Pulpit

A Redenção de Sião—Perseguição—Batismo dos Índios—A Segunda Vinda de Cristo—Cada Jota e Cada Til da Revelação Divina Se Cumprirão

Orson Pratt

1875-02-07

Lerei o terceiro parágrafo de uma revelação dada em 1834. Começa na página 292 do Livro de Doutrina e Convênios.

"Mas em verdade vos digo: Decretei que vossos irmãos que foram dispersos retornem às terras de sua herança e edifiquem os lugares desolados de Sião. Pois, após muita tribulação, como vos disse num mandamento anterior, vem a bênção. Eis que esta é a bênção que vos prometi depois de vossas tribulações e das tribulações de vossos irmãos — vossa redenção e a redenção de vossos irmãos, sim, sua volta à terra de Sião, para que se estabeleçam a fim de não mais serem derrubados. Contudo, se profanarem suas heranças, serão derrubados; porque não os pouparei se desonrarem suas heranças. Eis que vos digo que a redenção de Sião precisa vir por poder; Portanto, suscitarei um homem para meu povo, que o guiará como Moisés guiou os filhos de Israel. Pois sois os filhos de Israel e da semente de Abraão; e necessário é que sejais tirados da escravidão por meio de poder e com um braço estendido. E assim como vossos pais foram guiados no princípio, assim será a redenção de Sião. Portanto, que não desfaleça vosso coração, pois não vos digo como disse a vossos pais: Meu anjo irá adiante de vós, mas não minha presença. Mas digo-vos: Meus anjos irão adiante de vós e também minha presença; e, dentro de algum tempo, possuireis a boa terra."

Faz já muitos meses que me reuni com o povo aqui nesta Ala. Recordo que, da última vez em que aqui estive, prometi em parte falar sobre a redenção de Sião. O que eu poderia comunicar-vos a respeito daquele grande acontecimento, tido por este povo como de tanta importância, não sei dizer. Talvez não consiga lançar sobre o assunto informação especial alguma além do que já possuís. Tudo o que qualquer de nós sabe, e tudo o que possivelmente podemos saber a respeito do futuro, é aquilo que Deus, em sua misericórdia, revela. O Senhor compreende o futuro tão bem quanto o passado e o presente, e seu Espírito compreende aquilo que há de vir, e a promessa é que esse Espírito nos será dado mediante a oração de fé, para que possamos, em alguma medida, compreender as coisas do futuro. A promessa do Salvador aos antigos Apóstolos foi que, quando viesse o Espírito da verdade, ele os guiaria a toda a verdade, e lhes mostraria as coisas que hão de vir. Esse mesmo Espírito, concedido aos servos de Deus no século dezenove da era cristã, é tão capaz de desvendar o futuro, iluminar a mente do homem e mostrar-lhe os acontecimentos que hão de suceder, como o foi no primeiro ano depois da crucificação de Cristo, no dia de Pentecostes, ou em qualquer outra época anterior do mundo — é o mesmo de eternidade a eternidade, e é tão necessário para nós, como Santos dos Últimos Dias, conhecer as coisas de Deus, quanto o foi para os Santos dos primeiros dias conhecê-las. A grande e importante coisa para nós é exercer fé suficiente perante os céus, para que Deus derrame sobre nós o espírito de profecia. A mesma fé produzirá as mesmas bênçãos, e o espírito de profecia era considerado pelos antigos Apóstolos um dos melhores dons, muito maior que o dom de línguas ou o de interpretação de línguas. Era um espírito dado para a edificação dos Santos do Deus vivo, e o mesmo espírito é prometido a todos os seus servos que vivam fiéis diante dele.

Bem me recordo, quando eu tinha apenas cerca de dezenove anos — quarenta e quatro anos no outono passado —, que, crendo que Joseph Smith era um Profeta, e sendo guiado pelo Espírito, fiz uma viagem de duzentas milhas para visitá-lo. Bem me lembro dos sentimentos de meu coração naquela ocasião. Ele indagou do Senhor e obteve uma revelação para vosso humilde servo. Retirou-se para o quarto do velho Pai Whitmer, na casa onde esta Igreja foi organizada em 1830. John Whitmer atuou como seu escriba, e eu o acompanhei até o quarto, pois ele me dissera que era meu privilégio ter a palavra do Senhor; e o Senhor, naquela revelação, publicada aqui no Livro de Doutrina e Convênios, fez uma promessa que a mim, em minha juventude, pareceu quase grande demais para uma pessoa de origem tão humilde como eu jamais alcançar. Depois de dizer, na revelação, que o grande dia do Senhor estava próximo, e de chamar-me a levantar minha voz entre o povo, para chamá-lo ao arrependimento e a preparar o caminho do Senhor, e que se aproximava o tempo em que os céus seriam sacudidos, em que a terra tremeria, em que as estrelas recusariam brilhar, e em que grandes destruições aguardavam os ímpios, o Senhor disse a vosso humilde servo — "Levanta a tua voz e profetiza, e isso te será dado pelo poder do Espírito Santo." Este era um ponto particular da revelação que me parecia grande demais para eu algum dia alcançar, e, contudo, havia um mandamento positivo de que eu o fizesse. Tenho, muitas vezes, refletido sobre esta revelação, e muitas vezes tenho indagado em meu coração — "Cumpri eu aquele mandamento como devia? Busquei tão diligentemente quanto devia obter o dom de profecia, de modo a cumprir a exigência do céu?" E, por vezes, senti-me condenar por causa de minha negligência, e por causa do pouco progresso que fiz em relação a este grande, celestial e divino dom. Certamente não tive inclinação alguma de profetizar ao povo, a não ser que isso me fosse dado pela inspiração e pelo poder do Espírito Santo; profetizar por meu próprio coração é algo perfeitamente desagradável a meus sentimentos, mesmo só de pensar, e, portanto, muitas vezes, em meus discursos públicos, evitei, quando algo se apresentava com bastante clareza à minha mente, proferi-lo ou declará-lo, temendo dizer ao povo algo errado a respeito do futuro. Mas, apesar de tudo isso, há uma coisa que tenho procurado fazer, que é informar minha mente, tanto quanto pude, lendo o que Deus revelou tanto aos Profetas antigos quanto aos modernos, em relação ao futuro; e, se não tive muitas profecias e revelações importantes dadas diretamente a mim mesmo, certamente derivei grande proveito e grande edificação da leitura e do estudo daquilo que Deus revelou a outros; e, por isso, a maior parte de minhas profecias, ao longo de minha vida, até aqui, tem-se fundamentado nas revelações dadas a outros.

Somos informados de que Sião — este povo, os Santos dos Últimos Dias, são chamados Sião — há de ser redimido e restaurado às terras de sua herança, e, em consequência dessa promessa que nos fez o Senhor, muitos de nós temos sentido grande ansiedade de saber quando o Senhor cumprirá esta grande revelação; e alguns, talvez, que eram meninos e meninas pequenos quando ela foi dada, e agora já grisalhos — pois já se passaram uns quarenta e dois anos —, não têm considerado ou refletido muito sobre o que Deus prometeu fazer, ou que bênçãos prometeu conceder, a este povo. Em suas orações familiares, ouviram seus pais orar ao Altíssimo para lembrar-se de Sião e redimir Sião, e restaurar seu povo às terras de sua herança, e talvez alguns tenham refletido sobre o assunto. Alguns talvez tenham pensado que se tratava apenas de uma fórmula de oração que seus pais tinham aprendido, sem expectativa alguma de que algo semelhante viesse a acontecer, e ficaram indiferentes quanto a isso, nada sabendo se Sião algum dia seria redimida ou não. Mas os que têm refletido sobre o assunto, e que dele fizeram matéria de oração e de estudo profundo, a fim de conhecer os tempos e as estações, e o modo pelo qual Deus faria cumprir este grande acontecimento, têm estado cheios de esperança, expectativa e desejo, e sua constante oração tem sido, perante o altar familiar e nas congregações públicas, que a redenção de Sião se cumprisse logo.

