaico? Esta tarde, com o auxílio do Espírito de Deus, procurarei apresentar-vos, Santos dos Últimos Dias, e estranhos que possam estar presentes, algumas das evidências que temos acerca da divindade deste livro que tão altamente prezamos — o Livro de Mórmon. ¶
Em primeiro lugar, dar-vos-ei uma declaração muito breve acerca da maneira pela qual o Livro de Mórmon foi encontrado. No ano de 1827, um jovem, filho de um fazendeiro, chamado Joseph Smith, foi visitado por um santo anjo, como o fora por vários anos antes deste tempo. Mas nesta ocasião, no outono de 1827, foi-lhe permitido tomar posse das placas das quais o Livro de Mórmon foi traduzido — o anjo as entregou em suas mãos, permitiu-lhe tirá-las do lugar de seu depósito, que fora revelado ao Sr. Smith pelo anjo de Deus. Com este livro, chamado o Livro de Mórmon, havia um instrumento muito singular, tal como, provavelmente, nenhuma pessoa vira por muitas gerações; foi chamado pelo anjo de Deus de Urim e Tumim. Sabemos que tal instrumento existiu em tempos antigos entre os judeus, e entre os israelitas no deserto, e que era usado para inquirir do Senhor, e tão sagrado era esse instrumento nos dias de Moisés, que Arão, o sumo sacerdote de toda a casa de Israel, foi ordenado a colocá-lo dentro de seu peitoral, para que, quando julgasse as tribos da casa de Israel, não julgasse segundo a sua própria sabedoria, mas inquirisse do Senhor por meio deste instrumento, e qualquer que fosse a decisão que o Senhor, com o auxílio do Urim e Tumim, desse, todo o Israel a atenderia. O mesmo instrumento esteve em uso, muitas centenas de anos depois dos dias de Arão, pelos Profetas de Israel. Davi inquiriu por meio de um instrumento desse tipo, acerca de seus inimigos, que o perseguiam de cidade em cidade, fazendo certas perguntas ao Senhor — se seus inimigos viriam à cidade onde ele se encontrava, e se seria entregue a eles pelo povo daquela cidade; e o Senhor lhe dava toda a instrução necessária, e, por este meio, foi livrado das mãos de seus inimigos, de tempos em tempos. ¶
Mas parece que, antes da vinda de Cristo, por alguma razão, provavelmente por causa da iniquidade, o Urim e Tumim foram tirados dos filhos de Israel, e uma profecia foi proferida por um dos antigos Profetas, antes de Cristo, de que ficariam muitos dias sem sacerdote, sem o Urim e Tumim, sem o efod, e sem muitas coisas com que Deus os havia abençoado nos dias de sua retidão; mas que, nos últimos dias, Deus restauraria novamente todas as suas bênçãos ao povo de Israel, incluindo seus conselheiros e seus juízes como no princípio. ¶
Com estas placas que Joseph Smith, o Profeta, obteve por meio das instruções do anjo, ele também obteve o Urim e Tumim, e, com seu auxílio, copiou alguns caracteres das placas e os traduziu. Ele mesmo não era um homem instruído, mas um rapaz de fazenda ignorante, mal possuindo os primeiros rudimentos de educação. Sabia ler e escrever um pouco, e isso era praticamente o total de suas aquisições educacionais. Depois de copiar alguns dos caracteres dessas placas e de traduzi-los, entregou-os nas mãos de Martin Harris, homem com quem era conhecido, que morava não muito longe de sua vizinhança; e Martin Harris levou esses poucos caracteres e sua tradução à cidade de Nova Iorque, para mostrá-los aos eruditos, e, se possível, obter alguma informação a respeito de seu significado. Isso foi no ano de 1827. Martin Harris era então um homem de meia-idade, tendo cerca de quarenta e seis anos. Ao chegar à cidade de Nova Iorque, visitou o erudito Dr. Mitchell, professor de línguas, e obteve dele algumas informações a respeito do manuscrito que trazia, e foi recomendado pelo Dr. Mitchell a procurar o Sr. Anthon, professor de línguas antigas e modernas, provavelmente um dos homens mais eruditos em línguas antigas que já viveram em nossa nação. O Sr. Harris foi procurar o Sr. Anthon, e mostrou-lhe os caracteres. O professor os examinou, bem como a tradução, e, segundo o testemunho de Martin Harris, dado desta tribuna, deu-lhe um certificado de que, até onde ele podia compreender os caracteres, a tradução parecia correta; mas desejava mais tempo, e desejava que as placas originais lhe fossem trazidas. O Sr. Harris então informou-lhe como o Sr. Smith entrara na posse das placas — que não as havia encontrado acidentalmente, mas que um anjo de Deus lhe revelara o lugar de seu depósito. Isso foi depois que Martin Harris obtivera o certificado do Professor Anthon, e pouco antes de o Sr. Harris despedir-se do erudito cavalheiro; este último, tendo apurado como o Sr. Smith entrara na posse das placas; que parte delas estava selada, e que o Senhor dera um mandamento estrito de que não fossem mostradas ao público, mas somente a certas testemunhas; digo que o professor, ao saber disso, quis ver o certificado novamente; o Sr. Harris devolveu-lho, e ele o rasgou, dizendo que não existia tal coisa como anjos, ou comunicações do Senhor em nossos dias, e, ao ser informado pelo Sr. Harris de que uma parte das placas estava selada, observou, de maneira bastante sarcástica, que não podia ler um livro selado. ¶
