O Homem é Descendência de Deus—A Verdade é Eterna—As Doutrinas de Cristo—A Lei da Gravitação—O Livre-Arbítrio
Orson Pratt
Lerei alguns parágrafos que encontrareis registrados no Livro de Doutrina e Convênios, começando perto do meio do segundo parágrafo de uma revelação dada em 27 de dezembro de 1832: ¶
"Aquele que subiu ao alto, como também desceu abaixo de todas as coisas, no sentido de que compreendeu todas as coisas, para que fosse em tudo e através de todas as coisas, a luz da verdade; Verdade essa que brilha. Essa é a luz de Cristo. Como também ele está no sol e é a luz do sol e o poder pelo qual foi feito. Como também ele está na lua e é a luz da lua e o poder pelo qual foi feita; Como também a luz das estrelas e o poder pelo qual foram feitas; E também a Terra e seu poder, sim, a Terra sobre a qual estais. ¶
"E a luz que brilha, que vos ilumina, vem por meio daquele que ilumina vossos olhos; e é a mesma luz que vivifica vosso entendimento; Luz essa que procede da presença de Deus para encher a imensidade do espaço — A luz que está em todas as coisas, que dá vida a todas as coisas, que é a lei pela qual todas as coisas são governadas, sim, o poder de Deus, que se assenta em seu trono, que está no seio da eternidade, que está no meio de todas as coisas." ¶
Passaremos agora ao nono parágrafo desta mesma revelação, dada por meio do Profeta Joseph Smith: ¶
"A todos os reinos se deu uma lei; E há muitos reinos; pois não existe espaço em que não haja reino; e não existe reino em que não haja espaço, seja um reino maior ou um reino menor. E a todo reino é dada uma lei; e toda lei também tem certos limites e condições. ¶
"Todos os seres que não se conformam a essas condições não são justificados. Pois a inteligência apega-se à inteligência; a sabedoria recebe a sabedoria; a verdade abraça a verdade; a virtude ama a virtude; a luz se apega à luz; a misericórdia se compadece da misericórdia e reclama o que é seu; a justiça segue seu curso e reclama o que é seu; o julgamento vai ante a face daquele que se assenta no trono e governa e executa todas as coisas. Ele compreende todas as coisas e todas as coisas estão diante dele e todas as coisas estão ao seu redor; e ele está acima de todas as coisas e em todas as coisas e através de todas as coisas e ao redor de todas as coisas; e todas as coisas existem por ele e dele, sim, Deus, para todo o sempre. ¶
"E também, em verdade vos digo: Ele deu uma lei para todas as coisas, pela qual se movem em seu tempo e em suas estações; E seus cursos são fixos, sim, os cursos dos céus e da Terra, que abrangem a Terra e todos os planetas. E transmitem luz uns aos outros em seu tempo e em suas estações, em seus minutos, em suas horas, em seus dias, em suas semanas, em seus meses e em seus anos — e tudo isto é um ano para Deus, mas não para o homem. ¶
"A Terra gira em suas asas e o sol dá sua luz de dia e a lua dá sua luz à noite e as estrelas também dão sua luz, ao girarem em suas asas, em sua glória, no meio do poder de Deus. A que compararei estes reinos, para que compreendais? Eis que todos estes são reinos; e qualquer homem que tiver visto um deles, ou o menor deles, viu Deus movendo-se em sua majestade e poder. Digo-vos: Ele viu-o; entretanto, aquele que veio para os seus não foi compreendido. A luz brilha nas trevas e as trevas não a compreendem; contudo, dia virá em que compreendereis até o próprio Deus, sendo vivificados nele e por ele. Então sabereis que me vistes, que eu sou e que sou a verdadeira luz que está em vós e que vós estais em mim; caso contrário, não poderíeis prosperar. ¶
"Eis que compararei estes reinos a um homem que tem um campo e que a ele enviou seus servos para nele cavar. E ele disse ao primeiro: Ide e trabalhai no campo, e na primeira hora eu virei a vós, e vereis a alegria de minha face. E disse ao segundo: Ide também vós ao campo, e na segunda hora eu vos visitarei com a alegria de minha face. E também ao terceiro: dizendo: Eu vos visitarei; E ao quarto, e assim por diante até o décimo segundo. ¶
"E o senhor do campo foi ao primeiro na primeira hora, e ficou com ele toda aquela hora, e ele se alegrou com a luz da face de seu senhor. E depois se retirou do primeiro para poder visitar também o segundo, e o terceiro, e o quarto, e assim por diante até o décimo segundo. E assim todos receberam a luz da face de seu senhor, cada homem em sua hora, e em seu tempo, e em sua estação — Começando pelo primeiro e assim até o último, e do último até o primeiro, e do primeiro até o último; cada homem em sua própria ordem, até que sua hora se cumprisse, sim, conforme seu senhor lhe havia ordenado, para que seu senhor fosse glorificado nele, e ele em seu senhor, para que todos fossem glorificados. ¶