Está-nos prometido que, depois de muita tribulação, vem a bênção. Diz o Senhor — "Eu, o Senhor, decretei um certo decreto de que meu povo realizará, que, depois de suas tribulações, será redimido e restaurado às terras de sua herança." Pouco supúnhamos, quando fomos expulsos do Condado de Jackson, o lugar em que Deus prometeu dar a seus Santos suas heranças, e nas regiões circunvizinhas, que quase meio século transcorreria antes que fôssemos restaurados novamente àquela terra. Este longo período de tribulação, e a dispersão de nossos lares e heranças, têm sido, talvez, a causa de que muitos tenham ido à sepultura sem terem tido a oportunidade e o privilégio de retornar para participar das bênçãos que lhes foram prometidas. Ora, seria fonte de conforto e consolo para os que ainda vivem, a quem esta promessa foi feita, se pudessem estar seguros, em sua própria mente, de que viveriam aqui na carne para contemplar aquele dia. Mas permiti-me dizer algumas palavras a respeito disto. Não devemos esperar, segundo o que Deus revelou, que um número muito grande dos que então estavam na Igreja e que foram expulsos terão o privilégio de retornar àquela terra. Não devemos esperar nada semelhante. "Por que não?" indaga alguém. Porque o Senhor nos informa que apenas alguns poucos dos que então foram expulsos permanecerão para receber suas heranças. Lemos isto, ou indicações disso, em várias revelações, a linguagem sendo mais ou menos assim — "Sereis perseguidos de sinagoga em sinagoga, e de cidade em cidade, e poucos permanecerão para receber suas heranças." Ora, se uma grande parte dos que foram expulsos vivesse e fosse restaurada, poderiam depois dizer — "Isso não parece concordar com a revelação, aqui estão praticamente todos os que foram expulsos." Mas isto não acontecerá. Quando vierdes a contar, daqui a uns anos, os que foram expulsos daquela terra, encontrareis que serão bem poucos; haverá, contudo, alguns desse número, mas apenas bem poucos. Haverá alguns que viverão para contemplar aquele dia, e que retornarão e receberão suas heranças, eles e seus filhos, netos e bisnetos, conforme a promessa.

Temos uma promessa especial a respeito daquela terra, dada a nós como Santos dos Últimos Dias, promessa que creio já ter repetido anteriormente nesta casa. Foi dada primeiramente no dia 2 de janeiro de 1831, numa conferência geral de praticamente todos os Santos que viviam no Estado de Nova Iorque, realizada na casa em que a Igreja foi primeiramente organizada. A revelação foi dada em sua presença, escrita por um escriba conforme as sentenças caíam da boca do Profeta Joseph. Entre as grandes coisas então dadas a conhecer estava o seguinte — "E agora vos ofereço e considero apropriado dar-vos maiores riquezas, sim, uma terra de promissão, uma terra que mana leite e mel, sobre a qual não haverá maldição quando o Senhor vier; e dá-la-ei a vós, como terra de vossa herança, se a buscardes de todo o coração. E este será meu convênio convosco: Vós a recebereis como terra de vossa herança e como herança de vossos filhos para sempre, enquanto a Terra durar; e tornareis a possuí-la na eternidade, para não mais passar." Se há aqui algum estrangeiro, direi, para sua informação, que esta é a razão por que chamamos aquela terra de terra de promissão. E, embora dela tenhamos sido privados, agora há mais de quarenta anos, alguns de nós possuímos escrituras de porções dela que compramos, pagando nosso dinheiro aos funcionários dos Estados Unidos, que no-la venderam ao preço do governo, mas não nos foi permitido habitar as terras assim compradas. Podeis achar isto algo curioso nesta grande república americana, um dos governos mais liberais da face de toda a terra; mas, se é coisa estranha, é conhecida como verdade por milhares e dezenas de milhares que fomos despojados de nossas heranças. A terra ainda está lá, mas é ocupada por aqueles que não a possuem.

Indaga alguém — "Por que fostes expulsos daquela terra?" Poderia responder-vos repetindo as palavras de nossos inimigos, pois eles publicaram suas razões para nos expulsar de nossos lares. Uma razão era que pretendíamos falar em línguas, o que era considerado ofensa mortal contra a religião. Esta foi uma acusação que nos fizeram, como encontrareis em suas declarações publicadas, nas quais empenharam suas vidas, seus bens e sua honra sagrada para nos despojar de nossos lares.

Outra acusação era que professávamos curar os enfermos. Que crime terrível era, para um homem, impor as mãos sobre os enfermos e pedir ao Senhor que os curasse, e então, se o Senhor curasse o enfermo, não serem dignos de reter sua terra, mas serem expulsos de seus lares e privados de seus bens!

Outra razão foi que, além de crer nos dons de falar em línguas e de curar os enfermos, presumíamos predizer acontecimentos futuros. Isso não lhes agradava em nada. Pensar que o povo cresse naquela parte do Evangelho no século dezenove era demasiado para nossos inimigos, e diziam — "Não podemos ter tal povo entre nós, a corromper nossos costumes e a introduzir a religião antiquada ensinada no Novo Testamento. Temos uma religião que dispensa todas estas coisas, não crê na ordem de coisas que o Novo Testamento estabelece, e vós pretendeis que esta religião do Novo Testamento seja praticada em nossos dias; nossas esposas e filhos não devem ser corrompidos por ela."

Estas eram as principais razões para nos expulsarem, conforme expostas em seu programa publicado. Eu não sabia, naqueles dias, que fosse crime, para os Santos dos Últimos Dias, crer nesta parte do Novo Testamento; realmente pensava que, em nosso país, a Constituição nos garantia o privilégio de crer em todo o Novo Testamento, tanto quanto numa parte dele; mas parece que era de outro modo, pois já se passaram quarenta anos e ainda estamos privados de nossos direitos no que se refere a nossa propriedade. Temos apelado ao governo dos Estados Unidos para que nos conceda nossos direitos como cidadãos americanos. Fizeram-no? Oh, não; remeteram-nos, porém, àquelas mesmas pessoas que nos expulsaram do Estado, supondo que teriam a magnanimidade de restaurar-nos nossos direitos. Quem já ouviu falar de assassinos, ladrões e salteadores voltando-se para restituir a suas vítimas aquilo que lhes roubaram? Raramente ouvi de tal coisa; pode haver alguns poucos casos na história em que uma pessoa se arrepende e procura restituir o quádruplo. O Governo dos Estados Unidos nos disse que devíamos apelar àqueles que nos assassinaram, roubaram e expulsaram de nossos lares, pela reparação que buscávamos. Mas temos visto bastante bem cumprida a revelação do Senhor — "Sereis perseguidos de cidade em cidade e de sinagoga em sinagoga, e poucos permanecerão para receber suas heranças."

Fomos expulsos do Condado de Jackson, no Estado do Missouri, no outono do ano de 1833, e três ou quatro meses depois daquele acontecimento foi dada a revelação da qual li este trecho, prometendo que, depois de muita tribulação, nós e nossos filhos depois de nós seríamos restaurados às terras de nossa herança.