O Sr. Harris deixou-o, e voltou, umas duzentas e cinquenta milhas ou mais, à vizinhança onde as placas haviam sido encontradas, e informou o Sr. Smith de seu êxito junto aos eruditos, depois do que o Senhor deu um mandamento especial a Joseph, por mais iletrado que fosse, de que traduzisse o registro com o auxílio do Urim e Tumim. O Sr. Smith começou a obra de tradução. O Sr. Harris, atuando como seu escriba, escreveu, ditado por sua boca, cento e dezesseis páginas da primeira tradução dada pelo Profeta. ¶
A obra prosseguiu de tempos em tempos, até que, finalmente, a parte não selada do Livro de Mórmon foi toda traduzida. Enquanto isso, Martin Harris, Joseph Smith, o tradutor do livro, Oliver Cowdery e David Whitmer, quatro pessoas, retiraram-se para um pequeno bosque no ano de 1829, não longe da casa do velho pai Whitmer, onde esta Igreja foi organizada. Retiraram-se a esse bosque com o propósito especial de invocar o nome do Senhor, e todos se ajoelharam e começaram a orar, um por um, e, enquanto assim se ocupavam, viram um anjo de Deus descer dos céus, muito brilhante e glorioso em sua aparência; e ele veio e se colocou no meio deles, e tomou as placas e virou folha após folha da parte não selada, e mostrou a esses quatro homens as gravuras nelas contidas; e, ao mesmo tempo, ouviram uma voz do céu dizendo-lhes que as placas haviam sido traduzidas corretamente, e ordenando-lhes que dessem testemunho disso a todas as nações, tribos, línguas e povos a quem a tradução fosse enviada. De acordo com este mandamento, Oliver Cowdery, David Whitmer e Martin Harris anexaram seu testemunho após a página de rosto do Livro de Mórmon, testificando da aparição do anjo, assinando seus nomes e testificando da correção da tradução; testificando de terem visto as placas e as gravuras nelas contidas, e a voz do Senhor, que ouviram vinda dos céus. ¶
Ora, permiti-me dizer algumas palavras acerca da natureza deste testemunho. Este testemunho foi dado antes da publicação do livro, e também antes da organização da Igreja dos Santos dos Últimos Dias. O livro foi impresso no início de 1830, com o testemunho deles. Assim percebeis que esta obra, esta obra maravilhosa, não foi apresentada aos habitantes da terra para sua crença, até que Deus os houvesse favorecido com quatro pessoas que pudessem dar testemunho do que seus olhos haviam visto, do que seus ouvidos haviam ouvido, e do que suas mãos haviam manuseado; por conseguinte, não havia possibilidade, no que dizia respeito a esses quatro homens, de que eles próprios pudessem estar enganados. Seria impossível que quatro homens estivessem juntos, e todos eles se enganassem ao ver um anjo descer do céu, e quanto ao brilho de seu semblante e à glória de sua pessoa, ao ouvir sua voz, e ao vê-lo impor as mãos sobre um deles, a saber, David Whitmer, e proferir estas palavras — "Bendito seja o Senhor, e aqueles que guardam os seus mandamentos." Depois de ver as placas, as gravuras nelas contidas, e o anjo, e de ouvir a voz do Senhor vinda do céu, toda pessoa dirá que não havia possibilidade de qualquer desses homens estar enganado a respeito deste assunto; em outras palavras, se se sustentasse que, no caso deles, foi uma alucinação do cérebro, e que estavam enganados, então, com a mesma propriedade, poder-se-ia afirmar que todos os demais homens, em toda época, que professam ter visto anjos, também estavam enganados; e isso poderia ser aplicado aos Profetas, Patriarcas, Apóstolos e outros que viveram em tempos antigos, que declararam ter visto anjos, tanto quanto a Oliver Cowdery, Martin Harris e David Whitmer. Mas diz o objetor — "Não, aqueles que testificam terem visto anjos antigamente não estavam enganados, mas os que vêm testificando acerca de tais ministrações nos últimos dias podem estar enganados." Ora, permiti-me perguntar, há algo de lógico num raciocínio como este? Se estes, nos últimos dias, que testificam ter visto anjos, estavam enganados, todos os que testificam as mesmas coisas em dias anteriores poderiam ter estado enganados pelos mesmos motivos. E, então, se estes homens, cujos testemunhos estão anexados ao Livro de Mórmon, não estavam enganados, deve-se admitir que eram impostores do caráter mais descarado, ou então que o Livro de Mórmon é um registro divino enviado do céu; uma coisa ou outra deve ser admitida, não há meio-termo neste assunto. Se não estavam enganados — o que não poderiam possivelmente ter estado, segundo a própria natureza de seu testemunho — então há apenas duas alternativas — eram impostores, ou então o Livro de Mórmon é uma revelação divina vinda do céu. ¶