"Portanto, a esta parábola compararei todos estes reinos, e os habitantes deles — cada reino em sua hora, e em seu tempo, e em sua estação, sim, segundo o decreto que Deus fez. ¶
"E também, em verdade vos digo, meus amigos: Deixo-vos estas palavras para que pondereis em vosso coração com este mandamento que vos dou de que me invoqueis enquanto estou perto — Achegai-vos a mim e achegar-me-ei a vós; procurai-me diligentemente e achar-me-eis; pedi e recebereis; batei e ser-vos-á aberto. Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome vos será dado, se for para vosso bem; E se pedirdes alguma coisa que não seja para o vosso bem, tornar-se-á em vossa condenação. ¶
"Eis que o que ouvis é como a voz de alguém clamando no deserto — no deserto, porque não o podeis ver — a minha voz, porque a minha voz é Espírito; o meu Espírito é verdade; a verdade persiste e não tem fim; e se estiver em vós, prosperará. ¶
"E se vossos olhos estiverem fitos em minha glória, todo o vosso corpo se encherá de luz e em vós não haverá trevas; e o corpo que é cheio de luz compreende todas as coisas. Portanto, santificai-vos, para que vossa mente concentre-se em Deus; e dias virão em que o vereis, porque ele vos desvendará sua face; e será em seu próprio tempo e a seu próprio modo e de acordo com sua própria vontade." ¶
Já li estes ditos de uma revelação dada há pouco mais de quarenta e dois anos àquele jovem, chamado Joseph Smith, um rapaz fazendeiro. Soam eles como o delírio de um louco? Soam como algo inventado ou composto pela sabedoria do homem, ou soam como a verdade? Joseph Smith não era um homem instruído, tinha de trabalhar para se sustentar quando era rapaz; e, quando Deus o chamou e lhe deu estas revelações, ele não havia estudado mais do que a maioria dos jovens que agora se assentam nesta congregação, e provavelmente não tanto. Contudo, estas palavras lhe foram dadas, e contêm informação e conhecimento muito além do que encontrareis registrado nos escritos dos eruditos, informação expressa tão simplesmente que uma mente comum pode, em alguma medida, apreendê-la, e, contudo, tão sublime e tão grande que, quando chegamos a investigar suas profundezas, requer maiores poderes e maior entendimento do que o homem naturalmente possui. ¶
Estamos informados, na parte do primeiro parágrafo que li, de que Deus está no sol de nosso firmamento, que ele é a luz do sol, e que ele é o poder do sol pelo qual foi feito. Estamos também informados de que ele está na lua, e que ele é a luz daquele luminar celeste, e o poder pelo qual ela também foi feita. Estamos também informados de que Deus está nas estrelas, aqueles mundos tão distantes do nosso, aqueles grandes centros ao redor dos quais, sem dúvida, milhões sobre milhões de corpos opacos giram, como nossos planetas giram ao redor de nosso corpo central, o sol; que ele está naquelas estrelas, que ele é a luz delas, e o poder pelo qual são governadas; ou, para vir diretamente a nossa terra, ele está na terra, e é o poder e a luz e a glória que estão ligados aos elementos de nosso globo. ¶
Isto parece exibir-nos a natureza daquele Ser que adoramos. Adoramo-lo por causa de sua glória, grandeza, bondade, justiça, misericórdia, conhecimento e sabedoria. Adoramo-lo, porque ele tem o poder de governar e controlar o universo, e porque ele nos ordenou que assim fizéssemos. Ele é uma pessoa; e nos é dito que, no princípio, o homem foi criado à sua imagem. Também nos é dito que somos seus filhos e suas filhas, que fomos gerados por ele, antes da fundação deste mundo; que somos sua descendência, tanto quanto as criancinhas nesta sala são a descendência de seus pais. Vendo, então, que ele é uma pessoa, e que estamos à sua imagem, podemos formar alguma ideia dos contornos gerais e da semelhança daquela pessoa, mas podemos formar uma ideia da inteligência que ele possui? Temos apenas uma ideia muito limitada disso. Ele compreende todas as coisas, todas as coisas estão diante dele, todas as coisas estão ao seu redor, e ele é o grande e supremo Governador de todas as obras de suas mãos. ¶