Tivemos muita tribulação? Sim. Vede as muitas vezes em que fomos expulsos desde que aquela revelação foi dada. Fomos expulsos do Condado de Clay, depois de Kirtland, no Condado de Geauga, hoje chamado Condado de Lake, Ohio; e, depois disso, fomos expulsos do Condado de Caldwell, do Condado de Davies, do Condado de Ray e de vários outros condados vizinhos no Estado do Missouri, e finalmente expulsos do Estado, deixando muitos milhares de acres de terra para os quais até hoje possuímos as escrituras. Depois disso, nos estabelecemos no Estado de Illinois, em Nauvoo. Ali estávamos havia apenas alguns anos quando o Profeta, seu irmão e vários outros foram assassinados, e novamente fomos expulsos, e finalmente foi feito um tratado com este povo. Ora, quem já ouviu falar de uma parte dos Estados Unidos fazendo tratados com outra parte dos Estados Unidos? Ou quem já ouviu falar do povo de uma parte do país fazendo um tratado com o povo de outra parte? Aquele tratado dizia mais ou menos isto — "Deveis deixar todos os Estados da União, não deveis parar deste lado das Montanhas Rochosas, deveis ir além das Montanhas Rochosas; se fizerdes isto, podeis partir em paz, mas tomaremos vossas casas e terras e as ocuparemos sem remuneração alguma, não vos pagaremos por elas; mas, se puderdes partir sem vender vossa propriedade, e concordardes em ir além das Montanhas Rochosas, tereis o privilégio de partir; do contrário, vos mataremos."

Quais foram os crimes de que fomos acusados nos vários lugares de onde fomos expulsos? Se algum de nosso povo tivesse sido culpado de violar as leis, estava em poder de nossos inimigos trazer-nos perante seus tribunais de justiça, pois, em todos aqueles lugares, eles detinham todos os cargos civis em suas próprias mãos. Mas sabiam muito bem que, no que dizia respeito às leis do país, não poderiam atingir este povo. Por quê? Porque não éramos culpados de transgredir nenhuma de suas leis.

Quando fomos expulsos de Nauvoo, havia alguns incapazes de partir — pobres, débeis e enfermos; Nauvoo era um lugar meio insalubre, e muitas pessoas ali adoeciam, e muitos dos enfermos, débeis e pobres tiveram de ser deixados para trás, incapazes de partir com o corpo principal dos Santos. Caminhamos sobre o Rio Mississippi congelado e vagueamos e nos atolamos nos montes de neve de Iowa com nossas equipes e carroças, mas essas pobres pessoas não puderam partir a tempo. A turba estava muito ansiosa por apoderar-se de nossa propriedade, e, assim, depois que o corpo principal se afastou uma ou duas centenas de milhas de Nauvoo, onde não havia habitantes, isolados de todos os recursos e incapazes de obter informação alguma de nossos pobres irmãos, a turba estava tão ansiosa por obter a propriedade de que nos haviam privado à força, que atacou a cidade com canhões e mosquetes, e finalmente expulsou aquelas pobres pessoas e as obrigou a atravessar o rio, onde muitas delas pereceram. Não foram estas tribulações? Sim, e foram todas preditas anos antes de acontecerem. "Depois de muita tribulação vem a bênção, e esta é a bênção que eu, o Senhor Deus, vos prometi, que, depois de vossa tribulação, sereis redimidos e novamente restaurados às terras de vossa herança."

Desde nossa chegada a estas montanhas, temos tido tempos difíceis aqui. Tivemos uma terra tal que nenhum outro povo jamais teria pretendido ocupar. Foi considerada, outrora, o lugar mais triste, desolado e árido da face de toda a América do Norte, uma terra onde se supunha que nenhum ser humano poderia subsistir, ou na qual, se alguém empreendesse subsistir pelo trabalho de suas mãos, cultivando a terra, pereceria. Mas, pelo trabalho árduo e pela perseverança, fizemos para nós mesmos lares confortáveis naquilo que outrora era um deserto, e o Senhor tem sido muito favorável a nós, e verdadeiramente nos abençoou muito além de tudo o que poderíamos ter previsto ao vir para cá, e fez com que as estações fossem, de modo geral, muito fecundas; e esta terra, que parecia tão desolada, árida, ressequida e tão cheia de estiagem, tornou-se uma terra fecunda, e o Senhor tem cumprido muitas e muitas profecias registradas em Isaías e nos Salmos de Davi a respeito de fazer o deserto florescer como a rosa e torná-lo como o jardim do Senhor. Assim está profetizado, e que se cumpriu ninguém pode negar, refletindo e percebendo por um momento o que o Senhor tem feito desde que aqui chegamos a esta terra. Quando os pioneiros aqui chegaram, em julho de 1847, fomos ao que hoje se chama Black Rock, além do primeiro ponto das montanhas ocidentais; entramos no lago para banhar-nos, e podíamos caminhar até aquela rocha, estando a água vários pés abaixo do solo seco sobre o qual caminhávamos. Que contemplais agora? Dez pés de água sobre aquele solo em que caminhávamos. O Lago, desde então, tem continuamente subido, até que dez ou doze pés de água se lhe têm acrescentado. Poderíamos naturalmente supor que teria baixado tanto quanto isso, em vez de subir. Por quê? Porque as águas, que antes se derramavam continuamente no Lago, foram delas desviadas e usadas para irrigar o solo, evaporando-se novamente para os céus. Isto, segundo as aparências naturais, teria tendência a baixar as correntes; mas, com todo o uso das águas e das correntes para a irrigação das colheitas, etc., houve uma contínua elevação no Lago. Lemos numerosas profecias referentes aos últimos dias, em que se diz que o deserto seria como o Jardim do Éden, e que o deserto floresceria como a rosa, que floresceria abundantemente e se regozijaria com alegria e cânticos, e que teriam cânticos de melodia, ações de graças no deserto, etc. Eu poderia citar-vos numerosos capítulos de Isaías e dos Salmos de Davi relacionados a este assunto, mas não tenho tempo, quero passar a outros pontos.

Apesar de todos estes favores e bênçãos desde que aqui chegamos, tivemos de nos desgastar, tão grande foi o trabalho que tivemos de realizar. Não podíamos sair antes do desjejum e cortar e carregar uma carga de lenha, como podíamos no Condado de Jackson; não podíamos sair e conseguir num só dia três ou quatro cargas de toras e mourões para cercar nossas fazendas, como podíamos em lugares onde antes residíamos. Mas tivemos de despender uma imensa quantidade de trabalho, e uma grande quantidade de capital e recursos foi despendida na construção de estradas nestes difíceis e escarpados desfiladeiros, a fim de obter madeira para construção e para cercas, e para combustível. Depois tínhamos de nos levantar de noite para tomar a pequena quantidade de água atribuída a cada homem ou família, pois era necessário economizá-la tanto quanto possível, a fim de levar nossas colheitas à maturidade. Este trabalho excessivo desgastou muitos, e os enviou a sepulturas prematuras. É para mim uma maravilha que tenhamos podido construir escolas e educar nossos filhos em qualquer grau, especialmente considerando o vasto trabalho que lhes foi exigido, pois, à medida que começavam a crescer e deviam estar na escola, tinham de estar nas montanhas apascentando ovelhas, ou trabalhando na irrigação do solo; e, sob todas estas dificuldades multiplicadas, é certamente espantoso, além de qualquer medida, que o povo, em todos os povoados do Território de Utah, tenha podido construir escolas e educar seus filhos; mas o sentimento, tanto da parte dos pais quanto dos filhos, tem sido adquirir a melhor educação possível dentro das circunstâncias. Teria qualquer outro povo realizado isto? Não. Se qualquer outro povo tivesse vindo a este ermo desértico e empreendido cultivar o solo, não o teria conseguido, teria fracassado; não teria havido união suficiente entre qualquer classe de povo na face do continente americano para realizar o que os Santos dos Últimos Dias realizaram ao recuperar o deserto. Outros teriam brigado pela água e por milhares de outras coisas, ao passo que este povo tem sido pacífico e tranquilo, e sujeito à boa ordem.