Ora, indaguemos que fundamentos há para supor que fossem impostores. Quarenta e seis anos se passaram desde que este anjo apareceu e mostrou as placas a esses indivíduos. Aconteceu algo, durante este tempo, que nos desse algum fundamento para supor que fossem impostores? Por exemplo, alguma dessas testemunhas, ou o tradutor das gravuras nas placas, jamais, em quaisquer circunstâncias, negou seu testemunho? Não. Temos alguns relatos na Bíblia de homens de Deus, alguns dos maiores homens que viveram em tempos antigos, negando as coisas de Deus. Lemos de Pedro amaldiçoando e jurando que jamais conheceu Jesus, e, contudo, ele era um dos principais entre os Apóstolos. Seu testemunho era verdadeiro no que dizia respeito a ver e conhecer Jesus, e quanto à divindade de Jesus. Por quê? Porque Deus lho havia revelado, e, ainda assim, ele o negou. "Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas," disse Jesus, falando a Pedro, "porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus." Pedro sabia, tão bem quanto sabia que existia, que Jesus era o filho de Deus; isso lhe fora revelado dos céus, e, embora depois, por medo, na presença do sumo sacerdote, tenha amaldiçoado e jurado e negado, ainda assim o testemunho anterior que dera era verdadeiro. ¶
Ora, algum desses três homens, ou o tradutor do Livro de Mórmon, jamais negou a verdade, como fez Pedro? Alguma vez negaram, de qualquer maneira, a divindade do Livro de Mórmon? Nunca, jamais. Quaisquer que fossem as circunstâncias em que se encontrassem, por mais que fossem tumultuados e ridicularizados, por mais que sofressem pela perseguição de seus inimigos, seu testemunho, todo o tempo, foi — "Vimos o anjo de Deus, contemplamo-lo em sua glória, vimos as placas em suas mãos, e as gravuras nelas contidas, e sabemos que o Livro de Mórmon é verdadeiro." Joseph Smith continuou a dar este testemunho até o dia de sua morte; selou seu testemunho como mártir nesta Igreja, sendo morto a tiros por seus inimigos, que estavam enegrecidos e disfarçados, para que não fossem conhecidos. Oliver Cowdery não viveu sua fé como deveria, e foi excomungado desta Igreja ainda em vida de Joseph. Continuou ele, ainda assim, a apegar-se firmemente ao seu testemunho? Sim. Nunca se soube que se desviasse dele em nenhum grau; e, depois de estar fora da Igreja por vários anos, voltou a Council Bluffs, onde havia um Ramo da Igreja, e, numa conferência, reconheceu seus pecados, e humildemente pediu à Igreja que o perdoasse, dando seu testemunho das coisas sagradas registradas no Livro de Mórmon — que vira o anjo e as placas, exatamente segundo o testemunho ao qual havia anexado seu nome. Foi rebatizado membro da Igreja, e logo depois partiu desta vida. ¶
Martin Harris não acompanhou este povo ao Estado do Missouri, nem nos acompanhou ao Estado de Illinois; mas frequentemente ouvíamos falar dele, e, sempre que o fazíamos, ouvíamos que contava, em público e em particular, a grande visão que Deus lhe mostrara acerca da divindade do Livro de Mórmon. Há poucos anos, veio a este Território, um homem idoso, entre oitenta e noventa anos de idade, e falou desta tribuna, à audiência do povo. Depois se estabeleceu no condado de Cache, na parte norte do Território, onde continuou a viver até o último sábado, quando partiu desta vida em seu nonagésimo terceiro ano — uma boa velhice. Continuou ele a dar testemunho durante todo esse tempo — mais de quarenta e seis anos de sua vida? Vacilou ele, em algum momento durante esse longo período, em algum grau, em seu testemunho? De modo algum. Teve muitas fraquezas e imperfeições, como todas as demais pessoas, como os antigos Apóstolos, como o profeta Elias, mas, apesar de tudo, continuou a testificar até o último instante acerca da verdade desta obra. Nada parecia deleitá-lo tanto quanto falar do anjo e das placas que vira. Foi pouco antes de sua morte que um de nossos Bispos foi visitar o ancião; seu pulso parecia lento em seus movimentos, e quase extinto, mas a vista do Bispo pareceu revivê-lo, e disse-lhe — "Estou indo." O Bispo relatou-lhe algumas coisas que pensou que lhe interessariam, entre elas que o Livro de Mórmon fora traduzido para a língua espanhola, para o benefício de muitos dos descendentes de Israel neste país, que compreendem a língua espanhola, no México e na América Central. Esta notícia pareceu reanimar o ancião, e começou a falar sobre o Livro de Mórmon; nova força, ao que parece, lhe foi concedida, e continuou sua conversa por umas duas horas, e, em seu último testemunho, deu testemunho da divindade da obra, e alegrou-se ao pensar que ela prosseguia em outra língua, para que aqueles que a compreendessem pudessem conhecer as obras maravilhosas de Deus. ¶
Mencionarei aqui que Martin Harris, quando veio a este Território há alguns anos, foi rebatizado, o mesmo que todo membro da Igreja vindo de lugares distantes o é ao chegar aqui. Isso parece ser uma espécie de ordenança permanente para todos os Santos dos Últimos Dias que aqui emigram, desde a Primeira Presidência para baixo; todos são rebatizados e reiniciados renovando seus convênios. Há milhares de Santos dos Últimos Dias que entraram na pia batismal, e foram batizados por seus parentes e amigos falecidos. Martin Harris pediu este privilégio, e foi batizado aqui em Salt Lake City por muitos de seus parentes que já faleceram. Menciono estas coisas a fim de que os Santos possam compreender algo acerca deste homem que acaba de deixar-nos, quase com cem anos de idade. Deus o favoreceu, altamente o favoreceu. Esteve entre os poucos favorecidos que partiram do Estado de Ohio, no verão de 1831, e viajaram quase mil milhas até a parte oeste do Missouri, ao condado de Jackson. O Profeta foi ao mesmo tempo, e essa foi