Estamos informados de que a mesma luz que brilha do sol, da lua e das estrelas, é a mesma luz que vivifica o entendimento dos filhos dos homens. Mas quem há, nesta congregação, ou na face da terra, que possa dizer como aquela luz opera ao vivificar o entendimento dos homens? É a mesma luz por meio da qual sois capazes de ver-vos uns aos outros e a natureza ao redor. A luz que procede de todos estes luminares celestes, com velocidade muito grande, é a mesma luz que vivifica o entendimento. Sabeis como isso se faz? Eu não sei; contudo, isto é o que Deus revelou. Ele é a luz que está em todas as coisas. Compreendeis, vós ou eu, como aquela luz está ligada a todas as coisas? Não. Estas são lições que ainda temos de aprender no futuro, quando ascendermos naquela escala de conhecimento e inteligência agora possuída pelos seres celestiais. Quanto tempo levará até que compreendamos estas coisas, não sei. Como nossas capacidades poderão ser ampliadas no futuro, não sei; como serão desenvolvidas e vivificadas de modo a compreender todas estas grandes verdades e princípios, não sei; mas estamos informados nesta revelação de que a luz que vivifica o entendimento dos filhos dos homens, e que ilumina todas as coisas, é uma e a mesma, e que é também a vida de todas as coisas. Que devemos entender por isto? Temos vida? Sim, certamente temos. Onde obtivemos esta vida? Quando foi criada ou feita? Há uma revelação sobre este assunto que diz que a inteligência, ou a luz da verdade, não foi criada, nem tampouco pode sê-lo. É então eterna? Sim. Então esta luz que brilha é eterna em sua natureza, é? Sim, porque é a mesma luz que dá vida a todas as coisas. Tiveram nossos espíritos, que têm poder de pensar e de raciocinar, vida antes da fundação do mundo? Sim. E que lhes deu esta vida? Os elementos que compõem nossos espíritos eram eternos; jamais foram criados, nem tampouco podem sê-lo; existiram desde toda a eternidade, e foram, em certo período, combinados ou organizados na forma de nossos espíritos; e daí a pré-existência do homem antes de o mundo ser feito. ¶
Esta mesma luz, que nos dá vida, e sem a qual não poderíamos prosperar, procede da presença de Deus para encher a imensidade do espaço. Podemos afastar-nos dela? Não; pois ela preenche todos os espaços intermediários entre mundo e mundo, entre um sistema e outro, e entre universo e universo; "e não há espaço em que não haja reino, e não há reino em que não haja espaço;" portanto, sendo este o caso, toda a eternidade, tão longe quanto vossas mentes possam alcançar, está preenchida de reinos, e deste poder de Deus, esta luz que é a vida de todas as coisas, e a lei pela qual todas as coisas são governadas. ¶
Talvez indagueis por que me detenho neste assunto misterioso? Respondo: por que o Senhor se deteve sobre ele há quarenta e dois anos, se não quisesse que, em alguma medida, o compreendêssemos? Falaria ele ao acaso? Daria ele uma revelação sem esperar que o povo algum dia tentasse compreendê-la? Se o Senhor quis que compreendêssemos algo, e se dignou revelar algo, por que deveríamos, depois de quarenta e dois anos de experiência, pensar que estamos ultrapassando nossos limites ao tentar compreender aproximadamente o que o Senhor desejava que, em alguma medida, entendêssemos, há quarenta e dois anos? É um velho capricho e noção sectária supor que não devemos tentar compreender a revelação. Sabeis que, quando chegam a algo, nos registros divinos, que não compreendem, dirão — "Oh, o Senhor jamais pretendeu que compreendêssemos isto, é um mistério, não devemos indagar nestas coisas, são mistérios." Como se o Senhor fosse revelar algo que jamais pretendeu ou desejou que a família humana compreendesse. Sem falar da Divindade, seria um ato de tolice, da parte de um homem, tentar uma revelação de algo que jamais pretendeu que seus semelhantes compreendessem. O Senhor é mais consistente do que o homem; e, se ele revela algo, certamente pretende que aquilo seja para proveito e edificação dos puros de coração. ¶
Ia dizer que nos detivemos demasiado no batismo para a remissão dos pecados. Mas não, ainda devemos guardá-lo em nossa memória. Não deixando os princípios da doutrina de Cristo, devemos ir avante para a perfeição. Creio que a tradução do Rei Jaime daquela passagem diz — "Portanto, deixando os princípios da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição." Mas a tradução dada pela inspiração do Espírito Santo, pelo Profeta do Senhor, insere a pequena palavra não. "Portanto, não deixando os princípios da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição." Não quero que o povo deixe o batismo, ou o lance de sua mente, e esqueça os primeiros princípios da doutrina de Cristo; mas, ao contrário, deveis sempre guardá-los em vossa memória. Quando vos arrependestes, fizestes uma boa obra; guardai essa boa obra em vossa mente. Quando fostes batizados para a remissão de vossos pecados, pelo ministério de um servo de Deus divinamente autorizado, fizestes uma boa obra; guardai isto em vossa mente, não deixeis este