Tendo agora trazido o povo até o presente período, e tendo visto o cumprimento de profecias antigas e modernas, literalmente diante de nossos olhos, a questão agora é: quais profecias, a se cumprirem no futuro, se relacionam a este povo e aos grandes acontecimentos que devem ter lugar quando Sião for redimida? Procurarei apontar algumas coisas que devem acontecer antes que Sião seja redimida, além das tribulações que temos suportado. Uma coisa que mencionarei está contida no Livro de Mórmon, nos ensinamentos de Jesus. É um assunto que diz respeito diretamente aos Santos, e algo que eles devem cumprir e realizar antes da redenção de Sião. Lerei a passagem. As palavras que ela contém são as palavras de nosso Senhor e Salvador depois que ressuscitou dentre os mortos, e quando desceu do céu sobre este continente americano, e ensinou aos israelitas que habitavam nesta terra. A passagem a que me refiro começa com o segundo parágrafo do 7º capítulo do livro de Néfi, páginas 464 e 465 do Livro de Mórmon. Diz o seguinte:

"E então aconteceu que depois de haver proferido essas palavras, Jesus disse aos doze que escolhera: Vós sois meus discípulos" — isto não se referia aos doze Apóstolos escolhidos em Jerusalém, mas aos doze escolhidos por nosso Salvador nesta terra americana — "e sois uma luz para este povo, que é um remanescente da casa de José. E eis que esta é a terra de vossa herança; e o Pai vo-la deu. E jamais me deu o Pai mandamento de que eu o dissesse a vossos irmãos de Jerusalém. Nem jamais me deu o Pai mandamento de que eu lhes falasse a respeito das outras tribos da casa de Israel, que o Pai conduziu para fora daquela terra. Somente isto me ordenou o Pai que lhes dissesse: Que tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também devo conduzir estas e elas ouvirão a minha voz e haverá um rebanho e um pastor. E agora, por causa de sua obstinação e incredulidade, não compreenderam minha palavra; portanto, o Pai me ordenou que nada mais lhes dissesse a respeito disto. Mas em verdade vos digo que o Pai me ordenou e eu vos digo que fostes separados deles em virtude da iniquidade deles; portanto, é por causa de sua iniquidade que eles não sabem de vós. E em verdade vos digo outra vez que as outras tribos foram deles separadas pelo Pai; e é por causa de sua iniquidade que delas nada sabem" — isto é, as dez tribos. "E em verdade vos digo que sois aqueles de quem falei: Tenho também outras ovelhas que não são deste aprisco; também devo conduzir estas e elas ouvirão a minha voz e haverá um rebanho e um pastor. E não me compreenderam, porque pensaram que eu me referia aos gentios; porque não compreenderam que os gentios seriam convertidos por meio de sua pregação. E não me compreenderam quando eu disse que elas ouviriam a minha voz; nem me compreenderam quando disse que os gentios jamais ouviriam a minha voz — que a eles não me manifestaria, a não ser pelo Espírito Santo. Mas eis que vós ouvistes a minha voz e me vistes; e sois minhas ovelhas e sois contados com os que o Pai me deu.

"E em verdade, em verdade vos digo que tenho outras ovelhas que não são desta terra nem da terra de Jerusalém nem de qualquer das partes daquela terra circunvizinha, onde estive exercendo meu ministério. Porque esses a quem me refiro ainda não ouviram a minha voz; nem a eles me manifestei pessoalmente em qualquer tempo" — estas outras ovelhas de que ele falava agora eram as dez tribos, que ele visitou depois de haver visitado o povo desta terra — "Mas recebi mandamento do Pai de ir até eles; e que ouçam a minha voz e sejam contados com minhas ovelhas, para que haja um rebanho e um pastor; portanto, a eles me manifestarei. E ordeno-vos que escrevais estas palavras depois que eu me for, a fim de que, se meu povo em Jerusalém — aqueles que me viram e estiveram comigo durante meu ministério — não pedir ao Pai em meu nome para saber a respeito de vós por meio do Espírito Santo, como também a respeito das outras tribos das quais nada sabem, que essas palavras que ireis escrever sejam preservadas" — isto é, que viriam à luz nos últimos dias, dadas a conhecer aos gentios, como o foram a esta grande nação — "e transmitidas aos gentios, para que, por meio da plenitude dos gentios, o restante da posteridade deles, que será espalhada sobre a face da Terra por causa de sua incredulidade, possa ser reunida, ou seja, venha a conhecer-me a mim, seu Redentor. Então os reunirei das quatro partes da Terra; e então cumprirei o convênio que o Pai fez com todo o povo da casa de Israel.

"E bem-aventurados são os gentios por sua fé em mim por meio do Espírito Santo, o qual lhes testifica de mim e do Pai. Eis que por causa de sua fé em mim, diz o Pai, e por causa de vossa incredulidade, ó casa de Israel, a verdade chegará aos gentios nos últimos dias, para que a plenitude destas coisas lhes seja dada a conhecer. Mas ai dos gentios incrédulos, diz o Pai — porque vieram sobre a face desta terra e dispersaram o meu povo, que é da casa de Israel; e meu povo, que é da casa de Israel, foi expulso do meio deles e pisado por eles; e por causa da misericórdia do Pai para com os gentios e também dos julgamentos do Pai sobre meu povo, que é da casa de Israel, em verdade, em verdade vos digo que, depois de tudo isto, fiz com que meu povo, que é da casa de Israel, fosse ferido e afligido e morto e expulso do meio deles, e fosse por eles odiado e se tornasse objeto de escárnio e opróbrio entre eles" — cumpriu-se isso? Foram os índios odiados? Foram expulsos e pisados? Foram desprezados? As pessoas familiarizadas com a história dos índios podem responder a esta pergunta. — "E assim ordena o Pai que eu vos diga: No dia em que os gentios pecarem contra meu evangelho" — isto é, o Evangelho contido neste livro, que ele prometeu trazer-lhes — "e se exaltarem por causa do orgulho de seu coração sobre todas as nações e sobre todo o povo de toda a Terra" — podeis julgar se isto é verdadeiro ou não no que diz respeito à nação americana — "e estiverem cheios de toda sorte de mentiras e de enganos e de injúrias; e toda sorte de hipocrisia e homícidios e artimanhas sacerdotais e libertinagens e abominações secretas; e se fizerem todas estas coisas e rejeitarem a plenitude do meu evangelho, eis que, diz o Pai, retirarei a plenitude do meu evangelho dentre eles."