designada como a terra onde os Santos deveriam finalmente ser reunidos, e onde uma grande cidade deveria por fim ser erguida, chamada a cidade de Sião, ou a Nova Jerusalém, e que os Santos deveriam se estabelecer por toda aquela região do país. Deus deu muitos mandamentos naqueles dias acerca do que se poderia chamar a Ordem Unida; em outras palavras, acerca da consagração das propriedades da Igreja. Estas coisas foram dadas por revelação por meio do Profeta. Martin Harris foi o primeiro homem que o Senhor chamou pelo nome para consagrar seu dinheiro, e depositá-lo aos pés do Bispo no condado de Jackson, Missouri, segundo a ordem da consagração. Ele o fez de boa vontade; sabia que a obra era verdadeira; sabia que a palavra do Senhor, por meio do Profeta Joseph, era tão sagrada quanto qualquer palavra que jamais saíra da boca de qualquer Profeta desde a fundação do mundo. Consagrou seu dinheiro e seus bens, segundo a palavra do Senhor. Para quê? Como a revelação declara, como exemplo para o restante da Igreja. ¶
Como já mencionei, resta ainda mais uma testemunha que viu aquele anjo e as placas. Quem é? David Whitmer, homem mais jovem que Martin Harris, tendo provavelmente uns setenta anos; não me recordo exatamente de sua idade. Onde vive? Na parte oeste do Missouri. Ainda se apega firmemente ao seu testemunho? Sim. Muitos dos Élderes desta Igreja, indo e vindo entre as nações, têm-no visitado de tempos em tempos, e todos dão o mesmo testemunho — que o Sr. David Whitmer ainda declara, da maneira mais solene, que viu o anjo e que viu as placas em suas mãos. Mas ele não está aqui conosco; não se reuniu com o povo de Deus. Isso, porém, não prova que seu testemunho não seja verdadeiro, de modo algum. ¶
Ora, então, permiti-me trazer algumas predições ou profecias acerca destas três testemunhas. Na parte inicial do Livro de Mórmon, temos uma predição de que haveria três testemunhas; foi proferida quase seiscentos anos antes de Cristo, por um homem, um Profeta de Deus, que saiu de Jerusalém e veio a este continente americano; e, falando dos últimos dias, quando este registro viesse à família humana, prediz que haveria testemunhas que saberiam com certeza acerca de sua veracidade. Lerei o que ele diz: "E acontecerá que o Senhor Deus vos revelará as palavras de um livro e serão as palavras dos que adormeceram. E eis que o livro estará selado; e no livro haverá uma revelação de Deus, desde o princípio até o fim do mundo. Portanto, por causa das coisas que estão seladas, as coisas que estão seladas não serão entregues no dia da iniquidade e das abominações do povo. Portanto, o livro não lhes será revelado. O livro, porém, será entregue a um homem, e ele entregará as palavras do livro, que são as palavras dos que adormeceram no pó; e ele entregá-las-á a um outro." ¶
Ora, este homem de quem se falava era o tradutor, Joseph Smith; e a entrega das palavras a um outro referia-se ao que já relatei — a entrega de algumas das palavras do livro a Martin Harris. "Ele entregará as palavras a um outro; mas não entregará as palavras que estão seladas, nem entregará o livro. Porque o livro será selado pelo poder de Deus, e a revelação que foi selada será guardada no livro até o devido tempo do Senhor, quando virão à luz; pois eis que revelam todas as coisas, desde a fundação do mundo até o seu fim. E dia virá em que as palavras do livro, que estavam seladas, serão lidas nos telhados das casas; e serão lidas pelo poder de Cristo; e serão reveladas aos filhos dos homens todas as coisas que ocorreram aos filhos dos homens e que ocorrerão até o fim da Terra. Portanto, naquele dia em que o livro for entregue ao homem de quem falei, o livro será escondido dos olhos do mundo, para que os olhos de ninguém o vejam, a não ser que três testemunhas o vejam, pelo poder de Deus, além daquele a quem o livro for entregue; e testificarão da veracidade do livro e das coisas nele contidas. E não há outro que o veja, a não ser alguns poucos, segundo a vontade de Deus, para dar testemunho de sua palavra aos filhos dos homens; pois o Senhor Deus disse que as palavras dos fiéis falariam como se fosse dentre os mortos. Portanto, o Senhor Deus prosseguirá em trazer à luz as palavras do livro; e pela boca de tantas testemunhas quantas lhe parecer bem estabelecerá a sua palavra; e ai daquele que rejeitar a palavra de Deus!" ¶
Isso foi traduzido das placas, e escrito em manuscrito, antes que Martin Harris, David Whitmer ou Oliver Cowdery jamais vissem esse anjo, mas havia uma promessa; estava registrada; estava no manuscrito que três testemunhas o veriam pelo poder de Deus. Aquela profecia, como disse antes, foi proferida quase seiscentos anos antes de Cristo. Houve outra profecia proferida quase mil anos depois, que também lerei — "E agora eu, Morôni, escrevi as palavras que me foram ordenadas, segundo minha memória; e disse-te as coisas que selei" — falando ao tradutor que haveria de encontrar seus registros — "portanto, nelas não toques com o fim de traduzi-las, porque isso está proibido, a menos que no futuro Deus o julgue prudente. E eis que poderás ter o privilégio de mostrar as placas àqueles que hão de ajudar a trazer à luz esta obra. E serão mostradas a três, pelo poder de Deus; portanto, eles saberão com certeza que estas coisas são verdadeiras. E pela boca de três testemunhas estas coisas serão estabelecidas; e o testemunho de três e esta obra, na qual será demonstrado o poder de Deus e também a sua palavra, da qual o Pai e o Filho e o Espírito Santo dão testemunho — e tudo isto se levantará como um testemunho contra o mundo no último dia. E, se acontecer que se arrependam e venham ao Pai em nome de Jesus, serão recebidos no reino de Deus. E agora, se não tenho autoridade para estas coisas, julgai vós; pois sabereis que tenho autoridade quando me virdes e estivermos perante Deus no último dia." ¶