princípio. Quando as mãos foram impostas sobre vós para o dom do Espírito Santo, e isto foi confirmado sobre vós, fostes obedientes a um dos princípios da doutrina de Cristo; não o deixeis, mas guardai-o em vossa mente. Não suponhais, contudo, que estes primeiros princípios sejam os únicos a serem aprendidos; não vos torneis estereotipados em vossos sentimentos, e penseis que deveis sempre neles deter-vos e não prosseguir mais adiante. Se há conhecimento a respeito do futuro; se há conhecimento a respeito do presente; se há conhecimento a respeito das eras passadas; qualquer espécie de conhecimento que fosse benéfico à mente do homem, busquemo-lo, e aquilo que não pudermos obter usando a luz que Deus colocou dentro de nós, usando nossos poderes de raciocínio, lendo livros, ou pela sabedoria humana somente, busquemos a uma fonte mais elevada — àquele Ser que está cheio de conhecimento, e que deu leis a todas as coisas, e que, em sua sabedoria, bondade, justiça e misericórdia, controla todas as coisas segundo sua capacidade, e segundo as várias esferas e condições em que se encontram. ¶
Quando refletimos sobre este assunto, a pergunta naturalmente surge em nossa mente — se ele deu uma lei a todas as coisas, e estabeleceu limites e condições a toda lei que deu, fará mal a algum ser inteligente aprender a respeito destas leis tanto quanto possível? Penso que não. Para ilustrar isto, suponhamos que um homem culto, por anos de pesquisa e estudo, tenha descoberto muitas das grandes leis da natureza, e que tenha uma família de filhos crescendo; pensais que ele se aborreceria com seus filhos porque tivessem curiosidade e desejo de saber algo a respeito daquilo que seu pai compreendia? Não, dizeis vós, ele se agradaria de ver as faculdades e poderes intelectuais de seus filhos se expandindo, e de ouvi-los indagar sobre isto, aquilo e outra coisa, com que ele estava perfeitamente familiarizado, mas de que eles eram ignorantes. Além disso, se agradasse a um pai ouvir seus filhos fazendo tais indagações, não lhe agradaria ainda mais impartir-lhes informação útil? Respondeis: "Oh, sim, nada me deleitaria mais do que impartir instrução útil a meus filhos, e ajudá-los a desenvolver seus poderes mentais." Bem, é exatamente assim que nosso Pai Celestial sente em relação a seus filhos. Tudo o que fosse para nosso bem saber — e todo conhecimento é para nosso bem se dele fizermos uso correto — ele está disposto a impartir, se apenas o buscarmos de maneira própria e aceitável. Guardemos, então, todos os mandamentos, leis e condições que Deus nos designou guardar. É nosso direito e privilégio bater, e temos a promessa de que se nos abrirá; buscar, e, quando buscarmos, fazê-lo com a expectativa de encontrar. Deste modo, poderemos receber mais e mais informação e conhecimento a respeito das coisas de Deus, e das obras de suas mãos. Há muitas coisas que podemos aprender, já ao nosso alcance, sem revelação especial e direta alguma, isto é, quando digo revelação especial, quero dizer sem que o Senhor revele diretamente por uma visão, o ministério de um anjo, ou por palavras diretas, como ele revelou muitas coisas aos antigos reveladores, videntes e Profetas. Há muitas coisas que podemos aprender independentemente destas revelações diretas; mas ainda precisamos da ajuda do Senhor, em alguma medida, em nossas pesquisas, para aprender algo; precisamos da influência do Espírito de Deus para vivificar a luz que está dentro de nós, pois a luz se apega à luz, e o Espírito de Deus é luz, e ele se apega à luz que entra na composição do espírito do homem; e, quando guardamos seus mandamentos, o Senhor está sempre pronto e disposto a vivificar o juízo, informar a mente, e guiar-nos em nossos poderes de pensar e refletir, para que tenhamos poder de compreender muitas verdades, sem que ele venha e diga — "Assim diz o Senhor." ¶
Há muitas verdades que me poderiam ser reveladas em palavras que eu não seria capaz de compreender; isto é, uma lei da natureza poderia ser revelada a mim em palavras, mas eu não poderia compreender o princípio nela envolvido depois de assim revelado. Por exemplo, eu poderia revelar muitas coisas a crianças de escola em palavras, que elas não poderiam de modo algum compreender. Poderia dar-lhes uma revelação que lhes tomaria talvez dois ou três anos de estudo profundo para compreender, e, contudo, poderia ser impressa em bem poucas palavras. Assim é com o Senhor — ele poderia revelar em poucas palavras um princípio a nós que nos tomaria anos de estudo e reflexão para compreender. Suponhamos, para ilustrar, que tomemos o princípio da força ou gravitação, pelo