Ora, aqui está um ponto sobre o qual desejo falar e explicar antes de prosseguir para a frase seguinte, que tem relação com algo que ainda temos de fazer. O Senhor nos disse, neste dito, que, se os gentios não cressem neste livro — a plenitude do Evangelho — e se exaltassem em seu orgulho acima de todas as nações, e se enchessem de toda sorte de mentiras, artimanhas, libertinagens, abominações e toda espécie de mal, ele retiraria a plenitude de seu Evangelho dentre eles. Desejo dizer que, quando li isto em 1830, era para mim um grande mistério. Lembrai-vos de que isto foi escrito e impresso antes de existir qualquer Igreja dos Santos dos Últimos Dias, e, contudo, aqui estava uma profecia de que o Senhor retiraria a plenitude de seu Evangelho dentre os gentios, se eles não o recebessem. Quando o Senhor nos ordenou subir e nos estabelecer no Condado de Jackson, pensei comigo mesmo — "Ora, se edificarmos aqui uma grande cidade, conforme o que está predito no Livro de Mórmon, estaremos bem no meio dos gentios, e como será possível que aquela profecia jamais se cumpra?" Era para mim um mistério, eu não conseguia perceber. Sabia que era verdade, pois Deus me dera testemunho e evidência de que eu sabia, tão certamente quanto sabia que vivia, que aquele livro era verdadeiro; mas, contudo, não conseguia entender como o Senhor retiraria a plenitude de seu Evangelho dentre os gentios se nos fosse permitido edificar uma cidade no Condado de Jackson, Missouri, e ali permanecer. Mas, uns dezessete anos depois do surgimento desta Igreja, as circunstâncias se desenrolaram de modo que o Senhor cumpriu esta profecia, tirando o corpo principal do povo dentre os gentios. Não voluntariamente de todo, pois nem todos nos sentíamos perfeitamente dispostos a deixar nossas casas. Havíamos sido expulsos quatro vezes antes de terras e lares, e não nos sentíamos realmente dispostos a partir; mas, antes que sermos abatidos a tiros e vitimados por turbas, como muitos de nosso povo já haviam sido, resolvemos mudar-nos pela quinta vez, e o fizemos porque fomos obrigados a fazê-lo, mas pouco pensávamos então que estávamos cumprindo uma profecia do Livro de Mórmon, tal pensamento não nos havia ocorrido. Mas fomos trazidos para o oeste, aqui, a estas montanhas, e não conheço outro lugar na face deste vasto continente onde pudéssemos estar tão completamente isolados dos gentios, os ímpios que haviam rejeitado o Evangelho, como fomos, vindo em massa a esta terra. "Se os gentios pecarem contra a plenitude de meu Evangelho, eis que, diz o Pai, retirarei a plenitude de meu Evangelho dentre eles." Cumpriu-se, a predição se realizou até a última letra. Poderíeis ter passado por aquela terra por centenas e centenas de milhas, de cidade em cidade, e indagado por um Élder que tivesse autoridade para batizar para a remissão dos pecados e edificar a Igreja e o reino de Deus, e a resposta teria sido — "Não há tal pessoa aqui." "Onde estão eles?" "Foram embora, além das Montanhas Rochosas," mais de mil milhas distantes da civilização, como a chamavam. Quando chegamos aqui e novamente examinamos as profecias, descobrimos que o Senhor havia sido tão bom quanto sua palavra, e havia literalmente cumprido o que dissera sobre tirar seu Evangelho do meio daqueles que haviam pecado contra ele e o rejeitado.

Há uma coisa que estou agora prestes a ler, que ainda não se cumpriu, e que devemos cumprir antes que Sião seja redimida. Vou lê-la — "Eis que, diz o Pai, retirarei a plenitude de meu Evangelho dentre eles, e então me lembrarei do convênio que fiz com meu povo, ó casa de Israel, e levar-lhes-ei meu evangelho." Ora, então, estamos aqui nesta terra, a casa de Israel espalhada ao nosso redor, alguns na grande bacia, alguns no Arizona, alguns em Idaho, alguns no Colorado, alguns em Montana, alguns num lugar, alguns noutro; refiro-me aos índios americanos, todos remanescentes de José e pertencentes à casa de Israel. Tornaram-se muito degradados em consequência da apostasia e da maldade de seus antigos pais. Este povo — os Santos dos Últimos Dias, antes de poderem jamais retornar para edificar os lugares desolados de Sião e receber suas heranças no Condado de Jackson, Missouri, têm de se esforçar para trazer os remanescentes de José a um conhecimento da verdade. Não fizemos esforços muito grandes nessa direção até o presente momento. O Senhor nos tem dado tempo, desde que retirou a plenitude do Evangelho dentre os gentios, para lançar um alicerce, de modo que pudéssemos começar esta obra missionária em favor dos remanescentes de José e entre eles. Já temos o alicerce lançado, já conseguimos edificar muitas cidades, vilas, povoados, etc., por umas quatrocentas milhas de norte a sul; já temos nossas fazendas cercadas e nossas valas de água cavadas, e já começamos a prosperar na terra, de modo que agora, penso, é o tempo de despertarmos nossas mentes em relação aos remanescentes dispersos da casa de Israel. "Eis que então me lembrarei do convênio que fiz com meu povo, ó casa de Israel, e levar-lhes-ei meu evangelho."

Parece que o Senhor está trabalhando entre aquele povo, e que está determinado a que esta profecia se cumpra, quer a tomemos em nossas mãos, quer não. Que ouvem meus ouvidos? Que ouvimos todos nós? Mensageiros estão visitando estas tribos selvagens na bacia, e nas regiões circunvizinhas, centenas de milhas distantes umas das outras. Estes mensageiros vêm a eles, e falam em sua própria língua com grande clareza, e lhes dizem o que fazer; dizem-lhes que se arrependam de seus pecados e sejam batizados para a remissão deles; dizem-lhes também que deixem de vagar pelo país e cultivem a terra; dizem-lhes que vão aos Élderes desta Igreja e recebam as ordenanças de suas mãos.

Quem são estes mensageiros? Lede o Livro de Mórmon e encontrareis o que Deus prometeu fazer pelos remanescentes de José há mil e quatrocentos anos, por volta da época em que a maioria deles se tornava ímpia e corrupta. O Senhor disse que, quando seu registro viesse à luz nos últimos dias, enviaria seus mensageiros a eles, e entre estes mensageiros mencionou três pessoas que viveram há uns mil e oitocentos anos, três dos Doze escolhidos nesta terra. O Senhor fez uma promessa a estes três, de que ministrariam, como mensageiros santos, nos últimos dias, em favor dos remanescentes da casa de Israel, que cairiam numa condição baixa e degradada em consequência da grande maldade e apostasia de seus antigos pais; que seriam instrumentos em suas mãos para trazer estes remanescentes ao conhecimento da verdade. Ouvimos que estes mensageiros vieram, não em um único caso, mas em muitos casos. Já ouvimos falar de uns mil e quatrocentos índios, e não sei se mais, que foram batizados. Perguntai-lhes por que vieram tantas centenas de milhas para encontrar Élderes da Igreja, e responderão — "Tal pessoa veio a nós, falou em nossa língua, instruiu-nos e nos disse o que fazer, e viemos a fim de cumprir suas exigências."