Eis, então, duas profecias proferidas com cerca de mil anos de diferença, traduzidas antes que as três testemunhas vissem o anjo. Foi em consequência dessas profecias que esses homens saíram para o bosque a orar. Podeis perguntar-me por que foram ali orar? Porque haviam lido essas coisas, e viram que haveria três testemunhas que saberiam pelo poder de Deus, revelado a elas dos céus, acerca desses assuntos, e sentiam-se ansiosos para que Deus lhes mostrasse essas coisas, para que pudessem ser os três favorecidos. ¶
Houve outros que viram estas placas? Sim. Quantos? Oito; todos os quais já faleceram, exceto um, John Whitmer, que ainda vive. Viram e manusearam as placas, e viram as gravuras nelas contidas, e testificam do mesmo a todo o povo a quem a obra for enviada. Quantos são, ao todo? Três testemunhas, oito testemunhas e o tradutor, doze ao todo, doze que viram e deram testemunho do original. Ora, pergunto a todos nesta casa, Santos e estranhos, tendes tantas testemunhas que tenham visto o original de algum livro da Bíblia, do Antigo e do Novo Testamento? Tendes sequer uma testemunha que tenha visto o original do qual algum desses livros foi transcrito? Não, nenhuma. Tendes a transcrição de escribas de geração em geração; tendes as traduções desses manuscritos transmitidas de geração em geração, e transcritas de uma cópia para outra, até que passaram, talvez, por milhares de cópias, antes que a arte da impressão fosse conhecida. Mas credes na Bíblia, não credes? Responde alguém — "Ah, sim, cremos nisso, mas, quanto ao Livro de Mórmon, duvidamos muito disso." ¶
Pois bem, permiti-me perguntar, há algo de inconsistente num povo que recebe o testemunho de doze testemunhas que viram e manusearam o original do Livro de Mórmon, quando, ao mesmo tempo, creem na Bíblia, cujo original jamais foi visto ou manuseado por nenhum homem desta geração? Em outras palavras, qual dos dois é mais consistente crer? Os Santos dos Últimos Dias creem em ambos, porque sabemos que a Bíblia é verdadeira, pois o Livro de Mórmon testifica dela, e obtivemos um testemunho da divindade do Livro de Mórmon; e, portanto, visto que aquele livro fala da Bíblia, sabemos que a Bíblia é verdadeira. Quando o povo mencionado no Livro de Mórmon deixou Jerusalém, e veio à terra da América, trouxe consigo os livros do Antigo Testamento, desde a história da criação até as profecias de Jeremias, e, em seus escritos feitos nesta terra, falam da divindade e da veracidade das escrituras do Antigo Testamento. Portanto, nós, como Santos dos Últimos Dias, sabemos que um livro é verdadeiro tão bem quanto sabemos do outro. Mas, com o mundo, é diferente, pois, como nunca tiveram este testemunho, a verdade da Bíblia repousa, para eles, inteiramente sobre um testemunho de segunda mão. Mas passemos a outros testemunhos. ¶
Referir-me-ei agora novamente ao capítulo 29 de Isaías, de onde li acerca de um livro, cujas palavras deveriam ser ouvidas pelos surdos — "E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro." Que livro quereis dizer, Isaías? Ele se refere àquele de que acabara de falar nos versículos 11, 12, 13 e 14 — "Pelo que toda a visão vos é como as palavras de um livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Ora, lê isto; e ele dirá: Não posso, porque está selado. Ou dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Ora, lê isto; e ele dirá: Não sei ler. Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, porém o seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído; Portanto, eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro, porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá." ¶
Aqui percebemos a natureza do livro que ele menciona no versículo 18, e aprendemos algo sobre a maneira pela qual haveria de vir à luz; que as palavras do livro, não as placas mesmas, não o original, mas a transcrição, uma cópia das palavras, as palavras do livro seriam entregues aos eruditos, pedindo-lhes que as lessem. ¶
Martin Harris, que agora se foi de nosso meio, foi o instrumento honrado nas mãos de Deus para cumprir esta profecia, como já relatei, dando-vos os nomes dos eruditos a quem apresentou essas palavras. Também vos relatei a conversa, na entrevista que o Sr. Harris teve com o Professor Anthon; quando este soube que um anjo aparecera, e que parte do livro estava selada, de maneira um tanto sarcástica, o Professor observou — "Não posso traduzir um livro que está selado." ¶