qual as coisas caem à terra, e pelo qual os planetas se mantêm em suas órbitas, e não voam para longe do grande luminar central de nosso sistema — o sol. Suponhamos que nada saibamos desta lei da força, chamada gravidade, e que algum homem entre nós recebesse uma revelação direta, expressando aquela lei; se ele jamais tivesse estudado o suficiente para compreender a natureza destas palavras, as próprias palavras que receberia lhe seriam incompreensíveis. Por exemplo, a lei da gravidade é expressa, nas palavras de Sir Isaac Newton, do seguinte modo — "Toda partícula de matéria no universo atrai toda outra partícula com uma força que varia diretamente com sua massa, e inversamente com o quadrado de sua distância a cada partícula." Ora, supondo que aquela lei tivesse sido dada a Newton, ou ao mundo, e que não houvesse conhecimento algum de matemática entre os homens, que teriam eles compreendido daquela lei? Poderiam ter dito — "Há uma fórmula que compreende a lei da força do universo;" mas que saberiam eles a respeito? Se, contudo, compreendessem os termos usados, saberiam como a força variava a diferentes distâncias do corpo atraente ou gravitante. Essa é a revelação real; não são as palavras. Mil coisas poderiam ser reveladas a esta congregação, mas, se meramente reveladas em palavras, talvez nada soubessem a respeito delas. Devemos compreender a natureza da coisa, a natureza da ideia compreendida em qualquer lei, a fim de tê-la como uma revelação para nós; as palavras não são senão sinais de ideias; se as ideias não são compreendidas, as palavras serão um mistério. ¶
Quando empreendemos investigar as leis que governam os vários departamentos da natureza, estamos investigando as leis de Deus. Diz alguém — "Quereis dizer que a lei da gravitação, descoberta por Sir Isaac Newton, pela qual todos os corpos do universo se mantêm em sua posição própria, é uma lei de Deus?" Sim. Se ele deu esta lei da força a todos os corpos, então é uma de suas leis, e todos os que estudam aquela lei estudam uma das leis de Deus. Para ilustrar isto ainda mais familiarmente à mente da congregação, diremos — aqui está o irmão Kesler, que presumo tenha ensinado nesta casa. Talvez tenha alguns estudantes de álgebra, e talvez de geometria; então, talvez tenha muitos alunos que nada saibam a respeito destas coisas. Ora, suponhamos que o irmão Kesler chamasse uma turma, cujos membros nada soubessem das ciências que nomeei, e expressasse a eles certas regras da álgebra, seria isto uma revelação àquela turma? Seria em palavras, mas que compreenderiam eles disso? Nada; seria escuro como a meia-noite. Ali estão as palavras nas quais as regras são expressas, mas poderiam os alunos daquela turma pôr em operação aquelas regras algébricas? Não, é necessário um processo para permitir a estas crianças compreender a revelação, e esse processo é de crescimento lento, dominado um pouco hoje, um pouco amanhã, e um pouco no dia seguinte, e, com o tempo, em um ou dois anos, elas provavelmente compreenderiam a revelação algébrica dada a elas há tanto tempo em palavras. Assim é com a aritmética, com a gramática, geografia e quase qualquer ramo de ciência ensinado em nossas escolas comuns ou universidades. Não é de admirar, então, para mim, que Paulo, ao falar de um homem que foi arrebatado ao terceiro céu, disse ter visto coisas que não era lícito proferir, que não podiam ser proferidas; pois, se tivesse empreendido proferi-las, teria proferido algo que o povo não poderia possivelmente compreender, até que tivesse aprendido os princípios anteriores. Tal homem poderia falar sobre certas leis que prevalecem no céu, e certas glórias que ali viu, mas, contudo, a menos que o povo a quem tais coisas fossem ditas se tivesse colocado em posição de ter o Espírito Santo, ou as visões do céu abertas à sua mente, as palavras proferidas não seriam uma revelação para eles, pois estaria inteiramente além de seus poderes compreendê-las. ¶