Talvez indagueis — "Não poderia esta grande obra, a redenção destas tribos indígenas, ocorrer depois que retornarmos às nossas heranças?" Sem dúvida haverá uma grande obra a acontecer entre os índios depois que retornarmos; mas permiti-me dizer-vos que também haverá uma grande obra realizada entre eles antes que retornemos para receber nossas heranças e antes da redenção de Sião. A fim de provar isto, lerei o que Jesus disse mais adiante sobre este assunto. Depois de predizer muitas coisas que aconteceriam nos últimos dias, nosso Senhor e Salvador também falou daquela porção dos gentios que se arrependeria e receberia este livro chamado o Livro de Mórmon, e faz a eles a seguinte promessa — "Mas caso se arrependam e deem ouvidos às minhas palavras, e não endureçam o seu coração, entre eles estabelecerei a minha igreja." Isto o Senhor fez, e a Igreja agora conta com mais de cem mil membros, aqui mesmo, neste grande deserto. "Estabelecerei a minha igreja entre eles, e eles farão parte do convênio e serão contados com este, o remanescente de Jacó, a quem dei esta terra como herança."

Muitos têm desejado saber o que isto significa. Vós, mórmons, ireis ser contados com eles e vagar com eles por estas montanhas? Ireis caçar como eles caçam, e levar uma vida selvagem, nômade e vagabunda como a deles? Não. Qual é, então, o significado disto? O significado é este — o Senhor Deus fez uma promessa aos antepassados dos índios, uns seiscentos anos antes de Cristo, de que todo este continente lhes seria dado, a eles e a seus filhos depois deles, como herança perpétua; e fez também uma promessa, pela boca de Néfi, um dos primeiros colonos que vieram de Jerusalém, há uns dois mil e quatrocentos anos, de que, quando os gentios, nos últimos dias, viessem sobre a face desta terra e recebessem os registros dos descendentes daqueles antigos colonos, seriam contados com os remanescentes de Jacó na herança da terra. Não contados com eles para descerem a seus costumes tolos, degradados, ímpios e guerreiros, mas contados com eles na herança da terra.

Outra coisa mencionada em profecia é que eles, "os gentios," ajudarão meu povo, a casa de Israel, o remanescente de Jacó, e também quantos da casa de Israel vierem, para que edifiquem uma cidade, que se chamará a Nova Jerusalém; e então ajudarão meu povo, que está disperso sobre toda a face da terra, para que seja reunido à Nova Jerusalém; e então o poder do céu descerá e estará no meio deste povo, e eu também estarei no meio deles. E então a obra do Pai começará, naquele dia, quando este Evangelho for pregado entre o remanescente deste povo. Em verdade vos digo, naquele dia a obra do Pai começará entre todos os dispersos de meu povo.

O que desejo agora chamar vossa atenção especial, no que diz respeito a estes ditos, é isto — os Santos dos Últimos Dias, nestas montanhas, jamais poderão ter o privilégio de voltar ao Condado de Jackson e edificar aquela cidade que há de se chamar a Nova Jerusalém, no local designado por revelação por meio do Profeta Joseph, até que uma boa parte dos remanescentes de José volte conosco. Ora, então, aqui está uma obra para nós, e não temos necessidade de orar ao Pai para que nos retorne ao Condado de Jackson até que essa obra esteja feita. Podemos orar ao Pai, em nome de Jesus, para que converta estas tribos indígenas ao nosso redor, e as traga a um conhecimento da verdade, para que cumpram as coisas contidas no Livro de Mórmon. E, quando retornarmos, levando-as conosco, elas serão instruídas não apenas a respeito de seus pais e do Evangelho contido no registro de seus pais, mas também nas artes e ciências. Também serão instruídas a cultivar a terra, a construir edifícios como nós fazemos, instruídas a construir Templos e nos vários ramos da indústria por nós praticados; e então, depois de haver recebido esta informação e instrução, teremos o privilégio de ajudá-las a edificar a Nova Jerusalém. Diz o Senhor — "Eles," os gentios, que creem no Livro de Mórmon, "ajudarão meu povo, o remanescente de Jacó, para que edifiquem uma cidade, que se chamará a Nova Jerusalém."

Ora, muitos, sem ler estas coisas, têm-se lisonjeado de que somos nós que faremos toda esta obra. Não é assim; temos de ser auxiliares, temos de ser os que cooperam com os remanescentes de José na realização desta grande obra; pois o Senhor terá respeito por eles, porque são do sangue de Israel, e as promessas de seus pais se estendem a eles, e terão o privilégio de edificar aquela cidade, segundo o padrão que o Senhor der. Não me entendais mal, não penseis que todas as tribos lamanitas serão convertidas e receberão este grande grau de educação e civilização antes que possamos retornar ao Condado de Jackson. Não penseis isto por um momento, será apenas um remanescente; pois, quando tivermos lançado o alicerce daquela cidade, e tivermos edificado uma parte dela, e tivermos ali edificado um Templo, há outra obra que temos de realizar em conexão com estes remanescentes de Jacó que ajudaremos a edificar a cidade. Que é? Temos de ser enviados como missionários a todas as partes deste continente americano. Não aos gentios, pois seus tempos se cumprirão; mas devemos ir a todas aquelas tribos que vagueiam pelas regiões frias do norte — a América britânica, a todas as tribos que habitam nos Territórios dos Estados Unidos, também a todos os que estão dispersos pelo México, e pela América Central e do Sul, e o objetivo de nossa ida será declarar-lhes os princípios do Evangelho, e trazê-los a um conhecimento da verdade. "Então ajudarão meu povo, que está disperso sobre toda a face da terra, para que seja reunido à Nova Jerusalém."

Não será isto uma grande obra? Levará bastante tempo para ajuntar todas estas tribos da América do Sul, pois algumas delas terão de vir de cinco a oito mil milhas para alcançar a Nova Jerusalém. Será esta uma boa obra, e, contudo, teremos de realizá-la depois que a cidade for edificada.

Que, então? Depois que todos estiverem reunidos, "então os poderes do céu descerão e estarão no meio deste povo, e eu também estarei em vosso meio." Ora, não digo que isto será um período depois de sua segunda vinda nas nuvens do céu, mas creio que será uma vinda anterior àquele tempo, quando ele vier manifestar-se a todas as nações e parentelas da terra. Será um cumprimento daquele dito nos Salmos de Davi — "Tu, que és pastor de Israel, dá ouvidos; tu, que guias José como a um rebanho... desperta o teu poder, e vem salvar-nos." Ele é chamado, de modo peculiar, o pastor de Israel. É isto também o que se quer dizer na bênção de Jacó sobre as doze tribos de Israel, ou mais especialmente sobre a tribo de José. Recordai-vos de que ele chamou seus doze filhos para lhes conferir sua última bênção profética. Disse-lhes que os informaria do que aconteceria nos últimos dias. José, disse ele, é um ramo frutífero junto a uma fonte, cujos ramos correm sobre o muro. Como quem diz que os descendentes de José seriam tão numerosos que não caberiam todos na velha propriedade familiar perto de Jerusalém, mas alguns correriam sobre o muro, isto é, iriam a algum outro lugar. "Os flecheiros o afligiram amargamente, atiraram nele e o odiaram, mas seu arco permaneceu firme, e os braços de suas mãos foram fortalecidos pelas mãos do poderoso Deus de Jacó; dali é o Pastor, a Pedra de Israel."