Ora, notai a próxima sentença — "E o livro é entregue ao que não sabe ler." Não as palavras do livro, não algumas sentenças, mas o próprio livro é entregue ao que não sabe ler, dizendo — "Lê isto, peço-te." E que disse ele? "Não sei ler." Sentiu sua fraqueza. Essa foi a exclamação de Joseph, quando lhe foi ordenado traduzir as gravuras nas placas. Considerava-se fraco demais para empreender uma obra desta natureza, e o Senhor lhe respondeu com as próprias palavras usadas por Isaías. Quando Joseph disse — "Não sei ler," o Senhor disse — "Pois que este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, portanto, eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro, porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá." E Joseph cumpriu o mandamento do Senhor, e Martin Harris escreveu as primeiras 116 páginas do manuscrito; e Oliver Cowdery e outros também escreveram, ditados por Joseph, enquanto este se ocupava em traduzir. Não foi esta uma obra maravilhosa? Que poderia ser mais maravilhoso? Um jovem, um rapaz que arava a terra, um rapaz que mal tinha educação, apenas aquela que obtivera numa escola rural; um homem que jamais estudara teologia, provavelmente jamais lera a Bíblia inteira em sua vida. Um jovem dessa descrição, chamado a traduzir uma língua falada pelos antigos habitantes deste país! Uma obra maravilhosa, de fato, um assombro e uma admiração para o povo. Isaías diz que o povo se admiraria com isso. Diz ele — "Detende-vos e maravilhai-vos, cegai-vos e ficai cegos; bêbados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte. Porque o Senhor derramou sobre vós um espírito de profundo sono, e fechou os vossos olhos; vendou os profetas, e os vossos cabeças, e os videntes." Essa é a condição do povo; ou, como se expressa Isaías noutro lugar, "As trevas cobrem a terra, e a escuridão profunda a mente dos povos." Os Profetas estão vendados; os videntes estão vendados, as revelações de Deus dadas em dias antigos lhes estão vendadas. São ensinados, não por homens inspirados, não por comunicações e revelações do céu, mas pelos preceitos dos homens, é como se lhes ensina o temor do Senhor. ¶
"E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e dentre a escuridão e dentre as trevas as verão os olhos dos cegos." Muitas pessoas talvez queiram espiritualizar isto; mas, seja espiritualizado ou não, posso dar testemunho de uma coisa que vi com meus próprios olhos, e é que aqueles que eram surdos, tão surdos que não podiam ouvir o som mais alto, foram instantaneamente restaurados pelas administrações dos Élderes desta Igreja, e, assim, os surdos, os literalmente surdos, foram capacitados a ouvir as palavras do livro. ¶
Os olhos dos cegos, não apenas aqueles que são cegos espiritualmente, mas os que são cegos fisicamente, deveriam ver, saindo da obscuridade e das trevas, quando aquele livro fosse revelado. Ora, sei que isso também tem ocorrido, e muitos nesta congregação o sabem e o viram; alguns viram os que nasceram cegos serem restaurados à vista pelo poder de Deus, desde que este livro veio à luz. Assim se têm cumprido, literalmente, as palavras de nosso texto. ¶
"E os mansos terão cada vez mais regozijo no Senhor." Houve muitas pessoas mansas entre todas as denominações cristãs, não disputamos isso; pessoas boas, honestas, retas, mansas, humildes, almas de oração; mas vagueavam nas trevas; mal sabiam para que lado se voltar. Um clamava, "Eis aqui," e outro, "Eis ali;" outro, "Este é o caminho, andai nele;" e outro, tendo doutrina oposta — "Nós somos a verdadeira Igreja, vinde e uni-vos a nós." Assim ficaram distraídos e suas mentes enlouquecidas, comparativamente falando; contudo, estavam ansiosos além de toda medida por conhecer a vontade de Deus. Este livro, quando viesse, haveria de colocá-los no rumo certo. "E os mansos terão cada vez mais regozijo no Senhor." De que maneira? "Porque," diz o Profeta, no versículo 24, "os que erram em espírito virão a ter entendimento, e os murmuradores aprenderão doutrina." Por mais que tenhais errado, por terdes sido ensinados pelos preceitos dos homens; por mais que tenhais andado nas trevas e na cegueira, com os Profetas, videntes e revelações de Deus vendados, e sem voz de inspiração em vosso meio; por mais que tenhais tateado nas trevas exteriores, se, contudo, tiverdes sido mansos perante o Senhor, vireis a ter entendimento quando este livro fizer sua aparição, e não antes. ¶