A revelação que Sir Isaac Newton obteve a respeito das forças do universo tem sido desenvolvida desde seus dias até o presente. Todo o mundo culto dos matemáticos trouxe todas as suas faculdades e poderes a incidir sobre esta única leizinha que vos expressei, e chegaram eles ao fim dela? Oh não, está apenas começando a desvendar-lhes alguns dos fenômenos comuns do universo, e é isso quase tudo. Daqui a uns cem anos, se o Senhor poupar o mundo, e os homens fizerem tanto progresso nestas matérias quanto o fizeram no século passado, esta lei, não há dúvida, será desdobrada em muitos canais e ramos de que nada sabemos agora. Diz alguém — "Se requer tanto estudo, da parte do mundo culto, desvendar e compreender esta única lei, é desanimador pensar que há talvez centenas de outras leis, tão intrincadas quanto esta, a investigar antes que seja possível chegar a uma compreensão delas." Não precisamos desanimar-nos com este assunto; pois, se fazemos o melhor que podemos, segundo a posição em que estamos colocados, e as oportunidades que temos, fazemos tudo o que o Senhor exige; e, com o tempo, seremos colocados numa condição em que poderemos aprender muito mais rapidamente do que agora. Não precisamos desanimar-nos. Talvez o homem que, sob um sentimento de desânimo, desiste e não faz o melhor uso de suas presentes e limitadas oportunidades, será limitado no futuro, na vida vindoura, e não lhe será permitido progredir muito rapidamente, por causa de sua preguiça e de sua falta de desejo, coragem e firmeza para seguir certos canais de conhecimento que se lhe abriram aqui nesta vida. Mas, quando vemos indivíduos não somente dispostos a receber alguns poucos dos princípios simples do Evangelho de Cristo, mas dispostos a avançar rumo à perfeição, tanto quanto se lhes apresentem oportunidades, podemos ficar satisfeitos de que serão honrados pelo Senhor segundo sua diligência, perseverança, firmeza e paciência em se esforçar por compreender as leis que ele deu a todas as coisas. ¶
Poderíamos, se tivéssemos tempo, apontar muitas outras leis. A lei da luz, por exemplo, e a lei da velocidade da luz, ou o modo pelo qual a luz tem permissão de ir de mundo a mundo, e, ao tocar nestes e semelhantes assuntos, estaríamos descrevendo-vos o poder, a sabedoria, a grandeza e a majestade do Criador, que construiu todas estas coisas segundo a lei, e todas elas são governadas por suas leis. Pareceria quase impossível a mentes não instruídas, se lhes disséssemos que um movimento poderia ser transferido de mundo a mundo à razão de cento e oitenta e cinco mil milhas a cada segundo de tempo. Maravilhoso. Quase recuamos diante desta declaração, e quase duvidamos da possibilidade da velocidade assim indicada. Mas, por incrível que pareça aos não instruídos, é coisa certa; não se apoia nas imaginações dos filhos dos homens; é tão certo que a luz viaja a quase essa velocidade de uma criação a outra, quanto é certo que os homens podem cronometrar a velocidade de cavalos com um relógio em suas mãos, e o mais ignorante admitirá que é perfeitamente fácil fazer isso. Bem, é tão fácil demonstrar a velocidade da luz, e isso tem sido feito não apenas por uma lei, mas por muitas leis; não apenas por um fenômeno, mas por muitos fenômenos, e é coisa que não pode ser disputada por aqueles que investigaram e são capazes de compreender os métodos de demonstração que foram dados. ¶
Que causa esta imensa velocidade, e quem construiu o grande meio etéreo que se interpõe entre todos os mundos, por meio do qual um abalo pode ser levado de mundo a mundo com aquela imensa velocidade? Foi Deus, aquele Ser que se diz estar em todas as coisas, não por sua pessoa, mas por seu Espírito e sua ação. Ele construiu este grande meio de modo que comunicasse vibrações ou abalos, de mundo a mundo, naquela rápida velocidade. ¶
Vemos uma ilustração, em pequena escala, aqui na terra, em conexão com nossa atmosfera. Quem construiu esta atmosfera e lhe deu sua elasticidade, e todos os seus princípios e poderes, pelos quais o som se comunica de lugar a lugar a uma velocidade muito rápida? Deus. Ele construiu todas estas coisas. O som, dizem-nos, voa à razão de mil e noventa pés por segundo. Como viaja ele com essa velocidade? Viajam as partículas de um corpo sonoro — por exemplo, um sino que soa — toda aquela distância? Oh não, é apenas a vibração, ou onda, que é enviada através da grande massa da atmosfera, do corpo sonoro ao órgão do ouvido; e é enviada à velocidade que mencionei — mais de um quinto de milha por segundo — e chamamos isso de velocidade muito rápida; mas que é isso comparado a cento e oitenta e cinco mil milhas por segundo? ¶