Ora, quem pode explicar-nos e dizer-nos o que isto significa? Poderá algum dos sábios comentaristas de nossos dias? Poderá algum dos que estudaram teologia a vida toda dizer-nos por que é de José que o Pastor, a Pedra de Israel, há de se manifestar? Diz alguém — "Não pode referir-se a seu nascimento, porque Jesus descendeu de Judá, e não de José, dos lombos de Judá, pela linhagem de Davi. Ele é o Leão da tribo de Judá." Por que, então, este dito peculiar do antigo Profeta Jacó, a respeito da tribo de José, de que dali é o Pastor, a Pedra de Israel, se ele não nasceu de José, nem descendeu por aquela tribo? Este é um dito de natureza bem curiosa. Mas ele há de se manifestar no caráter de pastor, e aquele pastor há de guiar José como um rebanho, e despertará sua força e salvará a casa de José. Mas isto será em seu próprio tempo e modo. Primeiro, um remanescente será convertido; segundo, Sião será redimida, e todos, entre os gentios, que crerem, ajudarão este remanescente de Jacó a edificar a Nova Jerusalém; terceiro, um vasto número de missionários será enviado por todo o comprimento e largura deste grande continente, para reunir todos os dispersos de seu povo à Nova Jerusalém; quarto, o poder do céu se manifestará no meio deste povo, e o Senhor também estará em seu meio, no caráter de pastor, e guiará José como um rebanho, e os instruirá e aconselhará pessoalmente, como o fez a seus antigos pais nos dias de sua retidão.

Isto é o que devemos esperar — estas são as coisas que devem cumprir-se, e pelas quais devemos buscar e orar de modo compreensivo. Não pedindo a Deus que redima Sião antes de haver redimido uma parte dos remanescentes de José; não pedindo a Deus que estabeleça este povo em suas heranças no Condado de Jackson, até que as outras coisas se cumpram em sua ordem, e em seus tempos e estações.

Talvez alguns indaguem — "Tens tu alguma ideia, irmão Pratt, de como seremos redimidos quando tivermos realizado esta obra de que falaste?" Não muito, não pretendo ter grande entendimento sobre o assunto; mas há algumas poucas coisas reveladas, algumas das quais vos li ao começar minhas observações. Falando da redenção deste povo, diz o Senhor — "Eis que suscitarei um homem semelhante a Moisés." Isto não significava Joseph Smith, ele já havia sido suscitado e estava entre nós. Foi ele quem recebeu aquela revelação; foi ele quem trouxe à luz o Livro de Mórmon, e o traduziu pela inspiração do Espírito Santo. Mas o Senhor, que compreende o fim desde o princípio, viu que, quando sua obra estivesse concluída, ele seria levado, e que outro seria suscitado. Quando isto foi primeiramente dado, eu costumava indagar, em minha própria mente, se se referia a Joseph, e cheguei a pensar em meu coração que Joseph, talvez, nos guiaria até tornar-se um homem muito velho; alimentei essa esperança o tempo todo. Eu, como muitos outros, não parecia compreender que isto era uma predição do futuro.

Quando Joseph foi levado, e nosso amado irmão, o Presidente Young, foi designado para tomar a liderança, e recebeu as chaves e o poder do santo Sacerdócio que fora conferido a Joseph, esperei que pudesse ser ele o homem, e ainda tenho uma esperança persistente de que assim possa ser. Mas ele está agora envelhecendo, e por quanto tempo o Senhor nos abençoará com sua presença, não sei, mas sei isto: ou ele será preservado, ou outra personagem será suscitada para cumprir aquela profecia. "Eis que vos digo, a redenção de Sião precisa vir por poder, portanto suscitarei ao meu povo um homem que o guiará como Moisés guiou os filhos de Israel, pois sois os filhos de Israel, e da semente de Abraão, e necessário é que sejais tirados da escravidão por poder, com um braço estendido, e assim como vossos pais foram guiados no princípio, assim será a redenção de Sião."

Parece, então, que este povo, em algum tempo futuro de sua permanência aqui nesta terra, possa talvez estar em escravidão maior do que a que sofre no presente. Procuro esperar o melhor, e pensar que a escravidão em que estamos, e em que temos estado por anos, em consequência dos esforços dos que se empenham em tirar-nos nossos direitos como cidadãos americanos, e em nos calcar no pó; digo, tenho tido esperança de que essa fosse toda a escravidão significada aqui nesta profecia, mas não sei se não haverá um significado maior nestas palavras. Não sei quais são os propósitos do Senhor a respeito deste assunto em particular. Pode ser que nossos direitos nos sejam inteiramente tirados; pode ser, se não vivermos suficientemente fiéis perante o Senhor, que ele ainda nos traga a maior tribulação ainda do que a que até agora tivemos. Pode ser que ainda estejamos em escravidão como os israelitas na terra do Egito; pois o Senhor disse que, quando este homem fosse suscitado, redimiria seu povo por poder, tirando-o da escravidão, e seria guiado como seus pais foram guiados no princípio. Diz o Senhor — "Não vos digo como disse a vossos pais — 'meu anjo irá adiante de vós, mas não minha presença' — mas digo-vos que meus anjos irão adiante de vós, e também minha presença." Foi, nos dias antigos, uma grande calamidade para Israel, quando o Senhor jurou em sua ira que não subiria em seu meio, mas enviaria um anjo adiante deles. Por que fez o Senhor isto? Por causa da maldade e obstinação daquele povo. Ele os havia redimido da terra do Egito, e eles não davam ouvidos às palavras de Moisés, não obedeciam à voz do Senhor, mas endureciam sua cerviz e enrijeciam seu coração contra os conselhos que recebiam, e por esta razão o Senhor teve de guiá-los por quarenta anos no deserto, considerando-os indignos de entrar em sua terra escolhida e prometida, e jurou que toda aquela companhia — centenas de milhares — que havia saído da terra do Egito, de vinte anos para cima, exceto Josué e Calebe, não entraria na Terra da Promessa, tão grande era sua maldade; e cumpriu sua palavra. Tão provocado ficou em certa ocasião com sua rebelião, que ameaçou consumi-los num momento, mas Moisés suplicou ao Senhor que poupasse seu povo, para que os povos ao redor não dissessem que o Senhor não pôde levar seu povo à Terra Prometida. Disse Moisés — "Lembra-te de teu convênio que fizeste com Abraão, Isaque e Jacó, nossos pais, de que eles e sua semente teriam esta terra por herança eterna." "Não," disse o Senhor, "posso suscitar-te semente, Moisés, para que entres e possuas a terra." "Não," disse Moisés, "lembra-te daquele antigo convênio, para que teu povo não seja privado de sua herança;" e o Senhor finalmente decidiu dar ouvidos à voz de Moisés, e deixá-los entrar na terra. Mas disse ele — "Minha presença não subirá convosco, para que eu não irrompa contra vós em minha ira, e sejais consumidos num momento, mas enviarei um anjo convosco."

Nestes últimos dias, ao redimir seu povo da escravidão, ele nos disse em palavras claras que seu anjo iria adiante de nós, e também sua presença; e, como, na libertação de Israel nos tempos antigos, as águas foram divididas, e pragas enviadas sobre a nação egípcia, não me surpreenderia se poder semelhante se manifestasse na redenção de Sião. Poucos indivíduos talvez vão preparar o caminho, comprar um pouco mais de terra e pôr as coisas em ordem; mas, quando isso for realizado, este povo, como um corpo, retornará àquela terra, indo o Senhor com eles.