Mas dar-se-á isto nos últimos dias? Não se refere a alguma era anterior do mundo? Lede o que se diz nos versículos 20 e 21, e podereis julgar em que era do mundo este livro haveria de vir à luz. "Os pobres entre os homens se alegrarão no Santo de Israel." Não os ricos particularmente, a menos que assim o queiram; mas os pobres hão de ser reunidos dentre as nações para obterem lares para si mesmos. "Porque o tirano fenece, e se consome o escarnecedor; e todos os que se dão à iniquidade são extirpados; os que fazem culpado ao homem por uma palavra, e armam laços ao que os repreende na porta." Todos estes hão de ser varridos. Já chegou algum tal período desde que Isaías proferiu esta profecia? Não; mas quando certo livro viesse à luz, haveria de abençoar os mansos e humildes de coração, pois seu regozijo aumentaria no Senhor. E os pobres entre os homens seriam reunidos dentre as nações. Então, eis que todos os que se dão à iniquidade serão varridos da face da terra; haverá uma limpeza completa deles. Como foi nos dias de Noé, assim será nos dias da obra preparatória para a segunda vinda do Filho do homem — toda pessoa ímpia será destruída da face da terra, mostrando claramente que as revelações deste livro se referem a uma obra dos últimos dias. Também no versículo 4, ao falar do povo que escreveria este livro, o Profeta diz que serão abatidos, falarão desde debaixo da terra, suas placas, seus livros, seus registros, seus escritos, sairiam da terra — "A tua fala desde o pó sairá fraca," o mesmo que o Livro de Mórmon foi tirado do monte, antigamente chamado Cumora, no Estado de Nova Iorque. ¶
Além disso, diz ele que a multidão de todas as nações que lutam contra o povo de Deus se tornará como o sonho de uma visão noturna, será como um homem faminto que sonha, e eis que come, mas desperta, e sua alma está vazia; como um homem sedento que sonha, e eis que bebe, mas desperta, e sua alma tem apetite. Assim será a multidão de todas as nações que lutam contra o Monte Sião. ¶
Ora, não nos importa quantos perseguidores haja; ainda que incluam todas as nações, reinos e governos da terra, não importa. A multidão de todas as nações que lutam contra o Monte Sião se tornará como o sonho de uma visão noturna — será varrida. Isso concorda com o que já citei — que todos os que se dão à iniquidade, todos os escarnecedores, e todos os que lutam contra a obra de Deus, serão consumidos da face da terra. ¶
Ora, como há de este livro afetar a casa de Israel? É particularmente para o seu benefício? Já faz muito tempo que estão dispersos, muito tempo entre as nações; serão afetados por este livro de que fala Isaías? Sim. Lede o versículo 22, que já li antes diante de vós — "Portanto, assim diz o Senhor, que remiu Abraão, acerca da casa de Jacó: Jacó não será agora mais envergonhado, nem agora se descorará mais a sua face." Por quê? Porque este livro vem à luz para trazer a casa de Jacó de todas as nações e reinos da terra; e isto começará tão logo se cumpram os tempos dos gentios, não antes. Devemos ser avisados primeiro; nós, gentios, devemos ouvir a palavra primeiro; e, quando nos considerarmos indignos da vida eterna, e lutarmos contra o livro, e contra Sião e o povo de Deus, eis que o Senhor então se lembrará da casa de Jacó, e não mais se envergonharão, como o têm sido por cerca de dezessete séculos passados; não mais empalidecerão, como o fizeram onde quer que tenham sido dispersos, pois o Senhor diz, no versículo 23, que, quando Jacó vir seus filhos, a obra das suas mãos, no meio dele, isto é, reunidos dentre as nações, "santificarão o meu nome, e santificarão ao Santo de Jacó, e temerão ao Deus de Israel." ¶
Onde começará esta obra entre a casa de Israel? Entre o remanescente a que chamamos os índios americanos, que são os descendentes literais de Israel. Parecem estar mais afundados e degradados do que todo o restante de Israel, mas Deus estenderá sua mão e os trará ao conhecimento da verdade. Os descendentes de Manassés, e os descendentes de Efraim, também estão misturados entre eles, e também serão trazidos ao conhecimento da verdade, como o Senhor disse pela boca de Jeremias, acerca da grande obra dos últimos dias e da restituição da casa de Israel — "Efraim é o meu primogênito." Na grande obra dos últimos dias, então, o Senhor buscará os descendentes de Efraim e Manassés, e também os trará ao conhecimento da verdade. ¶
Admirai-vos, pois, de que, depois de quarenta e cinco anos passados desde a organização desta Igreja, e de a voz de advertência ter saído às nações gentias, Deus, em sua misericórdia e poder, comece uma obra entre este remanescente da casa de José, que vagueia como uma multidão de nações sobre a face deste continente? Lembrai-vos do que Jacó disse acerca da semente de José, no capítulo 48 de Gênesis — haveriam de se tornar uma multidão de nações. Nunca foram uma multidão de nações na Palestina, nem na Ásia, na Europa, nem na África, e, se a profecia não se cumprir no grande continente ocidental, não se cumprirá de forma alguma. Mas cumpriu-se no continente da América; e vemos, por toda a sua vasta extensão, desde as regiões geladas do norte até o Cabo Horn ao sul, uma multidão de nações. Quem são eles? São principalmente os remanescentes de uma tribo, os remanescentes da tribo de José, e são uma multidão de nações no meio da terra. O Senhor começou o ajuntamento e a restituição da casa de Israel entre os espécimes mais baixos da humanidade, e os levantará primeiro, para levar avante sua grande e maravilhosa obra. As dezenas de milhares de Efraim, e os milhares de Manassés, empurrarão os povos juntos até os confins da terra. Efraim não fará a obra sozinho, mas será auxiliado por Manassés. Os índios, os lamanitas, que hão de tomar parte nesta grande obra dos últimos dias, são os chifres de José, não para dispersar o povo, mas para empurrá-lo junto. Para onde? Para os confins da terra, diz o capítulo 33 de Deuteronômio, e não duvido de que, quando Moisés viu este continente em visão, o chamou de "os confins da terra." Ali haveria de haver um ajuntamento; seriam empurrados juntos; em vez de serem reunidos das nações da terra de volta à Palestina, seriam reunidos nos últimos dias, longe, em algum país distante, que Moisés designa pelo termo "confins da terra." ¶