Quando estudais todas estas coisas, estais aprendendo lições a respeito de Deus. É ele quem assim organizou todos estes materiais da natureza, deu-lhes suas propriedades, dotou-os de suas elasticidades, colocou-os em certas proporções; ou, como diz um dos escritores inspirados — "Pesou os montes numa balança." Tudo está ajustado da melhor maneira possível, para levar avante suas operações em todo o grande universo que construiu. Mas não desejo deter-me longamente sobre estes assuntos; de maior importância do que todas estas leis que governam os materiais da natureza são os seres inteligentes que habitam estas criações. Deus, ao construir estes materiais em criações e mundos, o fez com um propósito sábio e nobre. O grande propósito que tinha em vista eram os seres inteligentes que haveriam de ocupar estas criações. Nenhuma lei foi dada a nossa terra e seus materiais, ou aos planetas, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e os vários asteroides, meramente por dar leis; mas o Senhor tinha um propósito útil em vista, a saber, acrescentar à sua própria glória e à felicidade de milhões de seus filhos e filhas que viriam a povoar estes mundos que nomeei, para que pudessem estar preparados para ser redimidos de sua condição decaída, como o povo desta criação há de ser redimido da sua. ¶
Indaga alguém — "Quereis dizer que outros mundos caíram, assim como o nosso?" Sim, o homem é um agente; a inteligência não pode existir sob outro princípio. Todos os seres que possuem inteligência têm de ter seu livre-arbítrio. Leis devem ser dadas, adequadas e adaptadas a este livre-arbítrio; e, quando Deus envia habitantes a várias criações, envia-os sobre o grande e majestoso princípio de dar-lhes oportunidade de exercer aquele livre-arbítrio; e eles o exerceram, e caíram. Há algo revelado que prove que outros mundos caíram, assim como o nosso? Oh, sim, lede algumas das outras revelações. Poderia citar-vos uma que agora me ocorre, dada por meio do Profeta Joseph Smith, revelando novamente aquilo que fora anteriormente revelado a Enoque, antes do dilúvio, a respeito da vastidão das criações do Todo-Poderoso, e muitas outras coisas. Depois de falar destas inumeráveis criações, Enoque exclama — "Tomaste Sião a teu próprio seio, de todas as criações que fizeste." Por que haveria o Senhor de tomar Sião de todas estas criações? Porque nem todos os seus habitantes eram dignos. A própria expressão mostra que havia apenas alguns poucos, em cada uma destas criações, que ele poderia denominar Sião. Sabeis o que significa Sião: significa os puros de coração, e apenas alguns poucos poderiam ser selecionados de cada uma de todas as criações que foram feitas, como dignos de serem tomados ao seu próprio seio, como Sião. Não mostra isto que caíram? Se não tivessem transgredido, mas tivessem sido sempre obedientes, o Senhor, como um Ser imparcial, teria redimido todos os habitantes destas criações e os teria tomado todos ao seu próprio seio. Mas parece que apenas alguns poucos tiveram o privilégio de ser reunidos ao seio de Deus. ¶
Diz alguém — "Há outra coisa que gostaria de ver explicada, sobre a parábola que lestes. 'Eis que compararei estes reinos a um homem que tem um campo, e que a ele enviou seus servos para nele cavar; e disse ao primeiro: Ide e trabalhai no campo, e na primeira hora eu virei a vós, e vereis a luz de minha face.' E disse ao segundo do mesmo modo, e ao terceiro, e assim por diante até o décimo segundo. E, quando tivessem cumprido certas condições, seu Senhor vem a eles, e eles se alegram com a luz de sua face, durante sua hora. Depois de haver visitado o primeiro, visita o segundo, depois o terceiro, e assim por diante até o décimo segundo, cada homem em sua própria ordem, segundo seu tempo e estação. Ora, que significa tudo isto?" O Senhor quis representar estes reinos de modo que pudéssemos compreender o que desejava impartir, e o deu como uma parábola, a fim de ajudar nossos fracos entendimentos a compreender algo sobre Mercúrio, Vênus, Júpiter, Saturno, Urano e outros dos vários mundos que ele formou. Diz o interrogador — "Não compreendo esta ideia de o Senhor se retirar de um e ir a outro." A fim de compreender isto, voltemos a nosso próprio globo. Não esperamos que o Senhor, com o tempo, venha e nos visite e permaneça um pouco, uns mil anos? Sim, e então nos alegraremos com a alegria da face de nosso Senhor. Ele estará entre nós, e será nosso Rei, e reinará como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Terá um trono em Sião, e outro no Templo em Jerusalém, e terá consigo os doze discípulos que estiveram com ele durante seu ministério em Jerusalém; e comerão e beberão com ele à sua mesa; e todo o povo deste globo, que for considerado digno de ser chamado Sião, os puros de coração, se alegrará com a face de seu Senhor por mil anos, durante os quais a terra descansará. Depois, o quê? Ele se retira. Para quê? Para cumprir outros propósitos; pois tem outros mundos ou criações, e outros filhos e filhas, talvez tão bons quanto os que habitam este planeta, e eles, assim como nós, serão visitados, e se alegrarão com a face de seu Senhor. Assim ele irá, no tempo e na estação disso, de reino em reino, ou de mundo em mundo, fazendo com que os puros de coração, a Sião tirada destas criações, se regozijem em sua presença. ¶