Nos tempos antigos, enquanto o Senhor permaneceu com Israel, manifestou sua glória sobre seu acampamento por uma nuvem de dia; e sempre que a nuvem se levantava, seguiam-na, e onde quer que repousasse, ali armavam suas tendas e permaneciam até que a nuvem se movesse de novo, quando de novo prosseguiam viagem. Ora, se Sião há de ser redimida da mesma maneira, não vos surpreendais se o Senhor Deus deixar que sua glória, em forma de nuvem de dia e de resplendor de fogo flamejante de noite, esteja sobre todo o acampamento de Sião. Isto é o que espero; talvez eu esteja um pouco entusiasmado, mas é realmente o que espero e aguardo; e, quando o Senhor diz que sua presença irá conosco, espero que ele esteja no meio deste povo como esteve no meio do antigo Israel, até que o rejeitaram de seu meio.

Conversou ele com eles no deserto antes de deixá-los?

Sim, falou com eles de uma nuvem ardente no monte que ardia, falou-lhes aos ouvidos pela voz de uma trombeta, e fez soar aos ouvidos de toda a casa de Israel os dez mandamentos, e todos, homens, mulheres e crianças, o ouviram. Espero eu manifestações semelhantes do poder e da presença de Deus quando Sião for redimida? Espero. Ele talvez não desça sobre montanha alguma, mas conversará com este povo de modo tão audível aos homens, mulheres e crianças, como o fez nos tempos antigos. Sião precisa ser redimida por poder, com um braço estendido, o anjo do Senhor indo adiante do acampamento deste povo, e retornarão, e um remanescente dos lamanitas com eles, para edificar a cidade de Sião no Condado de Jackson.

E que dizer de nossa herança, quando voltarmos para lá, nossas fazendas, etc.? Não precisamos inquietar-nos com isso, não haverá especulação, nenhuma ganância naqueles dias; ninguém dirá — "Vou tomar toda a terra ao redor, para poder especular com ela, vendendo-a a meus irmãos." Nada disto acontecerá, nenhuma alma sequer, entre todos os Santos dos Últimos Dias, receberá uma herança deste modo. Outra pessoa há de vir com o propósito especial de repartir aos Santos suas heranças. "Eis que," diz o Senhor Deus, "enviarei alguém poderoso e forte, revestido de luz como um manto, cujas entranhas serão uma fonte de verdade, que proferirá palavras, palavras eternas, e que repartirá aos Santos suas heranças por sorteio."

Já lestes esta revelação? Foi publicada no décimo quarto volume do "Millennial Star," e tem sido publicada em outras publicações. Diz alguém — "Se as heranças dos Santos hão de ser repartidas por sorteio, um homem bom, talvez, ficará com a pior herança, e alguns não tão bons receberão algumas das melhores, é tudo ao acaso." Oh, não, descobrimos que os sorteios lançados por designação divina, nos tempos antigos, eram lançados sob um princípio que designava exatamente aquilo que o Senhor desejava. Como foi numa certa ocasião, ao lançar sortes para descobrir o transgressor entre todas as hostes de Israel? Certo homem havia tomado uma cunha de ouro, e ao povo fora proibido tomá-la. Ninguém sabia coisa alguma sobre isso, senão o transgressor, e ele a escondeu na terra. Lançaram-se sortes, e a sorte caiu sobre certa tribo, não designou o homem de imediato; lançaram sortes de novo, e caiu sobre certa parte daquela tribo; lançaram sortes de novo, e caiu sobre certa família, e finalmente caiu sobre certo homem daquela família, e, sendo chamado, provou-se que era exatamente o homem, entre todas as centenas de milhares de Israel. Ora, aqui houve um lançar de sortes por designação divina, e o Senhor, que bem ordena todas estas coisas, fez com que exatamente aquilo se revelasse segundo sua própria mente. E, quando as sortes forem lançadas para que este povo receba suas heranças, o Senhor há de ordenar de tal modo que cada homem seja recompensado segundo suas obras, e isso também por sorte, por maior que seja o milagre.

Agora vos disse quase tudo o que sei, no que foi revelado, a respeito da redenção de Sião. Há, contudo, uma pequena coisa que desejo mencionar — que haverá bastante numerosa companhia de nós antes da redenção de Sião. Diz o Senhor, em certa revelação — "Mas primeiro, que meu exército se torne muito numeroso, e que se santifique perante mim, para que se torne belo como o sol, claro como a lua, para que seus estandartes sejam terríveis a todas as nações da terra." Aprendemos, desta declaração do Senhor, que, antes que Sião seja redimida, seremos um povo bastante numeroso; e isto concorda com o que está no sexagésimo capítulo de Isaías — "O menor virá a ser mil, e o mínimo, uma nação forte." Este é o nosso destino. Por mais que uivem nossos inimigos, quaisquer que sejam nossas tribulações futuras, o Senhor Deus decretou que Sião se tornará uma nação forte, que os exércitos de Israel se tornarão muito numerosos, e não apenas muito numerosos, mas também serão santificados perante ele, e tal poder se manifestará em seu meio, que seus estandartes serão terríveis a todas as nações da terra. Não serão terríveis porque superamos em número as nações, mas este terror de Sião, que haverá entre as nações, será por causa do poder do grande Jeová que se manifestará em seu meio, algo que as nações discernirão e compreenderão; e, quando despachos telegráficos forem enviados às partes mais distantes da terra, dir-se-á — "Quem pode resistir diante dos exércitos de Sião? Eis que o Senhor Deus está com eles como uma nuvem de dia, e como uma coluna de fogo de noite." O temor se apoderará das nações da terra, e os estandartes de Sião serão terríveis.

Estas são algumas poucas coisas pertinentes à redenção de Sião. Quisera ao Senhor que fôssemos suficientemente justos para conhecer mais algumas! Há muitas coisas que gostaria de saber a respeito da redenção de Sião que não sei, e presumo que vós também gostaríeis de sabê-las. Mas o que o Senhor revelou é muito claro quando ligado em conjunto; e, quando refletimos sobre isso, é espantoso para nós pensar que, em nossos dias, o Senhor decretou realizar tão grande obra no meio da terra. Será espantoso para nós quando chegar o tempo de o Senhor reunir, de cada parte deste grande continente, estes pobres, miseráveis e degradados lamanitas, para que seus servos tenham poder sobre eles a fim de trazê-los à civilização. Parece-nos impossível, mas lembrai-vos de que aquele é o dia do poder do Senhor, e que então se cumprirá o dito no Livro de Doutrina e Convênios, de que o Espírito do Senhor será derramado sobre os corações dos que forem ordenados a este poder; que todo homem, entre estes remanescentes de José, ouvirá o Evangelho em sua própria língua, pelo poder do Espírito Santo derramado sobre os que forem ordenados a este poder. Há tal dito no Livro de Convênios, e, quando chegar aquele dia, o Senhor Deus trabalhará poderosamente por sinais, maravilhas e milagres de várias maneiras, que terão influência sobre estes remanescentes de José, para convertê-los e trazê-los a um conhecimento da verdade, para que as orações de seus antigos pais, e dos Profetas e Élderes que outrora habitaram este continente americano, se cumpram sobre suas cabeças.

Não sei se fiz justiça ao assunto da redenção de Sião; se não o fiz, é porque não o compreendo suficientemente. Não sei que saiba algo a respeito do assunto, senão o que Deus revelou. Não tive visão alguma, revelação alguma a respeito deste assunto em particular; contudo, sei, por aquilo que me foi revelado, que estas coisas são verdadeiras, e que, em seus tempos e estações, cada jota e cada til delas se cumprirão. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “A Redenção de Sião—Perseguição—Batismo dos Índios—A Segunda Vinda de Cristo—Cada Jota e Cada Til da Revelação Divina Se Cumprirão”, (1875-02-07). Pulpit Vault, 1875-02-pratt-redemption-of-zion. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).