É por esta razão que Deus prometeu, pela boca de Moisés, no capítulo 33 de Deuteronômio, que daria a José uma terra mais preciosa do que a terra de todas as demais tribos — uma terra de todos os climas, abençoada com as coisas preciosas da terra, e sua plenitude; com as coisas preciosas produzidas pelo sol, e as coisas preciosas produzidas pela lua, com o que há de melhor nos montes antigos, e as coisas preciosas dos outeiros eternos. Todas essas estariam sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça daquele que foi separado de seus irmãos. "Bendita do Senhor seja a sua terra" — essa foi a promessa que Deus deu a esta única tribo, uma terra muito superior à herança de todas as demais tribos. Jacó, que viveu muito tempo antes de Moisés, proferiu bênção semelhante, como registrado no capítulo 49 de Gênesis. Ao abençoar seus doze filhos, e dizer-lhes o que haveria de acontecer nos últimos dias, diz ele acerca de José — "É um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus ramos correm sobre o muro." Isto é, seus ramos não permaneceriam apenas em Jerusalém, ou na Palestina, ou naquela terra, mas correriam sobre o muro até algum país distante. Por isso diz, na mesma bênção, "As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais, até a extremidade dos outeiros eternos; elas estarão sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça do que foi separado dentre seus irmãos." ¶
Suponho que Jacó viu esta terra tão bem quanto Moisés, e a designa uma terra distante; a extremidade significaria uma terra muito distante. Disse que esta terra estava acima e além do que seus progenitores lhe haviam dado, e ele a daria a José. Não é de admirar que Moisés tenha dito — "Bendita do Senhor seja a sua terra, com... as águas do abismo que jaz abaixo." Pois, se Moisés teve uma visão dela, teria olhado através da terra e visto que o grande oceano Pacífico rolava sob seus pés, que jazia abaixo, e falaria disso à luz do que lhe fora revelado. Não é de admirar que o Profeta Ezequiel, ao falar da grande obra dos últimos dias e da restituição de Israel, tenha profetizado acerca dos registros de José, que viriam à luz e se uniriam ao registro de Judá, para levar a cabo aquela grande obra. As coisas preciosas do céu haveriam de ser dadas a José nesta terra. Bendita do Senhor seja sua terra pelas coisas preciosas do céu, mais preciosas do que a plenitude da terra, mais preciosas do que as produções dos vários climas da terra, mais preciosas do que os grãos, e o ouro e a prata da terra. As coisas preciosas do céu reveladas ao povo de José na grande terra que lhes foi dada até a extremidade dos outeiros eternos. ¶
Disse o Senhor a Ezequiel — "Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira, e escreve nele: Por Judá e aos filhos de Israel, seus companheiros. E toma outro pedaço de madeira, e escreve nele: Por José, a vara de Efraim, e de toda a casa de Israel, seus companheiros," e ajunta um ao outro, para que sejam uma vara, e serão uma só na tua mão. Então disse a Ezequiel — quando os filhos do teu povo te falarem, dizendo, porventura não nos declararás o que significam estas coisas, dize-lhes, assim diz o Senhor Deus, eis que eu tomarei a vara de José, escrita para José, e a porei com a vara de Judá, e se farão uma só na minha mão. Tal como as duas varas se fizeram uma só nas mãos de Ezequiel, assim o Senhor faria destes dois livros, de Judá e de José, um só em sua mão. Que fareis com eles, Senhor? Que fareis quando estes dois registros forem unidos num só? "Dize-lhes, assim diz o Senhor Deus, eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações, para onde eles foram; eu os congregarei de todas as partes, eu os levarei à sua terra; eu deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel; nunca mais serão duas nações, nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos." ¶
Já se cumpriu isso alguma vez? "Ah, não," diz alguém, "isso ainda não se cumpriu;" e nunca se cumprirá até que o Senhor traga à luz os escritos de José e os una ao registro judaico. Então poderemos esperar a restituição de Israel; tão logo se cumpram os tempos dos gentios, poderemos esperar o dia do poder do Senhor, quando ele fará com que os próprios poderes do céu se abalem em benefício de seu povo. Os poderes da eternidade serão movidos para levar a cabo a grande obra da restituição da casa de Israel. Então os montes tremerão, e os pequenos outeiros saltarão como cordeiros, como profetizou o salmista Davi. Então todas as coisas sentirão o poder de Deus, e seu braço se manifestará aos olhos de todas as nações, até que os confins da terra vejam a salvação de Deus, manifestada em favor de seu povo do convênio, Israel. Será, enfaticamente, o dia do poder do Senhor. ¶