Mas há outra coisa que quero que compreendais. Isto não se manterá assim por toda a eternidade, é apenas uma preparação para algo ainda maior. E que é isso? Com o tempo, quando cada uma destas criações tiver cumprido a medida e os limites estabelecidos, e os tempos dados para sua continuação num estado temporal, ela e seus habitantes que forem dignos serão feitos celestiais e glorificados juntos. Então, daquele tempo em diante e para sempre, não haverá véu interveniente entre Deus e seu povo, que é santificado e glorificado, e ele não estará sob a necessidade de se retirar de um para ir visitar outro, porque todos estarão em sua presença. Não importa quão distante no espaço estas criações possam estar localizadas de qualquer reino celestial especial onde o Senhor nosso Deus habitará, elas poderão vê-lo em todos os momentos. Por quê? Porque é apenas a queda, e o véu que se abaixou sobre esta criação, que nos mantêm afastados da presença de Deus. Removido o véu, que agora nos impede de contemplar a glória de Deus e o reino celestial; uma vez aperfeiçoada esta criação, depois de haver passado por suas várias provações, depois de haver desfrutado a luz da face de nosso Senhor, em nossa hora e em nossa estação, e sejam todas as coisas aperfeiçoadas e glorificadas, não haverá necessidade de que este véu permaneça abaixado. ¶
Diz alguém — "Quereis dizer, então, que há uma faculdade no homem, pela qual ele pode contemplar o Senhor e estar em sua presença, embora esteja a milhões sobre milhões de milhas de distância, em outra criação?" Sim, tão facilmente quanto podemos ver uns aos outros aqui nesta sala. Veremos então como somos vistos, e conheceremos como somos conhecidos, e haverá uma perfeita redenção. Deste modo, todas as criações que são redimidas podem desfrutar a contínua e eterna presença do Senhor seu Deus. Refiro-me àqueles que são feitos celestiais, não àqueles que estão nas ordens inferiores, que são governados por leis telestiais, mas àqueles que são exaltados ao mais alto grau de glória, aqueles que serão feitos reis e sacerdotes, aqueles que guardaram a lei celestial, obedeceram às ordenanças celestiais, e receberam o Sacerdócio que Deus ordenou, e ao qual deu poder e autoridade para administrar e selar na terra, para que seja selado no céu. Diz-se que o povo assim glorificado é tomado ao seio do Todo-Poderoso; como diz Enoque — "Tomaste Sião de todas estas criações que fizeste, e teu seio está lá," etc. Ele não quer dizer que o Senhor Deus está a bem poucas varas de cada indivíduo; isto seria impossível, no que diz respeito à pessoa; mas quer dizer que há um canal de comunicação, o privilégio de contemplar Sião, por maior que seja a distância; e o privilégio de desfrutar faculdades e poderes como este está confinado àqueles seres elevados e exaltados que ocupam o mundo celestial. Todos os que forem feitos semelhantes a ele poderão, no devido tempo, ver, compreender e conversar uns com os outros, embora estejam a milhões e milhões de milhas de distância. Com todas as imperfeições do estado presente, os homens inventaram meios pelos quais podem conversar com os habitantes das partes mais remotas da terra. Podemos sentar-nos junto ao fogo de nossa lareira e conversar com o povo da Ásia, da Inglaterra, da França, e nos quatro cantos do globo; podemos desejar-nos "boa noite," ou "bom dia," conforme o caso; e, se o homem, com todas as suas imperfeições, pode fazer isto usando alguns dos poderes e materiais grosseiros da natureza, por que não poderia aquele Deus, que tem poder para controlar e governar todos estes materiais, organizar e construir a maquinaria do universo de tal modo que pudéssemos comunicar inteligência a uma distância de milhões sobre milhões de milhas num piscar de olhos, de modo que, segundo as palavras que são reveladas, possamos ser considerados estar em seu próprio seio, onde podemos conversar com ele, vê-lo, ouvi-lo, etc. ¶
O tempo não me permitirá prosseguir mais neste assunto. Alguns dos pontos deste tema me ocorreram pouco antes de eu entrar na casa. Tenho tido o hábito de pregar muito nas Alas 13ª e 14ª, onde muitos estranhos comparecem desejosos de ouvir sobre nossas doutrinas. Mas, tendo uma congregação de Santos diante de mim hoje, pensei em tocar em coisas reveladas no Livro de Doutrina e Convênios. Contém muitas ideias grandiosas e sublimes em extremo, que são de natureza calculada para inspirar toda faculdade da alma do homem com desejos de conhecer e compreender mais das coisas de Deus. ¶
Que Deus vos abençoe. Amém. ¶